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Revista CEFAC

On-line version ISSN 1982-0216

Rev. CEFAC vol.15 no.2 São Paulo Mar./Apr. 2013  Epub Jan 08, 2013

https://doi.org/10.1590/S1516-18462013005000001 

Medidas orofaciais em nipobrasileiros após crescimento puberal

 

 

Tassiana Barbeiro Fragoso de SáI; Débora Martins CattoniII; Kátia NemrIII

IFonoaudióloga da Prefeitura Municipal de Bragança Paulista, SP e da Prefeitura Municipal de Artur Nogueira, SP, Brasil
IIFonoaudióloga; Professora do CEFAC – Saúde e Educação; Doutora em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – FMUSP; Especialista em Motricidade Orofacial pelo CFFa
IIIFonoaudióloga; Docente da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – FMUSP; Doutora em Psicologia Social pela Universidade de São Paulo – FMUSP

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: descrever medidas orofaciais em nipobrasileiros após crescimento puberal e verificar diferenças entre medidas de mulheres negras, brancas e nipobrasileiras.
MÉTODO: a casuística foi composta de 90 sujeitos japoneses ou descendentes de japoneses, sem histórico de miscigenação, ambos os sexos, entre 20 e 50 anos, sem queixas ou atendimentos fonoaudiológicos atuais ou prévios em motricidade orofacial, sem tratamento ortodôntico atual e sem alteração cognitiva. As medidas avaliadas foram: lábio superior, lábio inferior, filtro, terço superior da face, terço médio da face, terço inferior da face, lados da face, abertura máxima de boca e abertura máxima de boca com a língua na papila. O instrumento utilizado foi o paquímetro eletrônico digital da marca Jomarca. Os dados foram comparados com os achados na literatura referentes às mulheres negras e brancas.
RESULTADOS: os dados coletados mostraram homogeneidade entre as medidas; os valores para todas as medidas foram maiores nos homens, com relevância estatística positiva. As diferenças mais significantes entre as negras, brancas e nipobrasileiras foram: terço superior e filtro das nipobrasileiras menor do que de negras e brancas. Para o terço médio não houve diferença estatística significante. O lábio superior das nipobrasileiras é maior do que das brancas e o lábio inferior das nipobrasileiras menor do que das negras. Lados da face sem diferenças estatísticas.
CONCLUSÃO: foi possível verificar que as médias das medidas foram sempre maiores nos homens, que houve relações significantes entre algumas medidas orofaciais e que houve diferença estatisticamente significante entre as estruturas das brancas, negras e nipobrasileiras.

Descritores: Face; Medidas; Antropometria; Grupos Etnicos


 

 

INTRODUÇÃO

Quando uma avaliação fonoaudiológica em Motricidade Orofacial é realizada, são considerados os aspectos morfológicos e posturais, tônus e a mobilidade dos órgãos fonoarticulatórios, bem como as funções de mastigação, respiração, deglutição e fala1. Entretanto, geralmente essa é uma avaliação subjetiva, denominada antroposcópica, que deve ser complementada com dados objetivos da morfologia craniofacial. A antropometria vem sendo utilizada na Fonoaudiologia, por oferecer dados objetivos, por meio de uma série de medidas da cabeça e da face2-7.

Sua credibilidade pode ser considerada visto que não foi observada variabilidade na maioria das mensurações orofaciais com paquímetro realizadas por fonoaudiólogos especialistas em Motricidade Orofacial, indicando que dados produzidos por diferentes profissionais podem ser considerados parcialmente confiáveis8.

Cabe lembrar que as medidas antropométricas orofaciais não devem ser consideradas isoladamente e, sim, em conjunto, com os dados obtidos no exame clínico, pois alguns estudos mostram que o padrão de crescimento morfológico da face apresenta características peculiares para cada tipo facial4,9,10. Os tipos de face determinam padrões diferenciados da musculatura e do desempenho das funções orofaciais. Dessa forma, esses dados podem colaborar para o diagnóstico diferencial e a visualização do prognóstico na terapia fonoaudiológica4.

A população nipobrasileira faz parte de um índice significante de indivíduos que procura atendimento fonoaudiológico. Entretanto a maioria dos estudos que se encontra com relação à antropometria orofacial não estabelece padrões para indivíduos nipônicos e sim para outras populações10-12.

Tem-se um estudo no qual foram realizadas comparações entre as medidas antropométricas faciais de recém-nascidos chineses e recém-nascidos brancos. Nesse trabalho, foram encontradas diferenças significantes entre as medidas. Sendo assim, nota-se, pela literatura, que existem diferenças craniofaciais entre as raças5,10,12-15, assim como o dismorfismo sexual dentro da própria raça2,6,7,10,11,13.

Outros estudos mostraram as diferenças das medidas antropométricas orofaciais entre brancos e negros14,16. Essas diferenças foram tão significantes, que um desses estudos, realizado nos Estados Unidos, norteou fabricantes de máscaras protetoras a produzirem materiais diferenciados para cada raça17. Uma pesquisa recente foi realizada e mostrou diferenças significantes entre as medidas antropométricas orofaciais de crianças paulistanas e norte-americanas18.

Dados da literatura fornecem comparação antropométrica entre japoneses e caucasianos, porém, são medidas provenientes de cefalometrias, e não realizadas com paquímetro15. Num estudo realizado no Japão, que fez a comparação das normalidades cefalométricas entre adultos caucasianos e japoneses, conclui que existem diferenças bastante significantes entre essas duas raças. Na dimensão ânteroposterior, os japoneses tiveram tipicamente uma protrusão mandibular e lábio protruídos, em comparação com as normas caucasianas. Na dimensão vertical, os japoneses apresentaram um plano mandibular significantemente acentuado 15.

Outro estudo realizado por meio de técnicas computadorizadas encontrou diferenças antropométricas estatisticamente significantes em nipobrasileiros quando comparados com americanos brancos. As nipobrasileiras tiveram a glabela mais anteriormente posicionada, pequenas saliências nasal e ângulos nasolabiais mais abertos do que as mulheres brancas americanas. Os homens nipobrasileiros apresentaram a glabela mais anteriormente posicionada, narizes pequenos, grandes saliências dos lábios superior e inferior e ângulo nasolabial mais obtuso do que os homens brancos americanos19.

Desta forma, o presente estudo teve como objetivo descrever as medidas orofaciais em indivíduos nipobrasileiros, após crescimento puberal, e verificar as diferenças entre as medidas orofaciais de mulheres negras, brancas e nipobrasileiras, dada a falta de literatura sobre o tema proposto.

 

MÉTODO

Esta é uma pesquisa prospectiva transversal onde foram avaliados 90 sujeitos, conforme cálculo amostral.

Os critérios de seleção dos sujeitos para inclusão neste estudo foram: 1) ter de 20 a 50 anos de idade 2) ser da raça amarela, japonês ou descendente de japonês, sem histórico de mistura de raças.

Os critérios de exclusão dos sujeitos foram: 1) histórico de atendimento fonoaudiológico atual ou anterior; 2) queixa fonoaudiológica em motricidade orofacial; 3) estar em tratamento ortodôntico; 4) apresentar déficit cognitivo ou doença neurológica.

Os materiais utilizados foram: paquímetro Jomarca, com resolução de 0,01mm/0,001" e exatidão de +/-0,03mm/.0015"; com leitura em milímetros (mm) e medida de até 150mm, espátula, algodão, álcool 70%, luvas cirúrgicas, detergente e protocolo para coleta de dados proposto por Cattoni4 modificado (Figura 1). As medidas orofaciais foram feitas duas vezes cada uma, conforme orientado em pesquisas antropométricas faciais, odontológicas e fonoaudiológicas18,20, sendo considerada a média aritmética.

Os sujeitos leram e assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido e, posteriormente, responderam a um questionário por escrito onde foram coletados dados de identificação, incluindo a etnia do indivíduo e sua descendência, presença ou ausência de queixas ou atendimentos fonoaudiológicos atuais ou prévios em motricidade orofacial e realização de tratamento ortodôntico atual.

Em um segundo momento, foi realizada a avaliação orofacial com o paquímetro especificado. Para tanto, o funcionamento do paquímetro foi apresentado aos indivíduos, para que reações adversas da musculatura facial fossem evitadas durante a obtenção das medidas orofaciais.

As medidas orofaciais foram coletadas sempre pela mesma avaliadora para que não houvesse diferenças inter-observadores. Os indivíduos permaneceram sentados na frente da pesquisadora, com os pés apoiados no chão, cabeça em posição habitual e lábios ocluídos. A pesquisadora utilizou luvas cirúrgicas e o paquímetro, sem pressioná-lo sobre a superfície da pele, durante a coleta de dados. As informações obtidas com o paquímetro foram transcritas em milímetros (mm) para o protocolo de registro de dados. Quando o sujeito utilizava óculos, era solicitado que retirasse até que a avaliação antropométrica fosse finalizada.

As medidas orofaciais externas coletadas foram: altura do terço superior da face (do trichion à glabela ou tr-g); altura do terço médio da face (da glabela ao subnasal ou g-sn); altura do terço inferior da face (do subnasal ao gnátio ou sn-gn); altura do lábio superior (do subnasal ao estômio ou sn-sto); altura do lábio inferior (do estômio ao gnátio ou sto-gn); altura do filtro (do subnasal ao labial superior ou sn-ls); distância entre o canto externo do olho e o cheilion do lado direito da face (ex-ch); e a distância entre o canto externo do olho e o cheilion do lado esquerdo da face (ex-ch) 2,3,18.

Foram coletadas também duas medidas internas: abertura máxima da boca e abertura máxima da boca com a ponta da língua na papila. Para mensurar a primeira, foi solicitado que o sujeito abrisse a boca o máximo que conseguisse e a mensuração foi feita com os bicos para medição interna. A segunda medida foi realizada na mesma forma, entretanto a abertura de boca máxima foi realizada com a língua encostada na papila.

Ao final da avaliação de cada indivíduo, as luvas foram inutilizadas e as hastes do paquímetro foram lavadas com detergente e desinfetadas com algodão umedecido com álcool 70%.

Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da Instituição de origem sob o número 082 / 08 e considerado sem risco.

Os dados das mulheres foram comparados com os dados de outro estudo14 que obteve essas medidas. Tais comparações também foram analisadas por testes estatísticos.

Análise Estatística

A análise estatística foi feita por meio do teste t-Student, análise de variância ANOVA e Correlação de Pearson. Este último foi utilizado para medir a significância das correlações, sendo que foram realizadas separadamente para cada sexo e também para a amostra total. Quando a correlação fosse positiva, significava que à medida que uma variável aumentava seu valor, a outra correlacionada a esta, também aumentava proporcionalmente. Porém, se a correlação fosse negativa, implicava que as variá­veis eram inversamente proporcionais, ou seja, à medida que uma crescia a outra decrescia, ou vice versa. Todos os intervalos de confiança ao longo do trabalho foram construídos com 95% de confiança estatística. A amostra foi caracterizada por meio de análise descritiva dos dados: média, desvio-padrão, coeficiente de variação (CV), intervalo de confiança (IC) e valores mínimos (Min) e máximos (Max).

Para determinar o quão bom era uma correlação, foi utilizada a escala de classificações abaixo.

 

RESULTADOS

Dos sujeitos avaliados, 51 (56,7%) eram do sexo feminino e 39 (43,3%) do sexo masculino. Quanto ao gênero, foi averiguado que não existiu diferença estatística entre os percentuais (p=0,074).

Na Tabela 1 foi verificada baixa variabilidade em todas as medidas, pois o CV foi menor que 50%. Essa é uma informação positiva, pois demonstra que os resultados foram homogêneos. A análise de variância ANOVA foi utilizada para comparar os resultados de todas as variáveis entre os sexos. Observa-se que existe diferença média estatisticamente significante entre os sexos para quase todas as variáveis, com exceção de "Papila" e "Percentual". Nota-se que em todas as variáveis onde são encontradas significância, verificou-se que os homens possuem um resultado maior do que as mulheres. Para a medida da abertura da boca com língua apoiada na papila, não houve diferença entre homens e mulheres.

Nota-se, na Tabela 2, que existe uma relação de 40,2% entre a medida do filtro (sn-ls) e idade, constatando que quanto maior a idade, maior o filtro (sn-ls). Além disso, houve relação regular entre a distância do canto externo do olho e o cheilion no lado direito e esquerdo da face (ex-ch) com o terço médio (g-sn) e terço inferior da face (sn-gn). Cabe lembrar que essa última relação, mesmo que baixa, que existe na mulher entre a distância do canto externo do olho para o cheilion (ex-ch) com o terço inferior da face (sn-gn) é muito mais baixa no homem (Tabela 3). Ainda, nas tabelas 2 e 3, nota-se que quanto maior o filtro (sn-ls), maior o lábio superior (sn-sto). Houve relação relevante ao se constatar que quanto maior a distância do canto externo do olho direito e o cheilion (ex-ch) do mesmo lado, maior será a distância da mesma medida para o lado esquerdo. Uma relação menos relevante foi observada, verificando que quanto maior o lábio superior (sn-sto), maior será o terço inferior da face (sn-gn). Observa-se ainda que houve relevância na relação de terço inferior (sn-gn) com lábio inferior (sto-gn). No homem existe uma relação bem maior do filtro (sn-ls) com a distância do canto externo do olho com o cheilion (ex-ch) do que na mulher.

Na Tabela 4 pode-se constatar que não existiu diferença estatisticamente significante entre os lados da face (ex-ch), no total da amostra.

Na Tabela 5 estão apresentadas as comparações das medidas orofaciais dos indivíduos de diferentes etnias. Notam-se as seguintes observações: terço superior da face (tr-g) das nipobrasileiras tem tamanho menor do que o das negras e das brancas; terço médio da face (g-sn) nas nipobrasileiras é maior do que nas negras e brancas; para o terço inferior da face (sn-gn) não houve diferença estatisticamente significante entre as etnias; para o lábio superior (sn-sto) houve diferença estatisticamente significante entre nipobrasileiras e brancas, sendo maior nas nipobrasileiras e sem diferença estatística entre nipobrasilieras e negras; para o lábio inferior (sto-gn) não houve diferença estatística entre brancas e nipobrasileiras, sendo que entre essa estrutura foi estatisticamente maior nas negras quando se comparou com as mulheres nipobrasileiras; para o filtro (sn-ls) houve diferença, sendo que as nipobrasileiras apresentaram essa estrutura estatisticamente menor do que nas negras e brancas; e para os lados da face (ex-ch) não houve diferença estatisticamente significante entre nipobrasileiras, brancas e negras.

 

DISCUSSÃO

Durante a pesquisa bibliográfica, foi possível notar que com relação aos padrões de normalidade das medidas faciais em adultos, existem predominantemente dados referentes à população da raça branca.

Na intenção de se obter uma amostra mais homogênea possível, uma das variáveis de exclusão dos sujeitos levantada seria a perda ou extração de dentes, com exceção do terceiro molar. Entretanto, não foi possível excluir esses sujeitos devido ao grande número de indivíduos (18%) que haviam extraído dentes.

Verificou-se que houve relação positiva importante entre idade e filtro (sn-ls). Tal constatação significa que quanto maior a idade, maior o filtro (sn-ls). Esse fato pode colaborar com estudos sobre estética facial e direcionar manipulações orofaciais em adultos.

Nota-se que quanto maior o filtro (sn-ls), maior o lábio superior (sn-sto). Esse dado se confirma em outro estudo feito com crianças4.

O filtro (sn-ls) apresentou relação estatisticamente relevante com o tamanho do lábio superior (sn-sto), mas não influenciou diretamente no tamanho do terço inferior da face (sn-gn). Tal fato pode ter ocorrido em decorrência da posição do filtro (sn-ls) e do lábio superior (sn-sto) ser mais anteriorizada, o que não altera o tamanho do terço inferior (sn-gn).

Foi apresentada uma relação regular entre lábio superior (sn-sto) e o terço inferior da face (sn-gn). Em contrapartida, a relação de terço inferior (sn-gn) com lábio inferior (sto-gn) foi bastante significante. Isso indica que o fator determinante para o tamanho do terço inferior da face (sn-gn) é a altura do lábio inferior (sto-gn), ao invés do tamanho do lábio superior (sn-sto).

No homem foi encontrada uma relação bem maior do tamanho do filtro (sn-ls) com a distância do canto externo do olho com o cheilion (ex-ch) do que na mulher. No restante das correlações, houve semelhança entre os sexos.

Algumas relações já eram esperadas, como por exemplo, a relação significante indicando que quanto maior a distância do canto externo do olho direito e o cheilion do mesmo lado (ex-ch) maior será a distância da mesma medida para o lado esquerdo (ex-ch).

Uma pesquisa21 que estabeleceu a média de abertura de boca concluiu que nos homens essa medida atingiu 45,13mm e nas mulheres foi 42,88mm, sendo, portanto, maior no sexo masculino. Visto que no presente estudo a média de abertura de boca em homens foi 47,66mm e em mulheres foi 42,75mm, nota-se que não há diferença estatisticamente significante entre as etnias quanto à essa medida.

No que se refere ao frênulo lingual, estudo22 realizado indica que os sujeitos cujo frênulo havia sido classificado como normal, tiveram como percentual de medida de frênulo (abertura de boca com a língua na papila) acima de 60%. Por outro lado, para os sujeitos cujo frênulo havia sido classificado como alterado, esse percentual foi menor que 50%. No presente estudo, encontrou-se 21 sujeitos (23,33%) com porcentagem abaixo de 60% e 10 (11,11%) abaixo de 50%, o que sugere alguma diferença étnica entre as medidas do frênulo que deve ser pesquisada em novos estudos.

Um ponto a ser discutido sobre a questão dos frênulos linguais é que nenhum dos sujeitos da amostra dessa pesquisa apresentou queixa ralacionada à fonoaudiologia ou ao frênulo. Esse fato pode ser explicado pela tendência dos descendentes nipônicos apresentam articulação com amplitude reduzida ou alguma formação estrutural diferente, devendo ser questão para futuras investigações.

Com relação ao terço superior da face (tr-g), notou-se que essa estrutura nas nipobrasileiras foi consideravelmente menor do que nas negras e brancas. Sabe-se que a implantação do cabelo influencia nessa medida e tal fato pode ser notado visualmente nas nipobrasileiras, que parecem ter a "testa" pequena. Com relação aos lados da face (ex-ch), levando em consideração a análise estatística da parte dos nipobrasileiros, pode-se perceber que o terço médio da face (g-sn) exerce grande influência no tamanho dos lados da face (ex-ch). Então, visto que o terço médio da face (g-sn) das nipobrasileiras é maior, já se esperava que os lados da face (ex-ch) delas fossem maiores quando comparadas às outras duas etnias.

Um fato que deve ser levantado é que o presente estudo relacionou as medidas das nipobrasileiras com as medidas de mulheres negras e mulheres brancas, sendo que as medidas orofaciais dessas duas últimas etnias foram provenientes da literatura14. Portanto, novos estudos sobre medidas orofaciais envolvendo um número grande de sujeitos das três etnias devem ser desenvolvidos, bem como o levantamento desses dados em homens.

Devido aos dados obtidos nessa amostra e as comparações realizadas entre negras, brancas e nipobrasileiras, nota-se que quando avaliados, cada indivíduo deve ser comparado considerando-se os dados relacionados à sua etnia.

Esta pesquisa traz colaboração para a área da fonoaudiologia visto que evidencia referências das medidas orofaciais para nipobrasileiros, padrão esse diferente dos brancos e negros avaliados no Brasil.

 

CONCLUSÃO

Na amostra estudada foi possível verificar que as médias das medidas foram sempre maiores nos homens. Constatou-se que houve relações significantes entre algumas medidas orofaciais tanto nos homens quanto nas mulheres. Por fim, observou-se que houve diferença estatisticamente significante entre as estruturas das mulheres brancas, negras e nipobrasileiras.

 

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Endereço para correspondência:
Tassiana Barbeiro Fragoso de Sá
Rua Padre Francisco de Abreu Sampaio
Campinas – São Paulo
Cep: 13036-140
E-mail: tassianafragoso@gmail.com

Recebido em: 27/08/2011
Aceito em: 28/01/2012

 

 

Conflito de interesses: inexistente

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