Objetivo Estimar a prevalência de inatividade física e investigar fatores associados entre pessoas autodeclaradas trans.
Métodos Estudo transversal com dados do Mapeamento da População Trans da Baixada Santista. Foram recrutadas, por amostra não probabilística, pessoas com ≥18 anos que residiam, estudavam ou trabalhavam nessa região em 2023. Consideraram-se inativas as que declararam não praticar atividade física. As variáveis independentes foram sociodemográficas e de bem-estar, descritas por frequências relativas e absolutas, acompanhadas dos intervalos de confiança de 95% (IC95%). Para verificar associações, aplicou-se o teste do qui-quadrado de Pearson com nível de significância de 5% e foram conduzidas análises de regressão logística com estimativa de odds ratios (OR).
Resultados Das 237 pessoas participantes, 40,9% foram classificadas como inativas. A chance de inatividade física no lazer foi maior entre as menos escolarizadas (OR 3,32; IC95% 1,23; 8,94; p-valor 0,018), as que utilizaram serviço de saúde mental nos últimos 12 meses (OR 2,26; IC95% 1,24; 4,09; p-valor 0,007) e as que apresentaram baixa qualidade de vida (OR 2,39; IC95% 1,32; 4,32; p-valor 0,004). Entre as pessoas que vivenciaram alto nível de discriminação cotidiana, a inatividade física foi menor (OR 0,45; IC95% 0,21; 0,96; p-valor 0,038).
Conclusão A inatividade física na população estudada esteve associada ao menor nível de escolaridade, ao uso de serviço de saúde mental e à baixa qualidade de vida. As pessoas trans mais ativas tenderam a sofrer maior discriminação cotidiana, o que sugeriu que a adesão à atividade física é não só uma escolha individual, mas um reflexo de determinações históricas, sociais e ambientais.
Palavras-chave
Inatividade Física; Prevalência; Pessoas Transgênero; Vulnerabilidade Social; Estudos Transversais