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Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas

Print version ISSN 1981-8122

Bol. Mus. Para. Emílio Goeldi. Ciênc. hum. vol.7 no.3 Belém Sept./Dec. 2012

https://doi.org/10.1590/S1981-81222012000300013 

TESES E DISSERTAÇÕES

 

Um programa de "Sciencia do Brazil": a inserção da fisiologia experimental na agenda científica brasileira em fins do século XIX (1880-1889)

 

 

Ana Carolina Vimieiro Gomes

Tese de Doutorado, Programa de Pós-Graduação em História, Universidade Federal de Minas Gerais - Belo Horizonte (MG) 2009, carolvimieiro@ufmg.br

 

 

O presente trabalho estudou a inserção da fisiologia experimental na agenda científica brasileira em fins do século XIX, a partir da idealização, da instalação e do funcionamento do pioneiro Laboratório de Physiologia Experimental do Museu Nacional do Rio de Janeiro. Analisamos as práticas e os conhecimentos científicos produzidos pelos diversos atores envolvidos na iniciação desse campo de saber naquela instituição, para demonstrar como a fisiologia, porque experimental e praticada no laboratório, foi disciplina exemplar para a consolidação de um novo ideal de ciência e de civilização que se forjava no país naquele momento. Verificamos que a inserção da fisiologia experimental constituiu-se em um empreendimento investigativo complexo e problemático, que envolveu elevados investimentos do governo imperial e no qual interesses científicos, profissionais, políticos, econômicos e comerciais apresentaram-se imbricados e inter-relacionados. Apesar de o laboratório ter sido organizado e equipado nos modelos da fisiologia Ocidental, os cientistas que lá trabalharam, principalmente João Baptista de Lacerda, Louis Couty e Eduardo Guimarães, privilegiaram conteúdos e temas científicos nacionais. Vimos também que tal processo de inserção foi composto por uma dinâmica circulatória, com múltiplos movimentos para dentro e para fora do país e que envolveu a vinda, a acomodação e o retorno, de forma original, dos conhecimentos da fisiologia brasileira para a Europa, sobretudo França. Porém, tal dinâmica não se deu de maneira desencarnada. O Museu Nacional, como espaço de encontro, o imperador Pedro II e Louis Couty (junto ao seu grupo de trabalho) foram mediadores nessa bem sucedida circulação de saberes e práticas. Todavia, observamos que sua autonomização não se completou. Os seus critérios esotéricos de cientificidade e de importância não se afirmaram; a localização do laboratório no Museu Nacional foi causa de conflitos, além de não ter sido formada uma comunidade de fisiologistas sólida no país. As alianças que davam sustentação e legitimação para aquele empreendimento investigativo foram traídas. Ademais, em função da cultura científica utilitarista do Brasil, a fisiologia foi vinculada a algumas práticas da clínica e terapêutica para se legitimar e, posteriormente, foi substituída por aquelas da emergente microbiologia. Dessa maneira, observa-se que, mesmo com os esforços e investimentos para afirmar a fisiologia brasileira nas comunidades científicas nacionais e internacionais, e a relevância desse campo de saber na modernização do país, constatamos que, naquele momento, o seu processo histórico de inserção na agenda científica brasileira foi descontínuo.

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