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urbe. Revista Brasileira de Gestão Urbana

versão On-line ISSN 2175-3369

urbe, Rev. Bras. Gest. Urbana vol.7 no.1 Curitiba jan./abr. 2015

http://dx.doi.org/10.1590/2175-3369.007.001.ED01 

Editorial

Editorial

Rodrigo Firmino1 

Harry Alberto Bollmann1 

Fábio Duarte1 

1PPGTU/PUCPR, Curitiba, janeiro de 2015


Esta edição da revista urbe traz artigos de diferentes regiões do Brasil e de autores baseados no Chile e Colômbia. Os artigos discutem de transporte e mobilidade urbana ao ensino de planejamento e gestão urbana na América do Sul, do plano nacional de resíduos sólidos à expansão dos condomínios-clube no país. A variedade temática mostra a diversidade da área dos estudos urbanos e como todos esses problemas fazem parte do dia a dia da pesquisa e da gestão urbana.

Mobilidade urbana é o tema dos três primeiros artigos. Padrões de urbanização dispersos e fragmentados tornam-se comum em centenas de cidades brasileiras, atingindo não apenas as grandes metrópoles mas também as cidades médias. Tomando como estudo de caso a Região Metropolitana de Natal, em especial seu eixo sul, Ricardo Ojima, Felipe Ferreira Monteiro e Tiago Carlos Lima do Nascimento abordam esse fenômeno com especial atenção para a mobilidade urbana.

Em São Carlos e Rio Claro, cidades do interior de São Paulo, Patrícia Baldini de Medeiros Garcia e Archimedes Azevedo Raia Jr. estudam os padrões de acessibilidade aos principais hospitais locais. Tendo como principal instrumento as análises georreferenciadas, os autores comparam os modais utilizados para atendimento médico e acessibilidade segundo as faixas socioeconômicas, evidenciando em um caso específico um tema constante nos estudos sobre mobilidade: a distribuição modal e as classes socioeconômicas.

Fechando o grupo de artigos focados na mobilidade urbana, tendo como estudo de caso Santiago, no Chile, Cristhian Figueroa Martínez e Natan Waintrub Santibáñez propõem uma abordagem que poderia instigar pesquisas semelhantes no Brasil: mobilidade e gênero. Os autores mostram-se interessados em analisar como as mulheres são afetadas e têm suas atividades limitadas pela disponibilidade de transporte, sendo especialmente vulneráveis e limitadas pelo local de residência e oferta de serviços de mobilidade urbana.

O artigo de Sibila Corral de Arêa Leão Honda, Marcela do Carmo Vieira, Mayara Pissutti Albano e Yeda Ruiz Maria dá início ao segundo conjunto temático desta edição da urbe: cidade e meio ambiente. Neste artigo, as autoras discutem as relações entre uso e ocupação do solo, produção de habitações de interesse social e o planejamento ambiental. Em estudo realizado em Presidente Prudente, as autoras notam que justamente essas habitações, financiadas pelo poder público, desrespeitam legislações em diferentes esferas de governo e ignoram padrões socioambientais mínimos.

O Parque Ecológico do Município de Belém Gunnar Vingren (PEGV) é o objeto de estudo de Silvia Laura Costa Cardoso, Mário Vasconcellos Sobrinho e Ana Maria de Albuquerque Vasconcellos. Neste artigo, os autores analisam fatores que facilitam e dificultam a implementação de parques urbanos, e mostram como a participação de grupos da sociedade, padrões de ocupação urbana nas áreas junto ao parque e formas de gestão urbana influenciam na implementação e manutenção desses parques.

Cristina Maria Dacach Fernandez Marchi trata de um tema ainda pendente de solução em grande parte das cidades brasileiras: a destinação final dos resíduos sólidos. Tendo como referência os procedimentos presentes na Política Nacional de Resíduos Sólidos, e analisando múltiplos casos, a autora apresenta um modelo para instalação e gestão de equipamentos de destinação final desses resíduos.

Novamente tomando como estudo de caso a cidade de Natal, Felipe Fernandes de Araújo discute o crescimento dos condomínios-clube. Com especial atenção para o crescimento desse tipo de empreendimento na Zona Sul da RMN, recomenda-se a leitura deste artigo em paralelo ao de Ricardo Ojima, Felipe Monteiro e Tiago do Nascimento sobre os padrões de crescimento fragmentado dessa região de Natal. Com a discussão teórica da produção capitalista do espaço urbano, Felipe de Araújo vê nos condomínios-clube a “ratificação do processo de segmentação urbana existente na cidade” – que certamente ocorre em todas as regiões brasileiras.

O Estatuto da Cidade, depois de uma década de implementação, ainda gera pesquisas que buscam análises a partir de diferentes perspectivas. Jefferson O. Goulart, Eliana T. Terci e Estevam V. Otero discutem a participação pública na elaboração dos planos diretores nas cidades paulistas de Rio Claro, Piracicaba e Bauru.

Esta edição da urbe fecha com um artigo de especial interesse para a revista: Claudia Inés Carreño e Armando Durán Durán apresentam um estudo comparativo sobre o ensino de gestão urbana no Brasil e Colômbia. Combinando análise documental e entrevistas em profundidade com alunos e professores de pós-graduação, os autores veem um crescimento comum do interesse na gestão urbana e mostram o desafio de se combinarem pesquisas científicas com ações concretas no planejamento e gestão das cidades – uma preocupação que, mesmo não declaradamente, alinhava todos os artigos desta edição.

Rodrigo Firmino Harry Alberto Bollmann e Fábio Duarte
PPGTU/PUCPR, Curitiba, janeiro de 2015

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