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Neotropical Entomology

versão impressa ISSN 1519-566Xversão On-line ISSN 1678-8052

Neotrop. Entomol. v.30 n.2 Londrina jun. 2001

https://doi.org/10.1590/S1519-566X2001000200022 

COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA

Ocorrência de Perigonia lusca (Fabr.) (Lep.: Sphingidae) em Erva-Mate (Ilex paraguariensis) no Brasil

 

LUIS F.A. ALVES1, DALVA L.Q. SANTANA2 E ROSE MEIRE C. BRANCALHÃO1

1Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, UNIOESTE, Rua Universitária, 2069, 85.814-110, Cascavel, PR.
2Embrapa Florestas, Estrada da Ribeira, km 111, 83411-000, Colombo, PR.

 

 

Occurency of Perigonia lusca (Fabr.) (Lep.: Sphingidae) in Ilex paraguariensis Plantation in Brazil

ABSTRACT – This is the first register of Perigonia lusca (Fabr.) (Lep., Sphingidae) in Ilex paraguariensis plantation in Brazil.

KEY WORDS: Insecta, looper, defoliator.

 

RESUMO – Este é o primeiro registro de Perigonia lusca (Fabr.) (Lep.: Sphingidae) em erva-mate no Brasil.

PALAVRAS-CHAVE: Insecta, lagarta, desfolhador.

 

 

A cultura da erva-mate (Ilex paraguariensis) a partir dos anos 70 sofreu grande alteração na forma de cultivo, passando do extrativismo para cultura intensiva, alcançando no Brasil a extensão de 770.000 ha. Assumiu, assim, um importante papel econômico na Região Sul do Brasil, movimentando aproximadamente 100 milhões de dólares e mais de 700.000 empregos diretos e indiretos (Anuário Brasileiro da Erva Mate 1999).

O adensamento de plantas causou grandes alterações no ecossistema e com isso, verificou-se um considerável aumento da artropodofauna associada à cultura (Penteado 1995). No Brasil, mais de uma centena de espécies de insetos estão associadas à erva-mate (Silva et al. 1968, Iede & Machado 1989), porém, devido aos índices populacionais muito baixos, poucas podem efetivamente ser consideradas pragas. Dentre as pragas que ocorrem na erva-mate, a broca (Hedipathes betulinus) (Klug) (Col.: Cerambycidae), caracteriza-se como a principal, causando perdas consideráveis na cultura, em razão dos danos às plantas adultas (Penteado 1995). Com o aumento dos plantios homogêneos de erva-mate, outras pragas têm-se destacado. Dentre elas, os ácaros têm se tornado mais freqüentes em diversas regiões do Paraná e Rio Grande do Sul e seus danos cada vez mais severos (Santana et al. 1997).

Apesar de a cultura ser sujeita a ataques de lagartas desfolhadoras pertencentes às famílias Arctiidae, Saturniidae, Megalopygidae, entre outras, Thelosia camina (Schaus) (Lep.: Arctiidae) e Hylesia sp. (Lep.: Hemileucidae) são as mais prejudiciais no Brasil (Penteado 1995).

Na Argentina, Perigonia lusca (Fabr.) (Lep.: Sphingidae) é considerada praga da erva-mate (Trujillo 1995). Entretanto, a despeito de sua ocorrência no Brasil, não tem sido registrada na cultura da erva-mate. Todavia, segundo alguns produtores das regiões Oeste e Sudoeste do estado do Paraná, tem sido comum a ocorrência de surtos populacionais, com ataques severos, porém concentrados em reboleiras, chegando algumas plantas com desfolha de quase 100% nos ponteiros, principalmente no final da primavera e início do verão.

As lagartas foram coletadas diretamente das plantas, em áreas comerciais nos municípios de Laranjeiras do Sul (altitude 900 m, latitude 25º 24' S; longitude 52º 24' W-GR), São Mateus do Sul (altitude 760 m, latitude 25º 52' S; longitude 50º 23' W-GR) e Cascavel (altitude 800 m, latitude 24º 58' S; longitude 53º 26' W-GR). Foi também feita amostragem de pupas no solo, para as quais também se analisou a distribuição em relação à planta. As pupas foram coletadas, escavando-se o solo ao redor da planta, até a profundidade de 20 cm e num raio de 1,5 m da planta, anotando-se a distância de cada pupa em relação à planta. Os exemplares foram levados ao Laboratório de Entomologia do Centro Nacional de Pesquisa de Florestas até que atingissem a fase adulta. Posteriormente foram encaminhados ao Centro de Identificação de Insetos Fitófagos (CIIF), da Universidade Federal do Paraná, onde também estão depositados na coleção entomológica.

Características Gerais. Os ovos são subesféricos, esbranquiçados, de aproximadamente 1 mm de largura; colocados isoladamente sobre os brotos terminais. Lagartas verde-amareladas, com faixa dorsal longitudinal branca ou escura e áreas laterais com finas listras amareladas. Oitavo segmento abdominal um prolongamento de coloração avermelhada, o que lhes confere o nome comum de "lagarta-rabuda". Comprimento máximo: 60 mm. Adultos acinzentados, com faixas escuras nas asas anteriores e com uma mancha amarela na asa posterior. Envergadura: cerca de 50 cm (Cool & Saini 1992).

Ainda segundo esses autores, na Argentina, é considerada um dos principais desfolhadores da cultura, alimentando-se unicamente de folhas de erva-mate. Contudo, há informações sobre a ocorrência de P. lusca na Venezuela (Chacín & Clavijo 1995) e na Costa Rica, em plantas da família Rubiaceae (Guettarda macrosperma e Calycophyllum candidissimum). No Brasil, já foi registrada na cultura do café, na cidade de Linhares, estado do Espírito Santo (Martins & Bragança 1989, Fornazier et al. 1995).

Devido à coloração que se confunde com as folhas, é difícil a localização das lagartas nas plantas de erva-mate, o que leva à constatação tardia da praga, quando os danos já são expressivos, sendo comum se observar ramos completamente desfolhados.

Neste momento, é possível encontrar as pupas enterradas no solo, onde passam o inverno dentro do casulo feito pela larva. Os adultos surgem principalmente na primavera e são de hábito noturno e desenvolvem-se pelo menos duas gerações anuais durante a primavera e verão, podendo ser observada uma terceira no outono. Verificou-se que as pupas encontravam-se no solo, ao redor das plantas, na área de projeção da copa, distanciando-se, em média, 40 cm delas, distribuindo-se igualmente entre os quadrantes (leste, oeste, norte e sul) e sempre pouco profundas ou superficiais, cobertas com pequena camada terra e matéria orgânica da própria planta.

Por se tratar de nova praga, ainda desconhecida da maioria dos produtores de erva-mate no Brasil, tornam-se necessários estudos de dinâmica populacional, comportamento e identificação dos inimigos naturais, que permitirão estabelecer as épocas e a melhor forma de controle.

 

Agradecimentos

A Mirna Martins Casagrande e Olaf Hermann Hendrik Mielke (CIIF/UFPR) pela identificação da espécie e ao Prof. Dr. Roberto Antonio Zucchi (ESALQ/USP) pela leitura e sugestões no manuscrito.

 

Literatura Citada

Anuário Brasileiro da Erva Mate. 1999. Santa Cruz do Sul, Editora Gazeta, 64p.        [ Links ]

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Coll, O. R. de & E.D. Saini. 1992. Insectos y acaros perjudiciales al cultivo de la yerba mate en la Republica Argentina. Montecarlo: INTA. Estação Experimental Agropecuária de Montecarlo, 48p. (INTA. Publicação, 1).        [ Links ]

Fornazier, M.J., V.L.R.M. Benassi & D.S. Martins. 1995. Pragas, 68-81. In E.B. Costa (coord.), Manual técnico para a cultura do café no Estado do Espírito Santo. Vitória, SEAG-ES, 35p.        [ Links ]

Iede, E.T. & D.C. Machado. 1989. Pragas da erva-mate (Ilex paraguariensis St. Hil.) e seu controle. EMBRAPA/CNPF. Colombo. Boletim de Pesquisa Florestal 18/19. 66p.        [ Links ]

Martins, D.S. & S.M. Bragança. 1989. Ocorrência de Perigonia lusca (Fabricius, 1777) em café conilon (Coffea canephora) no Norte do Estado do Espírito Santo. In Congr. Bras. Pesq. Cafeeiras, 15. Maringá, PR: IBC, 1989. Resumos. Maringá, 1989. p. 11-16.        [ Links ]

Penteado, S.R.C. 1995. Principais pragas da erva-mate e medidas alternativas para o seu controle. in: Erva-mate: biologia e cultura no cone sul, 109-120. In H. Winge, A.G. Ferreira, J.E.A Mariath & L.C. Tarasconi (eds.), Erva-mate: biologia e cultura no Cone Sul. Porto Alegre, Ed. da Universidade, 356p.        [ Links ]

Santana, D.L.Q., C.H.W. Flechtmann, J.M. Milanez, J.M.S. Medrado, S.H. Mosele & L.A. Chiaradia. 1999. Principais características de três espécies de ácaros em erva-mate, no Sul do Brasil. 17/1997, Dez.97, 1-2. Embrapa Florestas, Colombo. (Comunicado Técnico), 2p.        [ Links ]

Silva, A.G. da., C.R. Gonçalves, D.M. Galvão, A.J.L. Gonçalves, L. Gomes, N.N. Silva & L. Simoni. 1968. Quarto catálogo dos insetos que vivem nas plantas cultivadas do Brasil, seus parasitos e predadores. Rio de Janeiro: Min. Agricultura, tomo 1, pt. 2, 622p.        [ Links ]

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Recebido em 05/07/2000. Aceito em 02/10/2000.

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