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Revista de Nutrição

versão impressa ISSN 1415-5273

Rev. Nutr. vol.23 no.6 Campinas nov./dez. 2010

https://doi.org/10.1590/S1415-52732010000600011 

COMUNICAÇÃO COMMUNICATION

 

Importância das práticas alimentares no primeiro ano de vida na prevenção da deficiência de ferro1

 

Importance of food practices during the first year of life to prevent iron deficiency

 

 

GiSele Ane Bortolini; Márcia Regina Vitolo

Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde. R. Sarmento Leite, 245, 90050-170, Porto Alegre, RS, Brasil. Correspondência para/Correspondence to: G.A. BORTOLINI. E-mail: <giselebortolini@hotmail.com>.

 

 


RESUMO

A reconhecida relevância da anemia por deficiência de ferro, em termos de saúde pública, decorre não apenas da magnitude de sua ocorrência, mas, principalmente, dos efeitos deletérios que ocasiona à saúde da criança. Com o objetivo de investigar as práticas alimentares no primeiro ano de vida e sua associação com a deficiência de ferro, realizou-se revisão da literatura científica nacional e internacional sobre a questão, selecionando os artigos mais relevantes. Crianças que nascem atermo e com peso adequado, ao receberem o leite materno de forma exclusiva suprem suas necessidades de ferro, sendo desnecessário qualquer complemento nos primeiros seis meses de vida. Próximo aos seis meses de idade ocorre gradualmente o esgotamento das reservas de ferro e a alimentação complementar passa a ter papel predominante no atendimento às necessidades desse nutriente. O papel do aleitamento materno na ocorrência da deficiência de ferro é ainda controverso e parece depender do país, região e tipo de leite utilizado em substituição ao leite materno. Na impossibilidade da continuidade do aleitamento materno, a substituição deste por leite de vaca aumenta o risco de a criança apresentar deficiência de ferro. Práticas complementares que comprovadamente contribuem com a prevenção da deficiência de ferro são: alimentação complementar com alta biodisponibilidade de ferro, alimentos fortificados e suplemento de ferro em doses profiláticas. Dieta com alta biodisponibilidade de ferro é aquela que contém os alimentos básicos da família, desde que saudáveis, com a presença de carne, vitamina A e vitamina C. A alimentação no primeiro ano de vida tem papel importante na prevenção da anemia por deficiência de ferro e, para sua adequada implementação, é necessário que suas diretrizes sejam adotadas como rotina nas unidades básicas de saúde.

Termos de indexação: Alimentação. Anemia. Criança. Deficiência de ferro.


ABSTRACT

The well-known relevance of iron deficiency anemia for public health derives not only from its prevalence, but mainly from its harmful effects on child health. In order to investigate feeding practices in the first year of life and their association with iron deficiency, domestic and international scientific articles were reviewed and the most relevant articles were selected. Children born at term and with appropriate birth weight get all the iron they need from exclusive breastfeeding, with complementary foods of any kind being unnecessary in the first six months of life. At about six months of life, the iron reserves are gradually depleted and complementary foods take on a predominant role in meeting the iron requirement. The role of breastfeeding in the occurrence of iron deficiency is still debated, and appears to depend on the country, region and type of milk used to replace breast milk. The replacement of breast milk with cow's milk increases the risk of the child developing iron deficiency. Complementary practices that have been proven to contribute to the prevention of iron deficiency are complementary foods high in bioavailable iron, enriched foods and iron supplementation in prophylactic doses. A diet high in iron bioavailability is that which contains the staple foods of the family, as long as they are healthy, with the presence of meat, vitamin A and vitamin C. The foods consumed in the first year of life have an important role in the prevention of iron deficiency anemia, and their correct implementation depends on guidelines that should be adopted as standard practice by primary healthcare units.

Indexing terms: Feeding. Anemia. Child. Iron deficiency.


 

 

INTRODUÇÃO

A Organização Mundial da Saúde (OMS), em recente publicação, apresentou uma análise global da prevalência de anemia no mundo, no período de 1993 a 2005. E estimou que, em termos globais, a anemia afeta 1,62 bilhões de pessoas (IC95%; 1,50 - 1,74 bilhões). As crianças em idade pré-escolar são as mais afetadas, com prevalência de 47,4% (293 milhões)1. Também estima que a prevalência de deficiência de ferro seja 2,5 vezes maior que a prevalência de anemia2.

No Brasil, a Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde de 20063, avaliou, pela primeira vez em nível nacional, a prevalência de anemia em crianças e observou que 20,9% das crianças de zero a 59 meses apresentam anemia, ou seja, aproximadamente três milhões de crianças apresentam anemia. As maiores prevalências foram observadas no Nordeste (25,5%), Sudeste (22,6%) e Sul (21,5%). A Região Norte (10,4%) e a Região Centro-Oeste (11,0%) apresentaram as prevalências mais baixas. A ocorrência de anemia em crianças tem sido explorada por diversos estudos no Brasil nos últimos vinte anos. Um estudo de revisão realizado no país sumariza os resultados de 53 estudos realizados no período de 1996 a 2007, nos mais diversos âmbitos e mostrou que os dados medianos para a prevalência de anemia nesse mesmo grupo etário foi de 53,0%, sendo que as maiores prevalências são observadas em crianças menores de 24 meses4.

A reconhecida relevância da anemia por deficiência de ferro, em termos de saúde pública, não decorre apenas da magnitude de sua ocorrência, mas, principalmente, dos efeitos deletérios que ocasiona à saúde da criança, tais como repercussões negativas no desenvolvimento psicomotor e cognitivo, diminuição na capacidade de aprendizagem e comprometimento da imunidade celular com menor resistência às infecções5,6. Esses efeitos podem persistir mesmo após suplementação com ferro7. Evidência recente mostrou que duzentos milhões de crianças menores de cinco anos, residentes em países em desenvolvimento, não atingem seu potencial de desenvolvimento8. Na mesma série de trabalhos, Walker et al.9 identificaram quatro fatores de riscos prioritários para intervenções em nível de saúde pública mundial: baixa estatura, estimulação cognitiva, deficiência de iodo e anemia por deficiência de ferro, que ocorrem isoladamente ou, na maioria das vezes, concomitantemente, agravando a situação. A deficiência de ferro está entre os dez principais fatores de risco, indicados pela Organização Mundial da Saúde, que contribuem para a diminuição da qualidade e expectativa de vida no mundo10. A deficiência de ferro tem custo econômico alto somado à sobrecarga ao sistema de saúde, pois diminui a capacidade de produtividade em adultos11. Ross & Horton12 desenvolveram um algoritmo para estimar as perdas econômicas para os países, devido ao atraso no desenvolvimento cognitivo de crianças, a menor produtividade em adultos e os partos prematuros. Os autores sugerem que a perda é de US$4,00 per capita/ano devido à produtividade reduzida em função da deficiência de ferro. Assim, o presente artigo tem por objetivo destacar a importância das práticas alimentares no primeiro ano de vida na prevenção da deficiência de ferro, com enfoque nas recomendações de ferro para crianças, aleitamento materno, alimentação complementar, fortificação de alimentos, suplementação com ferro e educação nutricional.

Foram utilizados para a revisão artigos sobre anemia e sobre alimentação complementar publicados em inglês, português e espanhol. As bases de dados utilizadas para a pesquisa foram MedLine, SciELO, PubMed, Bireme, Portal da Capes e publicações de organismos governamentais e não-governamentais.

Práticas alimentares saudáveis com foco na prevenção da deficiência de ferro

As reservas de ferro da criança, que recebe com exclusividade o leite materno, do nascimento aos seis meses de idade, suprem as necessidades fisiológicas da criança. Dessa forma, durante esse período não há necessidade de qualquer forma de complementação e nem introdução de alimentos sólidos1,2. Esse fato se deve à biodisponibilidade elevada do ferro no leite humano, sendo cerca de 50% de seu ferro absorvido, o que compensa a sua baixa concentração (0,5-1mg de ferro/litro). Entretanto, essa biodisponibilidade pode diminuir até 80% quando outros alimentos passam a ser ingeridos pelo lactente. A quantidade de ferro presente no leite de vaca é de 0,6mg/L e a absorção é de 10%13. Próximo aos seis meses de idade, ocorre gradualmente o esgotamento das reservas de ferro e a alimentação passa a ter papel predominante no atendimento às necessidades desse nutriente14,15. É necessário que o consumo de ferro seja adequado à demanda requerida para essa fase etária.

Os principais fatores determinantes dos requerimentos de ferro durante a infância são as reservas de ferro ao nascer, as necessidades para o crescimento e a necessidade para repor as perdas. O requerimento basal de ferro é a quantidade necessária para manter as funções orgânicas, para reparar perdas normais e prover o crescimento corporal do indivíduo, regenerando e mantendo o estoque de reservas do nutriente, como uma segurança contra um futuro aumento das necessidades ou diminuição da ingestão de ferro16.

A recomendação de ferro é de 0,27mg/dia do nascimento aos seis meses, 11mg/dia dos sete aos doze meses e de 7mg/dia do primeiro ao terceiro ano de vida. É importante observar que para todos os nutrientes disponíveis (vitaminas e minerais) para as duas faixas menores de um ano (0 - 6 e 7 a 12) os únicos que estão determinados como Recommended Dietary Allowance (RDA) no período de sete a doze meses são o ferro e o zinco. Os outros nutrientes têm como referência Adequate Intake (AI) que é uma sugestão de recomendação, pois é baseada no aporte de leite materno por esse ser fonte relevante de todos os micronutrientes com exceção do ferro e zinco, os quais, a partir dos seis meses, devem ter boas fontes na alimentação complementar16.

Aleitamento materno

Com o acúmulo de evidências sobre os benefícios do aleitamento materno exclusivo, a Organização Mundial da Saúde recomenda que as crianças sejam amamentadas exclusivamente por seis meses e que a criança receba a alimentação complementar e o leite materno dos seis meses até os 24 meses de idade. A OMS também evidência que são necessários futuros estudos para avaliar o risco da deficiência de micronutrientes, especialmente em crianças susceptíveis (que moram em áreas com elevada prevalência de deficiência de ferro, zinco e vitamina A)17. No Brasil, nas últimas décadas, vem ocorrendo aumento na duração do aleitamento materno. No entanto, expressiva parcela dos lactentes é desmamada precocemente. A II Pesquisa Nacional de Aleitamento Materno, realizada no ano de 2008, mostrou que a duração mediana do aleitamento materno exclusivo foi de 54,1 dias (1,8 meses) e a duração mediana do Aleitamento Materno foi de 341,6 dias (11,2 meses) no conjunto das capitais brasileiras e Distrito Federal18. O aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade e a manutenção do leite materno a partir dessa idade, juntamente com a alimentação complementar, estão associados a menor prevalência de anemia19, porém, o papel do aleitamento na anemia, deficiência de ferro e anemia por deficiência de ferro permanece controverso.

Estudo realizado em unidade básica de saúde, em Salvador (BA), por Assis et al.20, mostrou que a concentração média da hemoglobina das crianças que receberam leite materno de forma exclusiva por seis meses foi significativamente maior do que a apresentada pelas crianças submetidas às demais práticas alimentares. Em outro estudo, Szarfarc et al.21 observaram que as crianças da cidade de Santo André (SP) que recebiam o leite materno como única fonte de leite tiveram menor prevalência de anemia. Duarte et al.22, em estudo transversal de base populacional realizado na cidade de Itupeva (São Paulo), observaram que os resultados encontrados sugeriram associação entre presença de aleitamento materno e maiores níveis de hemoglobina somente entre as crianças com idade inferior a seis meses. Outros estudos no Brasil não observaram a proteção do aleitamento materno na ocorrência de anemia em crianças23-26. Estudo realizado nos Estados Unidos mostrou que crianças amamentadas exclusivamente até seis meses apresentam maior risco de desenvolver deficiência de ferro quando comparadas às crianças que mamaram por menor tempo27. O papel do aleitamento materno parece depender do país, região e tipo de leite utilizado em substituição ao leite materno28-31, pois em países em desenvolvimento o substituto de leite materno é o leite de vaca, assim, os estudos que comparam o uso de leite materno em relação ao leite de vaca, mostram os benefícios do leite materno, porém, estudos realizados em países desenvolvidos, que fazem uso da fórmula infantil modificada como substituto, e comparam crianças que recebem leite materno com crianças que recebem fórmula infantil, mostram risco para anemia quando a criança recebe leite materno.

Aleitamento artificial

A introdução precoce de leite de vaca causa impacto negativo nos estoques de ferro das crianças por causa da baixa quantidade de ferro que esse contém (2,6mg de Fe para 1000kcal do alimento) e pela baixa biodisponibilidade, além de provocar micro-enterorragias pela imaturidade do trato gastrointestinal, provocando perdas sanguíneas13. Estudo realizado por Souza et al.32 avaliou a prática alimentar de crianças de um ano de idade, atendidas em centros de saúde-escola de São Paulo. Aos três meses, cerca de 60% das crianças já estavam em processo de desmame e após seis meses de idade, a dieta continuava sendo predominantemente láctea.Estudo realizado por Levy-Costa & Monteiro33, em São Paulo, com objetivo de estudar a influência do consumo de leite de vaca sobre a concentração de hemoglobina e o risco de anemia em crianças menores de cinco anos mostrou que a razão de chances para a anemia cresce em 50% e 100%, respectivamente, quando as crianças com consumo intermediário e alto de leite de vaca são comparadas às crianças com baixo consumo. Outro estudo realizado por Gunnarsson et al.34, realizado na Islândia, mostrou que o consumo de leite de vaca fluído está negativamente associado com os níveis de hemoglobina, 50% das crianças que consumiam mais de 500mL/dia de leite apresentaram deficiência de ferro, enquanto apenas 2% das crianças que consumiam menos do que essa quantidade apresentaram-se deficientes. Na impossibilidade da continuidade do aleitamento materno, a substituição deste por leite de vaca é fator de risco para deficiência de ferro e a substituição por fórmula infantil modificada é fator de proteção14,15,34.

Aleitamento complementar

A II Pesquisa Nacional de Aleitamento materno, realizada no ano de 2008, avaliou pela primeira vez no Brasil a prática alimentar de crianças menores de um ano das capitais brasileiras e revelou resultados preocupantes. O consumo alimentar referente ao dia anterior da investigação mostrou que 70,0% das crianças de seis meses a nove meses consumiram frutas e 70,9% verduras/legumes. No entanto, observa-se alta frequência do consumo de alimentos não saudáveis como café (8,7%), refrigerante (11,6%) e biscoitos/salgadinhos (71,7%) em crianças de 9 a 12 meses18.

A alimentação complementar deve ser oferecida a partir dos seis meses de idade da criança e o leite materno deve ser oferecido em complemento até dois anos ou mais. A partir dos seis meses as crianças devem receber uma papa de fruta no meio da manhã, uma papa salgada no almoço, uma de fruta no meio da tarde e leite materno em livre demanda. A partir de sete meses as crianças já podem receber a segunda papa salgada que deve ser oferecida no final da tarde. Todas as frutas devem se oferecidas para as crianças, não existem restrições, com preferências para as frutas regionais (Quadro 1). As papas salgadas, desde o início, já devem conter um alimento de cada grupo, inclusive carne que é a mais importante fonte de ferro (cereais ou tubérculos, leguminosas, verduras ou legumes ou frutas e as carnes ou ovo). A comida da família deve ser oferecida a partir dos dez meses, desde que não contenha muitos condimentos e sódio, e com um ano de idade a criança já pode receber as refeições básicas da família34.

Recomenda-se que todas as crianças recebam uma vez por semana fígado bovino, que é fonte de ferro heme. É importante o consumo de alimentos fonte de vitamina C, durante e após as papas e refeições de sal, pois a vitamina C potencializa a absorção do ferro inorgânico presente nos alimentos. É importante a oferta de água, assim que outros alimentos forem introduzidos. Não se recomenda a oferta de sucos ou outras bebidas açucaradas35. A prática de oferecer bebidas açucaradas nos lanches e nos intervalos está associada à ocorrência de excesso de peso e cárie em crianças. Alimentos com alta concentração de açúcares e gorduras também não são recomendados antes de dois anos de idade, para a prevenção do excesso de peso, alergias e cárie. Considerando que os hábitos alimentares são formados nos primeiros anos de vida, esses alimentos não devem ser oferecidos para não induzir as crianças à preferência por esses alimentos não saudáveis35,36. No Brasil, o Ministério da Saúde sumariza as principais recomendações de alimentação complementar em uma publicação denominada "Dez Passos da Alimentação Saudável para Crianças Brasileiras Menores de Dois Anos"35.

Biodisponibilidade do ferro

É reconhecido que, mais importante do que suprir as necessidades, deve-se dar atenção à quantidade de ferro biodisponível presente nas refeições, o qual tem relação com os fatores estimulantes e inibidores de sua utilização numa mesma refeição37,38. Estudo realizado por Vitolo & Bortolini37 mostrou que a biodisponibilidade do ferro dietético é o fator de maior importância na ocorrência de anemia ferropriva, 64,2% das crianças que não apresentaram anemia possuíam dieta de alta biodisponibilidade em ferro e apenas 45,5% das crianças com níveis de hemoglobina abaixo do parâmetro apresentaram esse tipo de dieta.

O ferro apresenta-se nos alimentos sob duas formas: heme e não heme. O ferro heme presente na hemoglobina e mioglobina das carnes e vísceras tem maior biodisponibilidade, não estando exposto a fatores inibidores, sendo que sua absorção é de 20-30%38. Há evidência que o consumo de carne durante o período de desmame é fator importante na manutenção das reservas de ferro15,37,39.

O ferro não heme, contido no ovo, nos cereais, nas leguminosas (feijão) e nas hortaliças (beterraba), ao contrário do ferro animal, é absorvido de 2% a 10% pelo organismo. A absorção da forma não hemínica é fortemente influenciada por vários componentes da dieta, podendo ser inibida ou facilitada38,40. Três potentes facilitadores da absorção do ferro não heme são as carnes40, o ácido ascórbico41 e a vitamina A42. Estudo realizado por Vitolo & Bortolini37 mostrou que as crianças que não apresentaram anemia consumiram significativamente maior quantidade de vitamina C do que as que apresentaram, colocando em evidência o efeito benéfico desse micronutriente na prevenção da anemia, especialmente em estratos populacionais em que o consumo de carne é limitado devido às condições econômicas. Outros estudos também demonstraram a importância do consumo da vitamina C, como agente facilitador da absorção do ferro não heme e resultando em melhor estado nutricional de ferro15,41,43. Fitatos, taninos, cálcio e fosfatos, por outro lado, possuem efeito inibidor40,44. Para uma dieta de maior biodisponibilidade, deve-se aumentar o consumo de alimentos que contém os elementos facilitadores e diminuir o consumo dos que possuem fatores inibidores1,2,13,39,40.

As dietas podem ser classificadas tipicamente em três categorias de biodisponibilidade de ferro: baixa, intermediária e alta e a absorção média de ferro heme e não heme é aproximadamente 5, 10 e 15%, respectivamente (em indivíduos com baixas reservas de ferro, mas com concentrações normais de hemoglobina)38. Dieta com baixa biodisponibilidade (5-10%): é simples, em geral monótona, baseada em cereais, raízes e tubérculos com negligenciáveis quantidades de carne, peixe ou vitamina C. E contém predominantemente alimentos que inibem a absorção do ferro, como arroz, feijão, milho e farinha de trigo integral. Dieta com biodisponibilidade intermediária (11-18%): é composta principalmente de cereais, raízes e tubérculos, mas inclui alguns alimentos de origem animal e/ou ácido ascórbico. A dieta com alta biodisponibilidade (>19%) é diversificada e contém generosas quantidades de carne, aves, peixe e/ou alimentos ricos em ácido ascórbico.

Educação nutricional

A estratégia de educação nutricional que visa o consumo quantitativo e qualitativo adequado de alimentos fontes dos diversos nutrientes é uma alternativa que possui baixo custo e não produz efeitos indesejáveis. Por meio dela é possível aumentar o conhecimento da população sobre a deficiência de ferro e esclarecer quanto às dietas monótonas e pobres em ferro que se constituem uma das principais causas dessa deficiência. Ressalta-se, porém, que modificações nos hábitos alimentares não são rapidamente alcançadas, tornando a estratégia efetiva em longo prazo. Estudos de intervenção por meio de ações educativas voltadas para pais de crianças menores de 24 meses foram efetivos em prevenir a deficiência de ferro. Esses resultados confirmam que, a adesão às práticas alimentares corretas é importante para combater esse problema que apresenta alta prevalência nessa faixa etária45,46. Entretanto, para que haja resultados positivos suas ações devem garantir o consumo de alimentos ricos em ferro e estratégias dietéticas que aumentem a biodisponibilidade do ferro da alimentação, além de diminuir os fatores que a prejudicam.

A Organização Mundial da Saúde47 sumarizou recentemente em uma única publicação um curso de Aconselhamento em Alimentação Infantil, que foi traduzido no Brasil e aplicado em estudo de intervenção randomizado para avaliar a aplicabilidade do instrumento em capacitar profissionais de saúde. O estudo mostrou que para alguns itens do manual houve aumento de conhecimento por parte dos profissionais48, faltam pesquisas que avaliem se as orientações sobre alimentação complementar propostas pela OMS são efetivas na prevenção da deficiência de ferro. No Brasil, o Ministério da Saúde, por meio da Coordenação-Geral de Alimentação e Nutrição (CGAN) em parceria com a Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar (IBFAN Brasil) propuseram a Estratégia Nacional para Alimentação Complementar Saudável (ENPACS) como um instrumento de fortalecimento às ações de apoio e promoção à alimentação complementar saudável no Sistema Único de Saúde. A ENPACS tem como objetivo incentivar a orientação da alimentação complementar como atividade de rotina nos serviços de saúde, contemplando a formação de hábitos alimentares saudáveis desde a infância, com a introdução da alimentação complementar em tempo oportuno e de qualidade, respeitando a identidade cultural e alimentar das diversas regiões brasileiras49.

Fortificação de alimentos

Uma das propostas para prevenção da deficiência de ferro é o estímulo ao consumo de alimentos fortificados, fortificação de alguns alimentos específicos, consumidos por alguns grupos populacionais ou fortificação em massa, como é o caso das farinhas de trigo e milho de alguns países, que é aceita, no âmbito de políticas públicas, como o melhor meio para combater carências específicas de nutrientes em longo prazo, apresentando como grande vantagem sua efetividade.

Os estudos sobre fortificação mostram resposta positiva, tanto em relação à aceitação do alimento fortificado, e na prevenção, como na recuperação dos níveis de hemoglobina nos grupos estudados50-52. As indústrias de alimentos têm utilizado o enriquecimento de seus produtos como um apelo comercial, focado para a criação de um atributo de qualidade adicional para incrementar a comercialização de seus produtos. Ainda não há dados no Brasil que avaliem o impacto do consumo desse alimentos, fortificados voluntariamente pela indústria, na prevalência de anemia. Em função do custo mais elevado de tais produtos, o impacto poderá não ser observado na população em geral.

No Brasil, desde 18 de junho de 2004, toda a farinha de trigo e milho comercializada no país é fortificada com ferro. A determinação é da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), por Resolução RDC nº 34453. O regulamento prevê que os fabricantes devem adicionar a cada 100 gramas de farinha no mínimo 4,2mg de ferro (30% das IDR) e no mínimo 150μg de ácido fólico (70% da IDR). A fortificação deixou de ser facultativa e passou a ser obrigatória. Essa medida objetivou aumentar a disponibilidade de alimentos ricos em ferro e ácido fólico para a população brasileira e, assim, contribuir para a redução da prevalência de anemia e defeitos do tubo neural no país. Todavia, essa medida torna-se questionável em relação aos lactentes, faixa etária de maior risco para anemia, devido ao fato desses alimentos não serem recomendados e consumidos regularmente em quantidades suficientes para atender às necessidades de ferro desse grupo em particular. Além disso, é provável que o baixo nível de ferro elementar (40mg/kg) adicionado à farinha de trigo tenha pouco impacto no estado nutricional das crianças. Nenhum efeito da fortificação das farinhas foi observado nos níveis de hemoglobina das crianças menores de cinco anos, na cidade de Pelotas. Fato que, segundo os autores, pode ser parcialmente explicado pelo consumo insuficiente de farinhas e/ou pela baixa biodisponibilidade do ferro adicionado. O estudo foi realizado entre maio e junho de 2004, anteriormente à obrigatoriedade de fortificação das farinhas e após 12 e 24 meses da implantação da medida (2005 e 2006)54. Além disso, no Brasil, ainda não existe um programa de monitoramento da fortificação obrigatória das farinhas.

Sherry et al.55, em estudo transversal utilizando dados do Center for Disease Control and Prevention's (CDC), de cinco Estados Americanos, observaram que a prevalência de anemia em crianças diminuiu em mais de 50% nas últimas duas décadas e foi atribuída às melhores condições de nutrição relacionadas ao consumo em larga escala de alimentos enriquecidos e possivelmente a melhor biodisponibilidade do ferro em alguns produtos. A prevalência de anemia (NHANES III - realizada entre 1988 - 1994) nos Estados Unidos foi de 3% e 9% nas crianças com idade de um a dois anos e menos de 1% e 3% nas crianças de três a cinco anos com anemia por deficiência de ferro e deficiência de ferro, respectivamente56.

Outro país, exemplo, é o Chile em que a prevalência de anemia por deficiência de ferro é baixa em lactentes, pré-escolares, escolares, adolescentes, homens adultos e mulheres em idade fértil. Somente as mulheres grávidas ainda apresentam prevalência elevada. É provável que essa baixa prevalência se deva a fortificação das farinhas com ferro e vitaminas do complexo B, que acontece desde 1951 e ao Programa Nacional de Alimentación Complementaria (PNAC) que distribui leite para crianças desde 1952, sendo que, desde 1970, este é enriquecido com ferro. Através de estudos, a composição do produto foi sendo modificada e hoje o programa fornece para lactentes e gestantes leite em pó fortificado com ferro, zinco, cobre e ácido ascórbico57.

Na Europa, alguns países adotaram a política de distribuição de fórmulas infantis e cereais fortificados, que resultou na diminuição da prevalência de deficiência de ferro nas últimas décadas58. Cuba também adotou como uma das estratégias para combate da anemia ferropriva a fortificação de alimentos, sendo que as farinhas são enriquecidas com ferro e outras vitaminas e minerais desde 1999. As crianças menores de dois anos são prioridade de intervenção, sendo que mais de 95% das crianças do país recebem, a preços subsidiados, uma papa de fruta enriquecida com ferro e vitamina C (desde 2001). Leite enriquecido com ferro é distribuído, também a preços subsidiados, para crianças menores de um ano desde 2005, e o programa tem cobertura de 98%59. No Panamá distribui-se para as crianças, gratuitamente, através do Programa de Alimentación Complementaria (PAC), cereal enriquecido com vitaminas e minerais. Crianças em idade escolar recebem leite enriquecido com ferro desde 2006 e biscoitos que são oferecidos aos escolares do país também foram enriquecidos com ferro e outras vitaminas e minerais, com cobertura nas áreas de difícil acesso60.

Para crianças menores de um ano, a estratégia mais adequada parece ser a fortificação dos alimentos da criança em casa. A Bolívia é o primeiro país que documentou o uso da fortificação caseira, com intervenção em nível de saúde pública. No ano de 2005, os dados do país apontavam para prevalência de 70% de anemia em crianças de 6 a 24 meses. Para enfrentar tal problema, o país adotou a estratégia de distribuir sachês contendo ferro, vitamina A, vitamina C, ácido fólico e zinco para todas as crianças. O produto denomina-se "Chispitas" e cada criança recebe sessenta sachês por ano, para adicionar um sachês por dia em uma das refeições. A fortificação caseira teve início com a proposta dos "Sprinkles", no ano de 1996, por um grupo de pesquisa do The Hospital for Sick Children afiliado à Universidade de Toronto no Canadá e a estratégia foi denominada "home fortification". A eficácia biológica, biodisponibilidade, segurança e aceitabilidade foram testadas em diversos cenários, incluindo países como Bangladesh, Benin, Bolívia, China, Canadá, Ghana, Guiana, Haiti, Índia, Indonésia, Quirquistão, México, Mongólia, Paquistão, Vietnã61.

Suplementação com ferro

Na vigência de padrões alimentares que não incluem alimentos fortificados e/ou enriquecidos ou a prevalência de anemia em crianças menores de dois anos é severa (em torno de 40%), a Organização Mundial da Saúde2 recomenda o uso universal de suplementos de ferro na dose de 2mg/kg de peso ao dia, para todas as crianças de 6 a 23 meses de idade. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda a suplementação da dose 1mg/kg/dia até dois anos de idade, para crianças que nasceram a termo e que não recebem fórmula infantil modificada62. Existem, atualmente, opiniões divergentes principalmente nos aspectos de periodicidade (e consequentemente sobre a dose administrada) da suplementação preventiva. A suplementação diária com sais de ferro é a forma de administração classicamente adotada. As críticas à suplementação preventiva têm como argumento a baixa adesão na prescrição dos profissionais de saúde e pelas mães na oferta do suplemento a seus filhos63.

Em termos de saúde pública, no Brasil, dispõe-se do Programa Nacional de Suplementação de ferro, que está em fase de implantação, o qual prevê a distribuição de suplementos de ferro para todos os municípios brasileiros, com o objetivo da suplementação universal de crianças de 6 a 18 meses com dose semanal de 25mg de ferro. Para melhorar a palatabilidade do sulfato ferroso e reduzir efeitos colaterais, foi desenvolvido um xarope de sulfato ferroso com gosto de fruta cítrica (laranja), na concentração de 25mg de ferro para 5mL do produto64. A dosagem semanal recomendada pelo programa foi avaliada por um ensaio de campo randomizado com crianças de 6 a 12 meses de idade, na cidade do Rio de Janeiro, e teve por objetivo avaliar a efetividade da suplementação de ferro, em administração diária e semanal na prevenção de anemia. A intervenção foi realizada por 24 meses e ao final do estudo mostrou que a prevalência de anemia no grupo que recebeu suplementação com ferro em dose diária de 12,5mg foi de 50,6% e no grupo com suplementação semanal de 25mg foi de 60,5%65.

Outro estudo piloto realizado na cidade São Leopoldo (RS) mostrou que a adesão à dose semanal de ferro é baixa e que não resultou em menor prevalência de anemia. A prevalência de anemia, segundo o referencial adotado de hemoglobina <11,0g/dL, não diferiu entre os grupos, 48,2% no grupo intervenção (dose semanal de 25mg) e 50,0% no grupo controle (dose prescrita segundo rotina da unidade de saúde). Na avaliação realizada no final do primeiro ano de vida, apenas 44,6% das crianças do grupo intervenção ainda estavam recebendo o suplemento de ferro. Os motivos citados pelas mães das crianças para ou não utilizara suplementação de ferro foram: doença da criança (22,5%), intolerância digestiva (45,3%) e a mãe não quis e/ou esqueceu (32,2%)66.

Nos últimos 150 anos ou mais, o xarope de sulfato ferroso tem sido usado como a primeira estratégia para o controle da anemia por deficiência de ferro em crianças67. No entanto, a adesão ao uso de sulfato ferroso é frequentemente limitada pela combinação de alguns fatores: o gosto desagradável, o longo período de administração e alguns possíveis efeitos colaterais66,68,69.

 

CONSIDERAÇÃO FINAL

Apesar das medidas individuais e populacionais adotadas no país, mantém-se a elevada prevalência de anemia, a qual incide em cerca de 40% das crianças menores de cinco anos há duas décadas. A anemia é determinada por diversos fatores, assim, várias ações são necessárias para sua prevenção. No entanto, a alimentação no primeiro ano de vida é um dos principais determinantes desse processo. O aleitamento materno e a alimentação complementar saudável têm papel importante na prevenção da deficiência de ferro quando associada a outras medidas e essas práticas podem ser bem sucedidas por meio de ações efetivas dos profissionais de saúde. Enfatiza-se a necessidade da incorporação de ações de aconselhamento sobre alimentação infantil integrando conteúdos, como práticas permanentes, às políticas de atenção à saúde da criança, ressaltando-se a necessidade da contínua atualização dos profissionais envolvidos.

COLABORADORES

G.A. BORTOLINI e M.R. VITOLO participaram de todas as fases do artigo.

 

REFERENCIAS

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Recebido em: 16/5/2008
Versão final reapresentada em: 17/6/2010
Aprovado em: 22/9/2010

 

 

1 Artigo elaborado a partir da dissertação de G.A. BORTOLINI, intitulada "Anemia, deficiência de ferro e anemia por deficiência de ferro em crianças aos 12 meses e aos 4 anos de idade". Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre; 2008.

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