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Neotropical Entomology

Print version ISSN 1519-566XOn-line version ISSN 1678-8052

Neotrop. Entomol. vol.34 no.1 Londrina Jan./Feb. 2005

https://doi.org/10.1590/S1519-566X2005000100015 

CROP PROTECTION

 

Atratividade e não-preferência para oviposição de Bemisia tabaci (Genn.) biótipo B (Hemiptera: Aleyrodidae) em genótipos de feijoeiro

 

Atractiveness and oviposition nonpreference of Bemisia tabaci (Genn.) biotype B (Hemiptera: Aleyrodidae) for bean genotypes

 

 

Maria A. de G. OrianiI; José D. VendramimII; Rogério BrunherottoIII

IDepto. Ciências Biológicas, UNIFEOB, Av. Octávio da Silva Bastos, S/N, 13870-000, São João da Boa Vista, SP
IIDepto. Entomol., Fitopatol. e Zool. Agrícola, ESALQ/USP, C. postal 9, 13418-900, Piracicaba, SP
IIIFESB, Av. Francisco S. Lucchesi Filho, 770, C. postal 183, 12900-000, Bragança Paulista, SP

 

 


RESUMO

A mosca-branca é um dos insetos mais prejudiciais à cultura do feijoeiro, devido principalmente à intensa sucção de seiva elaborada e à transmissão do vírus do mosaico dourado. O uso de cultivares resistentes a esse inseto é uma ferramenta importante no seu controle. Foi testada a preferência para oviposição de Bemisia tabaci (Genn.) biótipo B em 20 genótipos de feijoeiro. Nos ensaios com chance de escolha, os materiais foram divididos em dois lotes de 10 genótipos, com 10 repetições de uma planta/vaso, dispostas em gaiolas de 80 x 50 x 50 cm, cobertas com voil e infestadas com 1.000 moscas-brancas durante quatro dias. Nos ensaios sem chance de escolha, realizaram-se 20 repetições de um folíolo (genótipos em melhoramento e cultivares) ou de um trifolíolo (genótipos selvagens) recém-expandido por gaiola e infestados com 25 casais de moscas-brancas durante 48h. Nos ensaios com chance de escolha, verificou-se que os genótipos G13028, Arc 5s, Arc 1s, G11056, Arc 3s apresentaram as menores oviposições e os menores índices de preferência, variando de -91,9 a -78,6, enquanto Arc 1 (+33,0) teve o maior índice. Nos ensaios sem chance de escolha, os menores números de ovos/folha foram observados nos genótipos G13028 (28,2), Arc 3s (37,6) e G23425E (39,0), enquanto que o genótipo mais preferido teve 105,0 ovos/folha (Bolinha). O genótipo selvagem G13028 foi altamente resistente (não-preferência para oviposição) a B. tabaci biótipo B. Destacaram-se também como resistentes, os genótipos Arc 3s, Arc 5s e G11056; já Bolinha, Arc 1 e Arc 4 mostraram-se altamente suscetíveis à mosca-branca.

Palavras-chave: Insecta, Phaseolus vulgaris, mosca-branca, antixenose


ABSTRACT

Whitefly is one of the most harmful pests that attack bean crops, mainly for extracting large quantities of phloem sap and transmitting the bean golden mosaic virus. Resistant germoplasm plants can be an important method for controlling this pest. The oviposition preference of Bemisia tabaci biotype B for 20 bean genotypes was tested. In a free-choice test, the genotypes were divided into two plots of 10 replicates. The bean plant pots were set up in a randomized design in a cage (80 x 50 x 50 cm) covered by nylon netting and infested with 1.000 adults during four days. No-choice test was carried out with 20 replicates where one newly expanded leaflet from bred genotypes and cultivars or one leaf from wild genotypes, was placed in a cage infested by 25 pairs of whiteflies during 48h. In free-choice tests, the genotypes G13028, Arc 5s, Arc 1s, G11056, Arc 3s presented the smaller oviposition and preference index, varying from -91.9 to -78.6, while Arc 1 (+33.0) had greater index. In no-choice tests, smaller number of eggs/leaflet were observed in genotypes G13028 (28.2), Arc 3s (37.6) and G23425E (39.0), whereas the most preferred had 105.0 eggs/leaflet (Bolinha). The wild genotype G13028 was highly resistant (oviposition nonpreference) toward B. tabaci B biotype. The wild genotypes Arc 3s, Arc 5s and G11056 were also resistant. The Bolinha, Arc 1 and Arc 4 genotypes were highly susceptible to whitefly oviposition.

Key words: Insecta, Phaseolus vulgaris, whitefly, antixenosis


 

 

O Brasil é considerado um dos maiores produtores mundiais de feijão, Phaseolus vulgaris L., que é uma das principais fontes protéicas da dieta do brasileiro. A mosca-branca, Bemisia tabaci (Genn.) é um dos insetos mais prejudiciais a essa cultura. Os danos causados estão principalmente relacionados à grande extração de seiva elaborada e à transmissão do vírus do mosaico dourado do feijoeiro. Esse vírus vem ocasionando danos em porcentagens variáveis às lavouras de feijão, com perdas variando de 40% a 100% da produção (Faria & Zimmermann 1987, Faria et al. 1994).

Atualmente, grandes perdas na produção de hortaliças, feijão, soja, amendoim, algodão e várias plantas ornamentais (Lourenção & Nagai 1994, França et al. 1996, Oliveira & Farias 2000) têm sido associadas ao ataque do biótipo B de B. tabaci, introduzido no Brasil na década de 90.

Várias diferenças biológicas têm sido relatadas para os dois biótipos de Bemisia. O biótipo B coloca significativamente mais ovos (Bethke et al. 1991, Costa & Brown 1991), ingere maior quantidade de seiva da planta e conseqüentemente, elimina maior volume de honeydew (Byrne & Miller 1990) e possui maior quantidade de hospedeiros quando comparado com o biótipo A de B. tabaci (Bedford et al. 1994). Também provoca desordens fisiológicas nas plantas, como: o prateamento das folhas em Cucurbita spp. (Segarra Carmona et al. 1990, Yokomi et al. 1990, Costa & Brown 1991), o amadurecimento irregular dos frutos em tomateiro (Schuster et al. 1990) e aparecimento de listras brancas no caule de cucurbitáceas (Brown et al. 1991).

O uso de cultivares resistentes pode ser uma ferramenta importante no manejo integrado da praga. Altos níveis de resistência à mosca-branca foram relatados para genótipos selvagens de feijoeiro, Arc 3s e Arc 5s, que contêm arcelina em suas sementes. Tais materiais apresentaram resistência do tipo não-preferência para oviposição (Oriani & Lara 2000a) e não-preferência alimentação e/ou antibiose (Oriani & Lara 2000b), com relação a B. tabaci biótipo B.

Assim, este trabalho teve como objetivo avaliar a preferência para oviposição de B. tabaci biótipo B por 20 genótipos de feijoeiro.

 

Materiais e Métodos

Os ensaios de preferência foram conduzidos no Laboratório de Resistência de Plantas a Insetos do Departamento de Entomologia, Fitopatologia e Zoologia Agrícola da ESALQ/USP, à temperatura de 23 ± 2ºC, umidade relativa de 70 ± 10% e fotofase de 13h.

Foram avaliados 20 genótipos de P. vulgaris, sendo 13 genótipos selvagens (Arc 1s, Arc 3s, Arc 5s, G11025C, G11056, G12856, G12856B, G12857, G12895, G13028, G23425C1, G23425C6, G23425E), quatro genótipos em melhoramento (Arc 1, Arc 2, Arc 3, Arc 4) e as cultivares (Porrillo 70, IAPAR MD 808 e Bolinha). Para a semeadura, foram utilizados sacos plásticos, contendo três partes de terra, uma parte de areia e uma parte de composto orgânico. As plantas foram irrigadas, diariamente, durante o andamento dos ensaios e mantidas em estufa. A adubação foi realizada no dia da semeadura nos níveis recomendados para a cultura.

A criação de mosca-branca iniciou-se a partir de uma população de B. tabaci (biótipo B) adquirida no Instituto Agronômico de Campinas, sendo os insetos criados em soja, amendoim-bravo e bico-de-papagaio, dentro de estufa com telado tipo anti-afídeo.

Ensaio com Chance de Escolha. Neste ensaio, os materiais foram divididos em dois lotes: lote 1 - Arc 1s, Arc 3s, Arc 5s, Arc 1, Arc 2, Arc 3, Arc 4, Porrillo 70 e IAPAR MD 808; lote 2 - G11025C, G11056, G12856, G12856B, G12857, G12895, G13028, G23425C1, G23425C6 e G23425E. A cultivar Bolinha (testemunha) foi incluída nos dois lotes. A distribuição dos genótipos por lote foi feita de acordo com a disponibilidade dos materiais no momento do início dos ensaios.

O delineamento experimental foi em blocos ao acaso, com 10 repetições de uma planta por vaso (estágio de desenvolvimento IV-1: primeira folha trifoliada completamente expandida), para cada um dos genótipos de feijoeiro do lote 1 e do lote 2. Para a análise estatística, foram aplicados os testes F e de Tukey, a 5% de probabilidade.

Antes da infestação, retiraram-se as folhas cotiledonares de todos os materiais, e um folíolo de cada folha trifoliada dos materiais em melhoramento (Arc 1, Arc 2, Arc 3 e Arc 4) e das cultivares (Porrillo 70, IAPAR MD 808 e Bolinha). Desta forma, homogeneizou-se a área foliar dos diferentes genótipos de feijoeiro a serem avaliados, uma vez que os materiais selvagens possuem área foliar menor que os demais materiais.

As plantas foram dispostas ao acaso, em gaiolas de 0,80 x 0,50 x 0,50 m, cobertas com voil. Cada gaiola (bloco) foi infestada com cerca de 1.000 adultos de mosca-branca que tiveram chance de escolha entre os genótipos de feijoeiro utilizados.

Após quatro dias, foi avaliado o número de moscas-brancas em cada genótipo. Todos os folíolos das plantas foram coletados e com auxílio de um microscópio estereoscópico, contou-se o número de ovos presentes na página abaxial dos mesmos. Posteriormente, foram medidas as áreas foliares dos materiais avaliados, para determinar o número de ovos por centímetro quadrado.

Como estes ensaios foram realizados com os genótipos de feijoeiro divididos em dois lotes (lote 1 e lote 2), mais a testemunha (Bolinha), aplicou-se um índice de preferência para todos os genótipos testados, calculado pela fórmula:

[(A B) / (A + B)] x 100

onde A é o número de ovos no genótipo considerado, e B, o número de ovos na testemunha. Desse modo, o índice, que varia de +100 (preferência total) a – 100 (não-preferência total), permitiu a comparação entre todos os genótipos testados. Para a análise estatística desse parâmetro, utilizou-se o Intervalo de Confiança (overlap) a 5% de probabilidade.

Ensaio sem Chance de Escolha. Neste ensaio foram testados os mesmos genótipos do ensaio com chance de escolha, com exceção de C23425C6, devido à falta de sementes deste material, o que inviabilizou a sua utilização. O delineamento do experimento foi em blocos ao acaso, com 20 repetições de um folíolo (genótipos em melhoramento e cultivares) e de um trifolíolo (genótipos selvagens) recém-expandido por gaiola, para todos os genótipos de feijoeiro. A utilização de um trifolíolo para os genótipos selvagens teve como objetivo homogeneizar a área foliar entre os materiais avaliados. Para a análise estatística, foram aplicados os testes F e de Tukey, a 5% de probabilidade.

Foram utilizadas gaiolas de plástico transparente de 16 cm de altura e 13 cm de diâmetro, com tampo e fundo plástico. No tampo, um orifício de 6 cm de diâmetro, coberto com tela anti-afídeo, permitia a aeração da gaiola. Em seu interior, uma mangueira plástica (5 cm de comprimento) cheia de água destilada era presa em um suporte plástico junto à parede interna da gaiola, onde foi colocado o folíolo/trifolíolo. Um orifício lateral permitia a introdução dos insetos infestantes. Cada gaiola com um folíolo/trifolíolo de feijoeiro foi infestada com 25 casais de mosca-branca durante 48h. Passado esse período, foi registrado o número de insetos vivos e o número de ovos nas superfícies abaxial e adaxial de cada folíolo. Mediu-se também a área foliar dos feijoeiros testados.

 

Resultados e Discussão

Ensaio com Chance de Escolha. No primeiro lote de genótipos testados, pode-se observar que os genótipos Arc 5s, Arc 1s e Arc 3s atraíram menos moscas-brancas, enquanto os genótipos Bolinha, Arc 1 e Arc 4 atraíram os maiores números de insetos (Tabela 1). Os materiais menos atrativos à mosca-branca, Arc 5s, Arc 1s e Arc 3s, apresentaram também número de ovos menor (54,9; 59,3 e 72,5 ovos/planta) e diferiram significativamente dos genótipos mais atrativos, Arc 1, Arc 4 e Bolinha (1.194,2; 693,6 e 609,0 ovos/planta, respectivamente) (Tabela 1).

Considerando-se a oviposição de B. tabaci por área foliar, os materiais selvagens, Arc 1s, Arc 3s e Arc 5s (0,7, 0,9 e 1,1 ovos/cm2) novamente apresentaram os menores números de ovos diferindo significativamente do genótipo Arc 1 (9,4 ovos/cm2).

Com relação ao número de insetos atraídos por planta no segundo lote (Tabela 2), os genótipos G13028, G11056, G23425E, G12857 e G12856 (11,6, 17,8, 22,2, 30,8 e 32,5 insetos/planta, respectivamente) diferiram significativamente dos genótipos Bolinha, G12856B e G23425C6 (135,5, 88,4 e 78,6 insetos/planta), que foram mais atrativos a B. tabaci.

Quanto ao número de ovos, o Bolinha atraiu mais moscas-brancas e teve, conseqüentemente, maior número de ovos/planta e por área foliar (1.831,3 ovos/planta e 11,9 ovos/cm2, respectivamente). Em oposição, os genótipos menos atrativos (G13028 e G11056) foram menos ovipositados (82,2 e 204,3 ovos/planta e 0,9 e 2,4 ovos/cm2, respectivamente), diferindo estatisticamente do Bolinha (Tabela 2).

Oriani et al. (2005) também observaram maior preferência de B. tabaci biótipo B pelo genótipo Bolinha (4,8 ovos/cm2) em ensaio com chance de escolha; entre os menos preferidos, relacionaram G13028, G11025C, IAPAR MD808, G23425E e Arc 5s (médias variando de 1,1 a 1,5 ovos/cm2). Relataram também que a maior preferência para oviposição da mosca-branca pela cultivar Bolinha pode resultar do grande número de tricomas aciculares longos (tipo A1) presentes neste material. O contrário foi considerado quanto ao genótipo menos preferido, G13028, que possui principalmente tricomas unciformes curtos (tipo B3). Peña et al. (1993) também verificaram que B. tabaci manifestou preferência pelos genótipos de feijoeiro com tricomas aciculares mais longos (27-R e PC-50), enquanto aqueles que possuíam tricomas aciculares mais curtos (A-429 e o DOR-303) tiveram as menores oviposições. Já Oriani & Lara (2000a) relataram que a preferência para oviposição de B. tabaci biótipo B pela cultivar Bolinha poderia estar associada ao grande número de tricomas aciculares presentes em suas folhas, porém os autores não verificaram os comprimentos desses tricomas.

Muito embora vários autores tenham mencionado que a densidade de tricomas está positivamente correlacionada com a oviposição de B. tabaci em algodoeiro (Mound 1965, Bindra 1985, Berlinger 1986, Butler et al. 1986, Sippell et al. 1987, Butter & Vir 1989, Flint & Parks 1990, Butler et al. 1991, Wilson et al. 1993, Chu et al. 2000, 2001), em tomateiro (Heinz & Zalom 1995, Toscano et al. 2003) e em soja (McAuslane et al. 1995, McAuslane 1996, Valle & Lourenção 2002), esta relação não é constante para todas as plantas hospedeiras. Assim, a pubescência de folhas foi negativamente correlacionada com a população de moscas-brancas em várias espécies de cucurbitáceas (McCreight & Kishaba 1991) e em Lagenaria siceraria (Kishaba et al. 1992). Oriani et al. (2005) também não constataram correlação positiva entre o número de ovos de B. tabaci biótipo B e a densidade total de tricomas (aciculares + unciformes) ou de tricomas aciculares e unciformes presentes na superfície abaxial de 20 genótipos de feijoeiros. Assim, sugeriram que a densidade de tricomas total, de tricomas aciculares ou unciformes não estaria relacionada com a preferência para oviposição da mosca-branca em feijoeiro.

O índice de preferência (Intervalo de Confiança) (Fig. 1), calculado para a comparação dos resultados apresentados na Tabela 1 (lote 1) e na Tabela 2 (lote 2), permite evidenciar que o genótipo menos preferido para oviposição por B. tabaci foi G13028 (-91,9), seguido pelo Arc 5s (-80,9); tais materiais diferiram estatisticamente do genótipo mais preferido, Arc 1 (+33,0). Os resultados deste trabalho concordam com os obtidos por Oriani & Lara (2000a), em ensaios com chance de escolha, e que também classificam a resistência do genótipo selvagem Arc 5s como do tipo não-preferência para oviposição com relação a B. tabaci biótipo B.

 

 

Ensaio sem Chance de Escolha. Os genótipos G13028, Arc 3s e G23425E apresentaram os menores números de ovos por folha e diferiram estatisticamente do genótipo mais preferido, o Bolinha, que teve a média de 105 ovos/folíolo. Num grupo intermediário incluíram-se nove genótipos que diferiram estatisticamente do Bolinha e não diferiram dos três genótipos menos ovipositados (G13028, Arc 3s e G23425E) (Tabela 3).

Quanto ao número de ovos por cm2 (Tabela 3), tem-se como menos preferidos os genótipos G12985, G13028, G23425E,Arc 3s, IAPAR MD 808, G11056 (valores variando de 1,0 a 1,1 ovos/cm2), que diferiram estatisticamente do genótipo mais ovipositado, o Bolinha (2,2 ovos/cm2).

Após dois dias de confinamento, os menores números de insetos sobreviventes ocorreram nos genótipos G11056 e Arc 5s (36,0 e 36,9 insetos vivos, respectivamente), valores que diferiram significativamente dos registrados nos genótipos IAPAR MD 808, Arc 4, Bolinha, Porrillo 70 e Arc 2, nos quais foram encontrados os maiores números (43,7 a 45,4 insetos sobreviventes) (Tabela 3).

Os ensaios com e sem chance de escolha evidenciaram que o genótipo selvagem G13028 mostrou-se altamente não-preferido para oviposição por B. tabaci biótipo B, enquanto o genótipo Bolinha, altamente suscetível. Esses dados concordam com os resultados obtidos por Oriani et al. (2005), em ensaios com chance de escolha. Tais autores sugeriram que a preferência para oviposição da mosca-branca pela cultivar Bolinha pode estar relacionada ao grande número de tricomas aciculares longos (tipo A1) presentes neste material (31,7 tricomas/4,9 mm2). O contrário foi considerado quanto ao genótipo menos preferido G13028 que possui principalmente tricomas unciformes curtos (tipo B3 - 64,1 tricomas/4,9 mm2).

Além do genótipo G13028, pode-se citar também como resistentes à mosca-branca, os genótipos Arc 3s, Arc 5s e G11056.

Desta forma, sugere-se que os genótipos selvagens G13028, G11056, Arc 3s e Arc 5s sejam utilizados em programas de melhoramento de feijoeiro visando a resistência a B. tabaci biótipo B.

 

Agradecimentos

Os autores agradecem à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), pela concessão de bolsa de pós-doutorado ao primeiro autor e de Auxílio à Pesquisa para este Projeto; ao Dr. André Luiz Lourenção (IAC), pelo fornecimento da população inicial de mosca-branca; e ao CNPAF/EMBRAPA, pelo fornecimento dos genótipos de feijoeiro.

 

Literatura Citada

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Received 10/I/04. Accepted 29/IX/04.

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