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Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia

versão impressa ISSN 1516-8484versão On-line ISSN 1806-0870

Rev. Bras. Hematol. Hemoter. vol.31 no.5 São Paulo  2009

https://doi.org/10.1590/S1516-84842009000500001 

EDITORIAIS E COMENTÁRIOS EDITORIALS AND COMMENTS

 

Reatividade para a doença de Chagas: a importância de estudos locais

 

Reactivity for Chagas' disease: the importance of local studies

 

 

Claudia Di Lorenzo Oliveira

Médica, Professora da Universidade Federal de São João del-Rei - MG

Correspondência

 

 

No ano em que se comemora o centenário da descoberta da doença de Chagas, esta doença ainda se constitui um problema de Saúde Pública. De agosto de 1909, quando a doença foi descrita pela primeira vez, até hoje, muito se avançou no seu controle, diagnóstico e tratamento. Apesar disso, ainda existem lacunas no conhecimento que demandam estudos e pesquisas. (Kropf SP. Carlos Chagas e a descoberta de uma nova tripanossomíase humana. http://www.fiocruz.br/chagas/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=34. Acesso em 13-06-2009).

Atualmente, a Organização Mundial de Saúde estima que cerca de 12-14 milhões de pessoas estejam infectadas na América Latina pelo T. cruzi. Em 2006, o Brasil recebeu a certificação internacional da erradicação do Triatoma infestans, principal responsável pela transmissão vetorial em nosso meio, mas formas alternativas de transmissão ainda preocupam, como a transfusão sanguínea, congênita e, mais recentemente, através do consumo de caldo de cana e açaí contaminado com formas tripomastigotas.1

Esta preocupação também tem atingido países onde a doença sempre foi esporádica, mas a migração internacional dos países em desenvolvimento para os países desenvolvidos tem colocado a doença de Chagas nas suas agendas científicas, bem como o desenvolvimento de parcerias de pesquisa.

No que se refere à transmissão tranfusional, objeto de estudo de Fitarelli e Horn,2 vale a pena destacar a importância de estudos regionais e locais. Embora, a prevalência entre doadores esteja em torno de 0,44% em todo o Brasil, regiões endêmicas ainda possuem maior importância epidemiológica quando comparadas a outras regiões. Além da recusa maior de doadores devido a uma maior prevalência da doença de Chagas entre doadores, existe também o custo social que isso representa. Segundo Dias & Coura ("A doença de Chagas como problema do Continente Americano". http://www.fiocruz.br/chagas/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=134. Acesso em 13-06-2009), a doença contribui para um maior absenteísmo, aumento de custos previdenciários e médico-hospitalares.

No estudo realizado em Porto Alegre, Fitarelli e Horn3 estudaram 36.762 doadores, sendo que 150 (0,41%) foram inaptos. Observa-se que devido a algumas diferenças locais, a prevalência variou de 0% a 1,63%, sendo que, em 25 (0,06%) exames, os resultados foram inconclusivos, o que equivale a um percentual pequeno no universo de doadores. No entanto, o estudo mostra que alguns locais apresentam uma prevalência quase duas vezes maior do que outros, o que pode direcionar as ações de captação de potenciais candidatos, reduzindo a perda de doadores e melhorando a efetividade das ações de saúde.

 

Referências Bibliográficas

1. Massad E. The elimination of Chagas´ disease from Brazil. Epidemiol Infect. 2008 Sep;136(9):1153-64. Epub 2007 Dec 4. Review        [ Links ]

2. Fitarelli DB, Horn JF. Descarte de bolsas de sangue devido à reatividade para Doença de Chagas em um laboratório de triagem sorológica de doadores em Porto Alegre/RS. Rev. Bras. Hematol. Hemoter. 2009;31(5):310-314.         [ Links ]

 

 

Correspondência:
Claudia Di Lorenzo Oliveira
Rua Afranio Peixoto, 1584, apto. 304 - São José
35501-284 - Divinópolis-MG - Brasil

Recebido: 16/06/2009
Aceito: 30/06/2009

 

 

Avaliação: O tema abordado foi sugerido e avaliado pelo editor.

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