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Revista Brasileira de Saúde e Produção Animal

versão On-line ISSN 1519-9940

Rev. bras. saúde prod. anim. vol.16 no.4 Salvador out./dez. 2015

https://doi.org/10.1590/S1519-99402015000400009 

Nutrição Animal

Teores de óleo de linhaça para bovinos confinados: medidas corporais, carcaça e cortes cárneos

Levels of linseed oil for feedlot cattle: body measurements, carcass and meat cuts

Bruna Laurindo ROSA1  * 

Emanuel Almeida de OLIVEIRA1 

Wignez HENRIQUE2 

Thiago Martins PIVARO1 

Victor Galli CARVALHO1 

Diego Azevedo MOTA3 

Cláudia Cristina Paro de PAZ4 

Antonio Tadeu de ANDRADE1 

Alexandre Amstalden Moraes SAMPAIO1 

1Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, Departamento de Zootecnia, Jaboticabal, São Paulo, Brasil.

2Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento, São José do Rio Preto, São Paulo, Brasil.

3Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, Instituto de Ciências Agrárias, Unaí, Minas Gerais, Brasil.

4Instituto de Zootecnia/Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, Sertãozinho, São Paulo, Brasil.


RESUMO

Os objetivos foram avaliar dietas contendo teores de óleo de linhaça in natura (1,0; 3,8 e 5,2% da MS da dieta) sobre as características da carcaça e cortes cárneos, e correlacionar esses resultados com medidas corporaisin vivo de 14 fêmeas e 15 machos castrados Nelore x Canchim. Os animais foram confinados individualmente recebendo 20% de cana-de-açúcar como volumoso e 80% de concentrado, em um delineamento de blocos ao acaso (teores de óleo x condição sexual). Todos os animais de cada bloco foram abatidos quando o peso corporal médio atingiu 500 kg. Não foram observadas interações entre os fatores estudados. Acrescentar até 5,2% de óleo de linhaçain natura da dieta de bovinos cruzados aumenta o peso dos principais cortes cárneos da carcaça, reduz as perdas no resfriamento e não altera o teor de gordura renal-pélvica-inguinal. Fêmeas e machos castrados Nelore x Canchim produzem quantidades similares de carne do traseiro especial, em peso e rendimento. Juntamente com o peso corporal, a medida do contorno pelviano é a mais indicada para auxiliar na formação de lotes homogêneos para o abate ou experimentação, por apresentar as melhores correlações com as características utilizadas na comercialização brasileira de carne, como peso e rendimento da carcaça.

Palavras-Chave: correlação; cortes nobres; fêmeas; machos castrados; medidas biométricas

SUMMARY

The objectives were to evaluate diets containing levels of in natura linseed oil (1.0, 3.8 and 5.2% of diet DM) on carcass characteristics and meat cuts, and correlate these results with in vivo body measures of 14 heifers and 15 steers Nellore x Canchim. The animals were confined individually receiving 20% of sugar cane as roughage and 80% concentrate, in a complete randomized block (oil content x sexual condition). All animals of each block were slaughtered when the average body weight reached 500 kg. No interactions between treatments were observed. Add up to 5.2% of linseed oil in diet of crossbred cattle increases the weight of the main carcass cuts, reduce the loss during cooling and does not change the level of renal pelvic-inguinal fat. Heifers and steers Nellore x Canchim produce similar amounts of weight and yield hindquarter’s meat. Along with body weight, the extent pelviano contour is the most indicated to assist the formation of homogeneous lots for slaughter or trial, because showed the best correlation with the characteristics used in the Brazilian market of meat, such as weight and carcass yield.

Key words: biometric measurements; correlation; heifers; prime cuts; steers

INTRODUÇÃO

A produção brasileira de carne bovina tem avançado nas últimas décadas, possibilitando ao Brasil exportar para mais de 140 países e estar entre os maiores produtores dessa commodity (CNA, 2013). De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA, 2013), nos próximos dez anos deverão ser produzidos mais 9,3 milhões de toneladas de equivalente carcaça, um aumento de 35% em relação ao ano de 2012, podendo refletir no crescimento das exportações da carne bovina brasileira pelo mundo.

Muitos fatores se complementam na produção de carcaças com cortes cárneos padronizados e de qualidade, como a genética, idade, alimentação e condição sexual. A inclusão de óleos vegetais na alimentação de bovinos confinados eleva a concentração energética da dieta e pode melhorar as características da carcaça. Diversos trabalhos avaliaram fontes e teores de óleo in natura na dieta de ruminantes em relação às características da carcaça, porém os resultados observados ainda são contraditórios. Bhatt et al. (2011) não observaram diferenças com a inclusão de óleo de coco na dieta de ovinos, diferentemente do observado por Vander Pol et al. (2009) que, trabalhando com novilhas, observaram uma melhora nos efeitos sobre a carcaça com a inclusão de diferentes teores de óleo de milho.

Independentemente do custo do óleo de linhaça, sua utilização na alimentação animal pode se tornar interessante por possuir propriedades muito benéficas para os seres humanos quanto à sua composição em ácidos graxos, principalmente os da família ω3 (MARTIN et al., 2006). Conhecer os efeitos de diferentes quantidades desse óleo na dieta de bovinos quanto às possíveis alterações nas características da carcaça e rendimento dos cortes cárneos torna-se importante.

Outra ferramenta que pode ser utilizada no sistema de produção com o intuito de auxiliar na formação dos lotes mais homogêneos são as medidas corporais, por permitirem, segundo Fisher (1975), conhecer o desenvolvimento das partes que compõem o corpo dos animais. Estudos de mensurações biométricas e suas relações com características de carcaça e/ou cortes cárneos de bovinos ainda são escassos na literatura, e tem a vantagem de não ser um método invasivo.

Diante destas observações, objetivou-se avaliar teores de óleo de linhaça na dieta de bovinos Nelore x Canchim, fêmeas e machos castrados, sobre as características da carcaça e rendimento dos cortes cárneos e suas relações com medidas corporais realizadas in vivo.

MATERIAL E MÉTODOS

Todos os procedimentos experimentais foram submetidos à prévia apreciação pela Comissão de Ética e Bem Estar Animal da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV) e receberam aprovação através do processo no20.541/10. O experimento foi desenvolvido na FCAV/Unesp, Campus de Jaboticabal, SP, Brasil, nos períodos de abril a setembro de 2012. Foram utilizados 15 machos castrados e 14 fêmeas Nelore x Canchim, com idade inicial de 24 ± 2 meses, com pesos médios inicias de 427,8 e 400,6 kg, respectivamente, provenientes do mesmo rebanho. A castração dos machos foi efetuada por volta dos 15 meses de idade com uso de castrador modelo burdizzo.

Os animais foram recriados no pasto e receberam suplementação concentrada no período de seca que antecedeu o experimento. Chegado o período de adaptação, estes foram colocados em baias individuais, cobertas e concretadas, e adaptados às instalações e ao manejo por 28 dias. Nesse período, a dieta foi composta por cana-de-açúcar e concentrado (farelo de soja, milho e núcleo mineral) e a quantidade de volumoso, incialmente compondo 60% da matéria seca (MS) da dieta, foi diminuindo 10 unidades percentuais a cada semana.

Para iniciar o período experimental, os animais foram separados em blocos, considerando-se o peso corporal e a condição sexual. As dietas e o posicionamento dos blocos, cinco no total, foram distribuídos aleatoriamente, tendo o tratamento com o teor de 1,0% de óleo e fêmea uma repetição a menos do que os demais.

Foram formuladas três dietas pelo programa RLM® (LANNA et al., 1999), com teores crescentes de óleo de linhaçain natura não refinado (1,0; 3,8 e 5,2% da MS), adquirido comercialmente. Como volumoso exclusivo foi utilizado a cana-de-açúcar variedade forrageira IAC 86-2480, colhida e picada diariamente.

As dietas experimentais apresentaram relação volumoso:concentrado de 20:80, base na MS. A porcentagem dos ingredientes e a composição químico-bromatológica das dietas experimentais estão apresentadas na Tabela 1.

Tabela 1 Composição percentual e características nutricionais das dietas experimentais 

Ingrediente/Fração Dieta - Teor de óleo de linhaça (% da MS)

1,0 3,8 5,2
Composição percentual (% da MS)

Cana-de-açúcar 20,0 20,0 20,0
Milho em grão moído 50,0 47,0 44,0
Farelo de soja 2,0 3,0 2,2
Farelo de glúten de milho 23,0 22,2 24,6
Ureia 1,0 1,0 1,0
Óleo de linhaça 1,0 3,8 5,2
Núcleo mineral1 2,0 2,0 2,0
Óxido de magnésio 0,4 0,4 0,4
Bicarbonato de sódio 0,6 0,6 0,6

Características nutricionais

Matéria seca2 (%) 76,27 76,29 75,65
Proteína bruta2 (% na MS) 13,77 14,87 14,03
Extrato etéreo2 (% na MS) 4,68 6,99 7,86
Fibra em detergente neutro2 (% na MS) 33,63 31,38 33,11
Nutrientes digestíveis totais3 (% na MS) 77,12 80,65 81,96

1Composição por kg do produto: fósforo = 40g; cálcio = 146g; sódio = 56g; enxofre = 40g; magnésio = 20g; cobre = 350g; zinco = 1.300mg; manganês = 900mg; ferro = 1.050mg; cobalto = 10mg; iodo = 24mg; selênio = 10mg; flúor = 400mg; 2Determinados em laboratório; 3 Estimados pelo RLM®(LANA et al., 1999).

As refeições foram fornecidas diariamente às 8h e às 15h, na forma de ração completa, sendo o óleo adicionado e misturado ao concentrado diária e individualmente, e este misturado ao volumoso no cocho. A quantidade de alimentos ofertada foi dividida igualmente entre os horários e permitiu sobras aproximadamente de 12% da MS ingerida no dia anterior.

Os animais foram pesados no início, a cada 28 dias e no final do confinamento, precedidos de jejum total por 15 horas. Em conjunto com a pesagem final foram realizadas as mensurações biométricas das alturas da garupa, cernelha e tórax; larguras do tórax, ísquios e garupa; perímetro torácico e contorno pelviano (SAMPAIO, 1990), todas obtidas com o auxílio de fita métrica padrão, segundo recomendações de Cyrillo et al. (2001), e bengala zoométrica.

Foi estipulado em 500kg o peso médio corporal dos animais de cada bloco para o abate. Assim, os animais foram abatidos em abatedouro comercial de forma escalonada, por bloco, sendo dois blocos abatidos após 96 dias de período experimental, outros dois após 110 e um após 138 dias. No abate foram obtidos os valores de pH, temperatura, comprimento (distância da borda cranial da primeira costela em seu ponto médio até o bordo anterior da sínfise ísquio pubiana) e profundidade (distância do bordo anterior da cartilagem externa até a borda inferior do canal medular entre a 5ª e 6ª vértebras dorsais) da carcaça quente, e os pesos da gordura renal-pélvica-inguinal, fígado e rins.

Após 24 horas de resfriamento em câmara frigorífica, foi obtido o peso frio das carcaças e calculadas as perdas no resfriamento. Em seguida, foram feitas as divisões das meias-carcaças em traseiro e dianteiro, separada entre as 5ªe 6ª vértebras torácicas, e do traseiro, a uma distância de 20cm da coluna vertebral, foi retirada a ponta de agulha, resultando no traseiro especial. Os cortes primários foram pesados para o cálculo de rendimento em relação à carcaça resfriada.

Das meias-carcaças esquerdas foram retiradas peças do Longissimuscom ossos entre as 6ª e 13ª costelas e congeladas. No laboratório, cada peça foi separada entre a 12ª e 13ª costelas e determinada a área de olho de lombo (AOL), por decalque do perímetro do músculo em papel vegetal, posteriormente digitalizado e medido por meio do programa Autocad (AUTO COMPUTER AIDED DESIGN. AUTODESK, INC). Das meias-carcaças direitas, foram retirados os seguintes cortes cárneos: alcatra completa (alcatra + picanha + maminha), contrafilé, filé mignon, músculo do traseiro, coxão mole, coxão duro, lagarto, patinho, acém, peixinho, paleta, músculo do dianteiro, cupim, ponta de peito e pescoço. Os cortes foram pesados e calculados seus rendimentos em relação à meia-carcaça. Os pesos dos cortes do traseiro especial (alcatra completa + contrafilé + filé mignon + músculo + coxão mole + coxão duro + lagarto + patinho), exceto o coxão duro e músculo, foram somados e classificados como carne de primeira; todos os cortes do dianteiro (acém + peixinho + paleta + músculo + cupim + ponta de peito + pescoço), o coxão duro e o músculo do traseiro foram somados e classificados como carne de segunda; a alcatra completa, contrafilé e filé mignon foram somados e classificados como cortes nobres (PAZDIORA, 2011). A alcatra completa, contrafilé, cupim, ponta de peito e ponta de agulha foram somados e classificados como carne para churrasco (TULLIO, 2004).

Para cada variável estudada, foi verificada a normalidade da distribuição das variâncias pelo teste de Shapiro-Wilk, considerando-se probabilidade de 0,05 como significativa, e os dados transformados, caso houvesse indicação (SAS, 2009). O delineamento experimental foi em blocos incompletos ao acaso, em esquema fatorial 3 x 2 (teores de óleo e condição sexual), e 29 unidades experimentais, sendo que o tratamento com 1,0% de óleo e fêmea teve uma repetição a menos. O modelo de análise incluiu o peso inicial como covariável, os blocos como efeito aleatório, os teores de óleo e condição sexual como efeitos fixos e a interação entre eles, sendo analisados pelo procedimento MIXED (SAS, 2009). As características de carcaça e os cortes cárneos foram analisados em função dos teores de óleo de linhaça por meio de análises de regressão pelo PROC GLM (SAS, 2009), sendo considerada como significativa probabilidade igual ou inferior a 0,10. Os efeitos de sexo e bloco foram incluídos no modelo como efeitos classificatórios e o efeito de bloco foi considerado como aleatório.

As medidas corporais e o peso final dos animais, as características da carcaça e os cortes cárneos classificados foram submetidos à análise de correlação de Pearson, pelo procedimento CORR (SAS, 2009), considerando-se as probabilidades de 0,01 e 0,05 como significativas.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Não foram observadas interações entre os teores de óleo e condições sexuais para as variáveis estudadas.

O peso da carcaça quente foi maior para os machos castrados (302,14 ± 25,73 kg) em relação às fêmeas (287,45 ± 16,06 kg), sem diferenças entre as dietas; já o rendimento da carcaça quente não diferiu entre os teores de óleo e as condições sexuais, com média de 56,45 ± 2,86% (ROSA, 2014).

Foram observados aumentos lineares da temperatura da carcaça e da AOL em cm2 e em cm2/100 kg de carcaça, e redução das perdas no resfriamento com o aumento da quantidade de óleo de linhaça in natura na MS da dieta (Tabela 2). A espessura de gordura de cobertura diferiu (P<0,05) entre as dietas (9,26 ± 7,33 mm; 9,82 ± 2,58 mm e 12,05 ± 3,51 mm para 1,0; 3,8 e 5,2% de óleo de linhaça, respectivamente) e entre as condições sexuais (8,58 ± 3,54 mm e 12,17 ± 5,64 mm, para machos castrados e fêmeas, respectivamente) (ROSA, 2014), atuando como isolante térmico e contribuindo para a persistência da temperatura das carcaças bovinas, assim como para as reduções das perdas no resfriamento que ficaram abaixo de 2,0%. Valores de perdas no resfriamento abaixo desse percentual são indicativos de carcaças com bom acabamento de gordura, pois quanto maior a espessura de gordura de cobertura menor as perdas por gotejamento no momento em que as carcaças são resfriadas (FELÍCIO, 2011).

Tabela 2 Características da carcaça quente e fria, e dos componentes no-carcaça de fêmeas e machos castrados Nelore x Canchim, terminados em confinamento e alimentados com teores crescentes de óleo de linhaça 

Variáveis P2Interação Teor de óleo (% da MS) P Regressão Condição sexual P EP3

1,0 3,8 5,2 Linear Quadrática Machos castrados Fêmeas
Carcaça quente

pH 0,6151 6,19 6,35 6,22 0,7883 0,0942 6,31 6,20 0,4028 0,045
Temperatura, °C 0,4998 38,79 39,32 39,73 0,0657 0,8890 39,12 39,44 0,5669 0,215
Comprimento, cm 0,6104 131,27 131,13 131,99 0,6116 0,6698 131,64 131,29 0,8035 0,698
Profundidade, cm 0,7936 67,22 67,29 65,81 0,2370 0,4575 68,17 65,38 0,0320 0,490

Carcaça fria

Área de olho de lombo, cm2 0,9351 75,12 80,04 86,06 0,0122 0,8658 82,18 78,64 0,3068 2,074
Área de olho de lombo1 100 0,9636 26,39 27,52 29,00 0,0309 0,8541 27,57 27,71 0,8835 0,439
Perdas no resfriamento, % 0,2053 1,80 1,22 1,18 0,0094 0,1348 1,38 1,42 0,8632 0,106

Pesos, kg

Total 0,7196 286,04 295,74 296,78 0,1106 0,4527 302,14 283,41 0,0152 4,516

Dianteiro 0,6817 106,83 110,83 110,58 0,1818 0,3847 114,87 103,96 0,0025 2,109
Traseiro especial 0,7975 131,16 134,48 136,32 0,1464 0,8081 136,86 131,11 0,1069 1,992
Ponta de agulha 0,9555 47,83 50,78 49,83 0,1010 0,0789 50,86 48,10 0,2543 0,753

Rendimentos, %

Dianteiro 0,9117 37,26 37,45 37,19 0,8737 0,5868 37,99 36,61 0,0090 0,225
Traseiro especial 0,9464 45,85 45,42 45,96 0,8433 0,2828 45,21 46,28 0,0397 0,210
Ponta de agulha 0,9422 16,85 17,13 16,87 0,9566 0,3412 16,78 17,12 0,4705 0,167

Componentes não-carcaça, kg

Gordura renal-pélvica-inguinal 0,9225 9,97 11,70 11,64 0,1472 0,3415 10,26 11,95 0,1067 0,440
Fígado 0,2363 5,94 5,78 5,65 0,1823 0,9208 6,13 5,45 0,0249 0,124
Rins 0,1619 0,94 0,96 1,00 0,1640 0,6251 0,96 0,98 0,7241 0,023

1 cm2/100 kg de carcaça; 2Probabilidade; 3Erro padrão

Com relação à AOL, o aumento do teor energético das dietas implicou em maior deposição de massa muscular nas carcaças bovinas (Tabela 2), apesar de ter ocorrido redução linear da quantidade ingerida de MS pelos animais, tanto em kg/dia quanto em porcentagem do peso corporal (ROSA, 2014). O acréscimo da quantidade de carne na carcaça foi possível devido aos animais não estarem na idade adulta a qual, por definição de Owens et al. (1995), é quando o animal atinge a máxima deposição de matéria desengordurada (soma de água, proteína e minerais), ou seja, quando o ganho de peso passa a ser composto exclusivamente por gordura. Maiores AOL nas carcaças podem implicar em maior remuneração nas relações de compra e venda tanto para produtores quanto para os frigoríficos, pela correlação positiva da AOL com o peso da carcaça quente (YOKOO et al., 2008).

O pH e o peso da ponta de agulha apresentaram efeito quadrático (P<0,10) com o aumento dos teores de óleo de linhaça na dieta (Tabela 2). De acordo com Lawrie (2005), o pH por ser influenciado por diversos fatores como estresse no transporte e pré-abate, sendo, portanto, um atributo intrínseco do animal. No presente estudo, os valores de pH ficaram acima dos 5,8 considerados normais para a carne bovina logo após o abate (LãAWRIE, 2005).

O uso do óleo de linhaça não alterou (P>0,10) o conteúdo de gordura renal-pélvica-inguinal na carcaça dos bovinos cruzados, independentemente do teor utilizado (Tabela 2) e mostrando a eficiência de tal suplementação. Esse acúmulo de gordura pode reduzir o rendimento da carcaça e o lucro de quem a produziu, pois o produtor não receberia por essa gordura. A gordura pode ser estocada nas formas subcutânea, intermuscular, intramuscular e interna (pélvica, renal e inguinal), mas, a composição e a quantidade desses depósitos dependerão da dieta e necessidade do uso dessas reservas no decorrer da vida do animal (ENGLE et al., 2000). SegundoGeay et al. (2001), a quantidade e a composição dos lipídios armazenados nos tecidos dependem, além das dietas, do metabolismo hepático, dos processos de digestão e absorção intestinal, e dos sistemas de transporte.

Os pesos dos cortes da paleta, alcatra completa, contrafilé e coxão mole foram crescentes com o aumento dos teores de óleo de linhaça na dieta, sendo também observado efeito quadrático para o cupim e coxão duro (Tabela 3).

Tabela 3 Peso e classificação dos cortes do dianteiro e traseiro especial da meia-carcaça direita de fêmeas e machos castrados Nelore x Canchim, terminados em confinamento e alimentados com teores crescentes de óleo de linhaça 

Variáveis (kg) P6Interação Teor de óleo (% da MS) P Regressão Condição sexual P EP7

1,0 3,8 5,2 Linear Quadrática Machos castrados Fêmeas
Cortes do dianteiro

Acém 0,6036 8,14 8,45 8,68 0,1314 0,8983 8,92 7,93 0,0138 0,225
Peixinho 0,8650 1,47 1,40 1,45 0,7624 0,1582 1,54 1,34 0,0028 0,032
Paleta 0,8822 8,37 8,57 8,88 0,0230 0,7265 9,09 8,12 0,0021 0,214
Músculo 0,2996 6,65 7,04 6,76 0,7354 0,2192 7,21 6,42 0,0176 0,189
Cupim 0,9172 2,58 3,08 2,95 0,0632 0,0517 2,96 2,78 0,3654 0,082
Ponta de peito 0,8594 6,24 6,50 6,65 0,2206 0,8179 6,63 6,30 0,3493 0,145
Pescoço 0,7540 7,34 7,09 7,20 0,7691 0,6345 7,35 7,07 0,4968 0,188

Cortes do traseiro

Alcatra completa1 0,7330 8,14 8,37 8,52 0,0842 0,9768 8,21 8,48 0,1394 0,130
Contrafilé 0,6050 9,11 9,35 9,59 0,0910 0,9887 9,78 8,92 0,2873 0,207
Filé mignon 0,5036 2,62 2,55 2,61 0,9109 0,4897 2,62 2,56 0,8466 0,076
Músculo 0,5580 4,74 4,88 4,85 0,4305 0,4355 4,93 4,72 0,1073 0,098
Coxão mole 0,8331 9,64 10,08 10,18 0,0580 0,4555 10,08 9,86 0,4186 0,155
Coxão duro 0,9072 5,11 5,60 5,50 0,0336 0,0663 5,53 5,28 0,2626 0,102
Lagarto 0,9940 2,56 2,65 2,63 0,5725 0,5936 2,57 2,65 0,5999 0,056
Patinho 0,7990 5,42 5,31 5,55 0,4256 0,2115 5,48 5,37 0,4317 0,109

Classificação

Primeira2 0,9235 37,51 38,05 39,11 0,1305 0,7622 38,52 37,93 0,6608 0,556
Segunda3 0,6656 50,64 52,49 52,90 0,0712 0,4732 54,05 49,98 0,0034 0,995
Nobres4 0,9109 19,80 20,01 20,81 0,0614 0,4791 20,27 20,14 0,9113 0,330
Churrasco5 0,9625 49,94 52,07 52,93 0,0193 0,5042 52,13 51,17 0,6516 0,765

Total 0,7354 111,98 115,57 117,17 0,0364 0,6028 117,42 112,40 0,1445 1,797

1Alcatra + picanha + maminha; 2 Todos os cortes do traseiro, exceto músculo e coxão duro; 3 Todos os cortes do dianteiro + músculo do traseiro + coxão duro; 4Alcatra completa + contrafilé + filé mignon; 5 Alcatra completa + contrafilé + ponta de peito + cupim + ponta de agulha;6 Probabilidade; 7 Erro padrão

Não foram observadas diferenças entre as dietas para os cortes acém, peixinho, músculos do dianteiro e traseiro, ponta de peito, pescoço, filé mignon, lagarto e patinho, mas quando somados os cortes classificados como carne de segunda, nobres, para churrasco e total, constatou-se que eles aumentaram com a maior adição de óleo de linhaça na dieta (Tabela 3). O aumento de peso dos cortes cárneos, principalmente os do traseiro especial, nobres e para churrasco atende às exigências dos frigoríficos (Tabela 3). Segundo Pascoal et al. (2011), os frigoríficos têm priorizado a venda de carne desossada e embalada a vácuo pela agregação de valor e, dentre esses cortes, os considerados como de primeira, nobres e os de churrasco são os mais rentáveis na comercialização.

Quanto aos rendimentos dos cortes cárneos, apenas a porcentagem do total de carne foi ascendente com o aumento dos teores de óleo de linhaça na dieta, com efeito quadrático para o rendimento do cupim (Tabela 4).

Tabela 4 Rendimento e classificação dos cortes cárneos da meia-carcaça direita de fêmeas e machos castrados Nelore x Canchim, terminados em confinamento e alimentados com teores crescentes de óleo de linhaça 

Variáveis (%) P6Interação Teor de óleo (% da MS) P Regressão Condição sexual P EP7

1,0 3,8 5,2 Linear Quadrática Machos castrados Fêmeas
Cortes do dianteiro

Acém 0,7226 5,65 5,71 5,76 0,5554 0,9586 5,91 5,50 0,0865 0,088
Peixinho 0,6918 1,02 0,95 0,97 0,1710 0,1696 1,02 0,94 0,0289 0,015
Paleta 0,9739 5,81 5,79 5,89 0,5264 0,6028 6,03 5,63 0,0241 0,070
Músculo 0,4102 4,61 4,76 4,48 0,5245 0,2226 4,77 4,46 0,1095 0,086
Cupim 0,9991 1,81 2,11 1,96 0,2214 0,0532 1,99 1,93 0,7234 0,058
Ponta de peito 0,6446 4,33 4,42 4,44 0,5838 0,8259 4,40 4,39 0,9453 0,079
Pescoço 0,7627 5,09 4,80 4,81 0,3580 0,5268 4,88 4,92 0,8550 0,108

Cortes do traseiro

Alcatra completa1 0,3139 5,66 5,68 5,69 0,8122 0,9455 5,45 5,91 0,0038 0,062
Contrafilé 0,7733 6,32 6,20 6,47 0,4266 0,2123 6,31 6,36 0,9139 0,147
Filé mignon 0,6060 1,83 1,75 1,74 0,1013 0,3671 1,76 1,79 0,8701 0,061
Músculo 0,6176 3,29 3,30 3,22 0,4218 0,5023 3,27 3,28 0,8847 0,031
Coxão mole 0,8011 6,72 6,85 6,79 0,6283 0,4309 6,69 6,88 0,3589 0,069
Coxão duro 0,6578 3,54 3,71 3,66 0,3144 0,2737 5,59 3,69 0,3702 0,044
Lagarto 0,9811 1,78 1,80 1,75 0,7236 0,6122 1,71 1,84 0,1582 0,032
Patinho 0,8823 3,76 3,59 3,69 0,5129 0,1469 3,63 3,74 0,2439 0,042

Classificação

Primeira2 0,8783 26,16 25,88 26,45 0,5451 0,3081 25,91 26,41 0,4404 0,259
Segunda3 0,1506 35,15 35,56 35,69 0,1622 0,6571 36,20 34,72 0,0036 0,203
Nobres4 0,5792 13,82 13,64 13,89 0,7724 0,2809 13,54 14,03 0,5101 0,228
Churrasco5 0,8105 34,87 35,43 35,27 0,5164 0,4860 34,75 35,62 0,4487 0,396

Total 0,1156 77,92 78,44 78,91 0,0418 0,9346 78,52 78,32 0,8682 0,390

1Alcatra + picanha + maminha; 2 Todos os cortes do traseiro, exceto músculo e coxão duro; 3 Todos os cortes do dianteiro + músculo do traseiro + coxão duro; 4Alcatra completa + contrafilé + filé mignon; 5 Alcatra completa + contrafilé + ponta de peito + cupim + ponta de agulha;6 Probabilidade; 7 Erro padrão

Machos castrados obtiveram carcaças mais pesadas em relação às fêmeas (Tabela 2), e essas carcaças são preferidas pelos frigoríficos, por demandar a mesma mão-de-obra e tempo de processamento do que carcaças mais leves (SILVA et al., 2008). Os maiores peso e rendimento do dianteiro, profundidade de carcaça (Tabela 2) e pesos do acém, peixinho, paleta e músculo (Tabela 3) dos machos castrados, estão relacionados com as características de diferenciação sexual, pois, apesar dos animais terem sido castrados aos 15 meses, pode-se observar efeito dessa diferenciação ocasionada, provavelmente, por ação dos hormônios andrógenos que são associados à maior deposição de massa muscular no organismo (McDONALD & PINEDA, 1991). Além disso, os machos castrados tiveram fígados mais pesados, justificados pela maior taxa de deposição de massa corporal, o que pode exigir do fígado maior demanda de síntese de nutrientes para formação de tecidos (KUSS et al., 2007).

Machos castrados e fêmeas Nelore x Canchim produzem quantidades similares de cortes cárneos do traseiro especial, tanto em peso quanto em rendimento (Tabela 3), semelhantes aos resultados de Coutinho Filho et al. (2006). Mesmo as fêmeas produzindo carcaças mais leves não diferiram quanto ao conteúdo do traseiro especial e de seus cortes cárneos, com pesos similares aos dos machos castrados.

Em razão dos cortes nobres se localizarem na parte posterior da carcaça, um maior peso e rendimento de traseiro na carcaça são desejáveis pelo maior valor comercial (RODRIGUES FILHO et al., 2013). No entanto, ainda são praticadas penalizações nos preços pagos pelos frigoríficos ao produtor no abate de fêmeas, por volta de 8,0% a menos no preço da arroba em relação à cotação dos machos, devido às diferenças de peso da carcaça. Para os frigoríficos, o rendimento de carcaça e os pesos dos cortes comerciais, principalmente do traseiro, são medidas que interessam economicamente por serem mais rentáveis nas indústrias frigorífica e varejista de carnes (PASCOAL et al., 2011). Nesse aspecto, descontos nos preços pagos pela arroba de fêmeas poderiam ser considerados injustos, já que não foram observadas diferenças para rendimentos de carcaça e de cortes cárneos de maior valor comercial entre machos castrados e fêmeas Nelore x Canchim.

A adição de até 5,2% de óleo de linhaça na MS da dieta de bovinos cruzados aumenta o peso dos principais cortes cárneos do traseiro (Tabela 3), reduz as perdas no resfriamento da carcaça e não altera o teor de gordura renal-pélvica-inguinal (Tabela 2).

A caracterização do conjunto de dados utilizados para as análises de correlações de Pearson são apresentados na Tabela 5. Para a análise das correlações os resultados foram considerados de baixa magnitude com valores até 0,39; moderada de 0,40 a 0,59 e alta acima de 0,60 (Tabela 6). Foram encontradas correlações significativas para todas as medidas corporais e variáveis estudadas, exceto para o comprimento e a espessura de gordura de cobertura na carcaça (Tabela 6).

Tabela 5 Valores mínimo, máximo, média e desvio padrão das variáveis avaliadas para bovinos Nelore x Canchim, terminados em confinamento 

Variáveis Mínimo Máximo Média

Peso de abate, kg 423,00 605,00 515,62 ± 41,09
Medidas corporais, cm

Altura da cernelha 131,00 146,00 138,62 ± 4,74
Altura do tórax 63,00 74,00 68,34 ± 2,74
Altura da garupa 136,00 151,00 143,57 ± 4,67
Largura do tórax 38,50 48,00 43,47 ± 2,30
Largura dos ísquios 24,00 32,00 27,53 ± 1,65
Largura da garupa 46,00 57,00 50,05 ± 2,56
Perímetro torácico 186,00 210,00 196,10 ± 6,29
Contorno pelviano 106,00 137,50 120,38 ± 6,81

Carcaça

Peso da carcaça quente, kg 238,80 346,60 295,16 ± 25,91
Rendimento da carcaça quente, % 46,01 61,51 56,45 ± 2,91
Comprimento, cm 122,00 139,00 131,45 ± 3,70
Profundidade, cm 61,50 72,00 66,55 ± 2,68
Peso da carcaça fria, kg 233,20 342,20 290,88 ± 25,96
Área de olho de lombo, cm2 62,13 104,85 80,64 ± 11,17
Área de olho de lombo, cm2/100 kg carcaça 22,83 31,90 27,68 ± 2,32
Espessura de gordura de cobertura, mm 3,89 30,02 11,10 ± 5,00
Peso do dianteiro, kg 88,40 130,40 108,68 ± 11,63
Peso do traseiro especial, kg 102,80 153,40 132,97 ± 11,87
Peso da ponta de agulha, kg 42,00 61,00 49,23 ± 4,15

Classificação dos cortes, kg

Primeira1 32,10 43,75 38,30 ± 2,94
Segunda2 42,76 63,23 52,12 ± 5,26
Nobres3 34,08 47,04 41,06 ± 3,17
Churrasco4 44,66 61,15 51,80 ± 4,05
Total 95,86 136,93 115,20 ± 9,51

1Todos os cortes do traseiro, exceto músculo e coxão duro;2Todos os cortes do dianteiro + músculo do traseiro + coxão duro; 3 Alcatra completa + contrafilé + filé mignon; 4 Alcatra completa + contrafilé + ponta de peito + cupim + ponta de agulha.

Tabela 6 Coeficientes de correlação de Pearson de medidas corporais com características de peso, carcaça e cortes cárneos de bovinos Nelore x Canchim, terminados em confinamento 

Variáveis Altura tórax Altura garupa Altura cernelha Largura tórax Largura ísquios Largura garupa Perímetro torácico Contorno pelviano
Peso

Final 0,69a 0,46b 0,30 0,55a -0,02 0,33 0,66a 0,52a
Carcaça Quente 0,46b 0,26 0,17 0,56a 0,10 0,45b 0,56a 0,70a
Carcaça Fria 0,47a 0,27 0,17 0,56a 0,09 0,45b 0,59a 0,65a
Dianteiro 0,50a 0,20 0,11 0,62a 0,01 0,39b 0,63a 0,51a
Traseiro Especial 0,34 0,27 0,17 0,49a 0,19 0,49a 0,42b 0,73a
Ponta de Agulha 0,56a 0,26 0,20 0,36 -0,09 0,25 0,69a 0,38b

Carcaça

Rendimento 0,40b 0,23 0,07 0,57a 0,12 0,40b 0,47a 0,73a
Comprimento 0,28 0,23 0,10 0,33 0,28 0,17 0,31 0,26
Profundidade 0,48a -0,03 -0,11 0,26 -0,04 0,16 0,59a -0,21
AOL -0,07 -0,03 -0,04 0,36 0,43b 0,37b 0,08 0,65a
AOL 100 kg de carcaça -0,48a -0,25 -0,19 0,01 0,50a 0,11 -0,40b 0,32
EGC 0,11 -0,12 0,22 -0,15 -0,31 0,02 0,16 0,08

Classificação

Primeira1 0,41b 0,46b 0,37b 0,35 0,05 0,42b 0,31 0,65a
Segunda2 0,63a 0,43b 0,31 0,45b -0,07 0,26 0,55a 0,44b
Nobres3 0,41b 0,46b 0,37b 0,35 0,05 0,42b 0,31 0,65a
Churrasco4 0,58a 0,42b 0,42b 0,34 -0,18 0,29 0,59a 0,51a

Total 0,60a 0,46b 0,35 0,45b -0,04 0,36 0,56a 0,57a

a Significativo (P<0,01); b Significativo (P<0,05)

1Todos os cortes do traseiro, exceto músculo e coxão duro;2 Todos os cortes do dianteiro + músculo do traseiro + coxão duro; 3 Alcatra completa + contrafilé + filé mignon; 4 Alcatra completa + contrafilé + ponta de peito + cupim + ponta de agulha

Muitos estudos de correlações com medidas corporais foram realizados com o intuito de encontrar a melhor medida que se correlacionasse com o peso corporal do animal e/ou com características da carcaça. Nessa busca, muitos observaram correlações do perímetro torácico com o peso corporal e/ou peso da carcaça quente (ABDELHADI & BABIKER, 2009; FERNANDES et al., 2010; CYRILLO et al., 2012), confirmando a importância desse tipo de estudo.

Uma vez que as medidas de altura do tórax, perímetro torácico e contorno pelviano foram as que se correlacionaram com o maior número de variáveis analisadas (Tabela 6), essas mensurações se revelaram importantes para a determinação dos melhores animais para produção de carne, por apresentarem maior correlação com características de produção e esses resultados evidenciam a importância de outras medições que, além do perímetro, podem ser utilizadas como ferramentas para predição de peso corporal e peso da carcaça em bovinos.

Dentre as medidas corporais, o contorno pelviano se sobressaiu por ter sido associado com o peso e rendimento de carcaça quente, assim como com o peso do traseiro especial. Além disso, o contorno pelviano apresentou a maior correlação com o traseiro e com os cortes nobres (Tabela 6). Como o rendimento de carcaça e o peso de abate são ainda as principais formas de comercialização no Brasil (GOMIDE et al., 2006), essa medida poderia auxiliar na estimativa dos maiores valores pagos pela carcaça, antes mesmo de os animais serem abatidos. Outra correlação observada para o contorno pelviano foi com a AOL. O acompanhamento da medição do contorno pelviano nos animais pode ajudar na estimativa dessa variável que é intimamente relacionada com a quantidade de músculo na carcaça além de ser uma metodologia simples e que necessita apenas de uma fita métrica para ser realizada. A inclusão do contorno pelviano nos programas de melhoramento genético pode ser interessante quando utilizada em conjunto com as demais medições, como o perímetro torácico e medidas de altura, na identificação dos melhores animais para corte.

Os resultados obtidos foram importantes pelas correlações significativas entre mensurações corporais in vivo com peso de abate e rendimento da carcaça, parâmetros utilizados na cadeia produtiva da carne brasileira. Ao introduzir avaliações de medidas corporais em um sistema de produção de carne ou experimentação pode se formar lotes homogêneos que, juntamente com a avaliação do peso corporal, poderão auxiliar na escolha da época de abate dos animais. De modo geral, as medidas biométricas têm como vantagem o baixo custo das medições, mas podem sofrer limitações, pois essas devem ser precisas com a correta identificação e localização dos pontos de referência, observando alterações de posição ou postura do animal que possam modificar o tônus muscular.

A introdução do contorno pelviano e da altura do tórax em programas de melhoramento genético podem auxiliar produtores e melhoristas na compra e/ou formação de rebanhos destinados a produção de carne. A medida biométrica do contorno pelviano apresenta as melhores correlações com as características utilizadas na comercialização, como o peso de carcaça quente.

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Recebido: 29 de Setembro de 2014; Aceito: 09 de Novembro de 2015

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