SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.24Consistência interna e fatores latentes na variabilidade da competência sintática no ensino fundamental IAs dificuldades no atendimento aos indivíduos com doenças neurodegenerativas: o fonoaudiólogo e a equipe multiprofissional índice de autoresíndice de assuntospesquisa de artigos
Home Pagelista alfabética de periódicos  

Serviços Personalizados

Journal

Artigo

Indicadores

Links relacionados

Compartilhar


Audiology - Communication Research

versão On-line ISSN 2317-6431

Audiol., Commun. Res. vol.24  São Paulo  2019  Epub 06-Jun-2019

https://doi.org/10.1590/2317-6431-2018-2058 

Artigo Original

A percepção do idoso sobre a comunicação no processo de envelhecimento

Paloma Ariana dos Santos1 

Ivonete Teresinha Schülter Buss Heidemann2 

Cláudia Cossentino Bruck Marçal2 

Aline Megumi Arakawa-Belaunde1 
http://orcid.org/0000-0002-2159-6486

1Departamento de Fonoaudiologia, Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC – Florianópolis (SC), Brasil.

2Departamento de Enfermagem, Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC – Florianópolis (SC), Brasil.


RESUMO

Objetivo

Verificar a percepção dos idosos sobre seu processo de comunicação no envelhecimento.

Métodos

Estudo qualitativo, com base na metodologia pesquisa-ação-participante, desenvolvido por meio do Itinerário de pesquisa de Paulo Freire, que consiste de três etapas dialéticas: investigação temática; codificação e descodificação e desvelamento crítico. O estudo desenvolveu-se em quatro Círculos de Cultura, no período de junho a julho de 2017, incluindo a participação de dez idosos de uma universidade aberta da terceira idade.

Resultados

A partir do diálogo, foram enunciadas temáticas que envolveram o desvelamento das tecnologias e seu impacto na comunicação dos idosos. Destacaram-se a fragilidade dos participantes, em relação aos avanços das Tecnologias da Informação e Comunicação, e a dificuldade apresentada por este público nos processos interativos, principalmente relacionados à família, decorrentes do uso em grande escala destas ferramentas.

Conclusão

Não foram mencionados, pelos participantes, aspectos patológicos, ou em relação às perdas funcionais do processo de envelhecimento, mas o interesse em dialogar sobre as tecnologias de informação de comunicação. O estudo representou a percepção dos participantes nos Círculos de Cultura, evidenciando a relevância de metodologias, como a de Paulo Freire, na discussão de temas que tangem o cotidiano das pessoas, contribuindo para um processo reflexivo que busca a melhora da qualidade de vida.

Descritores:  Fonoaudiologia; Envelhecimento; Comunicação; Promoção da saúde; Tecnologia da informação

Abstract

Purpose

to verify the perception of the elderly about their communication process in aging.

Methods

a qualitative study, based on the research-action-participant methodology, developed through Paulo Freire's research itinerary, which consists of three dialectical stages: thematic research; coding and decoding and critical unveiling. The study was developed in four Circles of Culture, from June to July 2017, including the participation of ten elderly people from an open university of the elderly.

Results

from the dialogue, were thematic issues that involved the unveiling of technologies and their impact on the communication of the elderly. The participants' fragility was highlighted in relation to advances in Information and Communication Technologies and the difficulty presented by this public in the interactive processes, mainly related to the family, resulting from the large-scale use of these tools.

Conclusion

the participants did not mention pathological aspects or the functional losses of the aging process, but they had interest in dialoguing on Information and Communication Technologies. The study represented the participants' perception in the Culture Circles, evidencing the relevance of methodologies, such as that of Paulo Freire, in the discussion of themes that touch the daily life of people, contributing to a reflexive process that seeks to improve the quality of life.

Keywords:  Speech and hearing therapy; Aging; Communication; Health promotion; Information technology

INTRODUÇÃO

A expectativa de vida da população tem aumentado gradativamente ao nível mundial. No Brasil, em 2010, havia 39 idosos para cada grupo de 100 jovens e projeções para 2040 estimam 153 idosos para cada 100 jovens(1). Se, por um lado, é possível dizer que o aumento da expectativa de vida desses idosos retrata uma conquista no âmbito social e da saúde, por outro, representa um desafio às possíveis demandas econômicas e sociais, principalmente em países em desenvolvimento(2). Neste cenário de mudança populacional, é importante ressaltar que a população idosa também envelhece, podendo ser encontradas pessoas que alcançaram idades avançadas, passando dos 100 anos(2).

O envelhecimento é definido como um processo natural, progressivo e irreversível, comum a todos os seres de uma espécie e que pode sofrer a influência de fatores sociais, políticos, econômicos e psicológicos(3). Esse processo compreende um grupo de alterações em níveis funcionais e estruturais, que podem acarretar em prejuízo motor e em dificuldades de ordem psicológica e social, trazendo influências negativas na relação do indivíduo com o meio que o cerca(4). Diversas alterações decorrentes do envelhecimento do organismo podem influenciar o processo de comunicação, trazendo dificuldades que poderão se refletir na exclusão social(3). O processo de comunicação pode ser definido, simplificadamente, como uma atividade humana determinada pela troca de informações entre pessoas, ou como o modo pelo qual se constroem e se decodificam significados a partir das trocas de informações geradas, sendo um fator determinante para o crescimento e desenvolvimento humano, bem como sua qualidade de vida(5).

No entanto, não somente as alterações de ordem fisiológica influenciam o processo interativo por parte do público idoso. Em paralelo ao crescente envelhecimento populacional, tem-se a constante evolução das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), as quais vêm se consolidando e mudando o perfil de comunicação entre os indivíduos(6), de modo que, para se manter incluído nos meios sociais, faz-se necessária a utilização e apropriação de objetos tecnológicos.

O processo de envelhecimento tem como uma de suas características as dificuldades de adaptação ou de readaptação, que podem ser associadas à apropriação das TICs, por parte do público idoso. Desta maneira, entendendo essa realidade demográfica, é fundamental que as políticas públicas direcionem sua atenção para essa população e as mudanças que a acometem, a fim de promover possibilidades para que os idosos possam participar de forma ativa na sociedade(6).

O presente estudo teve por objetivo verificar a percepção dos idosos sobre o seu processo de comunicação no envelhecimento, utilizando, como base, o referencial metodológico de Paulo Freire. A fim de construir uma relação de diálogo entre os participantes, este artigo pretendeu trazer reflexões sobre as perspectivas e emoções dos idosos, em relação ao processo de comunicação, vinculadas às mudanças geracionais dos modelos de comunicação vivenciados ao longo dos anos.

METODOLOGIA

Trata-se de um estudo de abordagem qualitativa, com base na metodologia da pesquisa-ação-participante, desenvolvido por meio do Itinerário de pesquisa de Paulo Freire, que compreende as etapas de investigação temática, codificação e descodificação e desvelamento crítico, realizado em Círculos de Cultura com idosos de um núcleo de estudos da terceira idade.

O local de realização foi o Núcleo de Estudos da Terceira Idade, vinculado à Universidade Federal de Santa Catarina (NETI/UFSC). O NETI/UFSC tem se desenvolvido como uma universidade aberta da terceira idade, onde são promovidas oficinas voltadas ao idoso, e tem, como princípios, a valorização da pessoa idosa, o reconhecimento de seu potencial e o incentivo ao engajamento e à participação na sociedade(7). O estudo ocorreu entre os meses de junho e julho de 2017 no município de Florianópolis, estado de Santa Catarina.

Adotaram-se como critérios de inclusão idosos com idade igual ou superior a 60 anos, de ambos os gêneros ou sexos, que voluntariamente aceitassem em participar do estudo. Para critérios de exclusão, definiram-se aqueles indivíduos que não comparecessem a mais de dois encontros.

Inicialmente, os idosos foram convidados para participar da pesquisa de forma voluntária e receberam explicações relacionadas ao propósito do estudo. O grupo contou com um total de dez participantes que já se conheciam previamente, pois participavam de outra atividade oferecida no mesmo local.

Além dos idosos, o estudo contou com a participação de duas fonoaudiólogas, uma enfermeira e uma discente do curso de graduação em Fonoaudiologia da instituição de origem da pesquisa.

A metodologia faz menção ao Círculo de Cultura, que traz consigo a representação de um espaço dinâmico de aprendizagem e troca de conhecimentos, em que os sujeitos se reúnem no processo de educação, para investigar temas de interesse do próprio grupo. Assim sendo, tais etapas permitem o estabelecimento de uma relação de diálogo entre os participantes, ou seja, sujeitos de pesquisa e pesquisadores. Desta forma, desvela a realidade social vivenciada pelo grupo analisado, podendo-se expandir as reflexões geradas e levar a novas propostas de ação sobre o cotidiano, a fim de promover a saúde dos envolvidos(8).

Para realização da primeira etapa, compreendida por investigação dos temas geradores, utilizaram-se duas questões norteadoras: “O que você entende por comunicação?” e “Qual a percepção da sua comunicação no processo de envelhecimento?”. As questões impulsionaram o desencadeamento do diálogo e dos temas significativos por concepções e experiências dos indivíduos.

Após o levantamento dos temas, realizou-se a etapa de codificação e descodificação, na qual os participantes, através de suas reflexões, puderam contextualizar e buscar o significado social dos temas gerados na etapa anterior, tomando consciência e ampliando seu conhecimento. Para a codificação dos temas, foram realizadas dinâmicas e rodas dialógicas, nas quais os temas levantados foram compilados em duas temáticas principais, dialogadas no transcorrer dos Círculos de Cultura.

Por fim, ocorreu a etapa de desvelamento crítico, por meio da qual os participantes puderam realizar a análise dos temas extraídos, tomando consciência da situação existente e descobrindo possibilidades que contribuíram para o processo de superação das limitações, permitindo um novo olhar sobre os temas debatidos.

O Itinerário de pesquisa de Freire possibilita que a pesquisa seja realizada com um número reduzido de participantes, por se tratar de um método dinâmico e flexível, que proporciona o estabelecimento de uma relação proximal entre os pesquisadores e os participantes(9).

Os aspectos éticos que nortearam esta pesquisa seguiram a Resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde, do Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Federal de Santa Catarina, tendo sido aprovada de acordo com o CAAE: 54780416.2.0000.0121. Após esclarecimentos sobre o estudo, os idosos assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e responderam a um questionário sociodemográfico elaborado pelas pesquisadoras, para a caracterização da população do estudo.

RESULTADOS

O grupo foi caracterizado por 9 mulheres e 1 homem, com idade entre 60 e 81 anos, média etária de 68,89 (desvio padrão = 7,56) anos, sendo o ensino superior completo o grau de escolaridade prevalente.

Os resultados estão apresentados frente aos momentos dialógicos que ocorreram ao longo do desenvolvimento dos Círculos de Cultura, de acordo com as etapas do Itinerário de pesquisa de Freire.

Investigação temática

No primeiro Círculo de Cultura, ocorreu a investigação temática, com o objetivo de levantar os temas geradores a partir das concepções e experiências dos participantes. Inicialmente, foi realizada uma dinâmica de apresentação do grupo, visando promover o diálogo, deixando-os à vontade uns com os outros, para, posteriormente, expressarem suas opiniões.

A dinâmica consistiu em uma apresentação, em que cada participante deveria expor suas qualidades, bem como a manifestação de sua expectativa em relação aos encontros propostos.

Por meio do diálogo em grupo, durante o Círculo de Cultura, foi apresentado o tema da pesquisa, que se refere à comunicação no processo de envelhecimento, bem como os objetivos e a proposta do estudo. Em seguida, realizou-se a leitura e assinatura do TCLE.

Para dar início ao diálogo, foram utilizadas as questões norteadoras. Como proposta de registro das respostas dos participantes, foram utilizados materiais como cartolina, colagens e flipchart, para que os temas fossem escritos e visualizados por todos.

A partir dos temas gerados, os participantes revelaram seus sentimentos, emoções e perspectivas, em relação ao processo de comunicação, que se refletiram ao longo dos diálogos realizados em relatos de experiências pessoais. Além disso, destacaram as mudanças de comunicação com a inserção das Novas Tecnologias de Informação e Comunicação (NTIC). Assim, foi levantado um total de 45 temas geradores relacionados entre si e que convergiram para dois temas centrais: comunicação e tecnologia. Diante dos temas elencados e do processo reflexivo realizado com os participantes no final da primeira etapa, iniciaram-se a codificação e descodificação nos encontros de Círculos de Cultura subsequentes.

Codificação e descodificação

O diálogo nos Círculos de Cultura aconteceu de forma horizontal, com respeito às necessidades e interesses de cada participante. Dentre os 45 temas que foram levantados na etapa da investigação, e como resultado da reflexão entre os participantes, dois foram eleitos para serem codificados e descodificados no segundo Círculo de Cultura. Os dois temas principais - comunicação entre indivíduos e tecnologia como ferramenta de comunicação - levaram os idosos, em sua fala, a expressarem, com base no segundo tema, outros dois: facilidades e dificuldades.

O tema comunicação entre indivíduos dialogou sobre a sua relação com a troca de informações permeadas de sentimentos e valores pessoais, adquiridos e vivenciados pelos idosos, ao longo de suas trajetórias de vida.

Foram problematizadas as percepções de “ir ao encontro do outro”, “olho no olho” e “escutar com o coração”, que demonstraram, claramente, a importância do contato pessoal e social. Os participantes revelaram que, atualmente, essas formas de comunicação têm se desvanecido em prol de um contato que leva ao distanciamento do emissor em relação ao receptor, bem como dos seus valores pessoais e culturais, tornando o processo insensível, como se pode constatar na Figura 1 e nas seguintes falas:

Figura 1 O que é comunicação? 

É que a comunicação realmente é tudo que a gente escreveu ali ... porque agora ninguém mais conversa comigo, todo mundo só no celular, celular (I3). E isso vai deixar as pessoas mais isoladas. Deu uma entrevista, o que é bom nesse meio de comunicação atual e o que não é, e tá separando os vínculos familiares (I1).

O tema tecnologia como ferramenta de comunicação foi evidenciado pelos participantes, permeando todas as discussões e tornando-se de manifesto interesse, revelado em suas falas. A dialogicidade instalada pôde demonstrar a percepção dos idosos sobre as TICs (Internet, aplicativos para smartphones e e-mail). Com relação a esse tema, vieram à tona pontuações que revelaram os aspectos negativos, como observado nas seguintes falas:

A comunicação hoje está prejudicada por causa da tecnologia (I1). Eu fiquei pensando um pouco, que eu vejo o meu neto, ele conversa muito pouco mas tá sempre na ‘máquina’ (celular) e não conversa com a gente e se vai falar alguma coisa ele ainda fica meio bravo (I5).

E isso vai deixar as pessoas mais isoladas, é uma frieza, não é uma coisa aconchegante (I1).

Porque a comunicação hoje está mudada, não está mais havendo comunicação (I8).

As temáticas facilidades e dificuldades, apresentadas na Figura 2, sobre as TICs, trouxeram informações que, ora se contradiziam, ora se sustentavam. No que tange às facilidades, foram codificados e descodificados os benefícios, mediante a busca e troca de informações, bem como a possibilidade de aproximação entre pessoas. Em relação a este último aspecto, os participantes referiram-se à possibilidade de encontrar familiares com os quais já não mantinham contato, devido à distância que os separavam, evidenciando a superação das barreiras geográficas. Esta questão foi dialogada entre o grupo como um dos grandes facilitadores advindos da tecnologia, associando-se os relatos de experiências que ilustraram e trouxeram relações significativas e expressivas a este aspecto, como é possível observar através das falas:

Figura 2 Facilidades e dificuldades no uso das tecnologias de informação e comunicação 

Pra mim essa tecnologia é tudo de bom, porque a minha filha mora muito longe e eu não poderia ver ela e nem acompanhar o crescimento das minhas netas se não fosse isso, agora minha outra filha vai para outro país e eu ia morrer se não tivesse essa tecnologia pra eu poder ver e me comunicar com ela (I3).

Nesta etapa do Itinerário de pesquisa, durante o Círculo de Cultura, os participantes revelaram, como uma das dificuldades da comunicação, a incongruência delineada pelo afastamento entre as pessoas, um dos problemas decorrentes do uso da tecnologia. Segundo eles, a tecnologia trouxe um pensamento paradoxal, que compreende, ao mesmo tempo, a oportunidade de aproximar os que estão distantes e de afastar os que estão próximos. Dentro desse contexto, os participantes questionaram esta temática, relacionando-a com a separação dos vínculos familiares e a dificuldade de comunicação com os mais jovens, evidenciando uma dificuldade de comunicação intergeracional.

Uma coisa que eu acho muito importante é se comunicar com nós, eu acho muito importante isso, é a comunicação da criança com o idoso, dos netos com os avós, por exemplo a minha neta trazia pra minha mãe o que ela aprendeu, e a minha mãe passava pra ela os cantos italianos, então a troca de vivências e experiências, a linguagem, essa troca eu acho muito importante, eu acho que o mundo vai ficar mais vazio se ficar só nessas tecnologias de comunicação (I1).

[...] eu tenho quatro netos de várias idades, e essa comunicação que ficou muito acelerada, no meu tempo a gente via avós e netos na rua batendo papo como amigos, hoje não, ficam lá com o celular, aí eu fico brigando (I4).

Além disso, neste contexto, evidenciaram algumas dificuldades de limite no uso das tecnologias. Refletiram sobre os sentimentos de angústia e sofrimento, devido às informações equivocadas que são repassadas, à falta de clareza dessas informações, associada aos aspectos que transpassam os sentimentos, culminando em problemas de destreza manual, como ao escrever/digitar no celular, a utilização do corretor ortográfico e a inabilidade em utilizar aplicativos sem auxílio dos filhos.

O diálogo entre os participantes foi propício para que pudessem mencionar as situações de limites pelas quais já haviam passado por não utilizarem as tecnologias atuais na mesma intensidade que seus filhos e netos.

E tem a coisa da ridicularização. Às vezes a gente se sente ridículo, a gente se sente na idade da pedra. Às vezes a minha filha me pergunta uma coisa e eu vou procurar nos livros, e ela já me repreende e fala: “mãe, pelo amor de Deus! Em que mundo você está?!”. Daí pega o celular e acha rapidinho, eu já estou me sentindo ridícula (I3).

É porque pra nós, não sei se pra minha geração, mas a gente não tem muita utilidade né [...]. As minhas filhas já estão sempre antenadas. Aí eu vou ficando de lado, mas eu não faço muita questão. Agora que eu me aposentei eu queria fazer uma faculdade. É o meu sonho! Minhas filhas me apoiam, falam pra eu fazer, só que pra mim, eu vou atrapalhar uma sala de aula porque eu vou ter que aprender a mexer (na tecnologia). Hoje em dia é tudo no celular, no computador, ai vai ser difícil, já fico com bloqueio (I8).

Desvelamento crítico

A etapa do desvelamento ocorreu no último Círculo de Cultura, com a participação de todos os envolvidos no estudo. Nesta etapa, observou-se que, dos dois temas codificados e descodificados, o desvelamento se deu sobre as tecnologias e seu impacto na comunicação dos idosos. A fim de enriquecer a reflexão com os participantes, foram apresentadas imagens com equipamentos que remetessem às TICs, bem como os aplicativos disponíveis nesses equipamentos. Posteriormente, solicitou-se que escolhessem aqueles que utilizavam ou que já tivessem utilizado (Figura 3).

Figura 3 Equipamentos e aplicativos utilizados 

A partir do diálogo no Círculo de Cultura e retomada das temáticas, os idosos refletiram sobre as transformações e evolução da comunicação, no que tange às TICs, desvelando-se que se faz necessária a apropriação dessas tecnologias.

O diálogo desenvolveu-se frente à motivação do grupo em buscar a ampliação de seus conhecimentos, bem como a inserção em momentos de apropriação dessas tecnologias, para retomar o diálogo (mesmo que informatizado) com os amigos e/ou familiares. Foi destacada a importância de novos aprendizados que os mantenham ativos e que preservem a sua autonomia, para que possam ser vistos como pessoas com habilidades e capacidades para aprender a manusear os equipamentos.

Desvelaram-se, ainda, aspectos relacionados à ridicularização e à estigmatização do idoso como indivíduos que estão alheios ao processo de aprendizado e busca de novos conhecimentos. Os participantes dialogaram sobre a relevância de um envelhecimento saudável e empoderado, para a melhoria da qualidade de vida.

É que o idoso está buscando empoderamento da sua situação. Tem muito sofrimento daqueles que não saem de casa e não participam da vida social (I1).O meu pensamento é que nós idosos e aposentados, não podemos pensar que não existe horário ou tempo para mais nada. Nós temos que ter horários para fazer os nossos exercícios, caminhadas, dormir, temos que buscar coisas novas pra nós, nos incluir, aprender mais. Não podemos nos acomodar. Eu acho que com o passar da idade, a nossa mente vai ficando mais lenta e nós temos que estimular cada vez mais (I10).

O diálogo sobre as modificações ocorridas no processo de comunicação, ao longo dos anos, propiciou uma reflexão a respeito de todas as mudanças pelas quais os participantes já passaram, o que fez com que viesse à tona, por exemplo, a comunicação por meio de cartas e a evolução que se seguiu, desde então.

Eu vim morar aqui com 17 anos e minha família é do interior do estado, não tinha telefone na minha cidade, então eu fiquei dois anos que só me comunicava com a minha família quando tinha um feriadão ou por cartas. Tenho pilhas de cartas desses dois anos, eu passei por isso, e vi essa evolução (I3).

Eu também, tenho pilhas e pilhas de cartas que eu trocava com meu noivo que morava muito longe ... às vezes a segunda carta que a gente mandava chegava antes da primeira. O telefone e essas coisas que a gente pode usar hoje são um crescimento muito grande (I6).

Imagine como seria a conta de telefone, se a gente não tivesse isso (apoio tecnológico) (I3).

O aprendizado e uso das tecnologias foram associados pelos participantes à qualidade de vida. As possibilidades trazidas por esses meios de comunicação puderam proporcionar aos indivíduos momentos de prazer e novos conhecimentos, refletindo positivamente em momentos de bem-estar.

Eu na semana passada que aprendi como que pesquisa no Google® e achei interessante. Eu achei até receita (referindo-se à culinária) (I2). Gostei de lembrar de músicas antigas, daí fiquei fuçando sozinha porque as minhas filhas não tem tempo de ficar ensinando e eu consegui aprender a mexer no celular naquele ... Youtube®. Aí descobri aquelas músicas antigas. Foi muito legal. Fiquei horas ouvindo aquilo (I8).

O momento de discussão no Círculo de Cultura foi propício para que os participantes compartilhassem experiências pessoais no uso das tecnologias, bem como para a troca de saberes com os mediadores da pesquisa. Durante os encontros, foi possível auxiliar os idosos em dirimir algumas dúvidas referentes à utilização e manuseio de seus equipamentos e aplicativos. Como preconizado por Freire, em seu Itinerário, partiu-se do processo de aprendizagem caracterizado pelas trocas de conhecimento entre as pessoas(8).

Através da relação de diálogo estabelecida com os participantes, pôde-se constatar que, para além do fator interação, o uso dessas tecnologias propiciou ocasiões de lazer e de satisfação pessoal, como foi possível observar nos momentos de troca de conhecimentos com os pesquisadores, pois os idosos tiraram dúvidas sobre o manuseio de equipamentos e aplicativos, demonstrando motivação e satisfação.

Mediante o processo reflexivo realizado ao longo dos Círculos de Cultura, a importância da apropriação do idoso no uso das TICs destacou-se fortemente como um meio de comunicação em potencial. Os participantes visualizaram sua inserção no meio tecnológico como uma forma de aproximação e manutenção dos vínculos com os familiares, diminuindo a distância entre as gerações. Além disso, essa apropriação foi referida como uma necessidade, sendo reconhecida como um dos meios pelo qual podem se manter em processo de aprendizagem, como indivíduos autônomos, ativos e reconhecidos por suas potencialidades.

DISCUSSÃO

Durante o processo de envelhecimento a habilidade de comunicação se torna um aspecto de grande valia, visto que a população idosa passa por uma série de mudanças que causam impacto em sua vida e podem levar à exclusão social(10,11).

No âmbito fonoaudiológico, pode-se destacar, dentro do processo natural de envelhecimento, a presença da presbiacusia, da presbilaringe, da presbifonia e, ainda, aspectos que se relacionam com a linguagem e cognição, que podem acometer o processo de comunicação(3). No entanto, ao dialogar sobre o tema da presente pesquisa, os participantes não limitaram sua reflexão à comunicação no processo de envelhecimento, associando-a às patologias ou perdas funcionais. Observou-se a mudança na ideologia do envelhecer, com o olhar voltado a uma etapa naturalmente presente no ciclo de vida, enfatizando o processo de saúde, em contraposição à doença. Desta forma, a discussão tornou-se ampla, trazendo um sentido de comunicação ligado à interação social.

No tocante ao grupo, a palavra comunicação compreendeu relações de interação pessoal, que remetem a sentimentos, como carinho, partilha e momentos de bem-estar, em que um indivíduo compartilha a informação com o outro. O desenvolvimento de novos padrões para o processo de comunicação tem resultado em dificuldades nesse processo interativo por parte do público idoso, que pode se sentir desmotivado e desinteressado ao utilizar as TICs(12,13). Com o desenvolvimento da pesquisa e dos Círculos de Cultura, pôde-se evidenciar que, em relação à comunicação, destacou-se a dificuldade dos participantes nas suas relações com os avanços das TICs. É inegável a presença das tecnologias no cotidiano, bem como sua evolução acelerada e em grande escala, expandindo-se e se consolidando como um meio de relacionamento entre as pessoas e, destas, com o mundo(13).

A utilização intensiva das novas tecnologias e o aumento no estabelecimento das relações virtuais podem culminar na presença das queixas de solidão, sobretudo na população idosa(14). A solidão é definida pelo dicionário Michaelis(15) da língua portuguesa como: “Estado ou condição de pessoa que se sente ou está só; isolamento. Sensação ou condição de pessoa que vive isolada do seu grupo.” Neste contexto, na presente pesquisa, esse sentimento de solidão não remeteu somente ao estar só, mas também às situações em que se tem a percepção da solitude, mesmo que na companhia de outrem, ou, ainda, dos familiares.

Um estudo realizado por Azeredo e Afonso(14), tratando da percepção do idoso em relação à solidão, apontou que 78,1% dos idosos têm a pessoa mais significativa em sua vida representada por um familiar, sendo este, filho e neto. Tais dados vão ao encontro dos relatos deste estudo, no qual os participantes referiram a importância de poderem se comunicar com as demais gerações, enfatizando, também, a presença dos filhos e netos.

O relacionamento intergeracional proporciona momentos de aprendizagem com a aproximação e a troca de experiências, podendo incidir positivamente no núcleo familiar ou social. Desta forma, a reflexão do idoso sobre os jovens (crianças e adolescentes) e vice-versa, é fundamental para a valorização das novas gerações e ressignificação do envelhecer, ponderando-se sobre a visão estereotipada da velhice(16).

Além desses fatores, a baixa frequência no uso das novas tecnologias, a inabilidade no manuseio e o fato de os idosos ainda se reportarem a maneiras mais antigas para se comunicarem, podem levá-los a situações de ridicularização e constrangimento, conforme mencionado pelos participantes deste estudo, contribuindo para a diminuição de sua autoestima e do sentimento de pertencimento. A presença desses sentimentos negativos foi pontuada por Sousa(17), ao referir que situações de incompreensão ao público idoso remetem a sentimentos de discriminação. O estudo apontou, ainda, que a maior parte das pessoas idosas experienciam essas situações sem se manifestar e, consequentemente, são conduzidas a vivenciar sentimentos negativos, somados à insegurança pela perda de sua posição na família e na sociedade.

O aumento no uso das TICs é um fator marcante ao nível mundial, pois as tecnologias têm mediado as relações entre os seres humanos, de forma que aqueles que se mantêm à margem desse novo padrão tendem a não estar incluídos nos processos sociais(6). Em se tratando da população idosa, a socialização torna-se um fator crucial para a manutenção da qualidade de vida(10,11).

Tendo em vista a importância da comunicação e dos processos interativos em todas as faixas etárias(10), é interessante que o público idoso se empodere das possibilidades que esses novos processos trazem, impactando sua comunicação, a fim de se manter participativo e ativo na sociedade e, por conseguinte, obter melhora em sua qualidade de vida, como demonstrado pelos participantes desta pesquisa. Tornar-se o ser ativo de seu processo e se manter dinâmico na sociedade remeteu os participantes à necessidade do empoderamento, da busca por estimulação e formas saudáveis de viver, para vivenciarem o processo de envelhecimento. Compreende-se, neste contexto, que a comunicação constitui um elemento importante, pois se relaciona com a capacidade de estabelecer um diálogo inteligível, que contribuirá para o real acesso à informação, ao ancorar um movimento de autonomia e empoderamento do grupo(18).

Compreendendo que a sociedade contemporânea é mediada pelo uso das ferramentas tecnológicas, tem-se o conceito de letramento digital, que tem sido utilizado para se referir a tais práticas. O letramento digital diz respeito às práticas de utilização de ferramentas tecnológicas em meios digitais e traz um conceito amplo, que engloba a utilização de meios digitais, como computadores e internet, e as habilidades de planejar, executar ações de pesquisa na internet, pagamentos de contas online, utilização de mensagens por e-mail, dentre outras, para resolução de problemas diários(6,19). Além disso, a utilização de tais meios foi comprovada por Xavier(19) como uma importante ferramenta contra o declínio cognitivo, reduzindo a incidência de processos demenciais. O letramento pode possibilitar uma atuação mais ativa e participativa nas relações sociais cotidianas(6). Desta forma, faz-se necessário pensar o envelhecimento associado ao processo de inclusão digital, com auxílio de mediadores que podem ser próprios familiares, minimizando a sensação de exclusão e fortalecendo a relação intergeracional pontuada na fala dos participantes.

Por meio do processo dialógico estabelecido, os participantes puderam reconstruir seus paradigmas, ampliando seus pontos de vista e dialogando sobre as possibilidades de se manterem atuantes e reconhecidos. Neste sentido, na perspectiva de Freire, o diálogo permite objetivar as subjetividades, abrindo espaço para um processo de conscientização, trazendo à tona o mundo onde o indivíduo se relaciona e, neste contexto, o homem é conduzido a formar uma consciência do mundo, compreendendo-se como sujeito que o reelabora e o transforma, assumindo o papel de autor da própria história(18). Frente ao exposto, as ações direcionadas àqueles que envelhecem vão ao encontro da Política Nacional de Promoção da Saúde, uma vez que têm, como foco, a mudança de estilos e condições de vida, pautando-se nos determinantes sociais, econômicos, políticos, culturais e ambientais. Além disso, trazem, como base, o conceito ampliado que define a saúde não apenas como a ausência de doença ou enfermidade, mas como um completo bem-estar físico, mental e social(20,21). Soma-se a tais concepções a compreensão da saúde como o resultado de variados aspectos que a ela se relacionam, como a qualidade de vida, as oportunidades de educação ao longo de toda a vida e o apoio social(22).

Tendo em vista o que é preconizado pelas políticas públicas que visam garantir os direitos do público idoso, a promoção das práticas de letramento digital se apresenta como uma necessidade, a fim de diminuir a distância do público idoso ao acesso e a utilização dos meios tecnológicos, visto que a sua não inserção vem afetando de forma negativa seus processos interativos(23).

CONCLUSÃO

O processo de comunicação no envelhecimento não foi relacionado a qualquer tipo de patologia ou perdas funcionais. Ao se tratar da comunicação, o principal componente referido como dificultoso foi a adaptação frente às Novas Tecnologias de Informação e Comunicação, pois, a partir da consolidação do uso destas tecnologias, o processo de comunicação se tornou mais digitalizado, diferindo, em muito, da realidade dos participantes.

Desta forma, através da metodologia adotada, foi possível aos idosos refletirem e concluírem que existe a necessidade de apropriação dessas tecnologias, a fim de propiciar melhorias de suas relações de comunicação e interação, associadas a um processo ativo de envelhecimento.

Este trabalho representa a percepção dos participantes nos Círculos de Cultura e destaca a importância de metodologias, como a de Paulo Freire, na discussão de temas que dizem respeito à realidade e cotidiano das pessoas. Tal processo metodológico possibilita que, a partir de uma relação horizontal de diálogo, os participantes possam refletir sobre os temas abordados, tornando-os protagonistas de suas vidas, por meio do processo de ação-reflexão-ação.

Salienta-se que novos estudos devem ser realizados, levando-se em consideração o contexto social e cultural de outros idosos, como aqueles que moram em regiões desprovidas de tais tecnologias. O enfoque emancipatório e transformativo do pensamento, por meio do diálogo, pode ser um meio de ampliar os estudos e as atividades desenvolvidas pela Fonoaudiologia, a fim de conhecer com maior profundidade a realidade vivenciada pelos idosos.

Trabalho realizado na Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC – Florianópolis (SC), Brasil.

Financiamento: Nada a declarar.

REFERÊNCIAS

1 Miranda GMD, Mendes ACG, Silva ALA. Population aging in Brazil: current and future social challenges and consequences. Rev Bras Geriatr Gerontol. 2016;19(3):507-19. http://dx.doi.org/10.1590/1809-98232016019.150140. [ Links ]

2 Doll J, Ramos AC, Buaes CS. Apresentação educação e envelhecimento. Educ Real. 2015;40(1):9-15. http://dx.doi.org/10.1590/2175-623652407. [ Links ]

3 Mesquita JS, Cavalcante MRL, Siqueira CA. Promoção da saúde e integralidade na atenção ao idoso: uma realidade brasileira? Revista Kairós Gerontologia. 2016;19(1):227-38. [ Links ]

4 Mendes ECN, Pinto AS, Massaia E, Silva MPM. Atenção interdisciplinar à saúde do idosos: construindo conhecimentos sobre envelhecimento saudável. Revista Conhecimento Online. 2014;1(6):1-11. [ Links ]

5 Braga CD, Marques AL. Comunicação e mudança: a comunicação como elemento facilitador do processo de mudança organizacional. Revista da FAE. 2008;11(1):9-17. [ Links ]

6 Lima SC, Almeida LVOS. Letramento digital de idoso no contexto do EJA em Mossoró - RN. Revista de Educação, Ciência e Tecnologia. 2015;4(1):1-14. [ Links ]

7 UFSC: Universidade Federal de Santa Catarina. NETI: Núcleo de Estudos da Terceira Idade. [Internet]. Florianópolis: UFSC; 2017 [acesso em 2017 Maio 2]. Disponível em: http://neti.ufsc.br/Links ]

8 Heidemann ITSB, Wosny AM, Boehs AE. Promoção da saúde na atenção básica: estudo baseado no método Paulo Freire. Cien Saude Colet. 2014;19(8):3553-9. http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232014198.11342013. PMid:25119094. [ Links ]

9 Duran MK, Heidemann ITSB. Promoção da autonomia da mulher na consulta de enfermagem em saúde da família. Rev Esc Enferm USP. 2013;47(2):289-95. [ Links ]

10 Stamato C, Moraes A. Mobile phones and elderly people: a noisy communication. Work. 2012;41(Suppl 1):320-7. PMid:22316743. [ Links ]

11 Santiago LM, Graça CML, Rodrigues MCO, Santos GB. Caracterização da saúde de idosos numa perspectiva fonoaudiológica. Rev CEFAC. 2016;18(5):1088-96. http://dx.doi.org/10.1590/1982-021620161855016. [ Links ]

12 Viana EC, Villegas GMLGC, Ferrari P. Interfaces digitais responsivas e o usuário de terceira idade: a busca na melhora da usabilidade e legibilidade. In: Anais do XXXVIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, 2015 Set 1-10; Rio de Janeiro. São Paulo: INTERCOM. [ Links ]

13 Batista MPP, Souza FG, Schwartz G, Exner C, Almeida MHM. Utilização no cotidiano de tecnologias da informação e comunicação por idosos participantes da Universidade Aberta da Terceira Idade da Universidade de São Paulo. Rev Kairós. 2015;18(4):405-26. [ Links ]

14 Azeredo ZAS, Afonso MAN. Solidão na perspectiva do idoso. Rev Bras Geriatr Gerontol. 2016;19(2):313-24. http://dx.doi.org/10.1590/1809-98232016019.150085. [ Links ]

15 Michaelis. Dicionário da língua portuguesa [Internet]. São Paulo: Melhoramentos; 2017 [citado em 2017 Nov 7]. Disponível em: http://michaelis.uol.com.br/Links ]

16 Massi G, Santos AR, Berberian AP, Ziesemer NB. Impact of dialogic intergenerational activities on the perception of children, adolescents and elderly. Rev CEFAC. 2016;18(2):399-407. http://dx.doi.org/10.1590/1982-0216201618223015. [ Links ]

17 Sousa ACSN, Lodovici FMM, Silveira NDR, Arantes RPG. Alguns apontamentos sobre o idadismo: a posição de pessoas idosas diante desse agravo à sua subjetividade. Estud Interdiscip Envelhec. 2014;19(3):853-77. [ Links ]

18 Guerrero-núñez S, Cid-henríquez P. Una reflexión sobre la autonomía y el liderazgo en enfermería. Aquichan. 2015;15(1):129-40. http://dx.doi.org/10.5294/aqui.2015.15.1.12. [ Links ]

19 Xavier AJ, d’Orsi E, Oliveira CM, Orrell M, Demakakos P, Biddulph JP, Marmot MG. English longitudinal study of aging: can internet/e-mail use reduce cognitive decline? J Gerontol A Biol Sci Med Sci. 2014;69(9):1117-21. http://dx.doi.org/10.1093/gerona/glu105. PMid:25116923. [ Links ]

20 Rootman AP, Dupéré S, Pederson A, O’Neill M. Promotion in Canada: critical perspectives on practice. Toronto, Ontario. Canadian Schoolars' Press Inc; 2012. [ Links ]

21 Brasil. Ministério da Saúde. Redefine a Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS) [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2014 [citado em 2017 Maio 10]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2014/prt2446_11_11_2014.htmlLinks ]

22 Pereira AS, Soares DKM, Oliveira KKA, Marques LA, Moreira DP, Vieira LJES. Análise da produção científica sobre os determinantes sociais da saúde. Cadernos Esp. 2013;2(7):40-52. [ Links ]

23 Valcarenghi RV, Lourenço LFL, Siewert JS, Alvarez AM. Nursing scientific production on health promotion, chronic condition, and aging. Rev Bras Enferm. 2015;68(4):705-12. http://dx.doi.org/10.1590/0034-7167.2015680419i. PMid:26422044. [ Links ]

Recebido: 27 de Julho de 2018; Aceito: 04 de Dezembro de 2018

Conflito de interesses: Não.

Contribuição dos autores: PAS participou da elaboração, desenvolvimento e escrita do manuscrito; ITSBH colaborou no desenvolvimento, análise de dados e revisão do manuscrito; CCBM auxiliou na coleta e análise de dados e escrita do manuscrito; AMAB contribuiu no desenvolvimento, coleta e análise de dados e revisão do manuscrito.

Autor correspondente: Aline Megumi Arakawa-Belaunde. E-mail: arakawa.aline@ufsc.br

Creative Commons License Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a licença Creative Commons Attribution Non-Commercial, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que sem fins comerciais e que o trabalho original seja corretamente citado.