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Psico-USF

On-line version ISSN 2175-3563

Psico-USF vol.24 no.1 Campinas Jan./Mar. 2019

https://doi.org/10.1590/1413-82712019240113 

Artigos

A Doação na Literatura Científica Nacional: Contribuições à Psicologia Moral

Donations in Brazilian Scientific Literature: Contributions for Moral Psychology

Donación en la Literatura Científica Nacional: Contribuciones a la Psicología Moral

Luciana Karine de Souza1 
http://orcid.org/0000-0001-9641-6163

Lia Beatriz de Lucca Freitas2 
http://orcid.org/0000-0002-8854-6512

1Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG

2Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS


Resumo

Conduziu-se uma revisão da literatura científica nacional publicada sobre doação com o objetivo de identificar temas para pesquisas no campo da Psicologia Moral. Os 49 artigos analisados abordaram doação de sangue, córneas, leite humano, medula óssea, gametas, órgãos e tecidos. O tratamento qualitativo sobre os artigos envolveu análise temática e o software NVivo. Sete temas resultaram da análise: por que doar, por que não doar, princípios e valores, sentimentos negativos, religião, mídia e esperança. Aspectos morais (compaixão, empatia, altruísmo, generosidade, gratidão) destacaram-se como antecedentes ou consequentes da doação. Evidenciou-se a ausência de artigos sobre doação de agasalhos, brinquedos, alimentos, livros - objetos com custo pessoal destacadamente menor do que os identificados na literatura. A compreensão das idiossincrasias de doadores e receptores, pelo estudo das virtudes, por exemplo, pode colaborar para a compreensão da doação e para aplicações sociais e educativas para promovê-la.

Palavras-chave: revisão de literatura; doação; moral; virtudes

Abstract

We conducted a literature review on the scientific literature published on donations in Brazil in order to identify themes for scientific investigations in the field of moral psychology. This exploratory study analyzed 49 articles that discussed donations of blood, cornea, breast milk, bone marrow, gametes, organs, and tissues. The thematic analysis conducted had the support of NVivo software. The results showed seven core themes: why donate, why not donate, principles and values, negative feelings, religion, media, and hope. Moral aspects (e. g., compassion, empathy, altruism, generosity, gratitude) came out as preceding donations or resulting from them. There were no articles on donation of clothing, toys, food, books - objects with less personal cost in comparison to what the analyses demonstrated. The study of virtues is an example of how one can understand the idiosyncrasies of donors and recipients, the process of donation itself, and how to develop social and educational actions to encourage donations.

Keywords: literature review; donation; morality; virtues

Resumen

Se llevó a cabo una revisión de la literatura científica nacional publicada sobre donación, con el objetivo de identificar temas para investigaciones en el campo de la Psicología Moral. Los 49 artículos analizados trataron el tema de donación de sangre, córneas, leche materna, medula ósea, gametos, órganos y tejidos. El tratamiento cualitativo sobre los artículos comprendió un análisis temático y el software NVivo. Del análisis resultaron siete temas: porqué donar, porqué razón no donar, principios y valores, sentimientos negativos, religión, medios de comunicación y esperanza. Aspectos morales (compasión, empatía, altruismo, generosidad, gratitud) se destacaron como antecedentes o consecuentes de la donación. Quedó evidente la ausencia de artículos sobre donación de ropas de abrigo, juguetes, alimentos, libros - objetos con un costo personal inferior a los identificados en la literatura. La comprensión de las idiosincrasias de los donantes y receptores a través del estudio de las virtudes, por ejemplo, puede contribuir para la comprensión de la donación y para aplicaciones sociales y educativas para promoverla.

Palabras-clave: revisión de literatura; donación; moral; virtudes

Introdução

Doar é uma ação apreciada em diferentes sistemas filosóficos e religiosos. Pesquisas científicas dedicadas ao tema o incluem no escopo do comportamento pró-social, do altruísmo e da empatia (Iajya, Lacetera, Macis, & Slonim, 2013; Ongley, Nola, & Malti, 2014; Shaw & Webb, 2015). Tais esforços analisam o ato de doar e suas motivações e cognições, muitas vezes de modo distante dos contextos que o envolvem de forma intensa, e que engendram valores específicos às práticas ali desenvolvidas. Assim, parece coerente considerar que a doação de um órgão para transplante e a doação de um livro para uma biblioteca organizam, de modo distinto, valores morais implicados no ato da doação.

Este artigo busca conhecer como é tratado o tema da doação na literatura científica nacional disponível. Aliado a isso, cabe identificar os valores morais abordados nas publicações científicas sobre o tema com o objetivo de também traçar possíveis contribuições para um campo do conhecimento que muito pode colaborar cientificamente com pesquisas sobre a doação: a Psicologia Moral.

Enquanto campo de estudos, a Psicologia Moral investiga processos psíquicos por meio dos quais se legitimam regras, princípios e valores morais (Freitas, 2007; La Taille, 2010). Os estudos clássicos dessa área, notadamente de Piaget (1932/1992) e Kohlberg (1984), dedicaram-se a examinar o domínio deôntico da moralidade humana, relacionado aos conceitos de certo e errado e, portanto, circunscrito a questões de direitos e deveres (Lourenço, 2000). Desde o final do século XX, contudo, observa-se um crescente número de trabalhos sobre temas do domínio aretaico da moralidade, ou seja, pertinente aos conceitos de louvável e reprovável, na emissão de juízos sobre a pessoa como um todo ou a aspectos positivos (virtudes) ou negativos (vícios) de seu caráter (Lourenço).

Dados recentes confirmam essa tendência. Dellazzana-Zanon, Bordini, Sperb e Freitas (2013) revisaram a literatura científica nacional em desenvolvimento moral publicada na década de 2000. Os temas mais tratados nos 48 artigos localizados foram virtudes, nível de desenvolvimento moral, instrumentos de medida de desenvolvimento moral, práticas educativas e vícios. Metade dos artigos envolveu virtudes, como fidelidade (à palavra dada), generosidade, gratidão, justiça, perdão e solidariedade. Isso mostra quão recente, e atual, é o tema das virtudes nas linhas de pesquisa em Psicologia Moral no país.

Nesse contexto, a doação surge como um assunto instigante. Podem-se doar órgãos, tecidos, sangue, leite humano, embriões, cadáver, agasalhos, livros, medicamentos, alimentos, brinquedos. O dom é aquilo que é doado, “um verdadeiro bem” (Marzano-Parisoli, 2003, p. 478): seu valor remete à criação ou fortalecimento de vínculos interpessoais (valor moral), e não a seu preço (valor econômico). Assim, considera-se que a doação merece mais atenção dos pesquisadores. Há dados que indicam a urgência em se tratar do tema (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, 2015; Brasil, 2014; Campos, s/d; Neto, 2015).

Dados sobre a Situação das Doações no Brasil

Doar é sazonalmente abordado em campanhas de alimentos, agasalhos, brinquedos, livros e outros bens que podem trazer conforto para famílias atingidas por desastres (colchão, móveis, cobertas etc.). No entanto, o ato de doar muitas vezes é dificultado por aspectos que não são óbvios à espontaneidade da boa vontade. Por exemplo, no que diz respeito à doação de alimentos já preparados, há questões como a proteção ao consumidor, as regulações técnicas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e a responsabilidade criminal em caso de intoxicação pelo alimento doado. O Projeto de Lei 672/2015, aprovado pelo Senado em dezembro de 2016 e em tramitação na Câmara dos Deputados desde fevereiro de 2017, procura abordar o problema pela via da redução do desperdício de alimentos. É um encaminhamento bem-vindo diante de um quadro nacional em que milhões de brasileiros ainda carecem de condições mínimas para lidar com a fome.

Se complexa é a doação de alimentos, ainda mais é a doação de sangue, leite humano, embriões e órgãos. E ainda, neste último caso, a doação pode ocorrer tanto a partir de um doador vivo quanto do corpo de um doador falecido, seja para prover qualidade de vida como para colaborar com estudos acadêmicos e científicos. São doações mais caras à vida humana, recebendo grande atenção da mídia e da sociedade.

Com relação à doação de sangue, para que os estoques permaneçam estáveis, a doação regular deveria ser realizada por 4% da população brasileira, como recomenda a Organização Mundial da Saúde. Todavia, até o momento só a metade foi alcançada (Brasil, 2014). Trata-se de uma situação de fato preocupante.

Na doação de órgãos, enquanto em países desenvolvidos o índice é de 20 a 40 doadores por milhão de habitantes ao ano, no Brasil é de apenas 3,7. O maior empecilho é a recusa familiar em consentir com a doação dos órgãos e tecidos do falecido (Campos, s/d). No primeiro trimestre de 2015, 70% de potenciais doadores não tiveram seu(s) órgão(s) doado(s), 43% por recusa familiar (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, 2015). Destaca-se, nesse cenário, a tomada de decisão prévia do doador.

Outro tipo de doação é o de cadáveres para uso em aulas de anatomia. Um estudo recente realizado em 83 universidades brasileiras mostrou que órgãos dissecados não permitem uma aprendizagem eficaz como com corpos inteiros e não dissecados. Por isso, 12 universidades criaram um programa de doação de corpos, o que possibilitará o exercício de cirurgias em cadáveres pelos alunos (Neto, 2015).

A doação de sangue, de órgãos e de cadáveres pode conflitar com valores religiosos. Nessa direção, doar está envolto em valores importantes no horizonte de qualquer grupo humano minimamente ocupado com o bem-estar da própria espécie, quiçá de sua relação com as demais e a convivência neste planeta. Justamente por envolver valores, e valores inter-relacionados, doar não é uma ação isenta de polêmicas e impasses. É terreno fértil, portanto, para reflexões éticas e morais.

Princípios Éticos e Valores Morais Envolvidos na Doação

Snelling (2014) destacou tensões morais em torno da doação de sangue. Um problema é aceitar que “a ausência de evidência para algo seja a evidência da ausência de algo” (p. 349). Nos documentos governamentais e em propagandas televisivas de diversos países, a doação de sangue é mostrada como altruísta e de responsabilidade moral - ou seja, doar sangue é concomitantemente não obrigatório e obrigatório. De tal modo, aquele que não doa é moralmente desprezível, ainda que não haja dados que condenem sua ausência nem sustentem o argumento da obrigatoriedade. Esse autor destaca também que, na doação de órgãos após a morte, os custos estimados são os de (a) pensar sobre a mortalidade, (b) alguns minutos para preencher um formulário e (c) discussão com familiares. Nos benefícios, a doação salva e também melhora a vida de muitas pessoas.

No contexto da doação de órgãos, Shaw e Webb (2015) analisaram a metáfora da vida como um presente. É uma expressão usada nas campanhas para promover a doação como um ato pró-social e um valor comunitário. Os autores argumentam que provavelmente a relação interpessoal construída entre doador e receptor confirma o que a literatura mostra sobre os receptores de órgãos e sua “sensação esmagadora de dívida em função da magnanimidade do presente (recebido) e de sua impossibilidade de retribuir” (p. 601).

A fim de compreender a experiência moral da doação de órgãos e do transplante, Shaw e Webb (2015) entrevistaram neozelandeses doadores vivos, transplantados e indígenas maori. A metáfora da vida como um presente foi entendida como algo positivo (a doação é altruísta e desinteressada), neutro ou inapropriado (enganosa, insuficiente ou romantizada). Para os autores, a metáfora não é compartilhada por todos os envolvidos na situação de doação e transplante porque parece mascarar aspectos vívidos que circundam o contexto da doação de órgãos: (a) a percepção de sacrifício, (b) o sentimento de dívida e (c) a noção dos riscos médicos, psicossociais e financeiros. Ademais, Shaw e Webb (2015) constataram que é comum transplantados desejarem demonstrar gratidão aos familiares do doador.

Os estudos de Snelling (2014) e de Shaw e Webb (2015) são importantes, visto que chamam a atenção para aspectos morais/éticos tanto na doação de sangue quanto na doação de órgãos. Todavia, podem-se doar também alimentos, agasalhos, brinquedos etc. Logo, diante da relevância do ato de doar, de seu alcance social e dos aspectos morais/éticos presentes nesse ato, desenvolveu-se o presente estudo.

Partindo dessas constatações, foram traçadas perguntas norteadoras: Quais temas são citados nos artigos publicados sobre doação no país? Quais aspectos carecem de investigação científica e podem receber contribuições da Psicologia Moral? O objetivo deste trabalho é relatar uma revisão da literatura nacional sobre doação, a fim de identificar seus principais temas e traçar contribuições para pesquisas em Psicologia Moral ao tema investigado.

Método

Seleção dos Textos para a Revisão

Em fevereiro de 2015, foi realizada uma busca por artigos científicos publicados em periódicos científicos disponíveis na Biblioteca Virtual em Saúde-Psicologia (BVS-Psi) (www.bvs-psi.org.br) com o termo doação no campo geral de busca. A busca exibiu 192 textos na base SciELO, 18 na Index Psi Periódicos Técnico-Científicos, 1 na Index Psi Divulgação Científica e 11 na PePSIC. Os resultados da SciELO também continham os das demais bases. Portanto, foram lidos os títulos e resumos dos 192 artigos da SciELO, e descartados aqueles que não tratavam de pesquisas com seres humanos. Ao final da leitura, 49 artigos foram selecionados para análise e importados para o software NVivo versão 10 para tratamento qualitativo. Todos os artigos foram lidos na íntegra.

Análise da Frequência de Palavras, de Termos em Contexto e Pesquisa de Texto

Empreendeu-se uma consulta de frequência de palavras, tendo como critérios um mínimo de cinco letras e um máximo de mil resultados. Da lista resultante eliminaram-se advérbios, pronomes, artigos (in)definidos, numerais etc. Em seguida, selecionaram-se as palavras conceitualmente pertinentes à doação e suas implicações. Alguns termos foram selecionados para leitura em contexto largo ou amplo, ou seja, inseridos no parágrafo no qual se encontravam. Essa leitura gerou a eliminação de trechos selecionados com a palavra escolhida, mas utilizados com sentido não relacionado à questão da doação. Um exemplo foi a palavra “respeito”, com 127 ocorrências, usada em expressões, como “a respeito de”, “diz respeito a”, “com respeito a” - restaram 31 ocorrências após essas exclusões.

A análise da frequência de palavras, de termos em contexto e de pesquisa de texto encerrou com a obtenção de 21 termos relevantes ao tópico da doação. Como o software utiliza o termo “referência” para significar trecho selecionado ou extrato, o presente texto daqui por diante seguirá a nomenclatura usada pelo software. De modo concomitante e complementar à análise recém-descrita, efetuou-se uma análise temática (AT).

Análise Temática da Revisão da Literatura Nacional sobre Doação

Os 49 artigos foram submetidos à AT com os critérios de Braun e Clarke (2006). Esses critérios foram sistematizados em seis fases da análise: (a) familiarização com os dados (leitura ativa repetida), (b) geração dos primeiros códigos, (c) busca por temas, (d) revisão dos temas, (e) definição e nomeação dos temas, e (f) produção do relatório.

Na fase de familiarização com os dados, na medida em que os artigos eram lidos, marcavam-se, em códigos provisórios, trechos relevantes relacionados às perguntas de pesquisa. Por essa razão a leitura de familiarização é ativa (Braun & Clarke, 2006). Termos significativos também eram marcados por codificação NVivo, que possibilita criar e nomear um código com o nome do termo selecionado.

A segunda fase (geração de códigos iniciais) requisitou a leitura de todos os trechos marcados dentro dos códigos gerados na fase 1. Tal leitura possibilitou a criação de novos códigos, relidos e revisados, transformados e somados no processo. A codificação inicia quase que naturalmente, posto que o pesquisador, com as leituras feitas e com a segurança de suas perguntas de pesquisa, busca aproximações entre trechos e primeiros códigos criados. Esses códigos sinalizam categorias que, nesse momento da análise, são preliminares, demasiado amplas. No software NVivo, a categoria é referida como um .

A terceira fase consistiu na busca por temas específicos resultantes finda a fase 2. Essa busca, mais direcionada e menos flutuante, focalizou temas mais gerais, porém diretamente relacionados à doação. Ao final dessa fase, 12 nós agregavam os extratos codificados.

Na revisão dos temas, atinente à quarta fase, os 12 nós foram relidos, tendo alguns trechos revistos em contexto. Aqui nota-se um intercâmbio mais direto entre as consultas de frequências e a AT. Nesse momento, buscaram-se aproximações entre os nós da terceira fase e os termos mais frequentes, gerando uma grade única de nós. Algumas referências trocaram de lugar, como é esperado nessa quarta fase da AT. Ademais, criaram-se novos nós a partir de outros que, pela amplitude de significados, não estavam contribuindo com o objetivo de identificar os tópicos relevantes à produção científica publicada sobre doação no Brasil. O objetivo principal da fase 4 é atingir um refinamento e um senso de fechamento dos temas suficientemente seguro para que a fase 5 inicie. A fase 4 encerrou com uma grade de 15 nós.

A quinta fase requer a definição e nomeação final dos temas. Foi necessário definir cada tema de modo conciso, claro e em poucas linhas (Braun & Clarke, 2006).

A AT dos 15 nós permite propor a construção de temas sobre a revisão da literatura publicada e disponível, no país, sobre doação. Na AT, os temas devem representar os dados, responder às perguntas de pesquisa, contar uma “história”, sendo capazes de realmente descrever as características de um dado objeto de estudo ou de aprofundar algum aspecto em foco. Com auxílio do software, foi elaborado um modelo com os temas construídos - uma representação esquemática dos nós e de suas relações.

A última fase da AT (fase 6) é a produção do relatório sobre os temas construídos. Assim, apresentam-se, a seguir, cada tema resultante da análise, bem como sua descrição no contexto da revisão de literatura sobre doação (Braun & Clarke, 2006).

Resultados

Os 49 artigos consultados na presente AT sobre doação foram publicados por estudiosos e pesquisadores de distintas áreas do conhecimento, com predomínio da Medicina, da Enfermagem e da Psicologia. Dos textos analisados, 29 eram descritivos (com coleta de dados com seres humanos), seis analisaram documentos, cinco relataram revisão de literatura, um foi comparativo, e os demais de outros tipos. Dez dedicaram-se à doação de sangue, dois de córneas, três de leite humano, um de medula óssea, um de gametas e os 32 restantes focalizaram a doação de órgãos ou tecidos. Dos 32 artigos que coletaram dados, 28 foram com adultos (majoritariamente sobre motivos para consentimento ou recusa à doação), três com adolescentes e um com crianças.

Na listagem das referências do presente artigo, constam os 49 textos analisados, identificados com um asterisco. Foi possível notar que, quanto ao período dos textos, dois foram publicados entre 1995 e 2000, seis entre 2001-2005, 20 entre 2006-2010, e 21 trabalhos datam do período 2011-2014. Também é evidente que a maioria das publicações possui mais de um autor.

A Tabela 1 mostra o resultado das análises de três buscas: (a) das palavras mais frequentes; (b) das palavras mais relevantes obtidas com a leitura integral dos 49 artigos e sua análise em contexto; e (c) de termos derivados ou associados aos identificados em (a) e (b). Exemplos de referências ilustram o sentido buscado.

Tabela 1 Frequência e Exemplo de Trechos com as Palavras mais Frequentes do Corpo de Dados 

f Exemplo
solidariedade 92 Doar órgãos é ato de amor e solidariedade.
confiança 57 A confiança é importante para doar sangue.
autonomia 46 O exercício da autonomia motiva a beneficência social.
esperança 36 Tem esperança de mudança em suas vidas.
respeito 31 Respeito à dignidade da vida humana.
responsabilidade 28 Responsabilidade coletiva.
voluntária 25 A doação voluntária é uma ação altruísta, positiva e solidária.
livre/liberdade 11 A doação é livre e esclarecida.

Como mostra a Tabela 1, a análise permitiu a identificação dos termos simultaneamente relevantes em termos quantitativos e qualitativos. Percebe-se a construção coesa de sentido, por exemplo, na criação do nó com trechos sobre “livre”, “liberdade” e “voluntária”. Por exemplo, a leitura em contexto dessas três palavras evidenciou que esta última - presente seja nos argumentos da introdução, na descrição metodológica, na apresentação dos resultados, na interpretação dos achados, ou nas discussões teóricas e conceituais - foi utilizada na aproximação com o altruísmo, ao passo que “livre” e “liberdade” foram remetidas à questão do sujeito estar esclarecido, ou informado, com respeito a todos os aspectos que permeiam uma doação.

A Tabela 2 apresenta os nós elaborados a partir da AT, finda a quarta fase. Nessa Tabela 2, é exibida a quantidade de artigos revisados e de referências associados a cada nó. Não consta na Tabela 2 o nó “outras justificativas para doar” (16 artigos, somando 38 trechos).

Tabela 2 Frequência de Artigos e de Trechos Marcados, por Nó (Categoria) 

nó (categoria) artigo trecho
por que não doar 27 91
ajuda e altruísmo 26 83
estratégias de incentivo à doação 21 43
livre e voluntária 15 31
esperança 14 36
princípios e valores 13 34
respeito 12 31
sentimentos negativos 11 16
religião 11 22
recompensa 7 13
bem-estar 7 13
mídia 4 15
gratidão 3 6
pressão e aprovação sociais 3 6

Conforme a Tabela 2, 14 nós resultaram da AT sobre os 49 artigos. Não fosse o objetivo de a AT gerar temas qualitativamente relevantes ao objeto de estudo por meio de um processo iterativo, contextualizado e reflexivo, a análise estaria encerrada nessa etapa. No entanto, os 14 nós tão somente informam, mas não representam, os argumentos, debates, resultados e interpretações publicados nos artigos. Essa representação se dá, na AT realizada, com a consolidação dos temas (e, quando for o caso, subtemas).

Definiram-se sete temas: (a) por que doar, (b) por que não doar, (c) princípios e valores, (d) sentimentos negativos, (e) religião, (f) mídia e (g) esperança. A Figura 1 contém os temas em retângulos e os subtemas em círculos. Destaca-se, novamente, que o tema não é, necessariamente, uma repetição do nó.

Figura 1 Mapa temático da revisão da literatura nacional sobre doação. 

Os sete temas gerados, como argumentado anteriormente, são uma representação dos conteúdos tratados nos 49 artigos. Esses temas atravessam as publicações e, consequentemente, o tema principal do presente estudo: a doação. Como se pode notar na Figura 1, dois temas apresentam subtemas: (a) “por que doar” e (b) “princípios e valores”.

Os Temas Abordados nos Artigos sobre Doação

Por que doar? As justificativas para a doação são majoritariamente de cunho altruísta ou de ajuda a outrem. Abarcam solidariedade, caridade, bondade, cordialidade, generosidade, compaixão, filantropia, humanitarismo, espírito de comunidade, beneficência e benevolência. Muitos mencionam que a doação gera bem-estar, felicidade, satisfação, conforto, prazer em ajudar, realização plena e alegria. Há também justificativas calcadas em pressões sociais, aprovação social, recompensa, relação de troca (reciprocidade) e evitação de desperdício.

Por que não doar? Uma das justificativas mais presentes é a desinformação da população sobre o processo de doação, consequência da falta de esclarecimentos. Há uma desconfiança no sistema de saúde, especialmente diante de ameaças de tráfico de órgãos, falhas de biossegurança e da postura distante e, por vezes, arrogante da equipe de saúde. Outra justificativa é o não entendimento do conceito de morte encefálica, especificamente no contexto da doação de órgãos e tecidos. Para muitos familiares, há esperança de recuperação, de erro no diagnóstico ou de um milagre. Dessa forma, a permissão para a doação dos órgãos é uma sentença de morte, como se a decisão fosse responsável pelo desligamento dos aparelhos que mantinha o doador vivo. Há também ideias de mutilação do corpo do doador e casos em que a família desconhece as intenções do falecido sobre a doação. Por vezes os próprios profissionais têm dificuldade em aceitar a morte encefálica como definitiva.

Princípios e valores. Aspectos éticos perpassam todo o processo de qualquer doação, ou sua recusa. Doar, sem esperar troca, por generosidade, altruísmo, compaixão; doar na expectativa de recompensa ou reciprocidade; doar e com isso sentir-se feliz, valorizado, satisfeito, engrandecido, grato. Assim, pontos evidentes na fundamentação da discussão sobre doar/não doar são elementos como autonomia, altruísmo, gratidão, beneficência, justiça, utilidade, intencionalidade, esclarecimento/conhecimento e ausência de pressão externa.

Todavia, esse não é assunto isento de dilemas. Um ponto interessante discutido em um dos textos (Pruinelli & Kruse, 2012) é a questão de que, nas argumentações, não se contempla a possibilidade de as pessoas possam não querer doar. Outrossim, parece que só se trata de uma questão ética quando se adiciona a escolha, a opção por doar.

Os princípios e valores estão presentes na literatura seja em relatos de pesquisas seja em estudos teóricos ou ainda na fala de entrevistados. Além disso, eles foram mencionados tanto no que se refere à opção de doar quanto a de não doar. Dessa forma, entendeu-se como tema independente que atravessa toda a literatura identificada.

Sentimentos negativos. Tanto da parte do receptor como do doador (incluída sua família, quando pertinente), sentimentos negativos estão presentes na forma de medo, angústia, nervosismo, ansiedade, preocupação, desespero, raiva, arrependimento, tristeza, culpa, vergonha, irritação. Uma sobrecarga emocional opressiva, ambivalência emocional e mistura de sentimentos são também referidas.

A religião pelo sim, pelo não e pela dúvida. A religião aparece em muitas justificativas de recusa à doação, ainda que os estudos mencionem que a maioria das religiões não se manifeste contra a doação de órgãos e tecidos. É usada como desculpas para amenizar o sofrimento da tomada de decisão pela doação que, no exemplo da doação de órgãos e tecidos, envolve decidir, ao mesmo tempo, pela aceitação da morte encefálica do familiar.

Em estudos que pedem a ordenação de justificativas à recusa da doação, a questão religiosa, no entanto, nunca figura entre as primeiras colocações. De outro lado, a religião é elemento importante para muitos receptores, que encontram na fé uma estratégia de manutenção de qualidade de vida porquanto em situação de incertezas na espera pela doação. De fato, muitos atribuem à fé o resultado positivo de uma doação recebida.

Mídia. Em muitos estudos, a mídia é acusada de fomentar medo pela veiculação de casos de tráfico de órgãos, contaminação em doações de sangue, erros em diagnósticos etc. Esses conteúdos, aliados à desinformação generalizada sobre doação, minam muitas oportunidades de realização do pedido de doadores em potencial. De outro lado, a mídia também é citada como um importante elemento para a divulgação de informação e conhecimento sobre os processos de doação, bem como meio para uso de estratégias que promovem atitudes favoráveis à doação. A mídia é, portanto, fundamental para a doação.

Os dois lados da esperança. Uma leitura superficial poderia alocar a esperança como aspecto emocional presente tão somente nos indivíduos que aguardam uma doação. No entanto, quando se trata de doação de órgãos e tecidos, a fragilidade na lida com o conceito de morte encefálica, tanto por parte dos familiares como das equipes de saúde, carrega um sentimento de esperança de que o paciente possa recuperar-se e vencer o quadro. Fora esse contexto, nos demais tipos de doação estudados na literatura, há, da parte do doador, a menção a um sentimento de esperança de que o ato possa ajudar outras pessoas e fazer alguma diferença ao curso de suas vidas.

Discussão

Os resultados das análises empreendidas sobre a literatura encontrada sobre doação mostraram as tendências tomadas no tratamento do tema até o momento. Ademais, apontaram aspectos morais/éticos relevantes ao tema estudado, como a culpa, a vergonha, a generosidade, a compaixão, a nobreza, a justiça e, mais destacadamente, a gratidão.

A análise temática da literatura nacional sobre doação mostrou, de fato, que à doação estão associados temas fundamentais, posto que recorrentes, como ajuda, altruísmo, bem-estar, princípios e valores, sentimentos negativos, religião, mídia e esperança. Há, portanto, interessante material para gerar perguntas de pesquisa e estratégias de intervenção no campo da Psicologia Moral com a questão da doação.

Ficou evidente, pelos temas construídos, que o tópico da doação de órgãos e tecidos dominou os resultados, inclusive influenciando-os. Os sentimentos negativos e a religião ilustram a questão. Falar de doação com familiares em um momento emocionalmente frágil é desafiador para evocar empatia e altruísmo. As pessoas que sofrem a perda de um ente querido é que requerem empatia e altruísmo. A inversão de posições necessária nesse contexto de doação de órgãos torna complexo o estudo da doação e, por conseguinte, requer uma análise psicológica acurada. Dessa forma, estudos sobre doação que não envolvam morte ou risco de morte possivelmente oferecerão dados mais basais sobre o ato de doar.

Em geral, uma doação é realizada em um contexto que envolve filantropia, caridade, fraternidade, assistência social e beneficência, impulsionados por altruísmo, empatia, compaixão, generosidade, bondade e solidariedade. Trata-se de uma ação altamente valorizada nos fundamentos de distintas religiões. Como confirmado nos resultados, é esperado que questões religiosas perfizessem o tratamento da doação de órgãos, tecidos etc. Considera-se pertinente levar em conta a postura religiosa de cada um, quando se aborda a doação, do ponto de vista da Psicologia Moral.

Outro conceito importante relacionado ao ato de doar é a compaixão. Resumidamente, “a compaixão é a capacidade de sensibilizar-se pela dor alheia, seja ela realmente experimentada (compaixão por alguém que tudo perdeu), seja ela virtual (compaixão pela perspectiva de alguém tudo perder)” (La Taille, 2006a, p. 115). Um ato de doação pode ser movido por compaixão, à medida que esta redireciona a perspectiva, de si para o outro, posiciona o sujeito no lugar do outro e com este passa a se preocupar. Encaminhar uma peça de roupa usável da reciclagem para a doação requer esse movimento cognitivo e a noção integrada de pertencer a uma comunidade humana. Assim, a compaixão se alia à caridade e à solidariedade no ato de doar, e as confirma como ações que aproximam as pessoas.

Há, ainda, elementos que movem a doação, como a empatia e o altruísmo. A empatia dá acesso a cognições e afetos do outro, permitem experimentar respostas afetivas congruentes com as informações captadas sobre o outro e “produz modificações no comportamento de um observador, tal como se ele mesmo estivesse envolvido na situação” (Sampaio, Moura, Guimarães, Santana, & Camino, 2013, p. 393). Em suas pesquisas, Sampaio, Moura, Guimarães, Santana e Camino (2013) notaram que as pessoas são muito impelidas a agir para aplacar o sofrimento de alguém por quem sentem empatia, sugerindo que esse processo é potencialmente propulsor de ações benevolentes. Muito provavelmente pessoas mais empáticas costumam realizar mais atos altruístas de doação de modo incondicional.

A doação pode ser movida pela generosidade que, na visão de La Taille (2006b), “é sempre genuinamente altruísta” (p. 10). Nela, o beneficiário do ato generoso é outrem, há um sacrifício ao benfeitor, e ao receptor não cabe algo por direito, mas por uma necessidade que lhe é específica e foi reconhecida pelo generoso. Na generosidade não há exigibilidade, posto que movida por vontade boa. Assim, é preciso querer fazer. Ademais, para motivar a doação é preciso reconhecer uma necessidade no outro, e sentir-se atreito a fazer algo bom, como ser generoso por uma ação de doação. Entre amigos, ela é facilitada; mas um inimigo dificilmente a verá (Vale & Alencar, 2009).

A gratidão é outra virtude que pode estar implicada na doação. O ato de doar envolve um doador/benfeitor e um receptor/beneficiário. A gratidão pode surgir quando o beneficiário recebe um benefício do benfeitor, de forma livre (o benfeitor não coloca o beneficiário em dívida) e gratuita (sem requerer retribuição). Quando isso ocorre, o beneficiário valoriza positivamente o benefício recebido e também o benfeitor. Dessa valorização surge uma dívida simbólica em relação ao benfeitor e um sentimento de dever/querer retribuir o benefício, se possível e quando surgir uma oportunidade, isto é, um sentimento de obrigatoriedade característico da autonomia moral (Freitas, O’Brien, Nelson, & Marcovitch, 2012). A gratidão é capaz de estimular o comportamento moral (Tudge, Freitas, & O’Brien, 2016), ou seja, um ato de doação pode gerar outro. De fato, a análise realizada no presente trabalho identificou a gratidão como central às questões de doação. Isso se confirma em estudos recentes sobre as distintas nuanças da gratidão manifestadas por doadores e receptores na doação de órgãos (O’Brien, Donaghue, Walker, & Wood, 2014), embriões (Scully, Haimes, Mitzkat, Porz, & Rehmann-Sutter, 2012) ou sangue (Snelling, 2014).

Contemplaram-se distintos aspectos presentes em um ato de doar, sejam como antecedentes ou como consequentes. Compaixão, empatia, altruísmo, generosidade e gratidão são alguns elementos associados ao ato de doar, os quais estiveram presentes na amostra de artigos analisados na presente pesquisa, por vezes gerando temas de destaque.

Nesse sentido, fica claro que futuros estudos sobre doação com objetos escassamente investigados (agasalhos, brinquedos, alimentos, livros) e com custo menor que sangue, órgãos, tecidos, precisam contemplar as questões morais identificadas. Pesquisas que acessem, por exemplo, características dos doadores podem contribuir para a compreensão de idiossincrasias e sua relação com compaixão, empatia, altruísmo, generosidade e gratidão.

Considerações Finais

A pesquisa relatada buscou apresentar uma revisão da literatura nacional sobre doação e traçar contribuições para pesquisas em Psicologia Moral no tema investigado. Foram identificados os principais temas tratados nas publicações, e discutida sua pertinência junto a estudos que buscaram contribuir com o ato da doação e suas motivações, cognições e implicações para a vida real das pessoas.

Quanto às limitações do presente estudo, a AT ainda que sistematizada e criteriosa não está livre de fraquezas. Contudo, demonstra ter potencial de contribuição maior para análises de conteúdos que busquem representar uma dada literatura para além de frequências de palavras. Está-se ciente, também, de que o modelo temático criado contempla a literatura disponível nas bases examinadas e com a estratégia adotada. Ainda assim, dificilmente revisões de literatura com base em frequências e análises tradicionais de conteúdo oferecem modelos interpretativos dos resultados, como é o caso da AT utilizada.

Outro aspecto limitador do estudo foi seu foco no termo “doação”, motivado não apenas pelo apelo social atrelado a ele, mas por seu apelo moral de natureza altruísta e beneficente. Outras buscas podem utilizar termos como “caridade”, “beneficência”, “voluntariado”, “filantropia” e “humanitário”. Uma revisão de literatura dedicada a todos esses termos poderia contribuir para fornecer um panorama mais detalhado das publicações sobre esses temas, além do tema da doação. No presente trabalho, contudo, buscou-se analisar o termo considerado principal, e contextualizá-lo no campo da Psicologia Moral.

Há uma evidente carência de investigações sobre a doação, em diferentes contextos, e de maior detalhamento dos processos psicológicos envolvidos no ato de doar e suas relações com a moralidade. Por tais razões, há campo fértil para a pesquisa psicológica dedicada à moralidade. A título de exemplo, estudos nacionais que analisem a questão da gratidão no contexto da doação podem fornecer subsídios para que se compreendam melhor os pensamentos, sentimentos e comportamentos de pessoas agraciadas com doações de outrem. A gratidão pode, por vezes, ser um peso ao receptor de órgãos e tecidos, que não consegue visualizar modo de retribuir a graça recebida - mais qualidade, e tempo, de vida. Além disso, estudos exploratórios e descritivos, sejam qualitativos ou quantitativos, sobre aspectos morais e éticos envolvidos nas doações mais simples, por assim dizer, como de agasalhos, de cobertas, de livros, já contribuiriam pelo ineditismo.

Estudar a doação é de grande relevância social. Pesquisas sobre a doação não precisam abordar órgãos, tecidos, sangue, leite humano ou gametas. Nessa direção, deixando à parte as catástrofes naturais, que mobilizam doações, a adesão à doação é de interesse de instituições públicas e organizações não governamentais. Por que as pessoas doam, o que as move para esse comportamento, o que as refreiam, o que pensam, como se sentem, enfim, são aspectos que merecem esforço científico. Estudos em Psicologia Moral, notadamente sobre virtudes morais, podem contribuir nesse sentido, ainda mais quando se trata de promover a vontade boa (La Taille, 2006b).

A doação implica um dom, um doador e um receptor, intenções, valores e afetos que motivam a ação de doar. A compreensão desses aspectos, daquilo que os une, como se desenvolvem, e de como intervir para promover a doação são objetos passíveis de investigação científica no campo da Psicologia Moral. O valor das coisas, como uma peça de roupa, um objeto, e sua real necessidade, para si ou para outrem, merece estudo atento e em perspectiva com o valor das pessoas e de suas vidas. Doar, assim, pode adquirir maior extensão, para além de objetos (sejam estes corriqueiros como uma blusa ou preciosos como sangue) e no sentido do viver bem, e bem em conjunto.

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Nota das autoras:

Agradecimentos: Equipe 2014/2015 do Laboratório de Psicologia e Epistemologia Genética (LAPEGE). Apoio: Programa de Pós-graduação em Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul; PNPD/CAPES 2013.

Recebido: 04 de Dezembro de 2017; Revisado: 10 de Abril de 2018; Aceito: 05 de Maio de 2018

Contato com as autoras: UFRGS, Instituto de Psicologia PPG-Psicologia Rua Ramiro Barcelos, 2600, sala 101, 90.035-003 Porto Alegre-RS, Brasil

Luciana Karine de Souza é doutora em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), pós-doutoranda PNPD/CAPES no Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFRGS e docente permanente no Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Estudos do Lazer da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). ORCID: 0000-0001-9641-6163 E-mail: luciana.karine@ufrgs.br

Lia Beatriz de Lucca Freitas é doutora em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP), tendo realizado pós-doutorado e estágio sênior na University of North Carolina at Greensboro (UNCG), professora titular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde coordena o LAPEGE - Laboratório de Psicologia e Epistemologia Genética (http://www.lapege.com.br), bolsista de produtividade do CNPq e membro do grupo internacional de pesquisa More than Thank You (http://morethanthanks.wp.uncg.edu/). ORCID: 0000-0002-8854-6512 E-mail: lblf@ufrgs.br

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