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Neotropical Entomology

versão impressa ISSN 1519-566Xversão On-line ISSN 1678-8052

Neotrop. Entomol. v.36 n.2 Londrina mar./abr. 2007

https://doi.org/10.1590/S1519-566X2007000200022 

SCIENTIFIC NOTE

 

Descrição de Apiomerus costai sp. nov. do Mato Grosso, com notas taxonômicas sobre Apiomerus Hahn (Hemiptera, Heteroptera: Reduviidae, Harpactorinae, Apiomerini)

 

Description of Apiomerus costai sp. nov. from Mato Grosso State, Brazil, with taxonomical notes on Apiomerus Hahn (Hemiptera, Heteroptera: Reduviidae, Harpactorinae, Apiomerini)

 

 

Hélcio R. Gil-SantanaI; Patrícia MilanoII

ILab. Diptera, Depto. Entomologia, Instituto Oswaldo Cruz. Av. Brasil 4365, Manguinhos, 21045-900 Rio de Janeiro, RJ, helciogil@uol.com.br
IIDepto. Entomologia, Fitopatologia e Zoologia Agrícola, ESALQ/USP, Piracicaba, SP, patmilano@gmail.com

 

 


RESUMO

Apiomerus costai sp. nov. (Hemiptera: Reduviidae) é descrita. Notas taxonômicas sobre Apiomerus Hahn são apresentadas.

Palavras-chave: Insecta, nova espécie, Neotropical


ABSTRACT

Apiomerus costai sp. nov. (Hemiptera: Reduviidae) is described and taxonomical notes about Apiomerus Hahn are presented.

key words: Insecta, new species, Neotropical


 

 

A tribo Apiomerini, atualmente composta por 12 gêneros (Gil-Santana et al. 2002, Bérenger 2006) é exclusiva do Novo Mundo, representada na região Neártica somente por espécies de Apiomerus Hahn (Froeschner 1988, Maldonado Capriles 1990). Uma síntese dos conhecimentos atuais sobre os Apiomerini, incluindo chave e diagnose dos gêneros que integram a tribo foi fornecida por Gil-Santana et al. (2003) e complementada por Bérenger (2006).

No estudo das espécies de Apiomerus, Champion (1899) destacou-se de seus predecessores ao fornecer figuras coloridas das espécies da América Central, além de ter firmado a importância do aspecto do pigóforo nos machos e do sétimo tergito nas fêmeas para a taxonomia do grupo.

A extensa revisão de Costa Lima et al. (1951) foi sucedida por seus aditamentos (Costa Lima et al.1952, Costa Lima & Mendes 1952) e pelas contribuições de Prosen & Martínez (1955), Buckup (1957), Prosen et al. (1959, 1962), Carcavallo et al. (1964) e Dispons (1971), sintetizadas no catálogo de Maldonado Capriles (1990).

Embora Maldonado Capriles (1990) tenha relacionado 110 espécies válidas de Apiomerus, observa-se que, pelo fato de o autor não ter tomado conhecimento do trabalho de Martínez et al. (1981), deixou de relacionar Apiomerus narcisoi Martínez, Carpintero & Carcavallo (Hemiptera: Reduviidae) e de dar a conhecer que esses autores consideraram A. rutilans Dispons (Hemiptera: Reduviidae) como sinônimo júnior de A. beckeri Costa Lima, Seabra & Hathaway (Hemiptera: Reduviidae) e A. velazcoi Prosen, Carcavallo & Martínez (Hemiptera: Reduviidae) como sinônimo júnior de A. sanguineomaculatus Blanchard (Hemiptera: Reduviidae). Assim, atualmente estão incluídas 109 espécies em Apiomerus, o gênero com o maior número de espécies e o mais conhecido dentre os Apiomerini (Schuh & Slater 1995).

Neste trabalho apresentamos uma nova espécie de Apiomerus coletada no Mato Grosso, cujo material-tipo encontra-se depositado no Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (MNRJ).

 

A. costai sp. nov.

Fêmea. Dimensões (em mm) - Corpo: comprimento até o ápice dos hemiélitros: 12,5; até o ápice do abdome: 12,0. Cabeça: comprimento 2,6; largura total (incluindo os olhos) 1,6; largura entre os olhos 0,8; porção anteocular 1,0; porção pós-ocular: 0,8; antena segmento I: 1,1; segmento II: 1,1; segmento III: 2,0; segmento IV: 1,9.; Rostro: segmento I: 0,8; segmento II: 2,1; segmento III: 0,3. Tórax: lobo anterior do pronoto: comprimento: 1,1; largura: 2,4; lobo posterior do pronoto: comprimento: 1,8; largura: 4,1; comprimento do hemiélitro: 8,0; pernas anteriores fêmur: 3,5; tíbia: 4,4; tarso: 0,7; pernas médias: fêmur: 2,7; tíbia: 3,6; tarso: 0,8; pernas posteriores: fêmur: 3,7; tíbia: 4,5; tarso: 1,0. Abdome: comprimento 5,6; largura 5,0. Coloração geral negra (Fig. 1), com marcações amareladas: nas bordas laterais e posterior do pronoto, até a coxa anterior; fina faixa lateral no terço proximal externo do cório, adjacente à nervura Costal que se continua ao longo da Sc até alcançar a junção entre as nervuras do cório e da membrana, na qual se observa uma mancha amarelada. Esta última tem formato de "U" com base larga, estendendo-se entre os ápices de Sc, R e M+Cu. Conexivo amarelo e tergitos enegrecidos; na junção dos mesmos, como a coloração amarela prolonga-se mais internamente na parte superior, formam-se manchas enegrecidas subtriangulares de base posterior, evidentes nos segmentos I a V. Membrana enfuscada, ultrapassando pouco (0,5 cm) o ápice do abdome. Presença de manchas amareladas subcirculares nas pleuras junto à base das coxas. Manchas amareladas na parte inferior das coxas médias, posteriores e em todos os trocanteres. Na face anterior e inferior dos fêmures anteriores e médios, respectivamente, existem faixas amarelas estreitas e curtas. Esternitos negros com todas as bordas externas amarelas, coloração que se prolonga em faixas de base larga e ápice agudo quase alcançando a linha média do 2° esternito chegando ao terço interno dos 3°, 4° e 5° esternitos e limitada à mancha triangular de ápice rombo no 6° esternito. Corpo recoberto por pilosidade dourada mais abundante e alongada na face inferior da cabeça, tergitos e esternitos. Essa pilosidade é curta e esparsa no cório e ausente na membrana. Pronoto com sulcos laterais distintos além da depressão central. Pernas. Fêmures anteriores e médios algo engrossados. Tíbias anteriores e médias com terço distal dilatado, estas mais do que aquelas, além de encurvadas a partir do ponto médio. Margem posterior do sétimo tergito com os ângulos apicais externos pouco salientes (Fig. 2). Segmentos genitais enegrecidos (Fig. 3).

 



 

Macho. Dimensões (em mm) - Corpo: comprimento até o ápice dos hemiélitros: 11,0; até o ápice do abdome: 10,7. Cabeça: comprimento 2,2; largura total (incluindo os olhos) 1,5; largura entre os olhos 0,8; porção anteocular 0,8; porção pós-ocular: 0,9; antena segmento I: 1,1; segmento II: 1,1; segmento III: 2,0; segmento IV: 1,8.; Rostro: segmento I: 0,8; segmento II: 2,0; segmento III: 0,3. Tórax: lobo anterior do pronoto: comprimento: 1,0; largura: 2,1; lobo posterior do pronoto: comprimento: 1,4; largura: 3,5; comprimento do hemiélitro: 7,0; pernas anteriores fêmur: 3,3; tíbia: 4,0; tarso: 0,6; pernas médias: fêmur: 2,4; tíbia: 3,4; tarso: 0,7; pernas posteriores: fêmur: 3,3; tíbia: 4,1; tarso: 0,9. Abdome: comprimento 5,2; largura 3,4. Coloração geral (Fig. 4) negra a marrom. Tórax com bordas laterais e posteriores amarelo-alaranjado em maior extensão relativamente à da fêmea. Presença de duas manchas semicirculares amareladas na meso e metapleura, na base de cada coxa respectiva. Coxa anterior com base escurecida, o restante da mesma assim como as coxas médias e posteriores marrom-amareladas. Trocanteres amarelo-escurecidos. Pernas marrom-avermelhadas, com estreita faixa amarelada na face ínfero-basal dos fêmures anteriores e médios. Ápices das tíbias e tarsos enegrecidos. Córios pretos, com marcação amarelo-suja nas mesmas regiões descritas para a fêmea. Conexivo amarelado. Esternitos I a V marrom-avermelhados, VI e segmentos genitais amarelados. A pilosidade do macho é mais embranquecida e mais densa nas regiões laterais e inferiores do tórax. Pronoto com sulcos laterais distintos além da depressão central. Pigóforo (Fig. 5) com processo mediano ponteagudo simples.

Material examinado. Holótipo: fêmea, Brasil, Mato Grosso, município de Diamantino, Reserva Vale da Solidão (14° 22’ S - 56° 07’ W – 450 m), 10.v.2005, E. Furtado leg. Parátipo: macho, Alto Rio Arinos (14° 25’ S - 56° 29’ W), 31.iii.2003, E. Furtado leg. O material-tipo encontra-se depositado na Coleção Entomológica do Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro (MNRJ).

Etimologia. O nome da espécie foi dado em homenagem ao entomologista Luiz Antônio Alves Costa (MNRJ), pela sua contribuição ao estudo de Heteroptera.

 

Discussão

Entre as espécies de Apiomerus que apresentam o pronoto com sulcos laterais, machos com processo do pigóforo simples, sem bifurcação e as fêmeas com ângulos apicais externos do sétimo tergito pouco salientes, A. costai sp. nov. distingue-se facilmente pela coloração e as marcações claras descritas.

 

Agradecimentos

Aos entomologistas Eurides Furtado pela coleta e cessão do holótipo de Apiomerus costai sp. nov., Jean-Michel Bérenger (França) e Dimitri Forero (Cornell, EUA) pela cessão de material bibliográfico imprescindível ao presente trabalho.

 

Referências

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Received 20/I/06. Accepted 3/V/06.

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