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Revista da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia

On-line version ISSN 1982-0232

Rev. soc. bras. fonoaudiol. vol.12 no.1 São Paulo Jan./Mar. 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-80342007000100016 

RESUMO

 

Descrição de distorções dos sons da fala em crianças com e sem transtorno fonológico

 

 

Luciana Amaro

Fonoaudióloga da Secretaria Municipal de Educação de Suzano – Suzano (SP), Brasil; Mestre em Semiótica e Lingüística Geral pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo – USP – São Paulo (SP), Brasil

Endereço para correspondência

 

 

No transtorno fonológico podem ocorrer concomitantemente alterações fonéticas e fonológicas, que comprometem a articulação e o conhecimento internalizado do sistema de sons da língua. As alterações fonéticas podem acontecer também em crianças com desenvolvimento típico de linguagem. Várias pesquisas têm mostrado a importância de se utilizar técnicas objetivas durante o diagnóstico, bem como da aplicação de índices de gravidade. O objetivo desta pesquisa é identificar a ocorrência de distorções de fala e aplicar e comparar os índices de gravidade em crianças entre cinco e sete anos de idade, com e sem transtorno fonológico. Para isso, foram avaliadas 30 crianças com desenvolvimento típico de linguagem (GSTF) e 15 crianças com transtorno fonológico (GTF). Foram aplicadas, nos dois grupos, provas experimentais de Fonologia – nomeação, imitação e fala espontânea, além de avaliação da motricidade orofacial e cálculo dos índices PCC, PCC-R, PDI, RDI e ACI nas provas de Fonologia. Seguida da detecção de qualquer tipo de distorção, por meio da análise perceptiva visual e/ou auditiva em quaisquer umas das provas de Fonologia nos sons [s], [z], , , [l], e , houve a subdivisão dos grupos em Grupo Sem Transtorno Fonológico Sem Distorção (GSTFSD), Grupo Sem Transtorno Fonológico Com Distorção (GSTFCD), Grupo Com Transtorno Fonológico Sem Distorção (GTFSD), Grupo Com Transtorno Fonológico Com Distorção (GTFCD). Apenas para o GSTFCD e GTFCD foi aplicada a prova para verificação específica de distorção, composta por imitação de sílabas e palavras com o som que a criança havia distorcido em qualquer uma das provas, como a intenção de confirmar a presença de distorção e descrever perceptivamente algumas variações de distorção encontradas em cada um dos sons estudados. Após confirmada e descrita a distorção, foram realizadas palatografias e linguografias com palavras que continham o som distorcido, o que possibilitou a realização de uma comparação visual das produções adequadas e das distorções.Os resultados apontaram que, no GSTF, 23,3% das crianças apresentou distorção nas provas de Fonologia nos sons [s], [z], e [l]; no GFT 20% das crianças apresentou distorção nas provas de Fonologia nos sons [s], [z] e ; não houve evidências de diferença significativa entre o número de sujeitos que apresentaram distorção no GSTF e GTF. Houve diferença significante apenas nas provas de imitação e fala espontânea na faixa etária de sete anos, com maior ocorrência de distorção do [s] no grupo GTF do que no GSTF. Apenas o GTF apresentou distorção no , parece que a distorção deste som está mais relacionada ao transtorno fonológico. Na prova específica de distorção, o GSTFCD apresentou maior média de distorção para os sons [s], [z] e em sílabas e para o [l] em palavras, enquanto que no GTFCD não foram observadas diferenças entre as médias de distorção em sílabas e em palavras nos sons [s], [z] e . No GSTFCD e no GTFCD para o [s], o tipo de distorção que mais ocorreu foi projeção anterior de língua com distorção. Para o [z] foi projeção anterior de língua sem distorção para o GSTFCD e projeção anterior de língua com distorção para o GTFCD. No foi encontrada apenas o tipo de distorção esforço articulatório com distorção, no [l] houve projeção anterior de língua sem distorção, e no posteriorização de língua com distorção acústica. A análise da palatografia confirmou a análise perceptiva, oferecendo a vantagem de mostrar o local exato da produção. Os sujeitos do GSTFSD e GTFSD obtiveram todos os índices melhores do que os sujeitos com distorção. O índice ACI indicou que o GSTFSD teve o melhor desempenho, mostrando-se adequado para medir a competência articulatória. A pesquisa realizada indicou que as provas de Fonologia, as provas específicas para verificação da distorção, a palatografia e linguografia, os índices PCC, RDI e ACI podem contribuir para a precisão diagnóstica das alterações fonéticas presentes no transtorno fonológico e para o planejamento terapêutico. Contudo, seria interessante aplicar, principalmente, as provas específicas para verificação da distorção, a palatografia e linguografia, os índices PCC, RDI e ACI em um número maior de crianças, ampliando a faixa etária, a fim de complementar as informações obtidas até o presente momento sobre as distorções de fala em crianças com e sem transtorno fonológico.

 

 

Endereço para correspondência:
Luciana Amaro
R. Haia, 185
São Paulo – SP - CEP 03734-130
E-mail: fono_amaro@yahoo.com.br

 

 

Dissertação apresentada ao Departamento de Semiótica e Lingüística Geral da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Sociais da Universidade de São Paulo para obtenção do título de Mestre, sob a orientação da Profa. Dra. Haydée F. Wertzner.
Trabalho desenvolvido no Departamento de Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – USP – São Paulo (SP), Brasil.
Fonte de auxílio: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq.

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