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Educação e Pesquisa

versão impressa ISSN 1517-9702

Educ. Pesqui. vol.39 no.1 São Paulo jan./mar. 2013

https://doi.org/10.1590/S1517-97022013000100016 

ENTREVISTA INTERVIEW

 

Como os indivíduos se tornam indivíduos? Entrevista com Danilo Martuccelli

 

 

Maria da Graça Jacintho Setton; Marilia Pontes Sposito

Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil. Contatos: gracaset@usp.br; sposito@usp.br

 

 


RESUMO

O objetivo desta entrevista é oferecer subsídios para o debate acerca dos desafios epistemológicos atuais da sociologia. Trata-se de uma rara oportunidade de dar voz a um pesquisador que mesmo se ocupando de temas europeus e específicos da realidade francesa, não deixa de ter um envolvimento com a realidade latino-americana. A entrevista concedida por Danilo Martuccelli, em outubro de 2012, foi realizada pelas professoras de sociologia da educação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, Maria da Graça Jacintho Setton e Marilia Pontes Sposito, a partir de um debate informal e cordial realizado ora por e-mail, ora presencialmente. Danilo Martuccelli é professor de sociologia da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Paris-Descartes (Sorbonne). É também membro do grupo de pesquisa CERLIS (Centre de recherches sur les liens sociaux), que pertence à mesma instituição. Nesta entrevista temos a exposição de um instrumental teórico e analítico que evidencia a integração das perspectivas micro e macrossociológica. Aproveitando-se de uma sólida leitura dos clássicos da sociologia a partir de um enfoque grupal ou individual, Danilo Martuccelli oferece um relato inspirador de como podemos nos apropriar de uma larga tradição teórica. Fazendo uso dessas reflexões, o depoimento põe em tela um debate contemporâneo no interior das ciências sociais, bem como garante a ampliação e a contextualização histórica e teórica dos processos de formação do social.

Palavras-chave: Sociologia - Estrutura social - Singularização - Individuação - Formações societárias contemporâneas.


 

 

Apresentação

 

 

Danilo Martuccelli é professor de sociologia da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Paris-Descartes (Sorbonne). Com uma produção notável - por volta de dez livros-solo e mais tantos outros em parceria, além de artigos em periódicos internacionais -, Martuccelli nasceu em 1964, no Peru, fez seus estudos de graduação na área de filosofia, na Argentina, e vive na França desde seu doutorado em sociologia, na década de 1980.

Inquieto e sensível aos desafios da sociologia na atualidade, tem-se dedicado já há algum tempo a fazer uma inflexão analítica rumo a uma sociologia da singularização. Não obstante, a centralidade epistemológica do indivíduo em suas análises sociológicas não faz com que ele abandone a preocupação maior da disciplina. Ao contrário, Martuccelli parece crer que é nesse diálogo entre estruturas histórico-sociais e experiências individuais que podemos abrir uma nova brecha interpretativa.

A seriedade e o entusiasmo pelo trabalho intelectual parecem ser ainda características importantes em sua obra. Sendo ele adepto de uma sociologia construída de modo artesanal, com uma produção que se renova a cada publicação e uma interlocução constante com seus companheiros de profissão, a leitura de seus trabalhos serve como inspiração para variadas formas de fazer sociologia.

O livro Sociologies de la modernité, de 1999, marca uma inflexão importante em seus trabalhos, sintetizando um mergulho denso nos principais autores do pensamento sociológico para, a partir desse diálogo, enfrentar os desafios impostos à sociologia dos séculos XX e XXI. Nessa obra, Martuccelli apresenta uma reflexão arguta e já delineia as principais características que marcarão os caminhos mais recentes de sua área de investigação e interesse. Ou seja, desde então, ele parece ter como inquietação desvelar as dificuldades da sociologia contemporânea em dar conta das experiências sociais vividas pelos indivíduos. Grosso modo, poderíamos afirmar que suas reflexões expostas nesse livro ocupam-se de três tradições ou matrizes teóricas que o acompanham até hoje. Estas seriam, primeiramente, as teorias que discutem a diferenciação social; em seguida, as teorias que se ocupam dos processos de racionalização; e, por fim, as teorias que se dedicam à condição moderna. Não obstante, o autor tem ciência de que tais tradições não são excludentes, mas por vezes dialogam entre si, sendo que todas elas oferecem, enfim, um instrumental analítico precioso.

É possível afirmar, ainda, que esse mergulho alimentou suas investigações posteriores. O trabalho de Martuccelli está marcado por uma vasta articulação de leituras, como atesta a variedade de temas pelos quais se interessa, todos sempre inspirados por uma preocupação maior: o desajuste entre interpretação sociológica e experiências individuais. Em seus diferentes livros, Martuccelli salienta os limites de uma sociologia tradicional que busca apreender o indivíduo com base em certa representação do mundo social. Para ele, uma leitura tradicional tenderia a conceber a significação e a trajetória das ações dos indivíduos deduzidas de sua posição e função em um domínio social constituído. De acordo com essa perspectiva, as condutas dos indivíduos seriam formadas e deformadas pelos agenciamentos das estruturas invisíveis que constituiriam as ações individuais; os sujeitos, por sua vez, seriam percebidos como produto imediato de um entrelaçamento de forças de origem social (MARTUCCELLI, 2002, 2007, 2010b).

Mesmo essa leitura estando em voga, Martuccelli (2007, 2010b) afirma que a situação atual obriga a repensar tal enquadramento, seja no continente europeu, seja na América Latina. Na realidade, a crise da ideia de agente ou ator social e a correspondência estrita entre trajetória social, processo coletivo e vivência pessoal exigiram da sociologia novos caminhos. Para Martuccelli, a questão do social não pode mais ser apreendida exclusivamente a partir das posições sociais, de um sistema de relações sociais ou de certa concepção de ordem social. A novidade relativa da situação atual, segundo ele, provém do fato de que daqui para frente, entre o vivido pelos atores e a linguagem dos analistas, a distância não cessa de crescer. Nesse sentido, as classes sociais deixam de ser o formidável princípio de unidade política, intelectual e prático da vida social. Os estudos sobre trajetórias e experiências individuais tornam-se hesitantes. As fronteiras entre os grupos sociais, sem desaparecerem, fazem dos percursos experiências fluidas. Além de tudo, de acordo com Martuccelli (2002), não existiriam universos fechados para os indivíduos, sendo difícil pensar os significados das ações ou suas determinações exclusivamente a partir da posição ocupada por um ator social em um contexto bem circunscrito.

Martuccelli lança-se, então, em trabalhos empíricos de investigação para pôr em prova sua tese de trabalho. Os livros Forgé par l'épreuve (2006) e La société singulariste (2010a), entre outros, apresentam ao leitor um esforço de manejar conceitos e um método de observação e análise a fim de construir um instrumental analítico. A partir de um diagnóstico de nossa época - a sociedade singularista -, sua busca é colocar em prática outra sensibilidade interpretativa por meio de um novo instrumental sociológico (MARTUCCELLI, 2010a). Abandonando fórmulas teóricas universais, ele nos convida a pensar sobre a realidade espacial e temporal específica de cada localidade segundo vivências históricas particulares, auxiliando-nos a compreender os mecanismos responsáveis pela fabricação de indivíduos em contextos variados (MARTUCCELLI, 2010b). Numa espécie de sociologia histórica, insiste que observemos a dinâmica societária, ou seja, os processos simultâneos de socialização e individuação como fundamentalmente históricos. Para ele, o indivíduo não está nunca - como erroneamente afirmam alguns - na origem da sociedade, mas é o resultado de um modo específico de fazer sociedade (MARTUCCELLI, 2010b).

Contudo, Martuccelli assevera que o desafio será sempre estabelecer o laço entre experiências pessoais e jogo coletivo. Sua proposta, assim, é de que o estudo do indivíduo deva ser hoje material de reflexão da sociologia. Segundo ele, se a individuação se produz na intersecção de uma diacronia e de uma sincronia, seria necessário, então, apreender em um nível biográfico os fatores que condensam uma situação histórica e social. A noção de épreuve - numa tradução literal, desafio ou dificuldade - consistiria em um operador analítico, pois permitiria religar processos estruturais, espaços e itinerários pessoais (MARTUCCELLI, 2006). Em outras palavras, Martuccelli (2006, 2010a) apresenta um original aporte teórico, oportunizando uma nova inflexão analítica.

Por fim, seria também interessante salientar que, embora a maioria de seus estudos se ocupe da sociedade europeia e especificamente francesa, suas reflexões são estendidas para o universo societário latino-americano. Ainda que seus temas possam ser qualificados como universais - por exemplo, os processos de individuação e os desafios estruturais da escolarização ou do trabalho -, o instrumental analítico que ele nos oferece é capaz de ser circunstanciado em vários contextos sociais.

Três publicações são reveladoras nessa direção. A primeira, Cambio de rumbo: la sociedade a escala del indivíduo (2007), e a segunda, Existen indivíduos en el Sur? (2010b), ambas publicadas no Chile pela Editora LOM, apresentam um diagnóstico da condição moderna e uma interpretação bastante inédita da realidade latino-americana. A terceira, lançada em 2012, também pela LOM, em pareceria com Kathya Araujo, e intitulada Desafios comunes: retrato de la sociedade chilena y sus indivíduos (tomos I e II), é resultado de uma ampla investigação realizada no Chile para discutir os processos de individuação e, assim, iluminar com análises empíricas as interpretações e inquietações presentes nos dois outros livros. Martuccelli tem desenvolvido trabalhos importantes com pesquisadores do Sul e, desde os anos 1990, mantém intercâmbio profícuo com a pesquisa que se realiza no Brasil no interior das ciências sociais e da educação. Seus estudos realizados em parceria com François Dubet sobre a escola constituem referências significativas para os pesquisadores brasileiros no âmbito da sociologia da educação desde os anos 1990. Os vários artigos publicados no Brasil e em revistas da América Latina examinam temas centrais que caracterizam os dilemas da escola contemporânea - autoridade, cidadania, identidades, socialização, entre outros -, sempre oferecendo uma contribuição criativa, densa e original para o debate.

 

Trayectoria académica y trabajo sociológico

Danilo Martuccelli, muchas gracias por concedernos esta entrevista. Tu trabajo es muy considerado en Brasil y ésta será una verdadera oportunidad de ampliar tu interlocución con el público universitario brasileño.

Eres razonablemente joven y posees una obra considerable. ¿Podrías hacer algunas consideraciones sobre tu trayectoria académica así como tu formación en filosofía en Argentina (U.N.C. Argentina -1985) y especialización en Sociología en Francia? (Doctorat de l'E.H.E.S.S. en 1991 e HDR, Université de Lille 3, 2004).

Gracias por lo de razonablemente joven. Nunca nadie me lo había dicho hasta ahora. La prueba que no debe ser tan cierto. Bromas aparte trato de contarles rápidamente mi trayectoria de formación. A comienzos de los años 1980, para un joven peruano que se interesaba por la literatura y la política, la filosofía podía aparecer, sin duda un tanto ingenuamente, como una disciplina que podía hacer el puente entre mis intereses intelectuales. Obviamente, no era el caso, pero a pesar de ello creo que, visto retrospectivamente, fue una buena decisión. Como también lo fue, en el fondo, ir a estudiar filosofía en Córdoba, Argentina. Algo que para algunos podría aparecer como una decisión descabellada se reveló como una de las grandes elecciones de mi vida. Mis estudios en Argentina coincidieron con la guerra de las Malvinas, el fin de la dictadura militar, la apertura del proceso de transición democrática, la primera derrota electoral del peronismo, la presidencia de Alfonsín, las Comisiones de la Verdad, y las desilusiones variables que rápidamente todos estos procesos engendraron. Todo sucedió muy rápido y con mucha intensidad. La experiencia me marcó tanto que muchos años después, y ya residiendo en Francia, realicé con Maristella Svampa una larga investigación empírica sobre el peronismo y sus transformaciones que dio lugar a La plaza vacía, publicado en 1997.

Pero regreso a mis años de formación. En este contexto político, lo importante no fue lo que aprendí en la Facultad de Filosofía y Humanidades, sino el estímulo amical, social e intelectual que descubrí en Argentina. ¿Qué me interesó de los estudios de filosofía? En verdad poco o nada, y ello en mucho a causa de la distancia con los profesores que tuve. Pero esa experiencia me transmitió un cierto gusto, interés y curiosidad por las ideas, y por la autoformación, que no he perdido con los años.

En todo caso, mis intereses se centraron sobre todo en la filosofía política, y al terminar la licenciatura, y con un conocimiento más amplio a la vez de lo que eran las ciencias sociales y de lo que no era la filosofía, me pareció evidente efectuar estudios de maestría y doctorado en sociología. La elección de hacerlo en Francia se debió, además de razones de interés intelectual por la obra de ciertos autores franceses, por una serie de razones biográficas.

Cuáles son los autores y las escuelas de pensamiento que marcaron tu formación académica? ¿Hay autores latinoamericanos que fueron importantes en tu formación?

En mis años de estudiante de filosofía, pero esto forma parte del retrato-robot de la generación de la que formo parte, la lectura de Marx era evidente, y en el marco de la apertura democrática argentina, habría que añadir la Escuela de Frankfurt y sobre todo Jean-Paul Sartre. En verdad, y para ser justos, mi horizonte intelectual en esos años era el marxismo occidental, y dentro de él, más el joven Marx humanista que el Marx científico del estructuralismo. Mis horizontes intelectuales y profesionales han variado pero el corazón de mi reflexión sigue en el fondo siendo el mismo. Una continuidad favorecida por el hecho de que jamás fui lo que entonces se llamaba un marxista, y mucho menos un militante político. Mi interés por el marxismo era intelectual y no una fe militante. En la época siempre me interesó leer a los críticos del marxismo, al punto que creo que no miento si digo que en esos años era una suerte de marxista liberal.

Pero esos intereses personales estaban radicalmente divorciados de lo que se estudiaba en la Universidad. El clima intelectual del departamento de filosofía era muy tradicional - los profesores progresistas eran a lo más neo-tomistas - y en este contexto de sofocación intelectual, Kant - ¡que se podía leer! - fue un autor importante en mi formación.

La filosofía vivía en esos años, a nivel internacional, el tránsito de la filosofía europea continental, y de la importancia de la historia en la reflexión filosófica, hacia la hegemonía de la filosofía anglosajona -las últimas grandes expresiones del positivismo lógico y sobre todo el triunfo, hoy tan visible, del pragmatismo. De todo ello, en Córdoba había muy poco eco en la institución, pero existía una verdadera ebullición estudiantil. Algunos amigos, por ejemplo, animaban un grupo de reflexión alrededor de la filosofa de las ciencias, en donde muchos de esos trabajos eran leídos y discutidos. Sin embargo, mis preocupaciones siempre se orientaron hacia la política y la sociedad.

El tránsito hacia la sociología se dio a través de los seminarios de un grupo particular de intelectuales en la EHESS. Alain Touraine que fue mi director de tesis, pero también Lefort, Castoriadis, Pécaut, o los seminarios más puntuales a los que asistí de Gauchet o Rosanvallon. En muchos de ellos, creo, es visible, incluso en términos polémicos, la tradición marxista e incluso la presencia de Sartre. A decir verdad, solo me formé como sociólogo después de mi tesis doctoral (en sociología), ya siendo investigador en el CNRS, y sobre todo en Bordeaux, en compañía de François Dubet, con quien terminé mi aprendizaje del oficio de sociólogo en una investigación sobre la experiencia escolar (A l'école, 1996), y en donde descubrí en verdad la tradición sociológica. En este proceso el encuentro con la obra de Talcott Parsons y de Erving Goffman fue muy importante. Creo que Sociologies de la modernité (1999) y la tesis que defiende el libro sobre la dialéctica entre la idea de sociedad y la experiencia de la modernidad, sintetiza esta trayectoria de lecturas.

Y ¿América Latina? Siempre ha estado muy presente en mi formación y en mi trabajo, en parte a través de mis lecturas literarias, pero también y sobre todo en la sincera admiración que tengo, y que sigo conservando, por lo mejor de su tradición ensayística. En el caso de América Latina creo que su tradición ensayística es incluso más original y de calidad que su tradición literaria. Hace unos años escribí con Anne Barrère un libro sobre la novela francesa contemporánea (Le roman comme laboratoire, 2009), pero no creo que dedicaría un trabajo así a la novelística latinoamericana. Por el contrario, y como lo atestiguan mis trabajos sobre América Latina, el acervo de conocimientos presentes en su tradición ensayística es una parte importante de mi formación y de mis lecturas desde mi adolescencia en Lima.

¿Cómo evalúas tu condición de sociólogo de origen latinoamericana trabajando en Francia? Has producido trabajos importantes en coautoría, ¿consideras que el ambiente francés es propicio para ese tipo de incursión? ¿Favorece el desarrollo de grupos de investigación? ¿Cuáles son tus contactos, sociedades e intereses con América Latina actualmente?

Lo más interesante de la pregunta reenvía, creo, una vez más a una experiencia generacional. Formo parte de una de las primeras generaciones de investigadores del Sur que, insertados profesionalmente en el Norte, trabajan temas sociales de países del Norte. Hasta ese momento, e incluso hoy en día en la mayoría de los casos, los investigadores del Sur solo trabajaban temas de sus propias sociedades nacionales. Mi tesis doctoral, la que se interesó por la acción colectiva en Europa suscitaba la más profunda sorpresa entre los otros estudiantes latinoamericanos en París, quienes trabajaban sobre su propia sociedad nacional. Creo que lo más interesante de lo que "mi" experiencia latinoamericana me da en el análisis de la vida social es fruto de esta descentralización. A diferencia de muchos latinoamericanos que creen que la modernidad está encarnada en las sociedades del Norte y que siguen leyendo América Latina, incluso con cierta ingenuidad, desde sus anomalías, la experiencia de casi 25 años de trabajo de campo en Francia (y puntualmente en Italia e Inglaterra) me ha dado una visión muy distinta.

Por lo demás mi forma de trabajo intelectual es muy artesanal. Una de las grandes posibilidades de ejercer la sociología en Francia es que, por el momento, hasta el momento, este tipo de ejercicio es institucionalmente posible. Quiero decir con esto que, salvo en mi fase de estudiante en doctorado, en un equipo dirigido por Michel Wieviorka, nunca he participado en ningún gran proyecto de investigación colectiva, internacional, con grandes fondos. Lo esencial de mis trabajos (de teoría social o de estudios empíricos) se ha hecho sin financiamiento, de manera solitaria o con la sola compañía de un cómplice de aventura (que eventualmente podía disponer de cierto apoyo financiero particular). En todas mis investigaciones empíricas (sobre el racismo, las políticas urbanas, la experiencia escolar, el populismo en Argentina, la individuación en Francia o en Chile, e incluso en el desarrollo del método extrospectivo), siempre hago personalmente lo esencial, sino la totalidad, del trabajo de campo. Del mismo modo, en lo que concierne a la redacción de mis libros de teoría social siempre se ha tratado de un trabajo solitario (jamás he tenido ningún asistente de investigación en ninguno de mis proyectos).

Les cuento esto con la mayor neutralidad posible. Sé que se pueden hacer excelentes estudios en equipos colectivos; sé que disponer de asistentes facilita y acelera muchas cosas; sé que trabajar con fondos es más fácil que hacerlo sin dinero; y también sé que se pueden escribir buenos estudios de campo delegando el trabajo empírico a los asistentes. Simplemente no es la manera como trabajo. En verdad, no veo cómo podría apoyarme en la ficha de lectura de un asistente para comentar un libro. Y en lo que concierne a la investigación sociológica, ésta se construye para mí durante el trabajo de campo. Necesito ver a las personas sobre las que escribo; mis intuiciones se forjan y corrigen en el va-y-viene del trabajo empírico y no veo cómo, en lo personal, podría delegar o privarme de este conjunto de informaciones. Lo anterior hace que tenga una experiencia de trabajo de campo mucho más importante y variada que la mayor parte de mis colegas sociólogos. Pero, no hago, como muchos de ellos lo hacen, de esta experiencia un principio de legitimidad intelectual y reconozco, a diferencia de tantos otros, la legitimidad de un discurso sociológico basado en la interpretación de una literatura secundaria (e incluso el posible interés intelectual de ensayos sobre la vida social).

En esta trayectoria, algo decisivo, han sido las aventuras intelectuales compartidas con distintos colegas. La singularidad solo es posible desde lo común. En cada uno de estos trabajos, la conversación intelectual, estrecha y frecuente, con esa asiduidad y esa complicidad tan particular que solo transmite una investigación conjunta, siempre me aportó cosas sustanciales -y espero haberlas aportado a los que me acompañaron en esos estudios. En cada experiencia, mi propia reflexión se nutrió de las obsesiones ajenas; descubrí mundos que ignoraba, entendí -desde adentro, o sea en compañía de otros- la fuerza de ciertas preguntas y la sustancia de tantas otras tradiciones.

En fin, en los últimos años he realizado dos trabajos conjuntos en América Latina. El primero con Bernardo Sorj - El desafío latinoamericano (2008)- es un informe sobre las dinámicas de la cohesión social y la democracia en la región. El segundo con Kathya Araujo - Desafíos comunes. Retrato de la sociedad chilena y sus individuos (2012) - es el resultado de una investigación empírica de varios años sobre el proceso de individuación en Chile.

Iniciaste tu carrera académica en los marcos de la teoría de la acción colectiva, examinando en tu doctorado el agir conflictivo. ¿Cómo ves actualmente ese trabajo?

Mi tesis doctoral, que nunca publiqué, defendida en 1991, fue un intento por analizar, desde el marco de las luchas sociales contemporáneas, la vigencia posible del proyecto moderno de hacer la historia. La noción de agir conflictivo, estudiado y construido esencialmente a través de dos estudios de caso (el ecologismo y el feminismo) fue lo que me sirvió de eje en ese esfuerzo, obligándome a desarrollar deslindes críticos con otras versiones del proyecto de hacer la historia construidos a partir del trabajo o de la comunicación. La conclusión de la tesis fue que a diferencia de lo que supuso la tradición historicista del sujeto colectivo, las luchas sociales solo pueden ser referentes sociales parciales de sentido. Lo anterior porque en cada periodo son solamente ciertos sistemas de relaciones sociales los que son objeto de crítica y de contestación conflictiva mientras que muchas otras relaciones sociales no logran ser conflictualizadas. La inteligencia autónoma y conflictiva de la sociedad sólo puede ser parcial.

En lo personal, mi tesis doctoral significó una triple toma de distancia con la tradición del marxismo occidental: (1) adhesión radical a la contingencia de la modernidad en contra de toda filosofía por secularizada que sea de la Historia; (2) abandono de la hermenéutica del trabajo - o sea, de la idea que la emancipación pasa necesariamente por el desvelamiento de las condiciones ocultadas y mistificadas de la producción; (3) ruptura, sin retorno, con el imaginario de la revolución y la idea de la existencia de un punto de quiebre y transformación radical de un sistema. Cuando terminé mi tesis doctoral, estaba persuadido del carácter definitivo de estos impases (lo sigo creyendo) y por ende sentí la necesidad, a la par que efectuaba estudios de campo sobre el racismo, la experiencia escolar o el populismo, de sumergirme en una lectura exigente, y durante muchos años, de la tradición sociológica. Esa fase intelectual, concluyó en lo personal, con la publicación casi diez años después de Sociologies de la modernité (1999) y Grammaires de l'individu (2002).

¿Cómo explicarías la transición de tus intereses, de una sociología dirigida hacia los actores colectivos hacia una sociología del individuo? ¿Cuál es el peso de tu formación filosófica en la definición de los antiguos y nuevos intereses de investigación?

La toma de conciencia de los impases del imaginario de la revolución, y más allá de él, del agir conflictivo como vía principal para producir un desvelamiento emancipador de las relaciones sociales fue un resultado inesperado de mi tesis. Pero, desde entonces, es una conclusión con la cual sigo concordando. Una posición de este tipo explica mi distancia hacia lo esencial del denominado pensamiento crítico de las últimas décadas: en todos ellos, lo que prima es la idea de la emancipación como brecha; una crítica que, de una u otra manera, se organiza siempre en torno a la apertura, a los flujos, a los eventos, a la creación, en breve, al movimiento más que a la institución. Esta deriva es muy notoria en el caso francés en la estela del pensamiento post-68, ya sea en Deleuze, Badiou, Derrida o Rancière, pero también lo es en otros lares como lo muestran las derivas del movimiento queer, la democracia radical y las estrategias arco-iris, la tesis de la Multitud, el imaginario de la alter-globalización. Inútil continuar citando ejemplos, estoy seguro que entienden lo que quiero decir. Mi distancia con estos trabajos es radical, esto es, se produce desde la raíz misma de lo que está en cuestión. La acción colectiva, y sobre todo el imaginario de la revolución, no es más, a mis ojos, la vía privilegiada ni del trabajo crítico ni de la emancipación política. Ya que me lo piden en términos filosóficos: el sujeto colectivo no me parece más la clave de la inteligencia de la sociedad.

Creo que este telón de fondo explica el carácter decepcionante de la sociología de las movilizaciones colectivas en los últimos veinte años. Las ganancias que, sin lugar a dudas, ha habido en la descripción y en el análisis efectivo de las luchas sociales (en términos de movilización de recursos, repertorios, oportunidades, medio de comunicación, marcos simbólicos) ha coincidido con la toma de conciencia de los límites del gran relato de la emancipación por la vía de la acción colectiva. Quiero decir que en este contexto los actores colectivos se desencantan, se vuelven un objeto sociológico como cualquier otro, y se descubre progresivamente que su capacidad para servir de herramienta de comprensión de la sociedad y sobre todo de las experiencias efectivas y ordinarias de los individuos es en el fondo, y en contra de lo que durante mucho tiempo se supuso, muy parcial y sesgada. Es en este sentido que el individuo, y sobre todo el proceso de individuación, me parecen la mejor opción para continuar, por otros medios, el trabajo crítico.

El horizonte es el mismo; la herramienta, distinta. La transición es entonces menos entre dos intereses de investigación que entre dos herramientas analíticas: el paso desde la subjetivación, y del rol emancipador que se le otorgó al sujeto colectivo, hacia la individuación y la capacidad a mis ojos mucho más grande que se le tiene que dar a los individuos para comprender los fenómenos sociales. En términos personales, la articulación entre estos dos momentos está marcada por la publicación en el 2001 de Dominations ordinaires. La tesis es simple: saber quién y cómo domina (la clase superior) y quiénes se movilizan colectivamente contra la dominación (luchas sociales) no permite dar cuenta, sino muy parcialmente, del conjunto efectivo de experiencias de dominación que viven los individuos. Solamente una ínfima parte de las experiencias de la dominación se transforman en lucha social. Debajo de esta pequeña punta del iceberg se encuentra lo esencial de la vida social. Pero, mientras que en el marco de mi tesis doctoral pensaba que se debía seguir privilegiando el agir conflictivo como herramienta de desvelamiento crítico de la sociedad, esta hipótesis (que sigue siendo mayoritaria en el denominado pensamiento crítico) me parece de ahora en más insuficiente.

Al hacer un balance de tu producción académica sería posible señalar momentos importantes, rupturas, desdoblamientos o transiciones? ¿Podrías situar algunos trabajos en esos marcos?

La continuidad biográfica es tal vez una ilusión pero no dejo de creer que en el recorrido que acabo rápidamente de contarles lo que prima es una adhesión y un interés "humanista". Esta preocupación tuvo una forma inicialmente literaria, luego se expresó en el marco del marxismo occidental y de los debates sobre el joven Marx, el existencialismo, por supuesto, y más tarde, y ya de manera tal vez más personal, en el marco de la sociología de la individuación. Sin embargo, dentro de esta continuidad de intereses, creo que intelectualmente el momento de inflexión más importante se da con la publicación de La consistance du social (2005). Ese libro condensa teóricamente los quince años de búsqueda intelectual que se abrieron después de mi tesis doctoral, jalonados por estudios de campo y por estudios de teoría social, y lo hace colocando en el corazón de la sociología el desafío de comprender un universo ontológico particular.

También es notable tu capacidad de articular temas y autores, sin embargo, tus inquietudes parecen conducirse hacia la especificidad de la condición moderna y los procesos de individuación. Entre los clásicos estás más cercano a Georg Simmel y Norbert Elias que a Émile Durkheim y Max Weber?

Las teorías sociales son herramientas de trabajo. El problema de la sociología - Wright Mills ha dado y para siempre la mejor caracterización posible - es lograr articular dimensiones colectivas con vivencias personales. Los clásicos que mencionan, todos ellos, están abocados sin lugar a dudas a esta preocupación. Pero, en el fondo, no es un rasgo privativo de los clásicos. Toda buena sociología, más allá de querellas inexistentes sobre los métodos o los niveles macro o micro, trata de lograr esta forma particular de inteligencia que permite comprender la dialéctica entre la vida individual y los tipos de sociedad. Cada cual, progresivamente, por razones diversas (que incluyen elementos biográficos, tradiciones intelectuales, momentos históricos) privilegia a veces una temática o un dominio de estudio, pero privilegia, por sobre todo, y en general, un operador analítico (las clases sociales, el proceso de racionalización, los movimientos sociales, las interacciones, el habitus). La buena sociología no es más macro que micro, puede ir muy lejos en las dos direcciones, puede subir o bajar sin ninguna dificultad puesto que lo que logra es justamente dar cuenta, desde una perspectiva particular, de la articulación entre la historia y la biografía. Creo que esto es el legado común de la tradición sociológica - una mirada particular sobre el mundo social. Y en este sentido, lamento que los clásicos sean muchas veces utilizados como un principio de legitimación de estrategias intelectuales o aún peor que se haya convertido en el monopolio académico de quienes se limitan a hacer pequeños comentarios sobre grandes autores. Para mí su función es otra: son el esperanto obligado contra la balcanización temática y las guerras de capillas; un acervo común. La teoría social no es otra cosa que la construcción de herramientas analíticas para responder a los grandes desafíos sociales e históricos de un período. El objetivo de la sociología es interpretar el mundo desde las relaciones sociales. Y los clásicos que mencionan, u otros, y más allá de los clásicos, la buena sociología apunta a guardar en vida esta tradición. En este sentido, todos los sociólogos, incluso si la fórmula del cocktail difiere, son weberianos y marxistas, durkheimianos y simmelianos.

¿Cómo evalúas las ganancias epistemológicas y los retos de la inflexión analítica para una sociología de la individuación? ¿Cuál la especificidad de este recorte analítico? ¿Cómo explicitar las diferencias relativas a un estudio psicológico o fenomenológico?

La sociología clásica siempre se interesó en las experiencias individuales. Sin embargo, nunca hizo de ellas, sino parcialmente en el caso de Simmel, el centro de la interpretación. No lo hizo porque la inteligencia de la sociedad se preorganizaba en los debates sociales y políticos en torno a la noción de clase social. El concepto toma significaciones distintas según las tradiciones sociológicas, pero en su origen es un término de la vida política que describe experiencias sociales ordinarias. La clase social fue, gracias a las luchas sociales realizadas en su nombre y a la expansión del aparato estadístico público, un horizonte de significado compartido: los actores comprendieron sus vidas desde ese horizonte.

La situación actual es distinta. Los individuos, a causa de un conjunto estructural de transformaciones, tienden cada vez más a percibir la vida social desde sus propias experiencias personales. Es desde ellas y a través de ellas como intentan comprender los fenómenos colectivos: una transformación que, como intenté mostrarlo a través de una investigación empírica en Forgé par l'épreuve (2006), exige un cambio de rumbo tanto en la manera de concebir la sociología como en el destinatario del trabajo sociológico. De ahora en más, es necesario que la sociología traduzca a nivel de las experiencias individuales los grandes desafíos colectivos de una sociedad. Ayer, este trabajo se realizó, en mucho, a través de la noción de clase social, hoy en día, creo, esta misma preocupación debe ser efectuada privilegiando los procesos estructurales de producción de los individuos.

La individuación, la pregunta por el tipo de individuo que es estructuralmente producido en una sociedad, tiene así varias grandes características: (1) en primer lugar, es una forma particular de macrosociología cuya vocación no es más describir cómo funciona una sociedad en su conjunto (diferenciación, sistemas, etc), sino que se interesa en dar una inteligencia de los fenómenos estructurales a escala de los individuos; (2) para ello, la individuación insiste en el carácter común de los desafíos que, en toda sociedad, deben enfrentar los individuos - cierto, cada cual les dará, en función de sus recursos, identidades y posiciones una respuesta singular, pero todos, dada la fuerza del proceso de racionalización y de movilización de las sociedades modernas, están condenados a enfrentar los mismos desafíos; (3) la individuación describe pues un proceso que varía sustancialmente entre sociedades pero también entre períodos históricos, lo cual abre a trabajos de sociología histórica comparada de un nuevo cuño; (4) la individuación en su vocación propiamente política intenta producir una inteligencia desde y a través de las experiencias personales de los grandes desafíos comunes de una sociedad, participando así a la comprensión crítica de los mismos y por esta vía al debate democrático.

O sea, en el estudio de la individuación existen dos momentos. Por un lado, es preciso dar cuenta de los grandes factores o de las principales pruebas estructurales que animan un modo histórico de individuación - lo que da lugar a una cartografía particular de una sociedad. Por el otro lado, permite estudiar el trabajo que, frente a estas pruebas, realiza desde una ecología social personalizada, cada actor individual. La dialéctica entre lo común y lo singular está pues en la base de la individuación. Sin embargo, en esta ecuación, y en el marco de la tradición sociológica, en el fondo, de lo que se trata es sobre todo de dar cuenta de las experiencias individuales desde la inteligencia de las estructuras. En esta vía de estudio, sin lugar a dudas, se cruzan reflexiones psicológicas o fenomenológicas, pero la problemática no es por ello menos distintiva: lo que retiene esencialmente la atención no es el desarrollo intrapsíquico o la pluralidad de las formas fenoménicas de la conciencia, sino la comprensión de las maneras en que los individuos lidian con grandes desafíos estructurales. El objetivo central del conocimiento son los desafíos estructurales; la inteligencia del individuo pasa por la inteligencia de la sociedad. Frente a la vía de la introspección, la individuación abre a una forma de conocimiento extrospectivo - la comprensión de sí pasa por la inteligencia de la sociedad.

¿Cuál es la diferencia entre una sociología del individuo y una sociología de la individuación? En tus libros afirmas que, paradójicamente, los estudios que se apoyan en los procesos de individuación, no tienen como punto de partida y de llegada el análisis del individuo. ¿Podrías explorar un poco más esta idea?

La sociología del individuo es la apelación con la que creo puede describirse un movimiento intelectual particular, perceptible en la sociología, desde hace varias décadas. En todo caso, es la apelación que hemos elegido con François de Singly para presentar este enfoque, y sobre todo las perspectivas que en este marco se han producido esencialmente en Francia, en un libro conjunto publicado en el 2009 (Les sociologies de l'individu). Dentro de las sociologías del individuo se distinguen diferentes estrategias según que se privilegien estudios desde las transformaciones observables a nivel de las instituciones, en el proceso de socialización, el lazo social, las identidades o, como lo hago en mis propios trabajos, el proceso de individuación.

En el caso de la individuación el objeto central de estudio son los procesos estructurales de producción de los individuos - lo que permite hacer de ella justamente el eje de un estudio macrosociológico. Allí donde, en el marco de la sociología clásica, el interés se centró casi exclusivamente en los grandes factores estructurales de la individuación (el modo de producción, la diferenciación social, la racionalización), en el marco de la nueva sensibilidad social organizada alrededor del individuo es preciso concebir operadores analíticos capaces de traducir a su escala los desafíos estructurales. Es lo que intento hacer con la noción de prueba o de desafío, y es lo que explica el sentido de la frase que ustedes evocan: en el comienzo del estudio sobre la individuación se encuentran los individuos (esto es, los actores y las maneras cómo éstos describen y viven sus experiencias) y en el final del proceso se encuentran también los actores (pero esta vez a través de las maneras como lidian frente a un conjunto estandarizado de grandes pruebas estructurales). Entre una y otra etapa, lo esencial del dispositivo de investigación se centra en discriminar, de manera inductiva, las pruebas estructurales específicas a un modo histórico de individuación. O sea, en el comienzo, se parte de los relatos y las experiencias de los individuos entrevistados, al final de la investigación, se llega a un conjunto estandarizado de pruebas comunes. Lo que se persigue es pues transitar desde la experiencia heterogénea de la vida hacia un modo histórico de individuación.

¿Tu noción de consistencia de lo social sería un operador analítico semejante a la noción de configuración de Norbert Elias?

Solo en parte y con una importante diferencia. A diferencia de otros trabajos de ontología social que por lo general privilegian las representaciones o la producción (el constructivismo), en mi trabajo me interesa preguntarme por las características ontológicas de la vida social desde la acción. Desde esta perspectiva, la consistencia de lo social define lo que me parece es la gran característica ontológica de la vida social - a saber, que en ella, siempre es posible actuar de otra manera. Esta posibilidad irreductible de acción no debe empero entenderse esencialmente como un atributo del actor (libertad, creación), sino como una posibilidad estructural constitutiva de la vida social - que diferencia, dicho sea de paso, el nivel social de la realidad de los niveles físico-químico, biológico o psicológico. Para dar cuenta de esta dimensión irreductible de la acción social suelo emplear las metáforas de la maleabilidad resistente o de la elasticidad: cuando actuamos la realidad es lo que resiste (las diversas coerciones que condicionan nuestras conductas), y al mismo tiempo suponemos, al menos imaginariamente, que existe en última instancia un límite infranqueable (el momento, para expresarlo metafóricamente, de un choque con la realidad). O sea, la acción social se desarrolla sorteando coerciones efectivas por un lado y postulando la existencia de un límite imaginario por el otro.

Frente a esta característica ontológica de la vida social, el trabajo específico de toda sociedad histórica consiste en reducir y en canalizar la elasticidad de la acción (en mucho gracias a las instituciones). Creo que es a este nivel que se emplaza la noción de configuración de Norbert Elias y la relación indisociable así descrita entre sociedad e individuo. Creo que la diferencia entre ambas nociones es visible a nivel de las metáforas: para Elias, la configuración, reenvía a las piezas en un tablero de ajedrez (cada pieza está determinada por el posicionamiento de las otras piezas) o los nudos de una red (es suficiente tirar de la malla para que todos los nudos se desplacen en la misma dirección). La consistencia, en su descripción primera, subraya una experiencia distinta: el hecho que siempre es posible actuar de otra manera. En el corazón de la diferencia, creo, está el hecho que la noción de consistencia reconoce de una manera distinta, y con consecuencias más radicales, la contingencia (la no necesidad) de la vida social a como lo hace Elias.

Esta distinción se encuentra bien reflejada en los trabajos de análisis que ambas nociones producen. En el caso de Elias, la noción -incluso si el concepto no está aún teorizado - se construye en el marco de su estudio sobre la sociedad cortesana, sobre todo Versailles, en lo que fue su primer gran estudio en 1933. En esta obra, la noción de configuración es una verdadera herramienta heurística que describe un conjunto estrecho y altamente programado y entrecruzado de conductas. Cuando Elias utiliza el concepto para otro tipo de relaciones sociales, creo que su valor heurístico es menos evidente, e incluso muy discutible como cuando analiza, con este concepto, hacia el final de su vida, las relaciones internacionales. La diferencia está en la naturaleza efectiva de las coerciones en acción: activas y fuertes en la sociedad cortesana (que en este sentido puede metafóricamente funcionar como un campo magnético), su veracidad y fortaleza es mucho más lábil tratándose de otros tipos de entramados sociales (algo que la noción de configuración impide justamente analizar). Es esta apertura intrínseca y permanente de la vida social que es subrayada en el caso de las consistencias sociales; resultado: incluso en universos organizacionales altamente estructurados (empresas, escuelas, familias) el análisis de las consistencias subraya los márgenes y las iniciativas de los actores frente a las coerciones.

¿En esa misma línea de raciocinio han existido acercamientos entre la noción de l'épreuve y las nociones de coacción/control de las emociones de Elias?

La pregunta me permite continuar mi respuesta anterior. Es porque Norbert Elias formula su visión histórica de la modernidad occidental en torno a la hipótesis de un poderoso proceso de civilización teorizado en el marco de la racionalización (tanto a nivel del control pulsional, como de la violencia) que en sus trabajos subraya con tanta fuerza la centralidad del proceso de autocontrol de las emociones. Una vez más, no hay que perder de vista el hecho que sus estudios se inscriben en la doble descendencia de las intuiciones de Freud y de Weber. En el núcleo del trabajo de Elias se encuentra la visión de una demanda cada vez más impositiva de autocontrol hacia los individuos a medida que el proceso histórico se desarrolla y, progresivamente, el reconocimiento creciente de las manifestaciones de des-civilización que esto produce. Si debería expresarlo con mis términos, y creo que sin hacer violencia a Elias, su obra es un ejemplo de una sociología de la individuación construida alrededor de grandes factores estructurales (las reglas de cortesía y la etiqueta, el monopolio de la violencia legítima por los Estados) que, globalmente, es poco sensible a las variaciones de las experiencias individuales dentro de este proceso, y que es sobre todo poco sensible al trabajo efectivo que frente a estas prescripciones efectúan los distintos individuos. Por supuesto, Elias supone (en verdad, muchas veces presupone) las emociones, positivas y negativas, que los individuos padecen frente al proceso de civilización pero es poco atento, en el fondo, al trabajo efectivo y diferencial de los individuos. Incluso el estudio inconcluso sobre Mozart presenta este rasgo: el dilema de Mozart, a pesar de la riqueza de elementos biográficos evocados, se reduce a la tensión suscitada entre por un lado, el deseo del artista-genio libre que vive de su arte, y por el otro, la realidad de la dependencia de un músico de la corte.

La noción de prueba se inscribe en un diagnóstico histórico distinto. La clave se encuentra menos en la racionalización que en lo que presento en La société singulariste (2010) como el proceso de singularización. Un proceso observable a nivel de la producción industrial, las instituciones, las sociabilidades, las identidades, y tras él, y producido estructuralmente por él, la afirmación de una sensibilidad social que le da a las experiencias personales una nueva función en la composición social y política de las sociedades contemporáneas. Una sensibilidad que le otorga, así, una importancia mayor y distintiva a los individuos y que invita a la sociología a dar cuenta sobre nuevas bases del lazo entre las estructuras y los actores. Es a esto a lo que apunta la noción de prueba (y en este sentido, la noción análoga en el sistema de Elias es, me parece, la de configuración). Las pruebas son desafíos estructurales que varían históricamente. Su vocación es describir las distintas formas que estos desafíos toman en las sociedades diferenciadas actuales, lo que implica que las pruebas presenten rostros distintos según los ámbitos sociales y que no puedan ser, como lo presupone Elias, todas ellas similares (la prueba en el trabajo difiere de la prueba de la relación con los otros, por ejemplo). Por lo demás, frente a estas pruebas estructurales se observa una gran diversidad de respuestas posibles a nivel de los actores sociales. Las pruebas son desafíos y no determinismos - lo que supone una atención particular y distintiva al trabajo de los individuos. Es a través de pruebas comunes como se producen individuos singulares.

¿Cuáles tus próximos proyectos o planes de investigación? ¿Cuáles serían tus interlocutores actuales?

En los próximos años espero poder efectuar investigaciones en tres direcciones distintas. En primer lugar y es el proyecto en el cual trabajo actualmente, intento explorar la consecuencia de algunas de las ideas expuestas en La consistance du social desde la perspectiva de una sociología histórica, preguntándome por las maneras por las cuales en distintos períodos se construyen los límites con la realidad. La realidad es lo que resiste, pero para analizar esta resistencia es preciso entenderla en el marco de la dialéctica entre las coerciones y el límite imaginario, tratando de comprender bajo qué modalidades concretas la función dirimente de la realidad ha sido ejercida por la religión (y las entidades invisibles), luego la política (y la jerarquía natural), más tarde, y ya en la modernidad, la economía (y el carácter ineluctable de su mecánica factual), y cómo progresivamente esta función se le otorga a la ecología (y al imaginario de los umbrales y catástrofes ecológicas).

En segundo lugar, espero poder efectuar una investigación empírica (entrevistas individuales y sesiones de discusión grupal) sobre las significaciones y los desafíos políticos que acarrea el actual proceso de singularización. Lo central será comprender bajo qué modalidades la crisis de la noción de mundo común puede ser compensada por la noción de vida común - una noción que traduce en términos políticos los desafíos de la individuación actual y el modo particular por el que las pruebas describen este proceso. Más simple: repensar lo político a través de la articulación entre lo común y lo singular.

Y en tercer lugar, y en prolongación de un ensayo de sociología histórica sobre los individuos en América Latina - ¿Existen individuos en el Sur? (2010) - quisiera explorar la manera por las que el proceso de individuación puede convertirse en la puerta de entrada para una sociología histórica comparada entre sociedades del Sur y del Norte de un nuevo tipo, e incluso, entre sociedades modernas y tradicionales. La hipótesis es simple: todas las sociedades, en todos los períodos, producen estructuralmente individuos (cualquiera que sea la manera de concebirlos y de figurarlos), y es desde este proceso común como deben diferenciarse distintas vías históricas de la individuación. En este marco, el moderno individualismo institucional occidental, y el rol mayor que en esta versión se le dio al sujeto, no es sino una de las variantes, y por lo demás históricamente tardía, de un proceso universal y estructural de individuación.

Para finalizar, ¿podrías apuntar las principales cuestiones que afectan la Sociología francesa contemporánea? ¿Está en crisis? ¿Hay diferencias en relación a la producción anglosajona?

La sociología siempre está en crisis, ¡y sería alarmante que no lo esté hoy en Francia! Bromas aparte, creo que la sociología francesa enfrenta hoy un conjunto de desafíos que tienen que ver con el descenso del uso del francés en el mundo académico, con dificultades de inserción profesional de los jóvenes sociólogos, con una cierta crispación identitaria alrededor de ciertos métodos o conceptos, y añadiría una crisis propiamente intelectual (muchos de los debates sociológicos no interesan más, no al gran público, eso jamás fue cierto, pero a un público digamos amplio de lectores que tienden, en todo caso, en el contexto francés a prestar un mayor interés a la economía, a la filosofía y en parte a la historia).

En lo que concierne a la comparación con la tradición anglosajona antes de responderles les recuerdo la desproporción de lo que se compara. Por un lado, si solamente se toma los Estados Unidos (al cual habría que añadirle por supuesto otros países de lengua inglesa) se trata de un mundo académico con cerca de cuatro mil universidades. En el caso francés son solo 85 universidades públicas, A ello habría que añadirle, por supuesto, entre otras cosas, importantes diferencias presupuestarias, de estructuras, de bibliotecas, de soportes de publicación y, sin duda, la existencia de un público lector mundial cada vez más amplio capaz de leer en inglés.

Pero todo esto, en el fondo, y a pesar de lo importante que es, no me parece lo esencial para el futuro de la sociología francesa. Digo bien para la sociología francesa, aun cuando en verdad, lo que digo podría afirmarse también a propósito de otras situaciones nacionales (incluso me parece que un conflicto larvado de este tipo es también visible en la sociología brasileña actual).

La sociología francesa vive una tensión entre dos grandes tendencias. La primera privilegia el artículo en revistas científicas como el principal vehículo de comunicación de los resultados, progresivamente incluso de preferencia en lengua inglesa, y comparte en el fondo un ideal acumulativo del saber en las ciencias sociales que se traduce por una especialización intensiva en temas y problemáticas y en la repetición de los protocolos de investigación. Sin que pueda reducirse esta tendencia al modelo anglosajón, me parece que es la tendencia hoy dominante en la academia estadounidense en donde se privilegian cada vez más los grandes proyectos colectivos de investigación, la repetición acumulativa de los resultados, la sobre-especialización temática y a veces - no siempre - una inquietud por la utilidad práctica del saber más afirmada. En Francia hay, hoy en día, partidarios decididos y activos de esta vía, y no solo entre los más jóvenes.

La segunda tendencia intenta prolongar lo que ha sido hasta ahora la especificidad de la tradición sociológica francesa (y podría incluso decir europea): una disciplina basada en autores, que privilegia el libro y su escritura en lenguas vernáculas (el francés), que diferencia el conocimiento sociológico tanto del ensayismo como del cientificismo, y que conserva la vocación de dar con representaciones de conjunto de la vida social. Para evitar caricaturas: existen en los Estados Unidos departamentos, y autores, que defienden esta tradición intelectual.

Creo que una de las grandes dificultades de la sociología francesa actual es de encontrarse entre estas dos aguas. En verdad, en medio de un conflicto entre dos orientaciones tanto intelectuales como institucionales. En efecto, más allá de lo aleatoria que es la existencia de buenas o malas generaciones, lo importante es comprender el lazo que las generaciones (y los tipos de sociología que se desarrollan) tienen con sus condiciones de producción. En el caso francés, y en mucho europeo, por lo general se privilegió un modelo institucional de producción de autores, como lo atestiguan las antiguas cátedras pero también los antiguos laboratorios en torno a un programa fuertemente identificado a un director. Sin desaparecer, esta tendencia ayer hegemónica, y a veces incluso única, tiende a ser desplazada por la otra vía. Creo que una parte importante del futuro de la sociología francesa, y sobre todo de su identidad futura, se juega en este conflicto. En lo personal, no creo que la sociología francesa pueda tener éxito en la categoría de los Blockbusters, pero sí creo que hay, como en la producción audiovisual europea, espacio para un cinema/sociología de autor. ¡De más está decirles hacia donde van mis preferencias de artesano intelectual!

Para finalizar, siguiendo el argumento de tu livro Forgé par l'épreuve, ¿podrías hacer algunas consideraciones sobre el desafío de escolarización en los procesos de individuación en la actualidad? ¿Cómo las nociones de desigualdad y diferencia podrían ser productivas en la interpretación de ese proceso?

La prueba escolar es, sin lugar a dudas, un elemento importante del actual proceso de individuación, pero no siempre fue el caso. Este ejemplo permite diferenciar entre una sociología de ciclos de vida y una sociología de la individuación por las pruebas: si casi todo el mundo va a la escuela por doquier, esta experiencia no es siempre una prueba significativa en un proceso de individuación. En el caso de la sociedad francesa, como lo estudiamos con François Dubet, la escuela no fue una prueba mayor del proceso de individuación hasta fines de los años 1950 puesto que la escolarización era una experiencia temporal relativamente breve para muchos franceses y, sobre todo, porque el proceso de selección y reproducción social se hacía independientemente de ella. Por el contrario, la escuela es hoy una prueba central en esta realidad. Por un lado, porque los años de estudios no han cesado de aumentar (se calcula que las jóvenes generaciones que ingresan hoy al sistema educativo francés estudiarán entre 18 y 20 años en promedio).

Por el otro lado, porque su significado en términos de trayectoria y destino social es decisivo debido a que, en mucho, la asignación de una posición social se obtiene durante la escolarización. En el caso chileno, como lo estudiamos con Kathya Araujo, la escuela tiene una incidencia cada vez más importante en el proceso de individuación, pero lo hace esencialmente bajo la forma de una prueba más amplia que caracterizamos como la prueba del mérito. La centralidad de la escuela en la sociedad chilena actual no solo refleja la aparición de nuevas estrategias de reproducción familiar y de movilidad social sino que también se inscribe en el imaginario de una sociedad que, a causa de la doble revolución neoliberal y democratizadora, hace del mérito su principal horizonte de justicia. En la consecución del mérito se establece así una tensión entre la puerta légitima - la escuela - y el atajo - el recurso a las redes y a los contactos.

En lo que concierne a la desigualdad y la diferencia, permítanme introducir un tercer término: la singularidad. Los desafíos a la escuela no son los mismos. Los dos primeros se inscriben en el marco del imaginario de la igualdad. Las desigualdades comprueban los límites de la igualdad, e implican políticas correctivas en nombre del ideal igualitario. En el fondo, la situación es similar en el marco de la diferencia: el objetivo sigue siendo la igualdad, pero se piensa que para lograrla es preciso que el sistema educativo trate de manera diferencial a los individuos (por razones socio-económicas, socio-culturales, handicaps...). La singularidad abre a un universo distinto y constituye por ello un desafío mucho más consecuente. La realización de la singularidad introduce criterios inconmensurables de evaluación, desliga el objetivo de toda lógica de comparación o de competencia, y supone que las instituciones sean capaces no solamente de tener en cuenta las diferencias entre los individuos con el fin de obtener la igualdad, sino también que las instituciones traten de manera personalizada, y a veces en función de objetivos singulares y distintos entre sí, a los individuos. Sin que se abandonen las discusiones en torno a la desigualdad y la diferencia creo que en los años venideros progresivamente los debates sobre la justicia escolar estarán marcados por el sello de la singularidad.

 

Referências

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Bibliografia disponible en Español o en Portugués

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Livros em parceria:

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Capítulos de libros:

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Publicaciones en francés

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Libros en parceria

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Maria da Graça Jacintho Setton
É professora associada livre-docente da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo.

Marilia Pontes Sposito
É professora titular em Sociologia da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo.

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