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Revista Brasileira de Educação Física e Esporte

versão impressa ISSN 1807-5509versão On-line ISSN 1981-4690

Rev. bras. educ. fís. esporte vol.30 no.2 São Paulo abr./jun. 2016

https://doi.org/10.1590/1807-55092016000200397 

SOCIOCULTURAL

A forja identitária de lutadores veteranos: além do último “round”

Samuel Thomazini OLIVEIRA*  ** 

Felipe Quintão ALMEIDA*** 

Ivan Marcelo GOMES*** 

*Faculdade Salesiana Vitória, Vitória, ES, Brasil.

**Faculdade Multivix, Vitória, ES, Brasil.

***Centro de Educação Física e Desportos, Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, ES, Brasil.


Resumo

Discute aspectos relacionados com a forja (bio)identitária de praticantes veteranos de esportes de combate na região metropolitana de Vitória, Espírito Santo/ES. A pesquisa se desenvolveu por meio de trabalho empírico, realizando entrevistas semiestruturadas com cinco lutadores com idades entre 38 e 74 anos. Problematiza aspectos recorrentes nos estudos que se dedicaram a mapear os referenciais que participam da construção (bio)identitária de lutadores, assim como aquelas pesquisas que se dedicaram às análises sobre o término da carreira esportiva. Conclui que os lutadores desenvolvem maneiras (alternativas) de manutenção (bio)identitária diante a diminuição do rendimento esportivo.

Palavras-Chave: Esportes de combate; Identidades; Corpo; Aposentadoria

Abstract

This paper discusses some aspects related to identity shaping of old fighters in combat sports in the metropolitan area of Vitoria (Espírito Santo, Brazil). The empirical data were collected with semi-structured interviews with five fighters between 38 and 74 years old. The paper discusses recurring aspects in studies devoted to mapping the frames of reference that take part in the construction of identities of fighters, as well as works that have researched fighters’ retirement. It concludes that fighters develop manners (alternatives) of maintaining their identity when they face their own decline in sport performance.

Key words: Combat sports; Identities; Body; Retirement

Introdução

Nos últimos anos, vários foram os estudos com foco nos esportes de combate, em especial os modos pelos quais se constitui a forja (bio)identitária dos lutadores1-9. Nestes estudos, prevalece o argumento de que há preponderância de referenciais corporais na constituição das identidades guerreiras, vinculando-se com o que ORTEGA10-11 denominou como bioidentidades. Nessa interpretação, o corpo constitui-se o principal vetor identitário, tornando-se alvo das investidas do eu na tentativa de garantir para si uma identidade que seja atraente, potente, saudável, bonita, longeva, jovial, etc.

As bioidentidades são formadas a partir de investimentos corporais e se relacionam com os procedimentos que tem como objetivo “aperfeiçoar” o que nos é deficitário por natureza (o corpo). Nessa relação, o sujeito lutador se reconhece por meio dos referenciais que lhe conferem as características necessárias para aquisição da bioidentidade escolhida. Segundo ORTEGA10-11, os procedimentos realizados pelo indivíduo rumo a identidade idealizada (práticas bioascéticas), constituem-se como elementos fundamentais na construção das identidades “guerreiras”. As práticas ascéticas

[...] implicam em processos de subjetivação. As modernas asceses corporais, as bioasceses, reproduzem no foco subjetivo as regras da biossociabilidade, enfatizando-se os procedimentos de cuidados corporais, médicos, higiênicos e estéticos na construção das identidades pessoais, das bioidentidades. Trata-se da formação de um sujeito que se autocontrola, autovigia e autogoverna. Uma característica fundamental dessa atividade é a autoperitagem. O eu que se pericia tem no corpo e no ato de se periciar a fonte básica de sua identidade.10 (p.64).

As práticas bioascéticas fundem corpo e mente na formação da bioidentidade somática, produzindo um eu que é indissociável do trabalho sobre o corpo. Sendo assim, é no exercício de si sobre si mesmo que o sujeito se reconhece e pretende ser reconhecido. Nessa relação vivida no âmbito do privado (de si para consigo mesmo), o sujeito é quem assume a responsabilidade das suas escolhas.

No entanto, ORTEGA10 ressalta que, na construção bioidentitária contemporânea, o processo de envelhecimento é percebido como uma deficiência, ou seja, um declínio da fase adulta. Contudo, esse declínio encontra nas técnicas corporais formas de mascarar essa condição. Daí advém uma questão: como lidam indivíduos em processo de envelhecimento com as exigências bioidentitárias em contextos de performance corporal?

Seguindo esse movimento, desenvolvemos um estudo com o objetivo de compreender o processo de construção/manutenção (bio)identitária de veteranos praticantes de esportes de combate na região metropolitana de Vitória/ESa. Assim, realçamos o caráter bioidentitário das práticas analisadas e discutimos outras possibilidades com elas relacionadas. Operamos com a tese de que os referenciais presentes na forja (bio)identitária dos lutadores analisados atuam tanto para a desconstrução do lutador quanto para lhe dar garantias para sua permanência na identidade escolhida, na medida em que a decrepitude física avança. A primeira noção está ligada à incidência de referenciais bioidentitários relacionados com a boa forma física, a potência, a virilidade, a juventude. Por isso, identidades baseadas unicamente nesses parâmetros, mais cedo ou mais tarde, estão condenadas ao “fim”. A segunda noção está associada à conduta do guerreiro (sua história de bravura, sua experiência na luta) bem como aos benefícios identitários decorrentes dos sentidos atribuídos à sua prática. Assim o lutador, mesmo envelhecido e desgastado, ainda tem chances de seguir sua vida ainda ligada à trajetória de lutador. Por meio da incorporação de um “êthos” esportivo baseado no controle de si e nas prerrogativas para manutenção do corpo lutador, dar-se-á a luta permanente para a manutenção da identidade escolhida.

O tema da aposentadoria esportiva tem sido objeto de diferentes disciplinas no contexto acadêmico12-17. É possível identificar abordagens distintas, assim como aspectos comuns à ideia de aposentadoria como uma difícil etapa da vida, uma transição, um momento de indefinições e incertezas. Esse diagnóstico acerca do drama vivido por vários esportistas, no momento em que não podem mais continuar atuando como atletas profissionais, tem obtido bastante destaque, pois demonstra um momento da vida em que identidades construídas a partir dos referenciais performáticos tendem a uma desvalorização contínua devido as exigências inerentes ao desempenho esportivo no âmbito profissional. Atentos à importância dessa temática, pesquisadores têm dado uma atenção especial a essas questões, e, em um trabalho de revisão sobre causas e consequências da transição da carreira esportiva, foi apontado que “[...] a idade, novos interesses emergentes, fadiga psicológica, dificuldades com a equipe técnica, resultados esportivos em declínio, problemas de contusão e saúde, a não seleção para os jogos, dentre outros”18 (p.50), são fatores que o atleta considera quando chega o momento de decidir sobre seu afastamento das competições.

Nesse contexto, em que é eminente a despedida do atleta dos grandes eventos e da profissão, ainda se soma à noção de que, “[...] na sociedade brasileira[,] o indivíduo é valorizado por manter-se ativo, pelo cargo que exerce e pela posição social que ocupa. Desta forma, a palavra aposentar [...] poderia ser percebida como sinônimo de exclusão social, perda de poder e de status”19 (p.30). Isso também justificaria o esforço de muitos lutadores manterem-se em atividade19.

Nos próximos tópicos, apresentaremos o caminho e as estratégias para alcançar os objetivos do estudo e, em seguida, analisamos e discutimos os dados coletados a partir de dois eixos temáticos denominados “Bioidentidades e o declínio corporal de lutadores” e “Manutenção bioidentitária dos lutadores”.

Método

Trata-se de uma pesquisa de cunho qualitativo a partir de relatos e entrevistas com cinco sujeitos praticantes de esportes de combate. Nesse estudo, esses indivíduos estão identificados como:

Lutador 1 - 38 anos, lutador de Mixed Martial Arts (MMA) e jiu-jítsu, com experiência em competições internacionais. Participou, por alguns anos, do maior evento de artes marciais mistas do mundo (Ultimate Fighting Championship). Ministra aulas e cursos das modalidades que pratica.

Lutador 2 - 45 anos, policial militar, professor e lutador de boxe com experiência em capoeira. Foi presidente de uma das federações espírito-santensesb.

Lutador 3 - 39 anos, foi vice-campeão mundial de jiu-jítsu e é professor de Educação Física. Atualmente está fora dos circuitos de competição.

Lutador 4 - 40 anos de idade, 34 anos praticando artes marciais. É lutador de eventos de MMA; é faixa preta em cinco lutas (“kung fu”, “kickboxing”, “muay thai”, “rapkidô”, “jiu-jítsu”; ministra aulas das modalidades e trabalha como segurança.

Lutador 5 - 74 anos de idadec. Possui experiência em vale tudo, jiu jítsu, judô, “telecatch” (lutas encenadas) e ainda exerce o ofício na “nobre arte” de boxear.

Os critérios para seleção dos sujeitos foram estabelecidos a partir das demandas resultantes do processo de construção do trabalho rumo aos objetivos estabelecidos. Nesse sentido, os primeiros critérios para seleção dos sujeitos do estudo foram: ser praticante (Veterano) ou ter praticado mais de uma modalidade de luta e ter experiência com lutas representativas no cenário espetacular/performático (Boxe, MMA). A caracterização dos participantes como lutadores veteranos se deu a partir da ideia de exercer o “ofício” de lutador por muitos anos e ter reconhecimento de outros lutadores da região. Nessa perspectiva, o estabelecimento da idade em que configurar-se-á o afastamento das competições (variável recorrente nas análises acerca dos processos de aposentadoria de atletas), aconteceu de forma processual por meio das primeiras visitas e entrevistas. Nesse sentido, a partir dos critérios iniciais, procuramos lutadores com muito tempo de atuação como competidores nas respectivas modalidades.

A partir de um roteiro inicial, que tinha como objetivo estabelecer uma aproximação maior com o objeto de estudo, realizamos uma primeira entrevistad para conhecermos a história de vida do lutador; a importância da luta; do corpo do lutador e do ser lutador. A partir das informações coletadas, elaboramos, dois meses depois, uma segunda etapa da entrevista que, em linha gerais, versou sobre a aposentadoria do lutador; o momento de parar de lutar; deixar de ser lutador.

Na análise de conteúdo das entrevistas discutimos sobre o cuidado de si dos lutadores na perspectiva de evitar a decrepitude física, problematizando as agruras e as estratégias de manutenção bioidentitária ante a degradação física. Esses aspectos constituíram-se como base para estabelecermos os eixos temáticos que serão apresentados e analisados na sequência.

Resultados e discussão

Bioidentidades e o envelhecimento de lutadorese

Esse eixo de análise se relaciona com a importância dada aos referenciais eminentemente corporais entre lutadores veteranos. O processo de diminuição da potência corporal e dos atributos físicos que conferiam reconhecimento ao sujeito no âmbito esportivo formal, tendem, em um momento posterior de sua trajetória como lutador, para uma desconstrução bioidentitária do atleta. São os referenciais relacionados a boa forma física, ao desempenho, à saúde, longevidade, à potência corporal que serão postos à prova na apuração das qualidades do indivíduo. Nesse sentido, pensar sobre as escolhas referentes à decisão individual de parar ou continuar na identidade escolhida (ser lutador), na difusão e incidência de referenciais bioidentitários, significa considerar que as pressões advindas das torcidas, das mídias e/ou dos patrocinadores contribuem/reforçam a ideia de que a decisão deva ser tomada tendo como parâmetro o rendimento20.

Exemplo disso é o que tem vivido o lutador de Mixed Martial Arts (MMA) Wanderley Silva. Aos 37 anos de idade, mesmo após uma vitória no dia três de março de 2013, constantemente, em entrevistas, tem-se cogitado uma possível aposentadoria do lutador. O assunto, porém, parece não agradar muito o brasileiro. Em entrevista concedida ao programa Inside MMA, do canal a cabo norte-americano AXS TV, [Wanderley Silva]21 “afirmou que planeja a carreira [com] uma luta de cada vez”f, referindo-se à possibilidade de encerramento da carreira de lutador profissional. Sobre seu futuro nas lutas, o lutador afirma: “O público é o chefe. Enquanto o público me quiser, vou continuar”22. Essa tensão, alimentada pelos telejornais, pelos empresários e pelo público, também pôde ser percebida em nosso campo de pesquisa. Um dos nossos colaboradores comentou sobre como despertou para a ideia de que a idade poderia estar avançada em relação à sua prática:

Vi que a idade chegou quando um dia um repórter me perguntou na televisão: ‘Já está na hora de parar, né?’ Aí eu: ‘Parar o que?’ Falei pra ele: ‘Parar de lutar?’ Ele disse: ‘Sim. Você já está com a idade avançada, está com 40 e poucos anos!’ (Lutador 5).

É importante ressaltar que a depreciação e dificuldade em aceitar exibições deficitárias no âmbito das performances das lutas não é exclusividade de comentaristas e telespectadores esportivos, mas pode ser percebida, também, na perspectiva dos lutadores. Sobre isso, o Lutador 1 relata:

[...] O MMA está mostrando a evolução do esporte, está mostrando que caras cada vez mais velhos estão lutando, mas eu acho que o Randy [Cuture - lutador veterano da modalidade MMA] já chegou num nível que já devia parar, acho que já tá [...] tá parecendo velhão mesmo, lento, o outro fica batendo o tempo todo, entendeu? Sei lá!

Em meio às demandas para aquisição e manutenção das características bioidentitárias contemporâneas, parece não haver escapatória para esses destemidos “homens de ferro”4. Nesse jogo, os critérios de avaliação das qualidades essenciais aos processos de auto constituição bioidentitária constantemente reforçam e fazem referência a “[...] um vocabulário baseado em constantes biológicas, taxas de colesterol, tono muscular, desempenho físico, capacidade aeróbica [...]”11 (p.31) e denotam a popularidade desses termos que adquirem e sugerem uma conotação moral na avaliação individual.

Nesse bojo, e como os grandes eventos de lutas são os alvos de quem deseja conquistar independência financeira, fama, vivendo e fazendo o que escolheu para si, se o lutador não atender às exigências do mercado do desempenho, das expectativas do público, das imagens e códigos referentes a esse cenário, é chegado o momento de repensar sua vida nos ringues.

No âmbito da nossa pesquisa, apesar da idade avançada, os lutadores possuem um alto vínculo (bio)identitário com a prática exercida, seja ela vivida profissionalmente, seja na forma amadora. Entretanto, não se tratam de renomados lutadores, de celebridades do âmbito nacional e/ou internacional; são homens que estão, de maneira intensa, ligados aos referenciais de reconhecimento viabilizados pela modalidade que exercem. Apesar da idade avançada, quatro dos lutadores entrevistados ainda desejam realizar grandes feitos por meio das lutas. Desejam fama, grandes bolsas, estabelecer recordes. Em meio a essas ambições, manter-se na atividade o quanto for possível significa aumentar as chances de diferenciação e reconhecimento desejado.

Nesse processo, em que o corpo e seu desempenho tendem para uma desvalorização contínua, além das estratégias para prolongar a vida útil do lutador por meio de treinamentos específicos, do descanso, da alimentação adequada, os atributos forjados e impregnados no “modus operandi” do guerreiro estão também vinculados a outros referenciais (bio)identitários que potencializam sua legitimação/perpetuação4,7. Esses referenciais estão atrelados às características destemidas. Os atributos físicos no exercício da luta realçam, além das capacidades técnicas, a valentia, a bravura, a potência, a virilidade, características inerentes ao ofício que devem ser cultivadas e preservadas. São esses outros referenciais, não necessariamente vinculados ao rendimento ideal do corpo, que nos permitem afirmar que não encontramos evidências suficientes que pudessem sugerir e identificar os lutadores como “ex” esportistas ou atletas másters (esportistas em idade madura)g. Eles se definem, para sempre, como lutadores.

Mas, em caso de fracasso em superar as limitações impostas pelo declínio performático, o atleta deverá sair de cena e incorporar novas atribuições menos enobrecedoras. Essa ideia impulsiona muitos a seguirem e não abrirem mão dos referenciais de reconhecimento, principalmente se esses referenciais estão ligados ao modo de ser que demarcam posições sociais. Essa ideia ganha novos tons se pensarmos na configuração identitária de lutadores, pois nessas relações “[...] os corpos dos combatentes/lutadores, além de serem utilizados como armas contra outros corpos, num processo que requer formas de se lidar com o corpo como um objeto, [...] também possuem uma função identitária importante que remete o sujeito a um grupo social específico”23. Fracassar, nesse sentido, estaria relacionado a um decréscimo no ideal do indivíduo/grupo específico. Assim, o afastamento das competições, a dificuldade em deligar-se das atividades esportivas que reforçaram os vínculos identitários, são exemplos de algumas situações encontradas por vários esportistas no momento em que seus atributos de reconhecimento, atrelados aos valores dominantes, são contestados e delegados ao desuso.

Isso parece percorrer a lógica dos esportes de rendimento de uma forma geral; porém, ao analisarmos os sujeitos dessa pesquisa (alguns deles afastados das competições), não conseguimos identificar uma desconstrução identitária expressiva. Nessa saga, ser lutador

[...] Não é só aquele que sobe no ringue; o lutador é aquele que está preparado pra lutar. Na minha opinião, mesmo não entrando no ringue, o cara é lutador, mas ele não é competidor, aí é outra história, outra perspectiva, acho que eu vou ser sempre lutador, vou morrer lutador, só que não subo no ringue, mas vou morrer lutador (Lutador 1).

O Lutador 2 esclarece que “[...] mesmo não lutando em cima do ringue, ele está lutando fora do ringue para que o esporte aconteça, é aí que psicologicamente, se eu me entregar como lutador, eu entrego tudo” (Lutador 2). Assim, o lutador “[...] é sempre o lutador, ele não deixa de ser lutador, pode ter certeza” (Lutador 5).

Os referenciais que participam na/da construção do guerreiro são forjados de tal forma que nem o tempo nem outras dificuldades o farão esquecer a (bio)identidade escolhida. Assim,

[...] Se ele dedicou a vida inteira dele, como lutador, isso sempre vai estar na essência dele. Igual a mim, estou sempre acompanhando as lutas. Nas olimpíadas eu gosto de ver as lutas de judô, os projetos sociais que os caras fazem, treinando pra manter... Não pra manter a forma, mas pra está ali participando do grupo [...] (Lutador 3).

A dedicação à luta, aos treinamentos e as relações com o grupo estão ligadas, também, às especificidades da prática, ao retorno financeiro, à gratificação em expressar os valores da modalidade. No entanto, muito mais do que uma alternativa financeira, são construídas representações simbólicas de si que potencializam exercer o ofício. O capital simbólico está atrelado, também, à capacidade de executar tarefas que sugerem o quão poderoso, corajoso e destemido é. Nesse sentido, “[...] o passar do tempo não parece oprimir o lutador, poderá haver algo de salvação nele”24 (p.6), pois, aconteça o que acontecer, o lutador nunca vai deixar de ser lutador:

[...] Quem viu, quem acompanhou a carreira dele, sempre chama ele de lutador. Ele é lutador para os filhos, para os vizinhos, ele é lutador dentro do ônibus, ele é lutador nas boites, aonde ele chega ele é lutador. Eu digo isso com base. Eu comecei com 20 anos de idade e estou com 74, eu não deixei de ser lutador, eu nunca vou deixar de ser lutador (Lutador 5).

Contudo, existem diferenças entre ser lutador e ser lutador profissional. Aqui estabelecemos uma distinção importante, como nos lembra o Lutador 4.

Lutador eu quero ser até morrer e pretendo me imortalizar, porque o que imortaliza o homem não é o que ele é, é o que ele faz [...]. Eu pretendo ser imortal, então eu tenho que fazer algo bom. No decorrer da minha vida toda, eu pretendo ser um lutador profissional. Agora, lutar profissionalmente, enquanto a minha mente obrigar o meu corpo a caminhar, não enquanto meu corpo desistir. Enquanto a minha mente, volto a dizer, afirmar que meu corpo pode, eu quero lutar profissionalmente.

A distinção apresentada pelo Lutador 4, ao mesmo tempo em que associa o fim da identidade construída como lutador à “morte carnal”, incorpora mais do que ser lutador até morrer. Nesse sentido, alinhado à ideia de aposentadoria como primeira morte do atleta profissional (morte simbólica), deixar de ser lutador também faz referência a uma morte identitária. Assim, se, para alguns atletas, a aposentadoria representaria a primeira morte, para esse lutador, mesmo no fim de uma vida, poderá existir um caminho atraente, um tipo de ponte rumo à imortalidade. Por mais perecível que possa ser a vida, é nela e por meio dela que será possível imortalizar o lutador. Perceber esses aspectos significa constatar que, nessa batalha, “[...] até mesmo o fracasso pode ser aceitável, mas desde que o guerreiro não abandone sua condição”25 (p.138).

Nessa trajetória, as práticas bioascéticas continuam como elemento fundamental na saga do guerreiro, tanto no que diz respeito aos treinamentos físicos (mesmo em menor intensidade), quanto na atenção dispensada aos cuidados e mandamentos para preservar a imagem correspondente à bioidentidade escolhida10-11. As práticas de si vivenciadas e incorporadas pelos lutadores como condutas válidas na constituição e manutenção do guerreiro contemporâneo remetem a “[...] um exercício de si sobre si mesmo através do qual se procura se elaborar, se transformar e atingir certo modo de ser”26 (p.265) No caso específico dos sujeitos participantes do estudo, é no exercício de si sobre si mesmo que se realizará de maneira permanente a forja do lutador e isso deverá acompanhá-lo por toda a vida. Ele deverá percorrer todo um processo de (re)elaboração de si, transformar-se e atingir um certo modo de ser que supere as limitações físicas ou, no mínimo, garanta parte do “status” adquirido durante o auge de suas atuações.

Manutenção bioidentitária dos lutadores

A tentativa de superação das limitações vinculadas ao declínio corporal dos lutadores impõe estratégias que possam configurar a manutenção da condição adquirida ao longo de sua trajetória de atleta. Nessa relação, a capacidade mental deve orientar e imprimir o máximo de controle para prolongar e/ou ampliar a vida útil do lutador profissional/competidor, assim como manter o “status” do qual o lutador desfruta(rá) e sonha um dia imortalizar. Nesse contexto, ser lutador é escolher e valorizar um modo de vida a ser seguido e isso implica aceitar e converter-se aos mandamentos da fé guerreira ou, nas palavras de Wacquant, ao “catequismo pugilíssimo”1, em dar continuidade aos treinamentos, aos combates, pois o lutador, para continuar sendo lutador,

[...] Tem que treinar, continuar treinando e tal, mentalidade também, né? É, acho que sim (Lutador 1).

[...] Tem que permanecer no tatame, ele tem que estar sempre treinando igual pra ser um bom jogador de futebol, não pode perder para o corpo. Ele tem que não acreditar e fazer do corpo o que ele quer, ou na categoria que ele quer, no trabalho que ele quer (Lutador 5).

O afastamento da prática esportiva profissional, no contexto apresentado, está conectado à possibilidade de permanecer nela o quanto for possível. Por isso, devem ser mantidas algumas práticas e adotadas novas medidas para que não se perca o controle daquilo que sutilmente se esvai (o corpo). O sacrifício inerente ao desempenho esportivo é potencializado na relação de decidir seu destino em um momento em que os referenciais bioidentitários acometem o corpo em decadência. Por esse caminho, considerar a permanência e manutenção dos signos e representações correspondentes às construções bioidentitárias no âmbito dos esportes de combates significa não perder de vista que as representações tradicionais masculinizadas, atreladas a esses modos de ser, reforçam o controle sobre si e potencializam o desejo de permanência do ser lutador/homem. Sobre isso, o Lutador 1 ressalta as dificuldades em aceitar o declínio da performance:

[...] Muita gente luta e tal... eu tô falando sério! Tem aquele lance de macho alfa, de ser o chefe do bando, de ser o campeão da parada. Muita gente luta por causa disso. Eu vejo exemplo disso na academia direto. Aí o cara, quando vê que ele não rende mais, ele se odeia, odeia o próprio corpo por não responder mais da maneira que ele queria.

Os modos de ser lutador, sob esses parâmetros de masculinidade baseados na violência, no poder e na virilidade23, estão atrelados ao valor atribuído ao melhor, mais forte e vitorioso. Por isso, saber o momento de parar ou parar na hora certa tornam-se questões fundamentais na manutenção de uma imagem vencedora/ídolo. Em um sentido próximo, prolongar essa imagem também pode garantir reconhecimento potencializado.

O que está mais em evidência, em nosso campo de pesquisa, não se refere à vitória e/ou à derrota nos ringues, mas está além dos ringues. É uma disputa consigo mesmo (nos ringues, nos tatames, nos treinamentos, na vida) em favor da manutenção dos atributos que constituíram a identidade guerreira forjados na labuta diária4 e nos rituais bioidentitários correspondentes. Para permanecer lutador, o sujeito deve treinar para garantir sua permanência no mundo dos lutadores de verdade. Se conseguir vencer nos ringues, segue em frente por mais algum tempo; se não, deixar de ser lutador parece ser a pior de todas as derrotas. Significa perder aquilo que sempre buscou. Nesse jogo, o destino mais uma vez está nas mãos do indivíduo, seja para a glória, seja para a derrota. Quanto maior for o sacrifício, maior será o valor das suas condutas; como consequência, maiores serão as chances de vitória no processo de (auto)reconhecimento. Podemos identificar aspectos dessa relação nas declarações dos lutadores:

[...] Na minha última luta eu quebrei o braço [...]. Tive que botar platina no braço. Nos primeiros dois minutos da luta, o cara me deu um chute e fraturou meu braço, chutou de novo e estilhaçou meu braço. Tinha quatro pedaços de ossos soltos dentro do meu braço e eu continuei lutando. [...]Eu não paro, não. Eu vou continuar. Eu lutei e ganhei do cara (Lutador 1).

Eu me engasguei no meu próprio sangue num ringue de ‘Vale tudo’. Antigamente havia uma contagem protetora, igual tem no boxe [...]. No MMA não existe contagem, no amador existia, e eu, engasgando com sangue, falei: ‘Não posso desistir, vou lutar sem respirar’ e ganhei a luta (Lutador 4).

Se concordarmos com Simmel que “[...] todo valor é derivado do sacrifício que demanda e o valor de qualquer objeto é medido pelas dificuldades de sua aquisição”27 (p.298-9), quanto maior for o enfrentamento, o desafio, maiores serão os créditos do esforço. Nessa batalha, o lutador precisa do seu corpo e “[...] do corpo de seu adversário para atestar na carne deste sua superioridade, para subjugá-lo, reafirmando assim sua supremacia (física ou técnica), para contemplar com vitória sua performance no ringue”8 (p.4). Assim, conforme Bourdieu, o lutador pode dividir essa conquista com seu círculo social, com “[...] os demais atletas de sua agremiação, pois a virilidade tem que ser validada pelos outros homens, em sua verdade de violência real ou potencial, e atestada pelo reconhecimento de fazer parte de um grupo de verdadeiros homens”8 (p.4).

Para os lutadores de nossa pesquisa, a “mente” e a vontade devem guiar o lutador na luta para superar as dificuldades, sejam elas de qualquer natureza. A idade e as limitações do corpo, no decorrer de sua trajetória, simultaneamente, atuam tanto para a desconstrução identitária do lutador como possibilitam reforçar pertencimento por meio dos signos adquiridos na/pela prática da modalidade. Caso se afaste das competições, mesmo longe do cenário de altas performances, a vontade de ser lutador guiará seu modo de vida, e o corpo, mesmo em decadência, ainda permanece válido como alvo das investidas do eu. Ou seja, essa é a única luta que não poderá ser perdida. Em nosso campo, os dados indicam que os elementos constituintes de condutas válidas para a constituição do “êthos” de lutador se fundem de maneira tal que, nas circunstâncias analisadas, são indissociáveis de uma conduta honrada, prazerosa, respeitada, digna, por isso devem ser para sempre. São preceitos indispensáveis ao “êthos” do lutador. Vividos e transmitidos aos aprendizes, funcionam como um tipo de pedagogia moral construindo a ideia de herói que incorpora as dimensões esperadas de um grande homem3.

No processo de apuração das qualidades a serem validadas ao longo da vida dos lutadores estudados, é possível ser/manter-se lutador sem subir nos ringues, sem, necessariamente, ser competidor; mas isso, contudo, depende de algumas estratégias. Essa reordenação requer todo um processo de acúmulo de experiência. Esse caminho é apresentado como uma saída diante de uma possível limitação corporal e diminuição performática. Para que isso aconteça, o lutador deve ampliar, ao longo de sua vida, tanto o capital corporal/simbólico adquirido nos combates e apresentações3, quanto a experiência proporcionada pelas vivências das lutas. Nesse jogo, ele

[...] Tem que ser experiente. [...] Ele tem que decidir se ele quer se manter vivo no esporte ou se quer ser um campeão. Se ele quiser ser campeão mundial, ele pode pôr a vida em risco, mas, se ele fizer algumas lutas esporádicas e mantiver um projeto por fora, com disciplina [...]. Eu vou me manter lutando (Lutador 3).

Assim, o acúmulo de experiência serve tanto para manter o lutador em atividade nos ringues quanto para ampliar o capital simbólico que poderá ser (re)convertido nas suas atuações como lutador/treinador/mestre. No movimentar do jogo, o capital corporal ainda é relevante; entretanto, em meio à sua deterioração, o lutador deve buscar algo que lhe permita usufruir da companhia do grupo e, se possível, a partir de seus conhecimentos, subirá no ringue novamente, sentirá toda a tensão de estar ali, de ser um deles, de ser quem ele realmente é, mesmo que seja por meio da atuação de um de seus alunos. Nesse contexto,

A melhor vida útil de um atleta é ele se preparar para ser um dirigente, um técnico e ele se sentir feliz passando experiência, porque hoje ele para de lutar, aí eu vou ficar amargurado porque eu parei de lutar [...]. Não, aquilo passou, mas a minha experiência permanece (Lutador 2).

Essa ideia também está presente nos relatos dos Lutadores 1 e 5:

Eu quero ser um treinador de MMA [...]. Tudo bem, o cara pode ser treinador mesmo sem nunca ter lutado, mas a experiência, saber como é, sentindo não só na teoria, mas na prática, acho que ajuda (Lutador 1).

Eu chego a sonhar pra preparar um cara pra botar contra o Anderson Silva [maior campeão de MMA da atualidade]. Eu chego a pensar nisso, isso passa pela minha ideia dia e noite. Toda vez que eu ligo a televisão e está passando [se referindo às transmissões de lutas], eu sonho (Lutador 5).

Em nossas análises, quatro dos cinco lutadores entrevistados, notadamente em “declínio performático”, demonstraram ligação com a modalidade de forma a prolongar e garantir um meio de vida após o afastamento das competições. Assim, por meio das práticas bioascéticas, no exercício de si sobre si mesmo em busca do aprimoramento ou da manutenção da forma física, do treinamento contínuo, o lutador vive e demonstra que está seguindo a catequese do guerreiro e que, por mais que esteja desgastado, “o dragão ainda cospe fogo” (Lutador 4). Isso, para os lutadores, continuará tendo valor no momento em que não puderem mais continuar lutando em competições, pois o valor da conversão de si no ato de tornar-se lutador (todos os investimentos sobre si no decorrer de sua trajetória) poderá ser reconvertido em um tipo de “mestria de competência”, um processo de transmissão da experiência vivida aos que buscam se tornarem lutadores. O mestre, na sua condição de sábio, é responsável por transmitir ao seu discípulo o saber condizente ao trabalho relacionado com os modos e costumes necessários à prática do guerreiro.

Apesar disso, no processo e desenvolvimento de nossas análises, pudemos perceber que o afastamento das competições, vivido por vários atletas profissionais e/ou amadores, é um acontecimento marcante na vida daqueles sujeitos. No entanto, mesmo com todas as chances de derrota em face da implacável decrepitude física, os lutadores desenvolvem estratégias para garantir parte de seu arsenal de combate em frente à possibilidade de derrota bioidentitária.

No exercício bioascético presente nas construções aqui apresentadas, potencializar o corpo e exibi-lo nos ringues gradativamente cede lugar à capacidade de mantê-lo em uso o quanto for possível e, segundo a perspectiva de um dos lutadores entrevistados, mesmo após a morte, poderá ser lembrado por suas atuações e conquistas. Durante esse processo de diminuição do desempenho e afastamento das competições, ainda é necessário potencializar o corpo. Entretanto, gradativamente, essa obrigação do ser lutador é redefinida para que ele permaneça e suporte os sacrifícios inerentes à perpetuação do guerreiro.

A partir das informações do campo, podemos constatar que, além das normas vigentes sobre o corpo em forma, no caso dos lutadores, esses referenciais se entrelaçam, reforçam formas de reconhecimento já existentes e demarcam posições sociais. Assim, a tentativa de eternizar a identidade de guerreiro é, além de tudo, uma tentativa de manter-se vivo como homem, de ainda representar o grupo, de carregar as marcas das batalhas, de ter uma história, de poder ensinar e ser valorizado por isso. Perceber esses aspectos significa atentarmos para outros valores atribuídos aos referenciais presentes na forja do lutador.

Nessa relação, é possível constatar outra ideia de corpo que participa da manutenção do lutador a partir da experiência acumulada. É nesse sentido que a noção de pedagogia moral exercida na forja dos lutadores é indispensável e indissociável no entendimento de parte desse processo. Sugere a fixação dos referenciais bioidentitários relativos a um tipo de conduta honrada, respeitada, digna e que, ao mesmo tempo, dá suporte à sua perpetuação.

Nesses “jogos de combate”, podemos verificar que a vontade de ser quem se deseja ser impulsiona aqueles construtores de si a continuarem e a não medirem esforços para garantir seu reconhecimento em um grupo em que o “êthos” do lutador é demarcatório e justifica a tentativa de sua perpetuação.

Portanto, mesmo considerando a representatividade do corpo na vida desses praticantes, no âmbito deste estudo, não identificamos uma passagem de vida de lutador para ex-lutador. O avanço da idade e o desgaste corporal que, “a priori”, parecem indicar o fim da carreira ou incentivariam os praticantes a procurar outro modo de vida, não são suficientes para que isso aconteça. Os dados indicam que os referenciais presentes na forja do lutador o impelem a continuar sendo lutador, e, no decorrer de sua trajetória de manutenção identitária, buscará meios de perpetuar a identidade de lutador, seja na categoria profissional, seja como amador, seja como lutador/treinador/mestre. Um processo caracterizado pela vontade permanente de (re)construção se si.

Agradecimentos

Este trabalho contou com suporte financeiro do Fundo de Apoio à Ciência e Tecnologia do Município de Vitória/ES (Facitec), edital n. 4/2010.

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a. Os lutadores veteranos que participaram deste estudo apresentam idade acima de 38 anos e praticam, há muitos anos, alguma e/ou mais de uma modalidade de luta corporal.

b. Existem duas federações de boxe no Estado do Espírito Santo. Nesse sentido, diz-se espírito-santense para o que é oriundo do Espírito Santo.

c. Embora exista uma diferença acentuada de idade do Lutador 5 em relação aos outros lutadores da pesquisa, não identificamos diferenças significativas entre os lutadores no que se refere a esse aspecto. A busca por manter-se como lutador parece que minimiza esse aspecto e integra os núcleos explicativos dos entrevistados.

d. Em cumprimento da Resolução n. 196/96 do Conselho Nacional de Saúde (CNS), este trabalho foi realizado a partir da submissão e aprovação do projeto n. 005/11 ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP).

e. Conforme salientamos na introdução, “No caso da velhice, o modelo biomédico dominante define o envelhecimento exclusivamente em termos de declínio à idade adulta, como um estado patológico, uma doença a ser tratada [...] Ao mesmo tempo, a velhice é ‘reconstruída como um estilo de vida mercadológico que conecta os valores mercadológicos da juventude com as técnicas de cuidado corporal para mascarar a aparência da idade’ [...]” (p.65). Nessa direção, em nosso artigo, utilizamos como elementos conectados o envelhecimento e o declínio corporal dos lutadores.

f. Entrevista concedida ao sportv.globo.com. A referência a Wanderley Silva é apenas ilustrativa, pois é tomada por nós apenas como exemplo das discussões presentes na literatura acessada na construção da pesquisa.

g. Normalmente indivíduos de classe média e/ou alta, de “tempo livre”, que passaram a viver mais, desfrutando de autonomia financeira na fase “não produtiva” da vida e que encontraram nos esportes um estilo de vida ativo que se contrapõe à imagem de desgaste e inatividade que outrora a idade lhe imputaria.

Recebido: 19 de Julho de 2013; Revisado: 13 de Junho de 2014; Revisado: 10 de Abril de 2015; Revisado: 16 de Junho de 2015; Revisado: 06 de Julho de 2015; Revisado: 07 de Agosto de 2015; Aceito: 10 de Agosto de 2015

ENDEREÇO. Felipe Quintão Almeida. Departamento de Ginástica. Centro de Educação Física e Desportos. Universidade Federal do Espírito Santo. Av. Fernando Ferrari, 514. 29075-910 - Vitória - ES - BRASIL. e-mail: fqalmeida@hotmail.com

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