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Revista Brasileira de Educação

versão impressa ISSN 1413-2478versão On-line ISSN 1809-449X

Rev. Bras. Educ. v.11 n.31 Rio de Janeiro jan./abr. 2006

https://doi.org/10.1590/S1413-24782006000100016 

NOTA DE LEITURA

 

 

Gesuína de Fátima Elias Leclerc

Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal da Paraíba E-mail: gesuina.lecler@terra.com.br

 

 

HAHN, Lewis Edwin (org.). Perspectives on Habermas. La Salle, Ill.: Open Court, 2001, 672p.

Esta coletânea sobre a obra de Habermas foi pensada, inicialmente, segundo os objetivos do projeto The Library of Living Philosophers (A biblioteca dos filósofos vivos) que está em funcionamento desde 1938, tendo sido Paul Arthur Schilpp seu fundador e primeiro editor. O projeto acumulou em seu histórico as participações de John Dewey (1939, 1971, 1989), George Santayana (1940, 1951), G.E. Moore (1942, 1971), Ernst Cassirer (1949), Albert Einstein (1949, 1970), Karl Jasper (1957, 1981), Rudolf Carnap (1963), Karl Popper (1974), Jean-Paul Sartre (1981), Paul Ricoeur (1995), Donald Davidson (1999) e vários outros. O formato da publicação foi pensado para ser um diálogo entre especialistas e os grandes filósofos, não tendo o caráter de refutação ou de confrontação, mas de aprofundamento das posições e assuntos desenvolvidos pelos filósofos que tiveram o reconhecimento de sua obra ainda em vida. É um projeto muito trabalhoso e com um tipo de responsabilidade especial, por um lado porque requer dos críticos uma exposição à altura do interlocutor, da tradição e da reputação do projeto, e, de outro lado, porque requer do filósofo o balanço da obra de uma vida, na maioria dos casos, quando ele está fisicamente limitado pela idade avançada. Assim, o processo e o resultado de um trabalho de tal monta, instruem e emocionam. O objetivo do projeto é promover a interação criativa entre filósofos e seus críticos. O debate é antecedido por uma autobiografia intelectual ou uma biografia autorizada, seguida da exposição dos críticos, da réplica do filósofo em questão e finalmente uma bibliografia do mesmo, organizada cronologicamente.

Habermas mudou de idéia sobre sua participação no projeto The Library of Living Philosophers, apresentando uma justificativa, em 1999, quando o atual editor, Lewis Edwin Hahn (1908-), já reunira os trabalhos de vinte e oito especialistas, produzidos ao longo de oito anos. Perspectives on Habermas reúne esses trabalhos dos especialistas para homenageá-lo, sem as réplicas do filósofo. A organização do volume procura refletir o caráter sistemático do projeto de Habermas. O núcleo dos debates é a sua concepção comunicativa da racionalidade humana, sob o pano de fundo no qual a criação de uma ordem social racional está associada à formulação de uma concepção mais larga da razão que se tornou dominante no clima intelectual ocidental do pós-guerra. O desenvolvimento da teoria das normas da competência comunicativa e a defesa do ideal emancipatório seguem dessa formulação, e seus trabalhos no final dos anos de 1970 e no início dos anos de 1980 formam a base teórica dos seus trabalhos. Habermas explorou as ramificações da racionalidade comunicativa no campo da ética e da teoria, tornando-se uma importante referência nos debates sobre os papéis da ciência e da tecnologia. Os críticos revisitam suas raízes intelectuais no materialismo histórico e na Escola de Frankfurt, assim como as contribuições das tradições relacionadas com a filosofia analítica, a hermenêutica e com o pragmatismo americano. Hahn, então, agrupa os ensaios em cinco partes, de modo a facilitar o exame de cada um desses aspectos. A primeira parte considera os elementos básicos da teoria da racionalidade comunicativa de Habermas e reúne os ensaios de James Bohman, Lenore Langsdorf, Carlos Pereda, Alexander Bertland, Paget Henry, Garth Gillan, Eduardo Mendieta, Thelma Z. Lavine e Beth J. Singer; a segunda parte considera a ética comunicativa, com os ensaios de W.S. K. Cameron, Chung-Ying Cheng e Henrique Dussel; a terceira parte considera a política comunicativa e reúne os ensaios de Douglas Kellner, David Ingram, Paul G. Chevigny, Lorenzo C. Simpson, Martin Beck Matustík, Scott Bartlett, Max Oeschlaeger e Bill Martin; a quarta parte busca fazer comparações no campo do materialismo histórico, da hermenêutica, da ciência, tecnologia e da educação, com os ensaios de William L. McBride, Marie Fleming, G. B. Madison e Richard E. Palmer; a quinta e última debate o futuro da teoria crítica através do ensaio de James L. Marsh.

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