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Escola Anna Nery

versão impressa ISSN 1414-8145versão On-line ISSN 2177-9465

Esc. Anna Nery vol.24 no.spe Rio de Janeiro  2020  Epub 13-Nov-2020

https://doi.org/10.1590/2177-9465-ean-2020-0242 

PESQUISA

Pandemia e imigração: famílias haitianas no enfrentamento da COVID-19 no Brasil

Pandemia e inmigración: familias haitianas que enfrentan COVID-19 en Brasil

Jeane Barros de Souza1  2 
http://orcid.org/0000-0002-0512-9765

Ivonete Terezinha Schülter Buss Heidemann2 
http://orcid.org/0000-0001-6216-1633

Daniela Savi Geremia1 
http://orcid.org/0000-0003-2259-7429

Valéria Silvana Faganello Madureira1  2 
http://orcid.org/0000-0001-7990-3613

Julia Valeria de Oliveira Vargas Bitencourt1 
http://orcid.org/0000-0002-3806-2288

Larissa Hermes Thomas Tombini1 
http://orcid.org/0000-0002-6699-4955

1Universidade Federal da Fronteira Sul, Curso de Graduação em Enfermagem. Chapecó, SC. Brasil.

2Universidade Federal de Santa Catarina, Programa de Pós-graduação em Enfermagem. Florianópolis, SC, Brasil.


Resumo

Objetivo

compreender a vivência do enfrentamento e repercussões da COVID-19 na perspectiva das famílias de imigrantes haitianos no Brasil.

Método

estudo qualitativo, do tipo ação-participante, fundamentado no Itinerário de Pesquisa de Paulo Freire, que possui três fases: Investigação Temática; Codificação e Descodificação; Desvelamento Crítico. Foi realizado Círculo de Cultura Virtual em maio de 2020, com 10 famílias de imigrantes haitianos, residentes no oeste de Santa Catarina.

Resultados

os participantes discutiram preocupações geradas no enfrentamento da pandemia: trabalho e subsistência da família no Brasil e no Haiti; incerteza do futuro; risco de contaminação e de morrer no Brasil; cancelamento das aulas dos filhos; desânimo e solidão. Desvelaram oportunidades na vivência da pandemia: ajuda recebida; força pessoal e familiar; repensar a vida; confiança em Deus e esperança.

Conclusões e implicações para a prática

os imigrantes haitianos se encontram em situação de vulnerabilidade social, econômica e de saúde mental no enfrentamento da COVID-19. A identificação dessa vulnerabilidade, considerando fatores sociais, econômicos e culturais é fundamental à proposição de políticas públicas e adoção de estratégias efetivas de enfrentamento da situação. O Círculo de Cultura Virtual amplia possibilidades para a enfermagem, pois possibilita as interações necessárias à promoção da saúde, mesmo diante da pandemia.

Palavras-chave:  Emigração e Imigração; Determinantes Sociais da Saúde; Pandemias; COVID-19; Enfermagem em Saúde Pública

Resumen

Objetivo

comprender la experiencia de afrontamiento y las repercusiones de COVID-19 desde la perspectiva de las familias de inmigrantes haitianos en Brasil.

Método

estudio cualitativo, de tipo acción-participante, basado en el Itinerario de Investigación de Paulo Freire, que tiene tres fases: Investigación temática; Codificación y decodificación; Revelación crítica. En mayo de 2020 se realizó un Círculo de Cultura Virtual, con 10 familias de inmigrantes haitianos que residen en el oeste de Santa Catarina.

Resultados

los participantes discutieron las preocupaciones generadas al enfrentar la pandemia: el trabajo y la subsistencia familiar en Brasil y Haití; la incertidumbre del futuro; el riesgo de contaminación y muerte en Brasil; la cancelación de las clases infantiles; el desánimo y la soledad. Revelaron oportunidades en la experiencia de la pandemia: la ayuda recibida; fortaleza personal y familiar; el repensar la vida; la confianza en Dios y la esperanza.

Conclusiones e implicaciones para la práctica

los inmigrantes haitianos se encuentran en una situación de vulnerabilidad social, económica y de salud mental en la confrontación de COVID-19. La identificación de esta vulnerabilidad, considerando los factores sociales, económicos y culturales es fundamental para la propuesta de políticas públicas y la adopción de estrategias efectivas para enfrentar la situación. El Círculo de Cultura Virtual amplía las posibilidades de la enfermería, ya que permite las interacciones necesarias para la promoción de la salud, incluso ante la pandemia.

Palabras Clave:  Emigración e Inmigración; Los determinantes sociales de la salud; Pandemias; COVID-19; Enfermería en Salud Pública

Abstract:

Objective

to understand the experience of coping and repercussions of COVID-19 from the perspective of Haitian immigrant families in Brazil.

Method

qualitative, action-participant study, based on Paulo Freire's Research Itinerary, which has three phases: Thematic Research; Encoding and Decoding; Critical Unveiling. A Virtual Culture Circle was held in May 2020, with 10 families of Haitian immigrants residing in western Santa Catarina.

Results

the participants discussed concerns generated in facing the pandemic: work and family subsistence in Brazil and Haiti; uncertainty of the future; risk of contamination and dying in Brazil; cancellation of children's classes; discouragement and loneliness. They revealed opportunities in experiencing the pandemic: help received; personal and family strength; rethinking life; trust in God and hope.

Conclusions and implications for practice

Haitian immigrants are in a situation of social, economic and mental health vulnerability when facing COVID-19. The identification of this vulnerability considering social, economic and cultural factors is fundamental to the proposition of public policies and the adoption of effective strategies to face the situation. The Virtual Culture Circle expands possibilities for nursing, as it enables the interactions necessary for health promotion, even in the face of the pandemic.

Keywords:  Emigration and Immigration; Social Determinants of Health; Pandemics; COVID-19; Public Health Nursing

INTRODUÇÃO

A integração entre países é resultante de políticas públicas sociais, culturais e econômicas, estrategicamente decididas para o desenvolvimento das nações.1 De forma cooperativa e humanitária, o Brasil adotou políticas de imigração para pessoas que buscam residência e trabalho no país. Nos últimos 10 anos, o movimento de emigração e imigração se intensificou, e nele ocorreu a saída do país de origem e chegada de haitianos ao Brasil, principalmente após o terremoto que atingiu a capital Porto Príncipe em 2010. O evento natural, que provocou intensa crise social e econômica no Haiti, impulsionou, por parte de muitas famílias, a procura por países que lhes oferecessem perspectivas de melhores condições de vida.

A busca dos imigrantes haitianos pelo Brasil se deu fundamentalmente por meio das relações de trabalho e pelas possibilidades de acesso a serviços públicos gratuitos de educação e saúde. No caso da saúde, destaca-se que os princípios de equidade, integralidade e universalidade do Sistema Único de Saúde (SUS) são frequentemente apontados pelos imigrantes que se deslocam para o país.1

Em sua maioria, imigrantes haitianos são pessoas negras e pobres, que assumem subempregos e enfrentam desvantagens competitivas decorrentes de racismo, dificuldades de adaptação cultural, linguística, de acesso a informações, além do pouco conhecimento de seus direitos e deveres.2 Somam-se a isso preocupações e sentimentos relacionados ao distanciamento de familiares, já que muitos deixaram filhos, cônjuges, pais, avós e outros, em precária situação social e financeira no país de origem. Há, também, de se considerar as adversidades enfrentadas como roubo, extorsão, estupro, agressão e abandono em suas rotas migratórias para o país de destino.3

Desde a chegada ao Brasil, os haitianos encontram-se, portanto, expostos a situações de vulnerabilidades e inequidades sociais e de saúde.3 Apesar disso, têm encontrado espaços de trabalho e residência familiar. Sob a ótica da determinação social do processo saúde e doença, condições de trabalho e de moradia influenciam diretamente a saúde dos imigrantes, o que aumenta a importância de conhecer essas realidades para a realização de cuidado humanizado e integral.

No entanto, desde o início de 2020, a partir da determinação pela Organização Mundial de Saúde (OMS) da situação de pandemia provocada pela Coronavírus Diasease 2019 (COVID-19),4 os desafios dos imigrantes haitianos no Brasil se ampliaram. O Brasil tem adotado estratégias preventivas de higiene e a obrigatoriedade do distanciamento social entre as pessoas, para reduzir a curva epidêmica de transmissibilidade e, consequentemente, aumentar a proteção à saúde.

O distanciamento social é fundamental para controle da proliferação da pandemia, contudo, a maior permanência e o convívio entre pessoas nas residências pode ser traumatizante ou harmônico, a depender das novas relações que se estabelecem nesse processo. Mudanças no contexto familiar têm sido observadas, como o aumento de casos de violência doméstica; a ansiedade, tédio e irritabilidade; as rotinas diárias de alimentação e sono não saudáveis; as preocupações financeira, com os estudos e o trabalho; a inatividade física e desconhecimento sobre medidas de prevenção; além do possível enfrentamento de casos da doença e perdas familiares.5

Ainda, as repercussões sociais e econômicas das restrições impostas pela pandemia acarretam conflitos de ordens diversas entre os imigrantes, ao tempo em que a necessidade do distanciamento social para a preservação da saúde individual e dos familiares confrontam-se com a necessidade de manutenção das atividades laborais, já que é condição primária e fundamental para a alimentação e subsistência destes. O trabalho e renda consistem em necessidades centrais para as famílias haitianas que, em sua maioria, chegam ao Brasil sem reserva financeira e, ainda, realizam remessas financeiras para suprir os familiares que ficaram no Haiti.6

A vulnerabilidade da população haitiana e as possíveis consequências do seu comportamento preventivo diante da situação pandêmica remetem à responsabilidade social do sistema de saúde brasileiro de consideração dos aspectos sociais e econômicos desta população, para além das questões culturais, na garantia da prevenção e manutenção da saúde, uma vez que repercutem diretamente no processo de adoecimento individual e coletivo. Neste contexto, emergiu o seguinte questionamento: como é a vivência do enfrentamento e das repercussões da COVID-19, na perspectiva das famílias de imigrantes haitianos no Brasil?

Assim, o objeto do presente estudo foi uma população constituída a partir da sua característica social, econômica e cultural, que se organiza e influencia as condições do processo saúde e doença de seu grupo e da sociedade onde se insere. Tais implicações para o campo da saúde coletiva são fundamentais para o desenvolvimento de estratégias e políticas públicas, que poderão sustentar as tomadas de decisões de profissionais e gestores de saúde de forma condizente com a realidade experimentada pelas famílias de imigrantes haitianos.

Partindo-se do pressuposto de que as práticas de saúde no enfrentamento da pandemia devem articular-se profundamente com as estruturas sociais da população, pois “a natureza social da doença não se verifica no caso clínico, mas no modo característico de adoecer e morrer nos grupos humanos”;7:3 além da consideração da intensa relação entre a produção social e suas implicações para a saúde das pessoas, diante do contexto de pandemias e da imigração e vulnerabilidade haitiana e em resposta às inquietações provocadas, justifica-se este estudo que teve como objetivo compreender a vivência do enfrentamento e repercussões da COVID-19, na perspectiva das famílias de imigrantes haitianos no Brasil.

MÉTODO

Trata-se de estudo qualitativo, do tipo pesquisa-ação participante, desenvolvido por meio de Círculo de Cultura, fundamentado nos pressupostos teórico-metodológicos de Paulo Freire. O Itinerário de Pesquisa Freireano compreende três fases interligadas dialeticamente: 1) Investigação Temática: consiste no levantamento dos temas geradores extraídos da realidade dos participantes; 2) Codificação e Descodificação: há contextualização e olhar crítico e reflexivo sobre os temas geradores, tomando conhecimento do mundo vivido; 3) Desvelamento crítico: tomada de consciência da realidade partindo para a transformação da situação vivida em Círculos de Cultura.8,9

O Círculo de Cultura, conceituado por Paulo Freire como um momento de diálogo e reflexão, é um espaço que oportuniza trocas, amorosidade e construção de diversos conhecimentos, sendo que por meio da ação-reflexão-ação, todos se enriquecem e se transformam, pois são reveladas as situações-limite e análise da realidade de vida, para descodificá-la e desvelá-la.10 O Círculo de Cultura se desenvolve por um grupo de pessoas com o objetivo de discutir temas comuns, em um processo de relações horizontalizadas e participativas, mediado por um facilitador que problematiza os temas que emergem, com o intuito de instigar o conhecimento coletivo.8

Neste estudo, o Círculo de Cultura foi virtual, prática inovadora e necessária devido à situação de quarentena, imposta pela COVID-19. Para tanto, utilizou-se o aplicativo gratuito Zoom® por meio de câmera do celular ou computador, o que possibilitou a participação interativa e simultânea dos participantes, mesmo estando cada um em sua residência.

Participaram do estudo 10 famílias de imigrantes haitianos, residentes na região oeste de Santa Catarina, Brasil. Como critérios de inclusão, foram considerados os imigrantes haitianos que tinham família no Brasil e que residiam há mais de um ano no país. Os critérios de exclusão foram as famílias de imigrantes que não compreendiam o português e sem acesso à internet e dispositivos eletrônicos (computador ou celular) no momento do Círculo de Cultura Virtual (CCV).

As famílias foram contatadas com o apoio de um trabalho social desenvolvido em uma igreja evangélica de Santa Catarina, que auxilia imigrantes por meio de orientações sobre seus direitos no Brasil e ministração de aulas de português. Inicialmente, foi encaminhada uma mensagem, via WhatsApp, para representantes das 10 famílias participantes, com a finalidade de explicar os detalhes da pesquisa, bem como agendar melhor dia e horário para o CCV. Na ocasião, solicitou-se que cada família providenciasse folha de papel em branco e caneta.

Salienta-se que, anteriormente à situação pandêmica, já estava em desenvolvimento uma pesquisa matricial com os imigrantes haitianos, na qual foram realizados três Círculos de Cultura, quando se dialogou sobre os saberes e fazeres culturais desse público para promover a saúde. A partir da COVID-19, as pesquisadoras deram continuidade ao estudo para dialogar em um CCV sobre o enfrentamento e repercussões da pandemia, considerando tais saberes e fazeres culturais.

O CCV ocorreu no dia 06 de maio de 2020, com duração de duas horas, sendo mediado por uma enfermeira doutora e com experiência na condução de Círculos de Cultura. Para tanto, optou-se por percorrer as etapas do Itinerário de Pesquisa de Paulo Freire, por meio de uma analogia com o mapa do Haiti, com a intenção de estabelecer maior conexão com os participantes do estudo, a partir de conteúdo simbólico e valioso para eles, conforme ilustra a Figura 1.

Fonte: elaborado pelos autores

Figura 1 Itinerário de Pesquisa de Paulo Freire: analogia com mapa do Haiti 

Na fase da Investigação Temática, a mediadora do CCV apresentou o globo terrestre, a fim de instigar o diálogo, ressaltando que necessitava localizar o Haiti. Com o apoio uns dos outros, buscando dialogar e interagir com as famílias, o país foi localizado no mapa mundial. Em seguida, os envolvidos foram convidados a analisar suas percepções diante da conjuntura atual da saúde pública no Brasil, por meio do seguinte questionamento: como vocês estão enfrentando a pandemia da COVID-19? Após amplo diálogo e reflexão, os participantes elegeram dois temas geradores (TG): 1) Preocupações no enfrentamento da COVID-19. 2) Desabrochar de oportunidades na crise.

Para a etapa da Codificação e Descodificação, a mediadora do CCV apresentou o mapa do Haiti, desenhado em uma cartolina e fixado no chão da sua residência, tendo-o dividido em duas partes (região sul e norte) e contextualizando que para todos os participantes o Haiti despertava diversos significados. Então, as famílias refletiram sobre os TG eleitos pelo grupo, por meio das questões norteadoras: quais as preocupações no enfrentamento da COVID-19? Quais as oportunidades geradas pela COVID-19? As famílias descreveram em uma folha de papel, de um lado, as percepções referentes ao enfrentamento da COVID-19 e do outro, as oportunidades geradas na crise, enquanto a mediadora cantava a música “Tocando em Frente”, composição de Almir Sater, o que despertou sentimentos e emoções.

Em seguida, um representante de cada família compartilhou suas percepções e, do diálogo, emergiram significados que expressavam a situação vivenciada no momento. Enquanto as famílias partilhavam suas vivências, a mediadora escreveu: na região norte do mapa do Haiti as reflexões referentes ao primeiro TG, na região sul registrou sobre o segundo TG. Posteriormente, essas anotações foram apresentadas para validação com os participantes, enquanto a mediadora buscava incentivar a reflexão novamente sobre os TG para selar o processo de ação-reflexão-ação, instigando-os sobre a compreensão de sua capacidade de enfrentar os desafios levantados e compartilhar propostas que oportunizam uma ação frente ao pensar.8

Na fase de Desvelamento Crítico do Itinerário Freireano, as famílias (re)significaram as temáticas sobre sua vivência de imigração e de pandemia, tomando consciência de sua situação, fortalecendo-se entre si, em busca de estratégias para transformar sua realidade e promover sua saúde. A análise dos temas foi concomitante ao desenvolvimento do CCV, de acordo com o Itinerário de Paulo Freire. Somado a isso, a mediadora indagou das famílias sobre o significado de ter participado do CCV, em meio a pandemia, e lançou o seguinte questionamento: como foi ter participado desse encontro virtual durante a pandemia? As famílias discutiram sobre a relevância do encontro virtual para suas vidas.

Quanto aos aspectos éticos, no início do CCV, o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido foi lido e explicado, sendo que as famílias autorizaram verbalmente sua integração ao estudo. Para garantir anonimato e sigilo, os participantes escolheram nomes de distritos do Haiti para serem identificados no estudo, sendo justamente dez famílias e dez distritos: Artibonita, Centro, Grande Enseada, Nippes, Norte, Nordeste, Noroeste, Oeste, Sudeste e Sul. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa de uma universidade pública do sul do Brasil, parecer no 3.324.430, Certificado de Apresentação de Ética: 11511419.1.0000.5564, em 14 maio 2019.

RESULTADOS

As 10 famílias haitianas participantes do estudo estão no Brasil entre dois e seis anos, sendo constituídas pelo casal (10 homens e 10 mulheres) e filhos menores de seis anos. Os homens dominam melhor a língua portuguesa, enquanto as mulheres demonstram compreender o idioma, mas com dificuldades para dialogar. As famílias residem em casas alugadas e quatro delas dividem a mesma residência com outras famílias, como forma de reduzir as despesas mensais.

Os homens encontram-se entre 20 e 34 anos de idade e atuam principalmente em empresas frigoríficas, sendo três estudantes universitários. As mulheres trabalham informalmente na comercialização de comidas caseiras, em salões de beleza, bem como em empresas do ramo frigorífico. Em decorrência da pandemia e do cancelamento das aulas dos filhos, as mulheres permanecem em casa sem poder trabalhar, o que reduz a renda familiar.

A Investigação Temática foi guiada pela dialogicidade, sendo que os TG foram discutidos e as ideias dos participantes compartilhadas no CCV. Assim, o encontro tornou-se um espaço dinâmico de aprendizagem que possibilitou a reflexão crítica sobre situações da existência, possibilitando o diálogo entre as famílias sobre as vivências da restrição social imposta pela COVID-19 e preocupações com aspectos econômicos que influenciam o cotidiano.

Para o desenvolvimento da Codificação e Descodificação, com o intuito de buscar os significados e ampliar o conhecimento sobre os dois TG, cada família debateu sobre as preocupações geradas no enfrentamento da pandemia (TG1), como demonstra a Figura 2, que retrata simbolicamente o mapa com a região norte do Haiti e os significados atribuídos pelas famílias haitianas. As preocupações das famílias foram sumarizadas da seguinte forma: trabalho e subsistência da família no Brasil e no Haiti; incerteza do futuro; risco de contaminação e de morrer no Brasil; cancelamento das aulas dos filhos; desânimo e solidão.

Fonte: elaboração própria, a partir dos depoimentos das famílias haitianas

Figura 2 Significados das famílias haitianas: preocupações no enfrentamento da COVID-19 

Os participantes refletiram, ainda, sobre as oportunidades que a vivência da pandemia suscitou (TG2) e, juntos, destacaram novos caminhos que se abriram durante a crise (Figura 3). Durante os diálogos, os significados foram criticamente desvelados. O apoio mútuo ficou evidente no partilhar das experiências, em que as famílias se empoderaram entre si, num processo de tomada de consciência sobre a situação real, bem como visualizaram caminhos mais esperançosos no horizonte da vida, transformando-se mutuamente, atingindo o Desvelamento Crítico, última etapa do Itinerário Freireano. Assim, as oportunidades manifestadas em decorrência da pandemia foram agrupadas em: ajuda recebida de terceiros (amigos da igreja, vizinhos); percepção de força pessoal e familiar; oportunidade de parar e repensar a vida; confiança em Deus e esperança.

Fonte: elaboração própria, a partir dos depoimentos das famílias haitianas

Figura 3 Significados das famílias haitianas: desabrochar de oportunidades na crise 

Por fim, as famílias refletiram sobre a importância da participação no CCV e destacaram como principais contribuições: o esclarecimento de dúvidas sobre a pandemia e principalmente, o espaço para promover a saúde mental. Ressaltaram que o CCV proporcionou troca de experiências em um momento marcante de suas vidas, em que se sentiam isolados e desanimados, oferecendo também oportunidade de aliviar a falta dos familiares no Haiti. Os participantes relataram que a realização do CCV, com a abordagem do mapa do Haiti, transmitiu a sensação de acolhimento e valorização de suas origens (Figura 4).

Fonte: elaboração própria, a partir dos depoimentos das famílias haitianas

Figura 4 Significados das famílias haitianas na vivência do CCV 

DISCUSSÃO

Imigrantes são particularmente vulneráveis a uma diversidade de Determinantes Sociais da Saúde (DSS), que podem ser definidos como fatores que influenciam, afetam e/ou determinam a saúde das pessoas.11 A vulnerabilidade envolve dois aspectos: individuais, que se refere ao grau e qualidade da informação dos indivíduos sobre o processo saúde-doença; coletivos, que envolvem o acesso a recursos como meios de comunicação, escolarização e materiais; e programáticos, relacionados ao entendimento de políticas e instituições.12 Pode-se afirmar que os imigrantes haitianos, na vivência de uma pandemia, inserem-se nos três planos, tratando-se, portanto, de um público extremamente vulnerável e, como tal, devem ser considerados na atenção à saúde.

O termo vulnerabilidade evoluiu ao longo do tempo, transcendendo o aspecto biológico e o comportamento individual. Assim, passou-se a considerar nos estudos na área da saúde os fatores econômicos, sociais e culturais como determinantes na suscetibilidade, no risco de contágio e desenvolvimento de doenças, visto ser urgente assistir os indivíduos de maneira integral.13

Os participantes do CCV compartilharam os significados atribuídos às preocupações no enfrentamento da COVID-19, que estão interligados a fatores condicionantes e determinantes do processo saúde e doença, reafirmando a determinação social desta e a necessidade de intervenção e medidas intersetoriais de enfrentamento. A exemplo do enfrentado pelos residentes brasileiros, a vivência do imigrante haitiano envolve questões de subsistência e trabalho como direito à cidadania.

Perante as restrições impostas pela pandemia da COVID-19 relacionadas às condições de vida e trabalho dos indivíduos, alerta-se para o agravamento da situação econômica das famílias haitianas, fundamental à sua subsistência, uma vez que, além da necessidade de prover o próprio sustento, contribui para a manutenção de familiares no país de origem.6,14,15

Para minimizar os danos econômicos causados pela pandemia no orçamento familiar, o Ministério da Economia Brasileiro estabeleceu medidas visando a atenção de situações listadas como emergenciais. Para esta discussão, que abarca a situação dos imigrantes, destacam-se a proteção econômica à população mais vulnerável e a sobrevivência das empresas e manutenção do emprego. Da mesma forma, medidas de proteção social são direcionadas especialmente ao mercado informal que representa 40% da força de trabalho ocupada, desempregados e autônomos, prevendo auxílio financeiro para esta população, bem como a ampliação do número de famílias beneficiadas pelo programa Bolsa Família.16

Ainda, como medida para o resguardo do emprego e com vistas a reduzir os custos de manutenção durante o período de queda de receita das empresas, criou-se o programa de financiamento da folha de pagamento, em que foram regulamentadas as possibilidades de teletrabalho, trabalho remoto e à distância, além da permissão de antecipação das férias coletivas, de feriados e de compensação de jornada de trabalho por meio de banco de horas.16 Neste sentido, considerando que imigrantes, em alguma proporção, vivenciam a informalidade e o desemprego, estas medidas podem eventualmente atender uma boa parte desta população no Brasil.

Em meio ao cenário de inúmeras chamadas governamentais à equalização desta densa situação, é possível que as famílias imigrantes sejam atendidas conforme sua posição de maior vulnerabilidade, beneficiando-se das medidas propostas. Contudo, no tocante a essa população, tem-se a expectativa de atenção diferenciada, não só para responder a uma necessidade econômica, como também para promover atividades educativas, visto que carecem de informações quanto às medidas de prevenção anunciadas.

Cabe ressaltar que, diante da restrição financeira, na qual vivem os participantes, ora agravado com a pandemia, a divisão do aluguel residencial entre várias famílias de imigrantes é realidade. Além disso, a cultura do compromisso em ajudar o outro por meio da empatia é predominante, apresentando um espírito de concepção comunitária forte.6 Todavia, existe um fator importante a ser analisado entre a solidariedade de fato e a submissão ou subordinação, dada a ausência de condições mínimas de moradia e de sobrevivência. Ainda, diante do distanciamento social como medida de prevenção ao avanço da pandemia, o acúmulo de pessoas residindo no mesmo local pode ter efeito contrário ao pretendido com a medida.

Diante do exposto, fica evidente a necessidade de atenção dos profissionais da saúde, especialmente da atenção primária, a fim de promover atividades educativas voltadas à realidade dos imigrantes, incentivando-os a realizarem as medidas de precaução, em prol do bem-estar individual e coletivo. As características de transmissão do vírus causador da COVID-19 (SARS-CoV-2) entre humanos, incluindo assintomáticos, bem como sua alta velocidade de propagação,17 agravam o risco a que estão expostas as famílias participantes do estudo.

Estima-se que as crianças desenvolvam quadros clínicos mais leves da doença, tornando um problema do ponto de vista epidemiológico, pois podem ser importantes reservatórios e fontes de infecção,18 como no caso das famílias participantes do estudo que residem com seus filhos e, em alguns casos, com mais de uma família na mesma casa. Esta conjuntura repercute em desafios para a vigilância epidemiológica e os programas de políticas públicas, com o intuito de reduzir as desigualdades de acesso à saúde e as condições para o desenvolvimento do autocuidado.19

Ademais, os participantes relataram sensações de caráter abstrato, como a solidão e o desânimo, permeados pelo receio de contaminar-se com o vírus, de adoecer e morrer. Soma-se a isso a peculiaridade de viver relações familiares que ultrapassam fronteiras em famílias transnacionais.15,19,20 Transnacionais são famílias cujos membros vivem em parte ou na maior parte do tempo separados, mas permanecem juntos por criarem sentimento de bem-estar coletivo e unidade, mesmo quando atravessam as fronteiras de seus países.21 Nelas, as relações se estabelecem em uma espacialidade distinta, com a marca da experiência migratória.22

Quanto ao medo da contaminação, adoecimento e morte por COVID-19 relatada pelos imigrantes haitianos, ainda são recentes os estudos acerca das implicações na saúde mental ocasionadas pela pandemia, por tratar-se de um acontecimento recente. Estudo realizado na China23 sobre implicações do enfrentamento à COVID-19 na saúde mental revelou que 75,2% dos participantes referem medo de contrair a doença ou de seus familiares a contraírem, corroborando com as discussões das famílias durante o diálogo no CCV. Ainda, ansiedade e depressão (16 a 28%) e estresse autorrelatado (8%) foram reações psicológicas identificadas em estudo de revisão de literatura, como comuns à pandemia da COVID-19.24

É fato que o cenário de incertezas diante da rápida disseminação do vírus SARS-CoV-2 por todos os continentes, acrescido da falta de informações sobre como controlar a doença, além da dificuldade em determinar o tempo de duração da pandemia e de suas repercussões podem desencadear problemas à saúde mental da população,25 o que pode ser mais agravante para os imigrantes por tratar-se de população, como dito, vulnerável a diversos DSS.

Ademais, o isolamento ocasionado pelas vivências da emigração e imigração e a consequente falta de amizades nos diferentes espaços frequentados26 podem se exacerbar no enfrentamento de pandemias devido à necessidade de distanciamento social, o que tem afetado a saúde mental de toda a sociedade mundial. No entanto, o distanciamento social é fundamental e deve ser avaliado constantemente, pois, caso seja suspenso antes do momento adequado, poderá ocasionar crescimento dos casos da infecção.17

A abordagem e consideração da dimensão psicossocial do processo migratório são de relevância para avanços, a fim de garantir aos imigrantes melhores condições de vida e saúde. Neste sentido, diante do crescente fenômeno migratório, emergem esforços na reformulação de estratégias legais e políticas públicas, com vistas à melhoria da qualidade de vida, da saúde, do acesso aos serviços e do respeito aos direitos, com enfoque integral no processo de adaptação cultural e nas vivências psicológicas, familiares e sociais dos migrantes,27 principalmente na atual conjuntura de crise e enfrentamento das implicações da COVID-19.

No processo migratório, muitas são as dificuldades encontradas, tais como o novo idioma, a ausência e as rupturas familiares, o preconceito, a discriminação, a exaustão provocada pelo trabalho, a dificuldade de estabelecer laços sociais significativos com brasileiros (as), as condições de vida, entre outros fatores.14 Daí a necessidade maior de apoio aos imigrantes, já que estão distantes geograficamente de suas famílias de origem e, geralmente, com poucos amigos no Brasil. Dessa forma, a compreensão dos elementos psicossociais e políticos que evidenciem e discutam estas problemáticas em uma perspectiva interprofissional de saúde é defendida. Acolher as múltiplas expressões de sofrimento, em espaços simbólicos que tornem possível aos imigrantes se colocar de forma mais ativa em busca do seu viver saudável, é condição fundamental para a saúde mental destes, sobretudo em tempos de pandemia.

O trecho de um poema, escrito pelo imigrante Moises Antônio, que reside no Brasil, diz o seguinte:

Sou Imigrante dalém. Lá do outro lado do oceano. Forçado a abandonar o país. Sim, o país de origem.... Não tenho terra. Tudo é terra. Quem dera que não houvesse fronteiras! Divisões geográficas.... Sou resistente, com força para viver, almejando viver. Sou resistível como um Leão da África. Só quero viver a vida… porque a terra é nossa, de todos nós. Não importa se aqui ou lá!

Assim como o poeta imigrante, os participantes demonstraram sua resistência e força para viver, mesmo após apontamentos sobre as dificuldades/preocupações trazidas ou aguçadas pela pandemia, ao desvelar oportunidades decorrentes de ampliação das relações com a sociedade. Por sua vez, amigos, vizinhos e as igrejas, conforme destacado pelos participantes, desempenham papel fundamental, compensando a distância física da família com relações de solidariedade e redes de apoio importantes em condições adversas de vida, como é o caso do enfrentamento da COVID-19.2,15,20

A crise decorrente da pandemia criou a oportunidade de parar e repensar a vida. Esse estar consigo próprio e com a família, mesmo que em situação imposta pela quarentena, parece ter ocasionado avaliação pessoal/familiar e despertado a percepção da força de cada um e de todos, não apenas no enfrentamento da COVID-19, mas em outros setores da vida cotidianamente vivida como imigrante. Ao mesmo tempo, as preocupações que têm, aliadas ao encontro consigo, com a família e com outros que lhes são solidários, contribuem para renovar a confiança em Deus e a esperança. Cabe destacar que é essencial que as populações vulneráveis, como os imigrantes haitianos, tenham a oportunidade de verbalizar suas experiências de vida, manifestar suas necessidades, instigando estratégias de enfrentamento e superação de suas condições de vida.28

A crise estabelecida nas áreas da saúde pública, social e econômica, decorrente da pandemia motivou reflexões no CCV. Em diálogo mediado por uma enfermeira, as famílias se expressaram sobre seu viver neste momento atípico, esclareceram dúvidas, apoiaram-se mutuamente e perceberam em si próprias e no desenvolvimento da sua fé e religiosidade, elementos que lhes possibilitam enfrentar as dificuldades.

O processo imigratório é capaz de comprometer o bem-estar do indivíduo, no entanto, todas as pessoas são capazes de buscar recursos em si mesmas e no ambiente que as cercam, a fim de superar os desafios, especialmente contando com elementos protetivos como a rede de apoio e a religiosidade, que aliviam as angústias e alimentam a esperança.29

Ao desvelar os significados das famílias haitianas quanto ao desabrochar de oportunidades na crise, simboliza-se a esperança como emblema de superação. Além disso, confortaram-se com a solidariedade intrínseca ao contexto de crise, como também pelo auxílio dos brasileiros. Assim, os participantes perceberam suas fortalezas internas e a expressão do amor e respeito à vida, em um momento de tamanha singularidade.

CONCLUSÕES E IMPLICAÇÕES PARA A PRÁTICA

Este estudo revelou que os imigrantes haitianos se encontram em situação de extrema vulnerabilidade social, econômica e de saúde mental no enfrentamento da COVID-19, exigindo atenção especial da enfermagem e demais profissionais da área da saúde, de maneira a preservar os direitos intrínsecos do cidadão, em território brasileiro.

Diante do desafio da promoção e manutenção da saúde dos indivíduos e coletivos, em tempos de pandemia da COVID-19, a identificação da situação de vulnerabilidade a partir da consideração de fatores sociais, econômicos e culturais é fundamental para a proposição de políticas públicas e adoção de estratégias efetivas de enfrentamento da problemática, consistindo este em importante campo de atuação da enfermagem em saúde pública.

Como limitação do estudo, cita-se a necessidade de realizar o Círculo de Cultura, de modo virtual, por inexistirem condições de agregar outras famílias sem acesso à internet. Mas, ao mesmo tempo em que se reconhece esta limitação, que é inerente ao momento pandêmico, entende-se que esta opção metodológica virtual inovadora poderá ser utilizada na área da enfermagem em saúde pública para a realização de outros estudos no Brasil e no restante do mundo, para fluidez de pesquisas qualitativas, mesmo perante a restrição social.

O estudo, por meio do CCV, viabilizou espaço de trocas e vivências, mesmo de maneira remota, o que permitiu o compartilhar de sentimentos e angústias nesse momento pandêmico. Portanto, diante da necessidade de restrição social, como medida de prevenção da COVID-19, recomenda-se a realização de CCV para populações vulneráveis, que carecem de espaços para dialogar sobre o enfrentado desta crise, em busca da qualidade de vida, evidenciando a relevância em utilizar a pesquisa-ação participante na enfermagem, que possibilitou a articulação entre interesses de pesquisadores e a intervenção na população de estudo. Recomenda-se, ainda, a continuidade de pesquisas que atentem para o impacto da pandemia na experiência migratória e de outros públicos em situação de vulnerabilidade.

FINANCIAMENTOCoordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Bolsa do Programa Nacional de Pós-Doutorado concedida a Jeane Barros de Souza, Processo no 88887.357993/2019-00.

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Recebido: 26 de Junho de 2020; Aceito: 02 de Setembro de 2020

Autor correspondente: Larissa Hermes Thomas Tombini E-mail: larissa.tombini@uffs.edu.br

Desenho do estudo. Jeane Barros de Souza. Ivonete Terezinha Schülter Buss Heidemann

Coleta ou produção dos dados. Jeane Barros de Souza

Análise de dados: Jeane Barros de Souza. Ivonete Terezinha Schülter Buss Heidemann. Daniela Savi Geremia. Valéria Silvana Faganello Madureira. Julia Valeria de Oliveira Vargas Bitencourt. Larissa Hermes Thomas Tombini.

Interpretação dos resultados. Jeane Barros de Souza. Ivonete Terezinha Schülter Buss Heidemann. Daniela Savi Geremia. Valéria Silvana Faganello Madureira. Julia Valeria de Oliveira Vargas Bitencourt. Larissa Hermes Thomas Tombini

Redação e revisão crítica do manuscrito. Jeane Barros de Souza. Ivonete Terezinha Schülter Buss Heidemann. Daniela Savi Geremia. Valéria Silvana Faganello Madureira. Julia Valeria de Oliveira Vargas Bitencourt. Larissa Hermes Thomas Tombini

Aprovação da versão final do artigo. Jeane Barros de Souza. Ivonete Terezinha Schülter Buss Heidemann. Daniela Savi Geremia. Valéria Silvana Faganello Madureira. Julia Valeria de Oliveira Vargas Bitencourt. Larissa Hermes Thomas Tombini

Responsabilidade por todos os aspectos do conteúdo e a integridade do artigo publicado. Jeane Barros de Souza. Ivonete Terezinha Schülter Buss Heidemann. Daniela Savi Geremia. Valéria Silvana Faganello Madureira. Julia Valeria de Oliveira Vargas Bitencourt. Larissa Hermes Thomas Tombini

EDITOR ASSOCIADO Antonio José de Almeida Filho

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