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urbe. Revista Brasileira de Gestão Urbana

versão On-line ISSN 2175-3369

urbe, Rev. Bras. Gest. Urbana vol.6 no.1 Curitiba jan./abr. 2014

https://doi.org/10.7213/urbe.06.001.ED01 

Editorial

 

 

Evidências históricas de que as tecnologias moldam as cidades são abundantes. Poderíamos ir além,e dizer que as próprias cidades são artefatos tecnológicos. Infraestruturas como saneamento, abastecimento de água, redes elétricas e de telecomunicações são intrínsecas ao que entendemos como cidades, e estão a tal ponto amalgamadas com o tecido urbano que se tornam invisíveis. No entanto, todatecnologia é uma construção social, e essas tecnologias são, ao mesmo tempo, resultado e detonadoresde conflitos e negociações sociais, culturais e econômicos, resultado e detonadores de inequidades eemancipações. Uma vez que uma tecnologia se integra ao tecido urbano e social, sua estabilização tornadifícil explorar as controvérsias que estavam presentes em sua construção histórica. Mas quando umconjunto tecnológico está emergindo, abordagens conceituais e metodológicas ajudam a ver além damera aplicação, do mero impacto da tecnologia. Momentos de emergência tecnológica nos ajudam aentender novas urbanidades em formação.

Isso é o principal propósito desta seção especial da urbe, revista cujo objetivo é apresentar umaperspectiva crítica em estudos urbanos. Meios de comunicação pessoais e locativos se alastram portodo o mundo. Ousamos dizer que, pela primeira vez na história das tecnologias urbanas, em um mesmo quadro tecnológico coabitam infraestruturas globais como cabos submarinos, satélites, imensasredes físicas, e mídias pessoais que transformam as atividades e os comportamentos cotidianos, comose fossem uma extensão do corpo e da alma dos que vivem nas cidades.

Esta seção especial está baseada no conceito de Habitele, cujo autor, Dominique Boullier, é nosso editor convidado. Boullier já publicou na urbe, e trabalha na tensa imbricação de tecnologias e comportamentos pessoais há décadas. Seu conceito de Habitele pode nos ajudar a ver de modo crítico apresença ubíqua das mídias locativas nas cidades. Não foi surpresa termos recebido artigos de diferentes continentes para esta seção, o que confirma ser este um fenômeno global ao qual pesquisadores detemas urbanos estão dedicados, uma vez que as mídias locativas pessoais têm o potencial de mudar omodo como as pessoas interagem com a cidade.

Os três artigos que completam esta edição da urbe poderiam ser reunidos em outra seção especial, pois tratam de um problema ainda grave nas cidades brasileiras: os assentamentos ilegais e informais - cujas diferenças são discutidas. Madianita Nunes da Silva analisa a informalidade em assentamentos informais na Região Metropolitana de Curitiba, um problema que se agrava, uma vez que as famílias pobres não têm acesso ao mercado imobiliário formal, pelo alto custo.

Clarissa Figueiredo Sampaio Freitas tem como objeto a cidade de Fortaleza. Ela discute como projetos para famílias de alta e baixa renda ocupam áreas ambientalmente frágeis e destaca as divergências que há entre a legislação ambiental e esses dois tipos de ocupação territorial.

O terceiro artigo, assinado por Sandra Maria Fonseca da Costa, Jéssica Andretta Mendes, VivianaMendes Lima e Bruno Henrique Colombari Moreira, mostra que o problema em questão não ocorreapenas nas metrópoles, mas também em pequenas cidades da região da Amazônia.

A diferença temática entre esses dois conjuntos de artigos mostra a complexidade dos estudos urbanos. Sua discussão é o objetivo da urbe.

 

Rodrigo Firmino, Harry Alberto Bollmann e Fábio Duarte
PPGTU/PUCPR, Curitiba, janeiro de 2014

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