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Hoehnea

versão On-line ISSN 2236-8906

Hoehnea vol.34 no.1 São Paulo  2007

https://doi.org/10.1590/S2236-89062007000100003 

Efeitos de diferentes concentrações de nitrogênio no crescimento de Aechmea blanchetiana (Baker) L.B. Sm. cultivada in vitro

 

Effects of nitrogen concentrations on the growth of Aechmea blanchetiana (Baker) L.B. Sm. cultured in vitro

 

 

Shoey KanashiroI,*; Roberval de Cássia Salvador RibeiroII; Antonio Natal GonçalvesII; Carlos Tadeu dos Santos DiasII; Teresa JocysIII

IInstituto de Botânica, Caixa Postal 3005, 01061-970 São Paulo, SP, Brasil
IIUniversidade de São Paulo, Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz", Caixa Postal 9, 13418-900 Piracicaba, SP, Brasil
IIIInstituto Biológico, Av. Conselheiro Rodrigues Alves 1252, 04014-002 São Paulo, SP, Brasil

 

 


RESUMO

O presente trabalho teve como objetivo avaliar os efeitos nutricionais de diferentes concentrações de nitrogênio (7,5; 15; 30; 60 e 120 mM) no crescimento de plântulas de A. blanchetiana cultivadas in vitro. Concluiu-se que 7,5 mM de nitrogênio no meio líquido de Murashige & Skoog (MS) modificado foi a concentração ótima para a maior produção de massa fresca e seca.

Palavras-chave: Aechmea blanchetiana, Bromeliaceae, cultivo in vitro, nitrogênio


ABSTRACT

This work aimed to study the influence of different nitrogen concentrations (7.5; 15; 30; 60 and 120 mM) on the growth of Aechmea blanchetiana plantlets cultivated in vitro. The results showed that 7.5 mM of nitrogen in a modified liquid culture Murashige & Skoog (MS) medium was the best concentration for increasing fresh and dry mass production.

Key words: Aechmea blanchetiana, Bromeliaceae, in vitro culture, nitrogen


 

 

Introdução

Aechmea blanchetiana (Baker) L.B. Smith é uma bromélia terrestre nativa do Brasil comum nas restingas, onde formam grandes touceiras com folhagem de coloração amarelada, podendo invadir a Mata Atlântica (Floresta Ombrófila Densa), quando vive como epífita e perde a coloração amarelo-ouro, tornando-se verde (Leme & Marigo 1993). Lorenzi & Souza (1999) e Lorenzi & Mello Filho (2001) afirmaram que A. blanchetiana é cultivada isoladamente ou em grupos formando maciços densos, a pleno sol ou a meia-sombra, em canteiros ricos em matéria orgânica, podendo eventualmente ser cultivada em vasos e são plantas herbáceas perenes, rizomatosas, robustas, de 60 a 90 cm de comprimento, com folhagem e inflorescência decorativas.

A utilização comercial da micropropagação é uma realidade em diversos países do mundo com destaque para a Europa Ocidental e os Estados Unidos, onde é importante principalmente para a limpeza clonal e multiplicação de espécies ornamentais herbáceas e arbustivas. Entre as inúmeras vantagens da técnica, destacam-se a manutenção do genótipo e do fenótipo de híbridos, estudos de mutações ou variedades genéticas selecionadas e o excelente estado fitossanitário das plantas obtidas (Giacometti 1990). Além disso, o cultivo in vitro de sementes pode ser considerado de grande importância na conservação de germoplasmas de bromélias ameaçadas de extinção, assegurando a variabilidade natural dessas espécies (Mercier & Kerbauy 1997).

O suprimento de macro e micronutrientes no meio de cultura é parte essencial no sistema de cultivo in vitro. Atualmente, os meios utilizados são baseados nas modificações empíricas de algumas formulações básicas e nas exigências nutricionais de plantas inteiras. As necessidades consideradas ideais variam amplamente entre os genótipos das plantas e sistemas de cultura (Williams 1993).

Gribble et al. (2002) mostraram que apesar da importância da nutrição mineral no crescimento de plântulas in vitro, poucos estudos abordaram a absorção ou a otimização dos meios utilizados. Como as plântulas in vitro crescem em condições especiais de fornecimento de nutrientes e podem não ter raízes, os mecanismos de absorção mineral podem ser diferentes daqueles utilizados pelas plantas em condições in vivo.

O uso mais freqüente de ferramentas da genética molecular para o entendimento da inter-relação entre os genes durante o desenvolvimento das plantas está contribuindo com o avanço rápido do conhecimento desses processos (Ramage & Williams 2002).

Dessa forma, considerando-se os aspectos mencionados, o presente trabalho teve por objetivo avaliar os efeitos de diferentes concentrações de nitrogênio no crescimento de plântulas de A. blanchetiana cultivadas in vitro.

 

Material e métodos

Plântulas de Aechmea blanchetiana obtidas através de semeadura in vitro, com dois meses após a germinação (apresentando em média altura de 31,67 mm; diâmetro de 26,27 mm; 5,11 folhas; folha com maior largura de 3,24 mm; 3,03 raízes; comprimento da maior raiz de 10,26 mm; diâmetro do caule de 1,27 mm; massa fresca de 0,065 g e massa seca de 0,0022 g) foram transferidas para frascos com volume de 360 mL, contendo 50 mL de meio de cultura Murashige & Skoog (MS) (1962) modificado com diferentes concentrações de nitrogênio. Os meios foram renovados a cada 30 dias. O pH foi ajustado para 5,8 e o meio de cultura foi utilizado na forma líquida. A composição e o balanço iônico dos meios de cultura encontram-se descritas na Tabela 1, sendo que no meio MS padrão a concentração de nitrogênio é de 60 mM.

O delineamento experimental adotado foi o inteiramente casualizado, conforme Nogueira (1994), para todas as variáveis consideradas. O experimento constou de cinco tratamentos e quatro repetições, totalizando vinte parcelas. Cada parcela foi composta de seis frascos contendo dez explantes, totalizando um mil de duzentas plântulas.

Para que o modelo de análise de variância da regressão tenha validade, satisfazendo as pressuposições de homogeneidade de variâncias, independência de erros e erros com distribuição normal, fez-se análise exploratória dos dados, utilizando o programa SAS (SAS Institute 1996) e para a análise de variância da regressão, o programa SANEST (Zonta 1991).

A altura da plântula foi mensurada com régua graduada em centímetros, considerando-se a medida compreendida entre a base do caule e a extremidade da folha com maior tamanho. A dimensão da folha com maior largura foi determinada utilizando-se paquímetro, com escala em centímetros, considerando-se visualmente a maior dimensão em largura. O diâmetro do caule foi medido com a utilização de paquímetro, na sua maior dimensão. O número de folhas foi avaliado pela contagem das folhas de plantas individualmente, desconsiderando-se as folhas senescentes da parte basal. O número de raízes foi avaliado pela contagem das raízes individualmente, desconsiderando-se aquelas menores que 1 mm. O comprimento da maior raiz foi mensurado, considerando-se a medida compreendida entre a inserção no caule e o ápice da raiz com maior tamanho.

Para a análise da massa fresca, as plântulas foram retiradas do frasco de meio de cultura, mergulhadas por três vezes em água destilada. Após o enxágüe foram centrifugadas em centrífuga manual a 500 rpm durante 15 segundos para a eliminação da água aderida à superfície e pesadas individualmente em balança analítica. Posteriormente, as folhas foram destacadas do caule na linha de inserção da bainha e sua massa determinada, constituindo-se a massa fresca das folhas.

Para a análise da massa seca, as plântulas foram separadas em folhas, caule e raízes, e acondicionada individualmente em sacos de papel "Kraft" e secas em estufas dotadas de sistema com circulação forçada e renovação de ar, na temperatura de 70ºC, até atingir massa constante.

 

Resultados e Discussão

Análise biométrica - Os dados das variáveis biométricas foram submetidos à análise exploratória e posteriormente à análise da variância da regressão, sendo que as médias e as significâncias dos efeitos da regressão estão dispostas na Tabela 2.

A análise dos resultados mostrou que no intervalo experimental considerado (concentrações de nitrogênio de 7,5 a 120 mM), a altura da plântula de

A. blanchetiana decresceu linearmente com o aumento da concentração de nitrogênio, sendo que para cada mM de nitrogênio acrescido ao meio, houve um decréscimo de 0,0127 cm na altura da plântula e a melhor concentração de nitrogênio foi 7,5 mM (Figura 1A). A mesma tendência foi encontrada por Grossi (2000) em que as concentrações de nitrogênio variaram entre 1,78 a 30 mM na bromélia Aechmea nudicaulis (Linnaeus) Griesebach que apresentou melhor crescimento na concentração 7,5 mM, sendo que na concentração 1,78 mM apresentou a menor média de altura da plântula e prejudicou o crescimento na maior concentração (30 mM). Avila et al. (1998), trabalhando com Solanum tuberosum, variedade 'Spunta', mostraram que 30 mM de nitrogênio promoveu maior comprimento de broto, tanto no meio líquido como no sólido, quando comparado à concentração de 60 mM. Da mesma forma, Evans (1993) cultivando Solanum spp. em meio MS observou uma diminuição do comprimento dos brotos com o aumento da concentração de nitrogênio (concentrações entre 20 e 60 mM). Russowski & Nicoloso (2003) trabalhando com Pfaffia glomerata verificaram que o crescimento em altura das brotações das plántulas foi maior na concentração usual do meio MS, decrescendo nas maiores concentrações, segundo regressão quadrática. Gomes & Shepherd (2000) notaram que em Sinningia allagophylla cultivada no meio MS com diferentes concentrações de NO3-, o comprimento do eixo principal não mostrou diferença, indicando que a espécie é eficiente em utilizar o nitrogênio. Porém, o comportamento de algumas difere do observado em A. blanchetiana, como verificado por Sarmiento et al. (1994), os quais mostraram que plántulas de oliveira cv. 'Manzanilla', com o aumento da concentração de NH4NO3 (concentração entre 0 e 20 mM) no meio, apresentaram crescimento proporcional em altura, atingindo os maiores valores nas concentrações 10 e 20 mM de nitrogênio.

Em A. blanchetiana, com o aumento da concentração de nitrogênio no meio MS modificado, a variável folha com maior largura atingiu o seu valor máximo em 50 mM de nitrogênio e decresceu segundo modelo quadrático até alcançar o seu menor valor em 120 mM (Figura 1B). Evans (1993), diferente dos resultados obtidos nesse trabalho, mostrou em Solanum spp., que a redução da concentração de nitrogênio no meio (concentrações entre 20 e 60 mM) produziu plántulas com folhas mais largas.

A análise de variância da regressão não mostrou nenhuma tendência significativa na variável diâmetro de caule, indicando que não houve diferença significativa entre os tratamentos com o aumento da concentração de nitrogênio. Assim, a média geral do diâmetro de caule foi ajustada pela regressão em 2,76 mm (Figura 1C). Os carboidratos são armazenados no caule em Ananas comosus (L.) Meer, segundo Simão (1998). Assim, provavelmente, em A. blanchetiana não houve início de armazenamento de carboidratos no caule nos primeiros 120 dias de cultivo in vitro, alocando-os para o crescimento e desenvolvimento de outros órgãos da plântula.

Com o aumento da concentração de nitrogênio no meio MS, o número de folhas aumentou, segundo a regressão quadrática (Figura 1D). Da mesma forma, Grossi (2000) encontrou em A. nudicaulis comportamento semelhante, com maior número de folhas nas maiores concentrações de nitrogênio (concentração entre 1,78 e 30 mM). Provavelmente, nas duas espécies de bromeliáceas estudadas, as maiores concentrações de nitrogênio proporcionaram a manutenção das folhas mais velhas por maior tempo nas plântulas, diferentemente daquelas cultivadas nas concentrações menores com menor número de folhas, que retiraram nitrogênio das folhas mais velhas, causando senescência, e transportando para as folhas mais novas (Epstein & Bloom 2006). Resultados semelhantes também foram encontrados por Russowski & Nicoloso (2003) em Pfaffia glomerata. Porém, Gomes & Shepherd (2000) encontraram resultados diferentes em Sinningia allagophylla no meio MS quando cultivada em meios com diferentes concentrações de NO3 -, cujo número de folhas não mostrou diferença significativa nas concentrações utilizadas.

O comprimento da maior raiz de A. blanchetiana apresentou decréscimo linear, com o aumento da concentração de nitrogênio (Figura 1E). O mesmo comportamento foi encontrado no trabalho de Grossi (2000) com A. nudicaulis, onde o aumento da concentração de nitrogênio (concentração entre 1,78 e 30 mM) diminuiu o tamanho do sistema radicular. De forma semelhante, Sweby et al. (1994) cultivando brotos de Nicotiana tabacum em meio MS modificado verificaram que essa variável não se alterou significativamente com o aumento da concentração de nitrogênio até 60 mM, mas o crescimento foi inibido na concentração 120 mM de nitrogênio. Por outro lado, Gomes & Shepherd (2000) mostraram que o comprimento da maior raiz de S. allagophylla não apresentou diferença significativa com o aumento da concentração de nitrogênio no meio MS.

A análise dos resultados mostrou que o número de raízes de A. blanchetiana decresceu linearmente com o aumento da concentração de nitrogênio no meio MS modificado (Figura 1F). Grossi (2000) encontrou, em A. nudicaulis, a mesma tendência na variável número de raízes, encontrando maior quantidade de raízes na menor concentração de nitrogênio (1,78 mM). Da mesma forma, Gomes & Shepherd (2000) estudando o cultivo in vitro de S. allagophylla no meio MS, mostraram que em meios com diferentes concentrações de nitrogênio, o número de raízes não mostrou diferença significativa, bem como Russowski & Nicoloso (2003), trabalhando com P. glomerata, constataram maior número de raízes na concentração 50% de nitrato de amônio contido no meio MS e tendendo ao decréscimo nas maiores concentrações. Análise de biomassa - Os dados de massa fresca e seca foram submetidos à análise exploratória e posteriormente à análise da variância da regressão, sendo que as médias e as significâncias dos efeitos da regressão estão dispostas na Tabela 3.

No intervalo considerado (concentração de nitrogênio entre 7,5 e 120 mM), a análise dos resultados mostrou que a massa fresca das folhas decresceu linearmente com o aumento da concentração de nitrogênio no meio MS modificado, sendo que para cada mM de nitrogênio acrescido, houve um decréscimo de 0,0008 g na biomassa (Figura 2A).

A massa fresca total diminuiu linearmente à medida que se aumentou a concentração de nitrogênio, sendo que para cada mM de nitrogênio acrescido ao meio, houve um decréscimo de 0,0018 g na massa fresca (Figura 2B). Comportamento semelhante foi observado por Grossi (2000), onde a menor concentração promoveu maior produção de massa fresca. Provavelmente, o cultivo em concentrações maiores de nitrogênio tenderia a diminuir a produção de massa fresca, como foi observado no presente experimento. Estudando três espécies diferentes de orquídea, Dijik & Eck (1995a, b) observaram comportamentos diferentes conforme a espécie estudada, sendo que a produção de biomassa diminuiu em Dactylorhiza incarnata, aumentou em D. praetermissa e se manteve estável em D. majalis, com o aumento da concentração de nitrogênio no meio (entre 0 e 12 mM). Evans (1993) estudando nove cultivares de Solanum spp. cultivados em meio MS com diferentes concentrações de nitrogênio (entre 20 e 60 mM), concluiu que não houve efeito significativo no crescimento de massa fresca dos brotos com o aumento da concentração de nitrogênio.

A massa seca da folha não variou significativamente, conforme o aumento da concentração de nitrogênio em relação ao meio MS modificado (Figura 2C), enquanto que a massa seca do caule de A. blanchetiana diminuiu linearmente (Figura 2D). Comportamento diferente foi observado por Sweby et al. (1994) ao conduzir experimento com brotos de Nicotiana tabacum na concentração de 30 mM de nitrogênio que resultou num aumento significativo da massa seca do caule, quando comparada com a ausência de nitrogênio no meio, sendo que esse parâmetro não se alterou significativamente com o aumento da concentração de nitrogênio até 60 mM, porém inibiu o crescimento na concentração 120 mM.

Em plântulas de A. blanchetiana, a massa seca da parte aérea decresceu linearmente, conforme o aumento da concentração de nitrogênio no meio MS modificado (Figura 2E). Russowski & Nicoloso (2003) trabalhando com Pfaffia glomerata, encontraram que o aumento da massa seca da parte aérea foi maior na concentração 80% de nitrato de amônio contido no meio MS e após alcançar o ponto de máxima produção de massa seca, a curva decresceu nas maiores concentrações de acordo com a equação do segundo grau. Na variação da concentração de nitrogênio no meio em cultivo de Laelia cinnabarina, a omissão de nitrogênio reduziu drasticamente o crescimento das plântulas, causando diminuição do acúmulo de massa seca (Stancato & Faria 1996).

A análise da regressão mostrou que com o aumento da concentração de nitrogênio, a massa seca das raízes diminuiu linearmente, sendo que a cada mM de nitrogênio acrescido ao meio houve um decréscimo de 0,0105 mg (Figura 2F). Comportamento semelhante foi constatado por Russowski & Nicoloso (2003) no cultivo in vitro de P. glomerata, conforme o aumento da concentração de nitrogênio no meio MS, que observaram máxima produção de matéria seca de raízes na concentração 80% de nitrato de amônio contido no meio MS, segundo uma regressão quadrática.

A análise dos resultados mostrou que a massa seca total de A. blanchetiana decresceu linearmente, com o aumento da concentração de nitrogênio, sendo que a cada mM de nitrogênio acrescido ao meio, a massa seca total diminuiu 0,0571 mg (Figura 2G). No entanto, Grossi (2000) não encontrou diferenças significativas na massa seca total de A. nudicaulis, com o aumento da concentração de nitrogênio. Russowski & Nicoloso (2003) trabalhando com Pfaffia glomerata, encontraram a máxima produção de biomassa na concentração 60% de nitrato de amônio contido no meio MS e tendência ao decréscimo nas maiores concentrações de nitrogênio, segundo uma regressão quadrática.

Dessa forma, sendo A. blanchetiana uma Bromeliaceae com hábito de crescimento terrestre, a pleno sol, em solo pobre das restingas e, ocasionalmente, como epífita na Mata Atlântica (Leme & Marigo 1993), é uma espécie plenamente adaptada às condições de escassez de nutrientes. Os resultados obtidos no presente experimento permitem a conclusão de que a menor concentração de nitrogênio (7,5 mM) no meio MS modificado foi o nível que proporcionou a maior produtividade de massa fresca e seca, adequando e otimizando a utilização desse nutriente em meio de cultura no crescimento das plântulas de A. blanchetiana in vitro, o que corrobora a hipótese de crescimento lento observado em bromeliáceas no seu ambiente natural.

 

Agradecimentos

Agradecemos ao CNPq pela bolsa de estudo concedida ao primeiro autor.

 

Literatura citada

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Recebido: 11.10.2005; aceito: 29.11.2006

 

 

* Autor para correspondência: skanashi@uol.com.br

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