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Psicologia Escolar e Educacional

On-line version ISSN 2175-3539

Psicol. Esc. Educ. (Impr.) vol.1 no.1 Campinas  1996

 

ARTIGOS

 

Avaliação da produção científica sobre leitura na universidade (1989/1994)

 

Evaluation of scientific production concerning reading at university (1989/1994)

 

 

Geraldina Porto Witter

Pontíficia Universidade Católica de Campinas

 

 


RESUMO

O ensino da leitura e o comportamento de ler na universidade são temas de 51 pesquisas arroladas no Annual Summary of lnvestigation Relating to Reading (1989/1994). A análise de conteúdo do material mostra: os títulos estão de acordo com as regras do discurso científico; os estudantes de graduação são os mais presentes nos estudos; o delineamento experimental é estatisticamente significante em relação aos outros delineamentos; estratégias de ensino e compreensão de leitura são os conteúdos mais pesquisados.

Palavras-chave: Leitura, Universidade, Produção científica.


ABSTRACT

The teaching of reading and the reading behavior at university are issues of 51 reasearches enroled at the Annual Summary of lnvestigations Relating to Reading (1989/1994). The content analyses of the material shows: the titles are in accord with the rules of the scientific discourse; the undergraduetion students are the more present subjects in the studies; the experimental design is statistically significant in relation to the other designs; teaching strategies and reading comprehension are the contents more researched.

Keywords: Reading, University, Scientific-production.


 

 

Introdução

A vida universitária tem dois atores principais: docentes e alunos. Os primeiros estão predominantemente envolvidos com as atividades de ensino, pesquisa e extensão, nas quais esperase que também envolvam os segundos. O setor administrativo das Universidades, do mais alto ao mais humilde dos postos, espera-se que atue em favor dos atores principais oferecendo o melhor possível em termos de administração, de condições de trabalho para assegurar a ambos o melhor desempenho. Uma destas condições é, sem dúvida, viabilizar o acesso à produção do conhecimento o que requer excelência de bibliotecas, de comunicação, de contatos como os obtidos por meio de bancos de dados específicos ou pela Internet, ou recursos similares.

Qualquer que seja a atividade a ser desempenhada quer por docentes, quer por discentes, subjacente a ela estará a necessidade de leitura. Não importa se o suporte é papel ou computador, de ambos espera-se que sejam bons leitores em todos os sentidos (nível, freqüência, efetividade, seletividade, criatividade, criticidade, uso). Nestas circunstâncias, não é de estranhar que muitos pesquisadores venham se dedicando ao estudo destes leitores cujo palco de atuação é a Universidade (Ramos, 1992; Giacometti, 1989; Pelegrini, 1996). Isto vem ocorrendo há muitas décadas na literatura internacional e no Brasil predominantemente dos anos oitenta para cá. Entretanto, é uma área ainda carente de pesquisa, especialmente em países onde a tradição de pesquisa não é ainda sólida.

Da produção nacional parece que a maioria dos trabalhos enfocando o universitário (professor ou aluno) é constituída de literatura cinzenta, notadamente dissertações e teses, ou dela decorrente. A matéria já comporta, por seu volume e interesse uma análise de metaciência (Sampaio, 1982; Santos, 1989; Flippo & Carvely, 1981; Duran, 1981; Marini, 1986).

Ao enfocar a leitura na universidade, há que se considerar as variáveis do autor, do texto, do leitor e do contexto que envolve aos três elementos anteriores. As pesquisas que tratam do leitor no contexto universitário têm focalizado os quatros componentes aqui mencionados.

No que se refere ao contexto, vale lembrar que contextos anteriores ou concorrentes (família, grupos, escolaridade) têm efeitos que podem se fazer sentir também na Universidade em decorrência da generalização, do não estabelecimento ou instituição de padrões inadequados de comportamento (Trigwell & Prosser, 1991, Tymms & Gibbor, 1992; Beck et aI, 1992). Isto é válido também para os leitores universitários.

A ciência precisa ser analisada, qualquer que seja a área no que conceme aos seus produtos. Destes produtos, são os textos os que maior relevância apresentam para o evoluir do conhecimento, para a formação e a atualização do profissional, visando a melhoria da qualidade de vida do homem. Esta proposição básica tem incentivado a pesquisa de metaciência especialmente em áreas críticas e de grande interesse para o evoluir do próprio conhecimento e do seu repasse e uso pela comunidade.

A leitura é uma destas áreas, e sua avaliação científica em estudos de metaciência tem uma tradição bem estabelecida justificando um tópico especial para eles nas bases de dados.

O presente trabalho focaliza esta temática: a produção científica pertinente à leitura na Universidade. Seus objetivos específicos foram: (a) analisar os títulos dos trabalhos apresentados; (b) a tipologia do delineamento de pesquisa; (c) a tipologia da análise de dados; (d) a tipologia dos sujeitos e ( e) os temas específicos pesquisados.

 

Método

Material

O suporte documental utilizado na presente pesquisa foi o Annual Summary of Investigations Relating to Reading (Summary), órgão da International Reading Association escolhido porque consiste na principal base de dados bibliográficos específicos sobre pesquisa na área da leitura.

Foram estudados os cinco anos de produção que aparecem arrolados nas seguintes publicações Weintraub (1991, 1992, 1993, 1994, 1995). Vale fazer notar que o Summary cobre sempre a publicação veiculada de 10 de julho de um ano a 30 de junho do ano seguinte, de modo que o ano editorial não corresponde ponto a ponto com o ano convencional. Por exemplo Weintraub (1995) corresponde ao ano editorial de 10 de julho de 1993 até 30 de junho de 1994.

Durante o período (1989/1994) foram inseri das na base 2.946 referências distribuídas em seis grandes categorias: Resumos de Pesquisas Sobre Leitura (n=18); Preparo e prática do Professor (n=275) Sociologia da Leitura (n=568); Psicologia e Fisiologia da Leitura (n=1197); Ensino da Leitura (n=708) e Leitura do Leitor Atípico (n=179).

A temática enfocada no presente trabalho consta da categoria Ensino de Leitura, mais especificamente da subcategoria Teaching Reading College and Adult destinada a aglutinar as pesquisas com universitários. No primeiro ano foram inseridas na base, 11 trabalhos; no segundo, 8 pesquisas; no terceiro aparecem 11; no quarto o registro é 10 e no último é de 11, totalizando 51 referências e indicando uma produção bastante estável ao longo do período.

Procedimento

Definidas as categorias de análise, foram feitas tantas leituras quantas se fizeram necessárias para a análise exaustiva dos textos e correspondente inclusão nas categorias e subcategorias. Optou-se por conceituar as categorias e exemplificá-las junto aos resultados por considerar que isto facilita a leitura dos dados.

 

Resultados e discussão

O título é um aspecto relevante do discurso científico, devendo informar claramente ao leitor quanto a temática, natureza e outras características relevantes. É o primeiro contato do leitor com o texto, sendo usado nas bases de dados e bibliotecas para classificação do material. Para tanto precisa ter características específicas. As características básicas esperadas de um título são: deve ser um bom hiper-resumo do texto; ser claro e transparente; não ser tangencial ou fantasioso; ter por de 80 a 210 bits, 12 vocábulos ou duas linhas; evitar vocábulos ambíguos, inúteis ou redundantes (Mattos, 1988; Aga, 1982; Witter, 1996).

Os títulos das 51 referências foram analisados quanto ao tipo de oração, amplitude vocabular, número de linhas e uso de marcas gráficas. A Tabela 1 apresenta os resultados desta análise. Em vocábulos foram contados como uma unidade as palavras, as abreviações, as datas e períodos demarcados entre parênteses, todavia quando cada ano estava reparado foi contado como unidade à parte.

 

 

Exs: O título do trabalho de Schriver (1982) é: Teaching writers to antecipate readers' needs. Foram contados 6 vocábulos e, impresso ocupava uma linha.

O texto de Gillis e Olson (1991) apresentou como título: Do college students who plan before writing score better on essay exams? Impresso, ocupou uma linha e foram registrados 12 vocábulos.

Verificou-se que o título menor continha três vocábulos e o maior 16, sendo a média de 10,6 portanto dentro do esperado de um bom título quanto a este aspecto, resultado similar ao encontrado por Witter (1996) ao analisar os títulos de dissertações e teses em Biblioteconomia e Ciência da Informação do Brasil, em que a maioria (52,69%) também ficou menos de 12 vocábulos.

Quanto ao número de linhas, o menor ocupou uma e o maior duas, mantendo-se a média em 1,2 linhas, portanto dentro do desejável. Quanto aos tipos de oração, apenas dois foram registrados: declarativa afirmativa, como no exemplo de Scrhiver (1992) e interrogativa como no caso de Gillis e Olson (1991). No primeiro caso registrou-se (94,12%) dos trabalhos. Apenas (5,88%) foram títulos formulados como perguntas. Na pesquisa de Witter (1996) só foram encontrados títulos declarativos afirmativos. Nenhum título fantasia foi encontrado. Havendo espaço para identificar tema e variáveis estudadas.

No uso de marcas gráficas prevaleceu a ausência de recorrência a estes recursos de pontuação (60,78%), sendo os dois pontos utilizados em 25,49% dos trabalhos, a interrogação em 5,88 e a vírgula em 7,84%. Recorreu-se ao teste de X² para verificar a homogeneidade da distribuição (Ho: X² =0; 5,99=0; Ha : X² =0), no nível de 0,05 para margem de uso, n.g.l.=3 e X²c =7,82.

Foi obtido X²o =73,44 permitindo concluir que a concentração na categoria "não uso de marca gráfica" foi significante. Nas dissertações e teses analisadas por Witter (1996) foi dignificante o predomínio do uso da pontuação (dois pontos e travessão) estas diferenças podem decorrer da natureza diversificada no uso da pontuação na língua inglesa e no português. Seria interessante comparar como isto ocorre em outras áreas do conhecimento em outras línguas.

As pesquisas podem ser classificadas recorrendo-se a diferentes tipologias, uma delas diz respeito ao tipo de sujeitos em que os pesquisadores focalizaram sua atenção. No presente caso, os trabalhos arrolados no Summary na sub-área aqui enfocada foram tabulados levando em conta o tipo de sujeito alvo da pesquisa. Foram usadas as seguintes categorias - tipo de sujeitos: (a) calouros - alunos récem-ingressos na vida universitária; b) universitários - quando se tratava de alunos dos demais anos da graduação ou o autor se referiu genericamente aos seus sujeitos usando a expressão título da categoria; c) pós-graduandos quando o sujeito do trabalho era aluno de mestrado ou de doutorado; e) professor - quando se tratava de docentes: f) outros adultos que não os já referidos e g) não cabe - trabalhos cuja natureza não comporta o uso de sujeitos para a coleta de dados.

Como exemplo da última categoria pode ser citado o trabalho de Valeri-Gold, Deming e Olson (1992) os quais fizeram uma revisão das pesquisas publicadas que relacionaram leitura, escrita e habilidades de estudo no contexto da vida universitária com destaque para as equipes de professores que prestam assistência ao corpo discente.

Exemplo de pesquisa que enfocou tanto o universitário como outro adulto é o trabalho de D'Annunzio (1994) o qual descreve e avalia os resultados de um programa de alfabetização de adultos conduzido por universitários, sendo ambos sujeitos do pesquisador: universitários e adultos.

O trabalho de McLaughlin, Price e Shoultz Jr. (1994) enfoca o calouro que freqüenta classe de melhoria de desempenho verbal (comportamental) em comparação com os que não o fizeram (grupo de controle), sendo significante a diferença entre os grupos após o treino verbal.

O estudo de Gillis e Olson (1991) compara estudantes de graduação com alunos de mestrado que freqüentaram curso de leitura, tendo verificado que independentemente do nível de escolaridade, os alunos que planejam seu trabalho escrito apresentam melhor desempenho na redação.

A Tabela 2 apresenta os dados relativos aos sujeitos.

 

 

O percentual de ocorrência de estudos com cada tipo de sujeito foi calculado em relação ao N =51, isto é, número de trabalho analisados e não em relação ao total de sujeitos, posto que este (N =57) inclui estudos com mais de um tipo de sujeitos como, por exemplo, no já mencionado de D' Annunzio (1994). Os dados mostram predomínio dos universitários (66,66%), vindo a seguir os calouros com 19,61 %, os pós-graduandos (3,92%) e os professores (1,96%) foram os menos estudados.

Para efeito de teste de homogeneidade da distribuição (Siegel, 1956) foi excluída a categoria "não cabe" e aglutinou-se as categorias universitários e pós-graduandos (N =36) e professores e outros adultos (N =7) ficando-se com n.g.1. =2, n.sig. 0,05 e X²c =5,99. Foi obtido 25,67, sendo portanto significante a concentração nos universitários dos vários anos. Estes dados permitem concluir que a preocupação dos pesquisadores está mais distribuídas pelos anos subsequentes à entrada do aluno na Universidade.

Entretanto, para efetivar programas de prevenção talvez fosse melhor uma maior atenção ao que vem ocorrendo com o iniciante ou como está em leitura o aluno calouro.

A outra análise feita enfocou a classificação dos trabalhos quanto a tipologia de análise de dados tendo em vista a opção do autor por uma análise qualitativa ou quantitativa. Em alguns resumos (5,90%) foi impossível detectar o tipo de análise; em apenas 7,8% a opção do autor restringiu-se à análise qualitativa. A grande maioria dos trabalhos (86,3%) recorreu a análises quantitativas que também permitem visualizar aspectos qualitativos do fenômeno estudado. Esta tendência de analisar quantitativamente os dados é prevalecente em ciências de um modo geral, uma vez que permite uma análise mais profunda, maior generalização e a definição de uma margem de erro conhecida. Portanto, é esperado que isto ocorra para que haja efetivo crescimento do saber científico.

Também foi conduzida uma análise enfocando o tipo de delineamento e controle de variáveis pelo pesquisador, ou seja, pesquisas dos tipos: documental, levantamento, correlacional, quase experimental, experimental e estudo de caso. Como a base de dados faz o registro apenas de trabalhos de pesquisa não aparecem trabalhos teóricos ou mesmo de simples revisão da literatura, sem um tratamento estatístico de dados conforme se espera hoje em trabalhos de meta-ciência. Os trabalhos do tipo pesquisa documental incluem análises da produção científica na área como o já citado de Valeri-Gold, Deming e Olson (1992).

Por pesquisa de levantamento compreendeu-se os estudos descritivos de uma dada realidade, mensalmente conduzidos recorrendo a entrevistas, questionários ou técnicas de observação, análises estatísticas descritivas com baixo poder de generalização e inferência. Como exemplo pode ser citado o trabalho de Duignan (1992) que descreve o nível de leitura entre calouros conforme os resultados obtidos em um teste, como forma de detectar os estudantes de risco a serem encaminhados para programas de recuperação em leitura visando a prevenção do fracasso acadêmico.

A pesquisa correlacional já viabiliza o estabelecimento de um tipo específico de relação entre variáveis, resultando em uma descrição de nível mais acurado, porém sem que haja intervenção do pesquisador na realidade, de modo que também tem baixa generalidade e nível de inferência. Como exemplo, pode ser citado o trabalho de O'Neill (1992) sobre atividades metacognitivas e realização em leitura entre universitários (r =0,39).

Os trabalhos quasi-experimentais (preservando o i pela denominação latina) constituem pesquisas nas quais, após a coleta, os dados são organizados pelo autor para compor grupos de acordo com variáveis já presentes no momento da coleta e não manipuladas pelo autor. A reorganização pós-coleta dos dados viabiliza análises estatísticas mais sofisticadas e amplia as possibilidades de generalização e inferências. Um exemplo é o artigo de Gillis e Olson (1991) já referido.

A pesquisa experimental implica na intervenção do pesquisador na realidade, incluindo ou excluindo variáveis, possibilitando altos níveis de generalização e de inferência, bem como análises estatísticas sofisticadas, podem ser trabalhos comparando grupos, mesmo com N pequeno ou até com sujeito único. Neste último caso, cita-se o trabalho de Mealay e Frazier (1992) que estudaram um jovem de 20 anos, de 2° ano de biologia e o efeito de procedimentos de leitura e escrita na melhoria qualitativa e quantitativa de seu desempenho acadêmico. No primeiro caso pode ser lembrada a pesquisa de Hodge (1993) que comparou grupos de calouros submetidos a treino de metacognição e de vocabulário por serem considerados estudantes de risco face aos baixos resultados obtidos nos exames vestibulares. Os grupos foram comparados no pré e pós-testes em compreensão de leitura e em vocabulário. O teste estatístico (MANCOVA) indicou superioridade significante do treino metacognitivo mas apenas em compreensão.

Os estudos de caso experimentais foram inseridos em experimentais, todavia apareceram, estudos de casos convencionais clínicos, descritivos do desempenho de sujeitos pacientes, sem o controle requerido no primeiro caso. Exemplo de trabalho de estudo de caso clínico é o de Newton (1994) em que a autora descreve o atendimento clínico de um universitário de 19 anos recorrendo a treino metacognitivo, o qual resultou em melhoria do desempenho do aluno.

Os resultados aparecem na Tabela 3, sendo que as pesquisas experimentais são nitidamente dominantes alcançando o percentual de 72,5%. A baixíssima freqüência de outros tipos de pesquisa toma desnecessário e inviabiliza o teste de homogeneidade. Estes resultados evidenciam o alto desenvolvimento das pesquisas enfocando a leitura no nível superior quando comparadas com a pesquisa em Psicologia (Witter, 1996a) Educação (Witter, 1996b), Biblioteconomia (1996c) ou mesmo da leitura em outras áreas (Witter, 1996c). Possivelmente isto ocorra dado o próprio nível de leitura esperado para o universitário, o empenho em testar tecnologias de ensino e remediação que viabilizem o pleno desenvolvimento da pessoa neste nível de escolaridade. Também pode estar ocorrendo que face, à produtividade na área, já estejam disponíveis dados suficientes em nível descritivo (levantamento, correlacional) nos países desenvolvidos. Certamente, esta não é a realidade brasileira sobre a qual não há informações suficientes para descrever o leitor universitário.

 

 

Foi feita também uma análise de conteúdo para verificar os temas enfocados nas pesquisas na área aqui analisada. Vale lembrar que em um mesmo artigo mais de um tema ou variável podem aparecer. Em uma primeira tabulação, emergiram 24 assuntos que foram reaglutinados nas 11 categorias que aparecem na Tabela 4, das quais, a denominada Outras incluiu os trabalhos que não puderam ser inseridos nas 10 categorias principais em que se procurou incluir os 140 temas levantados.

Os resultados aparecem expressos na Tabela 4 tendo o percentual sido calculado em relação ao número de artigos estudados. Vale dizer que a grande maioria das pesquisas (76,47%) enfocou estratégias de ensino para conseguir melhor desempenho dos universitários.

 

 

Os temas mais pesquisados, além de estratégias de ensino, já mencionado foram Compreensão (58,82%), Outras estratégias (29,82%), Escrita (19,61 %) e as demais com menor representatividade. No teste de homogeneidade, para N=11, n.g.l.=10, n.sig. 0,05 e X²c =18,31 foi encontrado X²o =99,60, permitindo concluir que foi significante a concentração em Estratégias de Ensino (52,00) e em Compreensão (22,23) nos demais temas o valor encontrado foi bem inferior ao crítico. Isto pode estar refletindo as reais necessidades de pesquisa ou informação de cunho científico, relativas a leitura no contexto universitário.

Os resultados obtidos permitem concluir que as pesquisas sobre leitura na área universitária:

1. indicam cuidado dos autores na definição dos títulos dos trabalho mantendo-se dentro dos padrões esperados quanto a número de vocábulos, de linhas e tipo de oração;

2. predominantemente não recorrem a marcas gráficas e quando o fazem a opção é pelo uso de dois pontos;

3. enfocam predominantemente o universitário não calouro;

4. a análise dos dados é significantemente do tipo quantitativo;

5. o delineamento é predominantemente experimental e

6. significantemente a temática concentra-se em Estratégias de Ensino e Compreensão. Em síntese, pode-se concluir que é uma área de pesquisa que apresenta uma produção metodologicamente avançada, consistente e de alto nível.

 

Referências

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