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Revista da Educação Física / UEM

versão On-line ISSN 1983-3083

Rev. educ. fis. UEM vol.24 no.1 Maringá jan./mar. 2013

https://doi.org/10.4025/reveducfis.v24.1.17353 

ARTIGOS ORIGINAIS

 

Dados sociodemográficos, estado nutricional e maturação sexual de escolares do sexo masculino: exposição à insatisfação com a imagem corporal

 

Sociodemographic data, nutritional status and sexual maturation of male students: exposure to dissatisfaction with body image

 

 

Yara Lucy FidelixI; Giseli MinattoII; Roberto Régis RibeiroIII; Keila Donassolo SantosIV; Edio Luiz PetroskiV

IMestre em Educação Física. Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis-SC, Brasil
IIMestre em Educação Física. Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis-SC, Brasil
IIIMestre em Educação Física. Faculdade Assis Gurgacz, Floresta, Cascavel-PR, Brasil
IVDoutor em Educação Física. Faculdade Assis Gurgacz, Floresta, Cascavel-PR, Brasil
VDoutor. Professor do Departamento de Educação Física da Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis-SC, Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

O objetivo do presente estudo foi verificar a prevalência da percepção com a imagem corporal (IC) e identificar a associação com fatores sociodemográficos, estado nutricional e maturação sexual em escolares do sexo masculino (7 a 17 anos) do município de Cascavel, PR, Brasil. Foram avaliados 1.521 escolares e analisadas as variáveis idade, série, nível econômico, IMC, maturação sexual e a percepção da imagem corporal. Utilizou-se o teste qui-quadrado e a regressão logística multinomial. A prevalência de insatisfação com a IC foi de 74,7%, e os escolares que desejam diminuir a silhueta possuem de sete a 13 anos (RC=2,81; IC95%=1,48-5,31) e apresentam estado nutricional normal (RC=0,14; IC95%=0,10-0,20). Aqueles que desejam ter uma silhueta maior têm entre sete e dez anos (RC=1,86; IC95%=1,15-3,02), cursam o Ensino Fundamental (RC=0,50; IC95%=0,30-0,85) e possuem estado nutricional normal (RC=2,17; IC95%=1,45-3,27). Conclui-se que a insatisfação com a imagem corporal associou-se com a idade, série e estado nutricional.

Palavras-chave: Imagem corporal. Estado nutricional. Puberdade.


ABSTRACT

The aim of this study was to determine the prevalence of body image perception (BI) and its association with sociodemographic factors, nutritional status and sexual maturation in male students (7 to 17 years of age) from Cascavel, Paraná State, Brazil. The study evaluated 1521 students, and analyzed age, school grade, socioeconomic status, BMI, sexual maturation and body image perception. Chi-square test and multinomial logistic regression were used. The prevalence of BI dissatisfaction was 74.7%, and students who wanted to reduce their silhouette aged 7 to 13 years (OR = 2.81, CI 95% 1.48 to 5.31) and showed a normal nutritional status (OR = 0.14, CI 95% = 0.10 to 0.20). Those who wanted to have a larger silhouette aged between 7 and 10 years (OR = 1.86, CI 95% 1.15 to 3.02), were at high school (OR = 0.50, CI 95% = 0.30 - 0.85) and showed a normal nutritional status (OR = 2.17, CI 95% 1.45 to 3.27). BI dissatisfaction was associated with age, grade and nutritional status.

Keywords: Body Image. Nutritional status. Puberty.


 

 

INTRODUÇÃO

A imagem corporal pode ser definida como uma construção multidimensional (THOMPSON, 1990), a qual representa como as pessoas pensam, sentem e se comportam a respeito da sua forma física (MUTH; CASH, 1997). A partir disso, surgem dois aspectos específicos da imagem corporal: a exatidão da estimativa do tamanho do corpo e os sentimentos gerados em relação às suas porções e a ele como um todo - insatisfação corporal ou desvalorização da forma física (CORDÁS; CASTILHO, 1994).

A sociedade vem demonstrando uma preocupação excessiva com os padrões de beleza, os quais têm exigido perfis antropométricos cada vez mais magros para o sexo feminino e fortes para o sexo masculino (PEREIRA et al., 2009). A obsessão pela perfeição da beleza física converte-se em doenças emocionais, seguida por ansiedade, depressão, fobias, atitudes compulsivas e repetitivas, conduzindo a pessoa a desenvolver o transtorno dismórfico corporal, que tem como sintomas o desejo de uma imagem corporal perfeita e a distorção da real imagem diante do espelho (FERREIRA; CASTRO; GOMES, 2005). A busca pelo corpo considerado ideal faz com que a sociedade apresente alterações na representação da imagem corporal, inclusive em crianças e adolescentes, visto que estudos conduzidos com esta população revelaram altas prevalências de insatisfação com o corpo (VILELA et al., 2004; GRAUP et al., 2008; PETROSKI; PELEGRINI; GLANER, 2009).

A relação entre insatisfação com a imagem corporal e o estado nutricional verificada por meio do índice de massa corporal (IMC), tem sido utilizada em alguns estudos, demonstrando que apresentar um valor de IMC maior está associado a uma maior insatisfação com a imagem corporal (PAXTON; EISENBERG; NEUMARK-SZTAINER, 2006; CONTI; FRUTUOSO; GAMBARDELLA, 2005). Contudo, a relação entre IMC e insatisfação corporal merece ser melhor explorada, pois mesmo aqueles que apresentam estado nutricional adequado, relatam insatisfação corporal (PINHEIRO; GIUGLIANI, 2006; TRICHES; GIUGLIANI, 2007).

Fatores sociodemográficos também podem estar relacionados à insatisfação com a imagem corporal. Contudo, há divergências em relação aos resultados que, em alguns estudos mostram associação entre insatisfação com a imagem corporal e sexo (BEARMAN et al., 2006) enquanto outros não encontram associação entre as variáveis (PINHEIRO; GIUGLIANI, 2006). Respectivamente, observa-se estes resultados contraditórios para a idade (GRAUP et al., 2008; PINHEIRO; GIUGLIANI, 2006) e área de domicílio (TRICHES; GIUGLIANI, 2007; WELCH et al., 2004). A influência do nível socioeconômico na percepção da imagem corporal ainda é limitada na literatura (PEREIRA et al., 2011).

No sexo feminino, maturar precocemente está associado a uma maior insatisfação com a imagem corporal, sendo apontada principalmente pelo desejo de perder peso (PETROSKI; VELHO; DE BEM, 1999; SCHERER et al., 2010). Estudos que investigam insatisfação corporal nas meninas ganharam cada vez mais espaço com o passar dos anos (ARCHIBALD; GRABER; BROOKS-GUNN, 1999), entretanto, isto tem sido pouco investigado no sexo masculino. A maturação sexual é um processo que influencia nas alterações corporais ocorridas durante a adolescência (FERRARI et al., 2008). É na puberdade que o dimorfismo sexual torna as formas corporais distintas entre os sexos, e nos meninos essas modificações antropométricas e de composição corporal são observadas pelo desenvolvimento acentuado de massa magra e muscular (BORGES; MATSUDO, S. M.; MATSUDO, V. K. R., 2004). Investigar a maturação de adolescentes torna-se importante, visto que indivíduos com a mesma idade cronológica podem apresentar graus de maturação biológica diferentes entre si (LOURENÇO; QUEIROZ, 2010).

Estudos que avaliam a percepção da imagem corporal em escolares são realizados em todo o mundo. Contudo, os estudos abordam somente as diferenças na percepção entre os sexos, não investigando outros fatores que podem ser determinantes na insatisfação corporal. A literatura é carente na investigação da imagem corporal verificada por meio dos estágios maturacionais no sexo masculino, e observa-se discordância entre os resultados que avaliam a insatisfação, ora mostrando descontentamento com o corpo em relação à magreza, ora em relação ao excesso de peso. Outra lacuna científica refere-se ao nível econômico associado à imagem corporal, sendo esta variável pouco explorada em amostras brasileiras. No âmbito internacional, observa-se uma tendência em adolescentes de classes mais altas demonstrarem maiores índices de insatisfação (PEREIRA et al., 2011). Evidências que relatem a associação da imagem corporal ajustadas pelas variáveis de idade, grau de ensino, nível econômico, estado nutricional e maturação sexual, mostrando quem são os grupos de maiores ou menores riscos, são escassas. Com o avanço das análises estatísticas, resultados mais precisos podem ser inferidos para a população estudada e extrapolados a indivíduos com características semelhantes. Assim, o presente estudo busca preencher estas lacunas existentes, trazendo importantes contribuições para a literatura.

Portanto, o objetivo do presente estudo foi constatar a prevalência da percepção com a imagem corporal, identificar a associação com fatores sociodemográficos, estado nutricional e maturação sexual em escolares do sexo masculino (7 a 17 anos) e verificar o quão expostos os escolares estão ao desfecho.

 

MÉTODO

O estudo sobre a análise da percepção da imagem corporal de crianças e adolescentes e fatores associados foi desenvolvido a partir de um estudo maior, de corte transversal, denominado "Antropometria, composição corporal, desempenho motor e maturação sexual de escolares de diferentes níveis socioeconômicos do município de Cascavel, Paraná", aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Faculdade Assis Gurgacz (FAG), parecer n° 220/2008. As orientações para a realização de pesquisa envolvendo seres humanos, de acordo com a Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde, foram usadas encaminhando um termo de consentimento aos participantes da pesquisa informando-lhes sobre os objetivos da mesma.

O presente estudo foi realizado na cidade de Cascavel, estando o município localizado no Terceiro Planalto do Estado, na região Oeste paranaense, no Sul do Brasil. A população do município é de 286.205 habitantes, com 94,02% da população residentes na área urbana (IBGE, 2010). O Índice de Desenvolvimento Humano do município é 0,810 sendo então classificado com elevado desenvolvimento humano (PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO, 2000).

A população-alvo deste estudo foi composta por escolares de 7 a 17 anos do sexo masculino. Conforme o relatório do Núcleo Regional de Educação e Secretaria Municipal de Educação do Município (2008), a população geral de escolares matriculados no Ensino Fundamental e Médio era de aproximadamente 36.758 escolares, distribuídos em 89 escolas municipais e estaduais. Considerando que a população-alvo de estudo é constituída somente por escolares do sexo masculino, ponderou-se uma distribuição entre sexo de 50/50, totalizando 18.379 escolares.

O processo de amostragem foi estratificado por polo educacional e conglomerados de turmas. Três polos educacionais foram formados de acordo com a distribuição dos escolares nas diferentes regiões geográficas do município, a fim de assegurar melhor representatividade. Obteve-se uma proporção de 35,8% de escolares no polo I, 33,1% no polo II e 31,2% dos escolares no polo III. No primeiro estágio, foi realizado um sorteio de quatro escolas de cada polo, sendo duas escolas municipais e duas estaduais. No segundo estágio, procedeu-se a seleção aleatória simples das turmas, considerando a representatividade em relação à população alvo. Deste modo, foram convidados a participar do estudo todos os adolescentes de sete a 17 anos que estavam presentes em sala de aula no dia da coleta de dados.

Foram calculados vários tamanhos de amostra, pois este estudo faz parte de uma pesquisa mais ampla, com diferentes desfechos em saúde. Para a presente análise adotou-se prevalência desconhecida para o desfecho (igual a 50%), erro tolerável de 3,5 pontos percentuais, nível de confiança de 95%, efeito de delineamento de 2,0, estimando assim uma amostra de 1.504 escolares. Com o acréscimo de 15% para possíveis perdas e recusas, obteve-se uma amostra final de 1.730 escolares.

Para participar da pesquisa, definiu-se como elegível estar matriculado na rede municipal e estadual de ensino, encontrar-se na sala de aula no dia da coleta e ter de sete a 17 anos de idade. Os critérios de exclusão adotados foram (a) idade inferior a sete anos e superior a 17 anos; (b) não apresentar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, assinado pelos responsáveis; (c) recusar participar da pesquisa; (d) não preencher completamente o questionário.

A idade cronológica foi determinada de forma centesimal a partir da confrontação entre a data de coleta dos dados e a data de nascimento. Para a formação dos grupos etários, a idade inferior foi considerada em 0,50 e a idade superior em 0,49, centralizando-se a idade intermediária em anos completos. Os escolares foram categorizados em sete a dez anos, 11 a 13 anos e 14 a 17 anos.

Foram coletadas as informações de massa corporal e estatura para caracterização da amostra e determinação do estado nutricional. A massa corporal foi mensurada com uma balança de Bio-Impedância Tanita® (modelo TBF 305) com graduação em 0,1 kg. A estatura foi obtida por meio da utilização de um estadiômetro da marca Seca® com escala de resolução de 0,1 cm. Estas medidas foram mensuradas de acordo com os procedimentos descritos por Ross e Marffel-Jones (1991).

O estado nutricional foi avaliado por meio do índice de massa corporal (IMC), obtido pela equação da massa corporal (kg) dividida pela estatura (m) elevada ao quadrado (kg/m2). A classificação do IMC seguiu os critérios propostos por Cole et al. (2000).

Para a definição do nível econômico, recorreu-se aos procedimentos propostos pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) que estima o poder de compra das famílias classificando-as do mais rico para o mais pobre (classes A, B, C, D e E), a partir da acumulação de bens materiais, das condições de moradia, número de empregados domésticos e o nível de escolaridade do chefe da família. Visando uma quantidade de sujeitos semelhante entre as categorias, as mesmas foram agrupadas em A+B e C+D+E.

Para identificação da maturação sexual foi utilizada a autoavaliação do desenvolvimento dos pelos púbicos (pelarca), através do instrumento proposto por Tanner (1962). Este instrumento fornece as seguintes opções de resposta: P1, P2, P3, P4 e P5, sendo então os escolares classificados nos estágios pré-púbere (P1), púbere (P2, P3 e P4) ou pós-púbere (P5). Nos estágios 1 e 5 as características sexuais são claras, considerando ausência de sinais puberais no estágio um e desenvolvimento puberal completo no estágio 5. Os escolares recebiam a prancha contendo as figuras e após autoavaliação, assinalavam em qual estágio se encontravam. É importante ressaltar que a literatura evidencia a concordância entre a avaliação médica e a autoavaliação puberal em crianças e adolescentes (AZEVEDO et al., 2009).

A percepção da imagem corporal foi obtida por meio da escala de nove silhuetas corporais proposta por Stunkard, Sorenson e Schlusinger (1983), sendo esta escala concisa e válida para a população brasileira, apresentando alta correlação entre IMC e silhueta corporal ideal (r=0,76) e entre IMC e discrepância ideal (r=0,72), de acordo com o estudo realizado por Scagliusi et al (2006). O conjunto de silhuetas era mostrado aos escolares e os mesmos respondiam a duas perguntas: qual a silhueta que melhor representa a sua aparência corporal atual (real)? Qual é a silhueta corporal que você gostaria de ter (ideal)? Quando a variação entre a silhueta real e ideal era igual a zero, os escolares foram classificados como satisfeitos; e se diferente de zero, insatisfeitos. Caso a diferença fosse positiva (real - ideal), caracterizava uma insatisfação pelo desejo de reduzir a silhueta, e, quando negativa, uma insatisfação pelo desejo de aumentar.

Na análise descritiva das variáveis foram utilizadas distribuição de frequências, sendo que a diferença entre as proporções de cada variável foi verificada por meio do teste qui-quadrado. A análise multivariável foi realizada pela regressão logística multinomial, assumindo como categoria de referência a satisfação com a imagem corporal, para analisar as associações entre as categorias do desfecho (deseja aumentar e deseja diminuir) com os indicadores sociodemográficos (idade, série escolar e nível econômico), estado nutricional e maturação sexual, estimando as razões de chances e os intervalos de confiança. Todas as variáveis foram introduzidas no modelo de regressão, adotando o nível de significância de 5% (IC95%)

 

RESULTADOS

Um total de 12,1% da amostra não atendeu os critérios de inclusão, sendo a amostra avaliada composta por 1.521 escolares. A prevalência de insatisfação com a imagem corporal foi de 74,7%, sendo que 46,6% dos escolares desejam aumentar a silhueta, enquanto 28,1% apresentam desejo de ter uma silhueta menor.

Na Tabela 1 são descritas as características sociodemográficas, o estado nutricional e a maturação sexual dos escolares avaliados. Observa-se que a maioria dos escolares cursava o Ensino Fundamental, pertenciam à classe econômica baixa e foram classificados com estado nutricional normal e no estágio púbere de maturação.

 

 

Na Tabela 2 é mostrada a prevalência da percepção da imagem corporal dos escolares, sendo que os insatisfeitos foram dicotomizados e desejam reduzir ou aumentar a silhueta. Observou-se que as variáveis idade e maturação sexual associaram-se com a imagem corporal (p<0,05). Os escolares de 11 a 13 anos apresentaram maior desejo de reduzir a silhueta enquanto o desejo de aumentar a silhueta ocorreu nos escolares que pertenciam aos grupos etários de 7 a 10 e 14 a 17 anos.

Observando a Tabela 3, verificou-se que na análise bruta, a insatisfação com a imagem corporal mostrada pelo desejo de diminuir a silhueta, associou-se com as idades de sete a 10 anos, de 11 a 13 anos, com o estado nutricional considerado normal e com o estágio púbere em relação aos escolares que estão satisfeitos com a imagem corporal. Quando analisada a insatisfação pelo desejo de ter uma silhueta maior, observou-se associação com as idades de sete a dez anos, estado nutricional normal e estágio pré-púbere, comparado aos escolares satisfeitos.

A análise ajustada (Tabela 3) mostra que os escolares com idades de sete a 10 anos (RC=2,70; IC95%=1,40-5,22) e de 11 a 13 anos (RC=2,81; IC95%=1,48-5,31) apresentaram 2,7 e 2,8 vezes mais chances, respectivamente, de estarem insatisfeitos com a imagem corporal, desejando uma silhueta menor. Os escolares que desejavam reduzir a silhueta e de estado nutricional normal estiveram menos expostos à insatisfação corporal (RC=0,14; IC95%=0,10-0,20). Naqueles que desejavam aumentar a silhueta, as chances de insatisfação foram maiores nos de idade de sete a 10 anos (RC=1,86; IC95%=1,15-3,02), de série escolar fundamental (RC=0,50; IC95%=0,30-0,85) e de estado nutricional normal (RC=2,17; IC95%=1,45-3,27).(Tabela 4)

 

DISCUSSÃO

A imagem corporal envolve três componentes: perceptivo, o qual está relacionado com a precisão da percepção do próprio tipo físico, envolvendo uma estimativa do tamanho corporal e do peso; subjetivo, abrangendo aspectos como satisfação com a aparência, nível de preocupação e ansiedade a ela associada; e comportamental, o qual salienta as situações evitadas pelo indivíduo por experimentar desconforto associado à aparência corporal (THOMPSON, 1996). Baseado nesta teoria, e por meio da percepção e da subjetividade do avaliado, os resultados revelaram que 74,7% dos escolares investigados estão insatisfeitos com a imagem corporal, apresentando proporções superiores às encontradas em outros estudos com escolares brasileiros (VILELA et al., 2004; PETROSKI; PELEGRINI; GLANER, 2009) e inferiores ao encontrado em Porto Alegre, RS (PINHEIRO; GIUGLIANI, 2006). Alguns pesquisadores mencionam que a insatisfação com a imagem corporal está presente entre 60,0 e 80,0% do sexo feminino e 20,0 a 40,0% do sexo masculino, (PRESNELL; BEARMAN; STICE, 2004) estando os escolares avaliados no presente estudo acima destes valores. É importante ressaltar que essa variabilidade nos resultados de prevalência pode ser decorrente dos diferentes métodos de avaliação utilizados.

Dentre os escolares insatisfeitos com a imagem corporal, 46,6% desejavam aumentar a silhueta enquanto 28,1% desejavam ter uma silhueta menor, corroborando com outros estudos (PEREIRA et al., 2009; VILELA et al., 2004) que mostram que o sexo masculino aspira corpos mais fortes. Este fato pode ser explicado pelos fatores culturais brasileiros, sendo que o sexo masculino é estimulado a realizar atividades com predominância do desenvolvimento físico e muscular (RICCIARDELLI; MCCABE; BANFIELD, 2000).

A associação encontrada na análise prévia entre idade e maturação é confirmada por alguns estudos realizados com o sexo feminino, os quais mostram que as adolescentes que maturaram precocemente são mais insatisfeitas do que aquelas que tiveram a maturação mais tardia (PETROSKI et al., 1999; MCCABE; RICCIARDELLI, 2004a). Contudo, esta associação não foi verificada após o ajuste para todas as variáveis do estudo, indicando que as variáveis inseridas no modelo podem estar explicando a relação da insatisfação da imagem corporal com a maturação sexual. A literatura indica que um importante fator a ser controlado nas pesquisas envolvendo a imagem corporal refere-se à idade (O'DEA; CAPUTI, 2001), visto que dependendo da fase da vida, haverá os que almejam ser "maiores" e os que desejam ser "menores" (MCCABE; RICCIARDELLI, 2004b).

Neste estudo, pode-se observar que a insatisfação com a imagem corporal acomete até mesmo os escolares mais jovens, sendo que estes apresentaram quase três vezes mais chances de mostrarem-se insatisfeitos com o corpo, desejando ter uma silhueta menor que a real. Uma pesquisa internacional que envolveu adolescentes de três países mostrou que a prevalência de sentir-se gordo e insatisfeito com o corpo diminui com o avanço da idade no sexo masculino (ZABORSKIS et al., 2008). Impulsionado pelo crescimento, na puberdade os hormônios fazem com que haja um acúmulo rápido predominante de massa muscular nos meninos, deixando-os mais satisfeitos com a imagem corporal (XIE et al., 2010).

Os escolares de sete a dez anos apresentaram quase duas vezes mais chances de desejar uma silhueta maior, quando comparados à categoria de referência (14-17 anos). Isso pode ser justificado em virtude do período maturacional, sendo que os pré-púberes ainda apresentam um corpo com características infantis (AERTS et al., 2010). Na cultura ocidental, a masculinidade está associada a um corpo mesomorfo (FEINGOLD; MAZZELA, 1998) e em algum momento da adolescência o desejo de possuir músculos grandes e volumosos iguala ou supera o interesse em perder peso (MCCABE; RICCIARDELLI, 2004a). Existe também o desejo de aumento de áreas específicas, como o braço e a altura (CONTI et al., 2009).

Quando analisado o estado nutricional, observa-se que os escolares que apresentavam IMC adequado estiveram menos expostos ao desejo de diminuir a silhueta e mais expostos ao desejo de aumentar. Essa associação entre estado nutricional e imagem corporal é confirmada também por estudos internacionais (RICHARDS et al., 1990; RAND; RESNICK, 2000). No Brasil, em especial nas regiões Sul e Sudeste, é crescente a obsessão compulsiva dos homens pela musculatura, provavelmente influenciados pelo que veem na televisão, na publicidade e nos filmes. Ver essas imagens faz com que os adolescentes desenvolvam a crença de que é assim que um homem ideal deveria ser (FERREIRA; CASTRO; GOMES, 2005).

Entre as limitações inerentes ao presente estudo, pode-se citar o fato de este ser de corte transversal, não permitindo estabelecer uma relação de causa e efeito entre as variáveis. O método das silhuetas corporais, apesar de bastante utilizado na literatura, trata-se de uma figura bidimensional, em preto e branco, podendo limitar a percepção da imagem corporal. E embora as planilhas sejam amplamente utilizadas em pesquisas com adolescentes, a autoavaliação da maturação sexual pode ter sofrido influências relacionadas a questões culturais.

Contudo, o presente estudo traz importantes evidências a respeito da imagem corporal e fatores associados em escolares. A amostra investigada é representativa da população de escolares residentes na zona urbana de uma cidade de grande porte, sendo então os resultados aqui encontrados válidos para crianças e adolescentes com características semelhantes aos investigados. O estudo destaca a necessidade de maiores investigações sobre o efeito da maturação na percepção da imagem corporal em meninos, sendo isto já comprovado no sexo feminino e ainda não esclarecido no masculino em virtude dos resultados contraditórios. Com relação ao nível econômico, novas investigações necessitam ser feitas, pois a sociedade em geral, está vivendo um período de modificações econômicas e nutricionais, sendo esta variável ainda pouco explorada nos estudos brasileiros (PEREIRA et al., 2011).Visto que a prevalência de insatisfação com a imagem corporal foi elevada, sugere-se que a escola, aliada aos pais, funcionários e governo de saúde do município, intervenha com programas de conscientização e prevenção de doenças relacionadas à imagem corporal, a fim de contemplar principalmente os grupos de maior risco. Além disso, estudos que avaliem os motivos de insatisfação com a imagem corporal também devem ser desenvolvidos, buscando entender porque prevalências tão altas de insatisfação têm sido encontradas.

 

CONCLUSÃO

Cerca de três em cada quatro escolares apresentaram insatisfação com a imagem corporal. As associações foram encontradas para a idade, série e estado nutricional, sendo que os escolares que desejam diminuir a silhueta estão na faixa etária dos sete aos 13 anos e apresentam estado nutricional normal. Aqueles que desejam ter uma silhueta maior têm entre sete e dez anos, cursam o Ensino Fundamental e possuem estado nutricional normal. Os escolares que apresentaram estado nutricional adequado estiveram menos expostos ao desejo de diminuir a silhueta.

 

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 Endereço para correspondência:
Yara Lucy Fidelix
Universidade Federal de Santa Catarina
Campus Universitário, Caixa Postal 476
CEP: 88010-970
Centro de Desportos
Núcleo de Pesquisa em Cineantropometria e Desempenho Humano - NuCiDH Florianópolis-SC, Brasil
Email: yarafidelix@hotmail.com

Recebido em 24/02/2012
Revisado em 28/09/2012
Aceito em 03/10/2012

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