SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.8 número3A agregação das Tecnologias de Informação e Comunicação ao espaço público urbano: reflexões em torno do Projeto CyberParks – COST TU 1306Apropriação do espaço livre público na metrópole contemporânea: o caso da Praça Tiradentes em Curitiba/PR índice de autoresíndice de assuntospesquisa de artigos
Home Pagelista alfabética de periódicos  

Serviços Personalizados

Journal

Artigo

Indicadores

Links relacionados

Compartilhar


urbe. Revista Brasileira de Gestão Urbana

versão On-line ISSN 2175-3369

urbe, Rev. Bras. Gest. Urbana vol.8 no.3 Curitiba set./dez. 2016  Epub 22-Ago-2016

http://dx.doi.org/10.1590/2175-3369.008.003.AO05 

Articles

As transformações da paisagem urbana do bairro Nossa Senhora das Dores no município de Santa Maria/RS

The urban landscape transformations of the Nossa Senhora das Dores neighborhood in Santa Maria, RS city

Viviane Regina Piresa 

Alcionir Pazatto de Almeidab 

Ana Luiza Pinto Alvesa 

Bruna Camila Dottoa 

Djulia Regina Ziemanna 

Thales Silveira Soutoa 

aUniversidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria, RS, Brasil

bInstituto Federal Farroupilha (IFFarroupilha), Santa Maria, RS, Brasil


Resumo

A paisagem caracteriza-se como uma categoria de análise da geografia e é importante para a compreensão e a valorização das transformações socioespaciais produzidas por diferentes atores, relacionadas à economia, às relações culturais e aos aspectos físico-naturais de cada lugar. Ressalta-se que essa categoria de análise não possui uma definição baseada na materialidade, mas sim na subjetividade. Sob essa perspectiva, este trabalho tem como objetivo analisar as transformações da paisagem do bairro Nossa Senhora das Dores, localizado no município de Santa Maria, Rio Grande do Sul. O bairro em questão caracteriza-se por ter sido povoado por famílias italianas, que contribuíram para o crescimento e o desenvolvimento do local. Metodologicamente, a pesquisa foi estruturada em quatro etapas: revisão bibliográfica; coleta de dados; trabalho de campo; análise e interpretação dos resultados. Destaca-se que as principais transformações da paisagem, tanto de ordem física quanto socioeconômica, ocorreram a partir de 1980, em função da criação do Clube Recreativo Dores e da expansão da Avenida Nossa Senhora das Dores, que liga a zona leste ao centro da cidade. Outro momento de expansão iniciou-se na década de 1990, com a construção do Royal Plaza Shopping, que foi inaugurado em 2010. Tais modificações impactaram a paisagem urbana e a vida dos habitantes, com a perda de características como tranquilidade e vivência em comunidade e, ao mesmo tempo, com a existência de novos atrativos no local.

Palavras-chave:  Paisagem; Geografia urbana; Transformações espaciais

Abstract

The landscape is characterized as a category of Geography analysis; therefore, it contributes to the comprehension and valuation of socio-spatial transformations produced by different actors, as well as related to economic, cultural relationships, and also the physical-natural aspects of each place. It is emphasized that this analysis category is not defined based on materiality, but in subjectivity. In this perspective, this work aimed to analyze the landscape transformations of Nossa Senhora das Dores neighborhood, located in Santa Maria, Rio Grande do Sul. It is characterized as populated by Italian families, which contributed to its growth and development. The research was methodologically structured in stages: literature review; data collect; field work; analysis and results interpretation. It is emphasized that the main landscape transformations occurred initially in the 1980s, both in physical and in socioeconomic order, due to the creation of the Clube Recreativo Dores and the expansion of Nossa Senhora das Dores Avenue, which connects the east side of the city with the downtown area. In the 1990s another moment of expansion begins with the construction of the Royal Plaza Shopping, which was inaugurated in 2010. These changes affected the urban landscape and the lives of people, in view of the loss characteristics as tranquility and community life and, at the same time, the existence of new attractions in the place.

Keywords:  Landscape; Urban geography; Spatial transformations

Introdução

A geografia permite compreender a relação sociedade versus natureza, assim como as singularidades e as particularidades que são inerentes às transformações ocasionadas, por ações passadas, no espaço geográfico1, mas refletidas no presente e que podem ser verificadas no tempo e no espaço.

Inicialmente, a ciência geográfica privilegiava a descrição das paisagens e as suas localizações, considerando apenas esses elementos para a análise espacial. No entanto, com o passar dos anos, percebeu-se que, por meio dessa forma de análise, não eram obtidas respostas satisfatórias para a compreensão dos fenômenos geográficos, motivo pelo qual se passou a adotar uma visão integradora dos elementos existentes no espaço.

A paisagem como uma categoria de análise, a priori, não possui uma definição marcada pela materialidade, não sendo suscetível a uma análise objetiva. Nesse sentido, busca-se uma valoração da paisagem, além de compreender sua configuração e transformação (temporal, humana e material), ou seja, uma percepção que leve em consideração o aspecto subjetivo e cognitivo humano, o seu grau de pertencimento a um grupo social e também como elemento que constitui a paisagem.

O estudo da paisagem é amplamente interdisciplinar, principalmente enquanto fenômeno presenciado, percebido ou vivido, o qual recebeu essa nova abordagem a partir da década de 1970 com os estudos humanísticos na geografia, cuja base está fundamentada na fenomenologia e no existencialismo. Nessa perspectiva, o pesquisador, indo ao encontro dessas novas ideias de percepção da paisagem, no seu sentido cognitivo e subjetivo de pensamento, passou a consolidar a paisagem no seu significado material e imaterial (Castro et al., 2000).

Assim, partindo dessa visão integradora da paisagem, o objetivo deste trabalho é analisar as transformações da paisagem do bairro Nossa Senhora das Dores, caracterizado como tradicional de famílias italianas, localizado no município de Santa Maria, Rio Grande do Sul (Figura 1). O bairro é marcado por transformações ligadas à verticalização, pela especulação imobiliária, pela instalação de pontos comerciais e empresas e pela pavimentação, o que acaba gerando uma descaracterização do bairro quanto ao seu estilo familiar original, justificando a realização desta pesquisa. Além disso, o foco investigativo caracteriza-se como um espaço representativo para a área urbana dessa unidade territorial, pois, especialmente após a década de 1980, ocorreu a modificação da estrutura do bairro, principalmente em função da presença de prestadoras de serviços, de grande número de empreendimentos e de condomínios verticais, resultando no incremento da especulação imobiliária. Ressalta-se, assim, que, desde a década de 1980, o bairro vem passando por profundas transformações físicas e socioeconômicas, que correspondem à dinâmica espacial do processo de urbanização, sobretudo de agentes transformadores do espaço urbano, os quais se vinculam às ações de cunho tanto do Estado quanto do capital.

Fonte: Organizado pelos autores a partir do IBGE (2015b).

Figura 1 - Mapa de localização do bairro Nossa Senhora das Dores, em Santa Maria, Rio Grande do Sul 

Como resultado da ação dos agentes transformadores do espaço urbano, podem-se citar o Royal Plaza Shopping e o Clube Recreativo Dores. Destaca-se ainda que o bairro, popularmente chamado de Dores, representa uma importante via de acesso entre a região central e a leste do perímetro urbano, onde se localizam a Base Aérea e a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), as quais representam importantes instituições que compõem o município.

Mediante a escolha do bairro a ser estudado, desenvolveu-se a estruturação dos procedimentos metodológicos desta pesquisa em etapas. Inicialmente, realizou-se o levantamento bibliográfico, que consistiu em um resgate histórico, cultural e socioeconômico do bairro em estudo, além de conceituações de paisagem com ênfase em transformações do espaço urbano.

A segunda etapa, por sua vez, esteve relacionada à coleta de dados, buscando caracterizar esse recorte espacial, bem como a elaboração de um instrumento de pesquisa (entrevista) a ser aplicado em campo. Os dados obtidos foram interpretados segundo o método dialético, pois, de acordo com Sposito (2002), por meio da dialética é possível interpretar os problemas do espaço geográfico, a relação causa-efeito, o princípio da determinação e de indeterminação que cria dinâmicas territoriais, a diferenciação entre processo e cronologia, e o princípio da autorregulação. Conforme o autor, o entendimento desses fatores de modo sistêmico permite compreender as transformações do espaço ao longo do tempo.

Já a terceira etapa desta pesquisa consistiu no trabalho de campo, o qual se somou à pesquisa bibliográfica e ao conhecimento empírico para a seleção das pessoas que seriam entrevistadas. Identificaram-se oito moradores de famílias tradicionais que iniciaram o povoamento do local de estudo e que se mostraram disponíveis para colaborar na pesquisa. Ainda nessa fase, resgataram-se informações, além de documentos e fotografias, sobre a instalação de locais com relevância simbólico-cultural e de capital, como a Igreja Nossa Senhora das Dores, o Clube Recreativo Dores, o Royal Plaza Shopping, o Colégio Coração de Maria e a Brigada Militar. Realizou-se também uma consulta ao Acervo Histórico Municipal e à Biblioteca Pública de Santa Maria. Como etapa final, procedeu-se à análise e interpretação das informações obtidas em campo, relacionando-as com o referencial teórico.

É importante destacar que, para a realização da pesquisa, não se delimitou uma escala temporal devido ao escasso material (histórico e fotográfico) disponível sobre o bairro. Nesse sentido, utilizou-se o relato dos moradores tradicionais para determinar os principais fatores responsáveis pelas transformações da paisagem. Os entrevistados elencaram os seguintes fatores em ordem cronológica de instalação: Brigada Militar (1892), Igreja (1936), Clube Dores (1980), Fórum (1993) e Royal Plaza Shopping (iniciado em 1995 e inaugurado em 2010).

A percepção da paisagem na geografia

A paisagem enquanto categoria de análise geográfica tem variado em termos de importância e significado com o decorrer do tempo. Assim, conforme Cabral (2000), em alguns momentos da história, ela foi capaz de dar unidade e identidade à ciência geográfica; em outros, ficou relegada a um segundo plano, perdendo sua hegemonia para outras categorias de análise, tais como as de região, espaço, território e lugar. Devido à sua associação com as formas dispostas e, portanto, visíveis sobre a superfície terrestre, o termo paisagem tem recebido diversos conceitos e significados, os quais são, em sua maioria, abrangentes e imprecisos.

Nas duas últimas décadas do século XX, ocorreu uma retomada dos conceitos de paisagem entre profissionais de diferentes áreas, como arquitetos, urbanistas e geógrafos. Nesse contexto, conforme Vieira (1998), o termo paisagem vem sendo entendido de várias formas, dando origem a expressões como paisagem urbana, paisagem rural, paisagem turística e paisagem natural.

Segundo Cosgrove (1984), no campo da geografia humanista, corrente que aproxima a geografia da fenomenologia existencialista, a paisagem é compreendida como um mundo exterior mediatizado pela experiência subjetiva dos homens, constituindo, portanto, também um modo de ver e conceber o mundo. Na França, esse tipo de análise e de estudo se desenvolveu entre os anos de 1970 e 1980, a partir de correntes focadas no espaço centrado no homem, nas suas necessidades e nas suas vivências (Sanguin, 1981).

É sob esta perspectiva, da geografia humanista, que a paisagem urbana do bairro Nossa Senhora das Dores é investigada. Ao entender que as paisagens têm um sentido cultural/antropocêntrico, o conceito de paisagem adotado neste estudo é o de “paisagem vivida”, por estar relacionado aos processos de percepção, cognição, afetividade, memória e construção de imagens.

Sobre esse processo, Guimarães (2002, p. 125) menciona que:

Todos os fatores implícitos nestes processos, ao gerarem interações diferenciadas, envolvem muitos aspectos referentes às formas de experienciar e aprender a amplitude dos dimensionamentos espaciais e temporais, onde para entendermos a paisagem vivida, não basta apenas a análise da percepção da dinâmica de suas estruturas espaciais, ecológicas, culturais, presentes no cotidiano de nossos lugares. É necessário que estejamos realmente imersos numa relação corpo/espírito/paisagem com os espaços que se prolongam em sua própria existência as dimensões do imaginário, do mítico, do símbolo, porque estes estão delineados e coloridos pelos sentimentos.

Nessa perspectiva, as paisagens incorporam o significado de vivido, pois derivam de percepções, valores e atitudes diante de espaços e de lugares que, de acordo com Tuan (1983), remetem a outras realidades geográficas, que vão além das coordenadas cartesianas e das técnicas quantitativas e pragmáticas para fundamentarem-se em aportes filosóficos da fenomenologia/existencialismo.

Ao tratar mais especificamente dos estudos que envolvem a paisagem urbana, Vieira (1998) discorre sobre a importância que estes têm para a sociedade, pois, segundo ele, essa investigação tem como objeto de estudo um espaço socialmente construído, com uma morfologia que resulta das influências culturais e econômicas de cada época. Sobre a percepção da paisagem urbana, Carlos (1992, p. 41) salienta que, a partir de sua observação, depreendem-se dois elementos fundamentais: o espaço construído, imobilizado nas construções, e o movimento da vida.

O primeiro chama atenção pela diferença, pelo choque de contrastes nos tipos de utilização da cidade, do uso do solo urbano, enquanto o segundo elemento refere-se ao movimento das pessoas, apressadas ou não, dos meios de circulação, etc. Em suma é um lócus dinâmico de atividades exercidas por pessoas, de acordo com suas necessidades sociais, vinculadas diretamente ao processo de reprodução do capital.

Assim, a paisagem urbana é fruto de obra coletiva produzida pela sociedade e, por isso, contempla todas as dimensões humanas. Nessa concepção, a paisagem revela-se repleta de vida, capaz de expressar sentimentos diversos, alguns contraditórios inclusive. As marcas do tempo impressas na paisagem, facilmente identificadas por aqueles que ali vivem, pois o lugar é o espaço da vida, revelam uma construção histórica cheia de arte e de lembrança (Carlos, 1992).

Carlos (1992) acrescenta que a paisagem percebida denota uma imagem aparentemente imóvel, dotada de sentido, com a qual os sujeitos se identificam devido aos espaços da vida que são pressentidos por meio da paisagem. Sob essa perspectiva, destacam-se ainda as colocações de Landim (2003, p. 24) sobre a importância de se estudar a paisagem urbana de uma cidade, pois, segundo ela,

[...] a cidade pode ser reconhecida somente por intermédio de sua paisagem urbana e essa paisagem é resultante dos elementos econômicos, sociais e culturais que a produziram num determinado período e contexto.

Evolução histórica da paisagem urbana do bairro Nossa Senhora das Dores

Com o crescimento gradual da população urbana de Santa Maria, a Prefeitura realizou, em 1986, a divisão dos bairros para proporcionar ordenação das parcelas de terras. Assim, de acordo com o artigo 3º da Lei Municipal nº 2.770, de 3 de julho de 1986, que altera o perímetro urbano de Santa Maria, limites e distritais, e dispõe sobre as denominações de bairros urbanos, o bairro Nossa Senhora das Dores

[...] tem início no cruzamento entre as ruas Benjamim Constant com a linha férrea Santa Maria-Porto Alegre, seguindo a linha até a rua Euclides da Cunha, avenida Nossa Senhora das Dores e por último novamente com a rua Benjamim Constant até encontrar a linha férrea. (Santa Maria, 1986).

O bairro Nossa Senhora das Dores está inserido na porção leste do município de Santa Maria, tendo sua existência marcada pela presença de imigrantes italianos e alemães, de religião católica, e de famílias numerosas que ali se instalaram em meados de 1900, conforme indicam os documentos concedidos pela Paróquia Nossa Senhora das Dores. Embora não existam registros oficiais do surgimento desse bairro, de acordo com os relatos dos moradores mais antigos, as primeiras famílias que se instalaram no bairro foram as de Abraão Cassil (1862), Jango Lens e Chico Preto. Aos poucos, chegaram imigrantes provenientes das colônias italianas de Silveira Martins, Sobradinho, Ibarama, Novo Treviso e Arroio Grande, todos do Estado do Rio Grande do Sul. Esses imigrantes advindos do campo, sem perspectivas de trabalho, vieram se instalar na cidade em busca de melhores condições de vida, o que acarretou o crescimento populacional no local, bem como a demanda de atendimento às necessidades dessa população.

Nesse contexto, surgiram as atividades de comércio e de prestação de serviços no bairro, como a venda de produtos alimentares, pequenos armazéns de secos e molhados, engarrafamento de bebidas, engenho de beneficiamento de arroz e moinho de farinha. Esses foram os precursores do ramo do comércio nessa área da cidade.

Considerando o desenvolvimento do bairro, nesse período, ressalta-se a edificação da mais antiga Unidade de Cavalaria da Brigada Militar, criada em 1892. Após sua inauguração, teve início a urbanização do local com a expansão da construção de casas, que eram destinadas, em sua maioria, para a moradia das famílias de quem estava trabalhando no quartel da Brigada (Figura 2a).

Fonte: Organizado pelos autores a partir do (a) Centro Histórico Coronel Pillar (2014); (b) Jornal “A Razão” (1999) e trabalho de campo (2014); (c) Acervo Histórico do Clube Dores (1985, 2005); (d) Acervo Histórico Municipal (Santa Maria, 1960) e Acervo Histórico do Royal Plaza Shopping (2014).

Figura 2 - Fotografias representando a evolução do bairro por intermédio de diferentes funções e elementos dinamizadores socioespaciais: (a) Registro do Quartel do Regimento em 1934 e sua evolução para a Unidade de Cavalaria da Brigada Militar em 1955; (b) Registro da Paróquia Nossa Senhora das Dores em 1999 e a evolução das construções no entorno dela registradas em 2014; (c) Registro do Clube Dores em 1985 e sua evolução em 2005, com as ampliações da estrutura; (d) Registro da área em que ocorreu a construção do Royal Plaza Shopping no bairro Dores no ano 2000 e comparação com a área em 2010, destacando-se a torre do Shopping e as construções vizinhas 

Com o passar do tempo, a Unidade de Cavalaria sofreu modificações em sua estrutura e nas atividades realizadas. No ano de 1934, o prédio foi destruído e deu lugar a uma nova construção mais ampla. Em 1935, a Brigada Militar passou a atuar como polícia. No ano de 1946, inaugurou-se o Hospital da Brigada Militar, que tinha como primordial função a prestação de serviços aos policiais e seus dependentes. No ano de 1955, a Brigada passou a atuar como Regimento da Polícia Montada e foi percursora das atividades no interior do Estado, abrangendo, em 1974, o comando de 19 municípios.

A necessidade de um colégio já havia surgido no bairro, mas somente no ano de 1935, com esforços dos moradores, houve a construção do prédio do Colégio Coração de Maria, que iniciou suas atividades com o curso primário e, em 1937, inseriu o ginasial. Após algum tempo, optou-se por formar turmas para o curso normal com intenção na formação de professores, extinto em 1974. No mesmo ano, originou-se o curso de 1º grau (atual ensino fundamental). Somente em 1999, houve a abertura das turmas de 2º grau (atual ensino médio), contemplando todo o ciclo do ensino básico, que permanece no colégio até hoje atendendo a uma grande quantidade de alunos.

Devido à religiosidade dos imigrantes e à iniciativa de um pároco, em 1935, iniciaram-se os esforços para a construção de uma Paróquia, edificada por meio do auxílio financeiro dos moradores, o qual foi essencial para a aquisição do terreno e para a contratação da mão de obra. Inaugurada em 1936 e denominada de Paróquia Nossa Senhora das Dores em homenagem à padroeira escolhida para reger a comunidade, foi a segunda Paróquia da cidade (Figura 2b).

Desde então, a Paróquia é responsável por atrair pessoas, principalmente, em três momentos: na Páscoa, quando realiza as celebrações religiosas, com missa e Tríduo Pascal; no mês de setembro, quando reúne associados de todas as capelas pertencentes à Paróquia para a celebração do aniversário da padroeira Nossa Senhora das Dores; no Natal, quando chega a reunir cerca de 3 mil pessoas no Ginásio do Clube Dores.

Já a Associação Cultural Beneficente e Recreativa Nossa Senhora das Dores foi fundada em 1966, construída nos fundos da Paróquia em continuação ao salão paroquial. Inicialmente, era formada por uma copa, uma cozinha, despensas e canchas de bocha e de bolão, além de sala nobre para a realização de reuniões e de um pátio para a prática de esportes, como o futebol. Com a intenção de aumentar suas dependências, e não tendo mais possibilidade de expansão, a Associação mudou-se para a Rua Bento Gonçalves – ainda no interior do bairro –, iniciando suas obras na década de 1980 com uma estrutura modernizada. Foram construídos salões de festa, piscina, biblioteca, sede campestre, quadra poliesportiva e piscina térmica. A Associação, denominada mais tarde de Clube Recreativo Dores, é considerada o maior clube do interior do Estado e, de acordo com dados da diretoria, possui aproximadamente 30 mil sócios atualmente (Figura 2c).

Outro importante fator dinamizador do bairro foi a localização da rodoviária, a qual, após várias mudanças de endereço, em 1960, foi implantada na Rua General Canabarro, hoje denominada Avenida Nossa Senhora das Dores, contando com amplo espaço. Em 1972, foi classificada como “rodoviária de primeira categoria”. Todavia, devido à expansão do número de veículos, ocasionou atrasos no trânsito, pois se localizava em uma das principais vias de acesso ao centro da cidade. Por esse motivo, em 1988, teve de ser realocada no bairro Nossa Senhora de Lourdes, onde permanece até hoje.

A instalação do Fórum no bairro Nossa Senhora das Dores, por sua vez, ocorreu no ano de 1993, quando foi transferido do centro da cidade. A chegada desse novo empreendimento no bairro causou uma valorização dos terrenos e, consequentemente, a especulação imobiliária, tanto para fins residenciais quanto comerciais.

Em 1995, iniciou-se a construção do Royal Plaza Shopping no bairro, empreendimento que conta com um condomínio de 124 apartamentos, praça de alimentação e 256 lojas, além de estacionamento para 5 mil carros (Figura 2d).

A escolha desse local para as instalações do Royal Plaza Shopping, segundo relatos de moradores, alicerçou-se, fundamentalmente, nos aspectos favoráveis presentes no bairro, tais como significativa população de classe média/alta, sistema de transporte e fluxo de estudantes, e também na posição estratégica do bairro, que fica próximo ao trevo de acesso a outros municípios. Atualmente, é prevista a expansão das instalações desse empreendimento, pois há a especulação da aquisição de outras casas localizadas no entorno.

Em 2006, ocorreu uma nova divisão dos bairros (Figura 3). Nossa Senhora das Dores perdeu território com a criação do bairro Menino Jesus, de modo que o entroncamento da Avenida Nossa Senhora das Dores com a Rua Euclides da Cunha, que até então era o seu extremo sudeste, passou a ser o centro geográfico do novo bairro.

Fonte: Organizado pelos autores a partir do IBGE (2015b); e de Schmidt et al. (2000).

Figura 3 - Mapa da antiga (1996) e da nova divisão (2006) do bairro Nossa Senhora das Dores, em Santa Maria, Rio Grande do Sul 

Até o ano de 2006, a Avenida Nossa Senhora das Dores constituía o elemento de divisa com o bairro Nossa Senhora de Lourdes, o que se modificou em 2014, quando a Avenida passou a ser a artéria que corta ao meio o bairro que leva o nome da Paróquia existente no local. Apesar da perda de território para a criação do Menino Jesus, o bairro conquistou áreas significativas dos vizinhos Km 3 e Nossa Senhora de Lourdes (Santa Maria, 2015).

Descrição e interpretação da paisagem sob a perspectiva teórica e o intermédio de relatos dos moradores

Segundo Moreira (1988), a paisagem urbana é um mosaico de formas com distintas funções o qual permite uma leitura em diferentes escalas. Carlos (1992, p. 35) considera essa paisagem:

[...] como um instantâneo registro de um momento determinado, datado no calendário. Enquanto manifestação formal tende a revelar uma dimensão necessária da produção espacial: aquela do aparente, do imediatamente perceptível, representação do real que cabe intuir.

De acordo com os moradores e os documentos da Paróquia Nossa Senhora das Dores, os primeiros habitantes do local onde hoje é o bairro Dores eram descendentes de alemães. Posteriormente, chegaram os descentes de italianos em maior contingente, vindos das colônias de Silveira Martins, Sobradinho, Ibarama, Novo Treviso e Arroio Grande. Dentre as principais famílias, destacam-se: Barichello, Marin, Falkembaker, Dal Ponte, Trevisan, Sangoi, Faccin, Copetti, Ruviaro, Da Cás, Londero, Rossato, Antoniazzi, Maffini, Ravanello, De Cecco, Possebon, Pozzobon, Forgiarini, Beltrame e Basso.

Dessa forma, o bairro tornou-se um local típico de descendentes italianos, que se dedicaram a pequenos comércios locais, tais como: armazéns, barbearias, pequenos engenhos e casa de tecidos. É importante ressaltar que, nesse período, fim do século XIX e início do século XX, já estavam instalados no bairro a Brigada Militar e o Hospital da Brigada.

Em relação à paisagem, os moradores relataram os traços rurais que o bairro Dores possuía (com campos abertos, gado pastando e árvores frutíferas), além da possibilidade que tinham de se banharem nos pequenos rios próximos, afluentes do Arroio Cancela, o qual, atualmente, não pode mais ser visualizado devido às canalizações para a efetivação das edificações.

Outra característica enfatizada pelos moradores consiste na tranquilidade de que o bairro era dotado na época (Figura 4). No entanto, com sua expansão, essa particularidade, desde o crescimento do Clube Recreativo Dores, a instalação do Fórum e a inauguração do Royal Plaza Shopping, foi totalmente alterada. Tais mudanças contribuíram para o aumento do fluxo de veículos e de pessoas, fazendo com que o bairro perdesse seu caráter residencial.

Fonte: Jornal “A Razão” (1999).

Figura 4 - Notícia impressa no Jornal “A Razão”, enfatizando a tranquilidade do bairro Nossa Senhora das Dores, em Santa Maria, Rio Grande do Sul 

A esse respeito, Christofoletti (1979) afirma que, por meio da ocupação e da implantação de suas atividades, o homem insere-se no ambiente como agente modificador das características visuais e dos fluxos de energia e matéria, modificando o equilíbrio natural dos geossistemas, isto é, dos sistemas ambientais físicos. Segundo Cavalheiro (1991), as atividades advindas da concentração humana provocam uma ruptura na estrutura funcional de um ambiente natural. Como resultado, surge uma nova paisagem, derivada da paisagem natural.

Outro fator importante citado nesse contexto relaciona-se à pavimentação. Os entrevistados relataram que as ruas, inicialmente, eram de barro e de pedregulho, necessitando a utilização de carroças para atravessar pequenas distâncias. Nesse sentido, ressaltam-se algumas considerações dos moradores:

Primeiro era barro aqui, pedregulho, e atravessávamos de carroça. [...]. Havia gado solto; onde agora tem o Fórum, era campo, e íamos lá comer pitanga. (Relato de morador residente no bairro desde 1945).

A cultura italiana predominante no bairro pode ser observada mediante o forte caráter religioso. Segundo documentos da Paróquia Nossa Senhora das Dores (2006), ela foi edificada próxima às fontes do Arroio Cancela, sobre um pequeno elevado chamado Alto da Eira. Era um lugar descampado e aberto, tendo aos fundos o Quartel da Brigada Militar. A leste, havia um terreno que, futuramente, seria destinado à Praça Júlio de Castilhos, o qual era um grande buraco semelhante a dunas, porém de saibro avermelhado, que se tornou espaço de brincadeiras e de esconderijos das crianças, conforme consta nos registros do imóvel. Depois, foi doado pela Prefeitura para a construção do Colégio Francisco Lisboa, escola voltada à educação especial, atualmente desativada. Ao sul, existia uma grande sanga coberta de arbustos, que servia de paradeiro e viveiro às saracuras. A oeste, havia um vasto terreno baldio, que, posteriormente, foi adquirido pela família Trevisan.

Nesse contexto, a Paróquia era o local de encontro entre as famílias residentes do bairro. Uma das moradoras afirma, em um relato, que “[...] a vida girava em torno da igreja”. Era, portanto, um espaço de vivência em comunidade, o qual, atualmente, de acordo com os entrevistados, perdeu esse caráter em virtude das constantes transformações do bairro. Nessa perspectiva, destaca-se a fala de outra moradora: “Agora minha irmã e eu vamos à missa e só nós nos conhecemos pois não conhecemos mais ninguém”. Ressalta-se ainda que, aos fundos da Paróquia, no salão paroquial, a comunidade encontrava-se para confraternizações, quando ocorriam jogos de bocha e de bolão, além de jantares de casais e famílias.

Com a própria expansão do bairro e com o aumento de moradores, foi criada, em 1966, a Associação Cultural Beneficente e Recreativa Nossa Senhora das Dores, que, posteriormente, veio a denominar-se Clube Recreativo Dores (1980), deslocando sua sede para a Rua Bento Gonçalves. De acordo com os moradores, a expansão do Clube alterou a sua característica familiar, pois foram vendidos títulos para novos associados, atendendo não somente à população do bairro, mas também ao município de Santa Maria como um todo. Os moradores, apesar de lamentarem essa perda de vivência em comunidade, enfatizam, contudo, a importância do Clube para a expansão do bairro, uma vez que os promotores dessa expansão são os próprios residentes, os quais ainda permanecem como membros da diretoria. Devido ao grande crescimento do Clube, em 1990, foi inaugurada a sede campestre do Clube Dores no bairro Tomazetti.

Outro fator relevante para a transformação da paisagem do bairro foi a instalação do Fórum da Comarca de Santa Maria na Rua Alameda Buenos Aires (Figura 5), caracterizada, anteriormente, pela presença de diversos terrenos baldios. Tal inserção contribuiu para a valorização das terras no entorno e, consequentemente, para o aumento da especulação imobiliária.

Fonte: Trabalho de campo (2014).

Figura 5 - Vista panorâmica do Residencial Royal para o Fórum e as construções no entorno do bairro Nossa Senhora das Dores, em Santa Maria, Rio Grande do Sul 

Diante de todas essas transformações, é preciso destacar, conforme Landim (2003, p. 24), a importância de se estudar a paisagem urbana de uma cidade, pois esta

[...] pode ser reconhecida somente por intermédio de sua paisagem urbana e essa paisagem é resultante dos elementos econômicos, sociais e culturais que a produziram num determinado período e contexto.

Outra transformação a ser mencionada foi a construção de diversos condomínios residenciais verticais nas proximidades, originando uma expansão que permanece na atualidade, com diversas obras em andamento. Na década de 1990, acompanhando o crescimento do bairro e ainda tendo em vista a existência de terrenos disponíveis, surgiu a possibilidade da construção de um shopping como anexo de um condomínio vertical – o Residencial Royal. Esse empreendimento se caracterizou como um importante dinamizador espacial do bairro, pois, a partir da sua implantação, com a instalação do Fórum e dos demais empreendimentos que estavam sendo incorporados ao bairro, houve um aumento de edificações e de circulação de pessoas e automóveis, bem como a valorização imobiliária e a mudança na rotina dos moradores, levando a um incremento material e imaterial da paisagem.

Para a construção do Royal Plaza Shopping, realizou-se a compra de um terreno na Avenida Nossa Senhora das Dores, esquina com a Rua Motorista Mariano. O local era conhecido pelos moradores antigos como o “Buraco do Seu Martin”, por ser este o primeiro proprietário do local, cuja aquisição, posteriormente, deu-se por algumas das famílias tradicionais e então vendido para a construção do Shopping. Nessa negociação, os proprietários receberam apartamentos, espaços comerciais, dentre outros benefícios.

De acordo com as entrevistas realizadas, os moradores avaliaram o empreendimento como um benefício para o bairro, que contribuiu para o crescimento econômico local, ainda que tenha gerado uma perda de identidade, ou seja, uma alteração imaterial da paisagem.

Por meio de todos esses elementos citados, ocasionou a alteração do perfil do bairro, o qual passou de residencial a importante centro comercial para o município de Santa Maria. Tal fato pode ser observado nas Figuras 6 e 7, em que a primeira demonstra a grande presença de domicílios, e a segunda, a dinâmica atual do bairro. Tais elementos são importantes para compreender a utilização do espaço do bairro em estudo, pois exerceram funções fundamentais para o desenvolvimento da paisagem local.

Fonte: Schmidt et al. (2000).

Figura 6 - Representação do uso e de ocupação do bairro Nossa Senhora das Dores, em Santa Maria, Rio Grande do Sul, no ano de 1996 

Fonte: Organizado pelos autores a partir do Google Earth (Google, 2015).

Figura 7 - Localização dos elementos dinamizadores do bairro Nossa Senhora das Dores, em Santa Maria, Rio Grande do Sul, em 2015 

Infere-se que essa alteração foi fator condicionante para a redução populacional, conforme a Tabela 1, assim como a mudança de configuração do perímetro dos bairros, instaurada em 2006.

Tabela 1 - População absoluta de Santa Maria, Rio Grande do Sul, e do bairro Nossa Senhora das Dores (habitantes) 

Ano Bairro Nossa Senhora das Dores Santa Maria
1996 5.903 211.154
2000 6.109 230.6969
2010 4.656 261.031

Fonte: IBGE (2015a).

Algumas transformações da paisagem, já citadas, provenientes da reorganização do bairro em estudo podem ser visualizadas a partir da expansão de construção de imóveis e pontos comerciais, bem como do aumento significativo da verticalização. Na Figura 8, apresenta-se a configuração atual do bairro.

Fonte: Trabalho de campo (2014).

Figura 8 - Visualização parcial do bairro Nossa Senhora das Dores, em Santa Maria, Rio Grande do Sul (visão sudoeste, a partir do Residencial Royal) 

Dessa forma, por intermédio das entrevistas e dos relatos informais dos moradores, constatou-se que estes percebem as inúmeras transformações ocorridas na paisagem do bairro. No que tange às alterações materiais, pode-se citar o aumento de edifícios (e, como consequência, o aumento no fluxo de pessoas e de veículos), de estabelecimentos comerciais, de infraestrutura etc. Já em relação às alterações de caráter imaterial, destacam-se a perda de vivência em comunidade (valores culturais e sociais) e a diminuição da tranquilidade, que, inicialmente, era característica do bairro. Ainda quanto ao caráter imaterial, os entrevistados que residem no bairro desde a sua origem salientam a relação de pertencimento e de afetividade com o lugar, evidenciada nos relatos acerca das lembranças de infância (época em que “[...] nadavam nos rios, subiam nas árvores, participavam de festas na Paróquia e no Clube”).

Considerações

É possível afirmar que o desenvolvimento socioeconômico do bairro Nossa Senhora das Dores ocorreu devido à contribuição das famílias italianas que residem até hoje no local, as quais foram responsáveis pela inserção do comércio, pela construção de residências, pela venda de terrenos para a construção de grandes empreendimentos, como o Royal Plaza Shopping, e pela expansão do Clube Dores (estabelecimento do qual até hoje participam na administração). Observa-se, assim, a presença de transformações físicas e socioeconômicas, correspondentes à dinâmica espacial do processo de urbanização, sobretudo às ações dos agentes transformadores do espaço urbano, que resultaram em diversos empreendimentos. É importante ressaltar ainda que essas transformações alteraram a estrutura do bairro, tendo ocorrido, principalmente, pela especulação do comércio e serviços e pela especulação imobiliária, principalmente com os condomínios verticais e com a instalação do Royal Plaza Shopping, o que ocasionou a valorização dos imóveis locais, reconfigurando o espaço.

Nota-se também o impacto das alterações da paisagem urbana na vida de seus habitantes, já que os moradores tradicionais sentem falta de quando o bairro era calmo. Apesar de, antigamente, configurar-se como um dos principais pontos de movimento do comércio, não pode ser comparado com o tráfego nos últimos anos, que aumentou consideravelmente. Os moradores recentes, em contrapartida, gostam da atual configuração do bairro, pois entendem que as alterações deram “vida” ao local, trazendo atrativos nos finais de semana e estabelecimentos diversos, como padarias, farmácias, cinema, escolas etc.

Partindo das considerações expostas, é possível afirmar que o bairro Nossa Senhora das Dores passou por transformações na paisagem, tanto de caráter material quanto imaterial, tornando-se relevante para o município, uma vez que vem gerando empregos e movimentando a economia. Apesar de tais mudanças, algumas características ainda são preservadas, principalmente pelos moradores antigos, que permanecem vinculados ao bairro, fortalecendo a identidade local.

1Conceito expresso por Milton Santos (2002, p. 26) de que o espaço geográfico constitui “[...] um sistema de objetos e um sistema de ações que é formado por um conjunto indissociável, solidário e também contraditório, de sistemas de objetos e sistemas de ações, não considerados isoladamente, mas como um quadro único na qual a história se dá. No começo era a natureza selvagem, formada por objetos naturais, que ao longo da história vão sendo substituídos por objetos fabricados, objetos técnicos, mecanizados e, depois, cibernéticos fazendo com que a natureza artificial tenda a funcionar como uma máquina”.

Referências

Cabral, L. O. (2000). A paisagem enquanto fenômeno vivido. Geosul, 15(30), 34-45. [ Links ]

Carlos, A. F. A. (1992). A cidade (1. ed.). São Paulo: Contexto. [ Links ]

Castro, I. E., Gomes, P. C. C., & Corrêa, R. L. C. (2000). Geografia: conceitos e temas (2. ed.). Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. [ Links ]

Cavalheiro, F. (1991). Urbanização e alterações ambientais. In S. M. Tauk. Análise ambiental: uma visão multidisciplinar (1. ed., p. 88-100). São Paulo: Universidade Estadual Paulista. [ Links ]

Centro Histórico Coronel Pillar. (2014). Arquivos históricos. Santa Maria: Comando Regional da Brigada Militar de Santa Maria. [ Links ]

Christofoletti, A. (1979). Análise de sistemas em geografia. São Paulo: Hucitec. [ Links ]

Clube Dores. (1985). Acervo histórico. Santa Maria: Clube Dores. [ Links ]

Clube Dores. (2005). Acervo histórico. Santa Maria: Clube Dores. [ Links ]

Cosgrove, D. (1984). Social formation and symbolic landscape. Londres: Croom Helm. [ Links ]

Google. (2015). Google Earth. Recuperado em 20 de março de 2015, de http://earth.google.comLinks ]

Guimarães, S. T. L. (2002). Reflexões a Respeito da Paisagem Vivida, Topofilia e Topofobia à Luz dos Estudos sobre Experiência, percepção e Interpretação Ambiental. Geosul, 17(33), 117-141. [ Links ]

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. (2015a). Dados SIDRA. Rio de Janeiro: IBGE. Recuperado em 9 de setembro de 2015, de http://www.sidra.ibge.gov.brLinks ]

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. (2015b). Shapes do Brasil, Rio Grande do Sul e Santa Maria. Rio de Janeiro: IBGE. Recuperado em 20 de maio de 2015, de http://downloads.ibge.gov.br/downloads_geociencias.htmLinks ]

Jornal “A Razão” (1999, 2 de fevereiro). Dores, um bairro residencial tranquilo (p. 10). Santa Maria. [ Links ]

Landim, P. C. (2003). Desenho de paisagem urbana: as cidades do interior paulista (1. ed.) São Paulo: Universidade Estadual de São Paulo. [ Links ]

Moreira, R. (1988). Repensando a geografia. In M. Santos. Novos rumos da geografia brasileira. São Paulo: Hucitec. [ Links ]

Paróquia Nossa Senhora das Dores. (2006). Acervo histórico. Santa Maria: Paróquia Nossa Senhora das Dores. [ Links ]

Royal Plaza Shopping. (2014). Acervo fotográfico. Santa Maria: Royal Plaza Shopping. [ Links ]

Sanguin, A. L. (1981). La géographie humaine ou L’approche phénoménologique des lieux, des paysages et des espaces. Annales de Geographie, 90(501), 560-587. http://dx.doi.org/10.3406/geo.1981.20040. [ Links ]

Santa Maria. Prefeitura Municipal. (1960). Acervo histórico municipal. Santa Maria. [ Links ]

Santa Maria. Prefeitura Municipal. (1986). Lei nº 2.770, de 2 de julho de 1986. Altera o perímetro urbano, limites distritais e dispõe sobre as denominações de bairros urbanos de Santa Maria. Santa Maria: Lex. Recuperado em 15 de dezembro de 2014, de http://www.camara-sm.rs.gov.br/camara/print_pdf/lei-ordinaria/1986/277/2770/lei-ordinaria-n-2770-1986-altera-o-perimetro-urbano-limites-distritais-e-dispoe-sobre-as-denominacoes-de-bairros-urbanos-de-santa-mariaLinks ]

Santa Maria. Prefeitura Municipal. (2015). Mapa da divisão urbana de Santa Maria. Santa Maria. Recuperado em 15 de março de 2015, de http://www.santamaria.rs.gov.br/?secao=downloadsLinks ]

Santos, M. (2002). A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. São Paulo: Universidade de São Paulo. [ Links ]

Schmidt, L. P., Mendes, C. M., & Kohler, V. B. (2000). Algumas transformações intra-urbanas no Bairro Nossa Senhora das Dores - Santa Maria-RS. Boletim Geografico, 18, 29-47. [ Links ]

Sposito, E. S. (2002). Pequenas argumentações para uma temática complexa. In F. Mendonça & S. Kosel. (Eds.), Elementos de epistemologia da geografia contemporânea. Curitiba: UFPR. [ Links ]

Tuan, Y.-F. (1983). Espaço e lugar: a perspectiva da experiência. São Paulo: Difel. [ Links ]

Vieira, M. L. (1998). Paisagem urbana e rural. In Encontro sobre o Estudo da Paisagem (p. 87-88, Cadernos Paisagem/Paisagens). Rio Claro: UNESP. [ Links ]

Recebido: 08 de Junho de 2015; Aceito: 01 de Outubro de 2015

VRP é mestra em Geografia, e-mail: vivianerpires@hotmail.com

APA é professor do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico/IF Farroupilha; doutorando no Programa de Pós-graduação em Geografia/UFSM, e-mail: alcionir@iffarroupilha.edu.br

ALPA é mestra em Geografia, e-mail: analuizapintoalves@gmail.com

BCD é mestranda do Programa de Pós-graduação em Geografia – PPGGeo/UFSM, e-mail: brunadotto23@gmail.com

DRZ é mestra; doutoranda no Programa de Pós-graduação em Geografia – PPGGeo/UFSM, e-mail: djuliaziemann@gmail.com

TSS é mestre em Geografia, e-mail: thales.souto@hotmail.com

Creative Commons License Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.