Introdução
São vários os autores a referir que a responsabilidade social tem crescente importância tanto na vertente ambiental e humana (PEREIRA, 2015; FRIEDMAN, 1970) como na vertente econômica e financeira (FRIEDMAN, 1970; FARIA, 2015). Vale notar que a responsabilidade social é um tema em profunda mudança por sua atualidade, falta de um conceito uniforme e universalmente aceite por todos (PEREIRA, 2015), por ser estrategicamente usado pelas empresas na obtenção de benefícios econômicos futuros (REGO, CUNHA, COSTA et al., 2006) e por se tratar de uma matéria na qual as empresas informam sob diferentes perspectivas e formas (FARIA, 2015) é, em suma, um tema complexo na academia e nas empresas.
Várias teorias acompanham o estudo da responsabilidade social. Não é pretensão deste artigo fazer uma súmula das existentes, mas destacar as mais frequentes na literatura consultada, como a Tese da Moral Mínima, a Teoria dos Stakeholders, o pensamento de Milton Friedman, a visão de Thomas Mulligan, a Teoria de Julgamento Moral, a Teoria da Ação Comunicativa e a Teoria da Legitimidade.
A Tese da Moral Mínima, defendida por Rego, Cunha, Costa et al. (2006), divulga que a existência da responsabilidade social empresarial deve procurar incessantemente o lucro, desde que tal jornada não cause malfeitorias. A relação que essa teoria apresenta entre a empresa e a responsabilidade social centra-se no socialmente correto, logo, assume uma relação que varia consoante os objetivos organizacionais.
A Teoria dos Stakeholders defende que, muito além dos interesses individuais dos acionistas, a empresa deve privilegiar os interesses globais dos Stakeholders que a compõem (GREENWOOD e CIERI, 2005). Os Stakeholders são um grupo de interessados que afeta ou é afetado pela empresa, formado por empregados, fornecedores, clientes, entidades financeiras e seguradoras, entidades públicas e o público em geral (FREEMAN e VEA, 2002; TEIXEIRA, 2013). O centro dessa teoria é criar valor para um grupo de interessados, que não exclusivamente os indivíduos que participam no capital das empresas, tarefa complexa devido à multiplicidade de interesses entre as partes envolvidas que, no limite, podem até ser contrastantes (PEREIRA, 2015; FARIA, 2015). Para Philips (2004) o entendimento dessa teoria assenta no recebimento de benefícios para a empresa provenientes de seus stakeholders, de tal forma que esta se vê na obrigação de proporcionar um retorno, gratificando-os de algum modo. A relação dessa teoria entre a empresa e a responsabilidade social é permanente e tem o envolvimento de todas as partes interessadas.
Tal como a Tese da Moral Mínima, Milton Friedman, economista defensor do liberalismo, acredita que as empresas devem constituir-se e crescer com o fruto de seus lucros, essa é a base da Teoria do Shareholder. A perspectiva de Friedman é maximizar os lucros para os acionistas (VASCONCELOS, PESQUEUX e CYRINO, 2014). Inicialmente, parece que o pensamento de Friedman se distancia dos princípios morais e éticos que sedimentam a razão de ser da responsabilidade social, sendo essa visão assumida por diferentes autores (WARTICK e COCHRAN, 1985; MCGEE, 1998). Não obstante, em uma observação mais atenta, verificamos que o autor defende a criação de lucro em cumprimento com as regras da verdadeira competição de mercado (TEIXEIRA, 2013). Logo, a prática da responsabilidade social não é impeditiva à criação de lucro, desde que o caminho para obter tal lucro não comprometa a seriedade dos negócios, ou seja, sem causar danos a outrem ou ser objeto de fraudes, em uma economia que seja livre e aberta (TEIXEIRA, 2013). Se observarmos essa teoria na sua completa acepção, vemos uma ligação positiva entre a empresa e a responsabilidade social, dado que o retorno ao acionista ocorre em uma perspectiva ética e não puramente economicista. Com o mesmo pensamento de Milton Friedman, Archie Carrol, em 1983, defendia que a responsabilidade social permitia gerir as empresas com respeito pela lei e pela ética. Foi dessa forma que, em 1991, criou uma pirâmide na qual destacava uma hierarquia de responsabilidades composta pela esfera econômica, legal, ética e filantrópica. O estudo da responsabilidade social foi gradualmente ampliado e, para tal, ajudou a visão de Thomas Mulligan, expondo que a responsabilidade social encontra raízes nos princípios da Teoria dos Stakeholders advogando que uma empresa deve procurar atingir seu máximo de lucro, mas se distingue da Teoria dos Stakeholders, tendo presente que uma empresa deve atingir tais resultados com base em princípios éticos e morais e não puramente economicistas (MULLIGAN, 1986).
Em uma perspectiva distinta, a Teoria de Julgamento Moral, desenvolvida por Lawrence Kohlberg, assenta nos estudos de Jean Piaget sobre a investigação do desenvolvimento dos indivíduos (GRIESSE, 2003). Essa teoria, segundo Margaret Ann Griesse, procura explicar como um indivíduo soluciona seus problemas com base em decisões éticas, justas e assentes em uma filosofia moral. Os estudos de Kohlberg foram realizados durante mais de duas décadas e entre pessoas muito distintas, o que proporcionou conclusões muito aceitáveis para discussão na academia (GRIESSE, 2003). Logo, essa teoria assumiu particular interesse entre as empresas e a responsabilidade social, na medida em que as empresas passaram a adotar ações socialmente responsáveis para evitar julgamentos sociais negativos pela comunidade (GRIESSE, 2003). Segundo Kohlberg, o Estado não tem capacidade de responder eficazmente a todas as solicitações sociais, logo, as empresas e os cidadãos devem proporcionar o bem comum sempre que possam (GRIESSE, 2003).
Nas diferentes teorias elencadas são comuns as ideias de ética, moral e verdade. Nesse âmbito, chama-se a atenção para outra teoria que destaca mais especificamente a reunião dessas ideias, a Teoria da Ação Comunicativa; esta se baseia na necessidade de equilibrar direitos e interesses, esbatendo conflitos para uma verdadeira comunicação, cuja importância para Habermas (1990) é indiscutível, mas uma obrigação e exigência de verdade sem fins estratégicos ou instrumentais. Logo, essa teoria oferece racionalidade, razão, isenção e objetividade na atividade comunicativa (VASCONCELOS, PESQUEUX e CYRINO, 2014).
Informar sobre a responsabilidade social é não só uma necessidade das empresas, mas, ainda, uma obrigatoriedade para o grupo social em que se encontra (VASCONCELOS, PESQUEUX e CYRINO, 2014). Essa ideologia vai ao encontro da Teoria da Legitimidade, que defende a divulgação da informação de responsabilidade social (DEEGAN, 2002). Essa teoria advoga o princípio de que as empresas não devem apenas empreender ações sociais exclusivamente, mas se preocupar em comunicá-las ao público (BRANCO e RODRIGUES, 2006b; BRANCO, EUGÉNIO e RIBEIRO, 2008). Autores como Gray, Kouhy e Lavers (1996) são advogados acérrimos da importância que essa teoria desempenha no relato da informação de responsabilidade social ao exterior de uma empresa. Anote-se que a forma de divulgação adotada pela empresa pode afetar a perceção no exterior sobre a empresa (DEEGAN, 2002) e ser usada estrategicamente para que as suas ações sejam valorizadas pela sociedade (DIAS, 2009). Segundo Dias (2009), as estratégias de divulgação podem assumir diferentes formas consoante o momento em que a empresa se encontre, pois esta pode necessitar corrigir, sustentar ou alcançar legitimidade. A relação que essa teoria tem entre a empresa e a responsabilidade social é uma função da atuação da empresa, ou seja, pode ser reativa, defensiva, acomodativa ou proativa dependendo da posição da empresa.
Diante das teorias supraestudadas, admite-se que a informação de responsabilidade social é importante para a empresa e para seus Stakeholders. Independentemente dos objetivos individuais (empresa e Stakeholders), é propósito deste artigo destacar as diferentes modalidades de relato da informação de responsabilidade social, quer no nível financeiro, quer no nível não financeiro. Para o efeito, procurou-se por meio de uma recensão bibliográfica, a mais atual possível, destacar as formas de evidenciação da responsabilidade social pelas empresas, analisando e descrevendo suas vantagens e desvantagens, a fim de poder avaliar e discutir as melhores ferramentas de divulgação da informação.
Referencial teórico
O processo de comunicação da informação de responsabilidade social é objeto de vários artigos, livros e essays acadêmicos que pretendem demonstrar sua importância para a manutenção ou melhoria da imagem organizacional (CONCEIÇÃO, DOURADO, BAQUEIRO et al., 2011). Nesse relato, podemos perceber práticas sociais, humanas, ambientais, econômicas e outras que foram executadas pela empresa em determinado período (FARIA, 2015). Cumulativamente, podemos verificar se tais ações influenciam ou influenciaram a performance empresarial (MELO, DANTAS e ARAÚJO, 2016) e observar a saúde de uma empresa e seu potencial futuro (CAETANO e EUGÉNIO, 2015). Uma apreciação de todos esses elementos incorre em uma avaliação financeira, embora o risco associado de subestimar ou sobrestimar o contributo de aspectos não financeiros que interferem na maioria das análises da informação empresarial (CAETANO e EUGÉNIO, 2015). Assim, em primeiro lugar, vale esclarecer que tipo de responsabilidade social interna e externa uma empresa é capaz de realizar para que, com base nesse instrumento, possamos identificar formas de relato ajustadas para um e outro nível empresarial (interno e externo) (Quadro 1) (FARIA, 2015). Note-se que o Quadro 1 contempla apenas algumas ações que servem de exemplo de práticas que as empresas podem adotar para permitir que seus colaboradores se tornem atores, mas também, recebam benefícios pelas práticas socialmente responsáveis das empresas. Todas essas ações elencadas foram aleatórias, bem como as medidas a adotar, sem prejuízo da escolha de outras ações e medidas que igualmente representariam o nível de relato interno e externo da responsabilidade social empresarial.
Como se observa no Quadro 1, são várias as formas de executar ações de responsabilidade social. Umas podemos dizer que são mais simples para as empresas, ou pelo menos mais facilmente aceitáveis que outras, devido aos impactos econômico-financeiros que podem implicar sobre os lucros (FARIA, 2015). Em nível interno, destacam-se ações de criação e implementação de normas sociais e ambientais, apoio aos recursos humanos, afetação de regras de higiene e segurança no trabalho, investimento em capital humano e no ambiente (MARCO, 2012). Em nível externo, a empresa visa a se tornar mais visível e apelativa aos seus Stakeholders, promovendo boas relações com a comunidade e aumentando os investimentos nela. Estimular relações com parceiros sociais, para aumentar sua responsabilidade social e criar ou aperfeiçoar códigos de conduta, procedimentos diversos no âmbito social, ambiental e humano (FARIA, 2015). Finalmente, em prol do respeito dos direitos humanos, a empresa deve centrar suas atenções nas preocupações ambientais globais pela sua natural extensão desde a demografia à energia, passando pela poluição (LÁZARO e GREMAUD, 2016; MARCO, 2012).
Como se verifica, há uma multiplicidade de ações de responsabilidade social. Cada uma deve ser comunicada aos Stakeholders que interagem com a empresa. A forma de comunicação é variável, podendo ser escrita ou não escrita. Quer uma, quer outra podem dividir-se em informação de natureza financeira e não financeira (Quadro 2).
Cada uma dessas formas de comunicação apresenta vantagens e desvantagens em sua forma de informação aos Stakeholders. É sobre cada uma delas que se procurará detalhar, começando pelos documentos contabilísticos de prestação de contas. Esses documentos incluem uma infinidade de informações, sendo a quantitativa a que existe em maior número e na maioria das peças usadas. No balanço empresarial, podemos encontrar no passivo corrente e não corrente itens de natureza ambiental, particularmente nas provisões (FARIA, 2012), e no ativo não corrente, especificamente nas rubricas de ativos intangíveis itens relacionados a aspectos sociais, de capital humano e de valorização ambiental (FARIA, 2015). Na demonstração dos resultados, é visível o impacto de itens sociais e ambientais nas rubricas de gastos com o pessoal, imparidades (perdas ou reversões), outros gastos ou outros rendimentos (FARIA, 2012). Na demonstração de fluxos de caixa em pagamentos e/ou recebimentos de atividades de investimento em itens intangíveis (FARIA, 2012). Já na demonstração de alterações no capital próprio não foi visualizado o efeito direto da responsabilidade social, mas indiretamente pela diferença entre o ativo e passivo, ou seja, nas variações ocorridas sobre o resultado do período (FARIA, 2012). No anexo às contas, elemento privilegiado que complementa toda a informação contida nas peças contabilísticas que, além de informação financeira, tem um cariz qualitativo muito elevado e de interesse particular ao leitor da informação, apresenta várias notas com menção a aspectos associados à responsabilidade social como, por exemplo, a nota n. 6 de ativos intangíveis, a nota n. 7 de ativos fixos tangíveis, a nota n. 11 de propriedades de investimento, a nota n. 12 de imparidade de ativos, a nota n. 16 de exploração e avaliação de recursos minerais, a nota n. 17 de agricultura, a nota n. 21 de provisões, passivos e ativos contingentes, a nota n. 22 de subsídios do governo e apoios do governo, a nota n. 26 de matérias ambientais, a nota n. 28 de benefícios dos empregados e a nota n. 30 de outras divulgações (FARIA, 2012). Como os documentos contabilísticos são obrigatórios, não existem controvérsias em torno deles, apenas diferentes pontos de vista quanto às medidas que melhor se ajustam ao cálculo dos itens sociais e ambientais. Alguns autores defendem métricas mais financeiras (FARIA, 2015; EUGÉNIO, 2010), enquanto outras métricas mais qualitativas que tornam a informação mais subjetiva embora mais facilmente concebível (PARENTE, 2014; FESTAS, 2012).
O relatório de gestão é uma peça que apresenta informação financeira e não financeira de responsabilidade social (MATA, FIALHO e EUGÉNIO, 2014). Inclui informação ambiental diluída com a informação financeira restante (CARVALHO e MONTEIRO, 2002), mas também informação social e de capital humano (MATA, FIALHO e EUGÉNIO, 2014). Como exemplo, apresenta-se o relatório de gestão e contas da Cooperativa António Sérgio para a Economia Social referente a 2015, aprovado em 29/03/2016, que demonstrou por meio da participação em conferências e congressos sobre o tema um conjunto de medidas adotadas no âmbito da responsabilidade social na comunidade em que está inserida, com apoio de seus colaboradores e em parceria com entidades e redes de responsabilidade social. Igualmente, o relatório de gestão de 2015 da Sociedade Nacional de Estratificados (Sonae) demonstrou uma distinção da empresa por meio do Retail Awards HiperSuper 2015, na categoria Melhor Campanha de Responsabilidade Social e Corporativa no setor de retalho alimentar; já no relatório de gestão de 2015 do Intermarché pode ler-se que, nessa distinção, a empresa foi premiada como melhor campanha de publicidade.
A Energias de Portugal (EDP) também preconiza em seu relatório e suas contas de 2015 ações de responsabilidade social inseridas em uma política de investimento social. Materializa-se por meio da melhoria da qualidade de vida de populações mais desfavorecidas, apoio de tradições da cultura popular portuguesa, ao introduzir a metodologia Lean nas escolas e autarquias com o propósito de reduzir o desperdício e favorecer a eficiência e por fazer parte do London Benchmarking Group, com o objetivo de distribuir o investimento social, nessa rede que partilha uma linguagem comum, projetos e voluntariado que se ligam ao terceiro setor ou ao setor da economia social. Existe alguma controvérsia na EDP, pois a empresa poderia ser socialmente mais responsável do que as divulgações apresentadas em seu relatório e suas contas. A EDP parece irresponsável quando não adota tarifas mais reduzidas para os mais carenciados, não renuncia aos valores de pensões elevados recebidos pelo Estado português, quando há indícios de práticas de concorrência desleal e quando gasta milhões de euros na construção de um luxuoso Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT) em uma área suntuosa de Lisboa. Essa análise crítica de suas ações pode estender-se a outras empresas que indicam responsabilidade social em seus relatórios e suas contas, mas parecem praticar a irresponsabilidade social.
O balanço social, peça de informação financeira (RIBEIRO e LISBOA, 1999), constitui instrumento de gestão (TINOCO, 2009; FREIRE e MALO, 1999), um meio de avaliação de desempenho (MELO NETO e FROES, 2001) com capacidade de medir, explicar e mensurar a preocupação da empresa com as pessoas e a vida no planeta (FARIAS, 2004) criado para analisar e divulgar o trabalho social (BUENO, 2002; BUENO, 2008). Traduz informação de responsabilidade social de natureza financeira no nível dos investimentos em equipamentos e tecnologia de recuperação e preservação ambiental, remuneração e benefícios dos empregados no âmbito da educação, alimentação, saúde e transportes, bem como o impacto no desenvolvimento local, na criação e na distribuição de riqueza e assistência financeira e social à comunidade (IUDÍCIBUS, MARTINS e GELBCKE, 2007; TINOCO, 2009). Alguns autores não defendem o uso dessa ferramenta de comunicação de informação de responsabilidade social (ARRIGONI e LISBOA, 2000; ARAÚJO, 1999) dizendo que esta apenas interessa à empresa pela informação positiva ou de criação de valor que agrega à sua imagem, ou no limite, para ocultar informação prejudicial ao negócio da empresa (SOARES, 2002).
As páginas web cada vez mais utilizadas pelas empresas (FARIA, 2015) são, na atualidade, o maior veículo de informação usado pelas empresas listadas na Fortune 500, que a utilizam para descrever vários itens sobre responsabilidade social e, dessa lista, quase metade elaboram relatos específicos sobre aspectos sociais e ambientais (BHATTACHARYA, 2003; ANTOLÍN e GAGO, 2004). Segundo Branco e Rodrigues (2006a e 2008) estão preparadas para a informação de futuro ao providenciar um manancial informativo nos mais diferentes níveis qualitativo e quantitativo, financeiro e não financeiro. Em suma, as páginas web distinguem-se particularmente dos meios de divulgação anteriores na medida em que, com a globalização dos negócios, cada empresa pode e deve informar seus Stakeholders de todas as atividades executadas (MATA, FIALHO e EUGÉNIO, 2014; FARIA, 2012). Pode fazê-lo quase em tempo real, basta ter acesso à internet, sendo a liberdade de inserção de conteúdos um convite à sua utilização (MATA, FIALHO e EUGÉNIO, 2014; FARIA, 2015).
Quer as páginas web, quer as redes sociais ou o correio eletrônico só funcionam com a estrutura da internet. Esta tem revolucionado não só a forma de competição como as ações e a comunicação das práticas de responsabilidade social (MATA, FIALHO e EUGÉNIO, 2014; MORAL, POYATOS e JURADO, 2010). Ela é considerada chave para conhecer uma empresa (BONSÓN e BEDNÁROVÁ, 2014). Com a internet, desenvolveu-se um novo meio de comunicação: as mídias sociais (HASNAOUI e FREEMAN, 2011). O que faz com que, hoje, a responsabilidade social seja apelidada de e-responsabilidade social empresarial (MORAL, POYATOS e JURADO, 2010). Apesar dos benefícios que estão subjacentes ao uso da internet para difundir e procurar informação sobre ações de responsabilidade social, nota-se alguma inconsistência nas medidas utilizadas nos relatórios sociais (COWPER-SMITH e GROSBOIS, 2010). O uso da internet começa a aparecer associado à manipulação da informação, simplesmente porque facilita o acesso à comunicação, dá abertura e transparência ainda não obtida por outros canais (HASNAOUI e FREEMAN, 2011; FASSIN, Rossem e BUELENS, 2011). Como se trata de um canal aberto é difícil de delimitar a informação veiculada e é importante filtrá-la e uniformizá-la (MONTEIRO e AIBAR-GUZMÁN, 2010). Só assim se reúnem condições para comparar ações realizadas pelas empresas e se verifica verdadeiramente seu impacto sobre o meio circundante (FARIA, 2015). Além desses aspectos, outra controvérsia está associada à utilização das páginas web, para a divulgação de informação de responsabilidade social, dado que se socorrem de dados que, em alguns casos não se encontram validados, as investidas de phishing, a violação de privacidade, o roubo de identidade, alguns gastos financeiros com pagamentos de elevadas licenças de utilização de softwares necessários para visualizar determinadas informações, comprometimento do sistema diante de alteração de informações ou inclusivamente de destruição de dados etc.
As redes sociais servem particularmente para a comunicação, informação e divulgação de fatos quer quantitativamente, quer qualitativamente, esta última forma mais vezes assumida. Como não existem fronteiras e formatos padrão, a informação veiculada é muito díspar e em elevado número. No caso de comunicação de responsabilidade social entre empresas e seus consumidores, não é raro se observar comentários negativos, muitas vezes maldosos, sobre os produtos e atuações menos zelosas das empresas que, em determinadas circunstâncias, podem culminar em boicotes, massivas manifestações e mais recentemente mensagens usadas para fins associados a guerras religiosas (LÁZARO e GREMAUD, 2016). O contrário também sucede com cometários, likes ou posts, evidenciando a concordância dos utilizadores da rede diante de sua preferência e permitindo a uma multiplicidade de usuários verificar o número de pessoas a favor ou contra determinada situação. Vários são os casos de empresas que foram arrasadas e outras aclamadas pelas redes sociais. Pela negativa, o caso da Nike, Enron, Bacardi, Morgan Stanley (Citibank), Coca-Cola, Danone, Parmalat etc. e, pela positiva, casos como a Delta, The Global Fund (IBM), Microsoft, Google, Daimler, Sony, Intel, Apple, Nestlé etc. (FARIA, 2015).
O correio eletrônico é, igualmente, uma ferramenta para divulgação de informação quer financeira, quer não financeira com apoio da internet. Pelas empresas é usado para divulgação de ações de responsabilidade social em nível interno e dificilmente passa as portas da empresa, a não ser pela comunicação entre seus colaboradores com outros e com a comunidade em que se insere. As informações veiculadas são muito incontroláveis partindo da vertente social, humana, ambiental e econômica até a informação de pesquisa sob a forma de: questionários ou entrevistas (BELAL e COOPER, 2011) online, para recolha de opiniões sobre impactos de determinadas ações socialmente responsáveis a praticar ou já praticadas (FARIA, 2015).
O relato integrado deriva do interesse em mencionar a informação de responsabilidade social empresarial nos relatórios das empresas (CAETANO e EUGÉNIO, 2015). Pode-se dizer que quer o relato integrado, quer a responsabilidade social têm despoletado o aumento das atividades socioambientais por todo tipo de empresas (MICHELON, PILONATO e RICCERI, 2014). No entanto, as críticas sobre a relevância e a credibilidade quanto aos formatos existentes têm perpetuado a lacuna informativa nessas matérias socioambientais (MICHELON, PILONATO e RICCERI, 2014). O relato integrado segundo Tomé (2014) surge como complemento ao relato de sustentabilidade, com o objetivo de promover a melhoria de informação e de preencher lacunas quer da contabilidade financeira, quer dos relatos de sustentabilidade. Pretende dar resposta às limitações do relato, evitando desfasagem temporal na informação prestada e falsas tomadas de decisão, indo além, para uma visão de comunicação concisa sobre a criação global de valor (DRUCKMAN, 2013; BAKKER, 2013). Por se tratar de uma peça ainda em desenvolvimento, não se verificou em Portugal sua utilização, à exceção do setor bancário e segurador que, com recurso ao Extensible Business Reporting Language (XBRL) (CAETANO e EUGÉNIO, 2015), expressa em uma única peça de informação e em linguagem universal o conhecimento global do negócio, desde a componente puramente financeira até a social e ambiental (LYS, NAUGHTON e WANG, 2015). Apesar dos defensores do relato integrado, autores como Flower (2014) ou Adams (2015) entendem que o relato integrado não é solução, pois a contabilidade necessita de ser mais desenvolvida e o relatório de sustentabilidade já providencia informação no contexto social e ambiental. Há, ainda, aqueles que apresentam uma posição neutra diante do uso dessa forma de relato. Thomson (2014) é um exemplo que destaca a imprevisibilidade do impacto do relato integrado diante da conexão deste com a contabilidade social, ambiental, o relato empresarial etc. e dada a falta de sua obrigatoriedade e regulamentação.
Atas, memorandos, circulares, boletins informativos, brochuras, cartazes ou outras formas similares de comunicação empresarial podem ser uma alternativa aos meios já elencados (FARIA, 2012). Podem traduzir informação financeira e não financeira com gráficos sobre desempenho econômico associado a ações de responsabilidade social, práticas de responsabilidade social executadas e seus participantes, número de horas de voluntariado durante o período de trabalho etc. (FARIA, 2015). Normalmente, esses documentos circulam em suporte impresso, mas, para redução de custos, muitas empresas adotaram sua comunicação via correio eletrônico. Fazendo uma discussão crítica de seu uso, existe uma multiplicidade de modelos usados, uma separação da informação de responsabilidade social que pode gerar dificuldades de entendimento ou influenciar decisões contraditórias (FARIA, 2015).
Os índices e indicadores são igualmente usados para transmissão de informação de responsabilidade social (TODESCAT, JUNIOR e MOREIRA, 2013). Os primeiros índices de que há registo foram o índice de Retorn on Assets - ROA e o Retorn on Equity - ROE desenvolvidos por Waddock e Graves (1997) e Mahoney e Roberts (2004). No entanto, as medidas usadas por estes índices podem não ser nem tão diretas nem tão fidedignas, pelo que, os autores defendem uma acumulação de mensurações especialmente combinando padrões internos e externos (TODESCAT, JUNIOR e MOREIRA, 2013). Até o momento, parece haver evidências de que o índice Kinder Lidenberg, Domini e Co. Inc. (KLD), que analisa uma empresa externamente e mede sua performance social é dos mais utilizados pelas empresas. Os autores Mahoney e Roberts (2004) defendem que, apesar de sua variada aplicação, esse índice deve ser revisto de modo a não misturar diferentes tipos de resultados. Wood e Jones (1995) criticam esse índice por ter uma escala excessivamente numérica, o que pode provocar, em alguns casos, alguma subjetividade, embora pese o fato de entenderem ser o índice com informação mais completa no nível social disponível até o momento. Além desse índice, podemos citar outros, como o americano Dow Jones Sustainability Index e seus derivados, que conduzem os investidores a analisar a rentabilidade das ações das empresas em termos de sustentabilidade solidária (metas sociais, ambientais e econômicas); o canadense Jantzi Social Index, o britânico NPI Social Index e a família de índices FTSE4Good Social Responsibility Index são usados para identificar aspectos sociais e ambientais (CAMPOS, MORENO e LEMME, 2007).
O balanced scorecard (BSC), desenvolvido por Kaplan e Norton em 1992, integra aspectos estratégicos sob a forma de variados modelos desenvolvidos ao longo do tempo (DIAS-SARDINHA, REIJNDERS e ANTUNES, 2007). É constituído por quatro perspectivas (financeira, clientes, processos internos e aprendizagem e crescimento organizacional (inovação)) criticadas por alguns autores, que defendem sua ampliação para: empregados e sociedade, de modo a cobrir melhor a estratégia e natureza social do relato socialmente responsável (BAGDONIENĖ, SIMANAVICIENĖ e AIMUNTAS, 2011). Essa ampliação demonstra preocupações centradas na responsabilidade social (MEYSSONNIER e RASOLOFO-DISTLER, 2008), mas mostra incoerência com o número muito limitado de indicadores de responsabilidade social que apresenta (MEYSSONNIER e RASOLOFO-DISTLER, 2008) que, segundo os autores, servem para equilibrar a dimensão financeira com as outras. O sucesso da implementação e do uso do BSC depende da identificação financeira e não financeira das variáveis para os objetivos de medida da performance (PANDEY, 2005). As medidas devem ser precisas e consistentes com o objetivo da empresa e da sua estratégia de curto, médio e longo prazo. É nesta perspectiva de longo prazo que surge uma versão recente e mais aprimorada do BSC, o sustainability balance scorecard. Enquanto o BSC identifica e hierarquiza as questões mais relevantes baseadas na estratégia da empresa, atribuindo ponderações a cada uma das variáveis (FIGGE, HAHN, SCHALTEGGER et al., 2002; MÖLLER e SCHALTEGGER, 2005), o sustainability balance scorecard incide nos processos de tomada de decisão que se encontram espelhados no balanço, contemplando informação financeira e não financeira e representando todas as necessidades de informação estratégica social e ambiental. Com a integração das questões ambientais e sociais nesse sistema de contabilidade, o sustainability balance scorecard transforma os ativos intangíveis em fatores financeiros controláveis (FIGGE, HAHN, SCHALTEGGER et al., 2002) e torna a informação produzida uma peça com maior utilidade para os Stakeholders. Ao analisar um ponto de vista distinto, verifica-se que o pensamento de Pessanha e Prochnik (2004) revelam críticas ao uso do BSC e suas ampliações, que se centram em uma contemplação insuficiente dos Stakeholders, na falta de comunhão entre membros da administração e do staff de uma empresa, número excessivo de medidas, pressão por resultados financeiros e sujeição a manipulações.
O relatório de responsabilidade social é um modo de comunicação de ações socialmente responsáveis de forma financeira e não financeira, pois descreve as práticas procurando considerar sua quantificação sob a perspectiva econômica, financeira, social e ambiental (MATA, FIALHO e EUGÉNIO, 2014). Suas principais informações se referem ao desempenho social da empresa, particularmente no detalhe de seu capital humano (maior ou menor, consoante a área de negócios), as propostas de formação e valorização dos trabalhadores, o grau de comprometimento da empresa com a saúde, a segurança e a higiene no trabalho (LÁZARO e GREMAUD, 2016). No nível do desempenho ambiental, há informações relacionadas a consumo energético, nível de emissões atmosféricas, uso racional de recursos hídricos, despesas associadas à transformação dos resíduos produzidos no decurso de sua atividade para proteção ambiental, sem necessitar de apoios estatais para o efeito, promovendo na comunidade uma consciência de reciclagem e tratamento do lixo doméstico (ABREU, MEIRELES e CUNHA, 2015). Nesse relatório de responsabilidade social encontra-se, também, informação relacionada à ética e à política de responsabilidade social orientada pela empresa (ABREU, MEIRELES e CUNHA, 2015).
O relatório de sustentabilidade evidencia a relação entre a empresa, a sociedade e seus colaboradores. É feito com base na Global Reporting Initiative (GRI), organização que atribui aos relatórios de sustentabilidade a mesma utilidade e seriedade dos relatórios e balanços financeiros (MELO, DANTAS e ARAÚJO, 2016), embora autores demonstrem que nem todos os indicadores socioambientais são levantados em total concordância com as diretrizes da GRI (GÓIS, LUCA e VASCONCELOS, 2015). Atualmente, o relatório de sustentabilidade é inspirado na mais recente versão da GRI, a G4, de 2013 (MELO, DANTAS e ARAÚJO, 2016). Esta possibilita aliar às diretrizes de relato já contempladas em suas versões anteriores a aliança de áreas-chave como a corporate governance e a gestão da cadeia de fornecedores (LÁZARO e GREMAUD, 2016). Seu objetivo é promover a informação dos impactos materiais, riscos e oportunidades da empresa em toda a sua cadeia de valor (LÁZARO e GREMAUD, 2016). Cumulativamente, almeja detalhar informações sobre a forma de gestão e os principais indicadores sobre tópicos relevantes para os Stakeholders da empresa (SILVA, 2014). Em causa está informação relacionada com a corporate governance, sistemas de remunerações e incentivos, indicadores anticorrupção, indicadores de emissão de gases, atitude ética e integridade empresarial etc. (SILVA, 2014; MELO, DANTAS e ARAÚJO, 2016).
Existe alguma controvérsia comum em relação ao uso dos relatórios de responsabilidade social e de sustentabilidade que se prende à omissão de alguns dados, com demonstração de ganhos superiores ou com a eleição de ações que permitem, sobretudo, a promoção da imagem empresarial.
O manual de acolhimento serve, entre outros fins, como veículo transmissor da informação de responsabilidade social (GONZÁLEZ, 2012). Nele podemos encontrar informação qualitativa relacionada à forma de integração que um futuro colaborador pode encontrar na empresa (GONZÁLEZ, 2012). A integração dos recursos humanos é um passo importante para que se sintam parte da empresa e, com isso, colaborem com sua estratégia de responsabilidade social, que já existe desde sua chegada e a favorece (GONZÁLEZ, 2012). Nesse manual, em determinados casos muito extenso, encontramos informação diversa, desde a apresentação da empresa e suas áreas de negócio, as atribuições de cada departamento, a forma de circulação interna da informação, a forma de execução de suas atividades, as principais normas às quais o negócio se encontra sujeito, e as normas e os procedimentos internos que o novo colaborador deve considerar (GONZÁLEZ, 2012). Além de tratar-se de uma excelente ferramenta para quem chega à empresa, também é uma forma prática e imediata de demonstrar ao colaborador as intenções socialmente responsáveis da empresa, promovendo esse espírito.
Os códigos de ética e os códigos de conduta são instrumentos que permitem a transmissão dos valores da empresa e de sua visão e missão de negócio (MATA, FIALHO e EUGÉNIO, 2014). Descrevem nessa informação não financeira a forma de atuação de uma empresa. Esses códigos são dirigidos em primeira linha aos seus colaboradores, mas se estendem aos seus Stakeholders. Imbuída na visão e missão do negócio está a menção à informação ou estratégia prosseguida no âmbito da responsabilidade social, garantindo uma mensagem de sustentabilidade e de preocupação com a comunidade (FARIA, 2012).
Quer o manual de acolhimento, quer os códigos de ética e de conduta não devem, sob uma perspectiva crítica, ser analisados como forma inequívoca de apresentar ao público ações e comprometimento com a responsabilidade social, pois a esmagadora maioria das empresas portuguesas sequer dispõe de um manual com esse formato e procuram ser socialmente responsáveis (FARIA, 2015).
A carta do presidente é um documento que normalmente pode vir associado a um relatório de gestão, a um relatório de sustentabilidade ou de responsabilidade social (BENITES e POLO, 2013). Não existe de forma isolada e, em qualquer mapa financeiro ou não financeiro em que apareça, é encarada como uma declaração expressa de responsabilidade social assumida pelo presidente e/ou pela empresa que dirige (MATA, FIALHO e EUGÉNIO, 2014).
O balanço ambiental tem por objetivo divulgar informação contabilística e não contabilística que influencia ou poderá influenciar o ambiente (FARIA, 2015). A informação assenta em um conjunto de ativos, passivos, rendimentos e gastos ambientais, reconhecidos a partir do momento de sua identificação (ALMEIDA, 2003). Há autores que entendem que essa peça financeira e não financeira pode constituir parte do relatório de sustentabilidade (SANTOS, SILVA, SOUZA et al., 2013) ou do relatório de responsabilidade social e, ainda, ser elaborada em comunhão com o balanço social (ABREU, MEIRELES e CUNHA, 2015). Essa peça faz uma descrição não financeira dos fatos ocorridos durante o período econômico em análise, destacando escândalos, impactos na sociedade e nas atividades econômicas das empresas, agressões ao meio ambiente, leis e outras formas regulamentares para alertar e conscientizar dos perigos ambientais (GREEN SAVERS, 2015). Nesse relatório, podemos destacar a presença de informação precisa sobre níveis de emissão, resíduos, níveis de ecoeficiência etc. (HERZIG e SCHALTEGGER, 2006).
A informação não escrita de responsabilidade social pode assumir diferentes aspectos como, por exemplo, gráficos, esquemas, gestos, expressões faciais, difusão no rádio e na televisão sem colocar em causa a eficiência da mensagem de responsabilidade social (ABREU, MEIRELES e CUNHA, 2015). O princípio de que uma imagem vale mais do que mil palavras se enquadra com perfeição para demonstrar essa forma de comunicação em gráficos e esquemas. Estes conseguem demonstrar, financeira e não financeiramente, como são conduzidas as ações de responsabilidade social. Os gestos e as expressões faciais demonstram nos seres humanos por meio do olhar, do sorriso e dos movimentos corporais a generosidade, afetividade e necessidade de apoiar o amor ao próximo (PINZÓN-RIOS, OCAMPO-VILLEGAS e GUTIÉRREZ-COBA, 2015). Essas importantes manifestações de carinho e de ajuda são igualmente formas de responsabilidade social, tal como a cidadania, o voluntariado, a filantropia, a ética empresarial ou outros mecanismos socialmente responsáveis (PINZÓN-RIOS, OCAMPO-VILLEGAS e GUTIÉRREZ-COBA, 2015). A rádio e a televisão desde seu aparecimento revolucionaram nossas vidas em sociedade. Hoje não é diferente e com a responsabilidade social também não. As mensagens que ouvimos no rádio e que vemos espelhadas na televisão plasmam a necessidade de sermos socialmente responsáveis (MATA, FIALHO e EUGÉNIO, 2014). Atualmente, em Portugal, grande parte da área florestal foi devastada pelos inúmeros incêndios. A solidariedade dos bombeiros, das populações e do Estado, em geral, promove cada vez mais ações de responsabilidade social camufladas com nomes como o dever e a obrigação (encargo, compromisso, missão, comprometimento, cuidar), a seriedade e a sensatez na forma de atuação (consciência, reflexão, justiça, honra), e a culpa por um mau acontecimento ter decorrido sem termos feito nada que o impedisse (erros, falhas, delitos, crimes, remorsos, arrependimento, penitência) (FARIA, 2015). Também em épocas festivas (Natal, Ano Novo, Páscoa e outras celebrações, religiosas ou não) se vê mais voluntários, mais peditórios, mais donativos e mais ajuda do que no resto do ano (FARIA, 2015). São mensagens de comoção que, na rádio ou na televisão, fazem com que sejamos socialmente responsáveis, sem necessariamente pensarmos na responsabilidade social (FARIA, 2012).
Em forma de súmula, vale destacar vantagens e desvantagens da informação (Quadro 3) escrita e não escrita, que compreende a vertente financeira e não financeira, que se multiplicam na pluralidade de formas de relato da responsabilidade social anteriormente elencadas.

Fonte: Elaborado pela autora.
Quadro 3 Vantagens e desvantagens da comunicação da responsabilidade social
Como conclusão, e a título de evidenciar algumas sugestões de melhoria ao relato, entende-se que este deve ser transparente, confiável, independente das informações a transmitir (boas ou más) (SERAFIM e FREIRE, 2012), ser completo para criar uma reputação positiva (PINZÓN-RIOS, OCAMPO-VILLEGAS e GUTIÉRREZ-COBA, 2015), aumentar a extensão da regulamentação em vigor para padronizar um relato mais fidedigno (MATA, FIALHO e EUGÉNIO, 2014), melhorar o conteúdo do relato para melhorar o desempenho financeiro, particularmente de empresas com financiamentos externos (MAGNESS, 2006), criar uma maior regularidade na preparação da informação, maior facilidade e acessibilidade na utilidade aos diferentes Stakeholders (MATA, FIALHO e EUGÉNIO, 2014), aumentar a racionalidade econômica da informação produzida, responder às expectativas dos Stakeholders, fortalecer a legitimidade das empresas, atrair fundos de investimentos, evitar iniciativas de divulgação de informação demasiado onerosas, ganhar prêmios com o relato ambiental, social ou sustentável (EUGÉNIO, 2010), concentrar a dispersão de informação e a dispersão geográfica do negócio, diminuir o risco do negócio e o impacto das alterações climáticas sobre ele, aumentar as auditorias da informação produzida (CAETANO e EUGÉNIO, 2015), entre outros aspectos que poderão ser analisados em futuras pesquisas.
Estudo empírico
Metodologia
Trata-se de uma análise exploratória sobre a informação contida nas páginas web das empresas portuguesas. Optou-se por essa forma de comunicação por ser a mais acessível à maioria das empresas e aquela de que a maioria dispõe nesse momento para comunicação com terceiros, mas, também, por se tratar da mais moderna forma de comunicação empresarial, possibilitando incluir conteúdos de informação financeira e não financeira.
Esta pesquisa tem por objetivo identificar o tipo de informações de responsabilidade social apresentadas nas páginas web das empresas, públicas ou privadas, portuguesas, listadas na Bolsa de Valores de Lisboa no 1º semestre de 2016 (Quadro 4).
As empresas objeto de estudo foram selecionadas aleatoriamente, levando em consideração apenas o fato de fazerem parte da lista de empresas com valores admitidos à cotação durante o primeiro semestre de 2016 na Bolsa de Valores de Lisboa. Essas empresas possibilitarão uma análise mais adequada da informação procurada, uma vez que são estas (grandes, multinacionais e empresas com valores admitidos à cotação (FARIA, 2015)) as que mais informação de responsabilidade social relatam sob diferentes formatos, embora os dados em estudo fossem recolhidos somente das páginas web de cada uma dessas empresas.
Análise dos dados
Em primeiro lugar depois da organização da informação recolhida procedeu-se à sua leitura que pareceu indicar aspectos comuns, permitindo um agrupamento da informação em três categorias: terminologia, ações sociais realizadas e indicadores usados para comunicação de informação.
A terminologia que mais se encontra em cada site é meio ambiente, segurança, saúde, educação, higiene no trabalho e cultura. Esses termos são comuns nos setores de atividade consultados.
O foco ambiental e social está presente em todos os sites visualizados, ele não se aplica ao foco econômico das empresas. Por detrás desse fato poderão estar camufladas práticas que terão produzido impactos menos positivos à performance financeira, ou simplesmente as empresas preferiram não abordar o foco econômico para que não se confunda a responsabilidade social com uma despesa. No âmbito do outro foco observado em alguns sites, percebe-se que este se relaciona à identificação das práticas de acordo com a regulamentação em vigor em cada setor de atividade ou no cumprimento de procedimentos normativos aos quais a natureza da empresa se encontra sujeita.
O Quadro 6 evidencia que os Stakeholders mais abrangidos pelas ações de responsabilidade social empreendidas pelas empresas são seus colaboradores. Sem prejuízo dos parceiros comerciais (clientes e fornecedores), os consumidores ou outros intervenientes, para as empresas objeto de estudo parece haver evidência que as práticas de responsabilidade social estão mais focadas na contratação de pessoas portadoras de deficiência. Pelos incentivos fiscais que as empresas têm nessas contratações de recursos humanos ficou por identificar se a razão da contratação se deve meramente a uma atitude de assistência social ou interesse econômico. Outra medida latente é a remuneração acima da média, que pode causar estímulo e maior vínculo à instituição. Pode inclusivamente levar os colaboradores a investir parte do seu tempo livre dedicado a proteger os interesses das empresas para as quais trabalham. Essa ação social também pode não ser totalmente desinteressada em termos financeiros pelas empresas praticantes, pois trabalhadores mais motivados proporcionam melhores desempenhos. Outra ação levada a cabo pelas empresas é a proteção do meio ambiente. Seja pelo cumprimento da legislação em vigor, com medo de multas ou outras penalizações mais pesadas, as empresas em estudo mostraram-se com elevada aptidão ao respeito ambiental. Suas preocupações ambientais são detalhadas no Quadro 7.
Com base no Quadro 7, percebe-se que, no campo de ação ambiental, as empresas estão mais preocupadas com a redução dos consumos de água, energia, de emissões atmosféricas, papel e resíduos produzidos no exercício de sua atividade. Como constatação, identifica-se que essas medidas, além de agradar ao meio ambiente, também são economicamente mais viáveis para o negócio das empresas observadas.
No nível social, as empresas parecem, pelos resultados encontrados nas páginas web, que estão preocupadas com a saúde e segurança no trabalho, o número de acidentes de trabalho, o desempenho do pessoal, a forma como os recursos humanos são contratados e o número de contratados, os vínculos permanentes na contratação dos empregados, as horas de formação proporcionadas aos trabalhadores, o cumprimento das normas da igualdade de gênero, as horas de voluntariado praticadas, o reforço por um estilo de vida ativo no nível social etc.
Quer no nível ambiental, quer no nível social, as empresas deste estudo parecem notar que a transmissão de informação é um ponto importante para seus Stakeholders. Por isso, não é de surpreender que a esmagadora maioria relata informação nas páginas web de forma aglutinadora, já que nestas se encontram informação interna e externa e financeira e não financeira. No tópico outro tipo de informação a veicular nas páginas web, observou-se a enumeração de elementos relativos aos indicadores do GRI que se colocaram nesse item à parte dos demais para que se percebesse o número de empresas nacionais cotadas em bolsa que seguem as diretrizes desse organismo na conceção de seus relatórios de sustentabilidade.
Como as empresas em estudo têm valores admitidos à cotação, elas são obrigadas a relatar um elevado volume de informação nos mais diferentes níveis: econômico, social, humano, financeiro e não financeiro. Do total de informação produzida pelas empresas, aparentemente, nessa amostra há indícios, como mostra o Quadro 8, que em suas páginas web privilegiam o uso dos relatórios e contas/relatório de gestão, os relatórios de sustentabilidade, os relatórios de responsabilidade social e utilizam alguns indicadores e índices sociais e ambientais.
De notar que o balanço social, apesar de ser obrigatório, não parece para essas empresas estudadas ser um elemento relevante a colocar disponível aos interessados na informação da empresa. Em sentido oposto, pela não obrigatoriedade de elaboração, o sustainability balance scorecard também não consta nas páginas web dessas empresas, exceto no setor das telecomunicações, que de todos os setores de atividade, mostrou ser aquele em que as empresas que o compõem providenciam maior número de informação.
Quando examinadas as páginas web foi possível verificar que a maioria das empresas aproveita esse meio de comunicação para divulgar outra informação de responsabilidade social para além da citada, como, por exemplo, informação relativa à sua visão empresarial, missão, estratégias de atuação, campanhas publicitárias usadas em outros meios de comunicação, como rádio, televisão, outdoors etc. Igualmente, encontramos condições privilegiadas para compras on-line de produtos/serviços, adesão a campanhas comerciais de curta duração, fóruns de debate, possibilidades de recrutamento on-line, contatos diretos com as empresas e, ainda, permitir aos utilizadores das páginas web a permissão para inserir sugestões sobre elas, sobre o negócio ou outras propostas em geral. No caso da banca e dos seguros foi possível encontrar alguns elementos sobre o relato integrado, obrigatório para a banca nacional desde 2015 e para as seguradoras desde 2016.
Limitações do estudo
A principal limitação do estudo reside na análise da comunicação da informação de responsabilidade social, pois poderia abarcar outros elementos da responsabilidade social, além da forma de divulgação das ações de responsabilidade social. Por outro lado, é importante vincar que apenas foram estudadas as empresas com valores admitidos à cotação presentes na bolsa de valores de Lisboa no 1º semestre de 2016, pelo que outras empresas estudadas poderiam levar a outros resultados. Seria interessante que futuras pesquisas contrastassem resultados entre empresas cotadas e não cotadas, realizando alternativamente uma análise comparativa entre empresas do mesmo setor de atividade ou entre diferentes países.
Conclusões
Foi perceptível, com base na bibliografia consultada, que a prática da responsabilidade social evoluiu ao longo do tempo de acordo com a sociedade e os impactos do homem sobre ela.
Sua prática está ligada a interesses de grupos de Stakeholders, que necessitam uns mais do que outros de informação de responsabilidade social, que é providenciada pelas empresas. No entanto, quando nos debruçamos no estudo da comunicação veiculada pelas empresas, encontramos alguns obstáculos à sua realização: pequeno apoio da normalização, modelos acadêmicos que servem apenas em casos isolados, formas qualitativas que não acompanham as demonstrações financeiras tradicionais e dificuldades da informação econômica e financeira para exprimir a imagem verdadeira e fiel sem comprometer as restantes características (objetividade, neutralidade, comparabilidade, clareza etc.).
A comunicação da responsabilidade social pode ser feita em nível interno e externo da empresa variando nas dimensões a relatar em cada um dos casos. Em nível interno, segundo a bibliografia consultada, é evidenciada informação no nível dos recursos humanos, da saúde, da higiene e segurança no trabalho, da adaptação à mudança, dos impactos ambientais e dos recursos naturais que o exercício da atividade empresarial implica. Em nível externo, o relato da responsabilidade social incide nas ações sobre as comunidades locais, nas relações com os parceiros comerciais e consumidores, no respeito pelos direitos humanos e nas preocupações ambientais globais.
O relato dessa informação de responsabilidade social (interna e externa) é feito de forma escrita e não escrita, sendo que em cada um desses modos de comunicação podemos ter informação financeira e não financeira. A informação financeira necessita de medidas mais apuradas para o relato dos itens sociais e ambientais, em sua maioria intangíveis, sendo a não financeira (qualitativa) mais fácil de concretizar. Segundo Cabral (2011), o elemento intangível no setor público não apresenta um valor econômico imediato e, por isso, exige um exercício de apuramento de valor refletido como fato/valor. No entanto, quer no setor público ou privado, escasseia uma metodologia de valorização das ações sociais, o que dificulta a divulgação de informação (CABRAL, 2011). A informação não financeira é aquela que, pela sua falta de padronização e de uma configuração universalmente aceita, torna-se mais difícil garantir comparabilidade e providenciar garantias de que é a melhor forma de quantificar determinada ação ou impacto de práticas socialmente responsáveis.
O levantamento dos itens usados para comunicação da informação de responsabilidade social foi muito diversificado desde documentos contabilísticos de prestação de contas, ao relatório de gestão, balanço social, páginas web, relato integrado, redes sociais, correio eletrônico, atas, memorandos, circulares, boletins informativos, brochuras, cartazes, índices e indicadores sociais e ambientais, balanced scorecard, sustainability balance scorecard, relatório de responsabilidade social, relatório de sustentabilidade, manual de acolhimento, código de ética e código de conduta, carta do presidente, gráficos e esquemas, gestos e expressões faciais, rádio e televisão e símbolos em rótulos de produtos (sociais e ecológicos).
Cada um desses formatos de divulgação de informação de responsabilidade social tem vantagens e desvantagens que foram apontadas em sua singularidade no artigo. Não obstante, vale frisar alguns benefícios e inconvenientes comuns. No nível das vantagens, destacam-se as respostas às exigências informativas dos Stakeholders, contribuir para uma melhor imagem da empresa, equilibrar a informação qualitativa e quantitativa e proporcionar o conhecimento das ações de responsabilidade social efetuadas. As desvantagens residem na falta de comparabilidade de algumas das informações produzidas, deter muita informação que pode levar a interpretações contraditórias, a erros de comunicação ou a notícias falsas, maior foco no âmbito qualitativo da informação do que no quantitativo, dificuldade em apurar retornos de ações sociais ou ambientais para a empresa, multiplicidade de medidas etc.
Tendo em conta tudo isso, procedeu-se a uma análise exploratória realizada em empresas portuguesas com valores admitidos para cotação na bolsa de valores de Lisboa listadas no primeiro semestre de 2016. Foram analisadas as páginas web de 77 empresas, tendo-se verificado que o ambiente, a segurança, a saúde, a educação, a higiene, a cultura e a ecologia estão presentes no léxico dessas empresas particularmente no nível social e ambiental. As ações de responsabilidade social mais praticadas por essas empresas são a contratação de pessoas portadoras de deficiência, a remuneração acima da média, o voluntariado e a proteção do meio ambiente.
Para informar sobre as práticas de responsabilidade social que realizam essas empresas no nível social estão mais preocupadas em informar sobre a redução dos consumos de água e energia, de emissões atmosféricas, papel e resíduos produzidos no exercício de sua atividade. No nível ambiental, estão preocupadas com a saúde e segurança no trabalho, o número de acidentes de trabalho, o desempenho do pessoal, a forma como os recursos humanos são contratados e o número de contratados, os vínculos permanentes na contratação dos empregados, as horas de formação providenciadas, o cumprimento das normas da igualdade de gênero, as horas de voluntariado praticadas, o reforço de um estilo de vida ativo no nível social etc.
Finalmente, nas páginas web das empresas examinadas foi possível encontrar mais formatos de certo tipo de informação do que outro. Vale notar que se encontram mais vezes o uso dos relatórios e contas/relatório de gestão, os relatórios de sustentabilidade, os relatórios de responsabilidade social e alguns indicadores e índices sociais e ambientais. Com muito menor frequência, o balanço social e o sustainability balance scorecard. Destaca-se que as páginas web, por sua falta de padronização proporcionam às empresas um volume elevado de informação sobre variadíssimos itens, como publicidade, recrutamento de recursos humanos, visão, missão, sugestões, contatos diretos com a empresa etc.









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