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Organizações & Sociedade

On-line version ISSN 1984-9230

Organ. Soc. vol.21 no.70 Salvador July/Sept. 2014

https://doi.org/10.1590/S1984-92302014000300009 

Elementos epistemológicos e metodológicos da Análise Sociológica do Discurso: abrindo possibilidades para os estudos organizacionais

 

 

Christiane Kleinübing GodoiI; Ana Lúcia de Araújo Lima CoelhoII; Araceli SerranoIII

IDoutorado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Pós-Doutorado no Departamento de Sociologia IV (Metodología de la Investigación Social y Teoría de la Comunicación) da Universidad Complutense de Madrid (UCM). Professora do Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade do Vale do Itajaí. Email: chriskg@univali.br
IIDoutorado em Administração e Turismo pela Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI). Professora do Departamento de Administração/Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Email: alalcoelho@gmail.com
IIIDoutorado em Sociologia pela Universidad Complutense de Madrid (UCM). Professora do Departamento de Sociologia IV (Metodología de la Investigación Social y Teoría de la Comunicación) da Faculdade de Ciências Políticas e Sociologia da UCM. Email: araceli@cps.ucm.es

 

 


RESUMO

Análise Sociológica do Discurso (ASD), vinculada à Tradição Espanhola de Pesquisa Social Qualitativa, e uma de suas escolhas mais habituais, sequer é mencionada nos manuais de métodos qualitativos e de análise do discurso. Nos estudos organizacionais, o intercâmbio com as discussões do campo da sociologia pode permitir a desmistificação da análise do discurso ao encontrar uma metodologia preocupada não com o estilo textual internalista, ou estrutura subjacente, mas com a atuação deste complexo fenômeno cognitivo e social chamado discurso. Esse ensaio tem como objetivo sistematizar os elementos epistemológicos e metodológicos da Análise Sociológica do Discurso. Está estruturado nas seções: a) análise das origens da ASD; b) sistematização de elementos teórico-epistemológicos elegidos como relevantes tanto à compreensão do método quanto a sua diferenciação; c) desenvolvimento dos elementos metodológicos da ASD; e, por fim, d) alerta crítico aos riscos de pseudoanálise em ASD. Pretende-se, assim, iniciar a delimitação do espaço da ASD no âmbito dos estudos organizacionais brasileiros.

Palavras-chave: Análise do discurso. Pesquisa qualitativa. Metodologia de pesquisa. Estudos organizacionais


ABSTRACT

Sociological Discourse Analysis (SDA) linked to the Spanish Tradition of Social Qualitative Research, and one of its choices most common, is not even mentioned, in manuals of qualitative methods and discourse analysis. In organizational studies, the interchange with the discussions of the field of sociology can enable the demystification of discourse analysis to find a methodology concerned not with the internalist textual style, or its underlying structure, but with the performance of this complex phenomenon cognitive and social called discourse. This essay aims to systematize the epistemological and methodological elements of Sociological Discourse Analysis. Is structured in sections: a) analysis of the origins of SDA b) systematization of theoretical and epistemological elements selected as relevant both to understanding the method and its differentiation c) development of methodological elements of ASD, and finally, d) critical alert to the risks of pseudo-analysis in SDA. We intend, therefore, begin defining the space of SDA within the brazilian organizational studies.

Keywords: Discourse analysis. Qualitative research. Research methodology. Organizational studies


 

 

Introdução

O crescente interesse pelo discurso na investigação da realidade social e organizacional tem produzido uma propagação bibliográfica sobre a compreensão e a prática da análise do discurso. No campo organizacional brasileiro, estudos relevantes vêm sendo desenvolvidos, principalmente por pesquisadores, identificados como a abordagem da Análise Crítica do Discurso (CARRIERI; SARAIVA; SOUZA-RICARDO, 2009; CARRIERI; PIMENTEL; CABRAL, 2005; LACOMBE; TONELLI, 2001; MISOCZSKY, 2005; SARAIVA; BAPTISTA, 2009; MURTA; SOUZA; CARRIERI, 2010 – para mencionar alguns), sob influência, sobretudo, das obras de Foucault (2002), Bourdieu (2000), Van Dijk (1998), Fairclaugh (1999) e Hardy (2001). Por outro lado, a expansão literária sobre o tema é permeada não raramente por banalizações, erros básicos e diferentes tipos de "pseudoanálises". (ANTAKI, et al., 2003) Os estudos organizacionais brasileiros parecem ainda atormentados com a diversidade de abordagens constitutivas da análise do discurso, que reúne sob o mesmo nome desde práticas internalistas àquelas amplamente contextuais. Tais fragilidades acabam por reforçar a reivindicação dos linguistas sobre a exclusividade do método. Outro obstáculo à utilização da análise do discurso pelas ciências sociais, demonstrado por Alonso (2002), reside no fato de a própria sociolinguística priorizar problemas estritamente linguísticos em detrimento dos temas realmente sociológicos, à revelia da intensa aproximação realizada por Bourdieu (2000) entre os dois campos.

Dentre as tradições de análise do discurso mais conhecidas e utilizadas no Brasil estão a francesa e a anglo-saxã. No entanto, a busca da conexão do discurso com a realidade organizacional impõe o conhecimento das práticas sociológicas do discurso constituídas a partir da adoção e adaptação pelos sociólogos. Tais práticas sociológicas são originárias de outras ciências sociais além da linguística: a etnografia, a antropologia, a psicologia social, para mencionar algumas. É preciso reconhecer a possibilidade de encontrar no trabalho dos sociólogos maior aplicabilidade e oportunidade de aproximação ao campo organizacional do que aquele desenvolvido por linguistas.

Vinculada à Tradição Espanhola de Investigação Social Qualitativa (ALONSO, 1998; IBÁÑEZ, 1986; ORTÍ, 2001; CONDE, 2009; RUIZ RUIZ, 2009), comandada principalmente pela Escola Qualitativista Crítica de Madri, emergiu, no início dos anos 1970, a chamada Análise Sociológica do Discurso (ASD) – tema desde ensaio. Porém, os primeiros passos e usos desta abordagem iniciaram-se ao final da década de 1950 e concretamente nos anos de 1960, quando começa a investigação de mercados na Espanha, onde a introdução do capital transnacional traz a flexibilização do regime franquista e seu reconhecimento por parte da comunidade internacional. Este é o início de um novo modelo de consumo de massas que se instaurou naquela época e que implicou na necessidade de investigações centradas nos potenciais consumidores. A partir de 1973, ainda durante a ditadura de Franco, nasceu o edifício teórico e metodológico da Análise Sociológica do Discurso, que passaria a se constituir como o núcleo fundamental da pesquisa qualitativa na Espanha. Paradoxalmente, no centro da falta de liberdade política e de pensamento (PEINADO, 2002), contra o saber oficial, e permeado por práticas de contestação, surge uma intensa reflexão sobre os problemas sociais capaz de produzir um redirecionamento da investigação da linguagem entendida a partir desse momento como discurso social.

Neste contexto de processo geral de institucionalização e consolidação da metodologia qualitativa na sociologia espanhola, durante os primeiros governos democráticos, registra-se o início de uma reforma curricular do curso de Sociologia, principalmente na Universidad Complutense de Madrid, além da edição de manuais de métodos qualitativos e de análise do discurso publicados por espanhóis. (ALONSO, 1998; CALLEJO, 2001; DELGADO; GUTIÉRREZ, 1994; VALLES, 1997) Destaca-se também a configuração de um grupo de investigadores, a partir das práticas de investigação de mercados, tais como Jesús Ibáñez – um dos principais mentores da ASD – pertencente à Escola Qualitativista de Madri ou a Escola de Ibáñez. Fernando Conde, cofundador do Curso de Pós-graduação da Faculdade de Ciências Políticas e Sociologia da Universidad Complutense de Madrid (UCM), junto com Ibáñez, Ortí, de Lucas e outros – é considerado um dos autores fundamentais da ASD na atualidade. Conde dirige, juntamente com Cristina Santamarina Vaccari, o instituto de pesquisa Comunicación, Imagen y Opinión Pública (CIMOP) – principal centro de desenvolvimento da ASD em Madri. No Brasil, a perspectiva vem sendo desenvolvida, e aproximada ao campo organizacional, por Godoi (2005, 2006, 2009) e por Coelho e Godoi (2010).

As origens da Tradição Espanhola de Pesquisa Social Qualitativa, mais especificamente da Escola Qualitativista Crítica de Madri e da Análise Sociológica do Discurso, estão ligadas ao contexto da história política do país e aos nomes da sociologia crítica de Jesús Ibáñez, Alfonso Ortí, Ángel de Lucas, Francisco Pereña e José Luis Zárraga, assim como aos trabalhos mais recentes de investigadores formados por eles, tais como Fernando Conde, Jorge Ruiz Ruiz, Luis Enrique Alonso, Enrique Martín-Criado, entre outros. Essa tradição surge, então, como algo inteiramente novo neste contexto, contrário ao formalismo instrumental da sociologia empírica e, como narra Callejo (2001), foi construído com os materiais críticos do momento: estruturalismo, psicanálise e Escola Crítica de Frankfurt. Em torno da ASD se estabelece uma boa parte da fundamentação metodológica dos partidários dos métodos qualitativos na Espanha.

Não há unanimidade sobre o entendimento da Análise Sociológica do Discurso, com inúmeras variações observadas nas práticas dos pesquisadores mais influentes. No entanto, dois elementos, observados por Conde (2009), integram as diferentes linhas da ASD: a) a unidade de análise centrada no corpo do texto da investigação como um todo e não na segmentação; b) a vinculação e a articulação entre as perspectivas internalistas e contextuais do discurso, salientando a importância do contexto sobre o texto. Trata-se de uma análise pragmática do texto e da situação social – micro e macro – que a gerou. (ALONSO, 1998) Esta aproximação com o contexto, reforçada pela ênfase na importância de dimensão pragmática da linguagem, situa a ASD em certa linha de conexão com a Análise Crítica do Discurso (ACD), especialmente na versão de Conde (2009).

Conduzida pela fenomenologia, etnologia e teoria crítica da sociedade, a ASD consiste na busca de um modelo de representação e compreensão do texto concreto em seu contexto social e histórico, desde a reconstrução dos interesses conscientes e inconscientes dos atores envolvidos no discurso. (ALONSO, 1998) É nesse nível social-hermenêutico que o texto é concebido de forma abrangente e vincula-se diretamente com a dimensão mais pragmática da linguagem e a análise de seus usos sociais. (CONDE, 2009)

Esse ensaio tem como objetivo sistematizar os elementos epistemológicos e metodológicos da Análise Sociológica do Discurso, abrindo uma possibilidade metodológica à pesquisa em organizações. Estruturam-se as seguintes seções: a) análise das origens da ASD no interior das etapas da tradição espanhola de investigação social qualitativa, com destaque ao papel de seus principais mentores; b) sistematização dos elementos teórico-epistemológicos elegidos como relevantes tanto à compreensão do método quanto a sua diferenciação (o que é ASD e suas perspectivas epistemológicas; os níveis de aproximação do discurso com os quais trabalha a ASD; a noção de discurso da ASD; e a noção de contexto); c) desenvolvimento dos elementos metodológicos da ASD, na medida de suas possibilidades de adaptação ao campo organizacional; e, por fim, d) alerta crítico aos riscos de pseudoanálises em ASD.

 

Origens da ASD: a Tradição Espanhola da Pesquisa Social Qualitativa

Denzin e Lincoln (2000), na segunda edição do Handbook of Qualitative Research, ampliaram de quatro para sete as perspectivas históricas sobre a gênese e desenvolvimento da pesquisa qualitativa. Os chamados sete momentos determinantes das pautas principais dos últimos anos do século XX seriam: I) tradicional (1900-1950); II) modernista (até 1970); III) gêneros redesenhados (1970-1986); IV) crise de representação (1986-1990); V) pós-moderno (anos 1990); VI) escrita pós-experimental (anos 1990); e VII) o futuro.

Na época da primeira edição do manual de Denzin e Lincoln, em 1997, Delgado e Gutiérrez (1994) publicaram, na Espanha, um manual com periodização distinta: 1) primeiros estudos (final do século XIX); 2) fase de importação (início da década de 1970); 3) início dos debates originais (final da década de 1970); 4) desenvolvimento dos debates originais (décadas de 1970 e 1980); 5) consolidação e questões de procedimento (final da década de 1980 e década de 1990); e 6) prática de pesquisa. Com algumas especificidades e diferenças cronológicas, a experiência vivenciada na Espanha parece mais próxima da realidade da pesquisa qualitativa brasileira do que aquela descrita pelos autores americanos. A segunda periodização norte-americana é criticada por Valles e Baer (2005) e Flick (2004), em virtude do destacado papel atribuído à representação, à crise de representação e à relatividade do que se representa, relegando a um segundo plano as intenções de formalizar e canonizar os métodos. Flick (2004) alerta que qualquer categorização da prática da pesquisa qualitativa em uma sequência progressiva de etapas corre o risco de inutilidade em virtude de seu caráter ideológico.

Para entender a prática da pesquisa qualitativa na Espanha é preciso considerar a Guerra Civil (1936-1939) e a Ditadura de Franco (1939-1975) como marcos condicionantes da grande transformação da sociedade espanhola contemporânea. (VALLES; BAER, 2005) Os fatos econômicos e culturais são utilizados por Valles e Baer (2005) e Conde (2009) na estruturação das etapas da pesquisa qualitativa no país, conforme sintetiza o Quadro 1.

 

 

A Guerra Civil Espanhola (1936-1939) assinala o início do terceiro período da pesquisa qualitativa e provoca o deslocamento das investigações para o campo social. A última década do regime de Franco – quarta etapa da periodização histórica – por sua vez marca o desenvolvimento das raízes sociológicas atuais na Espanha. Nessa fase, Valles e Baer (2005) relatam que a sociologia espanhola assiste o fim da primazia das universidades norte-americanas e a ascensão da influência das universidades francesas, com a psicanálise, a semiótica e o marxismo. A principal figura deste período é Jesús Ibáñez, fundador do ECO (e depois intitulado ALEPH), um instituto de pesquisa de mercado, em 1958, e professor de um grupo de investigação em torno da metodologia de grupo de discussão. Para Ibáñez (1992), a sociedade estava além do Estado, e complementa que antes do Estado franquista legitimar a investigação sociológica empírica, os empresários passaram a requerer os serviços do instituto de pesquisa de mercado. Nasce, neste período, a prática de grupo de discussão, uma ferramenta de pesquisa proposta por Ibáñez em sua obra Más allá de la sociología, em 1979, e atualmente considerada a mais popular na Espanha. Segundo Alonso (1996), trata-se de uma prática em que os grupos constroem e dão sentido aos acontecimentos e circunstâncias em que vivem, aflorando as categorias e interpretações que se transformam em marcos intersubjetivos da interação social através dos processos comunicativos e linguísticos.

Os governos democráticos – quinta etapa – constituem o contexto do processo de institucionalização da sociologia na Espanha e o reconhecimento oficial da pesquisa qualitativa. Esse período teve seu destaque ao configurar um grupo identificado com as práticas de investigação de mercados, entre os quais, Jesús Ibáñez, Alfonso Ortí, Angel de Lucas, José Luis Zárraga, Luis Martín de Dios, pertencentes à Escola Qualitativa Crítica de Madri ou a Escola de Ibáñez. Tais investigadores constituíram o núcleo fundamental da corrente espanhola de investigação qualitativa e de análise de discurso, especificamente, a Análise Sociológica do Discurso. Neste período, registram-se a primeira titulação de Sociologia em uma universidade pública espanhola, o início de uma reforma curricular e a edição de manuais gerais de pesquisa qualitativa, bem como específicos sobre ASD, publicados por espanhóis. (exemplos de manuais: CONDE, 2009; GARCÍA; IBÁÑEZ; ALVIRA, 1986; IBÁÑEZ, 1979; ORTÍ, 2001; VALLES; BAER, 2005)

Ibáñez (1979, 1990, 1992, 1997) foi o grande mestre dos qualitativistas espanhóis e de diversos ibero-americanos no último século. (VALLES; BAER, 2005) Sua influência como importador e exportador de tecnologia – conforme ele próprio narra em nota autobiográfica (IBÁÑEZ, 1990) – projetou-se em especial ao Chile, Argentina, Uruguai, Porto Rico, Marrocos, Senegal e, por meio de seus discípulos (ALONSO, 1998; CONDE, 2009; RECIO, 1994; CALLEJO, 2001; SERRANO, 1998, 2001, 2008) à França e aos Estados Unidos. O estilo de investigação do consumo de Ibáñez caracteriza-se pelos seguintes aspectos apontados por Valles e Baer (2005): interpretação crítica dos discursos sociais; técnica de grupo de discussão; análise estrutural; realização da reflexão teórica (teorização tecno-metodológica) somente após a etapa do pesquisador de mercados, principalmente e não unicamente, também faziam investigação para o mercado político, em seu início. Os estudos qualitativos ou mistos de Ibáñez e seus alunos, de diversas gerações, transitam não somente pelo campo do consumo, mas incluem, por exemplo, a imigração, a saúde, a habitação e o trabalho.

Uma das figuras do círculo de Ibáñez que adquire grande destaque contemporâneo é Conde (2008b, 2009), com a introdução na pesquisa de mercado do grupo triangular (três pessoas e um moderador), semelhante ao grupo de discussão, porém com capacidade de trabalhar com códigos de comunicação a fim de obter maior profundidade nos discursos dos participantes. Para concluir a cartografia da pesquisa qualitativa, Valles e Baer (2005) destacam, a partir de 1994 – sexto e último período –, os seguintes acontecimentos: reformulação curricular (iniciada no período anterior) do curso de Sociologia, principalmente na Universidad Complutense de Madrid, onde são criadas duas temáticas de pesquisa social: Métodos e Técnicas Quantitativas e Métodos e Técnicas Qualitativa; interação conjunta de métodos quantitativos e qualitativos durante o VIII Congresso Nacional de Sociologia, em 2004. Tais fatos são interpretados por Valles e Baer (2005) como o encerramento de um círculo em que o papel e o lugar da metodologia qualitativa na sociologia espanhola consolidaram-se definitivamente.

Como principal grupo dentro da Tradição Espanhola de Pesquisa Social Qualitativa, a Escola Qualitativista Crítica de Madri – origem da Análise Sociológica do Discurso – foi desenvolvida amplamente nos anos de 1970 e associada aos trabalhos de, principalmente, Ibáñez (1979, 1985), Ortí (1986), De Lucas e Ortí (1985), formando a primeira geração desta escola. Na narrativa de Gordo (2008), essa aproximação discursiva conecta-se diretamente com o pós-estruturalismo e sua incorporação com a psicanálise, bem como na integração da reconsideração da Escola de Frankfurt, porém num sentido diferente da análise crítica. Explicando, a ASD incorpora a perspectiva histórica, num sentido muito mais generalista, e também de forma não tão apegada, as aproximações foulcaultianas sobre a genealogia ou as formações discursivas da escola francesa.

 

O Que é ASD: Elementos Teórico-Epistêmicos da Abordagem

São analisados nessa seção elementos epistemológicos, teóricos e metodológicos da ASD considerados relevantes para sua compreensão e diferenciação em relação a outras tradições: a) o que é a ASD e suas perspectivas epistemológicas; b) os níveis de aproximação do discurso com os quais trabalha a ASD; c) a noção de discurso da ASD; e d) a noção de contexto.

Perspectivas epistemológicas na ASD

A ASD tem-se constituído a partir da adoção e adaptação pelos sociólogos de métodos de análises desenvolvidos por outras ciências sociais, o que produz algumas semelhanças parciais com a análise realizada pela linguística, etnografia, antropologia e psicologia social, para mencionar algumas. (ALONSO, 1998; ALONSO; CALLEJO, 1999; RUIZ RUIZ, 2009) Com a finalidade de explicitar as bases epistemológicas da ASD, discutimos na elaboração desta seção principalmente as formulações semelhantes de dois dos principais mentores do método, a saber, Ibáñez (2003, 2010) – primeiras edições, respectivamente, em 1979 e 1986) e Ortí (2010 – texto também de 1986), bem como autores que neles se fundamentaram.

Ibáñez (2003, 2010) considera e analisa três perspectivas na pesquisa social: a distributiva, a estrutural e a dialética. Estas perspectivas pontuam de formas diferentes os três níveis integrados do desenho da investigação social: a perspectiva distributiva (empirista) enfatiza o nível tecnológico da pesquisa (o como se faz); a perspectiva estrutural atribui maior peso ao nível metodológico (o porquê se faz); e a perspectiva dialética, por sua vez, pontua principalmente o nível epistemológico da pesquisa (para quem se faz). Antes de descrever estas perspectivas, Ibáñez (2003) elabora uma explicação de uma dupla ruptura em ciências sociais: a) a ruptura estatística, que pretendeu fundar uma posição e uma forma de observação neutralizadora da ideologia do observador; e a ruptura linguística que, pautada na desconstrução e reconstrução do sentido e revelação do sentido latente, originou as perspectivas estrutural e dialética.

Dentro da primeira perspectiva – distributiva, ou disjuntiva, na denominação de Ávila (1886) –, locus onde se situam os sociólogos quantitativistas, residem as técnicas de questionário estatístico e coleta de dados secundários de dados. Na crítica de Ibáñez a esta dimensão, "o sujeito é limpamente evacuado" (2010, p.81) – crítica que diz respeito ao triunfo da objetividade em ciências sociais, na qual "o mesmo sujeito observa o mesmo em diferentes ocasiões" ou "distintos sujeitos observam o mesmo". Trata-se de uma forma "sedentária" de pesquisar – termo utilizado por Ibáñez (2010, p. 81) para explicar o afastamento do campo de pesquisa e a ausência de interação entre sujeitos e objetos.

A perspectiva estrutural tem como principais práticas de pesquisa a entrevista em profundidade e o grupo de discussão (técnica também desenvolvida na Espanha pelos autores da ASD, que constitui a principal forma de pesquisa qualitativa no país no que tange à coleta de discursos). Ressalva-se que dados secundários também são utilizados no interior desta perspectiva por meio da análise estrutural de textos. Uma das críticas de Ibáñez ao uso exclusivo desta dimensão é de que aqui o sujeito da investigação é integrado, mas apenas "parcial e transitoriamente", ou seja, "taticamente ao nível relacional das comunicações". Trata-se de um tipo de pesquisa que, portanto, não é sedentária como a primeira, e sim "nômade taticamente". (IBÁÑEZ, 2010, p. 82)

A terceira perspectiva narrada pelo autor – a dialética – tem como modelo prático geral a socioanálise, trabalha in vivo e experimenta no campo a expansão e o nomadismo estratégico. Essa perspectiva integra o sujeito da pesquisa de forma completa e definitiva tanto em nível de conteúdo quanto em nível relacional. Desta maneira, pretende-se abolir a separação sujeito (investigador) e objetos (investigados). (IBÁÑEZ, 2010) Ao investigar a ordem social, o pesquisador a transforma e se transforma a si próprio. Neste modelo – no qual o desenho da pesquisa adquire sua mínima expressão –, a análise transforma o que está fechado e coberto em aberto, isto é, coloca em manifesto o latente. (IBÁÑEZ, 2010) Nestas formulações do autor percebem-se nitidamente suas influências marxistas e psicanalíticas.

Não há dúvida quanto às influências prioritariamente qualitativas e dialéticas que nortearam a Escola Qualitativista Crítica de Madri, em seu sentido mais amplo. Tratou-se de um movimento academicamente marginal em suas origens e inicialmente enraizado no espírito contestador da Escola de Frankfurt frente à absolutização da metodologia quantitativista, tal como esclarece Ortí (1986) e fora já narrado na seção 2. Entretanto, o triunfo qualitativista, por sua vez, também é superado na dimensão dialética integradora. (IBÁÑEZ, 2003, 2010; ORTÍ, 1986, 2010) Como sabemos a crítica à exclusão pura da dimensão dos fatos sociais (esfera da análise quantitativa) consiste da mesma forma em uma denegação dogmática de uma das esferas importantes dos fenômenos da pesquisa. É neste sentido que o posicionamento epistemológico dos autores da ASD pode ser definido, já há diversas décadas, como multiparadigmático, entendendo as perspectivas como "complementares por deficiência", na expressão de Ortí. (1986, 2010)

Orientados pela experiência pragmática da realidade concreta da investigação, na qual, como descreve Ortí (1986), os aspectos do comportamento pessoal e da interação social implicam tanto em elementos simbólicos, quanto medíveis – fatos, discursos e motivações –, os autores da ASD constroem seus métodos sobre uma base epistemológica pluralista e integradora. Para exemplificar a integração das três perspectivas epistemológicas anteriormente narradas – distributiva, estrutural e dialética –, Ibáñez (2010) considera que a realidade social conjuga em si as três dimensões: elementos (indivíduos); estruturas (relações invariantes); e sistemas (estrutura aberta, em mudança). Nenhuma dessas estruturas é concebida como suficiente, todas necessárias, mas complementares entre si.

A obra de Ortí (1986, 2010) é ainda mais fortemente permeada por esta perspectiva pluralista, pragmática ou praxiológica. Este autor admite que a comprovação empírica de fatos e a interpretação e análise do discurso apontam a dimensões diferenciadas da realidade social, mas que de forma isolada constituem "desfiladeiros", ou vias estritas de acesso incompleto e parcial a essa realidade. Com vistas a uma integração pragmática dos níveis da realidade social, os fatos, os discursos e as motivações, bem como a trabalhar tanto com a precisão quanto com a relevância, Ortí chega a elaborar uma aproximação completa e circular de práticas quantitativas e qualitativas dentro de um processo de investigação.

O pluralismo epistemológico, mas por certo com as influências principais do estruturalismo francês, do marxismo e da psicanálise/socioanálise, seguirá transparecendo de forma implícita neste ensaio, no que tange tanto às concepções de discurso e contexto, quanto aos elementos metodológico-práticos. Na medida do possível, isso será indicado.

Níveis de aproximação do discurso na ASD

Não há unanimidade sobre o que constitui a análise do discurso, ou como deve ser abordada. Haidar, em 1998, já havia catalogado trinta e quatro modelos de análise do discurso, considerados principais, dentro de dez tendências diferentes. Dentre os modelos mais conhecidos, estão o modelo transformacional de Chomsky (tendência americana); o modelo da filosofia, de Austin e Searle (tendência britânica); os modelos pragmático, de Habermas, e hermenêutico, de Gadamer (tendência alemã); e os modelos da escola francesa de análise do discurso.

Todas as correntes de análise do discurso são, em certa medida, originárias da linguística, da semiologia francesa e da semântica estrutural. Van Dijk (1998), ao descrever o caráter transdisciplinar da análise do discurso em geral, postula sua focalização original sobre a originariamente vinculada à filosofia da linguagem linguística, com ampliações, essencialmente, às ciências sociais.

Na busca de compreender e organizar a multiplicidade de abordagens da análise do discurso e configurar o espaço da ASD, Alonso (1998) – um dos principais teóricos da ASD – propõe a organização em três níveis básicos de aproximação ao discurso: a) o nível informacional-quantitativo, que prima pela dimensão denotativa do texto; b) o nível estrutural-textual, que concebe o texto como resultado de invariantes formais; e c) o nível social-hermenêutico, vinculado à dimensão pragmática da linguagem e à análise de seus usos sociais. É importante alertar que os três níveis ou dimensões de aproximação do discurso correspondem e têm como principal exemplo as três escolas tradicionais de análise do discurso (análise do conteúdo; tradição francesa; tradição crítica anglo-saxã e corrente crítica espanhola), portanto, não foram criados pelos autores da ASD, mas apenas sistematizados por eles dessa forma, com a intenção de agrupar as dezenas de abordagens de AD em poucos níveis/dimensões e situar o lugar da ASD. A classificação de Alonso foi detalhadamente analisada por Godoi (2005, 2006) e encontra-se sintetizada no Quadro 2.

 

 

A primeira perspectiva de análise do discurso – informacional quantitativa – é considerada correlata da análise do conteúdo clássica. A denominação análise do conteúdo é, portanto, sinônimo da perspectiva informacional-quantitativa de análise do discurso, ainda que seja importante aqui mencionar a análise do conteúdo como uma dupla vertente analítica, que se abre em: a análise quantitativa do conteúdo manifesto; e a análise qualitativa do conteúdo latente. (ALONSO; IBÁÑEZ apud GODOI, 2005, 2010)

Alonso (1998) assume uma postura crítica do nível informacional-quantitativo de análise, uma vez que a palavra constitui a unidade central de análise e o texto é reduzido a um conjunto acumulado de palavras desprovidas de significado simbólico. A análise do conteúdo, portanto, como representante principal deste nível, produz a perda da dimensão subjetiva e relacional da linguagem, na qual reside toda a sua profundidade e espessura. Ao negligenciar o processo de produção social do sentido, esta perspectiva, nas análises de Alonso (2008) e Godoi (2010), converte-se em um conjunto de referências lexicométricas e demonstra uma vontade simplificadora do fenômeno da linguagem.

A segunda perspectiva de aproximação à análise do discurso denominada de Alonso – a estrutural-textual (ALONSO, 1998, 2013a) – emergiu como alternativa ao modelo informacional-quantitativo, constituído por um bloco de perspectivas "etiquetadas" como "semiótica textual", "semiótica discursiva", "semiótica estrutural", "sócio-semiótica" ou "análise semiótica dos discursos". Da mesma forma que no nível anterior, Alonso (1998, 2013a) estabelece também um posicionamento crítico acerca desta perspectiva, no que tange à essência estruturalista que permeia a diversidade de autores e modelos encontrados dentro da análise semiótica.

Desde Saussure e Propp, até Barthes, Todorov, Kristeva, Greimas e um largo etecetera, há uma tentativa em comum de encontrar isomorfismos ou equivalentes estruturais em línguas, fenômenos, textos ou, até inclusive, sociedades. (ALONSO, 1998, p. 196)

Num segundo nível, no qual se inclui grande parte da tradição francesa de AD, o parâmetro de análise é o texto. Na descrição de Alonso (1998), trata-se de qualquer materialização do discurso, ou ainda um conjunto estruturado de signos. É a dimensão estrutural da análise discursiva, aproximando-se muito mais de uma análise linguística do que social do texto. O texto é decomposto ao máximo, reduzido a uma série de eixos e vetores que imprimem inteligibilidade, chegando-se à estrutura geradora – análise internalista. A estrutura é postulada como forma invariante que coordena as unidades básicas do próprio texto, proporcionando coerência e consistência lógica. Para Alonso (1998, p. 195), seria, pois, uma análise que visa "encontrar e postular esse modelo lógico interno que outorga sentido a toda essa estrutura textual".

Não há dúvidas quanto à importância da linguística estrutural para a configuração do campo da análise do discurso, de tal forma que os estudos atuais de análise do discurso, ao se constituírem, já têm que enfrentar a polêmica com a análise semiótica. Entretanto, a pretensão hegemônica e imperialista da análise semiótica, dificulta a adoção de uma postura integradora. Por outro lado, torna-se inevitável o recebimento, no interior de qualquer prática atual de análise do discurso, da influência dos autores da linguística estrutural e da semiótica contemporânea, em virtude do lugar que ocupam no desenvolvimento das ciências da linguagem. (GODOI, 2010) Neste sentido, por certo que os autores da Análise Sociológica do Discurso sofreram múltiplas influências desta perspectiva. Cabe alertar, porém, que Alonso (1998) estabelece um distanciamento crítico rigoroso em relação ao imperialismo do modelo linguístico e semiológico de análise do discurso que, por sua hegemonia, acabou por tornar inexplorada a "via concreta da análise sociológica dos discursos". (ALONSO, 1998, p. 187)

O terceiro e último nível de aproximação do discurso, caracterizado por Alonso (1998) e outros autores da ASD (que são abordados ainda nesta seção), é chamado de análise sócio-hermenêutica do discurso, interpretação social dos discursos ou etnolinguística dos discursos. Neste nível reside tanto a conhecida Análise Crítica do Discurso, quanto a essência da Análise Sociológica do Discurso, também conhecida como Escola Qualitativista Crítica de Madri. Em seus usos sociológicos, a análise do discurso não é uma análise interna de textos, nem linguística, nem psicanalítica, nem semiológica; não se busca com ela encontrar qualquer tipo de estrutura subjacente da enunciação, nem uma sintaxe combinatória que organize unidades significantes elementares. Na concepção de Alonso, esta terceira perspectiva de aproximação à análise do discurso não se interessa pela quantificação, nem a significação – preocupações primeiras das abordagens anteriores –, mas sim as relações de produção do sentido, o estudo dos discursos e suas determinações e motivações.

A análise sociológica dos discursos não é uma análise quantitativa do conteúdo – concebida como uma soma de significados pré-determinados de palavras –, nem uma análise estrutural de textos – realizada em um plano sintático ou semântico –, mas uma análise contextual, onde os argumentos tomam sentido em relação com os atores que os enunciam. (ALONSO, 1998) Pelo fato de não estar focalizada nas funções imanentes ao texto, a análise sociológica dos discursos desprende-se do texto e opera um deslocamento do objeto focalizado pela análise do discurso para a busca das regras de coerência que estruturam o universo dos discursos nas organizações. De acordo com Alonso (1998) e Godoi (2005, 2010); o que diferencia a análise sociológica dos discursos da análise do conteúdo – na qual o sujeito é dissolvido no objetivismo dos sinais – e da análise estrutural – em que o sujeito fica suspendido na interpretação objetivada –, é exatamente a recuperação do sujeito no texto.

Nas formulações teóricas de Alonso (1998, p. 201), a ASD

[...] não é uma análise estrutural de textos – isto é, não é uma análise formal de sistemas de funções e de posições inerentes ao texto – senão uma busca de fatores que tem gerado a visão de mundo e as regras de coerência que estruturam o universo de discurso.

Em síntese, esta análise observa como a realidade social constrói discursos e como estes constroem a realidade social.

No nível social-hermenêutico, o texto é concebido de forma abrangente e vincula-se diretamente com a dimensão mais pragmática da linguagem e a análise de seus usos sociais. A aproximação pragmática da análise do texto e a consideração de que o sentido excede o texto (CONDE, 2009), denota um acercamento ao discurso como uma atividade, prática social e discursiva. Em outras palavras, trata-se de um processo de argumentação, de comunicação, de tensão, de um diálogo mais ou menos conflitante que vai constituindo, em seu desenvolvimento, um possível sentido concreto que atesta o objetivo de investigação e o tema ora planejados.

Dentro do nível social-hermenêutico, portanto, ASD diferencia-se das demais abordagens justamente por integrar a dimensão internalista e externalista do texto – polarizadas nas abordagens anteriores –, em um processo de "vai e vem" entre a materialidade do texto, o contexto de produção do discurso e as características do grupo social a que pertencem os atores. Não se trata na ASD apenas de análise formalista, mas de uma análise em busca de um modelo de representação e compreensão do texto concreto em seu contexto social e em sua historicidade de proposições. Esse processo, chamado por Alonso (1998) de contextualização, baseia-se na questão social e nos espaços comunicativos concretos que se formam e elaboram os discursos dos atores como práticas significantes. No entendimento de Godoi (2010), em virtude de não focalizar funções imanentes ao texto e procurar regras de coerência que estruturam o universo dos discursos sociais, a ASD produz um efeito de deslocamento do objeto tradicionalmente focalizado pela análise do discurso. Também em função disso, autores identificados com a Escola Qualitativista Crítica de Madri, como Serrano (2008), denominam sua forma de análise de sócio-hemenêutica e pragmática.

Em formulações mais recentes, Alonso (2013a) já passa a designar os três níveis de aproximação ao discurso como dimensões: a) a dimensão informacional-quantitativa de análise do discurso, fundada sobre a redundância e a acumulação, é mais imediata e descritiva tendendo a explorar a esfera mais denotativa e manifesta dos textos; b) a dimensão estrutural da análise do discurso, derivada da confluência entre a linguística estrutural e a antropologia, trabalha com as invariâncias do discurso; c) e a análise sociológica do discurso, centrada no ator social, no processo de comunicação, na interação e no conflito entre os grupos sociais. De forma similar às propostas de Alonso (1998), porém com diferenciações importantes, Ruiz Ruiz (2009), outro autor reconhecido dentro da ASD, sugere um planejamento de análise do discurso em três níveis de aproximação: textual, contextual e de interpretação sociológica.

Diferentemente do primeiro nível de Alonso, o nível denominado textual por Ruiz Ruiz compreende tanto a análise do conteúdo quanto a análise semiótica. O nível contextual de análise de Ruiz Ruiz permite compreender o significado do discurso para os envolvidos em sua produção, focalizando, portanto, a interpretação dos discursos dos sujeitos envolvidos em situações sociais. Apenas para elucidar, neste nível contextual descrito por Ruiz Ruiz, já reside a corrente inglesa de análise crítica do discurso.

Ruiz Ruiz adiciona a necessidade do nível da interpretação sociológica – último momento com o qual só então seria finalizada a ASD. Comparativamente, na concepção de Alonso, os três níveis – dimensões – englobam as diferentes perspectivas de análise do discurso, situando-se a ASD exclusivamente no último e com críticas severas aos níveis anteriores; em Ruiz Ruiz (2009), bem como em Ortí (1986) e Conde (2009), o planejamento e a prática da ASD passam necessariamente pelos três níveis, considerados como etapas essenciais. Aproximando-se mais da concepção de Ruiz Ruiz.

Ortí (1986), por sua vez, entende que a distinção em três níveis, regiões ou estruturas sociais vai se constituindo como um conjunto de objetivações teórico-práticas mediadoras da própria análise, as quais o autor chama de processo de construção sociológica da realidade social. Neste processo de análise da realidade social tanto o suposto investigador reflexivo, como qualquer sujeito em sua vida cotidiana, não somente se deparam com fatos – ações humanas ou acontecimentos –, senão também com discursos de indivíduos ou grupos. O Quadro 3 não pretende uma correspondência linear, o que não seria possível, mas tem o intuito de uma aproximação comparativa entre os níveis construídos a partir da prática dos diferentes autores.

 

 

As semelhanças superam as diferenças entre as abordagens de Alonso (1998), partilhada também por Conde (2009), e de Ruiz Ruiz (2009), particularmente no que diz respeito às seguintes questões fundamentais: a) a consideração dos níveis informacional e estrutural de análise como insuficiente ou apenas complementar no âmbito da análise sociológica; b) a consideração da interpretação sociológica como elemento distintivo ou específico para esta análise sociológica. Os níveis de aproximação do discurso propostos pelos autores da ASD são fundamentais na prática da pesquisa e observamos que quase sempre se faz uso de todos eles durante o procedimento de análise, o que revela a transversalidade da abordagem.

A proposta de classificação em níveis (ALONSO, 1998; ORTÍ, 1986, 2001; RUIZ RUIZ, 2009) permite, no entender de Conde (2009), a integração na análise de muitos dos desenvolvimentos e das propostas metodológicas e técnicas procedentes do conjunto de linhas teóricas de investigação social direcionadas ao discurso. Um aspecto integrador das diferentes linhas e versões de ASD consiste na unidade de análise centrada no corpo do texto (CONDE, 2009) da investigação como um todo, ou seja, o texto é analisado e compreendido em sua totalidade, à revelia de qualquer tipo de segmentação do texto inicial. Essa visão de Conde (2009) conecta-se com as propostas pioneiras de Bakhtin (1988) sobre dialogismo nos discursos sociais e com o entendimento de Maingueneau (1976), de que a unidade de análise pertinente não é o discurso, mas um espaço de intercâmbios entre vários discursos.

De acordo com os autores do Colectivo IOÉ (1987) – reconhecido instituto de pesquisa social na Espanha – no nível de análise textual – semântica do discurso – analisa-se o texto em função do sistema da língua, através de uma cadeia sintagmática e paradigmática. Enquanto que na análise contextual – pragmática do discurso – o texto é analisado em função da sua gênese e efeitos no contexto social, por meio do contexto analítico e social. Os níveis de aproximação do discurso organizados ou propostos pelos autores da ASD são fundamentais e quase sempre se faz uso de todos eles durante o procedimento de análise, o que revela a transversalidade dessa abordagem. Não se pretende fazer linguística propriamente dita em ASD, mas superar o nível textual até chegar ao nível pragmático, utilizando-se de recursos de outras áreas do conhecimento para melhor interpretar os discursos.

A noção de discurso na ASD

Em virtude da diversidade de antecedentes teóricos e estratégias metodológicas de investigação, não há – na análise do discurso – uma definição unívoca do que seja discurso. O conceito de discurso não é dado (POSSENTI, 2001), muitos pesquisadores referem-se a coisas distintas quando aludem ao conceito (GARAY; IÑIGUEZ; MARTINEZ, 2001), disputando a primazia de sua concepção. Essa variabilidade não caracteriza um inconveniente, e sim a riqueza permanente de um debate que permitiu a ascensão de várias perspectivas discursivas. Essa multiplicidade dissonante no interior do próprio conceito de discurso, que não está unificado, como já mostrava Mainguenau (1976), ao analisar algumas das acepções mais relevantes do conceito – demonstra a dificuldade que tem a análise do discurso em definir o seu objeto. Abril (1994) acredita que essa diversidade, longe de desalentar o projeto de uma análise do discurso sistematizada, pode ser o seu principal motor.

A noção de discurso da ASD é influenciada principalmente por três tradições principais: a filosofia da linguagem associada à escola de Oxford; a obra de Foucault; e a pragmática francesa. (IÑIGUEZ, 1993; CONDE, 2009) Trata-se, portanto, de uma aproximação pragmática da análise dos textos, porém considerando que o discurso excede ao texto. (RICOEUR, 2001) Esse entendimento pragmático implica na aproximação ao do discurso como uma atividade, uma prática social e discursiva, um processo de argumentação, de comunicação, de tensões (CONDE, 2009) ou, na expressão de Gadamer (2006), um diálogo. Ao exceder ao texto, o discurso configura-se como um conjunto de práticas sociais, ou práticas discursivas (FOUCAULT, 2002), – regras constituídas em um processo histórico que vão definindo em uma determinada época, em grupos específicos e concretos, as condições que tornam possível uma enunciação. Sob a influência de Foucault, autores como Iñiguez y Antaki (1994) caracterizam o discurso como um conjunto de práticas linguísticas que mantêm e promovem certas relações sociais. A ASD entende discurso como uma construção teórica, designada por Conde (2009), de sistema de discursos, realizada pelos pesquisadores a partir da análise de textos, ou seja, do material empírico.

As práticas de análise do discurso desenvolvidas por Conde (2002, 2007, 2009) são orientadas pela perspectiva de que não há sentido em analisar discursos isolados, mas discursos que se encontram articulados em sistemas. Para explicar esse sistema de discursos, Conde (2009) desenvolve as seguintes características encadeadas, a serem abordadas pelo analista, de forma flexível: a) é uma perspectiva de aproximação à realidade social que mantém certa coerência interna e conduz ao desenvolvimento de uma visão específica; b) a coerência e a consistência do discurso são determinadas pela forma particular de narrativa adotada; c) expressam-se em uma série de argumentos articulados; d) seus materiais constitutivos emergem da interação social dos sujeitos; e) seus elementos constitutivos são pronunciados pelos sujeitos com alguma intencionalidade.

A perspectiva de discurso da ASD, por certo influenciada por Foucault (2002), é especificada em Conde (2009) e está a seguir sintetizada e adaptada – uma vez que o autor trabalha principalmente com grupos triangulares (grupos de discussão formados por três participantes e um moderador) – nos seguintes aspectos: a) os discursos são produções e práticas sociais, não individuais, portanto, considera-se a produção do grupo, evitando considerar as variações pessoais fora de sua concepção como situação social. Inclusive no caso da análise individualizada, não se considerada o interesse da pessoa concreta, mas sim do tipo social que representa no momento da pesquisa; b) os discursos são produzidos a partir do conjunto de ligações, dos nós das relações sociais entre os sujeitos que falam; c) os discursos sociais formam um sistema estruturado, ordenado e hierarquizado; d) a circulação dos discursos sociais responde a uma complexa rede de relações e conflitos sociais, ideológicos, simbólicos, longe de qualquer outro tipo de uniteralismo; e) existe uma diversidade de graus de cristalização e de circulação social dos distintos discursos sociais.

A concepção de discurso social, explica Peinado (2002), não constitui uma maneira de se referir, por meio de palavras, a uma realidade social extralinguística, mas um modo de regular o funcionamento social mediante fluxos simbólicos. O modo de pensar social não está presente não apenas no ato da comunicação, mas em toda institucionalização simbólica que organiza a relação com o outro, que institui representações garantidoras dos laços com o outro. O caráter que tem o discurso social de sempre produzido em relação a outro discurso social é designado como interdiscursividade. (ALONSO, 1998)

A prática discursiva funciona em um contexto de posições sociais pré-configuradas e adquire sentido na busca de efeitos sociais. (ALONSO, 2002) Mais do que uma análise interna, a ASD trabalha com um discurso contextualizador, ou seja, toda interpretação somente se torna razoável quando situa o texto no contexto – processo chamado por Alonso (1998, 2002) de contextualizar. Mediante a incorporação dessa visão pragmática, a interpretação social dos discursos declara o seu interesse não pelo que os textos formalizam, mas por aquilo que os discursos fazem e de que são constituídos os discursos.

Se o texto é uma materialização linguística, um objeto, o espaço do enunciado, o discurso é a prática reflexiva da enunciação. (ALONSO, 1998) Os textos são os suportes de um conjunto de discursos diferentes. Um texto pode ser atravessado por vários discursos, porque os discursos não são mais que linhas de coerência simbólica com as quais representamos, e nos representamos, nas diferentes posições sociais. (ALONSO apud GODOI 2010) Em contribuições recentes, Alonso (2013a) define o estudo dos discursos pela via da pregunta o que o que fazem e o que buscam as pessoas quando utilizam a linguagem. Aqui reside sua dimensão fundamentalmente pragmática, que o autor explicita com os seguintes aspectos: investigação de regularidades, não de leis formais; centramento na tematização, mais do que em universais linguísticos e antropológicos; operação por analogia e interpretações locais, não por digitalização e protocolos genéricos; e, por fim, consideração de que o corpus, longe de constituir uma prova textual ou o fato positivo da interpretação, é a via para a interpretação e para a compreensão da função interativa e comunicativa dos discursos. Neste sentido, proclama Alonso (2013a), o analista trata o corpus como registro (texto) de um processo dinâmico no qual o falante utiliza a linguagem como instrumento de comunicação com um contexto para explicar significados e tornar efetivas as sua intenções (discurso).

A análise sócio-hermenêutica dos discursos que atravessa a obra de Alonso e dos demais autores da ASD pretende recolher os atos da fala e com eles constituir um corpus que adquire sentido em relação com os usos principais que, a partir das conjecturas da pesquisa orientam o discurso dos enunciantes. Dessa forma, no dizer de Alonso (2013a), o corpus não constitui em si um "produto a esmigalhar", mas sim a ferramenta utilizada para determinar os diferentes usos que, por sua vez, se correspondem com os diversos grupos sociais. A determinação desses usos permite deduzir o sistema de significações que operam como norma nesses grupos. O autor aqui considera como norma a instituição social da linguagem.

Retomando a descrição da pragmática discursiva que caracteriza a expressão "discurso contextualizador" aqui utilizada, em outro texto recente, Alonso (2013b) – também reconhecido como um grande especialista em Bourdieu na Europa – recorre a este autor em sua noção de "razão prática". Os discursos não são somente palavras, são formas de prática social que remetem a lutas e hierarquias políticas, a contextos pragmáticos, a nichos institucionais, a condições materiais e a práticas não discursivas no sentido estrito. Os discursos e suas interpretações remetem a "razões práticas", quer dizer, ao conjunto de relações entre as posições e as tomadas de posição. (ALONSO, 2013b)

As contribuições da pragmática são muito relevantes na ASD por diversas razões, das quais duas são descritas por Ruiz Ruiz (2013): revelam a existência da multiplicidade de significados implícitos nas comunicações, orientando a atenção do analista à dimensão oculta e não explícita do discurso; proporcionam um instrumento útil à análise contextual, ou seja, à compreensão do sentido local do discurso. A questão dos elementos implícitos postulada por Ruiz Ruiz (2013) – ainda que em teoria muitas vezes inexistam e defenda-se um discurso transparente – origina-se da prática do autor reveladora de diversas dimensões de implícitos por ele defendidas.

Na concepção de Criado (2013), a ASD considera que, em se tratando de discurso, estamos submetidos a múltiplas constrições, frequentemente contraditórias, que determinam nossa ação de forma independente de nossas crenças. Isso provoca incoerências, isto é, o dizer de coisas distintas em diferentes situações, e determina a adaptação de nossos discursos e crenças as nossas práticas a fim de manipular estrategicamente a reserva de recursos culturais disponíveis. Ter isso em conta conduz a ASD a centrar-se no componente estratégico dos discursos, suas incoerências e contradições.

A noção de contexto da ASD

A noção de contexto sofreu diversas modificações. (LEONETTI, 1996) Sua historicidade pode ser dividida em dois momentos principais (CIMINARI, 2002; MOSTAOUI SRHIR, 2007): contexto concebido como um fator estático, preexistente na enunciação, cuja função explicativa intervinha apenas em alguns casos em que o papel da análise linguística tornava-se insuficiente; e a concepção dinâmica do contexto – corroborada pelos autores da ASD e outros como Ciminari, (2002); Mostaoui Srhir (2007) e Van Dijk (2004) – caracterizada por uma orientação cognitiva e social, na qual, a amplitude do conceito de contexto engloba a totalidade dos elementos não textuais, indo além da enunciação. Esse novo enfoque do contexto está baseado em dois pressupostos analisados por Ciminari (2002): o contexto desempenha um papel decisivo na interpretação pragmática de todos – não só de alguns – enunciados; e não está predeterminado ou dado de antemão na mente do destinatário que processa um enunciado, mas se constrói ao interpretar.

No interior dos dois momentos descritos, existe ainda, na definição de contexto, uma multiplicidade de níveis. (ALONSO, 1998) Não há acordo entre os autores sobre a classificação desses níveis. Alonso (2002) elenca diversos: contexto histórico, linguístico (idiomático), textual, intertextual, existencial e microssituacional. Os níveis descritos por Alonso (2002) poderiam ser sintetizados na classificação de Givón (1984) em apenas dois níveis: contexto cultural e contexto específico. Ainda que a ASD leve em consideração todos os níveis de Alonso, a ênfase principal recai sobre o contexto cultural de Givón – amplo sistema de conhecimento generalizado entre vários membros de uma cultura particular, que permite a construção de suposições para compreensão do enunciado. Tais suposições estão na memória do analista ou são criadas no momento da comunicação. De forma também mais simplificada do que Alonso (2002), Leckie-Tarry (1995) propõe uma classificação em três níveis: contexto cultural, contexto situacional e contexto do texto.

O contexto é a dimensão mais ampla do texto, suporte das interpretações, que envolve as subjetividades, as ações, os objetos e os efeitos discursivos. O contexto é criado pelo próprio texto para constituir o discurso. A importância atribuída ao contexto pelas análises do discurso de caráter pragmático amplia a possibilidade de interpretação do discurso (e transformação do contexto), mas não garante o encontro de objetivações e regularidades, ao contrário, amplia o campo de incertezas. Abril (1994), inclusive, considera a noção de contexto como sumamente vaga. Marcado tanto por entradas subjetivas quanto institucionais e sociais, o contexto organizacional constitui o cenário intersubjetivo da conversação, que amarra os elementos definidos como embasadores da interpretação, e assinala a diferença entre a interpretação social dos discursos e as demais perspectivas da análise do discurso.

A noção de contexto com a qual trabalha a ASD é influenciada tanto pela perspectiva cognitiva do contexto desenvolvida por Van Dijk (2004), como também pela da noção de campo social de Bourdieu (2000) – sistema de relações, de forças e de interesses concretos que marca as posições e dá sentido às estratégias que realizam as práticas discursivas. A perspectiva cognitiva do contexto (VAN DIJK, 2004) trabalha justamente com o contexto cultural – hábitos, costumes, crenças, normas sociais, sistema político-econômico, dentre outros aspectos, que ajudam na compreensão do texto.

Para a chamada análise do discurso concreto – metodologia utilizada por Alonso (1998, 2002), uma boa análise do contexto garante um bom começo de uma análise de discurso. O contexto social analisado pela Análise Sociológica do Discurso não consiste em uma situação particular, tampouco na limitação ou supressão das terminações gerais, mas no espaço social e concreto delimitado por permitir a entrada em cena de todas as sobredeterminações sociais possíveis. (ALONSO, 1998) O plano de análise de Alonso (1998) não se reduz às de análise focalizadas por outras traduções de análise do discurso: a) processo de desintegração de um texto ou corpo textual em palavras-sinais; b) imposição sobre esse texto de um modelo de representação que cristaliza a estrutura enunciativa. O que Alonso designa por contextualizar – situar textos em discursos concretos – é considerar a representação como uma regra de ação. (DELADALLE apud ALONSO, 2002)

A análise sociológica busca recuperar os sujeitos sociais dos discursos (Alonso, 1998) – como emissores, receptores e meios intersubjetivos – através dos universos de referência de seus discursos. Alonso (1998) coloca em cena uma concepção dialética entre discurso e contexto, que dinamiza e inter-relaciona o interior e o exterior, ou seja, os mundos objetivo, subjetivo e social para desenvolver em universos semânticos os conteúdos do acervo de conhecimentos da cultura. Nessa relação dialética, a interpretação tem que compreender o texto no interior do mundo da vida – esfera onde o indivíduo encontra convenções e motivações comunicativas. No dizer de Cuesta Abad (apud ALONSO, 1998), o sentido escapa ao concreto de algumas circunstâncias e, ao mesmo tempo, exige a observação de sua extensão e envergadura histórico-cultural.

Em ASD, as noções de contexto e discurso estão profundamente imbricadas, de tal forma que a "interpretação contextualizadora" (ALONSO, 2002) é a chave da análise discursiva, ou seja, uma interpretação somente pode ser razoável quando se situa em um contexto situacional, histórico, linguístico, sócio-cultural, entre outros. É a seleção do melhor contexto possível que detém a capacidade de gerar a relevância ótima (CIMINARI, 2002) da interpretação. A análise sócio-hermenêutica do discurso consiste, na definição sintética de Alonso (2013a), em uma análise pragmática de texto e da situação social que o engendrou, uma análise contextual na qual os argumentos só adquirem sentido em relação aos atores que os enunciam e são amarrados ao conjunto de forças sociais do conflito em que se é original. Trata-se, assim, de uma "pragmática lingüística da microsituação inter-comunicativa", (ALONSO 2013a) como uma macropragmática referida aos espaços e conflitos sociais que produzem e são produzidos pelos discursos. A noção de contexto é constitutiva da ASD uma vez que esta reside em uma análise da situação de textos concretos, uma análise sociológica e pragmática na qual a interpretação se refere aos processos e conflitos sociais reais da situação histórica que configura o discurso.

 

Aspectos Metodológicos da Análise Sociológica do Discurso

Os aspectos metodológico-técnicos de análise sociológica do corpo do texto constituem o alicerce da investigação e determinam como são estabelecidas as bases de construção do sistema de discursos. (CONDE, 2009) Não se pretende aqui prescrever uma fórmula padronizada de praticar ASD, mesmo porque há diversas variações entre os autores. A opção pela metodologia de Conde (2009), associada a elementos abstraídos das orientações de Cofiño, Sánchez e Gracia (2009), ocorreu em virtude da completude e detalhamento do método, com o alerta de que o uso dos procedimentos depende do processo criativo e singular de cada pesquisa. Os quadros desta seção sintetizam etapas procedimentais flexíveis, que podem servir de guia de orientação à prática da pesquisa, pois, no entender de Conde (2009), não se pode confundir criatividade com anarquia metodológica.

Conde (2009) desenvolveu essas orientações para serem utilizadas no trabalho de pesquisa com grupos canônicos – grupos de discussão (formados por seis ou oito pessoas e um moderador), porém a metodologia é aplicável também a grupos triangulares (três participantes e um moderador), a entrevistas individuais, ou a outros tipos de pesquisa qualitativa, como análise do discurso da imprensa escrita. O Quadro 4 traz uma apresentação do conjunto de trabalhos práticos iniciais – tarefas a serem executadas pelo pesquisador antes dos procedimentos propriamente ditos.

 

 

No caderno de notas apontam-se as diversas incidências, impressões e intuições que vão traçando o trabalho de campo, consideradas muitas vezes como iluminadoras do contexto em que se desenvolve a investigação. (CONDE, 2009) Tais anotações podem ajudar a responder determinados questionamentos da investigação ou na tomada de decisões para as seguintes etapas da mesma.

Todas estas primeiras ideias – evocações do que está em jogo nesta dinâmica – que, segundo Conde (2009), convêm representar graficamente num esquema em que se trata de assinalar, essencialmente, os seguintes aspectos: a) grupos de pessoas que agem ou pensam diferentemente da maioria com posições discursivas diferenciadas, formando subgrupos; b) o jogo de diferenças e de oposições que se vão produzindo entre uns e outros subgrupos; c) cada subgrupo, com alusão as suas posições dentro do grupo; principais linhas de consenso e de diferenças surgidas entre os subgrupos. Ademais, complementa este autor, é fundamental anotar outras questões consideradas relevantes, como identificar os temas mais significativos e, sobretudo, os significantes, as expressões literais que pareçam mais relevantes para o objeto de investigação.

Nas considerações de Álvarez-Uría (2008), a ASD implica nem seus primeiros passos em análise de conteúdo, porém a ultrapassa uma vez que se trata de reenviar os enunciados dos discursos a suas condições sociais de produção e de sentido. Para o autor, a busca não se limita em saber o que se disse, mas quem, por que, onde e como disse, e o grau de verossimilitude apresentado no que se disse. Enfim, através das etapas de ASD é possível verificar os vínculos de enunciados com dispositivos institucionais materiais e simbólicos, bem como as funções sociais e políticas derivadas dos diferentes registros discursivos encontrados na pesquisa.

Uma vez realizados os trabalhos práticos iniciais, prosseguem-se com os procedimentos de interpretação e análise dos textos propriamente ditos. As etapas contidas nos quadros 5 a 7 correspondem a três momentos sequenciais apresentados por Conde (2009): a) procedimentos de interpretação; b) procedimentos de análise; e c) procedimento de articulação entre análise e interpretação, que tratam da redação narrativa dos resultados da pesquisa e da realização de sua síntese final.

Findos os procedimentos mais interpretativos que abrangem o trabalho do texto de maneira global, iniciam-se as etapas referentes aos procedimentos de análise. As etapas dos quadros 6 e 7 seguem uma lógica temporal, mas na experiência de Conde (2009), podem ser desenvolvidos de forma parcialmente simultânea.

 

 

 

 

Esta etapa é marcada pela habilidade, experiência e sensibilidade do pesquisador. O momento de interpretação reúne todo o trabalho laboral das etapas já desenvolvidas. Desvelar "quem fala" e "em qual posição o sujeito se encontra", auxilia no processo de análise. Na medida em que as posições individuais e grupais se expressam, é fundamental que o pesquisador reveja a análise contextual para identificar a polarização ou não de posições dominantes, a representação social e de generalização do discurso. A análise das configurações narrativas relaciona-se com a das posições discursivas, podendo ocorrer simultaneamente. Consideramos, neste procedimento, as tensões, os conflitos, as diferenças de posições e de opiniões expressas pelos sujeitos discursivos. Essa análise busca, pois, apontar o eixo principal da mensagem manifestada no discurso. A análise dos espaços semânticos se desenvolve a partir de elementos básicos, tais como: (1) análise dos atratores semânticos (principais expressões verbais e simbólicas que organizam e configuram o campo de significações de cada espaço); e (2) análise dos eixos discursivos (que vinculam um ou outro atrator semântico, tecendo a trama que relaciona um espaço semântico e outro). Na análise de distanciamento entre a análise das configurações narrativas e dos espaços semânticos é realizada em função dos objetivos da pesquisa. Os procedimentos de articulação da análise e interpretação são destacados a seguir, os quais devem resultar na elaboração de um texto escrito – relatório, informe, livro, artigo etc. –, dos resultados que constroem, de forma narrativa, o sistema de discursos analisado na investigação.

Não se pretende com essas sínteses esquemáticas, que acabam, inevitavelmente, por simplificar o método, transmitir a impressão de demasiada formalização e manualização simplificadora. A Análise Sociológica do Discurso é um processo criativo, intuitivo, reflexivo, minucioso e, como adverte o próprio Conde (2009), que exige tempo de trabalho, atenção, concentração, dedicação à leitura, pois que está repleto de idas e voltas, contrastes, esclarecimentos, matizações na busca de regularidades e diferenças.

Os principais temas de estudo e pesquisa atualmente desenvolvidos na Espanha são utilizados aqui como orientação para abertura de possibilidades esquecidas no campo organizacional brasileiro. A fim de vislumbrar temáticas de pesquisa, elaborou-se um levantamento exploratório de estudos que utilizaram a ASD no campo da administração e em outros campos das ciências sociais. Na análise de publicações com o uso da ASD a partir de contextos espanhóis, percebemos a existência de um alinhamento, entre os autores, no que diz respeito às temáticas citadas nos estudos analisados. Nessa perspectiva, a ASD é abordada em pesquisas que versam, entre outros temas, sobre a aposentadoria precoce (Alonso, Fernández & Ibáñez, 2010), a cultura do álcool (PEINADO; PEREÑA; PORTERO, 1993; DIRECCION GENERAL DE PREVENCIÓN DE LA SALUD, 1994), cultura urbana (CONDE, 2007b), cultura de saúde em diferentes grupos sociais (CONDE, 1997b; CONDE; MARINAS, 1997), concepções de saúde feminina (CONDE 1994; CONDE; GABRIEL, 2000, 2002; CRIADO, 2007, 2010), concepções de saúde estudantil (CONDE; CAMAS, 2001), concepções de saúde pública (CONDE, 1997a,1997b, 1997c, 2007a; CALDERÓN et al. , 2009a); concepções de saúde juvenil (CONDE; GABRIEL, 2005), os padrões de consumo social (CONDE, 2000), consumo de drogas (CONDE, 1999a, 2008a), consumo de tabaco (Portero, Pereña & Peinado; 1993), consumo alimentar. (ALONSO, 2005)

Outros estudos tratam ainda de discursos que envolvem políticas públicas (JOYA, 2010; PALOP, 2008), discurso do conhecimento sociológico (Faille, 2009), estilo de vida mais saudável (CALDERÓN et al., 2009b), estilo de vida dos imigrantes no contexto espanhol (COLECTIVO IOÉ, 2010), prática docente (FORTTES et al., 2010; FERNANDÉZ RODRÍGUEZ, 2010), relações pessoais e familiares (Conde, 1985), relações pessoais entre jovens (Conde, 1999b), condições de trabalho juvenil. (COLECTIVO IOÉ, 1987) Outros estudos surgem com uso da abordagem de ASD associadas aos materiais visuais. (GORDO; SERRANO, 2008; SERRANO; ZURDO, 2012) Cabe ressaltar ainda que problemas sociais na Espanha, como imigração e estudos de gênero estão entre as principais preocupações dos pesquisadores.

Estas pesquisas, em intersecção com a sociologia, permitem evidenciar e abstrair a maneira singular no emprego do método por diferentes autores. No Brasil, os estudos sob a perspectiva da ASD foram iniciados no campo organizacional por Godoi (2005, 2009, 2010); Coelho e Godoi (2010), Godoi e Coelho (2011), ainda centrados no desenvolvimento teórico do método e estudos práticos iniciais.

 

Considerações Finais

A Análise Sociológica do Discurso, vinculada à Tradição Espanhola de Pesquisa Social Qualitativa, e uma de suas escolhas mais habituais, sequer é mencionada, nos conhecidos manuais de métodos qualitativos e de análise do discurso, como uma entre as dezenas de tradições e perspectivas do método. Mais do que um método para analisar discursos sociológicos, o que se encontra na ASD é uma série de práticas e procedimentos que os sociólogos têm usado de forma muito diferente em seu trabalho profissional.

Em virtude da inexistência de unanimidade sobre como deve ser praticada a abordagem, Antaki e colaboradores (2003) alertam sobre diversas formas de pseudoanálises, originárias da reduzida formalização da ASD, e que têm gerado conflitos e desentendimentos com a prática da investigação social propriamente dita. As principais pseudoanálises são: a) pseudoanálise através de síntese – caracterizada pelo resumo de trechos da transcrição de entrevistas, ignorando os detalhes e sutilizas discursivas dos dados originais, que altera e distorce o objeto de análise, antes do processo de interpretação; b) pseudoanálise baseada na tomada de posição – implica em assumir uma postura de aprovação ou rejeição sobre a postura de quem fornece o discurso; c) pseudoanálise por excesso ou isolamento de citações – revelada pela ausência de comentários do analista acerca dos dados ou, inversamente, pela tendência da redação referir-se às citações ao invés de analisá-las; d) pseudoanálise circular dos discursos e dos construtos mentais – acredita que as citações e discursos falam por si e são suficientes para comprovar as expressões de pensamento, ideias, opiniões, atitudes, e até mesmo, a existência de um repertório ou ideologia subjacente; e) pseudoanálise por falsa generalização – extrapola os dados propriamente ditos, por exemplo, transformar uma determinada característica de alguns participantes em um atributo pertencente a todos os membros da categoria da amostra; f) pseudoanálise por localização dos elementos – atenta exclusivamente a alguns detalhes das afirmações encontradas no estudo, restringindo-se à localização e esquecendo-se de objetivar o exame de como os dispositivos discursivos são estabelecidos, o que permitiria realizar a dinâmica interacional.

As pseudoanálises não apenas caracterizam ASD, mas a maioria das formas de análise do discurso ou pesquisa qualitativa – âmbitos em que também costumam ser frequentes. Note-se que práticas equivocadas, na visão de Ruiz Ruiz (2009), referem-se a algumas questões centrais: a) a redução da ASD a algum dos seus procedimentos de análise; b) o relativo grau de liberdade e arbitrariedade do analista permitido pela abordagem. Todas essas confusões põem em dúvida a própria existência da análise sociológica – giro interpretativo ainda genérico dentro da sociologia – como um método de análise do discurso com constituição própria. Cabe aos pesquisadores, portanto, buscar constantemente uma explicação do que consiste essa perspectiva, visando diferenciá-la e, simultaneamente, aproximá-la de outras perspectivas.

Na integração – não de escolas, mas de níveis de aproximação do discurso realizada pela ASD, não se trata de pender ou não para algum lado. A ASD é outra abordagem independente, que vem se consolidando nas últimas décadas na Espanha. Sofreu influência por certo, das perspectivas anteriores a ela, principalmente da abordagem francesa, como acontece inevitavelmente com todas as quase quarenta abordagens. Conforme abordamos na seção sobre níveis de aproximação do discurso, a maioria dos autores da ASD não descarta a passagem pelos níveis de discurso anteriores durante a prática da ASD. A partir de uma identificação com o qualitativo, a ASD deixa uma mensagem de complementaridade entre as perspectivas distributiva, estrutural e dialética, mas sem renunciar a reflexão sobre a complexidade da polêmica epistemológica e metodológica, muitas vezes simplificada ao par quali-quantitativo.

Sobre os cuidados epistemológicos fundamentais ao desenvolvimento de visões multiparadigmáticas, é importante lembrar a existência de diversas outras propostas integradoras que respeitam os limites da compatibilidade e da coerência epistêmica, como é o caso da perspectiva desenvolvida por Van Dijk (1998, 2004), que pretende uma aproximação entre o discursivo, o cognitivo e o social; a abordagem de Haidar (1998) que, ao centrar-se sobre a escola francesa de análise do discurso, não se fecha à integração de elementos de outras tendências como a linguística textual, os modelos argumentativos, as teorias da narração e as teorias do sujeito.

Cabe mencionar aqui, que dificuldades na teorização epistemológica e metodológica da ASD foram encontradas na realização deste estudo, também em virtude de que os principais mentores que formam a primeira geração da ASD pouco deixaram em seu legado visando a continuidade da abordagem. Ibáñez é o autor que mais desenvolveu obras e textos teóricos, no entanto em Ortí já se encontra uma produção maior de pesquisas empíricas e De Lucas, outro grande mestre, professor da Universidade Complutense de Madri, falecido em 2012, foi um grande formador de Cdiscípulosd em suas aulas, seminários e cursos, mas que deixou também uma reduzida parcela de produção teórica. A sistematização do método é um trabalho enfrentado pelos autores atuais da segunda e terceira geração da ASD. A primeira geração chegou a consolidar uma forma de pensamento que influencia hoje todos os metodólogos e pesquisadores qualitativistas na Espanha, no entanto, não chegou a consolidar-se ainda como uma escola propriamente dita. Como abordamos nas seções epistemológicas, movida por múltiplas influências linguísticas e sociológicas, o lugar específico da ASD ainda paira sobre uma indefinição considerável de identidade e de delimitação de espaço.

Acreditamos que, no campo ainda incipiente dos estudos de discurso nos estudos organizacionais, o intercâmbio com as discussões do campo da sociologia pode permitir desmistificar a análise do discurso ao encontrar uma metodologia preocupada não com estilo internalista textual, ou com sua estrutura subjacente, mas com a atuação deste "complexo fenômeno cognitivo e social que chamamos de discurso". (ALONSO, 1998, p. 332) Este ensaio intencionou apresentar e incentivar uma possível delimitação do espaço da Análise Sociológica do Discurso no âmbito dos estudos organizacionais brasileiros.

 

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Submissão: 17/09/2012
Aprovação: 12/05/2014

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