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Revista CEFAC

Print version ISSN 1516-1846

Rev. CEFAC vol.12 no.4 São Paulo July/Aug. 2010

https://doi.org/10.1590/S1516-18462010000400009 

ARTIGOS ORIGINAIS

 

Relação da memória visual com o desempenho ortográfico de crianças de 2ª e 3ª séries do ensino fundamental

 

Relation between the visual memory and the ortographic performance in the children attending the 2nd and 3rd years at the elementary school

 

 

Patricia Manfrin Fontes BarbosaI; Neide Guzmán Blanco BernardesII; Mari Ivone MisorelliIII; Ana Lúcia de Magalhães Leal ChiappettaIV

IFonoaudióloga da Clínica Centro Integrado de Neurologia Infantil, CINI, Santo André, SP; Especialista em Audiologia Educacional pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e em Linguagem pelo CEFAC - Pós-Graduação em Saúde e Educação de São Paulo
IIFonoaudióloga da Clínica Integrada Nanuque, CIN, São Paulo, SP; Especialista em Linguagem pelo CEFAC - Pós-Graduação em Saúde e Educação de São Paulo
IIIFonoaudióloga; Professora do curso de Linguagem e Audiologia do CEFAC - Pós-Graduação em Saúde e Educação, São Paulo, SP; Mestre em Fonoaudiologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
IVFonoaudióloga do Setor de Investigação em Doenças Neuromusculares da Universidade Federal de São Paulo, UNIFESP, São Paulo, SP; Doutora em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: neste estudo procurou-se relacionar a memória visual ao desempenho ortográfico da escrita de crianças da 2ª e 3ª séries do ensino fundamental.
MÉTODOS: foram analisadas 61 crianças de ambos os sexos, com idades variando entre 8 e 9 anos de idade. Avaliadas em sala de aula, pelas examinadoras, no 2º semestre do ano letivo de 2006, utilizando-se de três etapas distintas: Avaliação do ditado oral de palavras isoladas, Avaliação da leitura silenciosa de palavras isoladas e Análise da memória visual por meio da Figura Complexa de Rey.
RESULTADOS: verificou-se que os erros ortográficos diminuem no ditado visual, quando comparado ao ditado oral; crianças que cometem mais erros ortográficos nos ditados têm pior desempenho na Figura Complexa de Rey; crianças de 3ª série possuem menor frequência de erros ortográficos e melhor desempenho em Figura Complexa de Rey, quando comparadas às crianças de 2ª série.
CONCLUSÃO:
a memória visual é fator importante no desenvolvimento ortográfico, levando a criança a compreender melhor a aquisição de regras ortográficas.

Descritores: Linguagem; Memória; Percepção Visual; Dislexia; Transtornos de Aprendizagem


ABSTRACT

PURPOSE: in this relate the visual memory to orthographic performance of children's handwriting from 2nd and 3rd years of elementary school.
METHODS: it was analyzed 61 children, male and female, with average age between 8 and 9 years old, were analyzed. The children were evaluated in classroom, by the examiner, during the 2nd semester of the school year, in 3 different stages: oral dictation valuation of isolated words, of silent reading valuation of isolated words and visual memory analysis through the Rey Complex Figure.
RESULTS: it was noticed that orthographic mistakes reduces during visual dictation, when compared to oral dictation; children who make more orthographic mistakes during dictation, have worse performance on the Rey Complex Figure; children from 3rd year have less frequency of orthographic mistakes and better performance on the Rey Complex Figure, when compared to 2nd year children.
CONCLUSION: visual memory is an important fact during orthographic development, helping children to understand better the acquisition of orthographic rules.

Keywords: Language; Memory; Visual Perception; Dyslexia; Learning Disorders


 

 

INTRODUÇÃO

A linguagem, um atributo do ser humano, é definida como o uso da palavra articulada ou escrita como meio de expressão e de comunicação entre as pessoas 1. O aprendizado da leitura e da escrita é muito complexo, envolve não apenas processos perceptuais e motores como também o conhecimento profundo do que é linguagem, exigindo diferenciação entre linguagem falada e a linguagem escrita, em que todas as áreas cerebrais participam do seu desenvolvimento 1-5.

A teoria do processamento de informações é uma abordagem cognitiva utilizada para explicar como este aprendizado se torna possível, através de processos interdependentes como percepção, atenção e memória 6,7. O cérebro organiza sua rede neuronal de acordo com o fluxo de impulsos que passam pelos circuitos em desenvolvimento, refinando sua estrutura original básica. É esta plasticidade neuronal que propicia a aprendizagem 8. A partir de estímulos visuais extraídos do ambiente, um fluxo de informações sensoriais sucessivas, vai sendo transmitido e transformado nas diferentes unidades de processamento ao longo de várias vias e rotas até se concretizar, ou não, em leitura e escrita. Isso exige a completa integridade das zonas corticais dos analisadores correspondentes. As informações sensoriais são registradas quando a rede de sinapse é reforçada e estas são transferidas para armazenamento de curto prazo podendo ser modificadas em diferentes modalidades. As informações visuais podem ser verbalmente codificadas ou o input verbal pode ser recodificado para a imagem visual 1,6,7.

As informações serão processadas primeiramente na memória de curto prazo ou memória de trabalho, sendo esta de duração e capacidade limitada. Para que ela seja processada, é necessário que seja repetida (ensaio de manutenção), para ser então repassada para armazenagem na memória de longo prazo. A memória de trabalho é composta por uma central executiva auxiliada por dois sistemas de suporte responsáveis pelo arquivo temporário e manipulação de informações, um de natureza visuo-espacial e outro de natureza acústica 9,10 e um sistema chamado retentor episódico de capacidade limitada que tem a função de integrar as informações dos subsistemas com as de memória de longo prazo, deixando a central executiva como sistema de atenção e selecionador de estratégias como organização, elaboração e integração do conhecimento do novo com o antigo 11-14.

A memória de trabalho é um sistema que intervém durante as fases da aprendizagem e facilita o raciocínio verbal e compreensão por meio de estratégias usadas para tarefas de retenção 7. É essencial no processo da leitura permitindo o leitor decodificar as palavras, lembrar-se do que ele acaba de ler e recordar-se das regras de conversão grafemas - fonemas.

As crianças em fase de aprendizagem apresentam um percurso comum no desenvolvimento de aspectos ortográficos. Inicialmente ela escreve foneticamente, utilizando a relação fonema-grafema para representar os sons percebidos nas palavras 15-17. Conforme vai tendo contato com novas possibilidades de se grafar vai reestruturando as hipóteses anteriores a partir de novas informações 18. Quanto mais frequente uma determinada sequência de letras é encontrada, mais fortes se tornarão às conexões entre as unidades 15,19. É necessário mais que relação grafema-fonema para se obter uma escrita correta, pois a língua portuguesa é composta de palavras regulares, em que será necessário aplicar estratégias fonológicas e também palavras com irregularidade grafofonêmica que dependem da memorização de sua escrita a partir de um modelo visual correto 20,21. Os erros ortográficos das crianças indicam sua compreensão sobre a escrita, que vai se modificando conforme vão sendo adquiridos novos conhecimentos sobre a língua 18,22, por meio de processos gerativos e generalizadores que são responsáveis pelas pistas fonológicas e gramaticais 23. Por meio da prática da leitura e da escrita a criança pode evoluir seu referencial ortográfico 24,25. A cada tentativa para decodificar a palavra, mais informações ortográficas são armazenadas até que esta passa a ser reconhecida (memória de longo prazo) 19. Durante o desenvolvimento das habilidades de leitura a criança tende a ser lenta e imprecisa uma vez que a criança está utilizando a rota fonológica para ler as palavras regulares e as que no início não são familiares. Com a exposição visual frequente da escrita, as crianças com boa memória visual ampliam seus arquivos de palavras e estas são reconhecidas rapidamente tornando sua leitura mais veloz 26-29.

Cada indivíduo codifica de maneira diferente as informações captadas e armazenadas por meio da memória visual ou verbal de curto prazo. Também é particular como se dá à eficácia da passagem dessa informação da memória de longo prazo para a memória funcional e como essas informações novas vão interagir com as antigas, propiciando a aprendizagem. Avaliando os processos cognitivos da leitura e da escrita pode-se compreender a aquisição normal e os déficits nas habilidades específicas.

O objetivo desta pesquisa é relacionar o processo cognitivo da memória visual ao desempenho ortográfico da escrita de crianças da 2ª e 3ª séries do ensino fundamental.

 

MÉTODOS

Foi realizado um estudo observacional e prospectivo com 61 crianças de ambos os sexos, com idades variando entre seis e nove anos de idade, estando, todas elas, cursando o 2º semestre da 2ª e 3ª séries do ensino fundamental.

As crianças foram avaliadas em sala de aula, pelas examinadoras, no 2º semestre do ano letivo de 2006, em três etapas distintas. Foram excluídas da amostra as crianças não alfabetizadas.

Foram analisadas as seguintes habilidades:

Avaliação do ditado oral de palavras isoladas

Esta avaliação foi realizada por meio do ditado de uma lista de palavras, específicas para crianças de 2ª e 3ª séries, com o objetivo de analisar os erros ortográficos cometidos na escrita do mesmo (Figura 1) 30.

 

 

Avaliação da leitura silenciosa de palavras isoladas

Esta avaliação foi realizada com o intuito de analisar o reconhecimento de palavras impressas, também denominado acesso ao léxico mental, que é o acesso à palavra na memória permanente, dado um input gráfico 31.

Para isso, foram confeccionadas fichas com as mesmas palavras isoladas escritas do ditado oral, que foram apresentadas às crianças, uma a uma, com intervalo de 2 segundos entre elas, em que cada criança observou e reproduziu por meio da escrita.

Análise da memória visual por meio da Figura Complexa de Rey

A figura Complexa de Rey (Figura 2) tem por objetivo, avaliar a atividade perceptiva e a memória visual, isto é, em suas duas fases, de cópia e de reprodução de memória seu objetivo é verificar o modo como o sujeito apreende os dados perceptivos que lhe são apresentados e o que foi conservado espontaneamente pela memória 32.

 

 

1 - Cópia do modelo

A Figura a ser copiada, foi apresentada horizontalmente, com o quadrado de baixo à direita. A criança tem consigo uma folha de papel em branco sem pautas e um lápis de escrever.

No final deste processo, foram distinguidos diferentes tipos de cópia, classificados do mais ao menos racional, mostrando o nível de desenvolvimento e de percepção visual de cada criança 32.

Foram analisados: O tipo de construção; A precisão; A riqueza da reprodução; A rapidez do trabalho.

2 - Reprodução de memória de curto prazo

Após pausa que não ultrapassa 3 minutos, passa-se para o segundo tempo da prova, que consiste em reproduzir de memória a figura copiada. Em outra folha, o sujeito foi convidado a desenhar de memória a configuração geométrica. Não há limite de tempo para a reprodução; o próprio sujeito indica quando considera ter terminado 32.

Foram consideradas as mesmas variáveis do primeiro tempo da prova: O tipo de construção; A precisão; A riqueza da reprodução; A rapidez do trabalho.

Com esta reprodução imediata de memória, analisou-se como a criança processava a memória de curto prazo.

3 - Reprodução de memória de longo prazo

Num terceiro momento, após período de 30 minutos da 1ª reprodução de memória, avaliou-se a memória de longo prazo, em que se solicitou novamente à criança a reprodução da figura.

Todos os resultados encontrados foram correlacionados, a fim de estreitar as relações entre erros ortográficos e a atividade perceptiva e memória visual das crianças estudadas.

Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do CEFAC - Pós-Graduação em Saúde e Educação - sob número 195/06 e o considerou aprovado sem risco com necessidade do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Para este trabalho foi utilizado o teste não paramétrico de Wilcoxon, Friedman, Correlação de Spearman e Teste de Correlação. Na complementação da analise descritiva, utilizou-se da técnica de Intervalo de Confiança para média.

 

RESULTADOS

Utilizou-se para análise dos resultados o teste de Wilcoxon (dados pareados, mesmo individuo é pesquisa e controle dele mesmo) para comparar os valores entre os ditados oral e visual.

Existe diferença significante entre os ditados oral e visual para: "múltipla representação", "apoio na oralidade", "omissão", "junção / separação", "am x ão", "acréscimo", "outras". Em todos estes resultados significantes, foi possível verificar na Tabela 1, que o ditado visual possui menor número de erros ortográficos do que no ditado oral.

 

 

Utilizou-se o teste de Friedman para comparar os resultados dos tempos: imediato, curto e longo para as Figuras de Rey.

Existe diferença significante entre os momentos (imediato, curto e longo prazo) para as três avaliações. Como existe diferença entre os momentos, foi necessário comparar todos os momentos aos pares para que fosse possível determinar com exatidão onde ocorre à diferença. Assim, utilizou-se o teste de Wilcoxon para comparar os momentos aos pares e mostrar estes p-valores na Tabela 2.

 

 

Analisando a Tabela 2, pode-se concluir que basicamente a diferença ocorre entre o momento da cópia, com a reprodução da Figura Complexa de Rey em memória de curto e de longo prazo. Entre o resultado da memória de curto e de longo prazo praticamente não existe diferença.

Utilizou-se a Correlação de Spearman para medir o grau de relacionamento entre Figura de Rey com os erros em ditado (oral e visual) e para validar as correlações encontradas, o Teste de Correlação.

Na Tabela 3, existem algumas correlações estatisticamente significantes entre ditado e Figura de Rey. Lembrando que quando o valor da correlação for positivo, quer dizer que quanto maior o número de erros ortográficos em ditado, maior também será o valor em Figura de Rey (mostrando mais acertos) e vice-versa. Já, quando a correlação for negativa, mostra que quanto maior o número de erros ortográficos em ditado, menor o número de acertos na figura de Rey e vice-versa.

 

 

Utilizou-se a Correlação de Spearman para medir o grau de relacionamento entre Figura de Rey com os erros em ditado (oral e visual) e para validar as correlações encontradas, o Teste de Correlação na Tabela 4 da 2ª série.

 

 

Existem algumas correlações estatisticamente significantes entre ditado e Figura Complexa de Rey. Vale notar que temos mais correlações significantes em crianças da 2ª serie do que nas crianças da 3ª série (Tabela 5).

 

 

Lembrando que quando o valor da correlação for positivo, quer dizer que quanto maior o número de erros ortográficos nos ditados, maior também será o valor na Figura Complexa de Rey e vice-versa. Já quando a correlação for negativa, mostra que quanto maior o número de erros ortográficos nos ditados, menor o número de acertos na Figura Complexa de Rey e vice-versa.

 

DISCUSSÃO

Os resultados, quando comparados os ditados oral e visual em que as crianças erraram menos no ditado visual, podem ser explicados pelas palavras impressas que ativam processos de memória de curto prazo (MCP) permitindo que a criança através da decodificação, retenha a sua imagem até que se estabeleça um significado para a palavra apresentada podendo representá-la pela escrita a partir do seu conhecimento ortográfico (memória de longo prazo) 23,25,29. Sendo o leitor capaz de fazer uma boa decodificação, através do reconhecimento visual preciso e rápido de palavras, poderá ser mais eficiente do que seus resultados no ditado oral.

No ditado oral (DO), espera-se que as crianças façam maior uso da memória de longo prazo (MLP) 31, sendo que utilizam o processo inverso, partindo do significado, para depois escolher a sequência correta de letras, através da imagem visual contida no léxico, e, reorganizá-las de acordo com as regras ortográficas que possui 23,25. Sendo assim esses erros ortográficos parecem indicar a compreensão que ela tem da escrita.

De acordo com os resultados da pesquisa não existe diferença entre as memórias de curto e de longo prazo, mostrando que não importou se o tempo foi maior ou menor para resgate da Figura Complexa de Rey, na memória destas crianças.

A correlação entre os resultados da Figura Complexa de Rey com os resultados dos ditados mostra que quanto maior o número de erros ortográficos cometidos nos ditados, pior é o desempenho das crianças na Figura Complexa de Rey. O teste da Figura Complexa de Rey avalia a atividade perceptiva e a memória visual, sendo seu objetivo verificar o modo como o sujeito apreende os dados perceptivos que lhe são apresentados e o que foi conservado espontaneamente pela memória 32 e os erros ortográficos nos dão uma idéia de como as informações sobre a escrita estão sendo captadas e armazenadas.

A importância da memória visual, não está simplesmente na memorização da palavra escrita, por exemplo, por meio da cópia, mas da compreensão e domínio de princípios gerativos, ou seja, regras que vão determinar a grafia da palavra 23.

É necessário que a criança seja levada a compreender o desenvolvimento de referências visuais ortográficos para que estes passem a influenciar o padrão da escrita.

Os resultados de algumas pesquisas em que foram analisadas as estratégias de leitura em crianças de 1ª e 2ª séries, apontam que no início da alfabetização as habilidades relacionadas com estratégias alfabéticas são as que mais se desenvolvem permitindo a auto-aprendizagem, pois quando a criança se depara com uma palavra nova, ela a lê através da decodificação fonológica, contribuindo assim, para criar uma representação ortográfica da mesma, isto é, uma memória visual da palavra para que seja lida mais pela rota lexical 18,24. O processo de desenvolvimento da leitura levaria a uma expansão do léxico ortográfico através do gerativismo e auto-ensinamento.

Nesta pesquisa observou-se uma diferença no resultado entre séries onde, a frequência dos erros ortográficos diminui da 2ª para a 3ª série. Este achado corrobora com pesquisa realizada 18,30, na qual se verifica menos erros ortográficos, sendo maior na 1ª série e diminuindo gradativamente até a 4ª série. O fato parece indicar uma evolução na apropriação do sistema da escrita, mesmo que alguns erros ainda apareçam na 4ª série 30.

No início da aprendizagem da escrita, a criança pensa em sons, não em letras, mas à medida que a criança começa a pensar na hipótese ortográfica, portanto num referencial visual, começa a considerar as convenções e não apenas o que ouve, portanto seus erros diminuem 23.

Sendo assim é preciso desenvolver estratégias que levem a criança a ampliar suas possibilidades em relação à sua escrita, pois estímulos aos quais prestamos atenção e que são plenamente analisados e enriquecidos por associações ou imagens, produzem uma codificação mais profunda do evento e um vestígio de duração mais longo.

 

CONCLUSÃO

Esta pesquisa permitiu relacionar o desempenho das tarefas da memória visual ao desempenho ortográfico, sendo necessário que a criança seja levada a compreender o desenvolvimento de referências visuais ortográficos para que estes passem a influenciar o padrão de escrita.

 

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Endereço para correspondência:
Patrícia Manfrin Fontes Barbosa
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CEP: 09195-390
E-mail: pattyfontes@uol.com.br

Recebido em: 12/12/2009
Aceito em: 28/07/2009

 

 

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