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urbe. Revista Brasileira de Gestão Urbana

versão On-line ISSN 2175-3369

urbe, Rev. Bras. Gest. Urbana vol.5 no.1 Curitiba jan./jun. 2013

http://dx.doi.org/10.7213/urbe.7781 

Editorial

 

 

Neste número da revista urbe, publicamos a segunda parte do dossiê temático "Migração das ideias urbanas no mundo lusófono". A lusofonia hoje é encarada como algo mais complexo e abrangente do que simplesmente a possibilidade de partilhar de uma forma de comunicação oral e escrita comum. É vista como um processo de estruturação de uma identidade cultural dos povos que partilham a língua portuguesa, e que passa também pelas formas e conceitos envolvidos no planejamento e gestão urbana.

A busca de semelhanças e diferenças entre as várias experiências parece não ser a melhor estratégia. Talvez nem seja uma estratégia válida, considerando-se as marcantes diferenças históricas e contemporâneas entre os países de língua portuguesa – mas o leitor atento poderá observar que o aprendizado mútuo com as experiências locais representa o início de uma caminhada que, imaginamos, não termine neste volume.

Para complementar este número da urbe, são apresentados cinco artigos científicos que discutem temáticas atuais da gestão das cidades. Brasilmar Ferreira Nunes e Heitor Vianna Moura apresentam um ensaio intitulado "Imaginário urbano e conjuntura no Rio de Janeiro", sobre a tendência de modificação da imagem do Rio de Janeiro a partir da sua preparação para sediar eventos globais nos próximos anos, capitaneada por investimentos dos setores público e privado. As discussões abordam o tema tanto por meio da evolução de uma realidade macrossocial quanto os problemas intraurbanos estruturais (como as questões de segurança pública) que interferem na formação desse imaginário em si.

Sibila Corral de Área Leão Honda apresenta o artigo "Política habitacional de baixa renda e a atuação do capital privado: o programa de arrendamento residencial em Presidente Prudente (SP)". O texto aborda a produção, pela iniciativa privada, de habitações de baixa renda em cidades de médio porte no Brasil. O foco são os efeitos da atuação do capital privado, por meio do Programa de Arrendamento Residencial do Governo Federal, na produção de espaços urbanos segregados e excludentes.

Isabelle Oliveira Soares, Aline Werneck Barbosa de Carvalho, Geraldo Browne Ribeiro Filho e Neide Maria de Almeida Pinto, no artigo "Interesses especulativos, atuação do Estado e direito à cidade: o caso do programa Minha Casa Minha Vida em Uberaba (MG)", demonstram aspectos interessantes do comportamento do mercado imobiliário, atrelado a interesses do poder público municipal, na orientação para a localização de empreendimentos de habitação popular junto ao Programa Minha Casa Minha Vida, do Governo Federal brasileiro. Embora a maior parte dos trabalhos acadêmicos nesse sentido seja ambientada nas grandes cidades brasileiras, a partir do estudo de caso da cidade de Uberaba, no Triângulo Mineiro, os autores demonstram que seus impactos se estendem mesmo às pequenas e médias cidades; nesses municípios, nenhum dos novos conjuntos habitacionais construídos por esse programa localizou-se nas áreas previamente definidas como aptas para habitação de interesse social.

Ivo Marcos Theis, em seu ensaio "A sociedade do conhecimento realmente existente na perspectiva do desenvolvimento desigual", discute as perspectivas de desigualdade que a sociedade da informação, do conhecimento e da inovação produz no perfil econômico da população em escala global. Para o autor, essa ênfase produz uma dinâmica favorável ao enriquecimento da população de maior nível socioeconômico, amplificando as desigualdades.

Finalmente, em "Cartoneros, recolección informal, ambiente y políticas públicas: Buenos Aires, 2001-2012", Verónica Paiva propões uma interessante discussão sobre a importância da coleta informal de lixo reciclável na cidade contemporânea e possíveis desdobramentos para o meio ambiente e para políticas públicas no nível municipal, tendo Buenos Aires como referência empírica.

Assim, a revista urbe segue mantendo sua linha de divulgação do conhecimento científico e do debate ensaístico nos estudos urbanos, com a maior diversidade possível de posições e abordagens. Temos certeza de que isso nos deu suporte, ao longo dos últimos anos, para alcançar patamares de aceitação que ajudaram a revista a ser incluída em coleções e indexadores como DOAJ, RedALyC, Latindex e, a partir deste ano, SciELO Brasil. Temos convicção de que isso só faz aumentar as exigências por qualidade dos artigos publicados pela urbe e do processo editorial respeitado por seu corpo editorial.

Desejamos uma boa leitura dos textos!

 

Rodrigo Firmino e Harry Alberto Bollmann
PPGTU/PUCPR, Curitiba, abril de 2013

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