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Organizações & Sociedade

On-line version ISSN 1984-9230

Organ. Soc. vol.19 no.62 Salvador July/Sept. 2012

https://doi.org/10.1590/S1984-92302012000300001 

APRESENTAÇÃO

 

 

Trazemos ao distinto público leitor a edição 62 da O&S com um conjunto de artigos diversificados, plurais refletindo a complexidade e o largo escopo da área de Organizações e Sociedade.

Começamos com o trabalho de autoria de Pedro Piccoli e Christiane Kleinübing Godoi o qual aborda senão um tema não convencional, certamente, uma organização não convencional. O artigo lança luz sobre a motivação para o trabalho voluntário em uma organização espírita, buscando identificar as categorias que explicam tal tipo de trabalho. A contribuição do artigo virá no sentido de entender aspectos da realidade brasileira que são ainda pouco revelados no tocante às duas características do objeto analisado.

Prossegue a presente edição com a contribuição de Marcelo de Rezende Pinto e Leonardo Lemos da Silveira Santos sobre a grounded theory tomada como abordagem metodológica enquanto estilo de fazer pesquisa. Mais especificamente, os autores descrevem o que chamam "a saga" de um pesquisador frente ao desafio de colocar a teoria em prática. Poderíamos dizer que o artigo volta-se para o making-off da pesquisa, o que pode contribuir para a formação de pesquisadores na matéria. Na reta de chegada, o artigo expõe as dúvidas, os dilemas, as dificuldades e as angústias experimentadas ao longo da pesquisa exatamente por quem passou por elas.

Da lavra de Gustavo da Silva Motta, Rogério Hermida Quintella e Daniel Reis Armond de Melo chega o artigo que foca na pertinência do uso de Jogos de Empresas como componente curricular. O instrumento tem se mostrado valioso para a formação em Administração. Contudo, a presente pesquisa identificou falhas na concepção das disciplinas a ela relacionadas. Metodologicamente, o estudo cobriu Planos de Ensino da disciplina "Jogos de Empresas" (com algumas variações de nomenclatura) de 25 IES brasileiras. O artigo destacou duas abordagens distintas para o enquadramento da disciplina Jogos de Empresas: uma trata a capacitação para que se apliquem jogos como ferramenta de ensino-aprendizagem; e a outra trata da integração das diversas disciplinas específicas de gestão. A análise realizada localizou uma distorção da interpretação institucional a respeito da importância dos jogos para a formação em Administração, percebendo equívocos na concepção das disciplinas que sofrem de falta de identidade, e quanto a não aplicação dos jogos no próprio desenvolvimento de tais disciplinas. O artigo clama, concluindo, pela necessidade de um maior apoio institucional executado por meio da aquisição/desenvolvimento de recursos didáticos e da capacitação docente para o desenvolvimento de jogos de empresas.

Flávia Zimmerle da Nóbrega Costa e André Luiz Maranhão de Souza Leão aportam artigo que situa a inserção de uma marca global em um contexto local. O objetivo do artigo reside em compreender a possibilidade de uma marca transnacional de se estabelecer numa cultura local, reproduzindo a cultura global. Inspirado no projeto arqueológico de Michel Foucault, o artigo constrói um corpus fotográfico de práticas cotidianas de uma marca global, em que revela a análise de formações discursivas entre culturas global e local. Com isso, possibilita desvelar as relações existentes nessa teia. Os resultados subsidiam caminhos para reflexão, tanto acerca da importância assumida pela marca na cultura, quanto da forma assumida pelas sociedades ocidentais contemporâneas.

A contribuição seguinte a esta edição da O&S vem de Rachel Torres Salvatori e Carla A. Arena Ventura através de um trabalho voltado para os principais resultados alcançados pela regulação dos planos de saúde exercida pela Agência Nacional de Saúde Suplementar, autarquia criada para promover o equilíbrio das relações entre operadoras e consumidores, de modo a tornar o mercado de planos de saúde mais eficiente. O artigo identifica como avanços mais significativos da regulação do setor: as barreiras à entrada e à saída das operadoras no mercado, a ampliação das coberturas assistenciais contratuais, o monitoramento e o controle dos reajustes, a indução a práticas de promoção da saúde e à qualificação do setor, e a possibilidade da portabilidade de carências. Por outro lado, o artigo contribui ao identificar como desafios a serem enfrentados o monitoramento da qualidade da assistência prestada, a renúncia fiscal, a existência dos cartões de desconto, a operação de empresas como operadoras de planos de saúde sem o registro na ANS e a adoção de alguns mecanismos nocivos de regulação assistencial pelas operadoras de planos de saúde.

Elaine Tavares realizou pesquisa que resultou em artigo cujo objetivo é entender em que condições se dá a construção social de sistemas de informação (SI) no setor bancário no Brasil. Foi realizada uma análise da implantação, do uso e dos processos de aprimoramento de três sistemas, usados em duas instituições bancárias. A autora parte da premissa de que a tecnologia da informação (TI) é um fenômeno socialmente construído, com uma estrutura de uso formada na prática. O desenvolvimento da pesquisa revelou a existência de um processo de construção social que gerou quatro tipos de uso dos SI. A assimilação dos sistemas foi influenciada pela confluência de objetivos individuais e organizacionais e pelo tipo de treinamento aplicado. As atualizações e revisões dos sistemas parecem seguir estruturas de conformismo com o que foi instituído pela organização e de conformidade com processos de solicitações de aprimoramentos.

Ana Maria de Brito Pires, Francisco Lima Cruz Teixeira e Horácio Nelson Hastenreiter Filho trazem à O&S artigo que circunscreve a colaboração nas atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação envolvendo Universidade (U), Indústria (I) e Governo (G). Desta convergência resultam a formulação das políticas públicas brasileiras de incentivo à Ciência, Tecnologia e Inovação e ao desenvolvimento industrial. O Plano de Ação de Ciência, Tecnologia e Inovação (PACTI) e a Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) enfatizam, explicitamente, a dinamização da relação U-I-G e a cooperação interorganizacional entre entidades nacionais e internacionais como vetores de desenvolvimento da indústria nacional. O artigo aqui apresentado alinha-se com o esforço de se identificar soluções institucionais e organizacionais capazes de dinamizar a relação U-I-G na promoção da inovação. O artigo apresenta uma avaliação da Prática Centros e Redes de Excelência Petrobras/Coppe (PCREX) à luz dos referenciais teóricos da Hélice Tríplice, Inovação Aberta, Relação Universidade-Empresa e Redes de Inovação. O modelo PCREX propõe a construção de novos organismos interorganizacionais permanentes visando a configurar novos negócios para as organizações participantes, maximizando a geração de valor para os envolvidos e para a sociedade. A análise da PCREX é aprofundada pelo estudo de caso do Centro de Excelência em Geoquímica da Petrobras (Cegeq), protótipo da aplicação da PCREX, o que permitiu identificar potencialidades e fragilidades, de modo a contribuir para o aperfeiçoamento da metodologia, bem como evidenciou a necessidade de se avançar no desenvolvimento da capacidade de atuar em redes de colaboração, formas não-hierarquizadas de integração intra e interorganizacional, e na construção de ambientes institucionais favoráveis ao exercício da colaboração nos moldes PCREX

Finalizando a sessão de artigos, aportamos a contribuição de Juliana Barbosa Zuquer Giaretta, Valdir Fernandes e Arlindo Philippi Jr. que traz como objetivo apresentar os fatores que condicionam o sucesso ou fracasso da participação social junto à gestão ambiental nos municípios brasileiros. Partindo de levantamento e análise bibliográfica da produção sobre este tema no Brasil, foi identificado um conjunto de fatores condicionantes da participação social na gestão ambiental municipal brasileira, destacando-se, como os mais citados: a questão da divulgação e acesso as informações; educação básica e cidadã; percepção de demandas locais; identidade e valorização local; e dificuldades de acesso às instituições participativas. O artigo mostra que essas evidencias empíricas consubstanciadas na prática convergem com a literatura sobre o tema em tela. Reforçam os autores colocando questões tais como: como é possível pensar a participação da sociedade neste processo sem informação? Sem educação e capacitação? Sem valorização do território? Sem descentralização do poder? Sem integração, articulação e parceria dos setores do governo entre si e com a sociedade civil? O artigo objetiva, assim, fornecer subsídios para avanço dos processos de gestão ambiental municipal fundamentado na participação social.

Encerramos esta edição 62 de Organizações & Sociedade abrindo um debate na seção Idéias em Debate, trazendo a provocação de Sidinei Rocha-de-Oliveira, Valmiria Carolina Piccinini, Betina Magalhães Bittencourt que abordam a questão da Geração Y no Brasil no arcabouço da discussão da juventude, das gerações e do trabalho. A provocação colocada pelos autores vem justamente no sentido de colocar em dúvida a possibilidade de existência da chamada Geração Y no Brasil, um país com profundas desigualdades históricas e déficits agudos na questão educacional. O autor envereda pela discussão da inserção dos jovens no mercado de trabalho, o convívio intrínseco com a tecnologia. O artigo situa-se no contexto da discussão dos dilemas da contemporaneidade e dos possíveis caminhos e tendências para a conformação social futura. Como de praxe, o texto será debatido por pesquisadores a serem convidados pelo periódico, bem como fica aberto à manifestações de todos interessados na temática em tela.

Chegamos, assim, ao final desta edição da O&S. Desejamos a todos boa leitura e boas reflexões. Como sempre fazemos encerramos com a publicação do Índice de Endogenia da revista.

Índice de Endogenia desta edição (artigos de professores/alunos da instituição mantenedora da Revista: Escola de Administração UFBA - NPGA - CIAGS): dois artigos em um total de 8 artigos: 25%

Índice de Endogenia Acumulado (calculado deste a edição 42): 11,7%

 

Prof. José Antonio Gomes de Pinho
Editor Chefe

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