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Revista Brasileira de Saúde e Produção Animal

versão On-line ISSN 1519-9940

Rev. bras. saúde prod. anim. vol.14 no.3 Salvador jul./set. 2013

https://doi.org/10.1590/S1519-99402013000300010 

NUTRIÇÃO ANIMAL

 

Níveis de lisina digestível em dietas contendo ractopamina para suínos em terminação

 

Levels of digestible lysine in diets with ractopamine for finishing pigs

 

 

Corassa, AndersonI, *; Kiefer, CharlesII; Nieto, Viviane Maria Oliveira SantosII

IUniversidade Federal de Mato Grosso, Instituto de Ciências Agrárias e Ambientatis, Sinop, Mato Grosso, Brasil
IIUniversidade Federal de Mato Grosso do Sul, Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Deapartaemnto de Zootecnia, Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brasil

 

 


RESUMO

Objetivou-se avaliar níveis de lisina digestível em dietas contendo 5 ppm de ractopamina sobre o desempenho e características quantitativas de carcaça de suínos em fase de terminação. Foram utilizados 96 suínos, sendo 48 machos castrados e 48 fêmeas, com peso inicial de 83,57 ± 4,07kg, distribuídos em delineamento inteiramente ao acaso, com quatro níveis de lisina digestível (0,94; 0,96; 1,02 e 1,04%), com três repetições de oito animais cada. O período experimental teve duração de 28 dias. O consumo de ração diário reduziu e a conversão alimentar melhorou linearmente de acordo com o aumento dos níveis de lisina digestível das dietas. Os pesos final, de frigorífico e de carcaça quente, o rendimento de carcaça, a quantidade de carne magra e o índice de bonificação aumentaram linearmente de acordo com o aumento dos níveis de lisina digestível. Não houve efeito dos níveis de lisina digestível sobre o ganho de peso diário, perda de peso durante o transporte e a porcentagem de carne magra da carcaça. Concluiu-se que, em dietas contendo 5ppm de ractopamina, o nível de 1,04% de lisina digestível melhora a conversão alimentar e aumenta o peso final, o peso e o rendimento de carcaça, a quantidade de carne magra e o índice de bonificação das carcaças dos suínos.

Palavras-chave: aditivos, beta-adrenérgico, carne magra, carcaça


ABSTRACT

The objective was to evaluate levels of digestible lysine in diets with 5ppm of ractopamine on performance and carcass characteristics of finishing pigs. Ninety-six pigs, 48 barrows and gilts with initial body weight of 83.57 ± 4.07kg, were sorted in a complete randomized design with four levels of digestible lysine (0.94; 0.96; 1.02 e 1.04%), with three replications and eight animals each. The experimental period lasted 28 days. The feed intake was reduced and feed:gain ration improved linearly with increase digestible lysine levels in diets. Final, slaughter and hot carcass weights, carcass yield, amount of lean meat and payment index increase linearly with increase of digestible lysine levels. There was no effect of digestible lysine levels on daily gain, farm to slaughter shrink and lean meat percent. In conclusion, in diets with 5 ppm ractopamine, 1.04% digestible lysine improve feed:gain ration and increase final weight, carcass weight and yield, amount of lean meat and payment index of carcass of pigs.

Keywords: additives, beta-adrenergic, carcass, lean meat


 

 

INTRODUÇÃO

A melhoria genética dos plantéis brasileiros tem exigido uma revisão nos níveis nutricionais e no manejo da alimentação, adaptando-os a nova realidade da produção e do mercado, caracterizada pela elevação do percentual de carne nas carcaças entre outros.

Mesmo com o aprimoramento do padrão genético dos suínos, muitos nutricionistas utilizam estratégias nutricionais para potencializar o desempenho e as características quantitativas das carcaças como os agonistas β adrenérgicos. Dentre os β adrenérgicos, a ractopamina promove diminuição da deposição de gordura e aumento da massa muscular da carcaça dos suínos, por meio de estímulos da lipólise e redução da lipogênese (MILLS, 2002; ARMSTRONG et al., 2004).

Porém, as alterações metabólicas causadas pela ractopamina podem interferir nas exigências nutricionais dos animais. As melhorias no desempenho estão diretamente relacionadas ao aporte de lisina digestível nas dietas, visto a estreita relação entre este nutriente e a deposição proteica (APPLE et al., 2004).

A deficiência em lisina ao usar-se ractopamina pode limitar a resposta animal, tendo em vista que este aminoácido é responsável pela síntese proteica e atua como fator de importância na qualidade da carcaça. O nível de lisina digestível nas dietas afeta a magnitude com que os suínos respondem a ractopamina (APPLE et al., 2004) e este fato evidencia a necessidade de se realizar ajustes nutricionais em função da utilização deste aditivo (MITCHELL et al., 1991).

Em decorrência do aumento da síntese proteica gerada pela ractopamina, as recomendações disponíveis na literatura preconizam ajustes graduais de lisina de acordo com os níveis de inclusão e a duração da suplementação do aditivo (ROSTAGNO et al., 2011). Porém, o acréscimo percentual de lisina digestível em função da utilização da ractopamina varia entre os trabalhos. Estudos têm estabelecido acréscimos de até 30% para o nível de lisina digestível em dietas suplementadas com 20ppm de ractopamina (PÉREZ et al., 2006; WEBSTER et al., 2007; PEREIRA et al., 2008; ALMEIDA et al., 2010).

Considerando que a ractopamina é um aditivo oneroso e aliado a necessidade de aumentos dos níveis de lisina em dietas suplementadas com ractopamina, podem tornar sua utilização inviável na prática. Neste sentido, realizou-se este estudo com o objetivo de avaliar níveis de lisina digestível em dietas contendo ractopamina para suínos em fase de terminação.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido em granja comercial, em Bom Jesus, SC. Foram utilizados 96 suínos, sendo 48 machos castrados e 48 fêmeas, com peso inicial de 83,57 ± 4,07kg. Os animais foram alojados em galpão de alvenaria, com piso de concreto e coberto com telhas de amianto. Foram alocados em baias com área de 12,9m2 (3,0 x 4,3m), providas de bebedouros tipo chupeta e comedouros de madeira disposto à frente da baia.

Os animais foram distribuídos em delineamento inteiramente casualizado, com quatro níveis de lisina digestível (0,94; 0,96; 1,02 e 1,04%), com três repetições de oito animais cada. Cada unidade experimental foi composta com quatro machos e quatro fêmeas. O período experimental total foi de 28 dias.

As dietas experimentais (Tabela 1) foram formuladas de forma a suplantar as exigências nutricionais mínimas para suínos fêmeas de alto potencial genético e desempenho regular (ROSTAGNO et al., 2005). As dietas e a água foram fornecidas ad libtum durante todo o período experimental.

 

 

A temperatura e umidade, dentro das instalações, foram registradas por termômetro de máxima e mínima. O controle de temperatura, ventilação e concentração de gases no interior do galpão foi realizado por meio de manejo de cortinas e microaspersão nas linhas dispostas sobre as baias. Durante o período experimental a temperatura do ar registrada foi de 24,94±1,63ºC e as temperaturas médias máximas e mínimas foram de 19,63±1,67ºC e 30,24±2,28ºC, respectivamente.

Os parâmetros de desempenho avaliados foram o consumo de ração diário, ganho de peso diário e a conversão alimentar. Foram realizadas pesagens dos animais, das rações e das sobras de ração, no início e no final do período experimental. Realizou-se a coleta diária do resíduo de ração do chão que foi somado as sobras de ração ao término do período experimental. A conversão alimentar foi calculada pela relação entre o consumo de ração e o ganho de peso.

Ao final do experimento todos os animais foram submetidos a jejum de sólidos de seis horas e transportados por 251km até o frigorífico, onde permaneceram em baia de descanso por 10 horas com acesso livre à água. Por ocasião do abate, os suínos foram insensibilizados por eletronarcose e, posteriormente, sangrados, escaldados e eviscerados. As carcaças foram pesadas e tipificadas. As variáveis de rendimento de carcaça, carne magra e índice de bonificação foram calculados conforme metodologia proposta por Guidoni (2000).

Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância, utilizando-se o peso inicial dos animais como co-variável, pelo procedimento GLM do programa estatístico SAS Institute (1999), ao nível de 5% de significância. As estimativas do melhor nível de lisina digestível foram determinadas por meio de análises de regressão linear, quadrática e o modelo descontínuo Linear Response Plateau, conforme o melhor ajuste obtido para cada variável estudada com base na menor soma dos quadrados dos desvios e/ou maior coeficiente de determinação

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Constatou-se redução linear (P<0,05) do consumo de ração diário de acordo com o aumento da concentração de lisina digestível na dieta (Figura 1; Tabela 2). Esse resultado está de acordo com o observado por Webster et al. (2007), que verificaram que suínos alimentados com dietas contendo níveis de lisina e ractopamina, tiveram o consumo voluntario de alimentos reduzido. Todavia, tem sido reportado na literatura que a concentração de lisina digestível não influencia o consumo de ração diário dos suínos machos não castrados (GASPAROTTO et al., 2001), machos castrados (ABREU et al., 2007) e fêmeas (FONTES et al., 2000; FORTES 2012). Porém, o aumento na densidade de lisina das dietas pode afetar a magnitude com que os suínos respondem a suplementação de ractopamina, e estar associado com a redução no consumo voluntário de alimento, sem prejuízos no ganho de peso e na eficiência alimentar (APPLE et al., 2004; WEBSTER et al., 2007). Esta interferência pode estar relacionada com a ação dos ß-adrenérgicos sobre o ganho de peso e o perfil de aminoácidos depositados na massa muscular (REEDS & MERSMANN, 1991).

 

 

A redução do consumo de ração, encontrada no presente estudo, também foi observada por Oliveira et al. (2003 a,b) e Fontes et al. (2005) que relataram redução no consumo de ração de acordo com o aumento do nível de lisina, porém em dietas isentas de ractopamina. Entretanto, outros pesquisadores avaliando suínos em fase de crescimento (ABREU et al., 2007; SERAO et al., 2012), terminação (CLINE et al., 2000) e terminação tardia (BATISTA et al., 2011; SANTOS et al., 2011) não constataram efeitos dos níveis de lisina sobre o consumo de ração em dietas isentas de ractopamina.

De modo similar, Pereira et al. (2008) avaliaram leitoas em terminação com dietas contendo 0 e 5ppm de ractopamina e 0,67 e 0,87% de lisina digestível e não constataram interação entre os fatores avaliados sobre o consumo de ração. Também Almeida et al. (2010) não verificaram efeito dos níveis de lisina digestível sobre o consumo de ração em dietas contendo 5 ppm de ractopamina.

Embora se tenha observado redução linear do consumo de ração, o consumo de lisina digestível diário não foi influenciado (P>0,05) pelos níveis de lisina na dieta. Este resultado corrobora os achados de Marinho et al. (2007), que também não encontraram efeito dos níveis de lisina, em dietas contendo 5 ppm de ractopamina, sobre o consumo de lisina digestível diário. Porém pesquisadores como Arouca et al. (2004) e Batista et al. (2011) relatam aumento do consumo de lisina digestível diário em função do aumento dos níveis de lisina digestível nas dietas. Provavelmente, no presente estudo, não foi observado efeito sobre o consumo de lisina diário em razão da redução do consumo de ração e pela pequena variação de lisina digestível entre os tratamentos.

Os níveis de lisina digestível não influenciaram (P>0,05) o ganho de peso diário dos animais. Resultado similar para ganho de peso diário foram obtidos por Oliveira et al. (2003 a, b) ao avaliarem níveis de lisina em dietas de suínos em fase de terminação tardia. Por outro lado, Santos et al. (2011) verificaram efeito significativo para o ganho de peso diário em função dos níveis de lisina na dieta dos suínos em terminação, sendo o nível recomendado de 0,803%, correspondente ao consumo de lisina digestível diário de 24,60g.

A lisina apresenta função exclusiva de deposição de proteína corporal (CORRÊA et al., 2007), desta forma esperava-se encontrar efeito positivo sobre o ganho de peso diário dos animais recebendo dietas com níveis crescentes deste aminoácido, uma vez que a inclusão de ractopamina na dieta dos animais modifica o metabolismo aumentando a síntese de proteína muscular em detrimento a deposição de gordura (ARMSTRONG et al., 2004). A deposição do tecido proteico por agregar mais moléculas de água em relação à deposição de lipídios, pode resultar no aumento do ganho de peso dos suínos (HALAS et al., 2010).

O aumento dos níveis de lisina digestível das dietas proporcionou melhora linear (P<0,05) da conversão alimentar dos suínos (Figura 2). Observou-se neste estudo, que houve melhora de 27,5% na conversão alimentar com o nível de 1,04% em relação ao tratamento com menor nível de lisina digestível.

 

 

De acordo com os resultados obtidos, pode-se inferir que os suínos alimentados com dietas contendo ractopamina e suplementados com maiores níveis de lisina digestível podem apresentar sua eficiência na utilização dos nutrientes aumentada, o que também foi observado por Marinho et al. (2007), Webster et al. (2007) e Pereira et al. (2008).

Apesar de não se ter obtido efeito sobre o ganho de peso diário no presente estudo, o peso final foi influenciado (P<0,05) pelos tratamentos, em que se observou aumento linear de peso final dos suínos de acordo com o aumento dos níveis de lisina digestível das dietas (Figura 3).

 

 

Aumento no peso final de 4,28% ou, o equivalente a 5,4kg de carne por carcaça, foi observado por Pereira et al. (2008), quando alimentaram leitoas em terminação com dietas contendo 5ppm de ractopamina e 0,87% de lisina digestível. Aumentos do peso de abate também foram constatados por Marinho et al. (2007) para suínos machos castrados em terminação suplementados com 5ppm de ractopamina, porém não verificaram efeito com suplementação de lisina digestível até o nível de 0,87%.

Verificou-se efeito (P<0,05) dos tratamentos sobre o peso de frigorífico, que aumentou linearmente de acordo com o aumento dos níveis de lisina das dietas (Figura 4; Tabela 3). Esse resultado está coerente com a resposta observada para o peso final dos animais em que aqueles que obtiveram maior peso final apresentaram maior peso de frigorífico.

 

 

Não foi observado efeito (P>0,05) dos tratamentos sobre a perda de peso durante o transporte. No entanto, o peso de carcaça quente foi influenciado (P<0,05) pela inclusão de lisina nas dietas, que aumentou linearmente conforme o aumento dos níveis de lisina (Figura 5). Observou-se um incremento de 8,43kg para o peso das carcaças dos animais alimentados com o nível de 1,04% de lisina digestível em relação ao tratamento com menor nível de lisina digestível. Esse resultado também está coerente ao observado para o peso final dos animais.

 

 

O rendimento de carcaça aumentou lineamente (P<0,05) em função dos níveis de lisina digestível das dietas (Figura 6). Conforme Schinkel et al. (2001), quando a ractopamina é administrado, a deposição de tecido muscular na carcaça aumenta numa proporção maior do que o crescimento dos órgãos viscerais, de maneira que há aumento do rendimento de carcaça. O melhor rendimento de carcaça foi obtido, no presente estudo, com o nível de 1,04% de lisina digestível, que apresentou rendimento de 3,44% superior ao tratamento com 0,94% de lisina digestível.

 

 

Aumento do rendimento de carcaça proporcionado pelos níveis de ractopamina da dieta também foram obtidos por Armstrong et al. (2004), See et al. (2004) e Carr et al. (2005). Por outro lado, Pereira et al. (2008) não observaram efeito dos níveis de ractopamina sobre o rendimento de carcaça.

Os níveis de lisina digestível das dietas não influenciaram (P>0,05) a porcentagem de carne magra dos suínos, que apresentaram valor percentual médio de 55,12%. Apesar de não significativo estes valores estão próximos aos encontrados na literatura, conforme os resultados apresentados por Webster et al. (2007) que apresentaram valores médios de 54,45% para as dietas contendo 5 ppm de ractopamina e quatro níveis de inclusão de lisina digestível. Stoller et al. (2003) observaram que a suplementação de 10ppm de ractopamina à dieta não melhorou a porcentagem de carne magra na carcaça. Estudos de Corassa et al. (2010) não apontaram efeitos da inclusão de 5 e 10 ppm de ractopamina sobre o percentual de carne magra de machos castrados em fase de terminação tardia, que alcançaram em média 52,32%. Valores superiores foram obtidos por Marinho et al. (2007), que obtiveram 57,3% para suplementação com 5ppm de ractopamina sem aporte extra de lisina digestível.

Por outro lado, aumentos significativos de 1,3; 1,5 e 3,5% na porcentagem de carne magra foram observados por Sanches et al. (2010) quando suplementaram as dietas de suínos em terminação com 5; 10 e 20ppm de ractopamina, respectivamente, provavelmente geradas pela redução da lipogênese e aumento na síntese protéica.

Embora não tenha ocorrido efeito dos níveis de lisina digestível sobre o percentual de carne magra, verificou-se aumento linear (P<0,05) da quantidade de carne na carcaça, de acordo com o aumento dos níveis de lisina das dietas (Figura 7). Esse resultado pode ser explicado pelo aumento linear observado para o peso de carcaça quente em função dos níveis de lisina das dietas.

 

 

A utilização de dietas com ractopamina e níveis de lisina tem sido relatada por melhorar a deposição de proteína na carcaça (WEBSTER et al. 2007; KIEFER & SANCHES, 2009). Essa ação ocorre devido ao aumento da síntese de proteína muscular ou pela diminuição da sua degradação, sendo que a degradação da proteína é mediada pela atividade das proteases presente no músculo. Há evidencias que em animais tratados com ractopamina a atividade das proteases diminui por um incremento na concentração de inibidores proteolíticos (SPURLOCK et al., 1993).

Ao avaliarem níveis de lisina digestível sem a inclusão de ractopamina, para fêmeas em terminação, Cline et al. (2000) também observaram aumento linear na quantidade de carne na carcaça dos animais em função do aumento dos níveis de lisina digestível. Por outro lado, os valores obtidos para a quantidade de carne magra no presente estudo, estão abaixo dos observados por Santos et al. (2011) quando avaliaram níveis de lisina digestível em dietas isentas de ractopamina, para machos castrados dos 95 aos 125kg.

O índice de bonificação das carcaças foi influenciado (P<0,05) pelo aumento dos níveis de inclusão da lisina digestível nas dietas (Figura 8).

 

 

O índice de bonificação das carcaças é uma variável de grande importância para os criadores, uma vez que está diretamente relacionada com a remuneração. No presente estudo, as carcaças dos suínos alimentados com dietas contendo 1,04% de lisina digestível alcançaram bonificação de 2,57% superior ao tratamento com 0,94% de lisina digestível. Estudos conduzidos por Sanches et al. (2010) também demonstraram melhorara em 1,0 e 2,3% no índice de bonificação das carcaças de suínos cujas dietas foram suplementadas com 5 e 20ppm de ractopamina, respectivamente. Cantarelli et al. (2009) obtiveram 3,9% de melhora da bonificação quando suplementaram os suínos com dietas contendo 5ppm de ractopamina e 1,04% de lisina digestível. Com base nos resultados obtidos, observou-se que a utilização de β-adrenérgicos associados a aportes extras de lisina digestível na dieta melhoraram a qualidade das carcaças dos suínos, proporcionando o atendimento das exigências do sistema de tipificação de carcaça atualmente utilizado no Brasil. Esta estratégia pode proporcionar melhor remuneração aos produtores por aumentar o índice de bonificação das carcaças.

De acordo com os resultados obtidos, no presente estudo, pode-se inferir que, em dietas contendo 5ppm de ractopamina, o nível de 1,04% de lisina digestível possibilita melhora do desempenho e das principais características de carcaça. O nível ótimo de 1,04% de lisina digestível estabelecido no presente estudo está 20% acima das recomendações de Rostagno et al. (2011), considerando-se o acréscimo de 0,123% de lisina digestível na exigência dos suínos quando alimentados com dietas contendo 5ppm de ractopamina.

A melhora das respostas de desempenho e dos parâmetros de carcaças observados no presente estudo utilizando-se níveis de lisina superiores as exigências estabelecidas nas tabelas de exigências nutricionais (ROSTAGNO et al., 2005; ROSTAGNO et al., 2011) estão de acordo com as recomendações de Mitchell et al. (1991) que preconizaram 30% a mais de lisina digestível em dietas contendo suplementação de ractopamina.

Recomenda-se o nível de 1,04% de lisina digestível, em dietas suplementadas com 5ppm de ractopamina, para suínos em terminação criados em lotes mistos.

 

REFERÊNCIAS

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Data de recebimento: 25/01/2013
Data de aprovação: 05/09/2013

 

 

* Endereço para correspondência: anderson_corassa@ufmt.br

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