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Revista Brasileira de Educação

versão impressa ISSN 1413-2478versão On-line ISSN 1809-449X

Rev. Bras. Educ.  n.26 Rio de Janeiro maio/ago. 2004

https://doi.org/10.1590/S1413-24782004000200001 

EDITORIAL

 

 

Neste número, podem ser destacados, inicialmente, dois importantes textos relativos à alfabetização. Em primeiro lugar, o denso artigo de Judith Kalman, escrito com base em pesquisa sobre o domínio da leitura e da escrita nas práticas de várias gerações de mulheres com pequena ou nenhuma escolaridade, realizada em uma comunidade mexicana. Em segundo, a provocante intervenção de Munir Fasheh numa mesa-redonda promovida pela UNESCO em comemoração ao Dia Internacional da Alfabetização. Com base na cultura de sua mãe analfabeta, o autor questiona a desvalorização do saber da experiência frente ao saber erudito, tema presente quotidianamente nas discussões dos que trabalham com a educação popular.

A seguir, podem ser destacados dois outros artigos que abordam questões relativas à população do campo. Sônia Pereira apresenta os resultados de original pesquisa realizada com trabalhadores rurais de Baturité, no Ceará, pela qual analisou a construção da esfera pública no que denomina "homem simples", mediante a participação desses trabalhadores no sindicato da classe e nas comissões e colegiados criados na gestão de programas municipais. Neusa Maria Dal Ri e Candido Giraldez Vieitez analisam a experiência do curso Técnico em Administração de Cooperativas, uma escola de educação média e profissional mantida pelo Instituto Josué de Castro, ligado ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e com sede em Veranópolis, no Rio Grande do Sul.

Por sua vez, Danilo Romeu Streck explora a agenda da educação popular no Fórum Mundial de Educação, uma das expressões mais ricas da "sociedade em movimento", nos últimos anos. Trabalhando sobre a terceira edição desse Fórum, realizada em Porto Alegre em 2003, procura ver a educação popular em três frentes: o caminho para a inserção internacional, pelas redes globais; a oportunidade de repensar os problemas metológicos neles envolvidos, por meio de seus interlocutores; e as questões recorrentes e emergentes sobre a temática. Dentro dessa última, destaca o papel da educação popular frente à gestão democrática, à arte, ao trabalho, ao multiculturalismo e à globalização e às questões de gênero.

Os demais artigos cobrem temas variados. José Gondra e Inára Garcia apresentam resultado de pesquisa explorando a projeção da racionalidade médico-higiênica na construção social da infância, presente em manuais clássicos elaborados desde o século XVII e em teses defendidas na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, no século XIX. João Batista Martins explora a abordagem multirreferencial para a compreensão dos fenômenos educacionais, assumindo como pontos de partida a complexidade desses fenômenos e a necessidade de nova perspectiva epistemológica para bem analisá-los. Martha Marandino estuda tema importante e ainda pouco explorado em nossa literatura: a produção de saberes em museus de ciências. Alice Casimiro Lopes enfrenta a discussão sobre a frustrante continuidade das políticas curriculares estabelecidas no Governo Fernando Henrique Cardoso e no atual Governo Lula, porque mantidas pela mesma comunidade epistêmica e presas aos mesmos compromissos com as agências internacionais. Mériti de Souza, com base em sua experiência de psicóloga e seu trabalho pedagógico, reflete sobre a sempre presente relação subjetividade e educação. Maria Alice Nogueira apresenta os resultados de sua pesquisa sobre tema pouco trabalhado na sociologia da educação: a relação entre status econômico e excelência escolar. Finalmente, Ângela Siqueira, analisando documentos recentes produzidos pelas e para as agências internacionais, em especial a Organização Mundial do Comércio, explica o nascimento e as implicações do Acordo Geral sobre Comércio em Serviço, conhecido pela sigla inglesa OMC/GATS. Em particular, aponta os riscos de sua adoção para a educação, considerada mercadoria, o que afeta não só sua concepção como direito social, mas também a identidade e a soberania dos países.

Mais uma vez a Revista Brasileira de Educação mescla artigos resultantes de pesquisas e reflexões sobre temáticas atuais e importantes da área de educação. Vários desses artigos foram apresentados em grupos de trabalhos ou sessões especiais, nas reuniões anuais da ANPEd. Recomendados para publicação, foram submetidos à análise de pareceristas, sendo, conforme o caso, revistos e complementados, até assumirem a forma em que estão sendo publicados. Trata-se de processo habitual na maioria dos periódicos científicos, assegurando qualidade na disseminação da produção acadêmica.

De resto e como sempre, o elenco dos artigos e do tema inserido no Espaço Aberto é complementado por resenhas de livros atuais, objetivando chamar a atenção de nossos leitores para algumas edições destacadas, nem sempre acessíveis.

A Comissão Editorial

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