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Revista de Nutrição

Print version ISSN 1415-5273

Rev. Nutr. vol.23 no.5 Campinas Sept./Oct. 2010

https://doi.org/10.1590/S1415-52732010000500014 

ORIGINAL ORIGINAL

 

Estado nutricional e fatores associados em escolares domiciliados na área rural e urbana

 

Nutritional status and associated factors in schoolchildren living in rural and urban areas

 

 

Andreia PelegriniI; Diego Augusto Santos SilvaI; Edio Luiz PetroskiI; Maria Fátima GlanerII

IUniversidade Federal de Santa Catarina, Programa de Pós-Graduação em Educação Física, Núcleo de Pesquisa em Cineantropometria e Desempenho Humano. Caixa Postal 476, Campus Universitário, Trindade, 88040-900, Florianópolis, SC, Brasil. Correspondência para/Correspondence to: A. PELEGRINI. E-mail: <petroski@cds.ufsc.br>.
IIUniversidade Católica de Brasília, Programa de Pós-Graduação em Educação Física, Grupo de Estudos em Medida e Avaliação, Cineantropometria e Desempenho Humano. Brasília, DF, Brasil.

 

 


RESUMO

Objetivo: Verificar o estado nutricional de escolares domiciliados nas áreas urbana e rural da Região Sul do Brasil e analisar sua associação com fatores demográficos e nível de atividade física.
Métodos: Participaram do estudo 1.415 escolares (720 rapazes e 695 moças), sendo 878 da área urbana e 537 da área rural. Foram pesquisadas informações demográficas (sexo, idade, área de domicílio), antropométricas (massa corporal, estatura) e do nível de atividade física. O estado nutricional - desnutrição e excesso de peso - foi determinado pelo índice de massa corporal a partir dos critérios propostos pela International Obesity Task Force. O nível de atividade física foi classificado em duas categorias: mais ativo ou menos ativo.
Resultados: A prevalência de desnutrição foi de 11,4% (IC95%=9,85-13,16) e excesso de peso de 11,2% (IC95%=9,66-12,95). A prevalência de excesso de peso foi superior nos escolares domiciliados na área urbana (14,0%; IC95%=12,29-15,91) em relação aos da área rural (6,7%; IC95%=5,51-8,12). Foi verificado, nos rapazes, que os menos ativos fisicamente (OR=1,74; IC95%=1,03-2,94) apresentaram chance maior de ter desnutrição. Além disso, os adolescentes da área urbana (OR=3,40; IC95%=1,88-6,17) e os menos ativos fisicamente (OR=1,88; IC95%=1,07-3,33) apresentaram maiores chances de excesso de peso. As moças de 10 a 13 anos apresentaram maior chance de desnutrição (OR=1,95; IC95%=1,17-3,24) e aquelas residentes na área urbana (OR=1,75; IC95%=1,03-2,99), mais chance de excesso de peso.
Conclusão: A prevalência de desnutrição encontrada ainda é elevada em escolares. O excesso de peso assemelha-se ao que tem sido observado nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. Rapazes com baixo nível de atividade física e moças de 10 a 13 anos apresentam maior exposição à desnutrição. Moças e rapazes domiciliados na área urbana e rapazes com baixo nível de atividade física apresentam maior exposição aos riscos decorrentes do excesso de peso corporal.

Termos de indexação: Estado nutricional. Obesidade. Saúde do adolescente. Sobrepeso.


ABSTRACT

Objective: The objectives of this study were to assess the nutritional status of schoolchildren living in urban and rural areas in the southern region of Brazil, and investigate a possible association between nutritional status and demographic factors and level of physical activity.
Methods: A total of 1,415 schoolchildren (720 boys and 695 girls) participated in the study; of these, 878 lived in rural areas and 537 lived in urban areas. Demographic (gender, age, residence location) and anthropometric (body weight and height) data were collected and level of physical activity investigated. Nutritional status (malnutrition and excess weight) was classified according to body mass index following the International Obesity Task Force criteria. The level of physical activity was classified into two categories (more or less active).
Results: The prevalence of malnutrition was 11.4% (CI95%=9.85-13.16) and the prevalence of excess weight was 11.2% (CI95%=9.66-12.95). The prevalence of excess weight was higher among adolescents living in urban areas (14.0%; CI95%=12.29-15.91) than among those living in rural areas (6.7%; CI95%=5.51-8.12). Boys with lower levels of physical activity (OR=1.74; CI95%=1.03-2.94) were more likely to be malnourished. On the other hand, adolescents living in urban areas (OR=3.40; CI95%=1.88-6.17) and less physically active (OR=1.88; CI95%=1.07-3.33) were more likely to be overweight or obese. Girls aged 10 to 13 years were more likely to be malnourished (OR=1.95; CI95%=1.17-3.24) and those living in urban areas (OR=1.75; CI95%=1.03-2.99) were more likely to be overweight or obese.
Conclusion: The prevalence of malnourished schoolchildren is still high. In contrast, the prevalence of excess weight was similar to that observed in South and Southeast Brazil. Boys with low levels of physical activity and girls aged 10 to 13 years are more exposed to malnutrition. Boys and girls living in urban areas and boys with low levels of physical activity are more exposed to the risk of becoming overweight or obese.

Indexing terms: Nutritional status. Obesity. Adolescent health. Overweight.


 

 

Introdução

A presença da desnutrição, deficiência de micronutrientes, excesso de peso e outras doenças não transmissíveis coexistentes nas mesmas comu-nidades e, muitas vezes, no mesmo domicílio ca-racterizam a transição nutricional. No Brasil, ao mesmo tempo em que se observa uma redução contínua dos casos de desnutrição1, são observa-das prevalências crescentes de excesso de peso nas formas de sobrepeso e obesidade2. Nos países desenvolvidos e em desenvolvimento, a ascensão do excesso de peso tem sido observada princi-palmente entre os adolescentes e adultos jovens. Esse fato é bastante preocupante, pois a obesi-dade nessa fase da vida é fator de risco para a obesidade na idade adulta3. Atrelados a esse con-texto, o sobrepeso e a obesidade estão associados a doenças crônicas não-transmissíveis, tais como: hipertensão arterial4,5, dislipidemia5, diabetes mellitus tipo 24 e outros fatores de risco para doença arterial coronariana6. Além disso, tem sido constatada associação com níveis elevados de ansiedade7 e redução no desempenho escolar8.

A World Health Organization9 tem estima-do que, a cada ano, 1,9 e 2,6 milhões de pessoas morrem como resultado da inatividade física e do sobrepeso/obesidade, respectivamente. Dessa for-ma, supõe-se que o excesso de peso apresente forte relação com o estilo de vida sedentário10, além disso, a inatividade física na adolescência é um forte indicador do risco de obesidade na idade adulta, favorecendo um círculo vicioso entre obesi-dade e sedentarismo11.

Algumas pesquisas internacionais foram realizadas para verificar o estado nutricional em adolescentes das áreas urbana e rural12,13. Em con-trapartida, no Brasil, estudos envolvendo adoles-centes da área rural são escassos e, portanto, necessários. Além disso, o estado nutricional de crianças e adolescentes pode variar de uma área para outra14, justificando a realização desse tra-balho. Dessa forma, o presente estudo tem como objetivos: a) verificar o estado nutricional em esco-lares domiciliados na área urbana e rural da região Sul do Brasil e b) analisar a associação entre o estado nutricional e os fatores demográficos e nível de atividade física.

 

Métodos

Trata-se de um estudo epidemiológico transversal, de base escolar, realizado com esco-lares de 10 a 17 anos, domiciliados nos meios urbano e rural, matriculados em escolas públicas. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Federal de Santa Catarina, protocolo nº 217, em 29 de setembro de 2008. Todos os participantes assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido antes da coleta de dados.

O estudo foi conduzido em escolares das áreas urbana e rural de quatro municípios: três do estado de Santa Catarina - Chapecó, Con-córdia e Saudades - e um do estado do Rio Grande do Sul - Erval Grande. Pelo fato de o município de Chapecó apresentar população urbana (13,2%) superior à média da Região Sul do Brasil, a amostra urbana foi composta por adolescentes domiciliados nessa cidade. A amostra rural foi constituída por adolescentes domiciliados nas áreas rurais dos municípios de Concórdia (SC), Saudades (SC) e Erval Grande (RS) pelo fato de possuírem uma população rural sensivelmente superior - 62,6%, 65% e 28,3% respectivamente - à população rural da Região Sul do país (21,6%)14.

As escolas das redes municipal, estadual e federal foram englobadas no presente estudo na tentativa de se obter uma amostragem represen-tativa de escolares dos dois domicílios. Isso foi necessário, pois: a) a maioria das escolas do meio rural é municipalizada e atende somente o ensino fundamental; b) parte das escolas agrotécnicas federais localiza-se no interior e a maioria dos seus alunos é procedente de áreas rurais; c) a maioria das escolas que possuem ensino médio é estadual e localiza-se na área urbana. As três escolas exis-tentes em Erval Grande e Saudades que atendem alunos rurais, da faixa etária abrangida no estudo, foram envolvidas. De Concórdia foi escolhida a Escola Agrotécnica Federal para compor a amostra nas faixas etárias mais elevadas. Todos os alunos rurais foram convidados a participar. A adesão foi superior a 95% dos que estavam presentes na aula de educação física - dia da coleta. Para selecionar os escolares urbanos, foi sorteada uma escola de cada região da cidade de Chapecó, totalizando cinco escolas. Em cada uma foram sorteadas turmas para atingir o número de esco-lares determinado para cada faixa etária. Poste-riormente, os alunos foram convidados a partici-par do estudo. Dos que estavam presentes no momento da coleta, aproximadamente 90% vo-luntariaram-se. Participaram do estudo 1.420 ado-lescentes. Foram considerados como perda amostral (n=5) os escolares que não tiveram sua estatura mensurada. A amostra final foi composta de 1.415 adolescentes, sendo 878 domiciliados na área urbana e 537 na área rural.

Foram coletadas informações demográ-ficas (sexo, idade e área domiciliar), antropo-métricas (massa corporal e estatura) e sobre o Nível de Atividade Física (NAF). A massa corpora e a estatura foram mensuradas seguindo procedi-mentos padronizados15. O estado nutricional foi verificado por meio do Índice de Massa Corpo-ral (IMC), assim calculado: IMC = massa cor-poral/estatura2. Para a classificação do estado nutricional, foram utilizados pontos de corte amplamente aceitos na literatura: desnutrição16: IMC<18,5kg/m2, eutrófico17: IMC entre 18,5 e 25kg/m2; excesso de peso: IMC>25kg/m2, por sexo e idade. Adotou-se a expressão excesso de peso tanto para se referir ao sobrepeso quanto à obesidade. O NAF foi estimado pelo questionário desenvolvido por Pate18, traduzido e adaptado por Nahas19. Os próprios adolescentes responderam ao questionário, em sala de aula, com a orientação de um dos pesquisadores envolvidos no estudo. Esse instrumento considera as atividades ocupa-cionais diárias e de lazer para classificar o indivíduo em um dos quatro níveis: inativo, moderadamente ativo, ativo e muito ativo. Essa variável foi dicoto-mizada em mais ativo (ativo e muito ativo) e me-nos ativo fisicamente (pouco ativo e inativo).

Inicialmente, foi realizada a descrição da amostra por sexo. Nas comparações entre duas proporções, foi aplicado o teste de significância para diferenças entre as proporções. Valores cate-góricos foram comparados por meio do teste qui-quadrado, e para os valores contínuos utilizou-se o teste t de Student para amostras indepen-dentes. Como a variável dependente (estado nutricional) foi composta por três categorias (eutrófico, desnutrição e excesso de peso), empregou-se a técnica de regressão logística multinomial para estimar a associação entre o estado nutricional e as variáveis independentes (idade, área de domicílio e NAF). A categoria eutrófico foi adotada como o grupo de referência. Em todas as análises, as variáveis foram trabalhadas de forma dicotômica: idade: 10 a 13 anos e 14 a 17 anos; área de domicílio: urbana e rural; NAF: mais ativo ou menos ativo fisicamente. Em todas as análises adotou-se nível de significância de 5% (p<0,05 ou IC95%).

 

Resultados

Dos 1.415 escolares investigados, 50,9% (720) são rapazes e 49,1% (695), moças. Com relação aos valores descritivos, foram observadas diferenças entre os sexos, na massa corporal e na estatura (p<0,05), com valores superiores para os rapazes (massa corporal = Média (M)=49,8 Desvio-Padrão (DP)=13,0kg estatura = M=160,0 DP=12,2cm) em relação às moças (massa corpo-ral = M=48,4, DP=10,3kg; estatura = M=154,0, DP=8,2cm).

Prevalências maiores de excesso de peso são verificadas entre os adolescentes de 10 a 13 anos e naqueles domiciliados na área urbana (p<0,05) (Tabela 1).

A prevalência e as razões de chance de desnutrição e excesso de peso para o sexo masculino estão apresentadas na Tabela 2. A desnutrição foi significativamente (p<0,05) associada com o NAF, indicando que os adolescentes menos ativos fisicamente apresentam 74% mais chances de ter o desfecho quando comparados com os mais ativos fisicamente. O excesso de peso foi significativamente (p<0,05) associado com a área de domicílio e com o NAF, e os adolescentes domi-ciliados na área urbana e os menos ativos fisicamente apresentam maiores riscos de excesso de peso (Tabela 2).

A desnutrição foi significativamente (p<0,05) associada com a idade: as escolares de 10 a 13 anos apresentaram duas vezes mais chance de desnutrição que as escolares de 14 a 17 anos. O excesso de peso foi significativamente (p<0,05) associado com a área de domicílio. Esses achados revelam que as escolares que residem na área urbana apresentam 75% mais chance de excesso de peso que aquelas da área rural (Tabela 3).

 

Discussão

O presente estudo verificou o estado nutri-cional de adolescentes domiciliados na área urbana e na rural da região Sul do Brasil e analisou sua associação com fatores demográficos e com o NAF, vindo a contribuir como um estudo de base escolar preocupado em delimitar escolares quanto à área de domicílio (urbana e rural), tendo em vista as diferenças sociais e culturais existentes entre elas.

A prevalência de desnutrição encontrada nos escolares foi de 11,4%. Prevalência superior de desnutrição foi encontrada na África20, Europa21 e América do Norte22. Em contrapartida, pro-porções inferiores foram verificadas na Ásia12. No Brasil, recente pesquisa conduzida em crianças menores de cinco anos revelou uma diminuição dos casos de desnutrição em 50% no período de 1996 (13,5%) a 2006/7 (6,8%)1. No mesmo estudo1, foi identificado que dois terços dessa redução poderiam ser atribuídos ao aumento da escolaridade materna, ao aumento do poder aquisitivo das famílias, à ampliação da assistência à saúde e à melhoria no saneamento básico.

A prevalência de excesso de peso foi de 11,2%. Esses resultados são inferiores aos obser-vados em pesquisas nacionais14 e internacionais4,5. Por sua vez, esses achados são similares aos encontrados em adolescentes (14-18 anos) de João Pessoa (PB) (10,0%)23 e em crianças (7-10 anos) de Porto Velho (RO) (10,0%)24.

Prevalências mais elevadas de excesso de peso foram encontradas nos adolescentes de 10 a 13 anos. Esses resultados corroboram os eviden-ciados em adolescentes brasileiros25: maiores prevalências de sobrepeso/obesidade foram veri-ficadas naqueles com idade de 10 a 13 anos. Em contrapartida, divergem do estudo realizado em adolescentes de João Pessoa (PB)23, no qual a idade dos escolares não se associou à frequência de sobrepeso/obesidade em ambos os sexos. Em relação à área de domicílio, a prevalência mais elevada de excesso de peso foi encontrada nos adolescentes residentes na área urbana. Resultados semelhantes foram encontrados em pes-quisa conduzida em adolescentes do Estado de Santa Catarina26.

Pesquisas sugerem que o comportamento sedentário esteja associado positivamente com o excesso de peso em ambos os sexos27. Todavia, os resultados do presente estudo demonstraram, para os rapazes, que os menos ativos fisicamente têm mais chance de apresentar desnutrição quan-do comparados àqueles mais ativos fisicamente. Leatherdale & Wong28, ao investigar a relação de atividades sedentárias com o estado nutricional em mais de 25 mil crianças e adolescentes, encon-traram que indivíduos do sexo masculino que gastavam mais tempo assistindo TV tiveram mais chance de apresentar desnutrição do que seus pares que gastavam menos tempo nessa atividade.

Os achados encontrados no presente estudo demonstraram, em ambos os sexos, associação entre excesso de peso e área de domicílio, tendo sido verificada maior chance de excesso de peso naqueles da área urbana. Esses resultados corro-boram os observados em estudo internacional12 e nacional14, entretanto divergem dos relatados em adolescentes canadenses13. Uma possível explicação para a maior prevalência de excesso de peso nos escolares residentes na área urbana é o fácil acesso aos alimentos altamente calóricos (fast food) e/ou a diminuição dos níveis de atividade física. Já os adolescentes da área rural, muitas vezes, precisam se deslocar a pé para ter acesso ao transporte que os conduz até a escola, aumentando, dessa forma, o NAF e, consequentemente, diminuindo as chances de aumento do peso corporal. Além disso, no meio rural, cultural-mente os filhos auxiliam os pais nas atividades laborais. Destaca-se que a região envolvida no estudo é caracterizada por minifúndios; assim, o trabalho braçal é necessário na execução das tarefas diárias, fazendo com que os adolescentes tenham um aumento no gasto energético diário.

Foi verificada, também, associação entre o excesso de peso corporal e o NAF nos rapazes. Os menos ativos fisicamente apresentaram maiores riscos de apresentar excesso de peso do que os mais ativos fisicamente. Esses resultados vão ao encontro da literatura29, que relaciona o excesso de peso com os baixos níveis de atividade física.

Nas moças, observou-se associação entre desnutrição e idade, o que revela que as adoles-centes de 10 a 13 anos apresentaram maiores chances de desnutrição em relação às de 14 a 17 anos. Esse achado pode ser explicado pela influên-cia da maturação sexual, pois, possivelmente, em faixa etária inferior - de 10 a 13 anos -, esse fenô-meno ainda não ocorreu, ao contrário das adoles-centes de 14 a 17 anos, nas quais as alterações na composição corporal são evidenciadas, aumen-tando-se, portanto, o risco de sobrepeso e obe-sidade30.

Entre as limitações do presente estudo destacam-se: 1) o fato de o estudo ser de base escolar, o que impede a generalização para jovens que não frequentam escola; 2) o desenho trans-versal, que impossibilita verificar a relação de causalidade entre as variáveis analisadas; 3) o fato de a maturação sexual não ter sido considerada, embora ela seja um fator capaz de alterar a ava-liação do estado nutricional, especificamente na faixa etária investigada na presente casuística.

 

Conclusão

Os resultados encontrados no presente estudo permitem concluir que a prevalência de desnutrição encontrada ainda é preocupante. Em relação ao excesso de peso, a prevalência encon-trada se assemelha ao que tem sido observado nos estados da região Sul e Sudeste do Brasil. Os rapazes com baixo NAF apresentam maior expo-sição à desnutrição. Moças e rapazes da área urba-na e rapazes com baixo NAF apresentaram maior exposição aos riscos decorrentes do excesso de peso corporal.

Para superar a situação da desnutrição, que ainda permeia o ambiente escolar, medidas eficientes e urgentes são exigidas para o combate à pobreza e à fome por meio da implementação de políticas de inclusão social. Além disso, atenção deve ser dada às condições inadequadas de sa-neamento básico, aos baixos níveis de educação e aos serviços de saúde deficientes. Além disso, medidas de intervenção, na infância e na adoles-cência, voltadas à prevenção, controle e trata-mento do excesso de peso devem ser adotadas.

 

Colaboradores

A. PELEGRINI e D.A.S. SILVA participaram de todo o processo de elaboração do artigo. E.L. PETROSKI participou da elaboração, revisão e análise crítica do artigo. M.F. GLANER participou da coleta dos dados, elaboração, revisão e análise crítica do artigo.

 

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Recebido em: 24/10/2008
Versão final reapresentada em: 12/1/2010
Aprovado em: 31/5/2010

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