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Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil

Print version ISSN 1519-3829On-line version ISSN 1806-9304

Rev. Bras. Saude Mater. Infant. vol.6  suppl.1 Recife May 2006

https://doi.org/10.1590/S1519-38292006000500007 

ARTIGOS ORIGINAIS ORIGINAL ARTICLES

 

Associação de fatores de risco para doenças cardiovasculares em adolescentes e seus pais

 

Risk factors for cardiovascular diseases in adolescents and their parents

 

 

Marcelo José Fernandes de Lima MendesI; João Guilherme Bezerra AlvesII; Ane Victor AlvesIII; Pollyanna Patriota SiqueiraIV; Emilses Fernandes de Carvalho FreireIV

IEscola de Educação Física. Universidade Estadual de Pernambuco. Recife, PE, Brasil
IICoordenação de Ensino. Instituto Materno Infantil Prof. Fernando Figueira, IMIP. Rua dos Coelhos, 300. Boa Vista. Recife, PE, Brasil. CEP: 50.070-550
IIIUniversidade Católica de Pernambuco. Recife, PE, Brasil
IVInstituto Materno Infantil Prof. Fernando Figueira, IMIP, Recife PE, Brasil

 

 


RESUMO

OBJETIVOS: verificar a agregação familiar de fatores de risco para doenças cardiovasculares, observando freqüência de excesso de peso e obesidade, sedentarismo, tabagismo e hipertensão arterial.
MÉTODOS: estudo transversal com 421 adolescentes, alunos da rede pública de ensino da cidade do Recife, e com seus pais. O protocolo de avaliação consistiu de um questionário estruturado, antropometria e aferição da pressão arterial. As associações das variáveis foram verificadas pelo teste do qui-quadrado.
RESULTADOS: foram avaliados 421 adolescentes (173 do sexo masculikno e 248 do sexo feminino (média de idade 16,0 ± 0,7 anos). Demonstrou-se excesso de peso e obesidade em 7,8% dos adolescentes, 18,8% dos pais e 19,8% das mães. Sedentarismo foi detectado em 41,5% dos adolescentes, 61,0% dos pais e 61,7% das mães. Hábito de fumar foi observado em 7,8% dos adolescentes, 14,7% dos pais e 13,0% das mães. Hipertensão ocorreu em 11,4% dos adolescentes, 20,3% dos pais e 10,2% das mães. Fatores de risco nos pais ou nas mães estiveram associadas com maior freqüência desses mesmos fatores nos filhos, exceto hipertensão arterial.
CONCLUSÕES: há correlação familiar entre obesidade, tabagismo e sedentarismo confirmando a influência da família nesses fatores de risco para as doenças cardiovasculares.

Palavras-chave: Adolescente, Arterioesclerose, Obesidade, Tabagismo, Hipertensão, Doenças cardiovasculares


ABSTRACT

OBJECTIVES: to determine family risk factors aggregation for cardiovascular diseases focusing on overweight and obesity, sedentary lifestyle, smoking and arterial hypertension in adolescent groups and their parents.
METHODS: cross sectional epidemiological study of 421 adolescents, students of the public school system in the city of Recife and their parents. Sample calculation based in the lower expected prevalence of the variables studied. Assessment protocol consisted of a structured questionnaire, anthropometry and arterial pressure reading. Variables association analysis performed by the chi-square method.
RESULTS: 421 adolescents were assessed (173 males and 248 females; age median 16.0 ± 0.7 years old) overweight and obesity in 7.8% adolescents, 18.8% of fathers and 19.8% of mothers. Smoking habits were noted in 7.8% of adolescents, 14.7% of their fathers and 13.0% of their mothers. The presence of these risk factors in fathers and mothers have been associated with a higher frequency of these same factors in their children exception made related to arterial hypertension.
CONCLUSIONS: a family correlation between obesity, smoking and sedentary lifestyle were determined, a finding consistent with other previous studies, confirming the significant influence of the family in the risk factors for cardiovascular disease.

Key words: Adolescent, Arteriosclerosis, Obesity, Smoking, Hypertension, Cardiovascular diseases


 

 

Introdução

As doenças cardiovasculares são responsáveis por mais de 1/3 das mortes no Brasil. As lesões vasculares que acompanham essas afecções estão associados à ateroesclerose. Dentro de sua multicausalidade, muitos dos fatores de risco para essa afecção tais como obesidade, sedentarismo, hipertensão arterial e tabagismo, têm raízes na infância e apresentam efeitos aditivos na vida adulta.1,2

A obesidade é um problema crescente na infância, chegando a atingir entre 25 a 30% da população infantil nos países ricos.3 No Brasil, o excesso de peso e a obesidade já atingem mais de 30% da população adulta. A obesidade é acompanhada de uma maior morbidade e uma menor longevidade, estando fortemente associada a afecções, como hipertensão arterial, diabetes mellitus, problemas ortopédicos, disfunção psicosocial, entre outras. A obesidade na infância está associada com obesidade na vida adulta: 50 a 65% dos adultos obesos eram crianças ou adolescentes obesos.4 Entre os adultos obesos, aqueles que já apresentavam excesso de peso na infância, apresentam uma menor resposta terapêutica quando comparados com aqueles que se tornaram obesos na vida adulta.5 Estudos com gêmeos e crianças adotadas têm demonstrado que a obesidade não é simplesmente uma tendência hereditária, mas sofre forte influência do ambiente,6 embora a obesidade dos pais parece ser um importante fator de risco.

A ausência de atividade física é um hábito de aquisição relativamente recente na história da humanidade, sendo o sedentarismo um fator de risco independente para as doenças cardiovasculares.7 Programas de atividade física propiciam uma série de benefícios à saúde, como um melhor controle da obesidade, da hipertensão arterial, do diabetes mellitus, da hipercolesterolemia, da osteopenia, além de proporcionar melhora da função cognitiva e da auto-estima. O hábito da prática de exercícios físicos, quando estabelecido na infância, apresenta maiores chances de perdurar na vida adulta.8 Entretanto, são poucos os estudos concernentes à influência dos hábitos paternos, em relação a prática de atividade física sobre os filhos.

O controle do tabagismo é uma das medidas que do ponto de vista da saúde coletiva, provocaria maior impacto na redução das taxas de morbimortalidade das doenças cardiovasculares. O hábito de fumar começa geralmente na adolescência; nos Estados Unidos, diariamente cerca de 3000 adolescentes fumam pela primeira vez, sendo a idade média de 10,7 anos entre os meninos e 11,4 anos nas meninas.9 A aquisição desse hábito na adolescência parece sofrer importante influência das pessoas que os cercam. Alguns estudos apontam para uma maior probabilidade de tabagismo entre os filhos de pais fumantes.7

A hipertensão arterial atinge, no Brasil, mais de 20 milhões de pessoas. Evidências recentes apontam que a hipertensão arterial, dita primária ou essencial, tem início na infância, e inquéritos em escolares mostram que 2 a 3% das crianças já apresentam níveis elevados de pressão arterial sistólica e diastólica.7 Dentre os fatores de risco já conhecidos para o desenvolvimento da hipertensão arterial, como a hereditariedade, o baixo peso ao nascer, o sedentarismo, o estresse e o elevado consumo de sal, não se sabe bem ainda a partir de que idade esses fatores passam a determinar elevação da pressão arterial.10,11

Apesar dos elevados investimentos para o controle das afecções cardiovasculares, as taxas de morbimortalidade têm sofrido poucas modificações nas últimas décadas. Os melhores resultados foram com programas direcionados às mudanças de hábitos maléficos à saúde das pessoas, tais como: combate às dietas ricas em colesterol, ao sedentarismo, à obesidade e ao tabagismo.12-15 Hábitos saudáveis podem ser a chave para o controle dessas afecções. Entretanto, mudanças de maus hábitos à saúde, já instalados na vida adulta, são objetivos difíceis de serem atingidos devido à fraca aderência da população alvo. Por outro lado, hábitos saudáveis adquiridos na infância que se perpetuem na vida adulta podem contribuir para a prevenção primária das doenças cardiovasculares. Dessa forma, é justificado o estudo da influência dos pais para o desenvolvimento, nos filhos, de obesidade, sedentarismo, hipertensão arterial e tabagismo principais fatores de risco para as doenças cardiovasculares.

 

Métodos

Realizou-se um estudo descritivo, transversal, no qual foi investigada a presença de algumas variáveis consideradas fatores de risco para doenças cardiovasculares, em pais e em seus filhos adolescentes. A população alvo foram adolescentes que freqüentavam três colégios da rede pública na cidade do Recife, sendo a pesquisa desenvolvida entre agosto de 2004 a março de 2005.

Foram admitidos à pesquisa adolescentes com idade compreendida entre 14 a 19 anos, cursando a quinta e sexta série do segundo grau, desde que tivessem os pais vivos e residissem com eles. Adolescentes portadores de deficiência física ou de doença crônica foram excluídos da pesquisa.

O tamanho da amostra foi de 421 adolescentes, e foi calculado adotando-se um erro alfa de 5% e um poder de 80%. Considerou-se um valor p<0,05 para rejeição da hipótese nula.

Para cada adolescente selecionado foi preenchido um protocolo, sendo realizadas as aferições do peso e altura. A mensuração da pressão arterial foi realizada conforme a técnica recomendada pelo "Task Force Reference"; os pais que faziam uso de medicamento para o controle da pressão arterial foram rotulados como portadores de hipertensão arterial.

Foram considerados como portadores de obesidade os adolescentes com um índice de massa corpórea (IMC) acima de 30 e com excesso de peso, um IMC entre 26 e 30. Sedentarismo foi definido como ausência de prática de atividade física ao menos por 30 minutos diários e cinco dias por semana. Foram conceituados como hipertensos os indivíduos que apresentavam pressão arterial sistólica e diastólica acima do percentil 90 para a idade. As pessoas que fumavam mais de um cigarro por dia foram consideradas como tabagistas.

Para a análise das variáveis foram utilizados o teste de McNemar e a "odds ratio" para verificar a intensidade de associação entre os fatores de risco.

O protocolo da Pesquisa foi aprovado pela Comissão de Ética em Pesquisa do Instituto Materno Infantil Prof. Fernando Figueira (IMIP). Os dirigentes das instituições de ensino selecionadas, os pais e seus filhos adolescentes foram informados, antecipadamente, acerca da importância, dos objetivos e da metodologia da pesquisa. Só participaram do estudo os pais e adolescentes que assinaram o "Termo de Consentimento Livre e Esclarecido".

 

Resultados

Dos 421 adolescentes, 173 (41,0%) eram do sexo masculino e 248 (59,0%) do sexo feminino. Houve recusa de participação na pesquisa por parte de 26 adolescentes e 11 pais. A idade dos participantes variou de 14 a 19 anos com média de 16,02 ± 0,77 anos. Foram observados 36 adolescentes (8,5%) com excesso de peso e 2 (0.4%) com obesidade.

Na Tabela 1 observa-se a freqüência de obesidade na amostra com associação significante (p<0,001) entre pais e filhos.

 

 

Na Tabela 2 verifica-se que houve associação entre a presença de sedentarismo no pai ou na mãe com a falta de atividade física no filho adolescente.

 

 

Na Tabela 3 verifica-se tambem a associação entre o hábito de fumar dos pais, das mães e dos filhos adolescentes (p<0,001).

 

 

Na Tabela 4 encontra-se a freqüência de hipertensão arterial nos pais, nas mães e nos filhos adolescentes, não tendo sido observada associação significante entre os grupos.

 

 

Discussão

As atuais evidências indicam que o processo ateroesclerótico tem início na infância, sendo a sua gravidade diretamente proporcional ao número de fatores de risco apresentados pelo indivíduo.8,16 Os fatores de risco presentes nas crianças e adolescentes tendem a persistir na vida adulta.2,15 Por esse motivo, a prevenção das doenças cardiovasculares, principal causa de morte no Brasil e no mundo, deve ter início na infância e na adolescência, com a identificação precoce dos seus fatores de risco e as condições que propiciam a sua instalação.7,17,18

A prevalência de sobrepeso encontrada, neste estudo, entre adolescentes (8,2%), assim como nos seus pais (19,3%), foi semelhante à observada nas regiões Sudeste e Nordeste do Brasil por vários autores.8,19 Freqüências mais elevadas de excesso de peso e obesidade têm sido descritas em populações de renda mais elevada, o que não foi o caso do presente estudo, pois a casuística aqui estudada foi de alunos da rede de ensino pública, com renda média familiar pertencentes as classes B e C, segundo o Critério de Classificação Econômica Brasil. Whitaker et al.20 observaram que as crianças que são admitidas na escola com excesso de peso, especialmente aquelas que tem o pai ou a mãe obesos, têm uma elevada probabilidade de se tornarem adultos obesos. Ramos de Marins et al.,21 em estudo na cidade do Rio de Janeiro, observaram uma forte associação do estado nutricional materno com excesso de peso em crianças e adolescentes, sugerindo que os programas de prevenção da obesidade sejam focados na família. Os fatores genéticos relacionados com a obesidade podem justificar em parte os achados de uma maior prevalência de sobre-peso nos filhos de pais com sobrepeso. Entretanto, os fatores ambientais associados com a obesidade, especialmente os maus hábitos alimentares e o exemplo da inatividade física, servem como exemplos dos pais, freqüentemente seguidos pelos seus filhos. A obesidade tende a se agregar em famílias não só pelo fator genético, mas também por se compartilhar um mesmo ambiente.20 Outros fatores que propiciam o surgimento do sobrepeso ainda não foram bem estudados, como por exemplo, a preferência por determinados alimentos e a influência dos fatores emocionais. Também no aspecto terapêutico da obesidade na infância, a atitude dos pais parece ser decisiva. Kanda et al.13 observaram, em estudo de coorte, que aqueles pais obesos que conseguiram redução do peso influenciaram positivamente seus filhos no controle do sobrepeso.

O hábito de fumar cigarros tem sido identificado como um grande problema de saúde pública e causa de morte prematura evitável através da prevenção. O tabagismo entre estudantes dos níveis médio e fundamental no Brasil tem variado de 1 a 34%.9 A baixa freqüência de tabagismo observada em nosso estudo (7,5%) pode estar sub-dimensionada, uma vez que esse dado foi obtido através da aplicação do formulário por um dos pesquisadores, sendo possível que alguns alunos, especialmente ao saberem que seus pais também estavam participando da pesquisa, omitissem essa informação. Por outro lado, as campanhas anti-tabaco promovidas pelo governo federal no Brasil nos últimos anos, podem estar determinando uma redução nesse hábito. No presente estudo, esse hábito foi cerca de duas vezes mais elevado nos pais (homens) do que nos filhos. Os achados aqui descritos, hábito de fumar mais comum entre os filhos adolescentes de fumantes, têm sido descritos em vários estudos realizados em diversas regiões do mundo.6,22,23 Apesar de algumas pesquisas apontarem que o início desse hábito, geralmente durante a adolescência, tem como principal motivo a imitação dessa conduta dos amigos, a presença de tabagismo entre os pais representa uma motivação importante para o estabelecimento do hábito.22 Wen et al.24 em recente estudo em Taiwan observaram que os hábitos paternos de tabagismo foram mais influentes na decisão de seus filhos escolares fumarem cigarros do que a influência dos amigos na escola. A aceitação desse hábito pelos pais, além de oferecer um fácil acesso ao cigarro, é importante facilitador para a instalação do tabagismo entre escolares e adolescentes.

A atividade física apresenta uma série de efeitos benéficos ao organismo, sendo recomendada como uma importante estratégia de promoção da saúde.11 Entretanto, vários estudos no Brasil e no mundo, apontam para um elevado índice de sedentarismo em todos os grupos etários, variando de 50 a mais de 80%.5,19,25 Utilizamos no presente estudo a definição de sedentarismo recomendada pela Organização Mundial de Saúde. Essa definição, entretanto, deixa de lado as horas de atividade física gastas em trabalho e transporte. A prevalência de sedentarismo foi praticamente a mesma entre os pais e os filhos. Entretanto, entre os filhos de pais sedentários a inatividade física foi mais freqüente, o que mais uma vez corrobora a importância do comportamento dos pais na formação dos hábitos de seus filhos. Vários estudos demonstram resultados semelhantes aos nossos, como o de Krassas et al.,14 na Grécia, Paterno26 na Argentina, Giugliano e Carneiro5 no Brasil. Esses efeitos parecem apresentar consequências pois Osler et al.27 observaram que os filhos de pais fisicamente ativos, continuavam com menor risco de sedentarismo 15 anos após. Já Trudeau et al.28 não observaram associação entre os níveis de atividade física dos pais com os dos filhos.

Reconhece-se hoje que a hipertensão arterial primária, essencial, tem início na infância.1 Vários estudos de prevalência em crianças e adolescentes têm mostrado resultados que variam de 0,5% a 15%.1,19 No presente estudo, os achados (9,8%) são semelhantes aos de vários outros trabalhos, indicando a necessidade de uma maior atenção dos profissionais de saúde que assistem crianças e adolescentes para a aferição da pressão arterial, mesmo entre aqueles pacientes assintomáticos, pois a hipertensão arterial essencial na infância e na adolescência cursa habitualmente sem sintomas. Entre os pais, a freqüência de hipertensão arterial também foi semelhante a de outros estudos em regiões como o Nordeste do Brasil. Em nossa casuística, não observamos, com esse fator de risco para as doenças cardiovasculares, uma agregação familiar. Diferentemente, outros estudos tem detectado também com esse fator de risco, essa agregação. Elias et al.10 observaram níveis mais elevados de pressão arterial, assim como um perfil lipídico mais alterado, em filhos de pais hipertensos. Fuentes et al.2 confirmaram a presença da agregação familiar na etiopatogenia da hipertensão arterial. Em estudo de follow-up de crianças e adolescentes, por 27 anos, van den Elzen et al.29 verificaram que quando o pai ou a mãe tinham a pressão sistólica acima do percentil 97, a pressão sistólica dos filhos era aumentada em 2,7 mmHg aos 45 anos de idade; quando ambos, pai e mãe, tinham pressão sistólica aumentada, o incremento era de 8,5 mmHg.

Foi verificado no presente estudo uma correlação familiar entre obesidade, tabagismo, sedentarismo e hipertensão arterial, achado consistente com outros estudos prévios, confirmando a influência significativa da família nesses fatores de risco para as doenças cardiovasculares. Intervenções para o desenvolvimento de hábitos alimentares e estilo de vida saudáveis, prevenindo esses fatores de risco para as doenças cardiovasculares, devem ter início na infância e adolescência, com o objetivo de reduzir a incidência dessas doenças crônicas na vida adulta.

 

Agradecimentos

Ao Instituto Materno Infantil Prof. Fernando Figueira (IMIP) pelo suporte e ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, CNPQ pela bolsa do Programa de Iniciação Científica.

 

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Recebido em 15 de outubro de 2005
Versão final apresentada em 28 de março de 2006
Aprovado em 2 de abril de 2006

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