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Almanack

On-line version ISSN 2236-4633

Almanack  no.24 Guarulhos  2020  Epub Apr 30, 2020

https://doi.org/10.1590/2236-463324ed00219 

Dossiê

SÃO SEBASTIÃO DO RIO DE JANEIRO E JAMESTOWN (VIRGINIA): HIPÓTESES PRELIMINARES SOBRE REBELIÕES, CIDADES E ESPAÇOS NAS AMÉRICAS (1660-1677) 1

SÃO SEBASTIÃO DO RIO DE JANEIRO AND JAMESTOWN (VIRGINIA): PRELIMINARY CONSIDERATIONS ABOUT REBELLIONS, CITIES, AND SPACE IN THE AMERICAS (1660-1677)

1Universidade Federal Fluminense. Niterói - Rio de Janeiro - Brasil.


Resumo

Na América portuguesa explode em finais de 1660 um protesto no qual a elite local depõe o governador régio e assume a gestão da cidade do Rio de Janeiro por cinco meses. Em 1675, na colônia inglesa da Virginia, homens de fronteira somados a outros segmentos atacam o governador e seus aliados, deflagrando uma guerra civil conhecida como Revolta de Bacon, em homenagem ao seu principal líder.

Este artigo examina um fenômeno espacial observado a partir do contraste entre essas duas rebeliões. Enquanto em terras fluminenses as ações rebeldes convergem para o espaço da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro reforçando o papel central da capital onde as negociações e os protestos se concentraram, na Virginia, ao contrário, a dispersão espacial é flagrante, com o esvaziamento da capital Jamestown que foi totalmente incendiada durante os conflitos que se espalham pelo território.

Palavras-chaves: Revoltas Coloniais; Virgínia; Rio de Janeiro; História espacial

Abstract

In Portuguese America, in the late 1660s, a protest erupted in which the local elite overthrow the royal governor and took over the city of Rio de Janeiro for five months. In 1675, in Colony of Virginia, frontier men added to other segments attacked the governor and his allies, sparking a civil war known as Bacon’s Rebellion, in honor of its main leader. This article examines a spatial phenomenon observed from the contrast between these two rebellions.

While in Rio de Janeiro, rebel actions converge on the space of the city of São Sebastião in Rio de Janeiro, reinforcing the central role of the capital where negotiations and protests were concentrated, in Virginia, on the contrary, the spatial dispersion is striking, with the emptying of the capital Jamestown that was totally burnt down during the conflicts that spread across the territory.

Keywords: Rebellion; Virginia; Rio de Janeiro Spacial History

A capitania do Rio de Janeiro, domínio da coroa portuguesa, e a colônia da Virginia, colônia real da Inglaterra, assistem em 1660 e 1676 à explosão de graves lutas políticas internas que duram alguns meses. Nas duas regiões, grupos de colonos insatisfeitos com o governo local se mobilizam e atacam o governador, derrubam os representantes leais a ele e adotam a autogestão, implementando novas medidas políticas, militares e econômicas de administração. Em seus manifestos os amotinados do Rio de Janeiro e da Virgínia defendem que suas atitudes são legítimas, amparadas no direito e, ainda, uma prova de lealdade ao rei contra a tirania com que seus representantes governavam os súditos distantes da coroa.4

Ao redor da baia de Guanabara ou da baia de Chesapeake os moradores tinham queixas comuns. Reclamavam contra as altas taxas que eram cobradas sem consulta aos representantes e contra as medidas comerciais que limitavam os lucros dos produtores. Ambas as regiões passavam por mudança no regime de mão de obra, adotando escravizados africanos poucas décadas antes das rebeliões.5 Sem grandes diferenças eram também as acusações de corrupção, enriquecimento ilícito e controle absoluto da máquina de governo.

As revoltas dos colonos do Rio de Janeiro contra o governador Salvador Correa de Sá e Benevides e de Nathaniel Bacon contra William Berkeley conhecem desfechos semelhantes. Os governadores atacados reagem com o apoio de forças navais da metrópole, retomam o controle da região sem deixar de condenar e executar sumariamente na forca os líderes rebeldes. Apesar disso, após a investigação da metrópole, os governadores têm um destino parecido: perdem o cargo e recebem reprimenda do rei.6

A BAÍA DA GUANABARA E A CIDADE DE SÃO SEBASTIÃO DO RIO DE JANEIRO ( POR JOÃO TEIXEIRA ALBERNAZ, 1626 )

Livro que dá Razão do Estado do Brasil, por João Teixeira Albernaz I, 1626 

A BAÍA DE CHESAPEAKE E A CIDADE DE JAMESTOWN, VIRGINIA(POR WILLEM BLAEU, 1644, COM BASE NO MAPA DO CAPITÃO JOHN SMITH, 1612)

São Sebastião e Jamestown7

As capitais das duas regiões têm um envolvimento ativo no cenário rebelde. As ruas, os prédios e as instituições das cidades de São Sebastião do Rio de Janeiro, fundada pelos portugueses em 1565, e de Jamestown, ou James Cittie, fundada pelos ingleses em 1607, são disputadas com violência pelos grupos políticos que atacam o governo local.

Em uma perspectiva macroespacial, o movimento dos atores direta ou indiretamente relacionados ao protesto nas Américas portuguesa e inglesa transcorre em uma paisagem geográfica muito semelhante. Em ambas, o teatro de luta se passa em divisões administrativas dos Impérios europeus (capitania do Rio de Janeiro; colônia da Virginia) dominadas por uma baia (Guanabara e Chesapeake) à beira da qual se situa uma cidade (Rio de Janeiro e Jamestown); há, ainda, uma linha costeira bem recortada e tais cidades estão cercadas a maior ou menor distância por centros de povoamento menores articulados ao centro do protesto (São Vicente, Santos e São Paulo; Maryland, Carolina). O cenário econômico é semelhante, com plantations utilizando trabalho compulsório (açúcar com nativos escravizados; tabaco com servos por contrato) em transição para o trabalho africano escravizado.8 Sem falar da dependência que tais regiões têm em relação às metrópoles europeias (Portugal e Inglaterra) que monitoram à distância os eventos em suas colônias americanas, dispostas a intervir sempre que possível.

Os conflitos nas colônias portuguesa e inglesa aqui tratados se passam em contextos de instabilidade política nas cortes de ambas as realezas. Portugal, desde a morte de Dom João IV em 1656, governado pela rainha regente D. Luísa de Gusmão atravessava um período de intranquilidade. Na corte a regente, a despeito das pressões, retardou enquanto pode a passagem do governo para o sucessor D. Afonso, considerado incapaz para assumir o trono, situação que só mudaria em 1662.9 Na Inglaterra, o flerte de Carlos II com o catolicismo na década de 1670 ainda desgastava sua relação com o Parlamento e as tendências antipapistas, que tendiam a perseguir católicos, presbiterianos, batistas e muito outros dissidentes e inconformistas. As disputas entre Carlos II, casado desde 1662 com Catarina de Bragança, católica, e o Parlamento em torno da política religiosa atingem um ponto crítico com aprovação da segunda Declaração de Indulgência religiosa pelo rei em 1672 enfrentando dura reação do Parlamento que forçou sua suspensão no ano seguinte. Soma-se a isso a resistência de Carlos II em se divorciar de Catarina, que não conseguia conceber um herdeiro ao trono, e se casar de novo; pesando ainda os prejuízos com a terceira guerra anglo-holandesa de 1672-1674.10

Por outro lado, as elites locais nas duas áreas guardam diferenças entre elas. No recôncavo fluminense os “homens principais”, senhores de terras, detentores de lugar no Senado da Câmara e posições de relevo, ou atuando nos circuitos comerciais, integram famílias de “conquistadores” da capitania 11. Na Virginia, como demonstra Martin H. Quitt, na segunda metade do século XVII era mais forte a presença da primeira geração dos imigrantes. Formada pelos filhos mais jovens de famílias inglesas, com as quais mantém relações tensas, na América participavam das instâncias de representação locais e regionais, cultuando um intenso individualismo e alta competitividade entre si, empenhados em realizações diferentes das do passado na Inglaterra.12

Ao examinarmos a mobilidade espacial de cada uma das rebeliões, no tocante à cidade e às regiões de produção, emergem algumas singularidades entre Rio de Janeiro e Virginia. Na revolta no Rio de Janeiro o rebeldes convergem para a cidade que, de certo modo, disciplina os conflitos, no seio da ordem estamental equilibrada pelos símbolos da realeza e suas instituições.13 Na Virginia, a cidade de Jamestown, que acolhe inicialmente algumas ações dos rebeldes, vê seu papel encolher rapidamente à medida que a luta política se dispersa no amplo território, fomentada por valores individualistas, isto é, associada à noção de direitos que não dependem de pactos corporativos. .15

Vale salientar desde já que tratamos de uma modalidade de resistência política específica, das muitas que se desenrolaram na modernidade ocidental. As rebeliões formais, tipo de protesto que adotam os súditos ultramarinos de Portugal e da Inglaterra na segunda metade do século XVII, exigiam o uso intenso do território. Outras formas de resistência conhecidas naquela época pediam menos espaço. Para organizar uma conjura bastavam lugares discretos e reservados, o silencio de paredes ou as cumplicidades da alcova. Para uma chicana jurídica promovida por um magistrado intrigante era suficiente uma mesa, papéis e tintas. A sedição no entanto, com ampla atuação de grupos sociais diversificados, era um movimento armado e coletivo de confrontação aos poderes da monarquia que não podia ficar confinado.15 O risco político que corriam os súditos ao se rebelarem confrontando as autoridades que representavam o poder da realeza exigia demonstrações explícitas de que a insatisfação era geral, de toda a comunidade, o que colaborava para a sustentar estratégias de persuasão junto ao poder central quanto a sua legitimidade. Os povos da República marchavam coletivamente, como unidos promoviam diversas ações preenchendo os espaços americanos.

Por outro lado, sob a cultura política de então, fortemente litúrgica, eram necessárias as demonstrações rituais que, em diferentes níveis, dialogavam com as instituições e símbolos que expressavam autoridade.16Era mandatório ocupar a cidade. Da mesma forma, de acordo com as circunstâncias, outros territórios ao redor desses núcleos foram percorridos pela onda rebelde, como fazendas, fortes, terras indígenas, dotados, de algum modo, de significado de poder.

Na revolta fluminense de 1660, a população irrequieta preenche por inúmeras vezes as pequenas ruas da malha urbana da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, enchendo os largos e praças aos gritos. Acusavam os governantes de tirania e pediam sua deposição, dando “Viva” ao soberano de Portugal repetidas vezes. Ao som do sino da câmara da cidade divulgava-se amplamente um novo tempo que se abria, despertando atenção e convocando o apoio da população. O prédio da câmara seria logo ocupado pelos rebeldes que destituem os vereadores e discutem medidas imediatas de reforma, em seguida adotadas.17

A negociação dos primeiros dias se espalha pelo espaço urbano. Nas fortalezas os comandantes são substituídos por militares leais aos rebeldes, novas eleições na câmara afastam os representantes que apoiavam o governador, as casas do governador e de seus aliados são atacadas e saqueadas pela turba. Diante do tumulto, as principais autoridades do governo buscam proteção nos prédios sagrados supondo estarem ali a salvo de agressões. Tomé de Alvarenga, o governador interino, foge para o convento de São Bento, o mesmo fazendo alguns outros membros da elite. Na praça principal da cidade é lido diante de milhares de pessoas um manifesto justificando o movimento armado.

As negociações para reordenar a administração da capitania a partir de dezembro de 1660 vão mexer nessas peças desse tabuleiro. O governador interino seria fisgado no convento. A inviolabilidade dessa parcela do espaço urbano ocupada pela igreja, local sagrado que parecia impor sua força corporativa, mesmo perante o poder da justiça régia, desmorona diante da “promiscuidade estamental”18 que as crises políticas costumavam estabelecer na cultura barroca de então. Tomé de Alvarenga seria levado pela multidão para o prédio da câmara onde lhe foi proposto apoiar a destituição de Salvador Correa. Sua recusa irá conduzi-lo à prisão na fortaleza de Santa Cruz. Para esse local iriam também seus familiares e várias pessoas fiéis à velha ordem. O povo busca ainda Agostinho Barbalho, refugiado no convento de Santo Antônio, e o conduz à câmara para que aceitasse o cargo de governador. Ele também se recusa, mas logo mudaria de ideia diante da persuasão popular: ou aceitava a função ou seria sumariamente executado. Sob o teto da câmara fluminense o novo governador é aclamado.

Da mesma câmara municipal partem as cartas oficiais para as regiões vizinhas buscando apoio ao movimento, ali também é o local onde o ouvidor geral legisla, lançando medidas administrativas para assegurar justiça aos súditos. O eixo em torno do qual tudo se agita é indiscutivelmente a câmara, instância em que se cruzam a ordem monárquica e os interesses das elites locais. Ela confirma no dia a dia do movimento de protesto seu papel na tradição portuguesa como símbolo da cultura monárquica estabelecido em consonância com os direitos comunitários.

No Rio, os rebeldes utilizam ainda com grande desembaraço os prédios espalhados pela cidade: conventos, praças e fortes são intensamente frequentados no vai-e-vem dos conflitos e negociações. Os arredores da cidade participam de maneira episódica daqueles meses tumultuados. Nas vilas vizinhas, como São Paulo e São Vicente, o governador Salvador Correia, cujo interino foi deposto, negociou o isolamento político dos rebeldes fluminenses, que não conseguem fazer alianças externas, e preparou a reconquista da cidade. Nesse cenário outras áreas jogam também papel relevante. Algumas missões jesuíticas nos arredores do Rio prometeram apoiar com seus índios a defesa da cidade. As fazendas de açúcar espalhadas pelo recôncavo fluminense foram locais de conspiração, como a casa da família Barbalho, e fornecedoras de gente para integrar as turbas rebeldes que nos momentos apropriados se dirigiam à cidade, palco principal do protesto.

No Atlântico Sul a cidade rebelde é um corpo que se movimenta. A apropriação de seus imóveis durante os meses que dura o protesto guarda e subverte um forte conteúdo simbólico que dialoga com a natureza dessa sociedade: os prédios conventuais protegem e tentam guardar autoridades amedrontadas, as praças expõem a fúria coletiva e, mais tarde, convertem-se em palco da repressão exemplar, as fortalezas aprisionam e defendem, a câmara encerra a ferramenta de governo e negociação institucional. Residências da elite são alvos da política redistributiva dos amotinados.

No mapa adiante aparecem numerados, assinalados e descritos os principais eventos - acompanhados de suas datas - a partir do início da rebelião no Rio de Janeiro, divididos nas quatro principais fases do processo (ações rebeldes; proclamações rebeldes; confrontos militares; repressão). Tais divisões foram também adotadas na representação semelhante feita para a revolta de Bacon, possibilitando comparações sob os mesmos parâmetros. A localização espacial dos eventos na colônia portuguesa não deixa dúvida da enorme concentração dos acontecimentos nos limites da cidade do Rio de Janeiro, havendo apenas duas situações envolvendo o movimento que transcorrem fora dali.

(Fontes: os dados empíricos para a confecção desse quadro foram recolhidos nas seguintes fontes: BOXER, Charles R. Salvador de Sá e a luta pelo Brasil e Angola, 1602-1686. São Paulo: Companhia Editora Nacional, Editora da Universidade de São Paulo, 1973; COARACY, Vivaldo. O Rio de Janeiro no século dezessete. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1965; FAZENDA, Vieira. Antiqualhas e memórias do Rio de Janeiro. Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Rio de Janeiro, t. 88 e 89, v. 142 e 143, 1920).

Dezesseis anos depois, em uma paisagem semelhante, à beira de uma baía e cercada de plantations, outra cidade seria agitada com uma rebelião. Jamestown, capital da colônia inglesa na Virginia, entre 1607 e 1699, quando cede o posto para Williamsburg, se envolveria de maneira distinta com o movimento de protesto que passou a ser conhecido como Bacon’s Rebellion.19

O modesto povoado nas margens do rio James foi o palco das primeiras disputas amargas na Statehouse20 entre os interesses dos homens de fronteira e o grupo alinhado em torno do governador William Berkeley em 1676. Esgotadas as barganhas políticas tentadas entre as autoridades e os colonos com insatisfações acumuladas, as primeiras ações dos rebeldes ocorrem com a invasão da cidade. Comandando um exército com cerca de 500 homens, Nathaniel Bacon ocupa temporariamente Jamestown em junho de 1676 cercando a Statehouse, exigindo que fosse perdoado de traição a que havia sido condenado pelo governador e que lhe fosse assegurado o direito de comandar expedições de ataque aos índios.

Alguns meses depois Bacon ocupa novamente a cidade e ali lança sua “Declaration of the People”, listando acusações contra o governador tirânico, pedindo seu afastamento e propondo reformas.21 Antes de as posições se tornarem irredutíveis, a Statehouse de Jamestown vinha sediando debates entre junho e julho de 1676 sobre os principais temas que levariam à revolta. Na House of Burgesses22 - a Assembleia que reunia representantes eleitos dos condados (equivalente aos municípios) e de algumas poucas cidades (como era o caso de Jamestown e Norfolk) - os debates também não avançam.

Nessa instituição travaram-se as grandes disputas entre os projetos antagônicos relacionados aos índios da região, uma das principais causas do protesto. Em diversas assembleias na Statehouse de Jamestown nos meses de junho de 1676 Nathaniel Bacon e seu grupo de homens de fronteira pressionaram abertamente os representantes alinhados ao governo da colônia pelo direito a organizar expedições para exterminar índios. Por outro lado, também pretendiam se aproveitar das oportunidades de expansão comercial com os grupos indígenas no oeste, especialmente para os colonos que não conseguiam competir no comércio de tabaco.23 Em outros momentos, como uma forma maior de pressão, a House of Burgesses seria cercada pelos grupos que discordavam da política adotada pelo governo local. Não era a primeira vez que Jamestown servia de palco à mobilizações coletivas: décadas antes foi ali que os colonos protestaram contra o governador John Harvey, marchando em grupo pela cidade em 1635.

Se a cidade inglesa parece abrigar a revolta, como se passou no Rio de Janeiro, a comparação não vai muito longe à medida que se passa da resistência à revolta. Contrastado ao que aconteceu no Rio de Janeiro, Jamestown, quanto ao uso do espaço urbano pelos rebeldes, foi gradualmente perdendo relevância.

Ademais, ao contrário do que se ocorria em territórios sob domínio da coroa portuguesa, a capital não monopolizava os debates e as decisões que agitaram os colonos separados ao longo da Virginia. O modelo político e administrativo que os ingleses adotam era descentralizado. Muitas decisões importantes foram tomadas em Assembleias e Cortes instaladas em condados espalhados pela colônia real.24 Na Middle Plantation em maio foram assinados os tratados com os índios, na Corte de justiça do condado de Surry Nathaniel Bacon recebeu apoio para organizar expedições de ataque aos índios, ao passo que na corte do condado de Henrico em maio publica-se um declaração oficial acusando Bacon de crime de rebeldia.25

Ainda assim, Jamestown era a capital. E como tal seria dragada para o olho do furacão, ocupada e reocupada pelos exércitos das poderosas forças em disputa. Decididamente ela deixa de ter protagonismo a partir do momento que tem início o processo de rebelião, exceto talvez como símbolo. Mesmo as instituições representativas sediadas na capital, como a House of Burgesses, perdem relevância à medida que o conflito se dissemina pela colônia.

A representação espacial dos conflitos na revolta de Bacon exposta no mapa abaixo, elaborado com os mesmos tipos de informação e classificação daqueles empregados para a revolta no Rio de Janeiro, demonstra como os rebeldes fizeram uso de grandes espaços na colônia ao longo dos meses de protesto. Sem desconsiderar o papel de Jamestown nos momentos iniciais, os confrontos militares entre forças aliadas ao governador e os partidários de Nathaniel Bacon ocorrem espalhados pela região, assim como a repressão exemplar aos rebeldes e a leitura de proclamações dispensam a centralidade da capital.

(Fontes: os dados empíricos para a confecção desse quadro foram recolhidos nas seguintes fontes: RICE, James D. Tales from a Revolution: Bacon’s Rebellion and the Transformation of Early America. Oxford: Oxford University Press, 2012; TARTER, Brent. Bacon, Berkeley, and the Grievances of Virginians. In: KUPPERMAN, Karen Ordahl. Major Problems in American Colonial History: Documents and Essays. Boston: Houghton Mifflin, 2000; Carson, Jane. Bacon’s Rebellion, 1676-1976. Jamestown Foundation, 1976.)

O território envolvido na Bacon’s Rebellion transbordou os tímidos limites do pequeno povoado de Jamestown. Como indica o quadro, a conflagração entre os grupos em disputa percorre uma extensa área envolvendo outras cidades, as principais sedes das grandes plantations como Middle Plantation, Green Springs (de propriedade do governador) e Henrico, fortes, aldeias indígenas e os rios que recortavam a baía de Chesapeake. Há uma verdadeira guerra de movimento englobando essas pequenas cidades, aldeias, núcleos comerciais e propriedades.

O caráter disperso do movimento explica parcialmente o ocaso do centro urbano fundador da colonização inglesa na área, assim como de suas instituições representativas. É sintomático que depois de destruída por um incêndio a Statehouse de Jamestown tenha demorado dez anos para ser reconstruída.

Bernard Baylin escreveu certa vez que a revolta de Bacon começou como uma guerra não autorizada contra os índios e acabou como um levante que ameaçou as bases sociais e políticas dos poderes na Virginia. 26 A movimentação espacial dos rebeldes marcada por uma dispersão territorial na Virginia está no DNA da rebelião contra o governador em virtude de uma dinâmica peculiar que ali se passa uma vez que a mobilização geral nasce com as expedições de colonos para atacar índios em diferentes pontos. As primeiras negativas de Berkeley em autorizar esses empreendimentos e a designação de Nathaniel Bacon como um rebelde serviram de combustão para o protesto generalizado, agregando muitas outras bandeiras.

Seu desenrolar não perderia essa característica de espalhamento. Não seriam mais expedições e lutas entre colonos e índios, mas lutas entre ingleses rebeldes aliados de Bacon contra as forças leais ao governador. Por outro lado, a organização do sistema produtivo e comercial que se adotou na Virginia desde o sucesso da produção do tabaco tem papel relevante para explicar a dispersão. As plantations para exportação se tornam pequenas comunidades “with warehouses, shops, slave quarters, and the plantation residence.” 27 Neste aspecto se assemelhavam à estrutura dos engenhos fluminenses, exceto no que se refere ao escoamento da produção para o mercado externo.28 Na Virginia, a proximidade com os rios permite que as plantations disponham de portos para receberem os compradores, ajudado pela geografia que apresentava diversos intervalos de rios navegáveis e profundos habilitando a penetração de grandes navios para o interior a fim de comercializar.29

O exame das duas representações gráficas da ocupação dos recôncavos das baías de Guanabara e de Chesapeake permite visualizar o que se passava ao redor do Rio de Janeiro e de Jamestown. O mapa produzido por Maurício Abreu30 indica a distribuição dos engenhos de cana de açúcar que brotaram como cogumelos no recôncavo fluminense a partir do cerco holandês ao nordeste que desestruturou sua economia desde a década de 1630. Na Virginia, algo muito semelhante se vê no desenho de Herman R. Friis31 indicando a vasta ocupação dos colonos ingleses com suas fazendas de tabaco nas bordas da baía de Chesapeake.

A semelhança entre a cartografia do povoamento dessas colônias de exportação de produtos tropicais vai ganhar uma dinâmica oposta quando ela se torna palco das revoltas de 1660, no Rio, e de 1676, na Virginia. Como vimos, os produtores de açúcar, plantadores de mandioca e comerciantes fluem para a capital e ali permanecem travando as disputas políticas, ao passo que os donos das plantações de tabaco, num padrão dispersivo, logo abandonam a capital como palco de protesto espalhando os conflitos e as ações políticas de resistência pelo território.

ENGENHOS DE AÇÚCAR E NÚCLEOS COLONIAIS NO RIO DE JANEIRO (século XVII)

(Fonte: ABREU, Maurício de Almeida. Geografia Histórica do Rio de Janeiro (1502-1700). Rio de Janeiro, Andrea Jakobsson Estúdio, 2010. Mapa 14, v. 2, p. 99.)

PLANTAÇÕES DE TABACO E NÚCLEOS COLONIAIS NA BAIA DE CHESAPEAKE (1675)

(FONTE: FRIIS, Herman R., A Series of Population Maps of the Colonies and the United States, 1625-1790. American Geographical Society: New York, 1968. Publicado em HORNSBY, Stephen. British Atlantic, American Frontier: Spaces of Power in Early Modern British America. Edited by Michael Hermann Hanover [N.H.]: University Press of New England, 2005, p. 92. Cada ponto equivale a cerca de 200 habitantes.) 

O historiador John W. Reps já chamara a atenção para o padrão de povoamento dispersivo no território da Virginia que prejudicou o desenvolvimento de cidades, entendidas como centros capazes de concentrar população, serviços e funções. Jamestown nesse quadro parece mais uma cidade como tantas outras. E a eclosão da revolta não mudaria esse papel.32

Outra razão central foi sua destruição física, com seus prédios e construções incendiados. No fim de setembro os Baconians conquistam Jamestown das mãos de Berkeley e seus exércitos mas, em seguida, a queimam. O episódio da incineração de Jamestown, embora registrado com o assombro que merece por parte da historiografia norte-americana, nem por isso deixou de ser naturalizado por ela. Habitualmente o ato deliberado de incendiar o local aparece retratado das seguintes maneiras: como resultado de vingança das forças rebeldes contra Berkeley, estratégia militar e ainda como prova da indisciplina dos soldados que apoiavam Bacon. Não me parece que exista até o momento uma resposta satisfatória para decifrar esse enigma: por que súditos ingleses leais destroem pelo fogo a capital da colônia real? Afinal, exceto nas imagens românticas sobre a história dos protestos, não era prática comum nesse tipo de rebelião envolvendo súditos insatisfeitos que a violência chegasse ao extremo de incendiar uma cidade, especialmente uma cidade que fosse a capital de um domínio régio.

É difícil imaginar que portugueses, ainda que sob uma rebelião furiosa, chegassem ao ponto extremo de queimar uma das cidades do Império. Na conspiração urdida em 1641, quando Portugal há pouco rompera com Castela, para restituir o reino a Filipe IV de Espanha, circulou a suspeita de que os conjurados ateariam fogo no início de agosto em quatro pontos da cidade de Lisboa para distrair a atenção para o ataque ao palácio onde seriam assassinados rei, rainha, príncipe, infantas e serviçais da corte.33

O episódio do incêndio de Jamestown, que durante a rebelião passa de mão em mão, pode ser narrado ligeiramente. Desde o início as duas forças políticas principais disputaram o domínio da cidade. O governador Berkeley contava com uma pequena vantagem pois sua propriedade, Green Spring Plantation, ficava a cerca de 5 quilômetros da capital. Em setembro os dois lados tentam instalar ali suas tropas e Berkeley, no dia 8, retoma Jamestown sem disparar um tiro. Mas o sucesso militar do governador duraria pouco. Seis dias depois, a cidade foi cercada pelas forças de Bacon, obrigando o governador a abandoná-la em direção a Eastern Shore, no outro extremo da baía. Ao entrar na cidade no dia 19 os rebeldes concluem que não valia à pena permanecer ali, mas ela também não deveria ser retomada pelo governador. A solução que Bacon e seus seguidores encontram foi incendiá-la completamente. Sem demora, seus homens segurando tochas seguem de casa em casa queimando tudo, sem perdoar a Statehouse, armazéns, tabernas e igreja.34

As interpretações sobre tal tipo de procedimento circulam em torno do uso da violência, gratuita ou não. Harry Finestone compara o excesso daquele ato de Bacon à explosão de brutalidade que marcou as ações de Cromwell na Irlanda, durante a guerra dos Três Reinos nas Ilhas Britânicas: “This time, in a display of villainy reminiscent of Cromwell”. 35 M. Zuckerman defende que a queima da cidade foi uma maneira dos colonos levarem ao limite suas violências. 36 Hashaw, buscando incorporar o papel dos afrodescendentes lutando por igualdade na rebelião, relaciona a presença de grande número de africanos no exército de Bacon ao incêndio que marcou a conquista de Jamestown. 37

“Burning Jamestown”, capítulo do livro recente de James Rice sobre a revolta de Bacon vincula a queima da cidade ao equilíbrio de tensão das disputas militares, às batalhas navais e conflitos entre as forças leais a Berkeley e as tropas de Bacon que aconteciam pouco antes. Segundo sua análise o governador havia há pouco se colocado em vantagem e controlava a baía de Chesapeake, fazendo com que os rebeldes que tinham então o controle da cidade de Jamestown a abandonassem temendo um ataque naval de Berkeley. O governador ocupa a cidade e a prepara para suportar algum ataque, o que acaba acontecendo a 13 de setembro. As forças de Bacon se saem melhor, mas os aliados de Berkeley que permanecem em tendas, nos barcos e na Statehouse logo evacuam a cidade. Pareceu às lideranças das forças de Bacon, então no domínio da cidade, que arrasar aquele lugar acabaria com um dos centros de poder do governador. 38 A hipótese de Rice confirma o julgamento de uma das fontes da época. No livro em que Samuel Wiseman transcreve os principais testemunhos da revolta, registra-se que no dia

“19: [september] Bacon having early Intelligence next morning of their having thus quitted the Towne, enters it without the least opposition, & considering of what importance a place of that Refuge was, or might bee to the Governor & his party, immediately resolves to lay itt all in Ashes, & the same night setts fire to the Towne, Church, & Statehouse, which they themselves which had soe lately & basely deserted beheld to their shame & regret, as they rode in the ships & Sloops a little below in the River, & the same night arrived two ships in Virginia, Prynne and Morris Commanders.” 39

Lauren Benton oferece uma boa pista para interpretações mais precisas ao lembrar que uma cidade à margem do rio na cultura de domínio territorial da época representava para os ingleses muito mais que uma sede ou um entreposto. 40 Era a representação de poder da presença e domínio da coroa inglesa no Novo Mundo. Como defende a autora, os “marcadores físicos mundanos” foram usados tanto como as leis do Direito romano para assegurar posse dos territórios. Em Jamestown, Newport teria subido uma cruz em Cape Henry perto da entrada de Chesapeake Bay, e outra cruz rio acima da queda-d’água com a inscrição “Jacobus Rex. 1607”. 41 Além dessas considerações de Benton, que situa o papel dos núcleos urbanos na América inglesa do século XVII como representação do poder, é preciso contextualizar tensões e realidades mais palpáveis que atravessavam a Virginia e que costumam ficar à margem.

A forma tradicional de comercialização do tabaco, favorecida pela geografia de rios que facilitavam o embarque independente em navios dos comerciantes em cada propriedade permitindo aos produtores lutarem por melhores compradores, estava sob risco. Poucas décadas antes do conflito a coroa inglesa iniciou deliberadamente uma política de implantação de polos urbanos para aumentar o controle fiscal e comercial sobre a crescente exportação de tabaco, além de restringir o número de portos. As medidas procuravam reverter o padrão de povoamento dispersivo no território da Virginia que prejudicou o desenvolvimento de cidades, entendidas como centros capazes de concentrar população, serviços e funções. A tais mudanças se somava a promulgação dos Atos de Navegação a partir de 1651, sob Cromwell, reeditados em 1660 e 1663. Inicialmente pretendiam eliminar a presença holandesa no comércio colonial e, progressivamente, iriam se traduzir em pesadas cobranças aduaneiras sobre o tabaco e pressão para sua venda sob preço baixo. 42

A partir de 1662 há instruções precisas da Inglaterra para o governador construir cidades em cada um dos grandes rios da Virginia, utilizando uma taxa sobre o tabaco para financiar as obras. Elas detalhavam o modelo de cidade que se queria, com casas sólidas feitas de pedras, dimensões padrão, um traçado urbanístico funcional. Trata-se do “Act for building a towne”, bem menos célebre que que os Enumeration Acts (1660 e 1673) e o Staple Act (1663), mas integrando a mesma política de assegurar os lucros para os negociantes da metrópole.43

A medida alcança, porém, um resultado inexpressivo. Em Jamestown, por exemplo, somente quatro ou cinco novas casas foram construídas seguindo o novo modelo. Em 1675 a capital não tinha mais do que 100 (cem) homens livres e ainda, afirma Reps, “while buildings for the government remained, Jamestown was hardly more than a village”.44

A nova orientação de implantação de cidades como forma de controle sobre a liberdade comercial ajuda a entender a ação aparentemente excepcional de Bacon ao queimar uma cidade. A atitude pode ter sido um ato de resistência de caráter simbólico à tendência de um novo modelo de cidade que podia representar uma ameaça à autonomia e à liberdade comercial, o que parecia gradualmente fazer parte da política da Inglaterra em relação às suas colônias.

Cartografias rebeldes

É verdade que o Rio de Janeiro era um empório, se comparado à modesta e insalubre Jamestown com seus poucos habitantes. O pequeno povoado à beira do rio James nunca ultrapassou mais do que duzentas pessoas, distribuídas em torno de duas ruas principais.45 Ainda que seu crescimento tenha sido estimulado por Berkeley em 1662, o qual adotou um programa de renovação urbana, proibindo novas construções de madeira e obrigando a construção de 32 casas de pedra, as medidas são pouco eficazes. “James City County” ocupava um espaço de “3 quarters of a mile”, ou pouco mais de um quilômetro, com 16 ou 18 casas, uma igreja de tijolos (“the church build of brick, faire and large”). Ali cabiam cerca de uma dúzia de famílias.46

Já o mobiliário urbano do centro implantado pelos portugueses na baía de Guanabara contava com dezenas de fortalezas e fortins, igrejas e casas conventuais, amplo e sólido casario, câmara e cadeia e um porto capaz de distribuir mercadorias para o Atlântico sul e Europa. A cidade do Rio de Janeiro possuía três freguesias, São José, Sé e Santa Rita, com cerca de três mil almas, a se tomar as estimativas disponíveis para a década seguinte.47

A situação de cada uma das duas cidades em relação às estruturas existentes nas regiões, assim como as doutrinas políticas acionadas pelas tradições inglesa e portuguesa, podem ser consideradas comparativamente e, dessa forma, contribuir para discutir as diferenças entre a mobilidade espacial das duas revoltas.

No período que antecede as duas revoltas, Rio de Janeiro e Virginia partilhavam muitos aspectos em comum, como o poder local altamente concentrado nas mãos de governadores experientes, (Salvador Correia de Sá e Benevides, administrou a capitania do Rio de Janeiro nos períodos de 1637-43, 1648 e 1660-62, ao passo que Sir William Berkeley governou a Virginia entre 1642-44, 1645-1652, 1660-1661 e 1662-1677),48 economias amparadas em produtos para exportação, pressões comerciais crescentes que conduziam ao favorecimento dos negociantes do reino, problema com a mão de obra disponível para as lavouras, flutuação e queda dos preços de seus produtos de exportação e, ainda, descontentamentos de natureza fiscal por parte dos colonos.

Ambas as regiões às vésperas da eclosão das revoltas possuíam uma estrutura econômica já consolidada, amparada em alguns poucos produtos de exportação. Assim como os engenhos ao redor da baía que cercavam a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro confirmavam o sucesso da opção pelo açúcar que os portugueses haviam feito no início da colonização, a expansão das colheitas de tabaco nas fazendas da Virginia foi uma aposta vitoriosa já desde 1620.49

Apesar das semelhanças, convém ressaltar diferenças na forma como transcorreu a história espacial dessas experiências coloniais das Américas portuguesa e inglesa. A produção do tabaco consome com uma enorme velocidade os nutrientes do solo, exigindo novas terras depois das primeiras colheitas. Com a adoção da produção do gênero na Virginia e seu sucesso nos mercados europeus, o povoamento acelerado criou uma vasta ocupação de terras espalhadas ao redor de Chesapeake. Em seguida às primeiras colheitas, esgotadas as terras originais, os produtores precisavam de solos novos, ao mesmo tempo que a atração de novos aventureiros ingleses para tentar a sorte pedia mais espaço. O tabaco na Virginia gerou um crescimento exponencial da ocupação territorial com efeitos previsíveis: degradação ecológica, acirramento dos conflitos com os grupos nativos e dispersão territorial.50

Como afirmamos anteriormente, foi tímido o papel das cidades nesse ambiente de povoamento disperso em que as grandes fazendas buscavam se organizar para produzir tudo aquilo que precisavam.51 Outra circunstância importante relacionava-se à forma com que o tabaco era exportado. À beira dos inúmeros rios navegáveis que formavam Chesapeake Bay, como apontamos, os produtores construíam seus próprios portos gerando um padrão de exportação também descentralizado. Diante da multiplicação vibrante de portos em Chesapeake, Jamestown ficou à sombra.

Mesmo os Atos de Navegação desde 1651 e por mais uma vez implementados a partir da Restauração dos Stuart na Inglaterra (1660) quando a estabilidade política no reino possibilitou a organização de uma exploração mais sistemática das potencialidades dos domínios ultramarinos, a área preservou esse modelo de exportação. E com ele assistiu-se ao aumento do controle sobre o comércio do gênero de exportação a fim de favorecer os comerciantes ingleses. 52

Duas décadas antes Portugal fizera algo semelhante. No mesmo ano que Carlos I foi executado era criada, em 1649, a Companhia Geral do Comércio do Brasil, solução encontrada para que os produtos coloniais não escapassem das mãos dos comerciantes da metrópole portuguesa. 53 O açúcar brasileiro, além de outros gêneros tropicais passam a ser embarcados exclusivamente em navios da frota da Companhia, reforçando o papel de alguns poucos portos de embarque ao longo da costa brasileira como Salvador, na capitania da Bahia, e Rio de Janeiro. A obrigação do embarque de produtos para exportação em duas épocas do ano, quando as frotas bordejavam o Brasil, e a concentração da atividade em poucos portos, reforça o papel de algumas cidades litorâneas.

O impacto é enorme na região do Rio de Janeiro, cuja produção açucareira vinha crescendo muito desde que os holandeses ocuparam o nordeste da América portuguesa em 1630 e desorganizaram a maior fonte de exportação de açúcar do Brasil. Os produtores do interior da baia de Guanabara estreitam sensivelmente suas relações e mesmo sua dependência com a cidade-porto à medida que a economia se expande (o número de engenhos de açúcar salta de 5 unidades no início do século XVII para 35 no final da década de 1630, chegando a 98 fazendas na década de 1650)54 e a distribuição para o exterior ganha um novo formato.55

Se na Virginia a exportação do tabaco acontecia com fazendas dispersas e relativamente autônomas em um espaço descentralizado que reduzia o papel das cidades, no Rio de Janeiro o comércio do açúcar era drenado para o único porto com estrutura onde ancoravam os incontornáveis navios da frota da Companhia de Comércio, instalado em uma cidade.56

As revoltas do Rio de Janeiro e de Bacon foram também motivadas por graves críticas aos governadores que lidavam com a população nativa de um modo que não atendia a certos grupos dos colonos. No Rio de Janeiro seiscentista Salvador Correa de Sá e Benevides era acusado de proteger os índios da escravidão e suspeito de estar ao lado da Companhia de Jesus, promotora da catequese, enquanto os colonos precisavam de mão-de-obra. Na Virginia, William Berkeley atraiu ódio por ser considerado tolerante com os índios que cercavam as fazendas e núcleos de povoamento, preferindo alianças à guerra. Os homens de fronteira sofriam, contudo, massacres devastadores e intermináveis além de precisarem de novas terras, demandas que o governador parecia não escutar.57

A tensão com os grupos nativos que praticavam contínuos roubos, destruição de propriedades e massacres era um pesadelo para os colonos da Virginia. Dispersos pelo território, afastados pelos fortes que Berkeley continuamente construía nas fronteiras, os colonos eram, além de produtores, soldados atuando em expedições contra os índios. A guerra era o resultado da mentalidade adquirida gradualmente pelos colonos ingleses na Virginia que consideravam os índios irredutíveis à civilização, conforme assinalou Haskell. 58

Mais uma vez essa tendência à dispersão contrasta com o Rio de Janeiro. Se a revolta de Bacon estava impregnada pelos efeitos dos conflitos e massacres indígenas, a situação era distinta no Rio de Janeiro. Apesar de a cidade trazer em suas origens lutas sangrentas com os ocupantes originais da terra, na altura de 1660 os ataques de índios à cidade já não ocorriam. Ao contrário da guerra dos ingleses aos nativos na Virginia os portugueses investiram alto no projeto de conversão na América portuguesa e o Rio de Janeiro era um dos espaços bem sucedidos desse empreendimento, com uma rede de missões e aldeamentos ao redor da Baia de Guanabara e no interior que protegia os moradores. As condições de expansão da cidade, o crescimento de seu poderio comercial e político-administrativo e, como efeito disso, a concentração regional de poder, ocorreram graças à redução dos conflitos com a população nativa. Nem por isso os grupos indígenas deixaram de participar da rebelião fluminense, associados a rumores de ataques à cidade de índios aliados ao governador deposto.

O Rio usava intensamente mão de obra indígena escravizada, nas fazendas, em atividades de serviços urbanos e no transporte fluvial. Proprietários requisitavam nativos dos aldeamentos submetendo-os a trabalho compulsório.59 A oferta também vinha de fora: bandeirantes paulistas e jesuítas drenavam gentios excedentes para a região fluminense.60 Essa afluência de negros da terra assegura de certa maneira a expansão dos engenhos no século XVII.

Contribuiu de maneira decisiva para a estabilidade no Rio as alianças das grandes famílias da nobreza da terra através do casamento com os descendentes dos “principais” indígenas.61 O domínio da elite senhorial, das ordens missionárias, do governo local e dos bandeirantes, graças à violência, arrefecia as tensões das relações com as populações indígenas. Mas nada disso evitava que Salvador Correa figurasse como senhor de legiões de indígenas prontos para atacar os rebeldes.

A reduzida importância de Jamestown diante da Revolta de Bacon, contrastada ao Rio de Janeiro em que há concentração de ações rebeldes na cidade, deriva também das relações de trabalho dominantes nas duas regiões. No Rio de Janeiro o extenso domínio das relações de trabalho escravistas reduzia tensões sociais relativas ao acesso à terra e criava formas de controle entre os proprietários e a massa de trabalhadores. Em diferentes graus isso se aplicava aos escravos e aos trabalhadores livres, envolvidos em relações paternalistas definidas pela violência, submissão e obediência. Nas áreas rurais os trabalhadores escravos estão presos aos grilhões enquanto os trabalhadores livres aparecem atados a favores e proteção com pouco acesso à propriedade plena da terra. Em virtude disso, a dinâmica política das rebeliões quase sempre assiste à instrumentalização coletiva desses grupos junto às autoridades locais, invariavelmente sediadas nos centros urbanos. São essas as massas conduzidas à cidade do Rio de Janeiro para cercar a câmara, marchar pelas ruas, destruir algumas residências e gritar contra o governador.

Na Virginia a condição dos trabalhadores é bem diversa. A grande massa não é de escravos mas de indentured servants e ainda, vencida por parte destes a servidão por contrato, formada também por colonos livres com acesso à terra mediante compra de lotes na fronteira. Ao redor de Chesapeake Bay, centenas de propriedades de tamanho médio em sua grande maioria se espalham empregando ingleses dotados de uma noção muito clara de seus direitos políticos.62

Mais instável que o Rio, a Virginia recebe desde 1650 milhares de imigrantes - “white indentured servants” ou voluntários - para atender à necessidade de mão de obra farta e barata para as fazendas de tabaco em seu momento de grande expansão. Diante da concentração de propriedade na região mais antiga de povoamento inglês, a zona de fronteira tende a servir de espaço para abrigar esses novos grupos de recém-chegados, onde adquiriam terra e progressivamente status. Ao impedir as expedições para invadir terras indígenas praticadas pelos grupos de fronteira, o governador Berkeley provoca justamente a fúria neste setor. A insatisfação coletiva produz uma mobilidade desses súditos em um espaço alargado em que as cidades são apenas mais um dos alvos de protesto.

As diferenças na composição social e na mobilidade entre as duas colônias, com a generalização da escravidão dominando o Rio de Janeiro e a servidão na Virginia, definem as singularidades da cartografia rebelde nas duas Américas. Há irradiação espacial porque há irradiação social em Chesapeake, ao passo que a escravidão no Brasil concorre para conter a participação ampliada de grupos sociais nos protestos, reduzidos ao espaço de uma cidade dotada de instituições com as quais essa elite sabia negociar.

A fim de reforçar a hipótese de diferentes padrões de uso do espaço nas revoltas das duas colônias, procedeu-se ao georreferenciamento dos eventos que ocorreram em cada uma delas. Colheram-se todos os principais episódios desde a fase de conspiração até a repressão e encerramento dos conflitos, cujas coordenadas de latitude e longitude foram fixadas em seus respectivos locais de ocorrência. Tais dados foram implantados no Programa Palladio63 que gerou os mapas adiante, apresentados na mesma escala, nos quais o diâmetro dos círculos mostra proporções de maiores e menores ocorrências das ações rebeldes em cada local.

Observa-se que no Rio de Janeiro há bem poucos eventos na periferia da baía de Guanabara e da cidade de São Sebastião (como as indicações na vila de São Paulo, Ilha Grande e em aldeamento a leste da baía), na Virginia aparecem inúmeras ocorrências muito bem distribuídas no território da colonização inglesa. Percebe-se ainda que no Rio o círculo com diâmetro muito desproporcional em relação aos outros, indicando a alta concentração de muitas ações políticas no mesmo local, situado na capital. Enquanto isso na Revolta de Bacon os diâmetros dos círculos são semelhantes e sem muita desproporção em relação às zonas centrais ao redor de Jamestown.

Distribuição regional dos eventos rebeldes: Rio de Janeiro e Virginia

Rio de Janeiro

(Fontes: os dados empíricos para a confecção desse quadro foram recolhidos nas seguintes fontes: BOXER, Charles R. Salvador de Sá e a Luta pelo Brasil e Angola, 1602-1686. São Paulo: Companhia Editora Nacional, Editora da Universidade de São Paulo, 1973; COARACY, Vivaldo. O Rio de Janeiro No século dezessete. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1965; FAZENDA, Vieira. Antiqualhas e memórias do Rio de Janeiro. Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Rio de Janeiro, t. 88 e 89, v. 142 e 143, 1920).

Virginia

Mas os aspectos apresentados para explicar de maneira satisfatória a diferença na geografia das insurreições não estariam completos sem considerarmos as diferenças nas concepções políticas inglesa e portuguesa. O contraste entre a generalização dos conflitos na Virginia em 1676 e a concentração da revolta no espaço da cidade, como ocorre em 1660 no Rio, precisa incorporar tal perspectiva.

Afinal, nem os súditos ingleses nem os portugueses afastados da sede da monarquia ao se deslocarem para a América estavam dispostos a perder direitos originais. Do séculos XVI ao XVIII colonos nas Américas reafirmaram que o respeito ao direito era condição inalienável de súditos, não importa a quantas léguas estivessem distantes do monarca.

Segundo salientou Jack Greene, os anglo-americanos e seus descendentes consideravam-se iguais aos honest free-born Subject of England que, com autorização da monarquia inglesa, deixaram sua terra natal para enfrentar as dificuldades na América com grande perigo para suas pessoas, altos custos e inumeráveis dificuldades.64 Essa convicção faz com que acionem os direitos subjacentes à condição de Englishmen nos instantes de insatisfações contra as autoridades e oficiais régios. O mesmo ocorria com os luso-brasileiros, defendendo que seu papel na expansão dos domínios ultramarinos em nome do rei em nada os diferenciava dos “súditos naturais” do reino.

No caso dos colonos ingleses era flagrante o contraste com a pátria-mãe. Ao contrário do que ocorria na Inglaterra em que a liberdade e a independência eram um raro atributo dos que possuíam propriedades e recursos, na América, ingleses dispõem de maior possibilidade de acesso à terra e alcançam a independência individual, criando novas formas específicas de organização política.65 Os portugueses na América vivem algo parecido pois tendem a encontrar condições de maior acesso à terra e ascensão social graças às atividades mercantis. Contudo, ainda que a dinâmica da atuação política, assim como a dos ingleses, emulasse a pátria-mãe, reiterando-se no Novo Mundo as mesmas relações e os mesmos direitos, os súditos permanecem dominados pelas estruturas corporativas, dependentes dos favores régios, afastados de espaços mais amplos de debate e de representação, negociando sob limites bem demarcados pelos ditames da realeza e da religião. 66

Tal distinção ajuda a explicar porque as respostas são diferentes também quando as crises políticas se avizinhavam. No momento da disputa por direitos civis ingleses e portugueses evocavam tradições políticas distintas. A forma como os rebeldes, sob condições de insatisfação semelhantes, se relaciona com a cidade e o espaço ao seu redor permite contrastes e ilumina as diferenças entre portugueses e ingleses.

Os colonos ingleses defendiam solidamente o respeito às liberdades, imunidades e direitos de Englishmen, apoiados fortemente na ideia de representação. O pensamento político desde as reformulações provocadas por Hobbes fundou, dentre outras, a noção de construção de um corpo político de base individualizada ou “atomista”. Ele descola o cálculo político, afirma Richard Morse, de uma orientação para o bem-estar comum à luz do direito natural em direção a outra, que chamava a atenção para o espaço político da pessoa privada. 67 Essa “atomização” inglesa na política combinou-se na Virginia com a autonomia econômica e dispersão dos proprietários de terras produtores de tabaco.68

A base da doutrina política capaz de levar os portugueses a reagir diante do sentimento de injustiça era distinta. A sobrevivência do corporativismo em meados do século XVII apostava em uma íntima união mística dos súditos com o reino, concorrendo ambos para a harmonia política baseada em princípios cristãos do bem comum. O modelo de cidade organizada no Novo Mundo pelos portugueses vai colaborar para esse papel de reiteração das hierarquias.69 Sob tais circunstâncias, no Rio de Janeiro, o corporativismo se acomodou ao aspecto da cidade. Como lembram Xavier e Hespanha,

“Através (...) das regras concretas acerca do governo da cidade (...) a imagem corporativa institucionaliza-se, transformando-se numa máquina de reprodução de símbolos, mas, mais do que isso, de permanente actualização desses símbolos em normas jurídicas efectivas e, logo, em resultados prático-institucionais”.70

Quando se tratava de preparar mobilizações coletivas para aplacar violências das autoridades contra os direitos de súditos, a revolta dos portugueses exigia a cidade. As negociações, disputas, planos, e decisões por parte dos rebeldes se passam no tecido urbano que mobilizava seus símbolos, da câmara que serve de fonte para a administração da vida civil da comunidade à praça em que se assiste à execução exemplar da liderança rebelde.

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1Meus agradecimentos à Mariana Dantas pelo convite para participar do seminário The Global City (Fundação Casa de Rui Barbosa, 2015), a Zephyr Frank da Universidade de Stanford e ao parecerista anônimo da revista Almanack pelas acuradas sugestões ao original. Este trabalho contou com o apoio da bolsa de produtividade do CNPq, da FAPERJ/Cientista do Nosso Estado e da bolsa do Omohundro Institute e Jamestown Rediscovery (Williamsburg, VA).

4As descrições dos episódios das duas revoltas ao longo desse artigo tomaram por base as principais obras de compilação disponíveis. Sobre a revolta do Rio de Janeiro, ver BOXER, Charles Ralph. Salvador De Sá E a Luta Pelo Brasil E Angola, 1602-1686. São Paulo: Companhia Editora Nacional, Editora da Universidade de São Paulo, 1973; FAZENDA, Vieira. Antiqualhas e memórias do Rio de Janeiro. Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Rio de Janeiro, t. 88 e 89, v. 142 e 143, 1920; CAETANO, Antonio Filipe Pereira. Entre a Sombra e o Sol - a Revolta Da Cachaça, a Freguesia de São Gonçalo de Amarante e a Crise Política Fluminense. Maceió: Q-gráfica, 2009. Da imensa bibliografia sobre a Revolta de Bacon, utilizamos para apresentar seus traços gerais alguns textos mais recentes. TARTER, Brent. Bacon, Berkeley, and the Grievances of Virginians. In: KUPPERMAN, Karen Ordahl. Major Problems in American Colonial History: Documents and Essays. Boston: Houghton Mifflin, 2000; RICE, James D. Tales from a Revolution: Bacon’s Rebellion and the Transformation of Early America. Oxford: Oxford University Press, 2012.

5 COOMBS, John C. The Phases of Conversion: A New Chronology for the Rise of Slavery in Early Virginia. The William and Mary Quarterly, v.68, n. 3, 2011, p. 332-60. KRAUSE, Thiago Nascimento. A formação de uma classe dominante: a gentry escravista na América Inglesa Continental (Chesapeake & Lowcountry, c. 1640-c. 1750). História Unisinos, v.17, n.1, 2012, p. 12-23.

6 Muito embora donos de uma longa folha de serviços prestados nos governos coloniais, os titulares da capitania fluminense e da Virginia não têm o mesmo grau de envolvimento com os respectivos centros de poder. Para a biografia de William Berkeley ver BILLINGS, Warren M. Sir William Berkeley and the Forging of Colonial Virginia. Baton Rouge: Louisiana State University Press, 2004; BILLINGS, W.M. Magistrates and Pioneers: Essays in the History of American Law. Lawbook Exchange, 2011 (cap. 6 “Sir William Berkeley, A Cavalier Turned Virginian”, p 117-152). Para Salvador Correa de Sá e Benevides a referência ainda é BOXER, C.R. Salvador de Sá e a luta pelo Brasil e Angola, 1602-1686. São Paulo: Companhia Editora Nacional, Editora da Universidade de São Paulo, 1973.

7 Os temas específicos que sustentam a hipótese geral deste artigo aparecem desenvolvidos de maneira mais ampla em minha tese de titular “Revoluções Atlânticas: rebeliões e ideias políticas na formação das Américas portuguesa e inglesa, século XVII” (Niterói. Instituto de História da Universidade Federal Fluminense, 2017).

8 COOMBS, John C. The Phases of Conversion: A New Chronology for the Rise of Slavery in Early Virginia. The William and Mary Quarterly, v.68, n. 3, 2011, p.332-60.

9 Ver MONTEIRO, Rodrigo Bentes. O Rei No Espelho. A Monarquia Portuguesa E a Colonização Da América, 1640-1720. São Paulo: Hucitec, 2002, p 131-133, e XAVIER, Ângela Barreto e CARDIM, Pedro. D. Afonso VI. Temas e Debates, 2008.

10 MORALES, Óscar Recio. Las Revoluciones Inglesas del siglo XVII y la transformación de Las Islas Británicas. 2015, p 129-160. Ver ainda HARRIS, Tim. Restoration: Charles II and his kingdoms, 1660-1685. Penguin Books Limited, 2006.

11 Sobre o tema ver, dentre outros estudos do mesmo autor, FRAGOSO, João. Nobreza principal da terra nas repúblicas de Antigo Regime nos trópicos de base escravista e açucareira: Rio de Janeiro, século XVII a meados do século XVIII. In: FRAGOSO, João & GOUVÊA, Maria de Fátima (Orgs.). O Brasil Colonial, v. 3, 1720-1821; FRAGOSO. A nobreza da República: notas sobre a formação da primeira elite senhorial do Rio de Janeiro (séculos XVI e XVII). Topoi - Revista de História, Rio de Janeiro, I, 2000, p. 45-122.

12 São inúmeras e instigantes as possibilidades de contraste entre as elites que formaram o Rio de Janeiro e a Virginia. Sobre a formação das elites e suas características na colonização da Virginia e do Rio de Janeiro em meados do século XVII alguns estudos fornecem bons pontos de partida. FRAGOSO. A nobreza da República: notas sobre a formação da primeira elite senhorial do Rio de Janeiro (séculos XVI e XVII), Topoi - Revista de História, Rio de Janeiro, I, 2000, p. 45-122; FRAGOSO, João. A nobreza vive em bandos: a economia política das melhores famílias da terra do Rio de Janeiro, século XVII. Algumas notas de pesquisa”. Revista Tempo, Rio de Janeiro, v. 8, n. 15, julho - dezembro de 2003, p. 30-32; PARENT, A.S. Foul Means: The Formation of a Slave Society in Virginia, 1660-1740. Omohundro Institute and University of North Carolina Press, 2012; QUITT, Martin H. Immigrant Origins of the Virginia Gentry: A Study of Cultural Transmission and Innovation. The William and Mary Quarterly: A Magazine of Early American History, 1988, p. 630-655.

13 Aspectos da cidade do Rio de Janeiro no século XVII podem ser encontrados em COARACY, Vivaldo. O Rio de Janeiro no século dezessete. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1965; CAVALCANTI, Nireu. Rio de Janeiro: Centro Histórico Colonial 1567-2015. Rio de Janeiro: Andrea Jakobsson Estúdio, 2016; BICALHO, Maria Fernanda. A cidade e o Império: o Rio de Janeiro no século XVIII. Civilização Brasileira: Rio de Janeiro, 2003.

15 Sobre as diferenças das formas de resistências adotadas pelas elites, no caso de Portugal, ver HESPANHA, António Manuel. Revoltas e Revoluções: A Resistencia das elites provinciais. Análise Social, Lisboa, v. 28, n. 120, p. 81-103, 1993.

16 CHARTIER, Roger. A História Cultural: Entre Práticas E Representações. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1990.

17 As descrições adiante seguem BOXER, Charles Ralph. Salvador de Sá e a Luta Pelo Brasil e Angola, 1602-1686. São Paulo: Companhia Editora Nacional, Editora da Universidade de São Paulo, 1973; FAZENDA, Vieira. Antiqualhas e memórias do Rio de Janeiro. Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Rio de Janeiro, t. 88 e 89, v. 142 e 143, 1920.

18 A expressão é de MARAVALL, José Antonio. A cultura do barroco. São Paulo: Edusp, 1995.

19 Os eventos comentados adiante foram colhidos em RICE, James D. Tales from a Revolution: Bacon’s Rebellion and the ransformation of Early America. Oxford: Oxford University Press, 2012.

20 Desde o estabelecimento dos ingleses em Jamestown, em 1607, até o fim do século XVII, há registros da construção e destruição da Statehouse. As versões são conflitantes: há aqueles que mencionam ter sido ela criada na gestão do governador Harvey na década de 1630, instalada em suas próprias terras. Outra Statehouse teria sido construída em 1665, queimada na revolta de Bacon em 1676, reconstruída e 1684 servindo de Statehouse até queimar em 1698. Ver AGBE-DAVIES, Anna. Tobacco, Pipes, and Race in Colonial Virginia: Little Tubes of Mighty Power. Walnut Creek, California: Left Coast Press, 2015, p. 125-128. Já HORNING, Audrey J. A verie fit place to erect a great citie: comparative contextual analysis of Archaeological Jamestown. (Ph. D. Dissertation) - University of Pennsylvania, 1995, afirma que só foi construída em 1673, e antes os representantes se reuniam em tavernas ou em suas casas: p. 235.

21 BACON, Nathaniel. The declaration of the people. The Virginia Magazine of History and Biography, v. 1, n. 1, p. 59-61, July 1893.

22 Essa instituição é herdeira da Assembleia criada em 1619 quando a Virginia nasceu administrada pela Companhia de Londres. Quando a Coroa assume a colônia em 1624 a Assembleia é mantida e nos anos 30 transformada em House of Burgesses, uma câmara que reunia deputados dos condados. Cada munícipio indicava dois representantes na Assembleia que passa a abrigar os donos de terra e plantadores de tabaco. O Governador atuava com um Conselho de representantes escolhidos por ele. MACFARLANE, Anthony. El Reino unido y América: la época colonial. Madrid: Fundación Mapfre, 1992, p. 184; TARTER, Brent. “Bacon, Berkeley, and the Grievances of Virginians. In Major Problems in American Colonial History: Documents and Essays, edited by Karen Ordahl Kupperman, Boston, MA: Houghton Mifflin, 2000. p.148-55.

23 Em The Divided Dominion: Social Conflict and Indian Hatred in Early Virginia (University Press of Colorado, 2015), Ethan A. Schmidt fornece uma visão refinada da complexa relação entre colonos e grupos indígenas no contexto da revolta de Bacon. Ver particularmente Cap 6. “To Ruin and Extirpate All Indians in General”, p 149-176.

24 Sobre o tema dos condados e seu papel decisivo na emergência do sistema de plantations na Virginia ver MUSSELWHITE, Paul. Urban Dreams, Rural Commonwealth: The Rise of Plantation Society in the Chesapeake. University of Chicago Press, 2018.

25 Na época da revolta de Bacon eram 20 os condados da Virginia. Em cada um deles havia um conselho paroquial que vigiava a religião e a moral e as cortes do condado comandadas por juízes de paz nomeados pelo governador. Outras áreas administrativas estavam entregues a xerifes com poder de polícia e segurança, a padres que cuidavam dos registros civis e a superintendentes que demarcavam e tratavam dos títulos de terra. TARTER, Brent. Bacon, Berkeley, and the Grievances of Virginians. In Major Problems in American Colonial History: Documents and Essays, edited by Karen Ordahl Kupperman, Boston, MA: Houghton Mifflin, 2000. 148-55.

26 BAILYN, Bernard. Politics and Social Structure in Virginia. Colonial America. Essay. In: KATZ, Stanley N.; MURRIN, John M., GREENBERG, Douglas (eds.). Politics and Social Development. Nova York: McGraw-Hill, 1993.

27 REPS, J. W. The making of urban America: A history of city planning in the United States. Princeton: Princeton University Press, 1965.

28 Sobre as unidades de produção açucareira no Brasil colônia, ver SCHWARTZ, Stuart B. a Commonwealth within Itself. The Early Brazilian Sugar Industry, 1550-1670. Revista de Indias, v. 65, n. 233, 2005, p.79-116.

29 HORN, James. Adapting to a New World: English Society in the Sevententh-Century Chesapeake. Chapel Hill: The University of North Carolina Press, 1994.

30 ABREU, Maurício de. Geografia histórica do Rio de Janeiro (1502-1700). Rio de Janeiro: Andrea Jakobsson Estúdio, 2010. 2 v.

31 FRIIS, Herman R., A Series of Population Maps of the Colonies and the United States, 1625-1790. American Geographical Society, New York, 1968.

32 REPS, J. W. The making of urban America: A history of city planning in the United States. Princeton: Princeton University Press, 1965.

33 CUNHA, Mafalda Soares da. Elites E Mudança Política. O Caso Da Conspiração De 1641. 2006, p 340.

34 RICE, James D. Tales from a Revolution: Bacon’s Rebellion and the Transformation of Early America. Oxford: Oxford University Press, 2012.

35 FINESTONE, Harry. Bacon’s Rebellion: The Contemporary News Sheets. Charlottesville: University of Virginia Press, 1956.

36 ZUCKERMAN, M. Identity in British America: Unease in Eden. In: CANNY, Nicholas; PAGDEN, Anthony (Eds.). Colonial Identity in the Atlantic World, 1500-1800. New Jersey: Princeton University Press, 1989. p. 115-157.

37 HASHAW, T. The birth of Black America: the first African Americans and the pursuit of freedom at Jamestown. New York: Carroll & Graf Publishers, 2007. Sobre a participação de escravos na revolta, ver HESLEP, James William. The Development of Slave Participation in Bacon’s Rebellion of 1676 /. Thesis (Honors) College of William and Mary, 2001.

38 RICE, James D. Tales from a Revolution: Bacon’s Rebellion and the Transformation of Early America. Oxford: Oxford University Press, 2012.

39 WISEMAN, Samuel. Samuel Wiseman’s Book of Record: The Official Account of Bacon’s Rebellion in Virginia. Editado por Michael Leroy Oberg. Lanham, Md: Lexington Books, 2005, p. 183.

40 BENTON, Lauren A. A Search for Sovereignty: Law and Geography in European Empires, 1400-1900. Cambridge: Cambridge University Press, 2010.

41 BENTON, Lauren A. A Search for Sovereignty: Law and Geography in European Empires, 1400-1900. Cambridge: Cambridge University Press, 2010. Agradeço a Frederico Freitas do Center for Spatial and Textual Analysis (CESTA), Stanford University.

42 BREEN, T. H. & HALL, Timothy D. Colonial America In an Atlantic World: A Story of Creative Interaction. Nova York: Pearson Longman, 2004, p. 172-177. Sobre o comércio anglo-holandês na região de Chesapeake e, ainda, os impactos provocados pelos Atos de Navegação ver KOOT, Christian. Anglo-Dutch Trade in the Chesapeake and the British Caribbean, 1621-1733. In: OOSTINDIE, Gert; ROITMAN, Jessica V. Dutch Atlantic Connections, 1680-1800: Linking Empires, Bridging Borders. Brill, 2014, p. 72-99.

43 REPS, J. W. The making of urban America: A history of city planning in the United States. Princeton: Princeton University Press, 1965.

44 REPS, J. W. The making of urban America...Op.Cit.

45 HORNING, Audrey. Archaeology and the Construction of America’s Jamestown. Post-Medieval Archaeology, v. 40, n. 1, 1-27, p. 54, 2006.

46 AGBE-DAVIES, Anna. Tobacco, Pipes, and Race in Colonial Virginia: Little Tubes of Mighty Power. Walnut Creek, California: Left Coast Press, 2015, p. 113; YONGE, Samuel H. The Site of Old “James Towne”, 1607-1698. A Brief Historical and Topographical Sketch of the First American Metropolis, Illustrated with Original Maps. Drawings and Photographs, by Samuel H. Yonge. Richmond: Association for the Preservation of Virginia Antiquities, 1904, p. 27.

47 A estimativa acima é uma das que aparece estabelecida por CARRARA, Angelo Alves. A População Do Brasil, 1570-1700: Uma Revisão Historiográfica. Revista Tempo, Rio de Janeiro, v. 20, 2014, p. 1-21.

48 BOXER, Charles Ralph. Salvador de Sá e a Luta Pelo Brasil e Angola, 1602-1686. São Paulo: Companhia Editora Nacional, Editora da Universidade de São Paulo, 1973; RAIMO, John. Biographical Directory of American Colonial and Revolutionary Governors, 1607-1789. Westport: Meckler Books, 1980, p. 472-473.

49 SCHWARTZ, Stuart B. A Commonwealth within Itself. The Early Brazilian Sugar Industry, 1550-1670. Revista de Indias, v. 65, n. 233, 2005), p. 79-116; HORN, James. Adapting to a New World: English Society in the Sevententh-Century Chesapeake. Chapel Hill: The University of North Carolina Press, 1994.

50 HORN, James. Adapting to a New World: English Society in the Sevententh-Century Chesapeake. Chapel Hill: The University of North Carolina Press, 1994.

51 O tema do papel da cidade na Virginia ao longo da primeira fase colonial é vasto. Recentemente novas interpretações vem sendo propostas. Dentre elas ver MUSSELWHITE, Paul. Urban Dreams, Rural Commonwealth: The Rise of Plantation Society in the Chesapeake. University of Chicago Press, 2018.

52 PESTANA, Carla Gardina. The English Atlantic in an Age of Revolution, 1640-1661. Cambridge: Harvard University Press, 2007.

53 NOVAIS, Fernando A. Portugal e Brasil na crise do antigo sistema colonial (1777-1808). São Paulo: Hucitec, 2001.

54 ABREU, Mauricio de Almeida Um Quebra-Cabeças (Quase) Resolvido: Os engenhos do Rio de Janeiro nos séculos XVI e XVII. In: FRIDMAN, Fania & ABREU, Mauricio (Orgs.). Cidades Latino-Americanas. Um Debate Sobre a Formação Dos Núcleos Urbanos. Rio de Janeiro: Faperj, Casa da Palavra, 2010.

55 Sobre a estrutura portuária do Rio de Janeiro no século XVII ver ABREU, Maurício de Almeida. Construindo uma geografia do passado: Rio de Janeiro, cidade portuária, século XVII. GEOUSP: Espaço e Tempo (Online), n. 7, 2000, p. 13-25; FRIDMAN, Fania. Donos do Rio em nome do Rei: Uma história fundiária da Cidade do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1999; FRIDMAN, Fania e FERREIRA, Mario Sergio Natal. Os Portos do Rio de Janeiro Colonial. s.id. (s.d.).

56 ALENCASTRO, Luiz Felipe de. O trato dos viventes: formação do Brasil no Atlântico Sul, séculos XVI e XVII. São Paulo: Companhia das Letras, 2000. SOCOLOW, Susan (Ed.). The Atlantic Staple Trade. Hampshire: Variorum, 1996.

57 TARTER, Brent. Bacon, Berkeley, and the Grievances of Virginians. In: KUPPERMAN, Karen Ordahl. Major Problems in American Colonial History: Documents and Essays. Boston: Houghton Mifflin, 2000.

58 HASKELL, Alexander B. For God, King, and People: Forging Commonwealth Bonds in Renaissance Virginia. University of North Carolina Press Books, 2017.

59 ALMEIDA, Maria Regina Celestino de. Metamorfoses indígenas: identidade e cultura nas aldeias coloniais do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2003, p. 188 e passim.

60 MONTEIRO, John M. Negros da Terra: Índios e bandeirantes nas origens de São Paulo. São Paulo: Companhia das Letras, 1994. p. 65.

61 FRAGOSO, João. A nobreza vive em bandos: a economia política das melhores famílias da terra do Rio de Janeiro, século XVII. Algumas notas de pesquisa. Revista Tempo, Rio de Janeiro, v. 8, n. 15, julho - dezembro de 2003, p. 30-32.

62 BAILYN, Bernard. Politics and Social Structure in Virginia. Colonial America. Essay. In: KATZ, Stanley N.; MURRIN, John M., GREENBERG, Douglas (Eds.). Politics and Social Development. Nova York: McGraw-Hill, 1993.

63 Palladio designa uma plataforma que permite organizar dados históricos complexos e visualização de mapas. Disponível em: https://hdlab.stanford.edu/palladio/.

64 GREENE, Jack P. Peripheries and Center: Constitutional Development in the Extended Polities of the British Empire and the US 1607-1788. New York: W. W. Norton & Company, 1990.

65 GREENE, Jack P. Peripheries and Center...Op.Cit.

66 Algo semelhante se passa no Maranhão quando da revolta de Beckman. Ver FIGUEIREDO, Luciano. As Revoltas de Bacon (Virginia, 1676) e de Beckman (Maranhão, 1684): discursos sobre a justiça, processos de repressão e luta por direitos. In: Eduardo Borges; Maria Helena Flexor; Suzana Severs. (Org.). Poderes, Identidades e sociedade na América Portuguesa (séculos XVI-XVIII). 1ed. São Paulo: Alameda, 2017, v. , p. 189-222.

67 MORSE, Richard M. O espelho de próspero. São Paulo: Cia das: Letras, 1988.

68 Martin Quitt menciona o extremo individualismo os imigrantes que chegam a Virginia a partir da segunda metade do século XVII. QUITT, Martin H. Immigrant Origins of the Virginia Gentry: A Study of Cultural Transmission and Innovation. The William and Mary Quarterly: A Magazine of Early American History , 1988, p. 630-655.

69 BICALHO, Maria Fernanda. O urbanismo colonial e os símbolos do poder: o exemplo do Rio de Janeiro nos séculos XVII e XVIII. Estudos ibero-americanos, Porto Alegre, v. 24, n. 1, 1998; FRIDMAN, Fania. Donos do Rio em nome do Rei: uma história fundiária da cidade do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1999 e ainda SANTOS, Paulo F. Formação de cidades no Brasil Colonial. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2015.

70 HESPANHA, Antonio M., XAVIER, Ângela B. A representação da sociedade e do poder. In: MATTOSO, José (Dir). História de Portugal. O Antigo Regime (1620-1807). Lisboa: Editorial Estampa, 1998. p. 111-140.

14 Sobre a urbanização de Jamestown na segunda metade do século XVII, dentre outros: BRIDENBAUGH, Carl. Jamestown, 1544-1699. New York: Oxford University Press, 1980; BRAGDON, Kathleen, CHAPPELL, Edward, and GRAHAM, William. A Scant Urbanity: Jamestown in the 17th Century. Dietz Press: Richmond, Virginia, 1993. p.223-49; HORNING, Audrey J. A Verie Fit Place to Erect a Great Citie: Comparative Contextual Anaysis of Archaeological Jamestown / Audrey J. Horning. Comparative Contextual Analysis of Archaeological Jamestown. Thesis (Ph. D.) University of Pennsylvania,1995.

Dossiê Rio de Janeiro e a Cidade Global: Histórias comparadas de cidades na Era Moderna da Globalização

Recebido: 27 de Abril de 2019; Aceito: 20 de Fevereiro de 2020

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Mestre e Doutor em História Social pela Universidade de São Paulo; professor titular (Instituto de História, UFF).

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