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Anais da Sociedade Entomológica do Brasil

versão impressa ISSN 0301-8059versão On-line ISSN 1981-5328

An. Soc. Entomol. Bras. v.28 n.4 Londrina dez. 1999

https://doi.org/10.1590/S0301-80591999000400019 

COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA

 

Ocorrência e sazonalidade de Omorgus (Omorgus) suberosus (Fabr.) (Trogidae: Coleoptera) em esterco de aves poedeiras, em Monte Mor, SP

 

Survey and seasonality of Omorgus (Omorgus) suberosus (Fabr.) (Trogidae: Coleoptera) in poultry manure, in Monte Mor, SP

 

 

Sérgio L. GianizellaI; Ângelo P. PradoII

IFapesp, Departamento de Parasitologia, IB, Unicamp, Caixa postal 6109, 13083-970, Campinas, SP
IIDepartamento de Parasitologia, IB, Unicamp, Caixa postal 6109, 13083-970, Campinas, SP

 

 


ABSTRACT

Trogidae is a cosmopolitan family whose species have mainly necrophagous habits. They are among the last groups of the sucession of insects that invade carcasses, but they have also been recorded feeding on bat guano in caves, locust eggs, fly maggots and unusual itens, such as old carpet and felt-hat. From July 1991 to September 1993 the trogid beetle Omorgus (Omorgus) suberosus (Fabr.) (Coleoptera:Trogidae) were abundantly collected in poultry manure in Monte Mor, SP, with pitfall-traps. The seasonal distribution showed the unimodal pattern with peaks into spring and summer.

Key words: Insecta, poultry manure


 

 

A família Trogidae (Coleoptera) é de distribuição cosmopolita e é constituída por cerca de 300 espécies de hábito principalmente necrófago (Sholtz 1986). A maioria das espécies ocorre em regiões áridas dos continentes do Hemisfério Sul. Tanto os adultos quanto as larvas são necrófagos facultativos e têm sido assinalados alimentando-se de várias fontes de matéria queratinosa. Eles estão entre os últimos membros de sucessão de insetos que invadem carcaças, porém têm sido também assinalados se alimentando em guano de morcegos em cavernas, ovos de gafanhoto, larvas de moscas e em itens não usuais, como carpetes velhos, chapéus-de-feltro, almofadas de pele e crina de cavalo. Acredita-se que certas espécies sejam endêmicas em ninhos de aves predadoras como corujas, enquanto que outras espécies têm sido encontradas em tocas de animais carnívoros. Os ovos são colocados no solo variando em profundidade entre o substrato alimentar de onde eclodem as larvas que se posicionam verticalmente para se alimentar. Possuem três estádios, com duração total de aproximadamente quatro semanas. O estádio de pupa tem aproximadamente duas semanas. Algumas espécies, no estádio adulto, são fortemente atraídas pela luz e produzem sons.

Segundo Sholtz (1993) esta família é constituída de três gêneros: Trox Fabricius, Omorgus Erichson (com dois subgêneros: Omorgus Sholtz e Haroldomorgus Sholtz) e Polynoncus Burmeister. O gênero Trox tem grande distribuição principalmente nas regiões Holártica e Afrotropical, o gênero Omorgus ocorre normalmente em regiões áridas, principalmente nos continentes ao Sul e o gênero Polynoncus possui distribuição restrita à América do Sul.

Este trabalho tem como principais objetivos, relatar a presença deste coleóptero trogídeo e determinar sua sazonalidade no ecossistema artificial esterco de galinha.

Foram feitas 50 coletas quinzenalmente, de julho de 1991 a setembro de 1993, na Granja Capuavinha, Monte Mor, SP (22º56' de latitude Sul e 47º15' de longitude Oeste, 610 m de altitude) situada a 46 km do município de Campinas, SP.

A granja é de médio porte com capacidade máxima de 420.000 galinhas em fase de postura. O manejo do esterco é feito de duas maneiras: 1) controle químico: com pulverização de DDVP Técnico [0,0-dimetil-0-(2,2-diclorovinilfosfato)] sobre as fezes; 2) controle cultural: através da retirada do esterco, que no período aconteceu duas vezes. Armadilhas-de-solo foram distribuídas seguindo o método de "amostragem sistemática" (centric systematic area-sampled) de Krebs (1989). As armadilhas eram constituídas de frascos de vidro (de 6,5 X 7,5 cm) e foram enterradas sob as gaiolas no centro de quadrados contíguos de 1 m², totalizando 10 armadilhas por local e 10 m² por local de coleta. Para a realização do trabalho, foram sorteados quatro dos dez galpões existentes na granja, totalizando 40 m² de área amostrada por coleta, que se mantiveram fixos até o fim do experimento. As armadilhas possuíam no seu interior um líquido fixador (80% de água, 5% de glicerina, 5% de álcool a 70%, 5% de formol P.A. e 5% de detergente) para auxiliar a fixação e a conservação dos espécimes. A cada 15 dias, as armadilhas eram trocadas e o material levado para o Laboratório de Entomologia do Instituto de Biologia da UNICAMP, onde era separado, identificado e contado.

Entre outubro de 1991 e setembro de 1993 foram realizadas 50 coletas quinzenais onde foram identificados e contados 6.752 trogídeos adultos.

A identificação foi feita utilizando-se a chave fornecida por Sholtz (1990).

Esta é primeira citação da espécie Ormogus (Omorgus) suberosus (Fabr.) associada a esterco de aves poedeiras. A espécie possui 11,5 - 15 mm de comprimento e 6,5 - 8,0 mm de largura e é amplamente distribuída no Novo Mundo, desde o Canadá até o Sul da Argentina. Em casos documentados por Baker (1968) foi registrado que O. suberosus predava ovos de gafanhotos na América do Sul.

Existem poucas informações sobre os hábitos alimentares dos trogídeos na América do Sul, porém observações de coletores indicam que eles ocorrem em situações típicas da família, tais como: carcaças, peles e em acúmulo de esterco de aves poedeiras.

A Fig. 1 mostra a freqüência populacional mensal de adultos da espécie no período. A curva da distribuição apresenta padrão do tipo unimodal, tendo grandes picos populacionais entre os meses de setembro e dezembro nos dois anos em que foram coletados. Ocorreram abundantemente distribuídos por todos os galpões da granja estando sempre associados a locais onde havia grande quantidade de ração, ovos quebrados e penas que eram freqüentemente derrubadas pelos animais, misturada com fezes de consistência pastosa. Além disso, sua coloração produziu grande efeito mimético, fazendo-o, muitas vezes, passar despercebido no esterco mesmo estando em grande densidade populacional. Larvas da espécie nunca foram encontradas durante o trabalho.

 

 

Literatura Citada

Baker, C.W. 1968. Larval taxonomy of the Troginae with notes on biologies and life histories. Bull. U. S. Nat. Mus. 279 :1-79.         [ Links ]

Krebs, C.J. 1989. Ecological methodology. Harper & Row, New York, xii+700 p.         [ Links ]

Sholtz, C.H. 1986. Phylogeny and systematics of the Trogidae (Coleoptera: Sacarabaeoidea). Syst. Entomol. 11: 355-363.         [ Links ]

Sholtz, C.H. 1990. Revision of the Trogidae of South America. J. Nat. Hist. 24:1391-1456.         [ Links ]

Sholtz, C.H. 1993. Description of larvae of African Trogidae (Coleoptera), with implications for the phylogeny of the family. African Entom. 1: 1-13.         [ Links ]

 

 

Recebido em 18/03/98. Aceito em 31/08/99.

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