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Revista Brasileira de Saúde e Produção Animal

On-line version ISSN 1519-9940

Rev. bras. saúde prod. anim. vol.15 no.1 Salvador Jan./Mar. 2014

https://doi.org/10.1590/S1519-99402014000100013 

NUTRIÇÃO ANIMAL

 

Substituição parcial do milho por sorgo granífero na alimentação de suínos nas fases de creche, crescimento e terminação1

 

Partial replacement of corn by sorghum in pig feeding at the nursery, growing and finishing phases

 

 

Moreira, Faviano Ricelli da Costa eI,II,*; Costa, Alberto NevesIII; Martins, Terezinha Domiciano DantasIV; Silva, José Humberto Vilar daV; MEDEIROS, Henrique Rocha deIII; Cruz, George Rodrigo Beltrão daIV

IInstituto Federal do Rio Grande do Norte, Departamento Acadêmico, Apodi, Rio Grande do Norte, Brasil
IIUniversidade Federal da Paraíba, Programa de Doutorado Integrado em Zootecnia, Areia, Paraíba, Brasil
IIIUniversidade Federal do Rio Grande do Norte, Centro de Tecnologia, Departamento de Agropecuária, Macaíba, Rio Grande do Norte, Brasil
IVUniversidade Federal da Paraíba, Centro de Ciências Humanas, Sociais e Agrárias, Bananeiras, Paraíba, Brasil
VUniversidade Federal da Paraíba, Centro de Formação de Tecnólogos, Sociais e Agrárias, Bananeiras, Paraíba, Brasil

 

 


RESUMO

Avaliou-se o efeito da substituição parcial do milho por sorgo granífero na dieta de suínos castrados sobre as características de desempenho, carcaça e avaliação econômica. Foram utilizados 27 machos híbridos, oriundos de linhagem comercial, com 19,66  2,92kg de peso inicial, distribuídos em três tratamentos com porcentagens crescentes de sorgo granífero - 0%, 25% e 50% - em substituição ao milho, em um delineamento inteiramente casualizado. Foram avaliados: ganho diário de peso, consumo diário de ração, conversão alimentar, espessura de toucinho e parâmetros bioquímicos sanguíneos - ureia, proteínas totais, creatinina, glicose, triglicerídeos e colesterol. Para as características de carcaça foram avaliados: peso nas carcaças quente e fria, rendimento nas carcaças quente e fria, pH e temperatura nas carcaças quente e fria e peso de cortes industriais. Para o desempenho econômico foi calculado o custo da ração, custo do kg suíno e índices de custo médio e de eficiência econômica. Foi utilizada análise de regressão para as variáveis produtivas. Não foram encontrados efeitos para o desempenho e características de carcaça. Nas variáveis bioquímicas, foram encontrados efeitos lineares para a ureia e proteínas totais, com os animais com 0% de sorgo apresentando os maiores valores. Quanto ao desempenho econômico, o grupo com 50% de sorgo apresentou o menor índice de custo e o maior de eficiência econômica. Dessa forma, conclui-se que a substituição do milho pelo sorgo granífero em níveis de até 50% da dieta representa uma alternativa sustentável na suinocultura regional.

Palavras-chave: alimentação alternativa, características de carcaça, desempenho


SUMMARY

The study evaluated the effect of partial substitution of corn by sorghum in diet of castrated pigs and the effects on performance, carcass traits and economic feasibility. It were used 27 crossbred barrows from commercial line with 19.66 ± 2,92kg of initial live weight, divided in three groups with increasing rates of sorghum - 0%, 25% and 50% - replacing corn, distributed in a completely randomized design. The trial evaluated: daily weight gain, daily feed intake and feed:gain ratio, backfat thickness and blood biochemical parameters - urea, total proteins, creatinine, glucose, triglycerides and cholesterol. For carcass traits it was evaluated: hot and cold carcass weight, hot and cold carcass yield, pH and temperature in hot and cold carcasses and industrial weight cuts. For economy feasibility was calculated the cost of feed consumed, cost of pig kg, average cost index and economy efficiency rate. It was used regression analysis to evaluate the productive variables. No effects were found for performance data and carcass traits. For the biochemical variables, the effects were linear for urea and total protein, with animals in control group (0% of sorghum) showing higher rates. The bioeconomical performance showed that 50% sorghum had the lowest cost and the highest rate of economic efficiency. Thus, it was concluded that substitution of corn by sorghum at levels up to 50% of the diet represents an alternative to sustainability of regional swine production.

Keywords: alternative feed, carcass traits, performance


 

 

INTRODUÇÃO

A redução do custo de produção de suínos com a utilização de ingredientes alternativos em substituição ao milho é uma estratégia analisada pela cadeia produtiva. A produção de grãos no Nordeste do Brasil, especialmente de milho, que chega a participar em até 85% da composição das dietas de suínos, é insuficiente para atender a demanda na alimentação dos plantéis. Em razão disto, os custos das rações são elevados devido à necessidade de se importar os insumos de outras regiões do País e do exterior (FIALHO et al., 2002).

Para minimizar essa situação, alguns alimentos alternativos têm sido avaliados, dentre os quais o sorgo (Sorghum bicolor (L.) Moench), que pode ser uma estratégia para manutenção da suinocultura em regiões com maior escassez de milho (MARQUES et al., 2007; PÉREZ et al., 2010). Segundo Adesehinwa (2008), as fontes de energia alternativas devem ser regionalmente avaliadas e apresentar baixo custo e capacidade de substituir o milho sem efeitos adversos no desempenho dos animais. O sorgo caracteriza-se por responder relativamente bem à pequena disponibilidade de água e por adaptar-se a condições áridas e em áreas marginais (O'KENNEDY et al., 2006).

O sorgo apresenta valor nutritivo entre 90 e 95% similar ao milho (FIALHO et al., 2002), além disso, o sorgo e o milho podem ser considerados equivalentes quanto aos teores de minerais e vitaminas (BRESTENSKÝ et al., 2012). Contudo, o sorgo é deficiente em extrato etéreo, alguns aminoácidos e substâncias pigmentantes e, dependendo da variedade, pode conter altos níveis de tanino, o que diminui o desempenho animal (NYANNOR et al., 2007; GU et al., 2008; ETUK et al., 2012).

As pesquisas com sorgo na alimentação de suínos apresentam resultados divergentes devido às variedades utilizadas, idade dos animais e período de fornecimento das rações, além de resultados diferentes ao longo dos anos (BENZ et al., 2011).

Este estudo teve por objetivo avaliar a substituição parcial do milho pelo sorgo granífero na dieta suínos castrados e os efeitos sobre o desempenho, características de carcaça e avaliação bioeconômica.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido no campus da Escola Agrícola de Jundiaí, vinculada à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Foram utilizados 27 machos híbridos castrados, oriundos de linhagem comercial, entre 60 e 147 dias de idade, com peso médio de 19,66 ± 2,92kg aos 60 dias, 40,73 ± 4,51kg aos 90 dias, 66,27 ± 7,5kg aos 120 dias e 87,85 ± 8,4kg aos 147 dias. Foram usadas porcentagens crescentes de sorgo em substituição ao milho, o tratamento controle apresentou 100% de milho (n=8); o segundo tratamento substituição de 25% do milho por sorgo (n=10) e o terceiro tratamento com substituição de 50% do milho por sorgo (n=9). Os animais foram distribuídos em delineamento inteiramente casualizado e três níveis de substituição parcial do milho por sorgo, totalizando 05 repetições por tratamento e 02 suínos por unidade experimental, todavia o tratamento controle apresentou 04 repetições e o tratamento com 50% de sorgo, em uma das repetições, contou com 01 suíno (Tabela 1 e 2).

O cultivar de sorgo utilizado nas dietas foi o IPA 7301011, considerado de baixo teor de tanino (TABOSA et al., 1993) apresentou 9,80% de proteína bruta, 1,76% de fibra bruta, 3430kcal/kg energia digestível, 0,02% e cálcio e 0,02% de fósforo. As dietas experimentais, nas várias fases, foram formuladas de acordo com Rostagno et al. (2005).

Os machos foram alojados em pares nas baias e arraçoados em dois períodos (manhã e tarde). Durante o período experimental o fornecimento de água e ração foi à vontade com pesagem das sobras.

Na avaliação das características de desempenho foram analisados: peso (kg) aos 60; 90; 120 e 147 dias, ganho diário de peso - GDP (g), consumo diário de ração - CDR (kg) e conversão alimentar. As pesagens foram realizadas mensalmente durante o período experimental.

Foi mensurada a espessura de toucinho - ET (mm) aos 120 e 147 dias de idade dos animais e as medidas obtidas por meio de aparelho de ultra-som (Modelo MTU-100, Microem Produtos Médicos Ltda., SP), entre a penúltima e a última costela, a cerca de 6,5 cm da linha média dorsal, nos lados direito e esquerdo, para cálculo da média aritmética dos valores (BISCEGLI & FÁVERO, 1996).

Para os parâmetros bioquímicos séricos foram dosados: ureia (mg/dL), proteínas totais (g/dL), creatinina (mg/dL), glicose (mg/dL), triglicerídeos (mg/dL) e colesterol (mg/dL). Foram realizadas colheitas de sangue aos 90; 120 e 147 dias de idade para análise bioquímica de constituintes plasmáticos em todos os animais. O sangue foi colhido por punção da veia jugular, pela manhã e com os animais em jejum (12 horas), sendo acondicionado em tubos de ensaio sem anticoagulante. As amostras foram conduzidas sob refrigeração para o Laboratório de Bioquímica da UFRN, em seguida, centrifugadas para separação do soro e armazenadas em freezer a -20º C para posterior análise. Os valores séricos dos parâmetros foram mensurados em espectrofotômetro semi-automático (Ultrospec® 1100 pro), utilizando-se kits de reagentes específicos para cada análise (Labtest® Diagnóstica S.A., Brasil) e as recomendações do fabricante.

Na carcaça foram avaliados: peso ao abate (kg), rendimento de carcaça quente e fria (%), pH 45min e 24 horas, comprimento de carcaça (m) e peso (kg) de cortes industriais (paleta, costela e pernil). Aos 147 dias de idade (87,85 ± 8,4kg), os animais foram abatidos em um frigorífico industrial sob Inspeção Federal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Antes do abate, os animais foram submetidos a jejum de 12 horas e após o abate foram eviscerados. Em seguida, foi feita a separação das meias carcaças através de corte longitudinal ao longo da coluna vertebral, mantendo, por convenção, a cauda na meia carcaça esquerda, as quais permaneceram sob refrigeração média de 7 ºC, em câmara fria durante 24 horas. Foram realizados os cortes industriais para pernil, paleta e costela. O rendimento de carcaça foi calculado a partir do peso da carcaça quente como percentual do peso ao abate após o jejum (BRIDI & SILVA, 2007).

Nas carcaças quentes e refrigeradas a espessura de toucinho foi medida com auxílio de paquímetro metálico (mm) entre a 10ª e 11ª vértebras torácicas. O comprimento de carcaça foi determinado a partir do bordo cranial da sínfise pubiana até o bordo crânio-ventral do atlas, através de uma fita métrica. O pH da carcaça foi mensurado utilizando-se o peagâmetro INGOLD WTW pH 91® com introdução dos eletrodos no músculo Longissimus dorsi (LD).

As variáveis bioeconômicas calculadas foram: custo da ração consumida, custo do kg da carne suína produzida (CASTAGNA et al., 1999), índice de custo médio e índice de eficiência econômica (GOMES et al., 1991).

Os custos por kg dos ingredientes foram: milho (R$ 0,61), sorgo (R$ 0,40), soja (R$ 1,12), fosfato (R$ 2,80), calcário (R$ 0,19), lisina (R$ 8,80), sal (R$ 0,24), treonina (R$ 6,12) metionina (R$ 24,30), premix vitamínico-mineral (R$ 5,47), farelo de trigo (R$ 0,38), farinha de trigo (R$ 1,40) e óleo de soja (R$ 2,40/litro). Os insumos foram adquiridos no comércio local entre os meses de maio e setembro/2009. Os custos das rações experimentais estão expressos nas tabelas 1 e 2.

Na avaliação do custo da ração foi utilizada a fórmula: Custo da ração consumida (R$)= CRP x PR, onde: CRP= Consumo de ração no período e PR= Preço por kg de ração.

Na avaliação do custo do kg da carne suína foi utilizada a fórmula: Custo do kg de suíno (R$)= CAT x PR, onde CAT= Conversão alimentar calculada sobre toda a duração do experimento e PR= Preço por kg de ração.

O Índice do Custo Médio (ICM) foi calculado de acordo com a fórmula: ICM = CTei/MCe x 100, onde, MCe = menor custo médio da ração, por quilograma de peso vivo ganho, observado entre os tratamentos; CTei = custo total médio em ração por quilograma ganho no tratamento i considerado.

O Índice de Eficiência Econômica (IEE) foi determinado pela fórmula: IEE = MCe/CTei x 100, onde, MCe = menor custo médio da ração, por quilograma de peso vivo ganho, observado entre os tratamentos; CTei = custo total médio em ração por quilograma ganho no tratamento i considerado.

Os parâmetros estudados no experimento foram submetidos à análise de variância e de regressão por meio dos polinômios ortogonais. Em todas as análises estatísticas utilizou-se o procedimento GLM no programa estatístico SAS (STATISTICAL ANALYSIS SYSTEM, 2005) e as recomendações de Reis (2003). Nos dados expressos em porcentagens foram realizadas transformações angulares antes dos mesmos serem submetidos à análise estatística.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Observa-se na Tabela 3 que a substituição parcial do milho por sorgo granífero em níveis de até 50% da dieta não alterou os parâmetros de desempenho dos animais.

Trabalho conduzido por Rodrigues et al. (2002) com suínos alimentados com milho ou sorgo e suplementados por enzimas mostrou que as dietas formuladas com sorgo propiciaram um ganho de peso maior (6%) do que aquelas formuladas com milho. Estudos com substituição de 100% do milho por sorgo sem tanino (BRAUN et al., 2007) e inclusão de 20% de sorgo (HERRERA et al., 2013) mostraram resultados equivalentes para os dois cereais. Por sua vez, Oliveira et al. (2007) encontraram melhores resultados para conversão alimentar e espessura de toucinho nos animais arraçoados com milho em comparação ao sorgo.

Um menor desempenho de suínos alimentados com sorgo pode ocorrer em razão da menor digestibilidade proteica do sorgo frente ao milho, provavelmente em decorrência do acesso restrito às proteínas do grão encapsuladas pelas fibras (JONDREVILLE et al., 2001). Quanto ao ganho de peso diário, os resultados foram semelhantes aos obtidos por López et al. (2010), que encontraram para machos castrados em crescimento, um ganho entre 712 e 839 gramas por dia, para rações à base de sorgo.

Em um ensaio de digestibilidade com substituição do milho por sorgo em até 100% foi observado que na substituição total houve um aumento da excreção fecal, o que pode ter sido influenciado, segundo os autores, pela cultivar e natureza e distribuição das proteínas no sorgo (MARQUES et al., 2007). Estes autores recomendaram substituir o sorgo em até 50% sem que haja comprometimento da digestibilidade. Tais dados corroboram os resultados deste estudo, cuja substituição de 50% de sorgo não alterou as variáveis de desempenho.

Para Benz et al. (2011), os bons resultados da utilização do sorgo na dieta de suínos podem ser atribuídos à introdução de variedades com baixo tanino e o maior conhecimento sobre o processamento das dietas com esse cereal, como o observado na presente pesquisa.

Em relação às características da carcaça (Tabela 4), nenhuma das variáveis foi influenciada (p>0,05) pela substituição do milho por sorgo granífero.

Os dados observados são similares aos obtidos por De La Llata et al. (2002) e Morales et al. (2003) que compararam os efeitos do sorgo e milho sobre as características de carcaça de suínos abatidos e encontraram que o tratamento à base de sorgo apresentou resultados equivalentes aos do milho. Da mesma forma, resultados semelhantes foram obtidos por Shelton et al. (2004) que observaram valores de pH de carcaça de suínos alimentados com sorgo. Os valores de espessura de toucinho diferiram daqueles encontrados por Mushandu et al. (2005), provavelmente em razão da genética utilizada.

Benz et al. (2011), ao trabalhar com dietas à base de sorgo ou milho para suínos na fase de terminação, encontrou que os animais alimentados com sorgo tiveram menor rendimento de carcaça e percentual de carne magra. Segundo os autores, o maior consumo ração desses animais é a provável explicação.

Em suínos com peso entre 68 e 100 kg e alimentados com rações contendo milho ou sorgo, Oliveira et al. (2007) encontraram que os suínos consumindo ração contendo sorgo tiveram um rendimento de carcaça superior àqueles alimentados com milho. Isso ocorreu devido ao menor consumo de ração desses animais, pois o peso das vísceras aumenta com o incremento no consumo de ração, o que leva a uma redução no rendimento de carcaça, concluem os autores.

Com relação às variáveis bioquímicas (Tabela 5), houve efeitos lineares para a ureia aos 90 e 120 dias e proteínas totais aos 90 e 150 dias, com o grupo com 0% de sorgo apresentando os maiores valores. Quanto ao colesterol, aos 150 dias, o grupo com 50% de sorgo apresentou os maiores valores.

Segundo Lopes et al. (2005), fatores como a linhagem, a idade, a alimentação e o sexo dos animais, assim como as condições ambientais e as variáveis analíticas influenciam nos valores dos parâmetros plasmáticos. Portanto, espera-se uma variação entre os resultados de pesquisas realizadas em períodos diferentes.

Os valores de glicose, creatinina, proteínas totais, colesterol e triglicerídeos encontrados na pesquisa estão inseridos nos valores de referência indicados para suínos (FRIENDSHIP et al., 1984; SWINDLE et al., 2003). Por outro lado, os dados encontrados neste estudo, foram inferiores àqueles observados por Dubrueil & Lapierre (1997), o que pode estar relacionado com o estresse dos animais durante a coleta (FABIAN et al., 2003).

Ao analisar os níveis de glicose, ureia e colesterol de suínos alimentados com milho ou sorgo, Shelton et al. (2004) não encontraram diferenças significativas entre as rações, o que corrobora os apresentados nesta pesquisa.

Com relação à ureia, mesmo as rações sendo serem isoprotéicas, ocorreram diferenças. Os níveis de ureia originam-se da metabolização hepática de compostos nitrogenados, uma menor concentração pode estar relacionada a um menor catabolismo protéico (CHIQUIERI et al., 2007). López et al. (2010) trabalharam com rações à base de sorgo e diferentes níveis de lisina (0,67; 0,75; 0,83; 0,91 e 0,99%) para suínos na fase de crescimento e não encontraram para os níveis de ureia plasmática efeitos pelo teste de Tukey (p>0,05). Os mesmos autores trabalharam com rações com diferentes níveis de treonina (0,42; 0,47; 0,52; 0,57 e 0,62%), em rações à base de sorgo, para machos e fêmeas suínas na fase de crescimento, e encontraram que níveis de treonina afetaram apenas os machos, podendo ser pelo fato dos machos possuírem um maior requerimento de treonina ou as fêmeas são mais eficientes na utilização de aminoácidos que machos castrados.

Para as dosagens séricas de proteínas totais, aos 90 e 147 dias, houve efeito linear entre os tratamentos. Segundo Campello et al. (2009), há uma grande diversidade de proteínas séricas com funções específicas que, em conjunto, atuam na manutenção da pressão osmótica do plasma, defesa e transporte de moléculas. A sua diminuição em animais saudáveis pode ser um indicativo de restrição no aporte de aminoácidos, seja pelo consumo de dietas pobres em proteína, ou pela ingestão de alimentos com conteúdo proteico satisfatório, mas contendo fatores que dificultam os processos de digestão e absorção.

Os níveis de colesterol apresentaram efeitos aos 147 dias, com o grupo com 50% possuindo os maiores valores. O colesterol e suas frações no plasma dos animais podem ser controlados pelo estado nutricional, teores dietéticos de gordura e fatores hormonais, assim, o aumento do colesterol está relacionado com as quantidades de energia e de gordura saturada ingeridas (PASCOAL et al., 2010). Como as rações experimentais foram isocalóricas, as alterações dos níveis de colesterol podem estar associados ao estresse da colheita do sangue (FABIAN et al., 2003).

A avaliação bioeconômica das rações (Tabela 6) mostrou um decréscimo do custo médio da ração consumida e do kg da carne suína produzida à medida que aumentou o nível de substituição do milho por sorgo nas dietas. No índice de eficiência econômica e de custo médio, o tratamento com 50% de sorgo apresentou os melhores resultados. Durante a execução desta pesquisa, o preço do sorgo foi 34,4% menor que o preço do milho, o que determinou um menor custo das rações contendo esse ingrediente.

O menor índice de custo médio das rações dos tratamentos com sorgo em relação ao tratamento controle, independente da fase produtiva, pode ser atribuída à boa safra decorrente das condições climatológicas favoráveis, tornando o preço do sorgo menor. No período das safras de 2007/2008 e 2008/2009 houve um aumento de 53,3 mil toneladas na produção de sorgo granífero no Brasil (TEIXEIRENSE, 2009).

Ao avaliar rações com silagem de grãos úmidos de sorgo para leitões na fase de creche, Patrício et al. (2006), relataram que as dietas com sorgo representaram uma opção mais barata em relação ao milho comum, podendo substituir totalmente o milho seco das rações na referida fase.

A utilização de alimentos alternativos depende da disponibilidade do produto e do preço local. Nas condições encontradas durante a condução deste experimento, a utilização do sorgo apresentou vantagens econômicas para o produtor de suínos. De forma semelhante, Pérez et al. (2010) em Cuba, discorreram que a dificuldade de importações do país e as condições climáticas desfavoráveis como a seca, tornam o sorgo uma alternativa econômica menos arriscada que o milho, devidos às características de rusticidade da planta.

Dessa forma, a substituição do milho por sorgo granífero na alimentação de machos suínos castrados, em níveis de até 50% da dieta, mostrou-se viável e representa uma alternativa sustentável para suinocultura regional.

 

REFERÊNCIAS

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Data de recebimento: 31/10/2013
Data de aprovação: 25/02/2014

 

 

* Endereço para correspondência: faviano_moreira@hotmail.com
1 Projeto financiado pelo CNPq/FAPERN/UFRN/BNB.

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