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Rodriguésia

Print version ISSN 0370-6583On-line version ISSN 2175-7860

Rodriguésia vol.70  Rio de Janeiro  2019  Epub June 19, 2019

http://dx.doi.org/10.1590/2175-7860201970029 

Artigo Original

Flora do Ceará, Brasil: Solanum (Solanaceae)

Flora of Ceará, Brazil: Solanum (Solanaceae)

Valéria da Silva Sampaio1  3 

Ingridd Mota Fernandes Vieira2 

Ednardo Almeida Lima Júnior2 

Maria Iracema Bezerra Loiola1  2 

1Universidade Federal do Ceará, Depto. Biologia, Prog. Pós-graduação em Ecologia e Recursos Naturais, Bl. 906, Campus do Pici Prof. Prisco Bezerra, Av. Humberto Monte s/n, Pici, 60440-900, Fortaleza, CE, Brasil.

2Universidade Federal do Ceará, Depto. Biologia, Herbário Prisco Bezerra (EAC), Bl. 906, Campus do Pici, Av. Humberto Monte s/n, Pici, 60440-900, Fortaleza, CE, Brasil.


Resumo

Neste trabalho é apresentado o levantamento dos representantes de Solanum (Solanaceae) como parte do projeto “Flora do Ceará”. Estudos morfológicos, coletas e observações de campo foram realizados. As identificações foram baseadas em bibliografia especializada, complementada pela análise de coleções de herbários nacionais e internacionais, incluindo espécimes-tipo. No Ceará, Solanum está representado por 31 espécies, das quais 26 ocorrem em Unidades de Conservação, e dez táxons são novos registros. Chave de identificação, comentários, ilustrações e imagens das espécies são fornecidas.

Palavras-chave: distribuição; florística; Nordeste do Brasil; Solanales

Abstract

This work presents a survey of Solanum (Solanaceae), as part of the project “Flora of Ceará”. Morphological studies, collections and field observations were performed. Identifications were based on specialized bibliography, complemented by the analysis of collections of brazilian and international herbaria including types specimens. In Ceará Solanum is represented by 31 species, 26 of which occur in protected areas, and ten taxa are new records. Identification key, comments, illustrations and images of the species are provided.

Key words: distribution; floristic; Northeastern Brazil; Solanales

Introdução

Solanaceae é uma família subcosmopolita compreendendo cerca de 100 gêneros e 2.500 espécies, porém é mais diversa na região Neotropical (Olmstead 2013). A América do Sul contém o maior número de espécies e gêneros de Solanaceae, sendo considerado um dos principais centros de diversidade taxonômica e endemismo (D’Arcy 1991). Mais da metade das espécies da família pertencem a apenas cinco gêneros, Capsicum L., Cestrum L., Lycianthes (Dunal) Hassl., Physalis L. e Solanum L., sendo o último, o maior e mais diversificado morfologicamente (Knapp 2008).

Solanum é constituído por cerca de 1.400 espécies, e está entre os dez gêneros de plantas com flores com maior número de espécies do mundo (Frodin 2004). Seus representantes estão distribuídos em todos os continentes de regiões tropicais e temperadas, ocupando diferentes habitats, e apresentando várias formas de crescimento, desde ervas até arbustos, árvores ou lianas (Knapp 2008). É caracterizado em geral pelo perianto e androceu pentâmeros, anteras de deiscência poricida, ovário bicarpelar e frutos do tipo baga (Solanaceae Source 2018).

No Brasil, Solanum está representado por 283 espécies aceitas, sendo 138 endêmicas, tendo a Mata Atlântica como um dos biomas de grande diversidade do gênero (BFG 2018). É um grupo que também se destaca pela importância econômica, com várias espécies amplamente utilizadas na alimentação como a batata-inglesa (S. tuberosum L.), o tomate (S. lycopersicum Mill.) e a berinjela (S. melongena L.). Os representantes do gênero Solanum também são conhecidos por produzirem alcalóides esteroidais (Roddick 1986), uma grande variedade de saponinas (Nakamura et al. 2008; Zhou et al. 2006) e glicoalcalóides (Hall et al. 2006; Distl & Wink 2009).

No Nordeste do Brasil o gênero Solanum está representado por 110 espécies. Dentre essas, 15 são endêmicas da região e 34 ocorrem na Caatinga. Esse bioma abriga um considerável número de espécies endêmicas, das quais seis pertencem ao gênero Solanum (BFG 2018). Cerca de 92% do território do Ceará está inserido na Caatinga, um dos biomas menos estudados do Brasil quanto aos seus aspectos de diversidade biológica (Silva et al. 2003).

Nas últimas décadas, vários estudos florísticos regionais e locais registraram espécies da família Solanaceae e representantes do gênero Solanum no Brasil, especialmente para o Nordeste (Agra et al. 2004, 2009; Barbosa et al. 2004; Agra 2006, 2009; Barbosa et al. 2011; Sampaio 2013; Alves et al. 2015), mas também para outras regiões do País (Augusto & Edésio 1943; Rambo 1961; Smith & Downs 1964, 1966; Carvalho 1985, 1996, 1997a,b; Barbará & Carvalho 1996; Carvalho et al. 2001; Mentz et al. 2007; Mentz & Oliveira 2004; Soares et al. 2011; Lima et al. 2014). Há ainda trabalhos em escala mais ampla focados na diversidade e distribuição das “espécies espinhosas” de Solanum (Agra 1999, 2007); revisões de táxons infragenéricos (Carvalho 1996; Agra 2000; Stern et al. 2013; Gouvêa 2016); e várias espécies novas descritas nos últimos cinco anos (Giacomin et al. 2013; Giacomin & Stehmann 2014; Knapp et al. 2015; Sampaio & Agra 2016; Sampaio et al. 2016; Agra & Stehmann 2016; Stehmann & Moreira 2016; Gouvêa & Stehmann 2016).

Para o Ceará, estudos que tratam a taxonomia do gênero Solanum são inexistentes. Na literatura existem apenas publicações sobre constituintes químicos de espécies do gênero (Torres et al. 2013; Pinto et al. 2011, 2013) e listagens de espécies (Costa et al. 2004; Ribeiro-Silva et al. 2012; Loiola et al. 2015). Assim, o presente estudo tem como objetivo registrar e descrever a diversidade e atualizar a distribuição geográfica dos representantes de Solanum no estado do Ceará, como parte do projeto Flora do Ceará.

Material e Métodos

Expedições de campo foram realizadas no período de março de 2014 a maio de 2017 em alguns municípios do estado do Ceará, com diferentes tipos de vegetação, no litoral (Tabuleiros costeiros), Maciço de Baturité, Serras da Ibiapaba, Maranguape, Meruoca e das Matas. Nesta etapa, foram feitas coletas e observações relativas à morfologia, fenologia e ecologia das espécies de Solanum. As amostras obtidas durante as coletas foram processadas seguindo as técnicas usuais (Mori et al. 1989) e incorporadas ao acervo do herbário Prisco Bezerra (EAC) da Universidade Federal do Ceará.

Neste trabalho, foram usadas amostras frescas e espécimes herborizados pertencentes aos herbários EAC, ESA, HUEFS, HUFU, HUVA, JPB, K, MO, NY, RB, UFP, UFRN, UFRPE e US, cujas siglas estão de acordo com Thiers (continuamente atualizado). As identificações foram feitas com base em bibliografias especializadas (Sendtner 1846; Nee 1991a,b; Whalen 1984; Carvalho 1996; Agra 1999, 2004, 2008; Knapp 2002; Mentz & Oliveira 2004; Agra et al. 2009; Knapp et al. 2015). As descrições das espécies foram baseadas principalmente em espécimes coletados em diferentes municípios cearenses e, quando necessário, foram complementadas com dados da obra original. Optou-se pela citação de somente um representante para cada município no material selecionado após cada descrição, sendo ordenados pela ordem alfabética. Ressalta-se que somente as espécies nativas foram descritas. Espécies exóticas, cultivadas e subespontâneas não foram descritas no presente trabalho, porém foram incluídas na chave de identificação, nos comentários e material examinado, são elas: S. jamaicense Mill., S. seaforthianum Andr., S. sisymbriifolium Lam. e S. torvum Sw.

A terminologia morfológica está de acordo com Radford (1974) e Gonçalves & Lorenzi (2011); os tipos de tricomas com Mentz et al. (2000); o tipo de unidade simpodial com Danert (1967); e a expressão sexual e tipos de inflorescências com Whalen (1984). A lâmina foliar foi mensurada do ponto de inserção do pecíolo até o ápice e a largura na porção mais larga. O pecíolo foi mensurado da axila da folha até o seu ponto de inserção na lâmina. Considerou-se o pedúnculo o eixo que parte do ramo até a inserção do primeiro pedicelo ou cicatriz. As flores foram mensuradas a partir do diâmetro da corola e cálice, ambas abertas. Os nomes dos táxons estão de acordo com o The International Plant Names Index (IPNI 2018).

Para a classificação da vegetação seguimos o Manual Técnico da Vegetação Brasileira do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE 2012) referente a região florística nordestina: Savana (Cerrado), Savana estépica (Caatinga/Carrasco), Floresta estacional decidual (Mata seca), Floresta ombrófila (Mata úmida) e Floresta estacional semidecidual das terras baixas (Mata de tabuleiro). A distribuição geográfica das espécies baseou-se em Menezes et al. (2013), seguindo o sistema de quadrículas georreferenciadas (Fig. 1). Já a fenologia das espécies foi complementada com material suplementar (Apêndice 1, disponibilizada no link <https://doi.org/10.6084/m9.figshare.8178806.v1>).

Figura 1 A1-K6. Divisão política do estado do Ceará com grade de coordenadas de meio grau (Menezes et al. 2013). 

Figure 1 A1-K6. Political division of the state of Ceará with a half degree grid (Menezes et al. 2013). 

Resultados e Discussão

Solanum está representado no Ceará por 31 espécies (Tabela 1). Em território cearense, as espécies estão amplamente distribuídas desde o nível do mar até altitudes acima de 700 metros. Foram registradas em diferentes tipos vegetacionais: Savana, Savana estépica, bordas e interior de Floresta estacional semidecidual de terras baixas, Floresta estacional decidual, Floresta ombrófila, além de ambientes antropizados como margens de estradas e pasto. Dentre as espécies, destaca-se uma recém descrita caracterizada pela presença de nectário extrafloral, caráter incomum para o gênero, além de dez novos registros encontrados. Das espécies tratadas, 26 espécies são registradas em Unidades de Conservação (UC) do Ceará (Tabela 1).

Tabela 1 Lista de espécies de Solanum encontradas no estado do Ceará destacando os novos registros (NR), ocorrência em UC, tipo de vegetação e quadrículas georreferenciadas 

Table 1 List of Solanum species found in the state of Ceará with new records (NR), occurrence in UC, vegetation types and georeferenced squares. 

Espécies NR Ocorrência em UC Tipo de vegetação Quadrículasgeorreferenciadas
S. absconditum APA Chapada do Araripe,
Estação Ecológica de Aiuaba,
Flona do Araripe, RPPN Serra
das Almas
Savana, Savana estépica,
Floresta estacional decidual
F2, I2, I3,
J4, J5
S. acerifolium APA Serra da Aratanha,
APA Serra do Baturité,
Flona do Araripe
Floresta ombrófila D6, J4, J5
S. agrarium Savana estépica,
Floresta estacional semidecidual
de terras baixas
C2, C6, I3,
I5, I6
S. americanum APA Serra da Aratanha,
APA Serra do Baturité,
APA Serra da Meruoca,
Estação Ecológica de Aiuaba
Áreas ruderais, Savana estépica,
Floresta estacional decidual,
Floresta estacional semidecidual
de terras baixas
C3, C6, I2,
I3, J4, J5
S. asperum APA Serra do Baturité,
APA Serra da Meruoca,
Parque Nacional de Ubajara
Savana estépica, Floresta ombrófila,
Floresta estacional decidual
C3, D6, G2
S. caavurana APA Serra da Aratanha,
APA Serra do Baturité
Floresta ombrófila D5, D6
S. campaniforme APA Serra do Baturité,
Flona do Araripe,
Parque Nacional de Ubajara
Savana, Floresta ombrófila D6, J5
S. capsicoides Savana estépica D3, D4
S. crinitum APA Serra da Ibiapaba,
Flona do Araripe
Savana, Floresta estacional decidual,
Floresta estacional semidecidual
de terras baixas
B4, C4, D1,
D2, J4, J5
S. fernandesii Áreas ruderais,
Floresta estacional semidecidual
de terras baixas
C6
S. incarceratum X APA Serra da Ibiapaba Floresta ombrófila D1, D2
S. jabrense APA Serra do Baturité Floresta estacional decidual D6
S. jamaicense APA Serra da Ibiapaba Áreas ruderais C1, C2, C6
S. jussiaei X APA Serra do Baturité Floresta ombrófila,
Floresta estacional decidual
C6, D6
S. leucocarpon X APA Serra da Ibiapaba Floresta ombrófila D2
S. maranguapense APA Serra da Aratanha Floresta ombrófila D6
S. megalonyx X APA Serra do Baturité Floresta ombrófila,
Floresta estacional decidual
D6, E3
S. melissarum X APA Serra do Baturité Floresta ombrófila D6
S. orbignianum X APA Serra da Meruoca Floresta estacional decidual C2, C3
S. palinacanthum APA Chapada do Araripe Áreas ruderais, Savana,
Savana estépica
C6, D6, H4, I5,
I6, J5
S. paludosum APA do Pecém,
APA Serra da Ibiapaba
Floresta estacional decidual,
Floresta estacional semidecidual
de terras baixas
C1, C2, C5,
C6, D7
S. paniculatum APA Chapada do Araripe,
APA Serra da Ibiapaba,
APA Serra da Meruoca,
APA Serra do Baturité,
Estação Ecológica de Aiuaba,
Parque Nacional de Ubajara
Savana estépica, Floresta ombrófila,
Floresta estacional decidual,
Floresta estacional semidecidual
de terras baixas
C2, C3, C5,
C6, D1, D2,
D5, D6, I3,
J4, J5
S. rhytidoandrum APA Serra da Ibiapaba,
APA Serra da Meruoca,
Estação Ecológica de Aiuaba,
Flona do Araripe,
Parque Nacional de Ubajara
Savana estépica, Savana,
Floresta ombrófila,
Floresta estacional decidual
C3, C4, D5,
D6, I3, J4,
J5
S. robustum APA Serra do Baturité,
APA Serra da Ibiapaba
Floresta ombrófila,
Floresta estacional decidual
C1, D6, E4
S. seaforthianum X APA Chapada do Araripe Áreas ruderais J4
S. sisymbriifolium X Áreas ruderais A2
S. stenandrum APA Serra da Ibiapaba Savana estépica C1, C2
S. stipulaceum Flona do Araripe,
APA Serra da Ibiapaba
Savana, Savana estépica,
Floresta ombrófila
C1, D1, D2,
F2, G2, I3,
J4, J5
S. swartzianum X APA Serra do Baturité Floresta estacional decidual D6
S. torvum X Áreas ruderais C6
S. uncinellum APA Serra do Baturité Floresta estacional decidual D6

Tratamento taxonômico

Solanum L., Sp. Pl. 1: 184-188. 1753. Figs. 2; 3; 4

Figura 2 a-c. Solanum absconditum - a. ramo; b. frutos; c. semente. d-h. Solanum acerifolium - d. ramo; e. indumento da face adaxial; f. indumento da face abaxial; g. fruto; h. semente. i-k. Solanum caavurana - i. ramo; j. inflorescência; k. frutos. l-m. Solanum campaniforme - l. ramo; m. frutos. [a. I.R. Costa 22; L.W. Lima-Verde 1518; b-c. F.S. Cavalcanti & E. Silveira (EAC 24711); d-h. E.R. Silveira (EAC 47152); i-k. V.S. Sampaio et al. 106; l-m. F.S. Cavalcanti 5968]. 

Figure 2 a-c. Solanum absconditum - a. branch; b. fruits; c. seed. d-h. Solanum acerifolium - d. branch; e. indument on the adaxial surface; f. indument on the abaxial surface; g. fruit; h. seed. i-k. Solanum caavurana - i. branch; j. inflorescence; k. fruits. l-m. Solanum campaniforme - l. branch; m. fruits. [a. I.R. Costa 22; L.W. Lima-Verde 1518; b-c. F.S. Cavalcanti & E. Silveira (EAC 24711); d-h. E.R. Silveira (EAC 47152); i-k. V.S. Sampaio et al. 106; l-m. F.S. Cavalcanti 5968]. 

Figura 3 a-n. Solanum do Ceará - a. Solanum agrarium; b. Solanum americanum; c. Solanum crinitum; d-e. Solanum fernandesii; f. Solanum incarceratum; g. Solanum leucocarpon; h. Solanum megalonyx; i. Solanum melissarum; j-k. Solanum orbignianum; l. Solanum paludosum; m. Solanum rhytidoandrum; n. Solanum robustum. (a. MIB Loiola; c. FRS Tabosa; f-g. LJ Leitão; i. R Moura; j-l. EB Souza). 

Figure 3 a-n. Solanum of Ceará - a. Solanum agrarium; b. Solanum americanum; c. Solanum crinitum; d-e. Solanum fernandesii; f. Solanum incarceratum; g. Solanum leucocarpon; h. Solanum megalonyx; i. Solanum melissarum; j-k. Solanum orbignianum; l. Solanum paludosum; m. Solanum rhytidoandrum; n. Solanum robustum. (a. MIB Loiola; c. FRS Tabosa; f-g. LJ Leitão; i. R Moura; j-l. EB Souza). 

Figura 4 a-b. Solanum jussiaei - a. ramo; b. fruto. c-e. Solanum maranguapense - c. ramo; d. indumento da face adaxial; e. frutos. f-g. Solanum palinacanthum - f. ramo; g. semente. h. Solanum robustum - ramo. i. Solanum stipulaceum - ramo. j-l. Solanum uncinellum - j. ramo; k. tricoma dendrítico; l. flor. [a-b. E. Silveira (EAC 44991); c-e. P. Bezerra (EAC 802); f-g. A. Fernandes (EAC 13213); h. A.S.F. Castro 2321; i. F.S. Cavalcanti 56; F.S. Araújo 265; j-l. A. Fernandes & Matos (EAC 4044)]. 

Figure 4 a-b. Solanum jussiaei - a. branch; b. fruit. c-e. Solanum maranguapense - c. branch; d. indument on the adaxial surface; e. fruits. f-g. Solanum palinacanthum - f. branch; g. seed. h. Solanum robustum - branch. i. Solanum stipulaceum - branch. j-l. Solanum uncinellum - j. branch; k. dendritic trichome; l. flower. [a-b. E. Silveira (EAC 44991); c-e. P. Bezerra (EAC 802); f-g. A. Fernandes (EAC 13213); h. A.S.F. Castro 2321; i. F.S. Cavalcanti 56; F.S. Araújo 265; j-l. A. Fernandes & Matos (EAC 4044)]. 

Arvoretas, arbustos, subarbustos, ervas ou lianas; ramos com ou sem pseudoestípulas, glabros, tomentosos, hirsutos, escabros ou velutinos com uma variedade de tricomas simples, glandulares, estrelados e ramificados. Unidade simpodial difoliada, trifoliada, difoliada geminada ou plurifoliada. Folhas alternas, simples, pinadas ou compostas, solitárias ou geminadas (em pares), inermes (sem acúleos) ou aculeadas, inteiras, lobadas, às vezes onduladas ou repandas, pecioladas, sésseis ou aladas, nectários extraflorais raramente presentes, com ou sem domácias. Inflorescência cimeira monocasial simples (não ramificada) ou ramificada, axilar, extra-axilar, terminal ou opositifolia. Flores geralmente monoclinas, algumas vezes com flores estaminadas, actinomorfas, pentâmeras. Cálice em geral campanulado, 5-lobado, às vezes acrescente no fruto, inerme ou aculeado, raramente cerdoso. Corola estrelada, rotácea, alva, lilás, cerúlea, violácea, amarelo ou esverdeada; estames 5, geralmente do mesmo tamanho, conectivo giboso ou não, anteras oblongas ou lanceoladas, geralmente iguais no tamanho, amarelas em sua maioria, deiscência poricida. Baga globosa, ovoide ou elipsoide, epicarpo glabro a hirsuto, pedicelo frutífero expandido no ápice ou não, constrito ou não, lenhoso ou não, lenticelado ou não; sementes numerosas, reniformes, subreniformes, suborbiculares ou ovais.

Chave de identificação das espécies de Solanum ocorrentes no estado do Ceará

  • 1. Plantas inermes; anteras oblongas ou atenuadas em direção ao ápice, se atenuadas então com o conectivo giboso, proeminente 2

    • 2. Flores com anteras arroxeadas com conectivo giboso; baga elipsoide..... 18. Solanum melissarum

    • 2’. Flores com anteras amarelas; bagas globosas........................................................................................ 3

      • 3...... Ramos e folhas com tricomas simples unisseriados e/ou dendríticos; epicarpo glabro.......... 4

        • 4...... Unidade simpodial difoliada ou trifoliada.............................................................................. 5

          • 5...... Erva; anteras com até 2 mm compr........................................ 4. Solanum americanum

          • 5’.... Arbustos; anteras acima de 2 mm compr....................................................................... 6

            • 6...... Cálice com lobos ovoides, agudos, acrescente nas bagas................................................. 6. Solanum caavurana

            • 6’..... Cálice com lobos curto-triangulares, apiculados, não acrescente nas bagas. 7

              • 7...... Lâmina foliar 1,9-12,1 × 1,1-3,8 cm, elíptica a estreito elíptica, não diferindo em forma em um mesmo nó, apenas em tamanho.......................................................................................................... 7. Solanum campaniforme

              • 7’.... Lâmina foliar 5,8-23 × 3,8-9,5 cm, diferindo em forma e tamanho em um mesmo nó, sendo a maior elíptica e menor orbicular................................................................................................................. 15. Solanum leucocarpon

        • 4’..... Unidade simpodial plurifoliada................................................................................................ 8

          • 8...... Inflorescência não ramificada; estames iguais; pedicelo frutífero lenticelado.......................... 19. Solanum orbignianum

          • 8’.... Inflorescência ramificada; estames desiguais; pedicelo frutífero não lenticelado.. 9

            • 9...... Botões globosos; corola de lobos oblongos [subespontânea]......................................... 25. Solanum seaforthianum

            • 9’..... Botões elipsoides; corola de lobos lanceolados....... 31. Solanum uncinellum

      • 3’.... Ramos e folhas com tricomas estrelados multiangulados, porrecto-estrelados, peltados ou equinados; epicarpo pubescente a tomentoso.......................................................................................................................................... 10

        • 10.... Inflorescência não ramificada, monocasial, oposta às folhas........................................... 11

          • 11.... Ramos e folhas com tricomas lepidotos; cálice frutífero acrescente, envolvendo completamente a baga 29. Solanum swartzianum

          • 11’.. Ramos e folhas com tricomas porrecto-estrelados; cálice frutífero não acrescente, ou ocasionalmente acrescente, envolvendo parcialmente a baga..................................................................................................... 16. Solanum maranguapense

        • 10’... Inflorescência ramificada, dicasial, terminal......................................................................... 12

          • 12. Face adaxial das folhas com tricomas estrelados multiangulados, porrecto-estrelados, e raros equinados, sésseis e pedicelados; sementes 2,5-3 × 2-2,5 mm............................................................................. 28. Solanum stipulaceum

          • 12’. Face adaxial das folhas com tricomas porrecto-estrelados, sésseis; sementes 1,8-2 × 1-1,2 mm................... 5. Solanum asperum

  • 1’. Plantas aculeadas; anteras atenuadas em direção ao ápice......................................................................... 13

    • 13. Unidade simpodial difoliada.................................................................................................................... 14

      • 14.... Ramos com tricomas glandulares e simples unisseriados, raros estrelados............................ 15

        • 15.... Pecíolos com nectário extrafloral; lâminas com margem serreada........................................................ 10. Solanum fernandesii

        • 15’... Pecíolos sem nectários extraflorais visíveis; lâminas com margem inteira, lobada ou partida 16

          • 16.... Lâmina com margem partida, serreada; flores com corola rotácea [subespontânea]............... 26. Solanum sisymbriifolium

          • 16’.. Lâminas inteiras e/ou lobadas; flores com corola estrelada..................................... 17

            • 17’... Cálice frutífero acrescente, envolvendo parcialmente ou completamente a baga 18

              • 18.... Cálice com lobos lineares.................................. 11. Solanum incarceratum

              • 18’.. Cálice com lobos estreitamente triangulares..... 27. Solanum stenandrum

            • 17’... Cálice frutífero não acrescente............................................................................. 19

              • 19.... Corola com lobos lanceolados...................... 20. Solanum palinacanthum

              • 19’.. Corola com lobos estreitamente triangulares............................................ 21

                • 20.... Acúleos cônicos e recurvos nos ramos; sementes subreniformes a reniformes 3. Solanum agrarium

                • 20’.. Acúleos aciculares nos ramos; sementes suborbiculares..... 22

                  • 21.... Baga com 0,7-1,5 cm diâm., epicarpo branco com máculas verde-escuras na maturidade......................................................... 2. Solanum acerifolium

                  • 21’... Baga 1,5-2,1 cm diâm., epicarpo vermelho a laranja na maturidade 8. Solanum capsicoides

      • 14’.. Ramos com apenas tricomas estrelados........................................................................................ 23

        • 22.... Lâmina não decurrente no pecíolo; corola rotácea, cerúlea; baga 2,8-3,1 cm diâm.......................... 9. Solanum crinitum

        • 22’... Lâmina decurrente até a base do pecíolo; corola estrelada, alva; bagas 0,5-2 cm diâm.................. 24

          • 23.... Face adaxial predominantemente de tricomas porrecto-estrelados, sésseis; epicarpo tomentoso 24. Solanum robustum

          • 23’.. Face adaxial com tricomas porrecto-estrelados, pedicelados; epicarpo glabro [subespontânea] 13. Solanum jamaicense

    • 13’. Unidade simpodial plurifoliada................................................................................................................ 25

      • 24.... Ramos e folhas com tricomas estrelados, eglandulares; epicarpo glabro................................ 26

        • 25.... Cálice com tricomas estrelados.................................................... 22. Solanum paniculatum

        • 25’... Cálice com tricomas simples glandulares [subespontânea].............. 30. Solanum torvum

      • 24’.. Ramos e folhas com tricomas glandulares e estrelado-glandulares, ou apenas estrelados, glandulares e eglandulares; epicarpo tomentoso.......................................................................................................................................... 27

        • 26.... Inflorescência ramificada.......................................................... 23. Solanum rhytidoandrum

        • 26’... Inflorescência não ramificada................................................................................................ 28

          • 27.... Epicarpo com tricomas glandulares.............................................................................. 29

            • 28.... Ramos com acúleos aciculares; folhas aculeadas, com densos acúleos aciculares 12. Solanum jabrense

            • 28’... Ramos com acúleos recurvos; folhas aculeadas, com esparsos acúleos aciculares 17. Solanum megalonyx

          • 27’.. Epicarpo com tricomas glandulares e estrelado-glandulares, ou apenas estrelados............... 30

    • 29.... Cálice com lobos curto-triangulares, apiculados; baga de 4-6 cm diâm.; pedicelo frutífero lenhoso...................... 14. Solanum jussiaei

    • 29’. Cálice com lobos estreitamente triangulares, agudos; bagas de 1-1,5 cm diâm.; pedicelo frutífero não lenhoso 31

      • 30. Pedúnculo 0,5-3,8 cm compr.; corola com lobos triangulares a estreitamente triangulares............................. 1. Solanum absconditum

      • 30’. Pedúnculo 4-9 mm compr.; corola com lobos lanceolados......................... 21. Solanum paludosum

1. Solanum absconditumAgra, Syst. Bot. 33(3): 556. 2008. Fig. 2a-c

Arbusto aculeado de até 2 m alt.; acúleos 1-5 mm compr., recurvos; ramos esparso-pubescentes, pubescentes, tomentosos e/ou hirsutos, com tricomas porrecto-estrelados glandulares, sésseis. Unidade simpodial plurifoliada. Folhas solitárias, inermes ou aculeadas, acúleos cônicos, esparsos; pecíolo 0,5-3,5 cm compr., cilíndrico, sem nectário extrafloral; lâmina 3-16 × 2-11 cm, elíptica ou cordiforme, ápice agudo a acuminado, base assimétrica, obtusa ou cordada, margem inteira ou repanda; face adaxial tomentosa, velutina, com tricomas porrecto-estrelados glandulares, sésseis, face abaxial tomentosa, velutina, com tricomas estrelados e multiangulados, ambos glandulares, sésseis a pedicelados. Inflorescência não ramificada, terminal e extra-axilar; pedúnculo 0,5-3,8 cm compr.; pedicelo 0,3-0,7 cm compr. Botões elipsoides. Flores monoclinas e estaminadas; cálice 8-12 mm diâm., infundibuliforme, lobos estreitamente triangulares, agudos, com tricomas estrelado-glandulares; corola 2,5-4,5 cm diâm., estrelada, lilás ou violácea, lobos triangulares a estreitamente triangulares; estames iguais, anteras 7-10 mm compr., lanceoladas, amarelas. Baga globosa, 1-1,5 cm diâm., epicarpo pubescente a tomentoso, com tricomas glandulares e estrelado-glandulares, variegado, verde; pedicelo frutífero 0,5-1,5 cm compr., não lenhoso, não lenticelado; cálice frutífero não acrescente, inerme. Sementes subreniformes a reniformes, 2,5-3 × 2-2,8 mm, não aladas.

Material selecionado: Aiuaba, Estação Ecológica de Aiuaba, 5.VI.1997, fl., E.O. Barros & M.M.A. Souza 132 (EAC). Araripe, 17.VII.1994, fl., F.S. Pinto 284 (EAC). Barbalha, 28.X.2014, fl., L.D. Meireles et al. 1115 (EAC). Crateús, RPPN Serra das Almas, 18.VII.2001, fl. e fr., M.S. Sobrinho 274 (EAC). Crato, FLONA do Araripe, 24.VI.1999, fl., L.W. Lima-Verde 1518 (EAC).

Espécie caracterizada por apresentar folhas elípticas ou cordiformes com tricomas estrelado-glandulares e cálice infundibuliforme. Possui similaridade com S. paludosum. No entanto, S. absconditum possui face adaxial tomentosa (vs. face adaxial esparso-pubescente) e corola com lobos triangulares a estreitamente triangulares (vs. lanceolados). É endêmica do Brasil, ocorrendo nas regiões Norte (PA) e Nordeste (CE, MA, PE, PI), em áreas de cerrado com solos arenosos, profundos, bem drenados e pobres em nutrientes (Agra 2008; BFG 2018). No Ceará é encontrada em Savana, Savana estépica e Floresta estacional decidual (Fig. 1-F2,I2,I3,J4,J5). Floresce e frutifica ao longo do ano.

2. Solanum acerifolium Dunal., Solan. Syn. 41. 1816. Fig. 2d-f

Arbusto aculeado de até 1,5 m alt.; acúleos 2-16 mm compr., aciculares; ramos esparso-pubescentes a pubescentes, com tricomas glandulares e simples unisseriados. Unidade simpodial difoliada, geminada. Folhas solitárias ou geminadas, aculeadas, acúleos aciculares, esparsos a densos; pecíolo 2-7 cm compr., cilíndrico, sem nectário extrafloral; lâmina 5-17,1 × 3,5-10,2 cm, oval, ápice agudo a atenuado, base assimétrica ou truncada, margem inteira e/ou lobada; face adaxial hirsuta, com tricomas glandulares e simples unisseriados, face abaxial esparso-pubescente a pubescente, com tricomas glandulares, simples unisseriados e porrecto-estrelados, sésseis. Inflorescência não ramificada, monocasial, extra-axilar; pedúnculo 0,5-1,2 cm compr., pedicelo 0,3-1 cm compr. Botões ovoides. Flores monoclinas; cálice 4-4,5 mm diâm., campanulado, lobos triangulares, apiculados, com tricomas simples unisseriados; corola 1,4-1,6 cm diâm., estrelada, alva, lobos estreitamente triangulares; estames iguais, anteras 5-5,5 mm compr., lanceoladas, amarelas. Baga globosa, 0,7-1,5 cm diâm., epicarpo glabro, variegado, branco com máculas verde-escuras na maturidade; pedicelo frutífero 1,5-2,5 cm compr., não lenhoso, não lenticelado; cálice frutífero não acrescente, aculeado. Sementes suborbiculares, 3,8-4 × 2,5-3 mm, aladas.

Material selecionado: Crato, FLONA do Araripe, 28.III.2000, fr., L.W. Lima-Verde 2019 (EAC). Guaramiranga, 15.III.1997, fr., E. Silveira (EAC 24730). Maranguape, Serra de Maranguape, 27.IX.14, fl. e fr., V.S. Sampaio et al. 103 (EAC). Pacoti, Sítio Birro, estrada para Santana, 14.IX.1998, fl. e fr., A.S.F. Castro (EAC 26914).

Espécie caracterizada pela presença de acúleos aciculares nos ramos e folhas, e bagas com epicarpo glabro, variegado, branco com máculas verde-escuras na maturidade. Distribui-se desde o sul do México ao Peru, leste do Brasil e Paraguai (Nee 1999). No Brasil, segundo BFG (2018), ocorre nas regiões Norte (RO), Nordeste (BA, CE, PE), Centro-Oeste (GO, MS) e Sudeste (ES, MG, RJ, SP). No Ceará é encontrada em Floresta ombrófila (Fig. 1-D6,J4,J5). Floresce nos meses de abril e setembro, frutifica em março, abril e setembro.

3. Solanum agrarium Sendtn., Fl. Bras. 10: 68. 1846. Fig. 3a

Subarbusto a arbusto aculeado de até 0,5 m alt.; acúleos 1-6 mm compr., cônicos e recurvos; ramos glabros a pubescentes, com tricomas glandulares e simples unisseriados. Unidade simpodial difoliada. Folhas solitárias ou geminadas, aculeadas, acúleos cônicos, esparsos; pecíolo 1,1-4,1 cm compr., cilíndrico, sem nectário extrafloral; lâmina 3,2-7,2 × 1,7-4,8 cm, oval ou elíptica, ápice atenuado a agudo, base assimétrica, margem lobada; face adaxial pubescente, com tricomas glandulares e simples unisseriados, sésseis, face abaxial esparso-pubescente a pubescente, com tricomas glandulares e porrecto-estrelados sésseis. Inflorescência não ramificada, monocasial, extra-axilar; pedúnculo 0,3-0,5 cm compr., pedicelo 0,5-1,3 mm compr. Botões ovoides a oblongos. Flores monoclinas e estaminadas; cálice 4,1-5,2 mm compr., campanulado, lobos triangulares, agudos, com tricomas glandulares e simples unisseriados; corola 1,2-1,4 cm diâm., estrelada, esverdeada, lobos estreitamente triangulares; estames iguais, anteras 4,2-5,9 mm compr., lanceoladas, verdes. Baga globosa, 1,2-1,7 cm diâm., epicarpo glabro, variegado, branco com máculas verde-escuras na maturidade; pedicelo frutífero 2-2,6 cm compr., não lenhoso, não lenticelado; cálice frutífero não acrescente, aculeado. Sementes subreniformes a reniformes, 3-3,5 × 2-2,3 mm, não aladas.

Material selecionado: Aiuaba, Sítio Olho d’Água, 10.IV.1997, fl. e fr., L.W. Lima-Verde & E.O. Barros 677 (EAC). Fortaleza, Campus do Pici, 24.II.1977, fl. e fr., L. Almeida (EAC 3109). Lavras da Mangabeira, V.1984, fl. e fr., J.F. Lima (EAC 12547). Mucambo, 7.VII.1997, fr., F.S. Cavalcanti (EAC 24154). Várzea Alegre, Naraniú, CE-021, 18.V.1985, fl. e fr., A. Fernandes et al. (EAC 13212).

Espécie caracterizada por apresentar flores com corola esverdeada e anteras verdes. Possui similaridade com S. fernandesii , porém S. agrarium distingue-se pelas folhas de margem lobada (vs. margem serreada), pecíolo sem nectário extrafloral (vs. com nectário extrafloral), corola esverdeada (vs. corola alva) e sementes não aladas (vs. sementes aladas). Distribui-se em áreas quentes e secas da Colômbia, Venezuela, Antilhas Holandesas e Caribe, com disjunção no Brasil (Nee 1991a). No Brasil, segundo BFG (2018), ocorre na região Norte (TO), em todos os estados da região Nordeste, Centro-Oeste (GO) e Sudeste (MG). No Ceará é encontrada em Savana estépica e Floresta estacional semidecidual de terras baixas (Fig. 1-C2,C6,I3,I5,I6). Floresce e frutifica nos meses de fevereiro, abril, maio e julho.

4. Solanum americanum Mill., Gard. Dict. (ed. 8) n.5. 1768. Fig. 3b

Erva inerme de até 0,7 m alt.; ramos esparso-pubescentes a pubescentes, com tricomas simples unisseriados. Unidade simpodial difoliada, trifoliada. Folhas solitárias ou geminadas; pecíolo 0,4-1,8 cm compr., cilíndrico, sem nectário extrafloral; lâmina 4,6-14 × 1,9-5,6 cm, oval ou elíptica, ápice agudo, base atenuada ou assimétrica, margem inteira a ondulada; face adaxial glabra a pubescente, face abaxial glabra a esparso-pubescente, com tricomas simples unisseriados. Inflorescência não ramificada, monocasial, extra-axilar; pedúnculo 1-1,7 cm compr.; pedicelo 2,5-6,5 mm. Botões globosos. Flores monoclinas; cálice 1,5-2,5 mm diâm., campanulado, lobos ovoides, agudos, glabros; corola 5,8-7 mm diâm., estrelada, alva, lobos lanceolados; estames iguais, anteras 1,2-2 mm compr., oblongas, amarelas. Baga globosa, 0,3-0,7 cm diâm., epicarpo glabro, não-variegado, nigrescente na maturidade; pedicelo frutífero 0,4-0,7 cm compr., não lenhoso, não lenticelado; cálice frutífero não acrescente, inerme. Sementes orbiculares a subreniformes, 1,1 × 1 mm, não aladas.

Material selecionado: Aiuaba, Estação Ecológica de Aiuaba, 12.II.1996, fl. e fr., L.W. Lima-Verde & M.I.B. Loiola 360 (EAC). Crato, Belmonte, 6.VII.2007, fl. e fr., E. Silveira (EAC 40676). Fortaleza, 29.X.1984, fl. e fr., F.S. Cavalcanti (EAC 12904). Mulungu, 30.VI.2017, fl. e fr., V.S. Sampaio et al. 153 (EAC). Pacatuba, Cajazeiras, 17.VIII.2011, fl. e fr., M.I.B. Loiola et al. 1403 (EAC). Sobral, 22.VII.1956, fl. e fr., A. Fernandes (EAC 1657).

Espécie caracterizada pelo hábito herbáceo, tricomas simples unisseriados por toda a planta, com corola e bagas menores que 1 cm de diâmetro. Amplamente distribuída pela América Central e do Sul, em clareiras ou bordas de matas, campos e capoeiras, lavouras, margens de estradas, do nível do mar até altitudes de 1.700 m (Mentz & Oliveira 2004). Segundo BFG (2018), ocorre em todos os estados do Brasil. No Ceará é encontrada em áreas ruderais, Savana estépica, Floresta estacional decidual e Floresta estacional semidecidual de terras baixas (Fig. 1-C3,C6,I2,I3,J4,J5). Floresce e frutifica nos meses de fevereiro, junho a agosto, e outubro.

5. Solanum asperum Rich., Actes Soc. Hist. Nat. Paris 1: 107. 1792.

Arbusto inerme de até 3 m alt.; ramos tomentosos, escabros, com tricomas porrecto-estrelados e multiangulados, sésseis e pedicelados. Unidade simpodial plurifoliada. Folhas solitárias; pecíolo 0,3-0,7 cm compr., decurrente, sem nectário extrafloral; lâmina 5,7-13,7 × 1,3-3,2 cm, elíptica a estreito elíptica, ápice agudo ou acuminado, base atenuada, margem inteira; face adaxial pubescente, escabra, com tricomas porrecto-estrelados, sésseis, face abaxial tomentosa, com tricomas porrecto-estrelados e multiangulados, sésseis e pedicelados. Inflorescência ramificada, dicasial, terminal; pedúnculo 4,1-7,9 cm compr.; pedicelo 0,2-0,5 cm compr. Botões obovoides. Flores monoclinas; cálice 6-7,5 mm diâm., campanulado, lobos ovoides, agudos, com tricomas estrelados; corola 1,1-1,4 cm diâm., estrelada, alva, lobos ovoides; estames iguais, anteras 2,5-3,1 mm compr., oblongas, amarelas. Baga globosa, 0,5-1 cm diâm., epicarpo esparso-pubescente, com tricomas estrelados, verde, não variegado; pedicelo frutífero 3-7 mm compr., não lenhoso, não lenticelado; cálice frutífero não acrescente, inerme. Sementes ovais, 1,8-2 × 1-1,2 mm, não aladas.

Material selecionado: Meruoca, Serra da Meruoca, Sítio Lages, 15.VII.1956, fl. e fr., A. Fernandes (EAC 1643). Novo Oriente, Três Irmãos, 19.II.1989, fl. e fr., F.S. Araújo (EAC 15724). Pacoti, Serrinha, 4.VI.1983, fl. e fr., A. Fernandes & P. Bezerra (EAC 12035).

Espécie caracterizada por apresentar ramos escabros, lâminas elípticas a estreito elípticas e inflorescência terminal. Segundo Nee (1991b), é uma espécie comum no norte da América do Sul. No Brasil, segundo BFG (2018), ocorre nas regiões Norte (AM, AP, PA, RR), em todos os estados do Nordeste, Centro-Oeste (GO, MT) e Sudeste (ES, MG, RJ). No Ceará é encontrada em áreas de Savana estépica, Floresta ombrófila e Floresta estacional decidual (Fig. 1-C3,D6,G2). Floresce e frutifica nos meses de fevereiro, março, junho e julho.

6. Solanum caavurana Vell., Fl. Flum. 4: 86. 1825. Fig. 2g-i

Arbusto inerme de até 3 m alt.; ramos glabros a esparso-pubescentes, com tricomas simples unisseriados. Unidade simpodial difoliada, geminada. Folhas geminadas; pecíolo 0,5-1,6 cm compr., decurrente, sem nectário extrafloral; lâmina 3,8-14,1 × 1,8-6,5 cm, elíptica-lanceolada a oval-elíptica, ápice agudo ou atenuado, base assimétrica, margem inteira ou levemente ondulada; face adaxial glabra, face abaxial glabra a esparso-pubescente, com tricomas simples unisseriados; com domácias. Inflorescência não ramificada, monocasial, oposta às folhas; pedúnculo 0,5-2 cm compr.; pedicelo 1,1-1,8 cm compr. Botões elipsoides a ovoides. Flores monoclinas; cálice 6-8 mm diâm., campanulado, lobos ovoides, agudos, glabros; corola 1,1-1,8 cm diâm., estrelada, alva, lobos triangulares; estames iguais, anteras 3,5-4 mm compr., oblongas, amarelas. Baga globosa, 1-1,6 cm diâm., epicarpo glabro, não variegado, verde; pedicelo frutífero 1,7-2,2 cm compr., não lenhoso, não lenticelado; cálice frutífero acrescente, inerme. Sementes reniformes, 2,8-3,5 × 2-2,3 mm, não aladas.

Material selecionado: Guaramiranga, Pico Alto, 28.III.2015, fr., V.S. Sampaio et al. 140 (EAC). Maranguape, 27.IX.2014, fl. e fr., V.S. Sampaio et al. 106 (EAC). Pacoti, Serra de Baturité, 11.XI.1998, fl. e fr., E.B. Souza et al. 299 (EAC).

Espécie caracterizada por apresentar ramos glabros a esparso-pubescentes, cálice com lobos ovoides e acrescente na baga. Possui similaridade com S. campaniforme. Entretanto, S. caavurana distingue-se de S. campaniforme pelo cálice de lobos ovoides, agudos (vs. cálice de lobos curto-triangulares, apiculados). Tem distribuição na Argentina, leste do Brasil e Paraguai (Knapp 2002). No Brasil, segundo BFG (2018), ocorre em todos os estados da região Nordeste, Centro-Oeste (MS, MG), Sudeste (ES, MG, RJ, SP) e Sul (PR, SC). No Ceará é encontrada em Floresta ombrófila (Fig. 1-D5,D6). Floresce nos meses de setembro e novembro, frutificando em janeiro, março, setembro e novembro.

7. Solanum campaniforme Roem. & Schult., Syst. Veg. 4: 662. 1819. Fig. 2j-k

Arbusto inerme de até 2 m alt.; ramos esparso-pubescentes a pubescentes, com tricomas simples unisseriados. Unidade simpodial difoliada, geminada. Folhas geminadas; pecíolo 0,2-1,3 cm compr., cilíndrico, sem nectário extrafloral; lâmina 1,9-12,1 × 1,1-3,8 cm, elíptica a estreito elíptica, ápice agudo ou arredondado, base atenuada ou assimétrica, margem inteira ou levemente ondulada; face adaxial glabra a pubescente; face abaxial esparso-pubescente a pubescente, com tricomas simples unisseriados concentrados nas nervuras em ambas as faces; com domácias. Inflorescência ramificada, às vezes não ramificada, terminal, extra-axilar ou oposta às folhas; pedúnculo 1,5-2,2 cm compr.; pedicelo 1,2-2,8 cm compr. Botões elipsoides. Flores monoclinas; cálice 4,5-6,5 mm diâm., campanulado, lobos curto-triangulares, apiculados, glabros; corola 1-2 cm diâm., estrelada, alva, lobos triangulares; estames iguais, anteras 3,2-4 mm compr., oblongas, amarelas. Baga globosa, 1-1,4 cm diâm., epicarpo glabro, não variegado, verde; pedicelo frutífero 2,5-3,2 cm compr., não lenhoso, não lenticelado; cálice frutífero não acrescente, inerme. Sementes reniformes, 3-3,8 × 2-2,5 mm, não aladas.

Material selecionado: Barbalha, FLONA do Araripe, 4.I.2010, fl., A.S.F. Castro 2236 (EAC). Crato, FLONA do Araripe, 11.I.1999, fl., D.P. Lima 13588 (UFRPE). Guaramiranga, Sítio Sinimbu, 12.III.2003, fl. e fr., A.P. Silveira & R.F. Oliveira 772 (EAC).

Espécie caracterizada por apresentar ramos pubescentes de tricomas simples unisseriados, lâmina elíptica a estreito elíptica e flores com o cálice de lobos curto-triangulares, apiculados. Similar a S. caavurana (ver comentários em S. caavurana). Distribuída desde o leste do Brasil até a foz do Rio Amazonas, Venezuela, Guiana e Guiana Francesa (Knapp 2002). No Brasil, segundo BFG (2018), ocorre nas regiões Norte (AM, PA, RR), Nordeste (CE, BA, MA, PB, PE), Centro-Oeste (DF), Sudeste (ES, MG, RJ, SP) e Sul (PR, RS, SC). No Ceará é encontrada em Savana e Floresta ombrófila (Fig. 1-D6,J5). Floresce nos meses de janeiro a março, frutificando em fevereiro, março e dezembro.

8. Solanum capsicoides All, Auct. Synop. Meth. Stirp. Hort. Reg. Taurin. 5: 64. 1773.

Subarbusto a arbusto aculeado de até 0,7 m alt.; acúleos 3-7 mm compr., aciculares; ramos pubescentes, com tricomas glandulares e simples unisseriados. Unidade simpodial difoliada, geminada. Folhas solitárias ou geminadas, aculeadas, acúleos aciculares, esparsos; pecíolo 2,1-3,3 cm compr., cilíndrico, sem nectário extrafloral; lâmina 2,7-7,4 × 2-4 cm, deltoide, ápice agudo, base cordada, margem lobada, face adaxial hirsuta, tricomas glandulares e simples unisseriados, face abaxial esparso-pubescente, tricomas simples unisseriados e porrecto-estrelados. Inflorescência não ramificada, monocasial, extra-axilar; pedúnculo 0,8-1,1 cm compr., pedicelo 0,3-0,5 cm compr. Botões ovoides. Flores monoclinas e estaminadas, cálice 3-4 mm diâm., campanulado, lobos triangulares, agudos, com tricomas glandulares e simples unisseriados; corola 1,5-2 cm diâm., estrelada, alva, lobos estreitamente triangulares; estames iguais, anteras 5-6 mm compr., lanceoladas, amarelas. Baga globosa, 1,5-2,1 cm diâm., epicarpo glabro, verde variegado a vermelho-laranja na maturidade; pedicelo frutífero 1,8-2,1 cm compr., não lenhoso, não lenticelado; cálice frutífero não acrescente, aculeado. Sementes suborbiculares, 4,5-5 mm diâm., aladas.

Material examinado: Santa Quitéria, 24.IV.2012, fl. e fr., J. Paula-Souza et al. 10859 (ESA).

Material adicional: BRASIL. PARAÍBA: Areia, Campus da UFPB, 7.III.2012, fl. e fr., V.S. Sampaio et al. 69 (UFP).

Espécie caracterizada por apresentar acúleos aciculares nos ramos e folhas, face adaxial com tricomas glandulares e simples unisseriados, e bagas vermelho-laranja na maturidade. Espécie neotropical com ampla distribuição, encontrada desde os países da América do Sul como Colômbia, Venezuela, Peru, Brasil até os Estados Unidos (Agra et al. 2009). No Brasil, segundo BFG (2018), ocorre nas regiões Nordeste (AL, BA, CE, PB, PE, RN, SE), Sudeste (ES, MG, RJ, SP) e Sul (RS, SC, PR). No Ceará é encontrada em Savana estépica (Fig. 1-D3,D4), sendo comum em pastagens e áreas antropizadas. Floresce e frutifica nos meses de março e abril.

9. Solanum crinitum Lam., Tabl. Encycl. 2: 20. 1794. Fig. 3c

Arbusto a arvoreta aculeado de até 4 m alt.; acúleos 2-5 mm compr., aciculares a cônicos; ramos tomentosos, cerdosos ou velutinos, tricomas porrecto-estrelados, pedicelados. Unidade simpodial difoliada. Folhas solitárias ou geminadas, inermes ou aculeadas, acúleos cônicos, esparsos; pecíolo 1,3-5 cm compr., cilíndrico, sem nectário extrafloral; lâmina 7,2-17,7 × 4,1-13,4 cm, elíptica ou oval, ápice agudo, base assimétrica, margem lobada; face adaxial tomentosa, escabra ou velutina, tricomas porrecto-estrelados pedicelados, face abaxial tomentosa, velutina, tricomas porrecto-estrelados pedicelados. Inflorescência não ramificada, monocasial, extra-axilar; pedúnculo 1,3-1,7 cm compr.; pedicelo 0,9-1,2 cm compr. Botões oblongos. Flores monoclinas e estaminadas; cálice 1,6-2,9 cm diâm., campanulado, geralmente aculeado, cerdosos, lobos lanceolados, agudos, com tricomas estrelados; corola 5-6 cm diâm., rotácea, cerúlea, lobos deltoides; estames iguais, anteras 1,6-2 cm compr., lanceoladas, amarelas. Baga globosa, 2,8-3,1 cm diâm., epicarpo tomentoso, com tricomas porrecto-estrelados, pedicelados, não variegado, cinéreo; pedicelo frutífero 1,6-2 cm compr., lenhoso, não lenticelado; cálice frutífero não acrescente, inerme ou aculeado. Sementes não observadas.

Material selecionado: Crato, FLONA do Araripe, 27.VI.2003, fl. e fr., F.S. Cavalcanti & E. Silveira (EAC 32533); estrada Crato-Nova Olinda, 14.VIII.2011, fl., M.I.B. Loiola et al. 1401 (EAC). Guaraciaba do Norte, 11.V.2008, fl. e fr., Andrade & Otília (EAC 43057). Itapipoca, 6.X.2009, fl., Elson & Otília (EAC 46392).

Espécie caracterizada por apresentar hábito arbustivo a arvoreta, com corola rotácea acima de 5 cm de diâmetro. Tem distribuição exclusiva na América do Sul (Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela) (Agra et al. 2009). No Brasil, segundo BFG (2018), ocorre na maioria das regiões, com exceção do Sul do país, e não há registros para os estados de Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Norte e Alagoas. No Ceará é encontrada em Savana, Floresta estacional decidual e Floresta estacional semidecidual de terras baixa (Fig. 1-B4,C4,D1,D2,J4,J5). Floresce nos meses de maio a agosto, e outubro, frutificando em maio, junho e outubro.

10. Solanum fernandesii V.S. Sampaio & R. Moura, Phytotaxa 270(1): 33. 2016. Fig. 3d-e

Erva a subarbusto aculeado de até 0,3 m alt.; acúleos 1-4 mm compr., cônicos a levemente recurvos; ramos hirsutos, com tricomas glandulares e simples unisseriados. Unidade simpodial difoliada. Folhas solitárias, aculeadas, acúleos cônicos, esparsos; pecíolo 0,3-2,5 cm compr., decurrente, com nectário extrafloral; lâmina 1,5-6 × 0,8-3,5 cm, oval, ápice arredondado, agudo ou truncado, base truncada ou assimétrica, margem serreada; face adaxial esparso-pubescente a pubescente, com tricomas glandulares e simples unisseriados; face abaxial esparso-pubescente, com tricomas glandulares e porrecto-estrelados, sésseis. Inflorescência não ramificada, monocasial, extra-axilar; pedúnculo 0,1-0,2 cm compr.; pedicelo 0,5-2,5 cm compr. Botões oblongos. Flores monoclinas; cálice 2,5-6 mm diâm., lobos triangulares, agudos, com tricomas glandulares, simples unisseriados e estrelados; corola 1,5-2 cm diâm., estrelada, alva, lobos lanceolados; estames iguais, anteras 4-6 mm compr., geralmente verdes, ocasionalmente amarelas, lanceoladas. Baga ovóide ou globosa, 0,8-1,5 cm diâm., epicarpo glabro, variegado, verde a nigrescente na maturidade; pedicelo frutífero 1,8-3 cm compr., não lenhoso, não lenticelado; cálice frutífero não acrescente, aculeado. Sementes suborbiculares, 3,8-6,5 × 3-5 mm, aladas.

Material selecionado: Fortaleza, Campus do Pici, 27.IV.2014, fl. e fr., V.S. Sampaio & R.L. Moura 127 (EAC); 2.II.2015, fl., V.S. Sampaio 129 (EAC); 1.IV.2015, fl. e fr., V.S. Sampaio 142 (EAC); 10.V.2017, fl., V.S. Sampaio 146 (EAC).

Material adicional: BRASIL. MINAS GERAIS: Paraopeba, 5.XI.1960, fl. e fr., E.P. Heringer 9332 (US).

Espécie caracterizada por apresentar folhas de margem serreada e nectários extraflorais no pecíolo. É endêmica do Brasil, ocorrendo na região Nordeste (AL, BA, CE) e Sudeste (MG), sendo este último novo registro para a região. Distribui-se em áreas ruderais, tabuleiros litorâneos e Savana estépica (Sampaio et al. 2016). No Ceará é encontrada em Floresta estacional semidecidual de terras baixas (Fig. 1-C6). Floresce nos meses de fevereiro, abril, maio e novembro, frutificando em abril e novembro.

11. Solanum incarceratum Ruiz & Pav., Fl. Peruv. 2: 40. 1799. Fig. 3f

Arbusto aculeado de até 2,5 m alt.; acúleos 4-13 mm compr., aciculares e recurvos; ramos pubescentes, com tricomas glandulares e simples unisseriados. Unidade simpodial difoliada, geminada. Folhas geminadas, aculeadas, acúleos aciculares, esparsos a densos; pecíolo 2,5-8,5 cm compr., cilíndrico, sem nectário extrafloral; lâmina 10,5-19,3 × 8-14,1 cm, oval, ápice agudo a levemente acuminado, base assimétrica ou cordada, margem inteira a lobada; face adaxial esparso-pubescente a pubescente, com tricomas glandulares e simples unisseriados; face abaxial esparso-pubescente, com tricomas porrecto-estrelados, sésseis e pedicelados. Inflorescência não ramificada, monocasial, extra-axilar; pedúnculo 0,3-1 cm compr.; pedicelo 0,8-2 cm compr. Botões ovoides. Flores monoclinas; cálice 1-1,5 cm diâm., lobos lineares, agudos, com tricomas glandulares e simples unisseriados; corola 1,3-2 cm diâm., estrelada, alva, lobos lineares; estames iguais, anteras 5-8 mm compr., lanceoladas. Baga ovoide a globosa, 0,5-1,5 cm diâm., epicarpo glabro, variegado, amarelo na maturidade; pedicelo frutífero 1,2-2 cm compr., não lenhoso, não lenticelado; cálice frutífero acrescente, envolvendo completamente a baga, aculeado. Sementes suborbiculares, 3,4-3,7 mm diâm., aladas.

Material examinado: São Benedito, 2.I.2014, fl., A.S.F. Castro 2776 (EAC).

Material adicional: BRASIL. BAHIA: Maracás, 27.IV.1978, fl. e fr., S. Mori et al. 10042 (MO). MINAS GERAIS, 23.I.2007, fl. e fr., F.M. Ferreira et al. 1216 (RB).

Espécie caracterizada por apresentar flores com corola e cálice de lobos lineares, e cálice frutífero acrescente. Possui registros em margens de florestas perturbadas, estradas, solos perturbados do cerrado e campo úmido, de 700 a 2.100 m altitude na zona subtropical a tropical dos Andes no Peru e na Bolívia, leste do Brasil e Paraguai (Solanaceae Source 2018). No Brasil, segundo BFG (2018), ocorre nas regiões Norte (PA), Nordeste (BA), Centro-Oeste (DF, GO), Sudeste (MG, RJ, SP) e Sul (PR). No Ceará constitui novo registro encontrada em Floresta ombrófila (Fig. 1-D1,D2). Floresce e frutifica nos meses de janeiro e abril.

12. Solanum jabrense Agra & M. Nee, Brittonia 49(3): 350. 1997.

Arbusto aculeado de até 2 m alt.; acúleos 1-5 mm compr., aciculares; ramos tomentosos, com tricomas glandulares e porrecto-estrelados, sésseis e pedicelados. Unidade simpodial plurifoliada. Folhas solitárias, aculeadas, acúleos aciculares, densos; pecíolo 0,5-4,7 cm compr., cilíndrico, sem nectário extrafloral; lâmina 4-12 × 2-7,3 cm, oval a oval-elíptica, ápice agudo, base assimétrica, arredondada, margem inteira a repanda; face adaxial escabra, com tricomas glandulares, porrecto-estrelados glandulares e eglandulares, sésseis e pedicelados; face abaxial velutina, com tricomas multiangulados e porrecto-estrelados, sésseis e pedicelados. Inflorescência não ramificada, monocasial, terminal e extra-axilar; pedúnculo 1,5-2,6 cm compr., pedicelo 1-1,5 cm compr. Botões elipsoides. Flores monoclinas e estaminadas; cálice 0,3-0,5 cm diâm., campanulado, lobos lanceolados, agudos, com tricomas estrelado-glandulares; corola 2,5-3 cm diâm., estrelada, violácea, lobos lanceolados; estames iguais, anteras 7-8 mm compr., amarelas, lanceoladas. Baga subglobosa, 1-1,5 cm diâm., epicarpo pubescente, com tricomas glandulares, variegado, verde a amarelo na maturidade; pedicelo frutífero 0,6-0,7 cm compr., não lenhoso, não lenticelado; cálice frutífero não acrescente, inerme. Sementes reniformes, 2-3 × 2,1-2,9 mm, não aladas.

Material selecionado: Baturité, Serra de Baturité, Sítio Caridade, 6.VI.1939, fl., J. Eugênio (RB 45050); Sítio Caridade, 16.XII.1937, fl., J. Eugênio (RB 45059).

Material adicional: BRASIL. PARAÍBA: Maturéia, Pico do Jabre, 2-3.IV.1991, fl. e fr., M.F. Agra & M.R.V. Barbosa 2820 (NY); 22-23.IV.1998, fl., M.F. Agra et al. 5257 (JPB, RB). PERNAMBUCO. Buíque, 16.VI.1995, fl. e fr., L. Figueiredo et al. 88 (US).

Espécie caracterizada por apresentar acúleos aciculares nos ramos e folhas, e epicarpo com tricomas glandulares. É endêmica do Brasil, encontrada em brejos de altitudes de elevações acima de 600 m na região Nordeste (BA, CE, PB, PE) (Agra et al. 2009; BFG 2018). No Ceará possui apenas três registros coletados há mais de 70 anos em Floresta estacional decidual do Maciço de Baturité (Fig. 1-D6). Floresce nos meses de abril, junho e dezembro, frutificando em abril e junho.

13. Solanum jamaicense Mill., Gard. Dict. (ed. 8) n.17. 1768.

Material examinado: Fortaleza, Lagoa da Maraponga, 7.VI.2018, fl. e fr., V.S. Sampaio et al. 278 (EAC). Ibiapina, 18.XII.2007, fl., J.R. Lemos 16 (HUEFS).

Espécie caracterizada por apresentar ramos e folhas hirsutos com tricomas porrecto-estrelados pedicelados, cálice e corola com lobos estreitamente triangulares, e bagas glabras. Possui distribuição desde o sul da Flórida, Caribe, América Central, e norte do Brasil e Bolívia em áreas de campos abertos, estradas ou de áreas perturbadas (Solanaceae Source 2018). No Ceará possui registro em áreas urbanas (Fig. 1-C1,C2,C6), sendo uma espécie subespontânea. Floresce nos meses de junho e dezembro, frutificando em junho.

14. Solanum jussiaei Dunal, Encycl., Suppl. 3: 767. 1814. Fig.4a-b

Liana aculeada; acúleos 1-2 mm compr., recurvos; ramos tomentosos com tricomas porrecto-estrelados e multiangulados, glandulares e eglandulares, pedicelados. Unidade simpodial plurifoliada. Folhas solitárias, aculeadas, acúleos recurvos, esparsos; pecíolo 0,5-2,1 cm compr., cilíndrico, sem nectário extrafloral; lâmina 3-11,5 × 2,2-6,5 cm, oval ou elíptica, ápice atenuado a agudo, base assimétrica ou arredondada, margem inteira ou repanda; face adaxial tomentosa, com tricomas porrecto-estrelados, subsésseis e pedicelados; face abaxial tomentosa, com tricomas porrecto-estrelados e multiangulados, subsésseis e pedicelados. Inflorescência não ramificada, monocasial, terminal; pedúnculo 0,3-1,5 cm compr.; pedicelo 3-10 mm compr. Botões ovoides. Flores monoclinas e estaminadas; cálice 4-5 mm diâm., campanulado, lobos curto-triangulares, apiculados, com tricomas estrelados; corola 1,7-3 cm diâm., estrelada, lilás, lobos lanceolados; estames iguais, anteras 7-8 mm compr., lanceoladas, amarelas. Baga globosa, 4-6 cm diâm., epicarpo rígido esparso-pubescente, com tricomas estrelados, alaranjado na maturidade; pedicelo frutífero 1,5-2,5 cm, lenhoso, lenticelado; cálice frutífero não acrescente, inerme. Sementes reniformes, 3-4 × 2,5 mm, não aladas.

Material selecionado: Caucaia, Serra do Juá, 21.XI.2014, fl. e fr., V.S. Sampaio et al. 123 (EAC). Guaramiranga, Pico alto, 28.III.15, fl. e fr., V.S. Sampaio et al. 141 (EAC).

Espécie caracterizada pelo hábito lianescente com bagas de pedicelo frutífero lenhoso, epicarpo rígido e alaranjado na maturidade. Segundo BFG (2018), é endêmica do Brasil, sendo registrado apenas para o Sudeste (ES, RJ, SP). Neste trabalho a espécie é referida pela primeira vez para a região Nordeste e constitui um novo registro para o Ceará, encontrada em Floresta ombrófila e Floresta estacional decidual (Fig. 1-C6,D6). Floresce e frutifica nos meses de março, novembro e dezembro.

15. Solanum leucocarpon Dunal, Encycl., Suppl. 3: 756. 1814. Fig. 3g

Arbusto inerme de até 3 m alt.; ramos esparso-pubescentes a pubescentes, com tricomas simples unisseriados e dendríticos. Unidade simpodial difoliada, geminada. Folhas geminadas; pecíolo 1-2,5 cm compr., caniculado, sem nectário extrafloral; lâmina 5,8-23 × 3,8-9,5 cm, elíptica (maior) e orbicular (menor), ápice agudo ou arredondado, base assimétrica ou atenuada, margem inteira ou levemente ondulada; face adaxial glabra a esparso-pubescente, com tricomas simples unisseriados; face abaxial pubescente, com tricomas simples unisseriados e dendríticos. Inflorescência não ramificada, monocasial, oposta às folhas; pedúnculo 0,2-0,8 cm compr.; pedicelo 0,8-1 cm compr. Botões elipsoides. Flores monoclinas; cálice 5-6 mm diâm., campanulado, lobos curto-triangulares, apiculados, com tricomas dendríticos; corola 2 cm diâm., estrelada, alva, lobos triangulares; estames iguais, anteras 5 mm compr., oblongas, amarelas. Baga globosa, 1-1,8 cm diâm., epicarpo esparso-pubescente, com tricomas dendríticos, não variegado, verde-amarelado na maturidade; pedicelo frutífero 1-1,3 cm compr., expandido no ápice e constrito, lenhoso, não lenticelado; cálice frutífero não acrescente, inerme. Sementes reniformes, 3-4 × 2-2,8 mm, não aladas.

Material examinado: São Benedito, estrada para Graça, encosta da serra da Ibiapaba, 2.I.2014, fl. e fr., A.S.F. Castro 2777 (EAC).

Material adicional: BRASIL. PARÁ: Ilha de Marajó, Rio Anajás, 2.XI.1987, fr., G.T. Prance et al. 30235 (EAC).

Espécie caracterizada por apresentar folhas geminadas (maiores elípticas e menores orbiculares) e pedicelo frutífero expandido e constrito no ápice. Encontra-se amplamente distribuída por toda a América do Sul até o Panamá (Knapp 2002). Segundo BFG (2018), ocorre nas regiões Norte (AC, AM, PA, RO, RR), Nordeste (MA), Centro-Oeste (GO, MT) e Sudeste (MG). No Ceará constitui novo registro encontrada em Floresta ombrófila (Fig. 1-D2). Floresce no mês de janeiro, frutificando em janeiro e novembro.

16 . Solanum maranguapense Bitter, Repert. Spec. Nov. Regni Veg. 16: 403. 1920. Fig. 4c-d

Arbusto inerme de até 2 m alt.; ramos esparso-pubescentes a pubescentes, com tricomas porrecto-estrelados sésseis. Unidade simpodial difoliada, geminada. Folhas solitárias ou geminadas; pecíolo 3-8 mm compr., decurrente, sem nectário extrafloral; lâmina 5,6-14,5 × 1,1-5,8 cm, oval, elíptica a elíptico-lanceolada, ápice agudo a acuminado, base assimétrica ou atenuada, margem inteira; face adaxial esparso-pubescente, com tricomas porrecto-estrelados, sésseis; face abaxial esparso-pubescente a pubescente, com tricomas porrecto-estrelados, sésseis. Inflorescência não ramificada, monocasial, oposta às folhas; pedúnculo 0,2-0,3 mm compr.; pedicelo 1,6-2,1 cm compr. Botões elipsoides. Flores monoclinas; cálice campanulado, 4-7 mm diâm., lobos triangulares, agudos, com tricomas porrecto-estrelados; corola 0,8-1,4 cm diâm., estrelada, alva, lobos triangulares; estames iguais, anteras 2-2,3 mm compr., oblongas, amarelas. Baga globosa, 5-6 mm diâm., epicarpo esparso-pubescente, com tricomas porrecto-estrelados, não variegado, nigrescente na maturidade; pedicelo frutífero 1-1,8 cm compr., não lenhoso, não lenticelado; cálice frutífero não acrescente, ou ocasionalmente acrescente, envolvendo parcialmente a baga, inerme. Sementes não observadas.

Material selecionado: Maranguape, Serra de Maranguape, 14.VI.1946, fl. e fr., P. Bezerra (EAC 802); 27.IX.2014, fl., V.S. Sampaio et al. 105 (EAC).

Espécie caracterizada por apresentar tricomas porrecto-estrelados sésseis nos ramos e folhas, inflorescências paucifloras subsésseis e bagas nigrescentes na maturidade. Segundo BFG (2018), é endêmica da Mata Atlântica do Brasil, sendo registrada nas regiões Nordeste (BA, CE) e Sudeste (ES). No Ceará é encontrada em Floresta ombrófila (Fig. 1-D6). Floresce no mês de junho e setembro, frutificando em setembro.

17. Solanum megalonyx Sendtn., Fl. bras. 10: 92. 1846. Fig. 3h

Arbusto a arvoreta aculeado de até 4 m alt.; acúleos 1-3 mm compr., recurvos; ramos tomentosos, hirsutos, com tricomas porrecto-estrelados glandulares, sésseis e pedicelados. Unidade simpodial plurifoliada. Folhas solitárias, aculeadas, acúleos aciculares, esparsos; pecíolo 0,3-2 cm compr., cilíndrico, sem nectário extrafloral; lâmina 6-11,5 × 3,5-6 cm, elíptica, oval ou oval-elíptica, ápice agudo, base assimétrica ou cuneada, margem inteira a lobada; face adaxial tomentosa, hirsuta, escabra, com tricomas glandulares, simples unisseriados e porrecto-estrelados, sésseis e pedicelados; face abaxial tomentosa, com tricomas porrecto-estrelados e multiangulados, ambos glandulares, sésseis e pedicelados. Inflorescência não ramificada, monocasial, terminal e extra-axilar; pedúnculo 0,5-2 cm compr.; pedicelo 3-7 mm compr. Botões oblongos. Flores monoclinas e estaminadas; cálice 0,5-1,5 cm diâm., campanulado, lobos oblongos, agudos, com tricomas estrelado-glandulares; corola 2-3,5 cm diâm., estrelada ou rotácea, lilás, lobos lanceolados; estames iguais, anteras 7-10 mm compr., lanceoladas, amarelas. Baga globosa, 1-1,7 cm diâm., epicarpo pubescente, com tricomas glandulares, não variegado, verde; pedicelo frutífero 0,5-1 cm compr., não lenhoso, não lenticelado; cálice frutífero não acrescente, inerme. Sementes reniformes, 3,5-4 × 2,5-3,2 mm, não aladas.

Material selecionado: Guaramiranga, Pico Alto, 28.III.2015, fl. e fr., V.S. Sampaio et al. 139 (EAC). Monsenhor Tabosa, Serra das Matas, 26.V.2017, fl., V.S. Sampaio et al. 151 (EAC). Mulungu, 28.XI.2008, fl. e fr., L.W. Lima-Verde 3568 (EAC).

Espécie caracterizada pelas folhas revestidas por tricomas glandulares, simples unisseriados, porrecto-estrelados e multiangulados, com epicarpo pubescente revestido por tricomas glandulares. Possui similaridade com S. absconditum (ver comentários). Segundo BFG (2018), é endêmica do Brasil, ocorrendo nas regiões Norte (PA), Nordeste (BA, SE) e Sudeste (MG). No Ceará constitui novo registro encontrada em Floresta ombrófila e Floresta estacional decidual (Fig. 1-D6,E3). Floresce nos meses de março a junho, setembro e novembro, frutificando em março, junho, setembro e novembro.

18. Solanum melissarum Bohs, Taxon 44(4): 584. 1995. Fig. 3i

Arvoreta inerme de até 3 m alt.; ramos pubescentes, com tricomas simples unisseriados. Unidade simpodial difoliada. Folhas solitárias ou geminadas; pecíolo 1-3,5 cm compr., canaliculado, sem nectário extrafloral; lâmina 6,5-13,5 × 4-8 cm, oval ou elíptica, ápice acuminado, base truncada, assimétrica, obtusa ou cordada, margem inteira; face adaxial e abaxial pubescentes, com tricomas simples unisseriados. Inflorescência não ramificada, monocasial, extra-axilar; pedúnculo 4-5 cm compr.; pedicelo 1-2,3 cm compr. Botões ovoides. Flores monoclinas; cálice 5-7 mm diâm., campanulado, lobos triangulares, agudos, com tricomas simples; corola 2-3 cm diâm., estrelada, esverdeada, lobos estreitamente triangulares; estames iguais, anteras 9-11 mm compr., lanceoladas, arroxeadas. Baga elipsoide, 2,5-4,8 × 2-3 cm, epicarpo glabro, variegado, verde; pedicelo frutífero 3 cm compr., não lenhoso, não lenticelado; cálice frutífero não acrescente, inerme. Sementes não vistas.

Material examinado: Guaramiranga, Pico Alto, 28.III.2015, fl. e fr., V.S. Sampaio et al. 133 (EAC); 26.III.2008, fr., E.R. Silveira (EAC 42397).

Espécie caracterizada por apresentar flores com corola esverdeada, anteras arroxeadas e bagas elipsoides. Segundo BFG (2018), é endêmica do Brasil com distribuição nas regiões Nordeste (AL, BA, PB, PE, SE), Sudeste (ES, MG, RJ, SP) e Sul (PR, SC). No Ceará constitui novo registro encontrada em Floresta ombrófila (Fig. 1-D6). Floresce e frutifica no mês de março.

19. Solanum orbignianum Sendtn., Fl. bras. 10: 34. 1846. Fig. 3j-k

Arbusto inerme de até 1 m alt.; ramos glabros a pubescentes, com tricomas simples unisseriados. Unidade simpodial plurifoliada. Folhas solitárias; pecíolo 0,5-2 cm compr., decurrente, sem nectário extrafloral; lâmina 5,5-8,5 × 3,2-4 cm, elípticas, ápice agudo ou arredondado, base atenuada, margem inteira; face adaxial glabrescente a pubescente, com tricomas simples unisseriados, mais numerosos nas nervuras; face abaxial pubescente, com tricomas simples unisseriados. Inflorescência não ramificada, monocasial, terminal; pedúnculo 1,5-3 mm compr.; pedicelo 1-1,5 cm compr. Botões elipsoides. Flores monoclinas; cálice 5-7 mm diâm., campanulado, lobos oblongos, agudos, com tricomas simples unisseriados; corola 1,8-2 cm diâm., rotácea, alva, lobos ovoides; estames iguais, anteras 3,5-4 mm compr., oblongas, amarelas. Baga subglobosa a globosa, 1,2-1,8 cm diâm., epicarpo glabro, não variegado, verde; pedicelo frutífero 1,5-1,8 cm compr., lenhoso, lenticelado; cálice frutífero não acrescente, inerme. Sementes subreniformes, 3-3,5 × 3,8-4 mm, não aladas.

Material examinado: Sobral, Maciço de Meruoca, 5.II.2016, fl., E.B. Souza et al. 3775 (EAC, HUVA); 28.VII.2017, fl. e fr., V.S. Sampaio et al. 168 (EAC, HUVA).

Espécie caracterizada por apresentar ramos e folhas com tricomas simples unisseriados e pedicelo frutífero lenticelado. Segundo BFG (2018), a espécie não é endêmica do Brasil, e no país é registrada para a região Nordeste (BA). No Ceará constitui novo registro, sendo encontrada em Floresta estacional decidual, em altitudes acima de 700 m (Fig. 1-C2,C3). Floresce no mês de fevereiro e julho, frutificando em julho.

20. Solanum palinacanthum Dunal, Prodr. 13(1): 245. 1852. Fig. 4e-f

Subarbusto a arbusto aculeado de até 1,5 m alt.; acúleos 0,4-1,8 cm compr., aciculares; ramos esparso-pubescentes, com tricomas glandulares e simples unisseriados. Unidade simpodial difoliada. Folhas solitárias ou geminadas, aculeadas, acúleos aciculares, esparsos a densos; pecíolo 1,7-6,9 cm compr., cilíndrico, sem nectário extrafloral; lâmina 4,5-9,6 × 1,7-6,5 cm, deltoide, ápice agudo, base cordiforme, truncada ou assimétrica, margem lobada; face adaxial pubescente, com tricomas glandulares e simples unisseriados; face abaxial esparso-pubescente, com tricomas glandulares e porrecto-estrelados. Inflorescência não ramificada, monocasial, extra-axilar; pedúnculo 3-5 mm compr.; pedicelo 5-10 mm compr. Botões oblongos. Flores monoclinas e estaminadas; cálice 0,8-1 cm diâm., campanulado, lobos oblongos, apiculados, com tricomas glandulares e simples unisseriados; corola 2,5-3,6 cm diâm., estrelada, lilás, lobos lanceolados; estames iguais, anteras 1,2-1,3 mm compr., lanceoladas, amarelas. Baga globosa, 3-4,7 cm diâm., epicarpo glabro, verde variegado a amarelo na maturidade; pedicelo frutífero 1 cm compr., lenhoso, lenticelado; cálice frutífero não acrescente, inerme ou aculeado. Sementes reniformes, 2,5-5 × 2-2,5 mm, não aladas.

Material examinado: Barbalha, 18.IV.2015, fl., V.S. Sampaio et al. 143 (EAC). Fortaleza, 26.X.2017, fr., V.S. Sampaio (EAC 61081). Lavras da Mangabeira, V. 1984, fl., J.F. Lima (EAC 12543). Saboeiro, 25.VII.2004, fl., A.S.F. Castro 1509 (EAC). Várzea Alegre, 18.V.1985, fl. e fr., A. Fernandes et al. (EAC 13213).

Espécie caracterizada por apresentar acúleos aciculares nos ramos e folhas, flores com corola lilás e lobos lanceolados. Espécie de ampla distribuição na América do Sul (Nee 1991a). No Brasil, segundo BFG (2018), ocorre em quase todos os estados, com exceção do Acre, Amazonas, Amapá, Roraima e Tocantins. No Ceará é encontrada em áreas ruderais, Savana estépica e área de transição Savana estépica para Savana (Fig. 1-C6,D6,H4,I5,I6,J5). Floresce nos meses de abril, maio e julho, frutificando em maio e outubro.

21. Solanum paludosum Moric., Pl. Nouv. Amer. 29. 1837. Fig. 3l

Arbusto a arvoreta aculeado de até 3 m alt.; acúleos 3-6 mm compr., cônicos e recurvos; ramos esparso-pubescentes a tomentoso-ferrugíneos, com tricomas porrecto-estrelados glandulares e eglandulares, sésseis e pedicelados. Unidade simpodial plurifoliada. Folhas solitárias, inermes ou aculeadas, acúleos cônicos, esparsos; pecíolo 1-2,5 cm compr., cilíndrico, sem nectário extrafloral; lâmina 3-10,9 × 1,7-5,9 cm, elíptica, ápice agudo, base obtusa, assimétrica ou atenuada, margem inteira ou repanda; face adaxial esparso-pubescente, com tricomas porrecto-estrelados glandulares, sésseis e pedicelados, lustrosa; face abaxial tomentosa, com tricomas porrecto-estrelados glandulares, sésseis e pedicelados. Inflorescência não ramificada, monocasial, terminal e extra-axilar; pedúnculo 4-9 mm compr.; pedicelo 3-8 mm compr. Botões oblongos. Flores monoclinas e estaminadas; cálice 1-1,5 cm diâm., infundibuliforme, lobos estreitamente triangulares, agudos, com tricomas estrelado-glandulares; corola 3,5-4,1 cm diâm., estrelada, lilás, cerúlea ou violácea, lobos lanceolados; estames iguais, anteras 1-1,2 cm compr., lanceoladas, amarelas. Baga globosa, 1,1-1,5 cm diâm., epicarpo esparso-pubescente, com tricomas glandulares e estrelado-glandulares, variegado, verde; pedicelo frutífero 1-1,5 cm compr., não lenhoso, não lenticelado; cálice frutífero não acrescente, inerme. Sementes subreniformes, 2,5-2,8 × 2-2,3 mm, não aladas.

Material selecionado: Cascavel, Caponga, 21.III.1998, fl., M.S. Lopes & E.R. Silva (EAC 28447). Caucaia, Barra do Cauípe, 10.II.2004, fr., E. Silveira et al. (EAC 33503). Fortaleza, 15.V.2008, fl., M.F. Moro 550 (EAC). São Gonçalo do Amarante, Pecém, Estação Ecológica do Pecém, VII.2009, fl. e fr., H. Magalhães 90 (EAC). Ubajara, Planalto da Ibiapaba, 28.VIII.1998, fl., F.S. Araújo 557 (EAC).

Espécie caracterizada por apresentar cálice infundibuliforme e corola com lobos lanceolados. Possui similaridade com S. absconditum (ver comentários acima). É endêmica da América do Sul, encontrada na Venezuela, Guiana, Suriname, Guiana Francesa e Brasil (Agra 2004). No Brasil, segundo BFG (2018), ocorre em todo o Nordeste e em alguns estados da região Norte (AC, AP, PA, RR) e Sudeste (RJ). No Ceará é encontrada em Floresta estacional decidual e Floresta estacional semidecidual de terras baixas (Fig. 1-C1,C2,C5,C6,D7). Floresce nos meses de fevereiro a agosto, frutificando em fevereiro e julho.

22. Solanum paniculatum L., Sp. Pl. 1: 267. 1762.

Arbusto de até 3 m alt.; acúleos 0,2-0,4 cm compr., cônicos; ramos tomentosos, pulverulentos, com tricomas porrecto-estrelados, eglandulares, pedicelados. Unidade simpodial plurifoliada. Folhas solitárias, inermes ou aculeadas, acúleos cônicos, esparsos; pecíolo 1,2-2,4 cm compr., cilíndrico, sem nectário extrafloral; lâmina 4,3-11,4 × 2,5-7,6 cm, oval ou elíptica, ápice agudo, base arredondada, truncada, cordada ou assimétrica, margem inteira, lobada; face adaxial glabra a esparso-pubescente, pulverulenta, com tricomas porrecto-estrelados, sésseis e pedicelados; face abaxial tomentosa, velutina, com tricomas porrecto-estrelados, pedicelados. Inflorescência ramificada, dicasial, terminal, extra-axilar; pedúnculo 1,7-2 cm compr.; pedicelo 1-1,6 cm compr. Botões ovoides. Flores monoclinas e estaminadas; cálice 6-7 mm diâm., campanulado, lobos triangulares, cuspidados, com tricomas estrelados; corola 2-3,3 cm diâm., rotácea, lilás ou alva, lobos triangulares; estames iguais, anteras 5-7 mm compr., lanceoladas, amarelas. Baga globosa, 1,1-1,4 cm diâm., epicarpo glabro, não variegado, verde a nigrescente na maturidade; pedicelo frutífero 1,8-2,3 cm compr., não lenhoso, não lenticelado; cálice frutífero não acrescente, inerme. Sementes reniformes, 4 × 3,5 mm, não aladas.

Material selecionado: Aiuaba, Estação Ecológica de Aiuaba, 5.VI.1997, fl., E.O. Barros & M.M.A. Souza 131 (EAC). Campos Sales, na saída para Potengi, 20.XI.1979, fl. e fr., E. Nunes & P. Martins (EAC 7505). Crato, 14.X.2009, fl., E. Silveira (EAC 46388). Fortaleza, 17.VII.2008, fl., M.F. Moro 594 (EAC). Guaramiranga, Sítio Salva Vidas, 26.IX.2008, fl., L.W. Lima-Verde 3527 (EAC). Maranguape, Parque Novo Iracema, 20.IX.1988, fl. e fr., F.S de Araújo (EAC 16143). Meruoca, Serra da Meruoca, 4.I.1962, fl. e fr., A. Fernandes (EAC 2131). São Benedito, Serra da Ibiapaba, 4.I.1942, fl. e fr., P. Bezerra (EAC 390). São Gonçalo do Amarante, 2.III.2011, fl. e fr., R.G. Ferreira (EAC 48922).

Espécie caracterizada por apresentar ramos pulverulentos, inflorescência corimbiforme e bagas glabras. Pode ser confundida com S. torvum por compartilharem inflorescências ramificadas e bagas glabras. Entretanto, S. paniculatum possui cálice com tricomas estrelados (vs. tricomas glandulares) e pedicelo frutífero não lenhoso (vs. pedicelo frutífero lenhoso). Exclusiva da América do Sul com ocorrência confirmada no Brasil, Paraguai e Argentina (Nee 1999). No Brasil, segundo BFG (2018), ocorre em todas as regiões, exceto nos estados do Acre, Amazonas, Roraima, Amapá, Rondônia e Tocantins. No Ceará é encontrada em áreas ruderais, Savana estépica, Floresta ombrófila, Floresta estacional decidual e Floresta estacional semidecidual de terras baixas (Fig. 1-C2,C3,C5,C6,D1,D2,D5,D6,I3,J4,J5). Floresce e frutifica ao longo do ano.

23. Solanum rhytidoandrum Sendtn., Fl. bras. 10: 85. 1846. Fig. 3m

Arbusto aculeado de até 3 m alt.; acúleos 0,3-0,5 cm compr., cônicos e recurvos; ramos tomentosos, hirsutos, com tricomas porrecto-estrelados e multiangulados, ambos glandulares, sésseis e pedicelados. Unidade simpodial plurifoliada. Folhas solitárias, inermes ou aculeadas, acúleos cônicos, esparsos; pecíolo 1,4-2 cm compr., cilíndrico, sem nectário extrafloral; lâmina 6,5-14,9 × 3-6,6 cm, elíptica a oval-elíptica, ápice agudo a atenuado, base assimétrica ou atenuada, margem inteira a levemente ondulada; face adaxial tomentosa, escabra, com tricomas porrecto-estrelados, sésseis e pedicelados; face abaxial tomentosa, velutina, com tricomas porrecto-estrelados, sésseis e pedicelados. Inflorescência ramificada, dicasial, extra-axilar; pedúnculo 1,9-3 cm compr.; pedicelo 4-6 mm compr. Botões ovoides. Flores monoclinas e estaminadas; cálice 8,5-11 mm diâm., campanulado, lobos lanceolados, agudos, com tricomas estrelado-glandulares; corola 1,9-2,8 cm diâm., estrelada, alva, lobos lanceolados; estames iguais, anteras 6-8 mm compr., lanceoladas, amarelas. Baga globosa, 0,8-1,4 cm diâm., epicarpo pubescente, com tricomas glandulares, não variegado, verde; pedicelo frutífero 0,6-1,3 cm compr., não lenhoso, não lenticelado; cálice frutífero não acrescente, inerme. Sementes reniformes, 4 × 3,5 mm, não aladas.

Material selecionado: Aiuaba, 4.VI.1997, fl. e fr., E.O. Barros 75 (EAC). Aratuba, 30.VI.2017, fl., V.S. Sampaio et al. 155 (EAC). Crato, FLONA do Araripe, 28.III.2000, fl., L.W. Lima-Verde 2022 (EAC). Guaramiranga, Pico Alto, 20.V.2004, fl. e fr., E. Silveira & O.D.L.P. Cavalcante (EAC 33881). Monsenhor Tabosa, 26.V.2017, fl. e fr., V.S. Sampaio et al. 148 (EAC). Novo Oriente, 28.III.1990, fr., F.S. Araújo 25 (EAC). Sobral, 21.II.2002, fl., M. Mamede 21 (EAC). Tianguá, Santa Rita, 23.VIII.2004, fl. e fr., L.W. Lima-Verde et al. 2990 (EAC).

Espécie caracterizada por apresentar inflorescência ramificada, corimbiforme, e cálice com lobos lanceolados. Espécie neotropical, amplamente distribuída no Brasil, Bolívia e Paraguai (Agra et al. 2009). No Brasil, segundo BFG (2018), ocorre nas regiões Norte (AM, PA, RO), Nordeste (CE, PI, BA, PB, PE, RN) e Centro-Oeste (DF, MT, GO). No Ceará é encontrada em áreas ruderais, Savana estépica, Savana, Floresta ombrófila e Floresta estacional decidual (Fig. 1-C3,C4,D5,D6,I3,J4,J5). Floresce e frutifica ao longo do ano.

24. Solanum robustum H. Wendl., Flora 27: 784. 1844. Figs. 3n; 4g

Arbusto aculeado de até 3 m alt.; acúleos 3-7 mm compr., recurvos; ramos alados, tomentosos, com tricomas porrecto-estrelados e multiangulados, sésseis e pedicelados. Unidade simpodial plurifoliada. Folhas solitárias, aculeadas, acúleos cônicos, esparsos; pecíolo 2-6,8 cm compr., decurrente, sem nectário extrafloral; lâmina 7,3-18 × 4,4-16,1 cm, oval ou elíptica, ápice agudo ou arredondado, base assimétrica ou arredondada, margem inteira ou lobada; face adaxial tomentosa, escabra, com tricomas porrecto-estrelados, predominantemente sésseis, alguns pedicelados; face abaxial tomentosa, com tricomas estrelados e multiangulados; aculeada. Inflorescência não ramificada, monocasial, extra-axilar; pedúnculo 1-1,8 cm compr.; pedicelo 0,3-1 cm compr. Botões ovoides. Flores monoclinas; cálice 1,3 cm compr., campanulado, lobos ovoides, agudos, com tricomas estrelados; corola 2 cm diâm., estrelada, alva, lobos lanceolados; estames iguais, anteras 7 mm compr., lanceoladas, amarelas. Baga globosa, 1-2 cm diâm., epicarpo tomentoso, com tricomas estrelados, não variegado, verde; pedicelo frutífero 1-2 cm compr., lenhoso, não lenticelado; cálice frutífero não acrescente, inerme. Sementes ovoides, 1-2 × 1-1,3 mm, não aladas.

Material selecionado: Guaramiranga, Pico Alto, 30.VI.2017, fl. e fr., V.S. Sampaio et al. 162 (EAC); 28.III.2015, fl. e fr., V.S. Sampaio et al. 136 (EAC). Itatira, Escondido, 3.IV.2010, fl. e fr., A.S.F. Castro 2321 (EAC).

Espécie caracterizada por apresentar ramos alados e lâminas decurrente até a base do pecíolo. Tem distribuição na Argentina, Brasil e Paraguai (Mentz & Oliveira 2004). No Brasil, segundo BFG (2018), ocorre nas regiões Nordeste (BA, CE), Sudeste (ES, MG, RJ, SP) e Sul (PR, SC). No Ceará é encontrada em Floresta ombrófila e Floresta estacional decidual (Fig. 1-C1,D6,E4). Floresce e frutifica nos meses de março, abril e junho.

25. Solanum seaforthianum Andr., Bot. Repos. 8. 1808.

Material examinado: Santana do Cariri, Brejo Grande, VII.1829, fl., G. Gardner 2427 (K).

Espécie caracterizada pelo hábito lianescente com tricomas simples unisseriados, inflorescências ramificadas e botões globosos. Nativa de florestas secas das ilhas do Caribe e norte costeiro da América do Sul, sendo amplamente distribuída e cultivada nas regiões tropicais e subtropicais (Solanaceae Source 2018). No Ceará constitui novo registro, porém coletada há mais de 150 anos nas proximidades da Chapada do Araripe (Fig. 1-J4), com flores registradas para o mês de julho.

26. Solanum sisymbriifolium Lam., Tabl. Encycl. 2: 25. 1794.

Material examinado: Camocim, 14.VII.2002, fl., A.S.F Castro 1229 (EAC). São Gonçalo do Amarante, 6.I.1965, fl. e fr., L. Smith & P. Reitz 14338 (US).

Espécie caracterizada por apresentar acúleos aciculares pelos ramos, folhas e inflorescências, folhas pinatilobadas e bagas com cálice acrescente, envolvendo parcialmente a baga, aculeado. Nativa das regiões secas da América do Sul, porém amplamente introduzida em regiões tropicais e subtropicais (Solanaceae Source 2018). No Brasil, segundo BFG (2018), ocorre nas regiões Norte (AC, RO), Nordeste (BA), Centro-Oeste (DF, GO, MT, MS), Sudeste (ES, MG, RJ, SP) e Sul (PR, RS, SC). No Ceará constitui novo registro, porém é uma espécie subespontânea, coletada em zona urbana (Fig. 1-A2). Floresce nos meses de janeiro e julho, frutificando em janeiro.

27. Solanum stenandrum Sendtn., Fl. bras. 10: 68. 1846.

Subarbusto aculeado de até 1,5 m alt.; acúleos 1-5 mm, aciculares; ramos pubescentes, com tricomas glandulares e simples unisseriados. Unidade simpodial difoliada. Folhas solitárias, aculeadas, acúleos aciculares, densos; pecíolo 2-5 cm compr., cilíndrico, sem nectário extrafloral; lâmina 3-6,3 × 2,4-4,6 cm, oval ou elíptica, ápice atenuado ou agudo, base assimétrica, margem lobada; face adaxial pubescente, com tricomas glandulares e simples unisseriados; face abaxial esparso-pubescente, com tricomas glandulares. Inflorescência não ramificada, monocasial, extra-axilar; pedúnculo 1,5-8 mm compr.; pedicelo 0,3-0,6 cm compr. Botões ovoides. Flores monoclinas e estaminadas; cálice 2-3 mm diâm., campanulado, lobos estreitamente triangulares, agudos, com tricomas glandulares, simples e estrelados; corola 1,3-1,8 cm diâm., estrelada, alva ou lilás, lobos lanceolados; estames iguais, anteras 4-6 mm compr., lanceoladas, amarelas. Baga ovoide, 0,7 cm diâm., epicarpo glabro, vermelho na maturidade; pedicelo frutífero 0,5 cm compr., não lenhoso, não lenticelado; cálice frutífero acrescente, envolvendo parcialmente a baga, aculeado. Sementes subreniformes, 1,8-2 × 2 mm, não aladas.

Material examinado: Ubajara, Planalto da Ibiapaba, Jaburuna Sul, 21.II.1995, fl. e fr., F.S. Araújo 1096 (EAC).

Material adicional: BRASIL. BAHIA: Serra do Sincorá, 13.II.1977, fl. e fr., R.M. Harley 18618 (RB). Piatã, Chapada Diamantina, 13.VI.2014, fl. e fr., M.L. Guedes et al. 21745 (US).

Espécie caracterizada por apresentar acúleos aciculares nos ramos e folhas, bagas ovoides e epicarpo vermelho na maturidade. Segundo BFG (2018), é endêmica do Brasil ocorrendo nas regiões Nordeste (BA, CE), Centro-Oeste (GO) e Sudeste (MG). No Ceará é encontrada em Savana estépica, sendo frequentemente associada a áreas perturbadas ou com afloramentos rochosos (Fig. 1-C1,C2). Floresce e frutifica nos meses de fevereiro e junho.

28. Solanum stipulaceum Willd. ex Roem. & Schult., Syst. Veg. 4: 662. 1819. Fig. 4h

Arbusto inerme de até 2,5 m alt.; ramos tomentosos, velutinos, cinéreos, geralmente com pseudoestípulas, com tricomas multiangulados, porrecto-estrelados, e raros equinados, sésseis e pedicelados. Unidade simpodial plurifoliada. Folhas solitárias; pecíolo 1,1-2,4 cm compr., decurrente, sem nectário extrafloral; lâmina 5-12,8 cm × 1,8-4,4 cm, elíptica a lanceolada, ápice obtuso, cuneado ou agudo, base assimétrica, arredondada ou atenuada, margem inteira; face adaxial e abaxial tomentosa, velutina, com tricomas multiangulados, porrecto-estrelados, e raros equinados, sésseis e pedicelados. Inflorescência ramificada, dicasial, terminal; pedúnculo 1,3-6,6 cm compr.; pedicelo 3-7 mm compr. Botões obovoides. Flores monoclinas; cálice 6-9 mm, campanulado, lobos ovoides, agudos, com tricomas estrelados; corola 2-1,3 cm diâm., estrelada ou rotácea, lilás ou alva, lobos triangulares; estames iguais, anteras 3-4,5 mm compr., oblongas, amarelas. Baga globosa, 0,8-1,2 cm diâm., epicarpo esparso-pubescente a pubescente, com tricomas porrecto-estrelados e multiangulados, não variegado, cinéreo; pedicelo frutífero 7-9 mm compr., não lenhoso, não lenticelado; cálice frutífero não acrescente, inerme. Sementes subreniformes, 2,5-3 × 2-2,5 mm, não aladas.

Material selecionado: Aiuaba, 4.III.1998, fr., E.O. Barros & M.M.A. Souza 219 (EAC). Barbalha, FLONA do Araripe, 13.VI.2001, fl. e fr., I.R. Costa 293 (EAC). Crateús, Serra da Ibiapaba, 11.VI.1979, fl., E. Nunes & A.J. Castro (EAC 6461). Crato, FLONA do Araripe, 13.VIII.1999, fl. e fr., L.W. Lima-Verde 1641 (EAC). Guaraciaba do Norte, Sítio Limoeiro dos Pompeu, 10.VIII.2006, fl. e fr., F.S. Cavalcanti 1027 (EAC). Novo Oriente, 15.II.1991, fl. e fr., F.S. Araújo 268 (EAC). Tianguá, 22.VII.2002, fl. e fr., A.S.F. Castro 1351 (EAC).

Espécie caracterizada por apresentar inflorescência ramificada, dicasial, terminal com corola lilás (representantes do Ceará), anteras oblongas (3-4,5 mm compr.) e sementes subreniformes (2,5-3 × 2-2,5 mm). É endêmica do Brasil encontrada em áreas montanhosas, cujas altitudes variam entre 500 e 1.000 m (Roe 1972). Segundo BFG (2018), ocorre nos seguintes estados do Nordeste (AL, BA, CE, PB, PE, PI, SE), Centro-Oeste (GO) e Sudeste (MG). No Ceará é encontrada em áreas de Savana, Savana estépica e Floresta ombrófila (Fig. 1-C1,D1,D2,F2,G2,I3,J4,J5). Floresce nos meses de fevereiro, junho a agosto, frutificando em fevereiro, março, junho a agosto.

29. Solanum swartzianum Roem. & Schult., Syst. Veg. 4: 602. 1819.

Arbusto inerme de até 2 m alt.; ramos lepidotos, com tricomas peltados. Unidade simpodial plurifoliada. Folhas solitárias ou geminadas; pecíolo 1-1,7 cm compr., cilíndrico, sem nectário extrafloral; lâmina 10-16 × 4,4-6,4 cm, elíptica a lanceolada, ápice agudo, base assimétrica, cuneada, margem inteira, face adaxial glabra, lustrosa, face abaxial lepidota, com tricomas peltados. Inflorescência não ramificada, monocasial, oposta às folhas; pedúnculo 1,5-3 cm compr.; pedicelo 0,3-0,5 cm compr. Botões ovoides. Flores monoclinas, cálice campanulado 0,5-0,6 cm diâm., lobos ovoides, agudos, com tricomas peltados; corola 1-1,3 cm diâm., rotácea, alva, lobos triangulares; estames iguais, anteras 5-6 mm compr., oblongas, amarelas. Baga ovoide, 0,8-1,2 cm diâm., epicarpo lepidoto, com tricomas lepidotos, variegado, arroxeado; pedicelo frutífero 0,6-0,7 cm compr., lenhoso, não lenticelado; cálice acrescente, envolvendo completamente a baga, inerme. Sementes não vistas.

Material examinado: Serra de Baturité, Sítio Caridade, 11.XII.1939, fr., J. Eugênio 1322 (RB).

Material adicional: BRASIL. BAHIA: Santa Terezinha, 27.IX.2000, fl., L.P. Queiroz et al. 6396 (UFRN). MINAS GERAIS: Juiz de Fora, 30.I.1970, fl. e fr., P.L. Krieger 7973 (HUFU).

Espécie caracterizada por apresentar indumento lepidoto, inflorescências opostas às folhas e cálice acrescente. Tem distribuição no Brasil e Venezuela (Carvalho 1996). No Brasil ocorre nas regiões Nordeste (BA, PB), Sudeste (ES, MG, RJ, SP) e Sul (PR, SC) (BFG 2018). No Ceará constitui novo registro, com apenas um único registro coletado há mais de 70 anos, em Floresta estacional decidual no maciço de Baturité (Fig. 1-D6). Floresce no mês de janeiro e setembro, frutificando em janeiro e dezembro.

30. Solanum torvum Sw., Prodr. 1783-87: 47. 1788.

Material examinado: Fortaleza, 26.V.2015, fl. e fr., V.S. Sampaio & L.J.L. Carvalho 144 (EAC).

Espécie caracterizada por apresentar inflorescência ramificada, cálice com tricomas glandulares e pedicelo frutífero lenhoso. Espécie nativa das Antilhas, com dispersão em muitas regiões tropicais do Velho e do Novo Mundo (D’Arcy 1973). No Brasil, segundo BFG (2018), ocorre nas regiões Nordeste (BA, PB, PE), Sudeste (ES, MG, RJ, SP) e Sul (PR, SC). No Ceará constitui novo registro em áreas ruderais, como subespontânea (Fig. 1-C6). Floresce e frutifica no mês de maio.

31. Solanum uncinellum Lindl., Edwards’s Bot. Reg. 3: 15. 1840. Fig. 4i-k

Liana inerme; ramos pubescentes, com tricomas simples unisseriados e dendríticos. Unidade simpodial plurifoliada. Folhas solitárias; pecíolo 1,5-3 cm compr., sem nectário extrafloral; lâmina 4-8,5 × 1,8-4,7 cm, oval, ápice agudo, base truncada, margem inteira, face adaxial glabra a esparso-pubescente, face abaxial pubescente, ambas com tricomas simples unisseriados e dendríticos. Inflorescência ramificada, monocasial, terminal; pedúnculo 2-4,5 cm compr.; pedicelo 3-5 mm compr. Botões elipsoides. Flores monoclinas; cálice 4-5 mm diâm., campanulado, lobos curto-triangulares, apiculados, com tricomas simples e dendríticos; corola 2-2,8 cm diâm., estrelada, violácea, lobos lanceolados; estames desiguais, anteras 7-7,2 mm compr., lanceoladas. Baga globosa, 5-7 mm diâm., epicarpo glabro a esparso-pubescente, com tricomas simples unisseriados, não variegado, roxo na maturidade; pedicelo frutífero 0,7-1 cm compr., não lenhoso, não lenticelado; cálice frutífero não acrescente, inerme. Sementes não vistas.

Material examinado: Serra de Baturité, Sítio Caridade, 10.XII.1939, fl. e fr., J. Eugênio 1323 (RB).

Material adicional: BRASIL. ACRE: Bujari, 24.II.2009, fl., P. Acevedo-Rodríguez et al. 15048 (NY). MARANHÃO: Santa Luzia, à margem da BR-222, 3.VIII.1978, fl., A. Fernandes & F.A. Matos (EAC 4044).

Espécie caracterizada pelo hábito lianescente com tricomas simples unisseriados e dendríticos nos ramos e folhas, e estames desiguais. Amplamente distribuída por toda a América tropical, da Costa Rica à Argentina, em uma ampla variedade de habitats (Solanaceae Source 2018). No Brasil, segundo BFG (2018), ocorre nas regiões Norte (AC, AM, AP, PA, RO, RR), Nordeste (BA, CE, MA), Centro-Oeste (MG), Sudeste (ES, RJ, SP) e Sul (PR). No Ceará possui apenas um único registro coletado há mais de 70 anos em Floresta estacional decidual do Maciço de Baturité (Fig. 1-D6). Floresce nos meses de fevereiro, agosto e dezembro, frutificando em dezembro.

Lista de exsicatas

A Fernandes EAC (1567) (4), EAC (1643) (5), EAC (2131) (22). A Fernandes & FA Matos EAC (4044) (31). A Fernandes & P Bezerra EAC (12035) (5). A Fernandes et al. EAC (13212) (3), EAC (13213) (20). Acevedo-Rodríguez et al. 15048 (31). Andrade & Otília EAC (43057) (9). AP Silveira & RF Oliveira 772 (7). ASF Castro 1229 (26), 1351 (28), 1509 (20), 2236 (7), 2321 (24), 2776 (11), 2777 (15), EAC (26914) (2). DP Lima 13588 (7). E Nunes & AJ Castro EAC (6461) (28). E Nunes & P Martins EAC (7505) (22). E Silveira EAC (24730) (2), EAC (40676) (4), EAC (46388) (22). E Silveira & ODLP Cavalcante EAC (33881) (23). E Silveira et al. EAC (33503) (21). EB Souza et al. 299 (6), 3775 (19). Elson & Otília EAC (46392) (9). EO Barros 75 (23). EO Barros & MMA Souza 131 (22), 132 (1). 219 (28). EP Heringer 9332 (10). ER Silveira EAC (42397) (18). FM Ferreira et al. 1216 (11). FS Araújo 25 (23), 268 (28), 557 (21), 1096 (27), EAC (15724) (5), EAC (16143) (22). FS Cavalcanti 1027 (28), EAC (12904) (4), EAC (24154) (3). FS Cavalcanti & E Silveira EAC (32533) (9). FS Pinto 284 (1). G Gardner 2427 (25). GT Prance et al. 30235 (15). H Magalhães 90 (21). IR Costa 293 (28). J Eugênio 1322 (29), 1323 (31), RB (45050) (12), RB (45059) (12). J Paula-Souza et al. 10859 (8). JF Lima EAC (12543) (20), EAC (12547) (3). JR Lemos 16 (13). L Almeida EAC (3109) (3). L Figueiredo et al. 88 (12). LD Meireles et al. 1115 (1). LP Queiroz et al. 6396 (29). LW Lima-Verde 1518 (1), 1641 (28), 2019 (2), 2022 (23), 3527 (22), 3568 (17). LW Lima-Verde & EO Barros 677 (3). LW Lima-Verde & MIB Loiola 360 (4). LW Lima-Verde et al. 2990 (23). M Mamede 21 (23). MF Agra & MRV Barbosa 2820 (12). MF Agra et al. 5257 (12). MF Moro 550 (21), 594 (22). MIB Loiola et al. 1401 (9), 1403 (4). ML Guedes et al. 21745 (27). MS Lopes & ER Silva 28447 (21). MS Sobrinho 274 (1). P Bezerra EAC (802) (16). PL Krieger 7973 (29). RG Ferreira EAC (48922) (22). RM Harley 18618 (27). S Mori et al. 10042 (11). VS Sampaio 146 (10), EAC (61081) (20). VS Sampaio & LJL Carvalho 144 (30). VS Sampaio & R Moura 127 (10). VS Sampaio et al. 69 (8), 103 (2), 105 (16), 106 (6), 123 (14), 133 (18), 136 (24), 139 (17), 140 (6), 141 (14), 143 (20), 148 (23), 151 (17), 153 (4), 155 (23), 162 (24), 168 (19), 278 (13).

Veja material suplementar em

<https://doi.org/10.6084/m9.figshare.8178806.v1>

Agradecimentos

À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001, a bolsa de Doutorado concedida à primeira autora; ao projeto REFLORA/SiBBr, a oportunidade de analisar as coleções dos herbários estrangeiros; ao CNPq, a bolsa de Iniciação Científica concedida a Ingridd Mota e Ednardo Almeida Júnior; aos projetos Flora do Ceará: conhecer para conservar, INCT-Herbário Virtual da Flora e Fungos do Brasil (465.420/2014-1), Efetividade de UCs Federais do estado do Ceará na conservação biológica do semiárido brasileiro - Ubajara e Aiuaba (551998/2011-3) e Estrutura e funcionamento de comunidades e populações do semiárido brasileiro (552213/2011-0), o apoio financeiro para as expedições de campo; aos amigos Leonardo Jales Leitão, Marcelo Carvalho, Francisco Melo Neto, Francisco Ávila, Ricardo Moura, Romário Tabosa, Rúbia Fonseca e Elnatan Bezerra de Souza, a parceria de coletas, a cessão das fotos e informações de novos registros; a Leandro Giacomin, o suporte e valiosas contribuições; a Felipe Martins Guedes, a elaboração das ilustrações. Maria Iracema Bezerra Loiola agradece ao CNPq, a bolsa de Pesquisador concedida.

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Recebido: 16 de Junho de 2017; Aceito: 09 de Julho de 2018

3Autor para correspondência: valeriasampaiobio@gmail.com

Editor de área: Dr. Leandro Giacomin

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