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Organizações & Sociedade

Print version ISSN 1413-585XOn-line version ISSN 1984-9230

Organ. Soc. vol.9 no.25 Salvador Sept./Dec. 2002

http://dx.doi.org/10.1590/S1984-92302002000300003 

ARTIGOS / ARTICLES

 

Homogeneidade versus heterogeneidade cultural: um estudo em universidade pública

 

 

Neusa Rolita CavedonI; Roberto Costa FachinII

IProfessora do Programa de Pós-graduação em Administração e do Departamento de Ciências Administrativas da Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Pesquisadora do CNPq
IIProfessor da PUC Minas e Fundação Dom Cabral (MG). Professor-colaborador do Programa de Pósgraduação em Administração da UFRGS

 

 


RESUMO

Este trabalho tem por objetivo identificar as significações que uma Universidade Pública possui para os diferentes atores que nela atuam cotidianamente. A partir da noção de representações sociais desenvolvida na Antropologia Social e da visão de Martin e Frost (1996) sobre a cultura organizacional como uma complementaridade entre fragmentação, diferenciação e integração, procurou-se desvendar o universo organizacional de uma universidade pública. O método utilizado foi o etnográfico e compreendeu o período de 1995 a 1998. Os resultados evidenciam que Escassez de recursos e Universidade renomada são significações acerca da Universidade partilhadas por alunos e professores (fragmentação). Professores e funcionários partilham do mesmo significado com relação à Falta de perspectivas profissionais para os últimos (fragmentação). Já a Dificuldade de conciliar estudo e trabalho é uma significação sobre a Universidade restrita ao grupo dos alunos e a Liberdade é uma significação sobre a Universidade partilhada só pelo grupo de professores (diferenciação). Já a representação da Universidade sob a ótica da Deficiência perpassa os três grupos de atores, quais sejam, professores, funcionários e alunos (representação integradora). O estudo representa uma contribuição para a discussão entre homogeneidade e heterogeneidade na identificação de culturas organizacionais.


ABSTRACT

This paper aims to search for the different meanings that different actors hold of a public university located in the southern region of Brazil. The conceptual framework is based on the social representation’s notion which was developed in the field of Antropology and on the organizational culture study by Martin & Frost (1996). Instead of finding an homogenous culture, Martin & Frost identify instead fragmentation, differentiation and integration as different facets of the culture of an organization. The method of the study was etnography and the period of study included the years from 1995 to 1998. Results found that Resource Scarcity and Renowned University were meanings hold by students and professors (i.e. fragmentation). Another meaning – Lack of a professional perspective or a professional future – was shared by Professors and the Administrative support staff (also, fragmentation). Differentiation, however, appears when one sees hat Difficulty of putting together work and study obligations is a meaning that is bound to appear only with the students and a sense of Freedom is particularly restricted to the group of professors. An integrative representation is found when professors, administrative staff and students share the meaning of Deficiency as an overall characteristic of the University. The study thus provides a significant contribution for the discussion regarding the homogeneity or heterogeneity of an organizational culture.


 

 

Texto completo disponivel apenas em PDF.

Full text avaliable only in PDF.

 

 

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