SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.22Targeted interventions to reduce the rates of cesarean section births in BrazilERRATUM author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

Related links

Share


Revista Brasileira de Epidemiologia

Print version ISSN 1415-790XOn-line version ISSN 1980-5497

Rev. bras. epidemiol. vol.22  São Paulo  2019  Epub Dec 05, 2019

https://doi.org/10.1590/1980-549720190067 

CARTA AO EDITOR

Comentários à Carta ao Editor “Intervenções direcionadas à redução da taxa de cesarianas no Brasil”

Comments on the Letter to the Editor “Targeted interventions to reduce the rates of cesarean section births in Brazil”

Keila Cristina MascarelloI  II 
http://orcid.org/0000-0003-4567-487X

Alicia MatijasevichIII 
http://orcid.org/0000-0003-0060-1589

Iná da Silva dos SantosI 
http://orcid.org/0000-0003-1258-9249

Mariângela Freitas SilveiraI  IV 
http://orcid.org/0000-0002-2861-7139

ICentro de Pesquisas Epidemiológicas, Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia, Universidade Federal de Pelotas - Pelotas (RS), Brasil.

IIDepartamento de Ciências da Saúde, Universidade Federal do Espírito Santo - São Mateus (ES), Brasil.

IIIDepartamento de Medicina Preventiva, Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo - São Paulo (SP), Brasil.

IVDepartamento Materno Infantil, Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Pelotas - Pelotas (RS), Brasil.


Recebemos com apreço o comentário “Intervenções direcionadas à redução da taxa de cesarianas no Brasil”, que contribui para a discussão do artigo de nossa autoria intitulado “Complicações puerperais precoces e tardias associadas à via de parto em uma coorte no Brasil”.

A redução nas taxas de cesarianas, sem indicação precisa, no Brasil e em outros países do mundo é um desafio para seus governos, principalmente quando consideramos os custos que envolvem esse procedimento e seus potenciais riscos para a saúde de recém-nascidos e parturientes/puérperas. Como bem explanado no comentário, as causas do aumento nas taxas de cesarianas são diversas e, muitas vezes, de difícil intervenção.

Estudo nacional de base hospitalar1 mostrou que a decisão pelo parto cesárea por parte da mulher é construída durante o pré-natal. No início da gestação, 72,3% das primíparas tinham preferência pelo parto vaginal, porém 55,4% tiveram o nascimento de seu filho por via cirúrgica, mostrando que a decisão final quanto à via de parto está mais relacionada à assistência que a uma preferência da gestante.

O atual modelo de assistência ao parto no Brasil, especialmente na rede privada, não favorece o parto normal. Muitas vezes, o mesmo profissional que atende à mulher durante o pré-natal assiste ao parto, em meio a uma agenda sem tempo suficiente para uma assistência adequada, culminando em uma cesariana agendada e fora do trabalho de parto.

Rever esse modelo, implementando partos realizados por uma equipe hospitalar ou em casas de parto em regime de plantão, com profissionais capacitados e práticas baseadas em evidências científicas, incluindo enfermeiras obstétricas para assistência ao parto de risco habitual, poderia ser um dos caminhos, mas ainda encontra resistência. A Resolução Normativa nº 398/20162, da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que dispõe sobre a obrigatoriedade de credenciamento de enfermeiras obstétricas e obstetrizes por operadoras de planos privados de assistência à saúde e hospitais que constituem suas redes, traz, em seu parágrafo único, que as operadoras deverão contratar e possibilitar a atuação de enfermeiras obstétricas “se, onde e quando viável”, inviabilizando que a normativa seja seguida na prática. Muitos avanços ocorreram desde a implementação da Rede Cegonha na rede pública de saúde, porém no setor privado ainda é um desafio.

Apesar de o cenário atual não ser o ideal, já vemos mudanças importantes após a implantação dos programas apresentados no comentário. Os percentuais de cesárea, que eram crescentes até o ano de 2014, tiveram, pela primeira vez, queda nos anos seguintes, passando de 57 para 55,5 e 55,4% nos anos de 2015 e 2016, respectivamente3.

REFERÊNCIAS

1. Domingues RM, Dias MA, Nakamura-Pereira M, Torres JA, d’Orsi E, Pereira AP, et al. Process of decision-making regarding the mode of birth in Brazil: from the initial preference of women to the final mode of birth. Cad Saúde Pública 2014; 30 (Supl. 1): S1-16. http://dx.doi.org/10.1590/0102-311X00105113Links ]

2. Brasil. Resolução Normativa nº 398, de 5 de fevereiro de 2016. Dispõe sobre a Obrigatoriedade de Credenciamento de Enfermeiros Obstétricos e Obstetrizes por Operadoras de Planos Privados de Assistência à Saúde e Hospitais que Constituem suas Redes e sobre a Obrigatoriedade de os Médicos Entregarem a Nota de Orientação à Gestante. Diário Oficial da União [Internet] 2016 [acessado em 20 mar. 2019]. Disponível em: Disponível em: http://www.ans.gov.br/component/legislacao/?view=legislacao&task=TextoLei&format=raw&id=MzE5Mw==Links ]

3. Brasil. Ministério da Saúde. DATASUS. Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos - SINASC [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2016 [acessado em 20 mar. 2019]. Disponível em: Disponível em: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sinasc/cnv/nvuf.defLinks ]

Fonte de financiamento: Associação Brasileira de Saúde Coletiva, Wellcome Trust, Organização Mundial de Saúde, Programa de Apoio a Núcleos de Excelência, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, Ministério da Saúde e Pastoral da Criança.

Recebido: 31 de Março de 2019; Aceito: 02 de Abril de 2019

Autor correspondente: Keila Cristina Mascarello. Rodovia BR-101 Norte, Km 60, Litoranêo, CEP: 29932-540, São Mateus, ES, Brasil. E-mail: keilamascarello@gmail.com

Conflito de interesses: nada a declarar

Contribuição dos autores: Keila Cristina Mascarello escreveu a primeira versão do manuscrito e aprovou a versão final. Alicia Matijasevich, Iná da Silva dos Santos e Mariângela Freitas Silveira contribuiram para a segunda versão do manuscrito e aprovaram a versão final.

Creative Commons License Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons