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Ciência Animal Brasileira

On-line version ISSN 1809-6891

Ciênc. anim. bras. vol.15 no.3 Goiânia July/Sept. 2014

https://doi.org/10.1590/1809-6891v15i324807 

MEDICINA VETERINÁRIA

 

Dinâmica pré e pós-colostral de parâmetros bioquímicos em cordeiros

 

Pre and post-colostral dynamics of biochemical parameters in lambs

 

 

Damaris Ferreira de SouzaI; Alda Lúcia Gomes MonteiroII; Rosangela Locatelli DittrichII; Elizabeth Moreira dos Santos SchmidtIII; Sergio Rodrigo FernandesII; Olair Carlos BeltrameIV

IPós-Graduanda da Universidade Federal do Paraná, Curitiba, PR, Brasil - fs.damaris@gmail.com
IIDocentes Doutores da Universidade Federal do Paraná, Curitiba, PR, Brasil
IIIProfessora Doutora da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Botucatu, SP, Brasil
IVBioquímico, Laboratório de Patologia Clinica Veterinária, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, PR, Brasil

 

 


RESUMO

O objetivo deste estudo foi verificar a influência do colostro nos parâmetros bioquímicos séricos em cordeiros recém-nascidos. Foram colhidas amostras sanguíneas de 28 cordeiros, determinando-se os indicadores proteicos, energéticos, de função renal, bilirrubinas e as enzimas aspartato aminotransferase (AST), gama-glutamiltransferase (GGT) e creatina quinase (CK), nos momentos pré e pós-colostro. Os dados foram analisados comparando-se a variabilidade dos parâmetros entre os dois momentos. Houve elevação (P<0,001) das concentrações de proteínas totais, em resposta ao forte aumento (P<0,01) dos teores de globulinas totais e ao leve decréscimo (P<0,05) da concentração de albumina, após a ingestão colostral. Também foram observados maiores valores de bilirrubinas total e direta (P<0,001), e variação dos metabólitos renais, com elevação dos níveis de ureia (P<0,01) concomitante à redução dos valores de creatinina (P<0,001), no momento pós-colostro. Houve aumento (P<0,001) da glicemia, de colesterol total e triglicerídeos, bem como das atividades enzimáticas (P<0,001) de AST e GGT, entre os momentos avaliados. Conclui-se que a dinâmica do perfil bioquímico em cordeiros recém-nascidos sofre o efeito da ingestão de colostro e da adaptação das funções fisiológicas à vida extra-uterina. Os valores dos parâmetros variam marcadamente no período pós-natal, sendo recomendável a utilização de valores de referência próprios para esta fase.

Palavras-chave: amamentação, bioquímica clínica, neonato, ovino, sangue.


ABSTRACT

This study aimed to verify the influence of colostrum in serum biochemical parameters in newborn lambs. Blood samples were taken of 28 lambs, determining the protein, energy and kidney function indicators, bilirrubins and the enzymes aspartate aminotransferase (AST), gamma-glutamyl transferase (GGT) and creatine kinase (CK), in pre and post-colostrum moments. The data were analyzed comparing the variability of the parameters between the two moments. There was an elevation (P<0.001) in total protein concentrations, in response to substantial increase (P<0.01) in total globulin levels, and a slight decrease (P<0.05) in albumin concentration, after colostral intake. We also observed higher values of total and conjugated bilirubins (P<0.001), and variation of kidney metabolites, with an elevation of urea levels (P<0.01) concomitant to decrease of creatinine values (P<0.001) in the post-colostrum moment. There was an increase (P<0.001) in glycemia, total cholesterol and triglycerides, as well as of the enzymatic activities (P<0.001) of AST and GGT, between the moments evaluated. In conclusion, the dynamics of biochemical profile in newborn lambs suffers the effect of colostrum intake and of adaptations of physiological functions to extrauterine life. The parameters values vary markedly in the postnatal period, being recommended to use proper reference values for this phase.

Keywords: blood, clinical biochemistry, neonate, nursing, sheep.


 

 

INTRODUÇÃO

A fase neonatal caracteriza-se como período crucial no desenvolvimento dos sistemas corporais de um indivíduo. Os recém-nascidos tornam-se responsáveis pela sua própria manutenção homeostática, anteriormente realizada pela placenta, e intensas modificações fisiológicas devem garantir sua sobrevivência no ambiente extra-uterino1, 2.

O nascimento é um momento muito estressante para o neonato e, somado à instabilidade metabólica, desencadeia maior vulnerabilidade às doenças perinatais. Nessa fase, registram-se elevadas taxas de mortalidade, que repercutem em vultosos prejuízos econômicos aos sistema de produção3, 4.

Os pequenos ruminantes possuem placentação do tipo sindesmocorial, cujo maior número de estratos tissulares separando a circulação materna da fetal impossibilita a adequada transferência de anticorpos da mãe para o feto. Dessa forma, os recém-nascidos destas espécies nascem hipo ou agamaglobulinêmicos e sua sobrevivência depende diretamente do consumo de colostro nas primeiras horas de vida5-8. O colostro encontra-se intimamente vinculado aos mecanismos de defesa imunológica e ao aporte de nutrientes para os neonatos, interferindo marcadamente sobre muitas características sanguíneas que serão modificadas com o progresso da idade9-11.

Na espécie ovina, informações sobre a cinética dos parâmetros sanguíneos em animais sadios são escassas, sobretudo em animais jovens. Além disso, uma parcela dos trabalhos produzidos não é disponibilizada facilmente ou está relacionada a condições estritamente particulares de uma região12-20. Ainda não há uma compreensão clara de como o colostro e outros fatores alteram o comportamento dos constituintes sanguíneos na fase neonatal.

São raros os trabalhos que remetem à determinação de valores de referência do perfil bioquímico em cordeiros recém-nascidos, dentre os quais se destacam, na literatura nacional, aqueles relacionados à avaliação da transferência de imunidade passiva21-27.

Assim, o objetivo deste estudo foi verificar a influência da ingestão de colostro sobre os parâmetros bioquímicos séricos (indicadores proteicos, energéticos, de função renal, bilirrubinas e enzimas) em cordeiros recém-nascidos sadios, fornecendo subsídios que contribuam para a interpretação de exames laboratoriais durante o período neonatal.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O protocolo experimental (016/2011 de 04 de agosto de 2011) foi aprovado pela Comissão de Ética no Uso de Animais do Setor de Ciências Agrárias, da Universidade Federal do Paraná, Brasil.

O estudo foi conduzido no Laboratório de Produção e Pesquisa em Ovinos e Caprinos (LAPOC), da Universidade Federal do Paraná (UFPR), localizado em Pinhais/PR (25º25' Sul, 49º8' Oeste e 930 m de altitude). Foram colhidas amostras de sangue de 28 cordeiros sadios (13 mestiços ½ Suffolk x ½ White Dorper, nascidos entre setembro e outubro de 2010 – primavera; e 15 Suffolk PO, nascidos em agosto de 2011 - final do inverno), sendo 21 fêmeas e sete machos. Os animais foram avaliados em dois momentos: pré e pós-colostro.

As amostras sanguíneas do momento pré-colostro foram obtidas logo após o nascimento, antes da primeira mamada. As amostras pós-colostrais foram obtidas às 72 horas de vida, após certificação da ingestão de colostro durante a primeira hora após o nascimento. Nesse período, os cordeiros permaneceram com suas respectivas mães e foram realizados os procedimentos de desinfecção umbilical (com iodo a 10%, uma vez ao dia) e de identificação com brincos. Nenhuma complicação foi observada após essas intervenções.

Em ambos os momentos, foram colhidas amostras de 2 mL de sangue por meio de venopunção jugular dos cordeiros. As amostras foram transferidas para tubos sem anticoagulante, mantidas em repouso até formação do coágulo, e em seguida foram centrifugadas a 4.000 RPM por 10 minutos. O soro obtido foi armazenado a -20 ºC até o processamento das análises. Todos os exames foram realizados no Laboratório de Patologia Clínica Veterinária da UFPR.

As amostras de soro foram processadas em analisador bioquímico automatizado (BS-200, Myndray®). Determinaram-se os seguintes parâmetros: proteínas totais (método do biureto, Katal®), albumina (método do verde de bromocresol, Katal®), globulinas totais (pela diferença entre proteínas totais e albumina), bilirrubina total e direta (método de Jendrassik Grof, Dialab®), bilirrubina indireta (pela diferença entre bilirrubina total e direta), ureia (método UV enzimático da urease-GLDH, Kovalent®), creatinina (método de Jaffé, Kovalent®), colesterol total (método enzimático do CHOD-PAP, Kovalent®), triglicerídeos (método enzimático do GPO-PAP, Kovalent®), glicose (método enzimático da glicose, Katal®), e as enzimas aspartato aminotransferase (método cinético UV da AST, Katal®), creatina quinase (método cinético UV da CK, Katal®) e gama-glutamiltransferase (método cinético da GGT, Katal®).

Os dados obtidos foram submetidos ao teste de normalidade de Shapiro-Wilk (P=0,05). Os parâmetros que apresentaram resíduos com distribuição normal foram submetidos à análise de variância (ANOVA) e as médias comparadas pelo teste t de Student (P=0,05). Os parâmetros que não atenderam à condição de normalidade dos resíduos foram submetidos ao teste não-paramétrico de Kruskal Wallis (P=0,05). A análise estatística foi realizada utilizando-se o programa RProject for Statistical Computing, versão 2.10.1 (28).

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

As médias e erros-padrão dos parâmetros avaliados encontram-se na Tabela 1.

As concentrações de proteínas totais dos cordeiros variaram paralelamente com as concentrações de globulinas totais. No momento pré-colostro, ambos os parâmetros apresentaram-se em teores muito baixos e se elevaram (P<0,001) rapidamente após o consumo de colostro.

De forma semelhante, Silva et al.25, ao avaliarem oito cordeiros mestiços Santa Inês x Dorper em regime de mamada de colostro monitorada, verificaram baixos valores de proteína sérica total ao nascimento (36,2 g/L), que apresentaram aumento significativo às seis horas (75,5 g/L) e atingiram concentração máxima no período de 24-72 horas de vida (79,8 g/L). Os valores de globulinas também foram mínimos antes do recebimento do colostro (aproximadamente 15,7 g/L), apresentando aumento significativo às seis horas (47,7 g/L) e pico de seus valores às 24-72 horas de vida (52,8 g/L). É importante ressaltar que a fração de gamaglobulinas foi a que apresentou variação mais expressiva entre o nascimento e 24-72 horas de vida (3,2 g/L para 33,9 g/L).

Essa dinâmica é frequente entre os ruminantes, uma vez que durante a vida intra-uterina os mesmos não recebem proteínas e anticorpos maternos em quantidades suficientes por via transplacentária.Assim, logo após o nascimento, as concentrações de globulinas totais e, consequentemente, de proteínas totais são mínimas5, 7, 8, 29. No entanto, à medida que se oportuniza a absorção de imunoglobulinas maternas, pelo consumo de colostro, ambas as concentrações se elevam significativamente1, 7, 8.Isso ocorre pela alta correlação entre globulinas séricas e globulinas colostrais, especialmente imunoglobulinas G (IgG), inexistindo aumento dos teores séricos proteicos quando são fornecidos leite ou substitutos de colostro para ruminantes neonatos30, 31. Além disso, estudos demonstram que os teores séricos proteicos relacionam-se diretamente à quantidade e ao tempo de fornecimento de colostro32 e podem variar em função da qualidade da dieta consumida pelas ovelhas em lactação33.

Os cordeiros deste estudo apresentaram alternância simultânea entre o predomínio das frações albumina e de globulinas totais, antes e após a ingestão de colostro, constatando-se decréscimo (P<0,05) da concentração de albumina após 72 horas de vida.Em contraste, os cordeiros avaliados por Silva et al.25 apresentaram aumento dessa fração de 20,5 g/L para 27,1 g/L entre o nascimento e as primeiras 24-72 horas de vida, o que foi justificado como decorrente do aumento da ingestão de compostos nitrogenados na dieta. Feitosa et al.34 também observaram predominância da albumina no soro, em bezerros, a partir de 24 horas após a ingestão de colostro, com aumento significativo a partir das 48 horas e, em cabritos, após os 15 dias.

Neste estudo, porém, admite-se que a variação observada relacionou-se não apenas ao substancial aporte de nutrientes e imunoglobulinas suprido via colostro, que pode alterar a razão albumina:globulina, mas também ao desenvolvimento inicial dos processos metabólicos hepáticos para síntese proteica (menos ativos que os processos de catabolismo), que são otimizados após o suprimento de colostro, amadurecendo ao longo das primeiras semanas de vida31. Dessa maneira, as oscilações nas concentrações de albumina parecem ter sido influenciadas, prioritariamente, pelo estado hipofuncional do fígado, órgão que detém exclusividade sobre sua síntese, resultando em lento turnover de albumina durante o período neonatal.

As concentrações pós-colostrais de bilirrubina total foram aproximadamente duas vezes mais elevadas (P<0,001) do que as verificadas no momento pré-colostro. Essa variação, assim como se relata em bezerros e/ou em humanos neonatos, poderia ser ocasionada pelos seguintes fatores: maior metabolização de hemoglobina no sistema fagocítico mononuclear do fígado e do baço, devido à extensa destruição dos eritrócitos fetais32; aumento da taxa de reabsorção intestinal de bilirrubina indireta, como resquício da vida fetal1; menor aporte de ligandinas, proteínas auxiliares no carreamento da bilirrubina indireta ao retículo endoplasmático liso dos hepatócitos, onde se efetuam os processos de conjugação35; ou pela deficiência transitória de uridina-difosfato-glucuronosiltransferase, enzima responsável pela formação de monoglicuronato ou diglucuronato de bilirrubina, formas de bilirrubina conjugada ou direta36.

No entanto, como houve aumento concomitante apenas entre bilirrubina total e bilirrubina direta (P<0,001), sem variações significativas nos teores de bilirrubina indireta (P>0,05), a provável causa para esse comportamento seria a ocorrência de uma hiperbilirrubinemia fisiológica consequente à adaptação morfofuncional hepática à vida extra-uterina. Nessa condição, o neonato apresentaria, além da maior predisposição para produção de bilirrubina, uma limitada habilidade para excreção da mesma, levando à temporária elevação sérica de bilirrubina direta ao invés da indireta36.

Assim como em cabritos37 e em bezerros de leite38, 39, os teores glicêmicos dos cordeiros foram relativamente baixos no momento pré-colostro, sugerindo a ocorrência fisiológica de hipoglicemia nos ruminantes ao nascer. Segundo Daniels et al.40, isso é possível em cordeiros recém-nascidos, uma vez que a frutose consolida-se como fonte predominante de energia, sobrepujando a glicose, durante as primeiras 24 horas de vida. Essa alteração decorreria de limitações na digestão de lactose e absorção de glicose, associadas às pequenas reservas de glicogênio ou hipofunção do mecanismo enzimático para glicogenólise ao nascimento.No entanto, logo nas primeiras horas de vida deve ocorrer aumento da glicemia, devido à intensificação da utilização de glicogênio em resposta ao aumento da atividade eferente do sistema nervoso simpático, que ocorre mesmo na ausência da oferta de nutrientes1.Kurz e Willett1 observaram que, em bezerros neonatos, os valores glicêmicos permanecem em oscilação até a 12ª hora de vida, refletindo o período de instabilidade fisiológica, até que o pâncreas e o fígado tornem-se completamente funcionais.

Além desses fatores, o aumento pós-colostral da glicemia (P<0,001) observado neste estudo estaria vinculado principalmente à amamentação,pois o consumo de nutrientes via colostro interfere diretamente sobre a absorção e o metabolismo de carboidratos, determinando o aumento das concentrações de glicose em períodos de pós-alimentação nos ruminantes neonatos41.

Por sua vez, foi observado aumento significativo (P<0,001) nas concentrações de triglicerídeos e de colesterol total entre os momentos avaliados. De forma similar, Bennis et al.42 também verificaram que, em cabritos recém-nascidos, as concentrações de triglicerídeos e de colesterol total são inferiores, próximas às relatadas em caprinos adultos, enquanto que, após a ingestão de colostro, tais parâmetros aumentam significativamente.Infere-se que as menores concentrações de colesterol e de triglicerídeos averiguadas no momento pré-colostro decorram de baixa produção endógena de ácidos graxos durante a vida fetal, e que a subsequente elevação pós-colostral sofra ação direta do aporte de nutrientes provenientes da amamentação43.

Noble43 confirma que cordeiros que consomem quantidades adequadas de colostro apresentam marcada hipertrigliceridemia conjunta ao aumento das concentrações de colesterol, ainda que em menor extensão, durante as primeiras 24 horas de vida,ao passo que esta variação não é apresentada por cordeiros submetidos ao fornecimento de dieta com baixos teores de gordura.O aumento da trigliceridemia nos cordeiros poderia ser ainda justificado pela relação existente entre as concentrações de triglicerídeos e de ácidos graxos livres na circulação,visto que, assim como em cabritos recém-nascidos, a formação de novas moléculas de triglicerídeos durante as primeiras 72 horas de vida reflete o processo de re-esterificação dos ácidos graxos livres nos hepatócitos37.

As concentrações séricas de creatinina dos cordeiros no momento pré-colostro foram aproximadamente quatro vezes maiores (P<0,001) que as concentrações pós-colostrais. Da mesma maneira, as concentrações de creatinina em bezerros neonatos sofrem queda brusca do nascimento ao fim da primeira semana de vida, em resposta à adaptação às alterações fisiológicas para manutenção da homeostase1, 2, 44.

Esse resultado poderiaestar relacionado aos relatados por Lupke et al.45, que sugeriram que concentrações mais elevadas,em bezerros, ao nascimento seriam resultantes de acúmulo de creatinina ingerida do fluido alantóico durante a gestação. Ainda, semelhante ao que se relata em coelhos e em seres humanos, poderia ser ocasionado pela baixa maturidade do sistema urinário na fase neonatal, que possibilitaria a reabsorção de creatinina através dos túbulos renais, e sua presença em maiores níveis na circulação46. Entretanto, uma vez que após a ruptura do cordão umbilical os rins assumem a função excretória e de controle do balanço hidroeletrolítico, sua causa mais provável seria a elevação gradativa do fluxo sanguíneo renal associada ao aperfeiçoamento do clearance renal e ao aumento da taxa de filtração glomerular durante a primeira semana de vida1, 32, 47. Isso desencadearia a diminuição do aporte de creatinina sérica do neonato ao longo dos dias, tal como observado neste estudo.

A dinâmica da ureia nos cordeiros demonstrou perfil similar ao verificado em cordeiros Saidi48, com elevação de suas concentrações (P<0,01) nas primeiras horas após a ingestão de colostro. Na ausência de disfunções renais ou hepáticas, essa variação é determinada pelo consumo, produção e degradação de proteína da dieta31. Portanto, as concentrações de ureia dos cordeiros foram possivelmente modificadas em função do consumo e degradação das proteínas colostrais.Além disso, é importante ressaltar que, durante a fase neonatal, as concentrações de ureia podem ser ainda influenciadas fortemente pelo fator etário, à medida que a função renal atinge à maturidade49.

A enzima AST localiza-se principalmente no citoplasma ou mitocôndria dos hepatócitos e/ou das fibras musculares esqueléticas e cardíacas50, 51. O aumento (P<0,001) de quase três vezes dos valores de AST observado nos cordeiros no momento pós-colostro, assim como nos demais ruminantes hígidos durante a fase pós-natal, resultaria: de presença de AST na composição do colostro e de sua absorção52; de injúria muscular causada durante o parto ou pelo aumento da atividade física dos animais53; ou ainda, do desenvolvimento das funções fisiológicas com o progresso da idade19, 49, 54.

Tollersrud e Baustad55, entretanto, constataram elevação semelhante entre as concentrações séricas de AST em cordeiros privados ou não da ingestão de colostro, refutando a hipótese de que o colostro contenha níveis de AST em quantidade suficiente para promover detecção de maior atividade da mesma na circulação. Em concordância, outros pesquisadores6, 56-58 observaram elevação das concentrações sanguíneas de AST, independente ao tempo de liberação à primeira mamada, e mesmo sob pequena atividade da enzima no colostro. Consideraram, portanto, que a correlação obtida entre IgG e o aumento dos níveis de AST seria, na verdade, decorrente de maior produção endógena desta enzima pela borda em escova dos enterócitos, e isso em resposta à ingestão de colostro.

Por sua vez, o aumento da atividade sérica de AST, se derivado de lesões musculares durante o parto ou pela intensificação da atividade física, deveria ser acompanhado por aumento da atividade de CK, enzima de eleição na indicação de danos musculares, como validado nos estudos de Benesi et al.35 e de Britti et al.6. Porém, uma vez que as concentrações de CK mantiveram-se estáveis (P>0,05) desde o nascimento até as 72 horas de vida dos cordeiros, os resultados do presente estudo possivelmente decorrem do processo de adaptação morfofuncional do fígado com o desenvolvimento etário2.

O aumento (P<0,001), de aproximadamente 16 vezes, da atividade sérica de GGT observado nos cordeiros no momento pós-colostro apresentou relação direta com o consumo de colostro, o qual possui elevadas concentrações desta enzima em sua constituição59. Em ruminantes, a GGT pode ser encontrada no epitélio dos ductos das glândulas mamárias, onde se envolve no processo de síntese do colostro9, 59, 60. Nos cordeiros, a GGT é absorvida pelo mesmo mecanismo da IgG. Dessa forma, a absorção dessas macromoléculas via colostro, com a diminuição da permeabilidade através do epitélio do intestino delgado e com o início de seus processos catabólicos, limita-se às primeiras 24-48 horas após o nascimento6.

Conforme Madenet al.29, picos nas concentrações de GGT podem ser observados logo após a primeira mamada de colostro, os quais são verificados especialmente durante os primeiros três dias de vida extra-uterina. Assim, devido à elevada concentração e consistente correlação entre GGT e IgG9, sua atividade enzimática, tanto no fluido colostral como no soro de cordeiros, tem sido aceita como índice indireto de transferência de imunidade passiva24. Além disso, é importante ressaltar que, durante o período neonatal, a atividade da GGT não deve ser utilizada como marcadora de doença hepática, ainda que em animais de idade mais avançada essa seja destacada como sua principal função60.

De fato, a avaliação da função hepática nos cordeiros recém-nascidos deve ser realizada com extrema cautela, visto que as variações das atividades de AST e GGT, em conjunto àquelas verificadas entre os parâmetros proteicos e energéticos, sugerem condição de intensas modificações no fígado durante os primeiros dias pós-natais.

 

CONCLUSÕES

A dinâmica dos parâmetros bioquímicos em cordeiros neonatos sadios é modificada pela ingestão de colostro e pela adaptação dos processos fisiológicos do animal à vida extra-uterina.

À exceção da creatinina, da bilirrubina indireta e da enzima CK, todos os demais parâmetros avaliados neste estudo parecem servir como indicadores indiretos da ingestão de colostro pelos cordeiros.

Os valores de proteínas totais e de suas frações (globulinas e albumina), de bilirrubinas, de indicadores do metabolismo energético (glicose, triglicerídeos e colesterol), dos marcadores da função renal (ureia e creatinina) e das enzimas AST e GGT variam marcadamente durante as primeiras horas de vida. Assim, é altamente recomendável o uso de valores de referência específicos para este período, visando evitar equívocos na interpretação dos exames laboratoriais de cordeiros neonatos.

Os valores obtidos neste estudo, ainda que provenham de uma população amostral relativamente pequena e homogênea, podem ser utilizados como valores de referência preliminares para a fase neonatal. Futuramente, em conjunto aos dados de outros estudos, poderão ser extrapolados para a população brasileira de cordeiros neonatos.

 

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Protocolado em: 20 jun. 2013.
Aceito em: 27 jun. 2014.

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