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Revista Dental Press de Ortodontia e Ortopedia Facial

On-line version ISSN 1980-5500

Rev. Dent. Press Ortodon. Ortop. Facial vol.13 no.5 Maringá Sept./Oct. 2008

https://doi.org/10.1590/S1415-54192008000500014 

ARTIGO INÉDITO

 

Miniplacas de ancoragem no tratamento da mordida aberta anterior

 

Anchorage miniplates on anterior open-bite treatment

 

 

Adilson Luiz RamosI; Sabrina Elisa ZangeII; Hélio Hissashi TeradaIII; Fernando Toshihiro HoshinaIV

IMestre em Ortodontia pela USP - Bauru/SP. Doutor em Ortodontia pela UNESP - Araraquara/SP. Professor Adjunto do Departamento de Odontologia da UEM. Coordenador da Pós-Graduação em Odontologia da Universidade Estadual de Maringá
IIEspecialista em Ortodontia pela UEM
IIIProfessor Adjunto do Departamento de Odontologia da Universidade Estadual de Maringá. Mestre e doutor em Ortodontia pela Faculdade de Odontologia de Araraquara - UNESP
IVEspecialista em Ortodontia pela Universidade Estadual de Maringá.

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

INTRODUÇÃO: o relato de caso apresentado descreve um tratamento ortodôntico auxiliado por miniplacas, de uma paciente adulta que apresentava mordida aberta anterior acentuada, rotação horária da mandíbula, biprotrusão e ausência de selamento labial. Após a extração dos primeiros molares e retração dentária superior e inferior, associada ao controle vertical propiciado pelas placas, ocorreu uma pequena rotação anti-horária da mandíbula e a correção da mordida aberta anterior, com significativa melhora facial.
OBJETIVO: o presente relato corrobora as evidências atuais quanto à eficiência do uso de miniplacas de titânio como ancoragem temporária, especialmente em situações de correções de grande amplitude, envolvendo um problema vertical.

Palavras-chave: Miniplaca de ancoragem. Implantes de ancoragem. Exodontia de molares. Mordida aberta anterior. Biprotrusão.


ABSTRACT

INTRODUCTION: The case report presented describes an orthodontic treatment supported by miniplates of an adult female patient who presented severe anterior openbite, clockwise rotation of the mandible, biprotrusion and the absence of labial sealing. After extraction of first molars and maxillary and mandibulary dental retraction, associated with vertical control provided by the miniplates, the anterior openbite was corrected with a little anti-clockwise rotation, resulting in a significant improve on facial appearance.
AIM: This case report confirms the efficiency of titanium miniplates as temporary anchorage, especially in situations where great corrections are needed, involving a vertical problem.

Key words: Anchorage miniplates. Anchorage implants. Molar extraction. Anterior open bite. Biprotrusion.


 

 

INTRODUÇÃO

Dentre os últimos recursos tecnológicos incorporados na prática ortodôntica, destacam-se os dispositivos temporários de ancoragem2,5,11,14,17. Tanto os mini-implantes, nos seus diversos desenhos, como as miniplacas de titânio têm permitido ampliar a capacidade corretiva nos tratamentos compensatórios, bem como maior controle em mecânicas convencionais1,3,4,9. Particularmente, o tratamento da mordida aberta anterior com envolvimento esquelético foi, incontestavelmente, favorecido com estes novos recursos3,7,17.

A mordida aberta anterior esquelética (MAAE) pode envolver um desenvolvimento vertical alveolar posterior excessivo, um ramo mandibular curto, ângulo do plano mandibular aumentado, bem como altura facial anterior inferior aumentada, associada, freqüentemente, à falta de selamento labial passivo7. Diversos métodos ortopédico-ortodônticos têm sido relatados para a sua correção (AEB tração alta, Bite-blocks com e sem magnetos, Intruder, entre outras variações). Entretanto, diante de resultados modestos destes métodos, principalmente em pacientes adultos, a maioria dos casos acabava requerendo o auxílio da cirurgia ortognática para sua efetiva correção7,17.

Mediante o auxílio dos dispositivos temporários de ancoragem, tanto mini-implantes como miniplacas, a capacidade de correção não-cirúrgica destes casos aumentou razoavelmente. A literatura tem apresentado diversos casos de MAAE tratados com sucesso, diante deste novo horizonte terapêutico3,7,17. Além disso, a estabilidade das correções obtidas parece ser promissora16.

Embora os mini-implantes tenham melhorado sensivelmente, quanto à sua taxa de falhas6,8,9,11,12,13, as miniplacas de ancoragem apresentam, até o presente momento, maior percentual de sucesso3,10,16,17. Além disso, o fato de as miniplacas permanecerem fixadas longe das raízes dentárias permite liberdade de movimentação, sem necessidade de mudança de posição do dispositivo de ancoragem.

O presente artigo apresenta um relato de caso de MAAE que recebeu miniplacas de ancoragem para correção ortodôntica.

 

RELATO DE CASO

Uma paciente do gênero feminino compareceu à clínica do curso de especialização em Ortodontia da Universidade Estadual de Maringá, queixando-se de alterações dentárias e faciais. Foram solicitados os registros ortodônticos iniciais, incluindo-se a telerradiografia lateral, panorâmica, periapicais, fotografias extra e intrabucais e modelos de gesso (Fig. 1, 2, 3).

A paciente apresentava MAAE com suas características típicas (trespasse vertical negativo, altura facial anterior aumentada, ângulo do plano mandibular aumentado, ausência de selamento labial passivo) associada a excessiva biprotrusão, relação dentária de Classe III e ausência do primeiro molar superior direito e do primeiro e terceiro molares superiores esquerdos.

Duas propostas de tratamento foram apresentadas. A primeira incluía a associação com a cirurgia ortognática para correção esquelética efetiva. Neste caso, seria realizada a trissegmentação da maxila, permitindo sua impacção posterior e correção da inclinação dos incisivos superiores. Na mandíbula, seriam realizadas a osteotomia sagital de redução, bem como genioplastia de avanço, com redução vertical. Previamente à cirurgia, seria utilizado o aparelho ortodôntico fixo para descompensação inferior (com indicação de exodontia prévia dos primeiros molares inferiores) e nivelamento segmentado superior.

A segunda opção de tratamento incluía a correção compensatória, mediante o auxílio de 4 miniplacas de ancoragem (para permitir adequada correção da biprotrusão e controle vertical), também com indicação de exodontia dos primeiros molares inferiores.

Diante das opções oferecidas, a paciente preferiu o tratamento sem cirurgia ortognática, autorizando o tratamento devidamente esclarecido e consentido.

As placas de titânio utilizadas foram de modelo convencional, desenhadas originalmente para osteossíntese de cirurgia ortognática. As figuras 4 e 5 ilustram o procedimento da fixação das miniplacas.

 

 

 

 

Nota-se que, nos quadrantes superiores, o elo mais oclusal não ficou verticalmente distante da linha de inserção do fio ortodôntico, portanto mais tarde foi eliminado. Faber3 recomenda que se posicione o elo mais oclusal de 6 a 8mm distante da linha de inserção do fio, emergindo, preferencialmente, em mucosa inserida. A reparação tecidual após o posicionamento das placas foi adequada, com sintomas toleráveis, tendo sido removida a sutura em 5 dias. Foi prescrito antiinflamatório e antibiótico no período, bem como bochechos diários com clorexidina 0,2%.

As figuras 6 a 8 apresentam as radiografias periapicais, panorâmica e telerradiografia, denotando a localização das miniplacas.

 

 

 

 

 

 

Nota-se na figura 9 que os últimos elos das placas superiores foram removidos, permitindo uma distância adequada em relação ao fio ortodôntico. No arco inferior, foi iniciada a retração dos segundos pré-molares, ancorando nas miniplacas.

Procedeu-se o alinhamento e nivelamento até o fio retangular, quando, então, foram soldados ganchos para a retração dos segmentos anteriores, associada ao controle vertical (especialmente superior), mediante o posicionamento das cadeias elastoméricas nas miniplacas. Como auxiliar de ancoragem superior, e com o objetivo de evitar a expansão do arco (devido ao vetor vertical), foi utilizada uma barra palatina 0,8mm encaixada nos segundos molares.

A figura 10 registra uma fase do tratamento em que a mordida aberta anterior já apresentava-se corrigida, os arcos na região anterior estavam em boa relação ântero-posterior, entretanto a mesialização dos molares inferiores estava menos evidente que a dos superiores. Por esta razão, a retração superior foi estacionada momentaneamente (estabilizada mediante um fio de amarrilho trançado de 0,10mm) e a movimentação dos inferiores foi acelerada com uma cadeia elastomérica que passava pela miniplaca e pelo gancho, até os molares.

As fotografias intermediárias ilustram uma parcial melhora facial, entretanto com aumento da exposição gengival (Fig. 11). A correção da protrusão dos incivisos superiores, mesmo com o controle vertical, provocou esta situação corriqueira, também salientada por Sarver e Ackerman15. Já que o grau de correção da mordida aberta anterior encontrava-se adequado e com sobre correção, optou-se pela inclusão de um arco auxiliar de intrusão do segmento anterior, concomitante à continuação da mecânica.

A figura 12 ilustra uma fase próxima do final do fechamento total dos espaços e a figura 13 ilustra a melhora sensível da face da paciente, influenciada pela correção da biprotrusão com o controle vertical, propiciados pelas miniplacas.

A sobreposição dos traçados cefalométricos do pré-tratamento e da fase de finalização ilustra as alterações obtidas (Fig. 14D).

As figuras 15, 16 e 17 apresentam comparações das fotografias extrabucais iniciais, intermediárias e finais frontais, sorrindo e de perfil, respectivamente.

Durante todo o período, a paciente não relatou sintoma de desconforto em relação às miniplacas de ancoragem.

 

CONCLUSÃO

O presente relato corrobora as evidências atuais quanto à eficiência do uso de miniplacas de titânio como ancoragem temporária, especialmente em situações de correções de grande amplitude, envolvendo um problema vertical.

 

REFERÊNCIAS

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Endereço para correspondência:
Adilson Luiz Ramos
Rua Arthur Thomas 831
CEP: 87.013-250 - Maringá/PR
E-mail: alramos@ortodontista.com.br

Enviado em: janeiro de 2008
Revisado e aceito: maio de 2008

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