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urbe. Revista Brasileira de Gestão Urbana

versão On-line ISSN 2175-3369

urbe, Rev. Bras. Gest. Urbana vol.4 no.1 Curitiba jan./jun. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S2175-33692012000100001 

Editorial

 

 

Na medida em que a relação entre urbanização e desenvolvimento emerge no contexto acadêmico, a rica variedade de escalas, de atores sociais e de conflitos que envolvem a gestão das cidades se torna mais visível. Com ela, a visão da limitação das formas tradicionais de planejamento e gestão em resolvê-los adequadamente . Esse cenário nos conclama a buscar e a colocar em prática novos enfoques da gestão urbana, que sejam tecnicamente factíveis, ambientalmente equilibrados, socialmente justos, culturalmente dinâmicos e economicamente viáveis, entre outros argumentos.

Esse é, talvez, o maior desafio presente nas edições da revista urbe, isto é, o de dar conta da complexidade temática que envolve a análise e a discussão de um tema tão plural, sem perder a visão acadêmica do método e da argumentação científica.

Neste número, os textos selecionados abordam algumas das questões mais presentes no cotidiano na gestão urbana contemporânea: a questão dos transportes urbanos e seus impactos ambientais, as alternativas inovadoras de planejamento, o papel das cidades para a governança global e a necessidade de se produzir novos olhares para elementos da gestão das cidades, como a atividade dos camelôs e as práticas mágico-religiosas, tradicionalmente considerados de pouca relevância por sua posição "marginal", ou falta de visão de governantes e gestores .

Quanto aos artigos sobre transportes urbanos, Rafael Barczak e Fábio Duarte, no artigo "Impactos ambientais da mobilidade urbana: cinco categorias de medidas mitigadoras", classificam as medidas para a redução do impacto ambiental, especialmente das emissões de CO2 em cinco grupos: medidas econômico-fiscais e financeiras, medidas regulatórias; medidas baseadas em campanhas educacionais; medidas de planejamento urbano e medidas tecnológicas.

Nesse mesmo tema, Maurício Polidoro, José Augusto de Lollo e Mirian Vizintim Fernandes Barros discutem, no artigo "Sprawl e o modal de transporte motorizado: impactos na cidade de Londrina, PR", a forma de ocupação urbana caracterizada pela expansão geográfica do tecido urbano, e as consequentes implicações no uso intensivo de automóveis.

Sem relacionar os condicionantes derivados do transporte urbano, mas mantendo a discussão da escala das ocupações do território na cidade, os autores Luciana Andrade dos Passos, Fabiana de Albuquerque Silveira, Ana luzia Lima Rodrigues Pita, Cybelle Frazão Costa Braga e José Augusto Ribeiro da Silveira, no texto "Processo de expansão versus sustentabilidade urbana: reflexão sobre as alternativas de deslocamento na cidade de João Pessoa, PB", levantam questões relacionadas a uma cidade de porte médio, como a capital do Estado da Paraíba, com o objetivo de verificar a atuação de diferentes segmentos da sociedade na implantação de um modelo espraiado de crescimento.

Em uma escala geográfica menor, mas não menos importante, e retornando às discussões relativas à mobilidade, M. Shafiq-Ur Rahman nos traz, no artigo "Public transport in a small island of a developing country", a experiência da população da província de Siquijor, nas Filipinas, na identificação e escolha das melhores formas de transporte público, seus serviços e itinerários, a partir de uma perspectiva de valorização de opções locais de deslocamento, culturalmente enraizadas.

Do ponto de vista da análise do papel das cidades para a governança global, Noah Toly, Sofie Bouteligier, Grahan Smith e Ben Gibson, no artigo "American cities, global networks: mapping the multiple geographies of globalization in the Americas", argumentam que o papel do setor produtivo avançado, bem como o setor financeiro, em cidades globais, contribuiu para aumentar a compreensão do papel das cidades na governança por meio de uma nova economia política globalizada.

Com enfoque na América Latina, Klaus Frey discute, em seu artigo "Abordagens de governança em áreas metropolitanas da América Latina: avanços e entraves", os aspectos teóricos e empíricos das transformações estruturais e práticas governamentais de áreas metropolitanas no Brasil e Colômbia. Se por um lado, o primeiro se caracteriza por um sistema federativo de forte autonomia municipal, mas também por uma omissão por parte do Governo Federal quanto às regiões metropolitanas, o segundo pode ser caracterizado por um Estado central que busca a governabilidade metropolitana, mas apresenta um contexto estatal unitário com autoridades locais frágeis.

Sobre o relacionamento entre o planejamento urbano e componentes paisagísticos relevantes, Carlos Smaniotto Costa nos apresenta, em "Kleingärten – um componente da infraestrutura urbana: aspectos urbanísticos, ecológicos e sociais dos jardins arrendados na Alemanha", uma alternativa de conceituação do tema Kleingärten, e seu potencial na integração à infraestrutura de espaços verdes, como uma alternativa para a melhoria da qualidade do ambiente urbano.

Por fim, a revista urbe acolhe dois temas de altíssima visibilidade nas grandes cidades brasileiras e latino-americanas, historicamente negligenciados como aspectos relevantes da gestão urbana: o comércio e a existência informal dos camelôs e os espaços mágico-religiosos.

Quanto ao primeiro tema, os autores Luciano Mendes e Neusa Rolita Cavedon apresentam o artigo "A atividade de camelô como prática urbana no contexto das cidades", com o objetivo de analisar a atividade do comércio/comerciante informal a partir das discussões e conceitos de cidade e território. O que se pretende no texto é a desmistificação da lógica estabelecida na estruturação produtiva das cidades, e que marginaliza a prática da atividade do camelô, excluindo-o, portanto, de perspectivas de planejamento e gestão urbana.

No artigo "Magia e cidade: considerações sobre as afinidades entre as práticas mágico-religiosas e o advento da urbanidade no Brasil", Gilson Ciarallo discute as adaptações das chamadas práticas mágico-religiosas ao advento da sociedade urbana brasileira. Ao diversificarem-se, tomando formas diversas, estas práticas passaram a cumprir papéis específicos na formação da sociedade brasileira, mantendo-se em constante diálogo com as transformações sociais que a urbanização impôs ao habitante da cidade.

Talvez nunca tenhamos publicado uma edição tão plural quanto esta, e é justamente nessa coexistência de temáticas, disciplinas e abordagens que reside a riqueza do conjuntos dos artigos aqui apresentados. Boa leitura a todos.

 

Rodrigo Firmino, Tomás Moreira e Harry Alberto Bollmann
PPGTU/PUCPR, Curitiba, maio de 2012

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