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Revista Brasileira de Educação

versão impressa ISSN 1413-2478versão On-line ISSN 1809-449X

Rev. Bras. Educ. vol.21 no.65 Rio de Janeiro abr./jun. 2016

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-24782016216515 

Editorial

EDITORIAL

Carlos Eduardo Vieira1 

Antonio Carlos Rodrigues de Amorim2 

Carlos Bernardo Skliar3 

Cláudia Ribeiro Bellochio4 

Laura Cristina Vieira Pizzi5 

Marcelo Andrade6 

Maria da Conceição Passeggi7 

Marília Gouvea de Miranda8 

1Universidade Federal do Paraná, Curitiba, PR, Brasil

2Universidade Estadual de Campinas, Campinas, SP, Brasil

3Facultad Latinoamericana de Ciencias Sociales, Autonomous City of Buenos Aires, Argentina

4Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, RS, Brasil

5Universidade Federal de Alagoas, Maceió, AL, Brasil

6Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil

7Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, RN, Brasil

8Universidade Federal de Goiás, Goiânia, GO, Brasil


As pesquisas em torno do trabalho docente ganharam significativo impulso no campo educacional a partir dos anos de 1990 no Brasil, seguindo uma tendência internacional. Este número da Revista Brasileira de Educação apresenta aos leitores um conjunto de artigos sobre a problemática da formação profissional docente composto por autores nacionais e internacionais, com destaque para os temas do educador reflexivo, prática, profissionalização, autobiografias, subjetividades e identidade profissional docente. Também compõem este número artigos decorrentes de pesquisas relacionadas às políticas públicas e à atuação de órgãos públicos na esfera da educação. O artigo na seção Espaço Aberto e a resenha refletem a variedade editorial da revista.

O primeiro artigo, "Os conceitos de professor pesquisador e professor reflexivo: perspectivas do trabalho docente", de Tatiana Bezerra Fagundes, problematiza os conceitos de professor pesquisador e professor reflexivo, amplamente difundidos no campo da educação, procurando evidenciar os contextos que motivaram suas construções no país, confrontando-os com as realidades educativas contemporâneas. A intenção é de encontrar subsídios para pensar a formação e a prática de professores.

O artigo "Teorías subjetivas en profesores y su formación profesional", de David Jorge Cuadra Martínez e Jorge René Catalán Ahumada, trata de uma pesquisa qualitativa realizada com professores de escolas básicas municipais na região de Atacama, Chile, cujo objetivo é apreender a teoria subjetiva que orienta a ação formativa desses professores. Os autores analisam o impacto de teorias subjetivas na formação docente considerando o conteúdo, a estrutura e a sua capacidade explicativa.

O artigo "De lavradora a professora primária na roça: narrativas, docência e profissionalização", de Jane Adriana Vasconcelos Pacheco Rios, situa-se na perspectiva da pesquisa (auto)biográfica e toma como fonte de investigação narrativas de formação, escritas por professoras da roça que atuam no ensino fundamental de escolas rurais do interior da Bahia, Brasil. A autora articula o processo de constituição identitária de ex-lavradoras que se tornaram professoras e a construção da profissão docente na roça. O lugar discursivo da comunidade da qual fazem parte destaca-se como aspecto fundante da identidade profissional.

Catia Piccolo Viero Devechi, Gionara Tauchen e Amarildo Luiz Trevisan, no artigo "Aprendizagem evolutiva na formação de professores: continuidade entre as certezas da ação e os acertos discursivos", analisam, com base na perspectiva habermasiana de continuação do mundo da ação e do mundo discursivo, teses de doutorado defendidas nas universidades federais brasileiras no período de 2007 a 2009 a respeito da possibilidade de uma aprendizagem evolutiva na formação de professores. Procuram identificar os elementos que caracterizam as diferentes abordagens epistemológicas mais utilizadas sobre o tema: materialista histórica, fenomenológico-hermenêutica, epistemologia da prática, epistemologia da complexidade, teoria da representação social e pós-estruturalista.

No artigo "A identidade do professor: desafios colocados pela globalização", Maria Inês Silva Teixeira Cardoso, Paula Maria Fazendeiro Batista e Amândio Braga Santos Graça argumentam que a contemporaneidade disseminou teorizações sobre a identidade docente e provocou um deslocamento do nível da não reflexividade para um metanível de atividade reflexiva e crítica, tensionando a identidade nas dimensões individual e coletiva. Esse deslocamento tem o potencial de fazer emergir um sujeito transformador e, no caso do professor, essa transformação dependeria do seu envolvimento, profissionalismo e competência profissional.

No artigo seguinte, "Tendencias metodológicas en los docentes universitarios que forman al profesorado de primaria y secundaria", Ángel De-Juanas Oliva, Ángel Ezquerra Martínez e Rosa Martín del Pozo argumentam que, na Espanha, a educação superior recebeu um forte impulso, mas enfoques metodológicos, tais como trabalhos em equipe, seminários, debates, entre outros, não acompanharam esse processo de desenvolvimento. A pesquisa desenvolvida com a participação de docentes universitários, que trabalham na formação de professores do ensino fundamental e médio, revela uma tendência ainda tradicional e intermediária de orientação construtivista.

O artigo "A cooperação em uma federação heterogênea: o regime de ­colaboração na educação em seis estados brasileiros", de Catarina Ianni Segatto e Fernando Luiz Abrucio, trata de uma pesquisa realizada em seis estados brasilei­ros: Acre, Ceará, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará e São Paulo, com a intenção de analisar a atuação dos governos estaduais no processo de coordenação federativa com os municípios na esfera da educação. A pesquisa detectou vários modelos de cooperação entre estados e municípios nos estados pesquisados, mas apenas um deles apresentou um modelo desejável de cooperação de caráter mais permanente e sistêmico.

O artigo "O Supremo Tribunal Federal e a garantia do direito à educação", de Elisângela Alves da Silva Scaff e Isabela Rahal de Rezende Pinto, analisa a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) com relação às demandas judiciais no campo do direito à educação de crianças e adolescentes no período de 2003 a 2012. As autoras observaram que, apesar da falta de diálogo da corte com a área educacional e o pouco aprofundamento sobre o tema, o posicionamento do STF tem sido favorável à efetivação do direito à educação, inclusive à educação infantil, como direito fundamental.

O artigo "Mediação pedagógica na educação de jovens e adultos: exigência existencial e política do diálogo como fundamento da prática", de Adriana Regina Sanceverino, apresenta uma investigação a respeito das circunstâncias e condições necessárias para que se processem as mediações nas situações de ensino e aprendizagem do conteúdo adequadas à educação de jovens e adultos (EJA) em escola de ensino fundamental em Santa Catarina, no sul do Brasil. O estudo mostra que as mediações do diálogo criam condições de desenvolver o pensamento crítico dos estudantes e a práxis educativa nessa modalidade de ensino.

O último artigo, "Aprendizagens no contexto de uma atividade: um confronto teórico analisado a partir de um exemplo prático", de Eduardo Sarquis Soares, Grace Marisa Miranda de Paula e Maria Lúcia Vieira, aborda a questão da mudança conceitual com base em uma investigação da prática docente, destacando duas posições teóricas a respeito do tema. A primeira, orientada pelo construtivismo piagetiano, enfatiza a evolução cognitiva interna ao indivíduo, e a segunda, de inspiração vygotskiana, destaca as interações entre os sujeitos em situação de aprendizagem. Os autores confrontam essas duas abordagens na pesquisa realizada com docentes, levantando a possibilidade desses dois paradigmas conviverem na prática docente.

Na seção Espaço Aberto, o texto "Interlocuções com Marilyn Cochran-Smith sobre aprendizagem e pesquisa do professor em comunidades investigativas", de Dario Fiorentini e Vanessa Crecci, apresenta a vida e os principais constructos teóricos propostos por Marilyn Cochran-Smith em colaboração com Susan Lytle, destacando os interlocutores brasileiros e as contribuições relacionadas à pesquisa do professor sobre sua própria prática e à pesquisa sobre a aprendizagem e o desenvolvimento do professor em comunidades investigativas. É apresentada uma entrevista completa de Cochran-Smith concedida aos autores em 2012 no Boston College.

Encerra este número a resenha de Thiago Ribeiro Borges, Flávio Aurélio de Souza Prado, Pedro Ricardo Guimarães Veras e Anelise de Barros Leite Nogueira, sobre o livroEducação social e psicologia, das autoras Sueli Maria Pessagno Caro e Raquel Souza Lobo Guzzo. Os resenhistas destacam no livro os diferentes aspectos da educação social, abordam tópicos referentes às características da área, enfatizam os principais aspectos necessários a uma satisfatória atuação dos educadores ­sociais e como se encontra esse campo do saber na realidade educacional brasileira. Os autores destacam que uma das grandes contribuições do livro para a pesquisa educacional é oferecer maior entendimento a respeito da identidade e atuação do educador social, especialmente no contexto universitário.

Diferentes artigos deste número abordam a formação de professores do ensino básico e suas condições de trabalho em diferentes contextos e modalidades de ensino. Pela atualidade de seus questionamentos, pela pertinência de seus referenciais teóricos, conceituais, metodológicos, assim como por suas preocupações com a prática cotidiana da sala de aula, eles trazem relevantes contribuições para uma revisão crítica da literatura e o adensamento do debate a respeito das novas diretrizes para formação docente. Nas pesquisas aqui apresentadas, destaca-se a centralidade da pessoa do professor e de suas potencialidades como intelectual, tanto na análise e interpretação reflexiva de seu processo contínuo de formação quanto de um redimensionamento político de sua participação social. Essas contribuições da pesquisa educacional que evidenciam a atuação docente em diferentes ambientes educacionais, marcados por característica culturais e interculturais próprias, são potencializadas por enfoques que invertem uma lógica aplicacionista e tecnicista na formação docente a favor de uma razão biográfica, que leva a sério o reconhecimento da historicidade de suas aprendizagens e das tensões em que se configuram seus pertencimentos e identidades profissionais.

Desejamos uma boa leitura a todos.

Rio de Janeiro, abril de 2016

Creative Commons License Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.