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Revista CEFAC

On-line version ISSN 1982-0216

Rev. CEFAC vol.18 no.5 São Paulo Sept./Oct. 2016

http://dx.doi.org/10.1590/1982-0216201618518415 

ARTIGOS ORIGINAIS

Caracterização de sujeitos com lesão cerebral adquirida em idade produtiva

Aline Sarturi Ponte1 

Elenir Fedosse1 

1Universidade Federal de Santa Maria, UFSM, Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil.


RESUMO

Objetivo:

analisar as condições sociodemográficas e de saúde (inclusive os agravos neurológicos) de sujeitos com LEA em idade produtiva, bem como suas condições pregressas e atuais de trabalho.

Métodos:

estudo de natureza descritiva e de abordagem quantitativa. Os dados foram coletados entre junho e dezembro de 2014, por meio de uma entrevista semiestruturada.

Resultados:

participaram do estudo 48 sujeitos com Lesão Cerebral Adquirida; a incidência entre o sexo masculino (52,1%) e feminino (47,9%) foi equilibrada; a média de idade, no momento da lesão, foi de 48,7 anos; 64,5% eram casados; 62,5% possuíam Ensino Fundamental Incompleto; a ocupação anterior à lesão mais frequente foi a de doméstica (18,7%); 47,9% dos sujeitos foram aposentados após a lesão, 6,3% voltaram ao trabalho, e 93,7% gostariam de retornar. Quanto aos comprometimentos neurológicos, 41,1% foram acometidos por Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (52,1% apresentaram afasia, e 52,2% tiveram hemiplegia direita). A condição de saúde física de 60,4% foi considerada moderada; 58,3% avaliaram sua saúde mental como ruim; 60,4% nunca fumaram; e 93,7% pararam de ingerir álcool após a lesão. Notou-se, ainda, que 62,5% dos sujeitos eram acompanhados somente por fisioterapeutas e que 54,2% usavam algum recurso assistivo. Ademais, as atividades de lazer de 58,4% dos sujeitos estavam prejudicadas.

Conclusão:

a média de idade dos sujeitos deste estudo é inferior a outros estudos nacionais; o nível de escolaridade é baixo; as ocupações anteriores à lesão eram de baixo rendimento financeiro; e o índice de aposentadoria após a lesão foi alto. As sequelas neurológicas impactam, assim, negativamente a vida/saúde dos sujeitos, condição agravada pelo fato de os recursos terapêuticos serem incompletos.

Descritores: Acidente Vascular Cerebral; Afasia; Hemiplegia; Aposentadoria; Retorno ao Trabalho

ABSTRACT

Purpose:

to analyze the socio-demographic conditions, health conditions (including neurological diseases) of individuals with Acquired Brain Injury in working age, as well as their previous and current working conditions.

Methods:

it is a descriptive study with a quantitative approach. Data were collected between June and December 2014, using a semi-structured interview.

Results:

the study included 48 subjects with Acquired Brain Injury. The incidence among males (52.1%) and female (47.9%) was balanced; the average age at the time of injury was 48.7 years; 64.5% were married and 62.5% had incomplete elementary school; the occupation before the Acquired Brain Injury was domestic (18.7%); 47.9% of individuals were retired post-injury, only 6.3% returned to work and 93.7% would like to return. Concerning neurological impairments, 41.1% were affected by ischemic stroke (52.1% had aphasia and 52.2% right-sided hemiplegia). Physical health condition of 60.4% was considered moderate, while 58.3% considered the mental health as bad. 60.4% had never smoked and 93.7% stopped drinking alcohol after the injury. 62.5% were accompanied only by physiotherapy; 54.2% used some assistive resource. 58.4% of the leisure activities of the individuals were affected.

Conclusion:

the average age of the individuals of this study is inferior to other national studies; the level of education is low; the previous occupations in relation to the lesion were low financial income and the retirement post-injury rate is high. Neurological sequelae negatively impact on life/health of individuals, and therapeutic resources are incomplete.

Keywords: Stroke; Aphasia; Hemiplegia; Retirement; Return to Work

Introdução

O fenômeno da globalização, iniciado no final do século XVI com os grandes descobrimentos e as viagens de exploração dos europeus à África, à Ásia e às Américas, tomou força nas duas ou três últimas décadas do século XX. A globalização configura-se, pois, como um processo econômico, social e cultural que atinge de forma direta ou indireta qualquer ser humano ou local do planeta; porém, suas consequências não repercutem da mesma forma para todos os envolvidos, sejam pessoas, sociedades ou lugares1.

Sabe-se que os impactos advindos da globalização resultam em riscos à saúde, devido a fatores como: novas organizações trabalhistas que, muitas vezes, exigem dos trabalhadores atuação sob condições sanitárias e de segurança indesejáveis e insalubres; constante degradação do meio ambiente; mudanças nos hábitos alimentares; consumo excessivo de álcool e tabaco; disseminação de doenças infecciosas; e prevalência de doenças como a depressão e suas variações (transtornos mentais)1. Devido a tais aspectos, a saúde passou a ser considerada um bem público global, condição necessária para o avanço do processo de globalização, ou seja, para o crescimento econômico e social mundial1. No entanto, podem-se evidenciar influências da globalização no aumento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), gerando elevado número de mortes prematuras e, para os sobreviventes, perda na qualidade de vida e ocasionando impactos econômicos negativos para os afetados, suas famílias e a sociedade em geral1,2.

Diante de tais constatações, o Brasil estabeleceu o Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) - 2011 a 2022, incluindo neste plano a prevenção do Acidente Vascular Cerebral (AVC), do infarto, da Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS), do câncer, da Diabetes Mellitus (DM) e das doenças respiratórias crônicas, entre outras2-4.

As Lesões Encefálicas Adquiridas (LEA), principalmente as decorrentes de doenças cardiovasculares (como os AVC) e os Traumatismos Cranioencefálicos (TCE), são a causa de incapacidade funcional em adultos em idade produtiva5. No estado do Rio Grande do Sul (RS), no período de um ano (janeiro a dezembro de 2014), foram notificados 5.294 casos de AVC não especificados (se hemorrágicos ou isquêmicos) e 3.564 casos de TCE de sujeitos em idade produtiva. No mesmo período, em uma cidade da região central deste estado (onde foi realizado este estudo), foram notificados 72 casos de AVC e 65 de TCE em pessoas em idade produtiva6.

Sabe-se que os sobreviventes de uma LEA encontram diversos obstáculos após o período hospitalar. O primeiro enfrentamento é o de ressignificar o conceito de saúde/doença, visto que agora o sujeito apresenta sequelas transitórias ou, na maioria das vezes, permanentes, o que exige dele uma reconstrução de si enquanto pessoa7. Podem estar presentes, também, alterações físicas e/ou linguístico-cognitivas. Além disso, o sujeito vivencia a restrição de seus direitos e seus deveres diante da sociedade, ao perceber que sua condição de igualdade, garantida na Constituição Federal brasileira8, está prejudicada, pois existem limitadores consideráveis em suas atividades sociais, de lazer e de trabalho, ou seja, em suas Atividades de Vida Diária (AVD) e Atividades Instrumentais de Vida Diária (AIVD).

Diante do exposto, o presente estudo tem como objetivo analisar as condições sociodemográficas e de saúde (inclusive os agravos neurológicos) de sujeitos com LEA em idade produtiva, bem como suas condições pregressas e atuais de trabalho.

Métodos

Este estudo, de natureza descritiva e quantitativa, foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos da Universidade Federal de Santa Maria - UFSM, sob o parecer número 680.520. Seu público-alvo consistiu em sujeitos com LEA em idade produtiva (entre 16 e 60 anos para o sexo feminino e 16 e 65 anos de idade para o sexo masculino9. A coleta dos dados foi realizada entre junho e dezembro de 2014, por meio de busca ativa nos diferentes serviços de reabilitação em Fisioterapia, Fonoaudiologia e/ou Terapia Ocupacional, sejam de prestadores públicos, filantrópicos ou privados conveniados ao setor público, isto é, serviços complementares da saúde pública municipal.

Este estudo contou com a colaboração de 12 serviços de reabilitação: oito de Fisioterapia, dois de Fonoaudiologia e dois de Terapia Ocupacional. Participaram desta pesquisa 48 sujeitos com LEA em idade produtiva (principalmente sujeitos com AVC), que apresentavam como sequelas afasias motoras, sensoriais ou globais10 e/ou limitações motoras (hemiplegias e quadriplegias) e/ou sensoriais11,12 e que estavam em acompanhamento terapêutico nos serviços públicos de reabilitação da cidade, conforme descrição anterior. Os sujeitos com lesões cerebrais menores de 16 anos, acometidos de afasia, limitações motoras e/ou sensoriais, foram excluídos desta pesquisa.

O primeiro contato da pesquisadora com os sujeitos foi realizado por intermédio de um terapeuta do serviço responsável pelo atendimento, ocasião em que se realizava o convite ao sujeito e/ou seu familiar para participarem da pesquisa e se marcava um encontro no domicílio dos sujeitos. Durante o encontro, quando, estes decidiam, então, se participariam ou não da pesquisa. Em caso afirmativo, assinavam o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e respondiam oralmente e/ou por meio de processos alternativos de significação13,10 a um questionário semiestruturado, aplicado pela pesquisadora e elaborado exclusivamente para este estudo por suas autoras.

No referido questionário, foram levantados dados referentes aos seguintes aspectos: idade (atual e no momento da lesão); sexo; estado civil; escolaridade; profissão/ocupação; situação laboral anterior e após a lesão cerebral; diagnóstico e sequelas presentes; tempo de lesão e de afastamento laboral; número de perícias; retorno ao trabalho (identificando-se as barreiras vivenciadas ao retornar à atividade laboral e/ou a vontade de retornar ao trabalho); condições de saúde física, mental e de lazer atuais; uso de recursos assistivos; e tipo de acompanhamento terapêutico realizado.

Para o tratamento dos dados coletados, realizou-se análise descritiva com o auxílio do Software Statistica 9.1.

Resultados

Este estudo revelou um número de homens ligeiramente maior que o de mulheres na população estudada (Tabela 1). A média de idade dos sujeitos foi de 48,7 anos no momento da lesão e de 54,8 anos no momento da pesquisa, indicando que o tempo médio transcorrido entre a lesão e a participação neste estudo é de seis anos e dois meses. Quanto ao estado civil, constatou-se que a maioria dos sujeitos era casada, seguida dos divorciados, solteiros e viúvos (Tabela 1).

Tabela 1: Caracterização sociodemográfica dos sujeitos com Lesão Encefálica Adquirida - LEA (n = 48) 

Os dados foram apresentados em n (percentual).

O nível escolar apresentado pelos sujeitos participantes do estudo foi relativamente baixo: a maioria possuía Ensino Fundamental Incompleto, e apenas dois sujeitos possuíam Ensino Superior Completo (um deles tinha Pós-Graduação), conforme a Tabela 1. Essa característica acaba contribuindo para a ocupação de cargos que exigem menor qualificação profissional: 18,7% eram domésticas; 12,5% eram profissionais autônomos, 12,5% trabalhavam com serviços gerais; 10,4% eram motoristas de transportes coletivos; 8,3% eram funcionários rurais; 6,2% atuavam como professor universitário, 6,2% trabalhavam como vigilantes; 4,1% eram metalúrgicos; e 21,1% exerciam outras profissões (topógrafo, balconista, porteiro de edifício, marceneiro, técnico de enfermagem, técnico contábil, corretora de imóveis, cuidadora, costureira e vendedora).

No que se refere aos aspectos da lesão cerebral, a maioria dos participantes não soube informar o tipo de AVC nem dispunha de exames que permitissem averiguar tal questão. Dentre os sujeitos que souberam informar sobre a lesão, prevaleceu a ocorrência de AVC isquêmico, com sequelas de linguagem (afasias) e motoras (Tabela 1).

Ao serem questionados sobre o consumo de tabaco, observou-se que grande parte dos sujeitos não fumava antes da lesão. Constatou-se, também, que o consumo de bebidas alcoólicas foi bastante modificado após o AVC - a maioria dos sujeitos suspendeu completamente o consumo de bebidas alcoólicas, e uma minoria seguiu consumindo (Tabela 1).

Na avaliação das condições de saúde atual, 12 sujeitos consideraram sua saúde física boa, 29 consideraram-na moderada, e sete classificaram-na como ruim. Quanto à saúde mental/emocional, um sujeito considerou-a muito boa, 13 consideraram-na boa, 28 classificaram-na como moderada, e seis avaliaram-na como ruim. Constatou-se, portanto, um predomínio de avaliação moderada para ambos os aspectos de saúde. Além disso, mais da metade dos sujeitos com lesão cerebral sofreu alterações em suas atividades de lazer.

Quanto à utilização de recursos assistivos após a lesão, 16,7% necessitam de muletas, e 14,5% fazem uso de cadeira de rodas; 10,4% utilizam dois ou mais recursos assistivos (associados da seguinte forma: óculos, muleta e órtese; bengala e óculos; muleta e óculos; e órtese e óculos), e 8,3% utilizam apenas óculos, enquanto que 4,3% fazem uso de bengala.

Pelas condições de desenvolvimento deste estudo (busca ativa em serviços de reabilitação), todos os sujeitos pesquisados estavam vinculados a um serviço de reabilitação - público (municipal, estadual ou federal), filantrópico ou privado/prestador de serviços conveniado ao sistema público municipal. Constatou-se que a maioria dos sujeitos realizava somente acompanhamento fisioterapêutico; outros realizavam acompanhamentos associados (fisioterapêutico e fonoaudiológico; fisioterapêutico e terapêutico ocupacional; fonoaudiológico e terapêutico ocupacional; ou fonoaudiológico, fisioterapêutico e terapêutico ocupacional). Apenas um sujeito era acompanhado por fisioterapeuta, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional e psicólogo, enquanto outro era acompanhado somente por terapeuta ocupacional (Figura 1).

Fi: Fisioterapia; Fo: Fonoaudiologia; Ps: Psicologia; TO: Terapia Ocupacional

Os dados foram apresentados em n (percentual)

Figura 1: Acompanhamento terapêutico dos sujeitos com Lesão Encefálica Adquirida - LEA 

Anteriormente à lesão, a maioria dos sujeitos tinha vínculo empregatício, e poucos não tinham trabalho fixo (eram trabalhadores avulsos) ou eram autônomos (contribuintes individuais). Convém ressaltar que, após a lesão, todos os sujeitos passaram por perícia médica (o número médio de perícias foi de 2,3 por pessoa, tendo 50% dos sujeitos realizado apenas uma perícia), e a maioria dos participantes foi aposentada - apenas três sujeitos foram reinseridos na atividade laboral (Tabela 2), e o tempo médio que tais sujeitos permaneceram afastados de seus postos de trabalho foi de 3,7 anos.

Todos os sujeitos deste estudo demonstraram desejo/expectativa de retorno ao trabalho; porém, tal expectativa se concretizou para uma minoria: um sujeito permaneceu na função que exercia (recebeu orientações e adaptações necessárias para o retorno ao seu posto de trabalho), e dois trocaram de função (sem orientações e/ou adaptações ao posto de trabalho) (Tabela 2).

Tabela 2: Condição laboral dos sujeitos pré e pós Lesão Encefálica Adquirida (n=48) 

Os dados foram apresentados em n (percentual).

Discussão

Os resultados encontrados neste estudo corroboram outras pesquisas de natureza regional e nacional. Um estudo realizado na cidade de Passo Fundo (RS), voltado à caracterização de internações hospitalares por AVC, constatou prevalência (53,6%) de AVC em homens14, enquanto que outro, dedicado ao TCE e realizado em nível nacional, constatou acometimentos duas a três vezes maiores em homens do que em mulheres15.

A média de idade dos sujeitos deste estudo, na ocasião da lesão, foi de 48,7 anos, fato condizente com o resultado de outros estudos que afirmam que pessoas em idade produtiva são mais acometidas por LEA - AVC e TCE15,16. A esse respeito, um estudo realizado em nível nacional revelou que o AVC é responsável por 40% das aposentadorias precoces no Brasil17.

A condição de casados foi predominante neste estudo, tal como averiguado em outros três estudos: um ocupado de 289 pessoas que tiveram AVC em idade produtiva, atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), na cidade de Recife, Pernambuco (PE)18; outro realizado em Natal, Rio Grande do Norte (RN), com um grupo de 45 pessoas que apresentava AVC e idade variada19, e um terceiro, realizado em Jequié, Bahia (BA), que envolveu um grupo de 20 pessoas com diagnosticadas com AVC e idades variadas20. No que se refere ao TCE, encontrou-se um estudo, realizado em São José do Rio Preto, São Paulo (SP), com um grupo de 56 pessoas, que revelou que 56% dos sujeitos eram solteiros e 40% eram casados21.

O nível escolar dos participantes deste estudo foi relativamente baixo. A baixa escolaridade é apontada como um fator de vulnerabilidade nas discussões sobre as DCNT22, estando estreitamente associada a maior prevalência de maus hábitos de saúde23, como, por exemplo, o não consumo de alimentos saudáveis, o sedentarismo, o uso de tabaco e o consumo excessivo de álcool2.

Outros estudos também referem que condições ruins de saúde24 e DCNT25 são mais frequentes entre sujeitos com menor escolaridade. Além disso, sujeitos com menor grau de escolarização são mais afetados pelo processo de globalização, pois as transformações impostas por este processo (novas tecnologias e velocidade das modificações no mercado de trabalho, por exemplo) exigem, cada vez mais, conhecimentos técnicos para atender às mutáveis demandas do mercado de trabalho, o que o torna mais exigente e restrito com o passar do tempo26. A atividade laboral de sujeitos com pouca escolaridade tende, assim, a ser caracterizada por ações mais "braçais", que requerem mais desempenho físico do que envolvimento intelectual27. Este tipo de trabalho corresponde a atividades domésticas ou autônomas, como as relatadas neste estudo.

Nesse sentido, Medina e colaboradores27 e Falcão e colaboradores18 indicam que o baixo nível escolar é um fator negativo para a recuperação dos sujeitos acometidos por LEA. Segundo tais autores, o maior nível de escolaridade pode contribuir para um aumento da sobrevida dos sujeitos com LEA, colaborando para o retorno ao trabalho.

Muitos estudos11-28 indicam que a causa mais frequente de LEA são os AVC, sendo os derivados de eventos isquêmicos (AVCi) os mais recorrentes, tal como indicam os dados encontrados neste estudo, em que 41,1% dos sujeitos foram acometidos por AVCi. O AVCi tem como principais fatores de risco a HAS, a DM, a hipercolesterolemia (colesterol alto), o tabagismo e os fatores genéticos29. A maioria desses fatores é passível de prevenção e tratamento por meio de bons serviços de Atenção Básica3,30, possíveis de serem realizados, do ponto de vista das autoras deste estudo, por profissionais como fonoaudiólogos, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais - potenciais integrantes de equipes de Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF). Tais profissionais podem contribuir no desenvolvimento de ações preventivas que busquem sensibilizar a população sobre as DCNT e suas sequelas, potencializando, assim, as ações das equipes da Atenção Básica.

As sequelas das LEA mais apresentadas pelos sujeitos deste estudo são as afasias e os comprometimentos nos hemicorpos, as quais influenciam negativamente a saúde física e mental/emocional dos sujeitos, trazendo-lhes limitações na realização de atividades básicas do cotidiano (autocuidado e mobilidade, por exemplo) e de atividades mais complexas, como o trabalho e o lazer, e gerando, por conseguinte, impactos familiares, sociais e econômicos31.

O consumo de tabaco não foi um fator predominante neste estudo. Contudo, o mesmo não se pode dizer com relação ao consumo de bebida alcoólica, já que 93,7% deixaram de ingerir bebida alcoólica após a lesão cerebral. Sabe-se que a associação entre o tabaco e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas é um dos principais fatores que contribuem para o aumento do risco de AVC, principalmente do Acidente Vascular Cerebral Hemorrágico (AVCh), aumentando consideravelmente as taxas de morbidade e mortalidade na população adulta32.

As morbidades produzidas pelas lesões cerebrais podem ser minimizadas pela utilização de recursos assistivos (óculos, muleta, bengala e cadeira de rodas, por exemplo). Os recursos assistivos, conforme o Decreto n.º 3.296, de 16 de dezembro de 1999, em seu artigo 19, são descritos como os elementos que minimizam uma ou mais limitações funcionais motoras, sensoriais ou mentais das pessoas com deficiência. Tal decreto afirma que o objetivo destes recursos é auxiliar na superação de barreiras da comunicação e da mobilidade, possibilitando a plena inclusão social das pessoas com deficiência33. Os recursos assistivos visam, assim, a reabilitar ou melhorar o desempenho das funções, que podem ser perdidas ou gravemente afetadas após a lesão encefálica34.

Juntamente com os recursos assistivos, os processos terapêuticos/reabilitadores são essenciais para melhoria das condições de sobrevida das pessoas com lesões neurológicas. Neste estudo, pôde-se constatar, entretanto, que o modelo de atenção em reabilitação, oferecido pelo município aos sujeitos com LEA, apresenta algumas lacunas, pois são serviços independentes (configuração fragmentada) com pouca ou nenhuma articulação entre os profissionais, o que compromete a recuperação física, linguístico-cognitiva, laboral e social dos sujeitos. Essa configuração obriga os sujeitos com LEA a se deslocarem de um serviço para outro, sendo possível constatar que os "itinerários de reabilitação" são organizados pelo próprio sujeito, e não pelo sistema de saúde local.

Observa-se que os processos de reabilitação integrados/articulados são fundamentais para que os sujeitos com LEA retomem suas condições de autonomia e independência nas AVD, AIVD, atividades de lazer e atividades de trabalho. Apesar da compreensão da importância de equipes multiprofissionais para a garantia do processo de reabilitação, acredita-se que ainda existam barreiras para a efetivação e ampliação das mesmas. Tais barreiras podem estar associadas à hierarquização dos saberes nucleares em relação aos saberes periféricos, à sobreposição de papéis profissionais e à falta de autonomia e de responsabilização coletiva35.

Quanto aos dados referentes às condições de trabalho, chamou atenção o expressivo índice de sujeitos em idade produtiva aposentados (47,9%) em função de acometimentos provocados pelas lesões cerebrais e, sobretudo, o reduzido percentual de sujeitos reinseridos no trabalho (6,3%). Pode-se dizer que, no contexto da cidade onde este estudo foi realizado, os sujeitos com LEA foram afastados das atividades laborais/aposentados e expostos a um sistema de reabilitação pouco eficiente; por um lado, evidenciou-se pouco incentivo ao retorno ao trabalho, apesar de serem submetidos a uma rotina de perícias, e, por outro, notou-se que o direcionamento dos processos de reabilitação privilegiou a recuperação das sequelas físicas.

O retorno ao trabalho das pessoas participantes deste estudo foi muito inferior ao obtido em uma pesquisa (não recente, porém a única encontrada a respeito deste tema) realizada em Poitiers (França) por Neau e colaboradores36. A referida pesquisa, ocupada de um grupo de sujeitos com LEA entre 15 e 45 anos, revelou que 70% dos sujeitos, em média, retornaram ao trabalho após oito meses da lesão, tendo havido necessidade de ajustes na ocupação de cerca de 26% desses sujeitos. No entanto, o desejo de retorno ao trabalho dos sujeitos do presente estudo foi unânime: 93,7%, ou seja, o total dos não reinseridos, gostariam de retornar às funções que exerciam antes da lesão, mesmo considerando que suas atividades laborais eram de remuneração baixa.

Segundo Scopel37, a intensa rotina de perícias é um fator que desanima os sujeitos afastados do trabalho por algum comprometimento de saúde, pois a cada nova perícia há a necessidade de novas comprovações (devido ao fato de não ser o mesmo médico da perícia anterior). Diante isso, os sujeitos submetem-se a uma peregrinação de consultas médicas, buscando especialistas para o aprimoramento das análises e dos diagnósticos de seus quadros clínicos. Trabalhadores afastados descrevem as perícias como uma situação desagradável, pois são submetidos a uma série de questionamentos e/ou situações de descaso a respeito de seus problemas, fatos que acabam contribuindo para o agravamento dos sentimentos de impotência e inutilidade, bem como para o desenvolvimento de quadros depressivos38.

Possivelmente, o baixo índice de retorno ao trabalho dos sujeitos com LEA participantes deste estudo é um reflexo do conjunto de fatores apontados pela pesquisa de Falcão e colaboradores14, como as limitações na linguagem (afasias), a depressão, os comprometimentos motores e de sensibilidade, a ausência de adaptações - seja no posto ou na função - no local de trabalho e a falta de orientação pelos órgãos responsáveis em relação ao acolhimento deste trabalhador. Porém, ressalta-se que o retorno à atividade laboral deve ser incentivado pelos profissionais de saúde, visto que o trabalho ocupa um lugar central na vida do homem contemporâneo. Tendo múltiplos significados pessoais e sociais, o trabalho é um elemento-chave na formação das coletividades, geralmente, organizadas em torno do trabalho39.

Conclusão

Este estudo evidenciou um equilíbrio entre o número de homens e mulheres, em idade produtiva, acometidos por LEA. A média de idade dos sujeitos, no momento da lesão, foi de 48,7 anos, ou seja, relativamente menor que a média nacional, que é de 50 anos.

O estado civil da maioria dos sujeitos foi casado; o nível de escolaridade prevalente foi o Ensino Fundamental Incompleto; e as ocupações mais frequentes foram as de natureza braçal. Muitos trabalhadores foram aposentados após a lesão, e pouquíssimos voltaram ao trabalho, apesar de todos manifestarem desejo de retorno às suas atividades laborais. Nesse sentido, ressalta-se que a aposentadoria precoce é um fator que pode gerar conflitos de identidade social e sentimentos de inutilidade, de desqualificação e de revolta, expondo o trabalhador a outras doenças. Ademais, a rotina de peregrinação em busca de reabilitação e as inúmeras perícias médicas exigidas pela Previdência Social acabam gerando desgaste e sofrimento para o sujeito com LEA.

Os limites impostos pela LEA impactam negativamente a vida/saúde dos sujeitos, que passam a precisar de auxílio dos outros (cuidadores) para o desempenho das atividades diárias e de recursos assistivos e terapêuticos para manutenção da vida. Além disso, os resultados deste estudo revelaram uma precária condição de assistência para reabilitação no município onde foi realizada a pesquisa. O itinerário de cuidado é elaborado pelos sujeitos com LEA, e não criado por uma rede de serviços que sustente o processo de recuperação e reinserção laboral. Não existem centros especializados em reabilitação de sujeitos adultos com lesão cerebral, nem se evidencia integração entre os serviços de saúde e, menos ainda, entre estes e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) - órgão responsável pelas perícias. Muitos sujeitos foram privados de retornarem à sua atividade laboral e, consequentemente, aposentados precocemente, gerando ônus à Previdência Social.

Este estudo, de certa forma, também evidenciou a necessidade de a Atenção Básica do município intensificar ações preventivas, a fim de minimizar a ocorrência das DCNT e, assim, diminuir os agravos de saúde causados por elas, e atentar para uma reorganização e ampliação dos serviços de reabilitação, de modo a cumprir as diretrizes do SUS. É preciso, ainda, promover a real integração entre os profissionais de reabilitação e os responsáveis pelas perícias - serviços que recebem e acompanham sujeitos com lesão cerebral.

Sugere-se, assim, que outros estudos com essa temática sejam realizados. Isso permitirá produzir mais evidências acerca das necessidades dos sujeitos com lesão cerebral no que tange à reabilitação e à reinserção laboral.

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Fonte de auxílio: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES

Recebido: 03 de Novembro de 2015; Aceito: 13 de Julho de 2016

Endereço para correspondências: Aline Sarturi Ponte, Universidade Federal de Santa Maria, Centro de Ciências da Saúde, Programa de Pós-Graduação em Distúrbios da Comunicação Humana, Secretaria do PPGDCH - Prédio 26, sala 1418, 4º andar. Cidade Universitária, CEP 97.105-900, Santa Maria, RS, E-mail: alinesarturi@hotmail.com

Conflito de interesses: inexistente

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