Objetivos: Descrever as variáveis sociodemográficas e clínico-epidemiológicas da população em situação de rua e avaliar os fatores associados ao uso de substâncias psicoativas ilícitas em Jundiaí, São Paulo, Brasil, em 2023.
Métodos: Estudo transversal com uma população em situação de rua; o desfecho foi uso de substância, e as variáveis independentes foram agrupadas em exógenas, determinantes primários e intermediários em saúde, acesso a serviços, percepção de saúde e condições clínicas. Utilizou-se análise estatística descritiva e bivariada. Razão de chances (odds ratio, OR) com intervalos de confiança de 95% (IC95%) foram calculados por regressão logística binária múltipla.
Resultados: Foram 270 participantes, sendo eles majoritariamente do sexo masculino (85,2%), com idade média de 39 anos, autodeclarados negros (72,6%), heterossexuais (88,5%), com ensino fundamental incompleto (54,8%), em situação de rua por cinco anos ou mais (45,6%) e 80,4% já usaram/fazem uso de substâncias psicoativas ilícitas. Foram mais prevalentes o sofrimento mental (83,0%), problemas no sono (77,4%), desconforto digestivo (34,8%) e doença respiratória (31,5%). O uso de substâncias ilícitas esteve associado a ter: escolaridade de ensino médio completo ou mais (OR 4,16; IC95% 1,63; 10,62); mais de um ano em situação de rua (OR 2,08; IC95% 1,01; 4,28); sofrido violência (OR 2,05; IC95% 1,04; 4,04); tabagismo (OR 3,46; IC95% 1,60; 7,50); e em não receber benefício socioassistencial (OR 2,62; IC95% 1,28; 5,34).
Conclusão: Constataram-se comorbidades e alta prevalência de uso de substâncias psicoativas ilícitas associadas a determinantes socioeconômicos e comportamentais em saúde. Esses dados orientam a gestão pública em saúde na elaboração de estratégias para as necessidades específicas dessa população.
Palavras-chave:
Pessoas Mal Alojadas; Vulnerabilidade Social; Epidemiologia; Drogas Ilícitas; Estudos Transversais.
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