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Jornal da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia

On-line version ISSN 2179-6491

J. Soc. Bras. Fonoaudiol. vol.23 no.4 São Paulo Dec. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S2179-64912011000400018 

COMUNICAÇÃO BREVE BRIEF COMMUNICATION

 

Equivalência cultural da versão Brasileira da Voice Symptom Scale - VoiSS

 

 

Felipe MoretiI; Fabiana ZambonI; Gisele OliveiraII; Mara BehlauI

IDepartamento de Fonoaudiologia, Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP - São Paulo (SP), Brasil; Centro de Estudos da Voz - CEV - São Paulo (SP), Brasil
IICentro de Estudos da Voz - CEV - São Paulo (SP), Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Apresentar a equivalência cultural da versão brasileira da Voice Symptom Scale - VoiSS.
MÉTODOS: O questionário foi traduzido para a língua portuguesa por duas fonoaudiólogas brasileiras bilíngues, cientes do objetivo da pesquisa. A retrotradução foi efetuada por uma terceira fonoaudióloga brasileira, bilíngue e professora de inglês, não participante da etapa anterior. Após comparação das traduções, produziu-se uma única versão denominada Escala de Sintomas Vocais - ESV, que foi aplicado a 15 indivíduos com queixa vocal. O critério de inclusão foi presença de disfonia, independentemente do grau ou tipo. A cada questão foi acrescentada a opção "não aplicável" na chave de resposta.
RESULTADOS: No processo de tradução e adaptação cultural não houve modificação e/ou eliminação de nenhuma das questões. A ESV reflete a versão original do inglês, com 30 questões, sendo 15 referentes ao domínio limitação (funcionalidade), oito ao domínio emocional (efeito psicológico) e sete ao domínio físico (sintomas orgânicos).
CONCLUSÃO: Houve equivalência cultural da VoiSS para o Português Brasileiro na versão intitulada ESV. A validação da ESV está em fase de conclusão.

Descritores: Disfonia; Estudos de validação; Qualidade de vida; Tradução (produto); Qualidade da voz; Distúrbios da voz/diagnóstico; Questionários


 

 

INTRODUÇÃO

Os distúrbios vocais ocorrem em 3 a 9% da população(1) e provocam efeitos negativos importantes na qualidade de vida destes pacientes. Para quantificar tal impacto, assim como avaliar a evolução do paciente e guiar as decisões terapêuticas, inúmeros protocolos de autoavaliação têm sido desenvolvidos(2), sendo a maior parte deles na língua inglesa.

Os questionários de autoavaliação ganharam rápida popularidade clínica e científica(2). Contudo, os aspectos relacionados ao desenvolvimento de um instrumento receberam maior atenção apenas nos últimos 15 anos, culminando na elaboração do documento do Scientific Advisory Committee of Medical Outcome Trust(3), cuja idéia central é recomendar critérios de padronização para o desenvolvimento de protocolos de autoavaliação de qualidade de vida e validações em outros idiomas que não os originais.

Para que seja utilizado em outros idiomas, um instrumento deve ser traduzido e adaptado de acordo com as regras internacionais e, em seguida, ter suas propriedades de medida demonstradas num contexto cultural específico(3). Assim, deve ser cuidadosamente traduzido e adaptado, fugindo da simples tradução literal que exclui os contextos culturais e sociais. Ao final do processo, o protocolo traduzido e adaptado deve ser testado para a certificação de sua adequação para a população, idioma e cultura em questão, seguindo as regras internacionais de adaptação linguística e equivalência cultural, validade, reprodutibilidade, sensibilidade e confiabilidade(3).

A Voice Symptom Scale - VoiSS é um robusto instrumento de autoavaliação de voz e sintomas vocais para evidenciar respostas clínicas a tratamentos nas disfonias, que foi conceitualmente desenvolvido a partir de informações de mais de 800 pacientes(4-6). Atualmente, a VoiSS é considerado o protocolo mais rigoroso e psicometricamente robusto para a autoavaliação vocal(2,6), trazendo informações de funcionalidade, impacto emocional e sintomas físicos que um problema de voz pode acarretar na vida do indivíduo.

O objetivo deste estudo foi realizar a equivalência cultural da versão brasileira da Voice Symptom Scale - VoiSS(4-6) por meio da adaptação cultural e linguística do instrumento.

 

MÉTODOS

A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) (1946/10). Todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).

Inicialmente, o instrumento VoiSS foi traduzido para a língua portuguesa por duas fonoaudiólogas brasileiras bilíngues, cientes do objetivo da pesquisa, que realizaram a tradução conceitual, evitando o uso literal de palavras ou frases. Após esta etapa, as duas traduções foram compiladas em uma única. A retrotradução foi efetuada por uma terceira fonoaudióloga brasileira, bilíngue e professora de inglês, que não participou da etapa anterior. A tradução e a retrotradução foram comparadas entre si e ao instrumento original, sendo que discrepâncias existentes foram analisadas e discutidas por um comitê composto por cinco fonoaudiólogos especialistas em voz, com proficiência na língua inglesa, que realizaram as mudanças necessárias por consenso. A partir disso foi produzido um protocolo final, chamado Escala de Sintomas Vocais - ESV.

Para obtenção da equivalência cultural, a ESV foi aplicada a um grupo de 15 indivíduos com queixa vocal, selecionados em serviços públicos de atendimento na área de Voz. A cada uma das questões do protocolo foi acrescida a opção "não aplicável" na chave de respostas, havendo seis possibilidades de respostas nesta fase do estudo (nunca, raramente, às vezes, quase sempre, sempre e "não aplicável"). Tal acréscimo foi proposto para identificação de sentenças não compreendidas ou inapropriadas para a população, e posterior modificação ou eliminação.

O critério de inclusão para o estudo foi presença disfonia, independentemente do grau ou tipo. Para os critérios de exclusão, considerou-se presença de distúrbios neurológicos, cognitivos e/ou psiquiátricos que inviabilizassem a aplicação do protocolo, falta de compreensão das instruções do protocolo e/ou analfabetismo.

 

RESULTADOS

No processo de tradução e adaptação cultural não houve modificação e/ou eliminação de nenhuma das questões. A composição final da tradução da ESV (Anexo 1), após adaptação cultural e linguística, apresenta 30 questões interrogativas. Destas, 15 são referentes ao domínio limitação (funcionalidade) - por exemplo "Você perde a voz?"; oito ao domínio emocional (efeito psicológico) - por exemplo "Você tem vergonha do seu problema de voz?"; e sete ao domínio físico (sintomas orgânicos) - por exemplo "Você tosse ou pigarreia?".

 

DISCUSSÃO

A obtenção da equivalência cultural é o início essencial para a validação de protocolos(3), pois todo o restante do processo é realizado a partir dela. É por meio da adaptação cultural que um questionário traduzido pode ser direcionado à população da língua em questão.

A literatura é muito clara quanto à necessidade de especificidade de um protocolo de autoavaliação, ou seja, o quão específico ele é para a população, situação ou patologia a que se destina. A ESV é específica para a identificação de sintomas vocais que evidenciem respostas clínicas a tratamentos nas disfonias.

A conclusão do processo de validação da VoiSS para o Português Brasileiro possibilitará seu uso confiável na prática clínica e na pesquisa, pois a experiência de percorrer os passos para validação de um protocolo auxilia na compreensão dos aspectos comuns de pacientes com distúrbios vocais(7). Pesquisas futuras com a VoiSS poderão realizar a comparação de seus resultados, já que a utilização de um instrumento padronizado e validado para o nosso idioma viabilizará um maior rigor científico.

 

CONCLUSÃO

Há equivalência cultural da VoiSS para o Português Brasileiro na versão intitulada ESV. A validação da ESV para o Português Brasileiro está em fase de conclusão.

 

REFERÊNCIAS

1. Verdolini K, Ramig LO. Review: occupational risks for voice problems. Logoped Phoniatr Vocol. 2001;26(1):37-46.         [ Links ]

2. Branski RC, Cukier-Blaj S, Pusic A, Cano SJ, Klassen A, Mener D, et al. Measuring quality of life in dysphonic patients: a systematic review of content development in patient-reported outcomes measures. J Voice. 2010;24(2):193-8.         [ Links ]

3. Assessing health status and quality-of-life instruments: attributes and review criteria. Qual Life Res. 2002;11(3):193-205.         [ Links ]

4. Scott S, Robinson K, Wilson JA, Mackenzie K. Patient-reported problems associated with dysphonia. Clin Otolaryngol Allied Sci. 1997;22(1):37-40.         [ Links ]

5. Deary IJ, Wilson JA, Carding PN, MacKenzie K. VoiSS: a patient-derived Voice Symptom Scale. J Psychosom Res. 2003;54(5):483-9.         [ Links ]

6. Wilson JA, Webb A, Carding PN, Steen IN, MacKenzie K, Deary IJ. The Voice Symptom Scale (VoiSS) and the Vocal Handicap Index (VHI): a comparison of structure and content. Clin Otolaryngol Allied Sci. 2004;29(2):169-74.         [ Links ]

7. Behlau M, Oliveira G, Santos LM, Ricarte A. Validação no Brasil de protocolos de auto-avaliação do impacto de uma disfonia. Pró-Fono. 2009;21(4):326-32.         [ Links ]

 

 

Endereço para correspondência:
Felipe Moreti
R. Visconde de Mauá, 347, Vila Assunção
Santo André (SP), Brasil, CEP: 09030-530.
E-mail: felipemoreti@uol.com.br

Recebido em: 28/7/2011
Aceito em: 30/8/2011

 

 

Trabalho realizado no Departamento de Fonoaudiologia da Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP - São Paulo (SP), Brasil. Apresentado no 19º Congresso Brasileiro e 8º Internacional de Fonoaudiologia, São Paulo; 2011. Pesquisa realizada com financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES.

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