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Revista Brasileira de Reumatologia

versão impressa ISSN 0482-5004

Rev. Bras. Reumatol. vol.55 no.2 São Paulo mar./abr. 2015

https://doi.org/10.1016/j.rbr.2014.08.008 

Carta ao editor

Influência do climatério nas disfunções sexuais em mulheres com doenças reumáticas

Lilian Lira Lisboaa 

Sandra Cristina de Andradea  * 

George Dantas de Azevedoa 

aUniversidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, RN, Brasil


Caro editor,

A investigação da função sexual feminina é um tema crescentemente explorado, pela atual associação dessa à qualidade de vida das mulheres, assunto de interesse dos pesquisadores. Parabenizamos os autores Ferreira et al.1 pelo manuscrito publicado nesta revista, intitulado "Frequência de disfunção sexual em mulheres com doenças reumáticas". Nesse artigo, os autores pesquisam a frequência de disfunções sexuais em diversas doenças reumáticas, como lúpus eritematoso sistêmico (LES), artrite reumatoide (AR), esclerose sistêmica (ES), síndrome do anticorpo antifosfolípide (SAF) e fibromialgia (FM). Foi verificado que as mulheres com FM e ES foram as que apresentaram maior prevalência de disfunção sexual.

Estudos como esses são incontestavelmente importantes, haja vista que abordam um tema pouco investigado quando associado a doenças reumáticas.2,3 A sexualidade envolve muito além do ato sexual, é um aspecto integrante da vida do ser humano, e a disfunção sexual sabidamente acomete muitas mulheres, porém, além de tema pouco explorado pela classe médica, também é pouco relatado pelas mulheres, seja por vergonha ou por acharem que é uma passagem normal relacionada com a idade. Por esse e outros motivos, o funcionamento sexual não pode ser negligenciado durante consultas médicas ou na vida das pessoas, sobretudo daquelas que conhecidamente têm afecções associadas, que por diversas razões podem levar a disfunções sexuais.4

Como abordado na literatura e bem discutido pelos autores,1 as doenças reumáticas podem levar a importante impacto negativo na vida sexual por fatores relacionados à própria doença, como dor, rigidez matinal, edema de articulações e fadiga, ou ao tratamento, no qual os medicamentos usados podem levar à redução da libido.5,6

Entretanto, ressaltamos que no presente estudo as pacientes que tiveram maior prevalência de disfunção sexual tinham idade compatível com a fase do climatério, que compreende a faixa etária da menopausa.7 Esse aspecto é de grande relevância na investigação de disfunção sexual, pois é nessa fase que comumente ocorrem mudanças clínicas em consequência das alterações hormonais.8

As disfunções sexuais na fase de transição do período reprodutivo para o não reprodutivo são mais evidenciadas. Nessa fase, as mulheres estão mais vulneráveis a disfunções sexuais por relação direta com os sintomas da menopausa e pelo aumento da idade.8,9 No climatério, as mulheres vivenciam complexa interação de experiências individuais que afetam diretamente seu estado psicossocial e seu estilo de vida, além de mudanças metabólicas relacionadas com a diminuição gradual dos níveis de estradiol.10,11 Estudos prévios verificaram que ter 50 anos ou mais, estar em transição menopausal ou pós‐menopausal, não ter um parceiro sexual fixo, apresentar sinais de fogachos, insônia, depressão, nervosismo, sedentarismo, hipertensão arterial, incontinência urinária e baixa autopercepção de saúde são variáveis significativamente associadas a baixos escores de sexualidade.

Por fim, entendemos que o objetivo do presente estudo foi investigar a prevalência de disfunção sexual em mulheres com doenças reumáticas; entretanto, acreditamos que a fase em que as mulheres com diagnóstico de ES e FM tiveram maior prevalência de disfunção sexual, por estar sob influência da idade e consequentemente da fase do climatério, culmina com a menopausa.

De fato, estudos complementares que possibilitem analisar a influência desses fatores são necessários para enriquecer o achado do presente estudo, bem como colaborar com possíveis intervenções futuras para auxílio no tratamento com maior chance de demonstrar mais efeitos benéficos.

Referências

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*Autor para correspondência. E-mail: sandra.andrade.fisio@gmail.com (S.C.d. Andrade).

Conflitos de interesse

Os autores declaram não haver conflitos de interesse.

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