First round comments
Trata-se de um manuscrito com alto potencial científico e relevância para a Vigilância em Saúde, especialmente por evidenciar lacunas operacionais persistentes em territórios hiperendêmicos e estimar a prevalência oculta da hanseníase no estado do Piauí, no período de 2018 a 2022. O estudo utiliza dados do SINAN e mapeamento espacial, com abordagem retrospectiva descritiva.
A redação é clara, os achados são pertinentes e o tema está alinhado às prioridades de saúde pública nacional.
Trago ponto a ponto para o autor e caso não haja concordância, por favor, justifique:
Resumo:
1-Título: incluir tipo de estudo, local e período (ex: “...: estudo ecológico, Piauí, 2018-2022”).
2-Métodos: explicitar o tipo de estudo, fonte dos dados, unidade de análise e medida de frequência.
3-Resultados: apresentar apenas dados quantitativos, evitando termos interpretativos como “tendência decrescente”.
4-Siglas: explicar o que significa “GIF 2”.
5-Palavras-chave: incluir termo referente ao delineamento do estudo (ex: “Estudo ecológico”).
Introdução:
1-Evitar termos genéricos como “doença antiga”; utilizar linguagem mais técnico-científica.
2-Destacar que desigualdades sociais não apenas dificultam o acesso, mas também favorecem a transmissão da hanseníase.
Métodos: Checar o STROBE para a descrição metodológica. Sugiro:
1-Métodos:
Especificar melhor o tipo de estudo: Por exemplo: Estudo observacional ecológico, descritivo e retrospectivo, baseado em dados agregados por município. Por favor, cheque se o estudo pode ser classificado como ecológico, e mais especificamente, como um estudo ecológico descritivo e retrospectivo ?
2-Incluir descrição do contexto local: Ex.O estado do Piauí é dividido em 11 territórios de desenvolvimento, cada um com uma Coordenação Regional de Saúde vinculada à SESAPI.
3-Deixar clara a unidade de análise (municípios/territórios) e critérios de inclusão/exclusão.
4-Operacionalizar variáveis: criar parágrafo para defini-las segundo o Ministério da Saúde. Exemplo:
i) Taxa de detecção de casos novos em menores de 15 anos (por 100 mil habitantes);
(ii) Proporção de casos novos com grau 2 de incapacidade física (GIF 2) no momento do diagnóstico (%);
(iii) Proporção de contatos examinados dentre os registrados nos anos das coortes de novos casos (%).
5-Fontes da população e parâmetros devem ser especificadas: IBGE 2010 e 2022; parâmetros do Ministério da Saúde.
6-Remover citação ao total de casos (3.789) dos métodos e deslocar para os resultados.
7-Análise de dados: incluir:tipo de análise (descritiva), ausência de testes estatísticos, tratamento de dados faltantes (se houver), software utilizado (QGIS), fórmula de variação percentual.
8-Financiamento: informar apenas no sistema de submissão, conforme normas da RESS.
9-Citação à base de dados: incluir referência ao SINAN e descrever tipo de acesso e data de extração.
Discussão: Reduzir repetições desnecessárias de resultados quantitativos já apresentados.
Revisar se segue a estrutura:Principais achados;Comparação com literatura;Implicações para políticas públicas;Limitações de forma a discutir explicitamente as limitações do estudo, como:Delineamento ecológico: risco de falácia ecológica;Ausência de testes estatísticos formais (ex: regressão para tendência);Estimativa indireta e simplificada da prevalência oculta;Falta de explicação sobre tratamento de dados faltantes (ex: campos ignorados em “grau de incapacidade”).
Se considerar pertinente, reforçar o papel da Atenção Primária e a necessidade de estratégias locais e territorializadas de controle.
Disponibilidade de dados: Checar as normas da RESS.
Não basta informar que foram solicitados à SESAPI. É necessário:Informar se os dados são públicos;Disponibilizar link para repositório público confiável (ex: SciELO Data, Zenodo, Figshare, OSF).Recomenda-se uma referência formal ao dataset utilizado, como no exemplo:
Andrade M. Estudo de genes em ratos albinos na América Latina. OSF [dataset], 2018, ASM0000v1. http://dx.doi.org/10.1590/0123-45620187214.;Caso não estejam disponíveis, justificar e explicar como podem ser solicitados;
Recommendation: Major revision
Second round comments
Prezado autor, A maioria dos apontamentos foi revisada cuidadosamente. Há, porém, pontos sensíveis ainda parciais ou não acatados que deixo para ajustes , considerações e reflexões como pontos para oaperfeiçoamento do artigo. 1- Itens parcialmente atendidos que exigem sua atenção. Ausência de testes estatísticos - localização da informação. Você mencionou “ausência de testes” nas limitações (Discussão), mas um dos pareceres solicitou que isso constasse nos Métodos → “Métodos estatísticos: análise descritiva; não foram aplicados testes de tendência/correlação”. Sugestão: inserir uma linha explícita nos Métodos (sem retirar das limitações). 2-Contextualização com estratégias nacionais 2019-2022 e 2024-2030. A resposta indica que há comparação com literatura e menção a reforço de estratégias, mas o avaliador pediu vínculo direto com os marcos normativos e metas. Sugestão: acrescentar 1 parágrafo na Discussão referenciando metas e indicadores desses planos (ex.: detecção <15 anos, grau 2), dizendo como seus achados dialogam/conflitam com as metas. 3-Prevalência/Incidência no texto introdutório.Você manteve números absolutos e acrescentou incidência, mas o avaliador 5 pediu preferir medidas de incidência para comparação. Sugestão: priorize a incidência na redação e deixe absolutos entre parênteses. 4-“Perfil epidemiológico”Você ajustou, mas revise todas as ocorrências para evitar voltar a “perfil” onde não há variáveis individuais. Pontos importantes, que exigem ajustes obrigatórios ao autor: 1- Tabela 1 - abreviações (“C/Bx100”, “AxD/100”) e natureza mista das células. Os avaliadores pediram explicitar abreviações por extenso e manter a mesma natureza do conteúdo conforme cabeçalho (contagens vs. taxas/estimativas).A resposta foi não acatada por “fidelidade ao material de Suárez & Lombardi”. A revista prioriza clareza para o leitor; Sugiro: Manter a fidelidade metodológica e incluir nota de rodapé expandindo cada sigla (ex.: “C/Bx100 = casos novos em <15 anos por 100.000 hab. <15 anos”). 2-Norma da revista: Ajuste de cabeçalhos para explicitar a natureza (“n”, “%”, “/100.000”) e não misturar dentro da mesma coluna. 3- Prevalência oculta - fórmula e janela de 5 anos. Um avaliador apontou a forma correta (“D/A×100”), considerar soma dos 5 anos anteriores e relação com média detectados).Sua resposta diz ter corrigido a Tabela e tratou o texto como “consolidado do quinquênio”. Ainda assim, ficou ambíguo . Por favor, apresente a fórmula matemática exata em seçao de Métodos na Análise de dados, e insira a fórmula da estimativa anual de casos ocultos e, se adotado, acrescentar a regra da literatura que soma ao valor a média de detectados do período (deixe explícito se usou ou não essa etapa e por quê). Acrescente uma Nota na Tabela: “Estimativa corresponde à soma anual dos 5 anos do período. 4-Discussão - integração crítica com marcos normativos resposta é genérica (“trouxe paralelos balanceados”). Sugestão: citar explicitamente metas dos planos e dizer onde o Piauí está segundo seus achados (ex.: proporção de contatos examinados, grau 2 no diagnóstico, detecção <15 anos), implicando recomendações operacionais (busca ativa, qualificação de exame de contatos, vigilância de contatos intradomiciliares, etc.). Isso é importante pois recentemente a revista trouxe um artigo com os dados do Piauí até 2021. O seu artigo pode trazer outras contribuições, caso queira ler o estudo, pode ampliar a robustez dos seus dados: https://www.scielo.br/j/ress/a/PPwxY7SrxHjqV3BNGqRLBdk/?format=pdf&lang=pt.
Recommendation: Major revision
