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Opinião Pública

Print version ISSN 0104-6276

Opin. Publica vol.18 no.2 Campinas Nov. 2012

https://doi.org/10.1590/S0104-62762012000200013 

TENDÊNCIAS

 

 

Este Encarte Tendências aborda a evolução das percepções dos brasileiros sobre questões ligadas ao Meio Ambiente entre os anos 1990 e 2010 e divide-se em duas seções.

A primeira delas apresenta a percepção sobre o problema ambiental e mostra, por parte dos entrevistados, razoáveis graus de conscientização sobre sua gravidade e de insatisfação com o respeito ao meio ambiente no cenário brasileiro. Essa preocupação com a questão ambiental é maior entre os mais instruídos, mas o menor acesso a níveis mais altos de escolaridade não significa uma maior complacência com o desrespeito ao meio ambiente, e sim, maior desconhecimento e maior incapacidade de posicionar-se frente à questão. Apesar da preocupação com a questão ambiental, é notável, por outro lado, que os entrevistados não vejam essa questão como prioritária entre as políticas governamentais.

Ainda na primeira seção, dados de pesquisas realizadas em algumas capitais brasileiras em 2000 e 2008 mostram a associação entre a questão ambiental e problemas urbanos, notavelmente o trânsito, a rede de esgotos e, inclusive, o calçamento de ruas e avenidas.

A segunda seção destaca, também através do tempo, a disposição dos brasileiros de contribuírem com a proteção ao meio ambiente, sobretudo através de ações em seu cotidiano. Os dados mostram um pequeno envolvimento com ações práticas: embora simpatizante de organizações ecológicas, a grande maioria dos brasileiros não participa dessas organizações; quase ¼ dos entrevistados não pagariam mais por um produto cuja renda fosse destinada à preservação do meio ambiente (2005) e 30% de jovens não contribuem para a preservação do meio ambiente (2008).

Um último tema abordado nesta seção diz respeito às atitudes relativas ao uso do automóvel e, em específico para a cidade de São Paulo, às opiniões sobre o rodízio de veículos. Em âmbito nacional, no início do ano 2000, apenas em torno de 1/5 dos entrevistados que dirigiam automóveis estavam dispostos a deixá-los na garagem uma vez na semana ou dar carona para colegas de trabalho como formas de proteger o meio ambiente. Finalmente, em 2007, a maioria dos paulistanos aprovava o rodízio de veículos. Neste caso, a aprovação associava-se positivamente ao grau de instrução.

Editores de OP

 

Gravidade do problema e satisfação com a proteção do meio ambiente

A preocupação dos brasileiros com o meio ambiente não é recente: em 1991, a maioria concordava que a questão ambiental era um problema grave; em 2010, a maioria também se declara insatisfeita com a proteção ao meio ambiente. No entanto, é notável o decréscimo da preocupação no período: enquanto em 1991 mais de 70% concordavam que a questão ambiental era "grave/ muito grave", em 2010, a maioria "insatisfeita/ muito insatisfeita" com a proteção do meio ambiente não chega a 50% dos entrevistados.

Os dados também mostram que os mais escolarizados são os que mais percebem a gravidade do problema ambiental e os mais insatisfeitos com a proteção do meio ambiente, mas o menor grau de instrução não significa que os menos instruídos não percebam a gravidade do problema.

 

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Pesquisa para 2005 mostra que a maioria dos brasileiros não acredita que o meio ambiente seja respeitado no Brasil. Observados segundo o grau de escolaridade, os dados apontam que apenas os analfabetos, em sua maioria, creem no respeito ao meio ambiente no país.

 

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Capitais brasileiras: problemas que preocupam os cidadãos

 

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Capitais brasileiras: problemas que preocupam os cidadãos

Ainda com relação aos problemas ambientais nas capitais brasileiras, é notável entre 2000 e 2008 o aumento da preocupação com o trânsito em praticamente todas elas, mas, sobretudo no sul, sudeste e centro-oeste. Em São Paulo, Vitória, Florianópolis e Goiânia, em torno de 25% dos cidadãos apontaram o trânsito como um dos três problemas que mais os preocupavam.

Em capitais do norte e do nordeste também é digno de nota que o calçamento de ruas e avenidas esteja entre os três problemas mais destacados.

 

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Em 2000, mais de 80% dos entrevistados acreditavam que para o Brasil ter um futuro melhor era muito importante participar de movimentos ecológicos. Quanto maior a escolaridade mais se apontava essa importância. Não obstante, em 2005, apenas 30% dos brasileiros confiavam no trabalho das ONGs na defesa do meio ambiente. Nesse caso, o grau de instrução não diferenciava os entrevistados na confiança/ desconfiança das ONGs e sim no desconhecimento delas.

 

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Participam de organizações de defesa do meio ambiente

Apesar da disposição em filiar-se a organizações ambientais, ao longo do tempo, é bastante baixa a participação dos brasileiros em grupos de defesa do meio ambiente. Ainda, a baixa participação independe do grau de instrução dos entrevistados.

 

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Atitudes cotidianas para proteger o meio ambiente

 

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Atitudes cotidianas para proteger o meio ambiente O uso do automóvel

Pesquisas nacionais para o início do ano 2000 mostravam que no máximo 25% dos brasileiros que dirigiam automóveis se disporiam a deixar de usar o carro uma vez por semana ou dar carona para colegas de trabalho para ajudar na proteção do meio ambiente.

A principal medida que a maioria dos brasileiros tomaria em primeiro lugar seria "regular o motor", sugerindo que deixar de usar o carro não estava entre as medidas consideradas.

Cabe notar que apenas em torno de ¼ dos entrevistados tinham o hábito de dirigir carros.

 

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Opinião sobre o rodízio de veículos

A grande maioria dos entrevistados paulistanos é favorável ao rodízio de carros na cidade de São Paulo. Essa opinião favorável aumenta com o aumento do grau de instrução dos entrevistados.

Por outro lado, embora em torno de 2/3 dos entrevistados considerem o rodízio "ótimo/ bom" para combater a poluição, melhorar o trânsito, a cidade e para eles pessoalmente, é notável que não haja diferença por grau de instrução na opinião de que tal rodízio seja positivo para o combate à poluição. Quanto maior a escolaridade, aumenta a avaliação regular; quanto menor, aumentam as respostas "não sabe".

 

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