Resumo
Objetivo Propor agenda de prioridades de pesquisa sobre covid-19 e pós-covid, a fim de orientar órgãos governamentais e de fomento à pesquisa para a otimização de recursos em ciência, tecnologia e inovação em saúde no Brasil.
Métodos Trata-se de estudo qualitativo, realizado em duas etapas, entre abril de 2022 e março de 2023. Na primeira etapa, realizou-se consulta ampla para a identificação de prioridades de pesquisa segundo os eixos da iniciativa COVID-19 Evidence Network to support Decision-making, com 71 participantes entre pesquisadores, gestores de saúde e de ciência e tecnologia, profissionais e usuários dos serviços de saúde. Na segunda etapa, foi realizado o consenso das prioridades propostas na etapa anterior, usando o método Delphi, com painel de 20 especialistas em covid-19 na primeira rodada e de 18 na segunda rodada.
Resultados Na consulta ampla, foram recebidas 186 linhas prioritárias de pesquisa sobre covid-19 e consolidadas em 161 linhas. Destas, 139 obtiveram o consenso na primeira rodada do método Delphi, e mais 40 linhas foram recebidas e incluídas na segunda rodada para consenso. A agenda proposta tem 179 linhas de pesquisa em covid-19. Predominaram temas de avaliação, impacto e sequelas da covid-19, covid-19 longa, doenças mentais e imunossupressão. A população de crianças foi de maior interesse.
Conclusões Este estudo demonstrou altos níveis de concordância entre os participantes sobre as prioridades de pesquisa em covid-19 e pós-covid no Brasil.
Palavras-chave
Agenda de Pesquisa em Saúde; Síndrome de Covid-19 Pós-Aguda; Covid-19; Brasil; Estudo Qualitativo Exploratório
Abstract
Objective To propose an agenda of COVID-19 and long COVID research priorities, in order to guide government and research funding agencies to optimize health science, technology and innovation resources in Brazil.
Methods This is a qualitative study, carried out in two stages, between April 2022 and March 2023. In the first stage, a broad consultation was carried out to identify research priorities according to the axes of the COVID-19 Evidence Network to support Decision-making initiative, with 71 participants including researchers, health service managers, health science and technology managers, health professionals and health service users. In the second stage, a consensus was reached on the priorities proposed in the previous stage, using the Delphi method, with a panel of 20 experts on COVID-19 in the first round and 18 in the second round.
Results In the broad consultation, 186 priority lines of research on COVID-19 were received and consolidated into 161 research lines. Of these, 139 achieved consensus in the first round of the Delphi method, and a further 40 lines were received and included in the second round for consensus. The proposed agenda has 179 research lines on COVID-19. The predominant themes were evaluation, COVID-19 impact and sequelae, long COVID-19, mental illnesses and immunosuppression. The child population was of greatest interest.
Conclusions This study demonstrated high levels of agreement among participants on COVID-19 and long COVID research priorities in Brazil.
Keywords
Health Research Agenda; Post-Acute COVID-19 Syndrome; COVID-19; Brazil; Exploratory Qualitative Study
Resumen
Objetivo Proponer una agenda de prioridades de investigación sobre Covid-19 y post-Covid, con el fin de orientar a los gobiernos y a los organismos de financiación de la investigación para optimizar los recursos en ciencia, tecnología e innovación en salud en Brasil.
Métodos Se trata de un estudio cualitativo, realizado en dos etapas, entre abril de 2022 y marzo de 2023. En la primera etapa se realizó una amplia consulta para identificar prioridades de investigación según los ejes de la COVID-19 Evidence Network to support Decision-making initiative, con 71 participantes entre investigadores, gestores de salud y de ciencia y tecnología, profesionales y usuarios de servicios de salud. En la segunda etapa se consensuaron las prioridades propuestas en la etapa anterior, utilizando el método Delphi, con un panel de 20 expertos en Covid-19 en la primera ronda y 18 en la segunda ronda.
Resultados En la consulta amplia se recibieron 186 líneas prioritarias de investigación sobre Covid-19 que se consolidaron en 161 líneas. De ellas, 139 alcanzaron consenso en la primera ronda del método Delphi, y otras 40 líneas fueron recibidas e incluidas en la segunda ronda para consenso. La agenda propuesta cuenta con 179 líneas de investigación sobre Covid-19. Predominaron los temas de valoración, impacto y secuelas del Covid-19, Covid-19 prolongado, enfermedades mentales e inmunosupresión. La población infantil fue la de mayor interés.
Conclusione s: Este estudio demostró altos niveles de acuerdo entre los participantes sobre las prioridades de investigación en Covid-19 y post-Covid en Brasil.
Palabras clave
Agenda de Investigación en Salud; Síndrome Post Agudo de COVID-19; COVID-19; Brasil; Estudio Cualitativo Exploratorio
A presente pesquisa respeitou os princípios éticos, obtendo os seguintes dados de aprovação: :
Comitê de ética em pesquisa: Universidade de Brasília
Número do parecer: 54270821.6.0000.8093
Data de aprovação: 14/4/2023
Certificado de apresentação de apreciação ética: 5.486.596
Registro do consentimento livre e esclarecido: Obtido de todos os participantes antes da coleta.
Introdução
A pandemia causada pela covid-19 impactou diretamente as condições socioeconômicas das populações globais, provocando profundas iniquidades sociais e de gênero nos países de baixos e médios ingressos (1-2). Na América Latina, mais de 30 milhões de pessoas ficaram abaixo da linha da pobreza após o início da pandemia (3-4). O novo vírus desvelou as fragilidades dos sistemas de saúde e provocou problemas que necessitam de políticas multifacetadas de saúde, ambientais e socioeconômicas (5).
No Brasil, a covid-19 acometeu mais de 37 milhões de pessoas. Foram confirmados mais de 700 mil óbitos, em contextos de recrudescimento da pobreza, desigualdades e desemprego (6). A pandemia mostrou as dificuldades que enfrentava o Sistema Único de Saúde (SUS), em um cenário de forte redução do financiamento e da débil estrutura das redes de atenção com restrições ao acesso a equipamentos de saúde de qualidade e à prevalência de condições crônicas não transmissíveis (7-9). Mesmo após os dois anos críticos da pandemia, o país ainda lida com a considerável mortalidade, as condições pós-covid-19 e seus efeitos socioeconômicos e de seguridade social nos indivíduos afetados e nos grupos populacionais.
O sistema de ciência, tecnologia e inovação em saúde foi fundamental na resposta à pandemia de covid-19. Financiadores e pesquisadores atuaram rapidamente e de forma inédita, definindo prioridades de pesquisa e realizando investimentos significativos, especialmente em países de alta renda, para enfrentar o vírus e mitigar seus impactos nos sistemas de saúde (10-13).
Cada governo respondeu à pandemia de covid-19 de forma distinta (11), influenciado por recursos e financiamento disponíveis (12). A priorização da pesquisa foi crucial para maximizar o impacto dos investimentos e fortalecer os sistemas nacionais de saúde (14-16,5).
A Organização Mundial da Saúde liderou a definição de prioridades globais e coordenou rapidamente estratégias de priorização imediata. Acelerou a realização de pesquisas que contribuíram com ações de contenção da propagação da covid-19 e nos cuidados em saúde para pessoas acometidas pela doença, assim como o desenvolvimento de diagnósticos rápidos, medicamentos e vacinas para responder de forma ágil à pandemia (17). Outros países criaram suas próprias agendas de pesquisa (12-13).
As políticas públicas e de pesquisa são essenciais para criar soluções duradouras com foco na igualdade e justiça social. O Ministério da Saúde e as agências de fomento no Brasil financiaram pesquisas durante a pandemia, mas ainda deve-se aprofundar a compreensão da covid-19 e suas consequências (18).
Este estudo propôs agenda de prioridades de pesquisas para covid-19 e pós-covid, a fim de orientar órgãos governamentais e de fomento à pesquisa para a otimização de recursos em ciência, tecnologia e inovação em saúde no Brasil.
Método
Desenho do estudo
Trata-se de pesquisa qualitativa para a elaboração de agenda de prioridades de pesquisa em covid-19 e pós-covid-19 no Brasil, com a participação de atores sociais, desenvolvida entre abril de 2022 e março de 2023, conduzida em duas etapas (19).
Na primeira etapa, foi realizada consulta ampla de sugestões abertas de prioridades de pesquisa em covid-19, entre junho e agosto de 2022, organizada de acordo com os temas dos quatro eixos da iniciativa COVID-19 Evidence Network to support Decision-making (COVID-END): I – Medidas de saúde pública; II – Manejo clínico de covid-19 e seus impactos relacionados à pandemia; III – Organizações dos sistemas de saúde; e IV – Respostas econômicas e sociais.
A COVID-END trata-se de iniciativa de rede de evidências, com intuito de apoiar a tomada de decisão diante da pandemia (20). Para cada eixo, foi elaborado um questionário eletrônico disponibilizado pelo Microsoft Google Forms e enviado para o e-mail institucional dos(as) participantes, no qual indicaram linhas temáticas de prioridades de pesquisa tendo em conta os temas de cada eixo. O participante acessava o questionário eletrônico após assinar o registro do consentimento livre e esclarecido.
Na segunda etapa, foi realizada a análise de consenso de prioridades utilizando-se a técnica Delphi modificada, em fevereiro e março de 2023, com um painel de especialistas. Essa técnica consiste em rodadas de questionários semiestruturados com base na escala Likert, na qual se define consenso quando o item obtém 70,0% de aprovação. Seu objetivo é a obtenção da opinião coletiva qualificada sobre determinadas questões de um grupo de especialistas selecionados (21). As linhas temáticas levantadas na consulta ampla foram analisadas, sistematizadas entre aquelas relacionadas, transferidas para os temas ou eixos para melhor adequação ou excluídas em casos de repetição ou formulação inadequada. Os(as) participantes foram convidados(as) individualmente, via e-mail com o link de acesso ao questionário eletrônico, após assinatura do registro de consentimento, a responderem em duas rodadas.
Na primeira rodada, os(as) participantes avaliaram as linhas temáticas de pesquisa sistematizadas, através da escala Likert (concordo totalmente, concordo, nem concordo e não discordo, discordo e discordo totalmente). Foi possível elencar comentários em cada item. Na segunda rodada, após a análise do consenso, foi enviado novo questionário eletrônico, contendo as linhas de pesquisa temáticas que não obtiveram consenso na primeira rodada e as novas linhas propostas pelo painel de especialistas.
Participantes
Na amostra da primeira etapa do estudo, foram convidados 1.028 participantes, 257 para cada eixo da COVID-END, considerando as cinco regiões brasileiras, os perfis de atuação (pesquisadores/as, gestores/as de saúde e de ciência e tecnologia, profissionais de saúde e usuários) e o sexo (dois homens e duas mulheres por cada perfil). Do total de convidados(as), 71 aceitaram colaborar com o estudo, e três recusaram-se. A seleção dos participantes ocorreu por meio do levantamento de dados de domínio público e disponíveis na internet (Tabela 1).
Distribuição do perfil de participantes por eixos temáticos da COVID-19 Evidence Network to support Decision-making nas primeira e segunda etapas do estudo de definição de prioridades de pesquisa em covid-19. Brasil, 2022-2023
Os critérios de inclusão de cada um dos perfis foram os elencados a seguir.
A. Pesquisadores(as):
-
estar cadastrado(a) na Plataforma Lattes – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico;
-
possuir bolsa de produtividade do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico;
-
ter experiência em três áreas do conhecimento sobre covid-19 (ciências da saúde, ciências biológicas e ciências humanas); e
-
ter experiência na área de covid-19 credenciados nos programas de pós-graduação em ciências da saúde.
O critério de exclusão foi não possuir título de doutor(a).
B. Gestores(as) de saúde e de ciência e tecnologia:
-
atuar na gestão dos órgãos governamentais de fomento de ciência e tecnologia no Brasil como coordenador(a) nas secretarias estaduais de saúde e nas fundações de amparo à pesquisa;
-
atuar na gestão dos órgãos governamentais tais como gestores(as) do Ministério da Saúde (Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Ciência e Tecnologia); e
-
atuar na gestão dos órgãos governamentais tais como gestores(as) municipais de saúde.
C. Profissionais da saúde:
-
atuar nos cargos de direção da rede de hospitais universitários públicos – Rede Ebserh.
O critério de exclusão foi não estar vinculado(a) a uma unidade de saúde no período da pandemia.
D. Usuários(as):
-
ser membro(a) titular e suplente da representação de usuários em instâncias formais de participação social no SUS (conselhos nacional e estaduais de saúde).
A amostra da segunda etapa do estudo foi composta por painel de especialistas entre pesquisadores(as), gestores(as) de saúde e de gestores(as) de ciência e tecnologia e profissionais da saúde com atuação na área de covid-19. Nesta etapa, os critérios de inclusão dos(as) participantes foram: i) pesquisadores(as) com publicações sobre covid-19 em periódicos científicos; ii) gestores(as) atuantes ou que atuaram nas coordenações das secretarias estaduais de saúde, das fundações de amparo à pesquisa e do Ministério da Saúde no período (pós) pandêmico; e iii) profissionais de saúde que atuam ou atuaram diante da covid-19.
Neste estudo, considerando-se as possíveis perdas, foram convidados(as) 28 participantes; 20 aceitaram colaborar – a escolha do número fundamentou-se na literatura que recomendava em média 15 participantes (22-24). Eles(as) foram distribuídos(as) entre os quatro eixos da COVID-END para garantir a análise das linhas temáticas. Na técnica Delphi, é útil quando a rodada for um questionário longo, agrupando-se temas em áreas específicas para que o painel de membros trabalhe em cada área separadamente (25). Nas etapas 1 e 2, os(as) participantes foram distintos(as).
Análise dos dados
Para a análise qualitativa da primeira etapa deste estudo, os questionários eletrônicos foram exportados para planilha Excel. Cada proposta foi analisada individualmente e, em seguida, foi realizada a categorização, o agrupamento por semelhança de conteúdo e a exclusão de respostas que não permitiam o entendimento do tema, o que gerou a lista de linhas temáticas distribuídas entre os quatro eixos e temas de pesquisa. Foi realizada a análise de nuvem de palavras, utilizando-se o software Iramuteq, com o mínimo de três repetições de palavras no texto.
Na análise estatística dos questionários aplicados na etapa Delphi, os itens foram analisados individualmente em cada rodada. O consenso foi definido quando o item apresentou 70,0% de aprovação positiva (concordo totalmente e concordo). Neste estudo, não foram apresentados os intervalos interquartis por se tratar de amostra pequena para cada questionário. A aprovação positiva foi calculada pela seguinte fórmula com base nas frequências da escala Likert de cada item entre os entrevistados:
As linhas temáticas que apresentaram índice de consenso inferior a 70,0% foram reformuladas, de acordo com os comentários recebidos pelos especialistas para nova rodada Delphi.
Resultados
Nas duas etapas deste estudo, contribuíram 91 participantes. Na primeira etapa, 71 elencaram temas prioritários de pesquisa sobre covid-19, estratificados nos quatro eixos da iniciativa COVID-END. A maior participação foi de pesquisadores(as) (43,6%) seguida de gestores de ciência e tecnologia e de saúde (28,2%), profissionais da saúde (16,9%) e representantes de usuários do SUS (11,3%) (Tabela 1). Na segunda etapa, 20 e 18 especialistas participaram nas rodadas 1 e 2 do estudo. O perfil dos especialistas manteve-se próximo ao da etapa 1, exceto pela ausência de representantes dos usuários (Tabela 1). Na etapa de consulta ampla, obtiveram-se 186 linhas temáticas de pesquisa sobre covid-19 e pós-covid, as quais foram categorizadas conforme os eixos da COVID-END. Após a análise, o agrupamento por semelhança e a exclusão de respostas, gerou-se a lista de 161 linhas temáticas, sendo 42 no Eixo I – Medidas de saúde pública; 45 no Eixo II – Manejo clínico de covid-19 e questões de saúde relacionadas à pandemia; 32 no Eixo III – Organização dos sistemas de saúde para a covid-19; e 42 no Eixo IV – Respostas econômicas e sociais.
Das 161 linhas temáticas de pesquisa avaliadas pelo painel de especialistas na rodada 1 do método Delphi, 139 obtiveram o percentual de aprovação positiva igual ou maior que 70,0%. Nessa rodada, os especialistas propuseram a inclusão de mais 51 linhas temáticas de pesquisa. Após a análise e sistematização, essas novas propostas resultaram em 41 novas linhas temáticas, as quais foram inseridas nos questionários eletrônicos para serem avaliadas na rodada 2.
Na segunda rodada, 63 linhas temáticas de pesquisa foram avaliadas, decorrentes das 22 que não alcançaram o consenso, e 41 novas linhas foram adicionadas pelo painel de especialistas na primeira rodada. Das 63 linhas temáticas examinadas, 40 obtiveram o consenso (aprovação positiva igual ou maior que 70,0%). Foi gerado o conjunto de 179 linhas temáticas de prioridades de pesquisa em covid-19 e seus efeitos. Apresentou-se o resultado do consenso das primeira e segunda rodadas entre as linhas temáticas de pesquisa em cada eixo da COVID-END (Tabelas 4, 5, 6 e 7).
Foram elencadas 50 linhas prioritárias nos três temas do Eixo I – Medidas de saúde pública (Tabela 2). A maioria das linhas se concentrou no tema: “Medidas amplas de saúde pública” com 31 linhas (62,0%). Nos três temas, foram frequentes as linhas sobre vacinas preventivas para a covid-19. Das 50 propostas avaliadas, 76,0% alcançaram o consenso na primeira rodada.
Resultado do consenso das primeira e segunda rodadas do método, classificado nos temas do Eixo I – Medidas de saúde pública. Brasil, 2022-2023
Observaram-se as 45 linhas temáticas de pesquisa avaliadas no Eixo II – Manejo clínico de covid-19 e questões de saúde relacionadas à pandemia, das quais 91,0% atingiram o consenso na primeira rodada (Tabela 3). Destacaram-se os temas “Profilaxia para covid-19” e “Manejo clínico dos impactos relacionados à pandemia”, com o maior número (10 linhas, 22,0%). As propostas desses temas estavam mais concentradas em vacinas e suporte clínico para pacientes internados com covid-19. Em “Gestão da covid-19 com enfoque sindêmico” (4 linhas), a maioria das propostas relacionou-se com os impactos da doença nas periferias brasileiras. Nos temas “Tratamento para condições pós-covid” e “Manejo clínico dos impactos relacionados à pandemia” (8 e 10 linhas), os participantes fizeram propostas sobre reabilitação física, psicológica, neurológica e pós-covid em pacientes imunossuprimidos, bebês e crianças. Em “Promoção da saúde para covid-19” (4 linhas), citaram-se linhas temáticas sobre impacto do exercício físico, saúde mental dos profissionais da saúde e efeitos negativos da infodemia.
Resultado do consenso da primeira e segunda rodadas do método Delphi, classificado nos temas do Eixo II – Manejo clínico de covid-19 e questões de saúde relacionadas à pandemia. Brasil, 2022-2023
O Eixo III – Organização dos sistemas de saúde para a covid-19, com 35 linhas, teve o maior número de propostas nos temas “Organização da prestação de serviços para a covid-19” (11 linhas, 31,0%) e “Arranjos de governança para a covid-19” (10 linhas, 29,0%) (Tabela 4). Nos três primeiros temas “Arranjos transversais que precisam de enfoque sistêmico para a covid-19”, “Organização da prestação de serviços para a covid-19” e “Arranjos financeiros para a covid-19”, a atenção dos participantes do estudo estava voltada para temas relacionados com saúde mental, crianças e imunossuprimidos, organização e repasse de recursos financeiros nos três níveis de atenção à saúde. Em “Arranjos de governança para a covid-19” (quem pode tomar quais decisões), prevaleceram temas relacionados com a resposta do governo federal mediante a tomada de decisão para a pandemia de covid-19. Nesse eixo, 71,0% das linhas temáticas atingiram o consenso logo na primeira rodada.
Resultado do consenso da primeira e segunda rodadas do método Delphi, classificado nos temas do Eixo III – Organização dos sistemas de saúde para a covid-19. Brasil, 2022-2023
No Eixo IV – Respostas econômicas e sociais, elencaram-se 49 prioridades de pesquisa. Os temas com maior destaque foram educação (8 linhas, 16,0%) e trabalho (7 linhas, 14,0%). Nesses temas, o maior número de linhas temáticas apontado pelos respondentes se refere a medicamentos, serviços de saúde, governança do sistema de saúde, educação e trabalho relacionados à covid-19 (Tabela 5).
Resultado do consenso da primeira e segunda rodadas do método Delphi, classificado nos temas do Eixo IV – Respostas econômicas e sociais. Brasil, 2022-2023
A similaridade de termos dos temas verificada através de análise de nuvem de palavras evidenciou que as linhas de pesquisas relacionadas com impacto e avaliação foram preocupação transversal nos quatro eixos, entre os participantes deste estudo. Assim como o pós-covid que aparece nos quatro eixos da COVID-END, indicou-se que constitui prioridade de pesquisa entre os participantes deste estudo.
No conjunto da análise, destacaram-se as doenças mentais e em situação de imunossupressão, identificadas no Eixo II – Manejo clínico de covid-19 e questões de saúde relacionadas à pandemia. As linhas de pesquisa sobre doenças mentais foram relacionadas com os efeitos nas periferias brasileiras, na reabilitação de pacientes pós-covid e nos profissionais de saúde. As doenças em situação de imunossupressão estão relacionadas com pesquisas sobre efetividade do tratamento durante e no pós-covid.
Considerando a repetição de palavras em três dos quatro eixos, a população prioritária entre os participantes do estudo foram crianças. As linhas prioritárias referentes a esse grupo foram relacionadas com pós-covid, qualidade e oferta de vacinas, resposta vacinal, imunobiológicos para doenças crônicas, consequências do isolamento social, sociabilidade no contexto pós-pandêmico e suporte econômico para crianças com perdas familiares decorrentes da covid-19.
Discussão
Este estudo identificou as prioridades de pesquisa em covid-19 e pós-covid-19 na perspectiva de atores sociais das áreas de conhecimentos que contemplam das condições clínicas, da magnitude e determinantes sociais e dos impactos sociais e econômicos da covid-19. Entre as linhas de pesquisa elencadas por consenso entre os(as) participantes, predominaram estudos de avaliação, impactos sociais e de saúde da covid-19, pós-covid e suas sequelas. As doenças mentais e em situação de imunossupressão destacaram-se no conjunto de doenças. A população com maior interesse entre os participantes foi a de crianças. Alguns dos temas prioritários de pesquisa apontaram estudos sobre medicamentos, respostas dos serviços de saúde, governança do sistema de saúde, efeitos da covid-19 na educação e trabalho.
As limitações do estudo referem-se à baixa adesão e à pouca diversidade do perfil das(os) participantes, especialmente gestoras(es) e usuários do SUS. Os temas apresentados podem não abranger amplamente os impactos da covid-19 e suas sequelas na população brasileira, visto que a pandemia afetou de diferentes formas os grupos sociais. Este estudo foi concluído no período de um ano, em que a magnitude da pandemia de covid-19 mudou no país e novas intervenções foram necessárias para enfrentar as suas consequências. A utilização dos temas prioritários de pesquisa deve considerar essas mudanças e a necessidade de realizar o ranqueamento de priorização no curto, médio e longo prazo.
Foram vários os impactos que a covid-19 causou nos diversos âmbitos da sociedade. Nos serviços de saúde, o constante aumento dos casos da doença, entre 2020 e 2021, provocou colapsos nos sistemas de saúde e pesquisa no mundo, forçando a reorganização em larga escala de hospitais e a melhoria da infraestrutura e dos recursos financeiros no SUS (26).
A pandemia afetou a educação com mudanças no processo de aprendizagem nas escolas. O Brasil foi um dos países que passou mais tempo com escolas fechadas devido ao isolamento social e teve como alternativa o ensino remoto (27). No mercado de trabalho brasileiro, observou-se que, nos primeiros meses de pandemia, as taxas de desemprego aumentaram, e ocorreu a migração dos trabalhadores de empregos formais para informais (28). Os impactos da covid-19 mostraram-se relevantes em nível nacional e internacional para as agendas de prioridades de pesquisa sobre covid-19. O estudo de prioridades de pesquisa da covid-19 no Sudeste Asiático também foi apresentado como temática (5,11-13).
As manifestações clínicas do vírus e os sintomas recorrentes ou persistentes após a infecção foram denominados “condições pós-covid-19” ou “covid longa” (29). Em 2021, dos 1.790.796 óbitos registrados no Brasil, 2.948 eram decorrentes de causas pós-covid, cerca de 1,6 óbito por causa de pós-covid-19 para cada 1 mil registros. Entre março e abril de 2022, em 720 indivíduos que testaram positivo para covid-19, 69,0% apresentaram sintomas por mais de três meses a partir do início do quadro agudo da doença (30-31).
A saúde mental foi destacada como prioridade de pesquisa devido aos impactos psicológicos e sociais da pandemia, evidenciados desde suas primeiras semanas (32). Há preocupação com o impacto da covid-19 em populações de risco, especialmente em indivíduos imunocomprometidos, que têm maior vulnerabilidade a infecções e complicações graves (33). Torna-se fundamental voltar a atenção do desenvolvimento em pesquisas nessas áreas.
Embora o risco de casos graves e mortalidade por covid-19 seja menor em crianças, elas podem evoluir para quadros críticos. A falta de inclusão dessa população no desenvolvimento inicial de tratamentos é preocupante (34-35). Além da patologia, as implicações do isolamento social para crianças ocasionaram o rompimento brusco da maioria de interações humanas presenciais, causando o uso excessivo da internet, muitas vezes sem monitoramento dos pais ou tutores, o que colocou crianças e adolescentes nas mais diversas situações de vulnerabilidade (36). Embora existam estudos sobre o impacto da pandemia em crianças, ainda existem lacunas de conhecimento consideráveis nesse tema (12-13). É fundamental garantir a priorização de pesquisas em saúde, educação e sociabilidade para o desenvolvimento de ações e estratégias para essa população.
A covid-19 e pós-covid impactam saúde, vida e convívio social, destacando a necessidade de pesquisas para soluções. A agenda de prioridades orienta investimentos, monitora resultados e atualiza ações conforme a situação de saúde.
A utilização dos quatro eixos da iniciativa COVID-END na formulação dos questionários foi um ponto forte do estudo, facilitando a condução online e abrangente com diversidade de participantes. A iniciativa foi voltada para a tomada de decisões sobre a covid-19 e abordava temas como prevenção, manejo clínico, organização dos sistemas de saúde e respostas econômicas e sociais, sendo um dos 50 principais grupos globais de síntese de evidências (20).
Outro ponto a ser salientado foi a utilização da metodologia que se consolidou em duas etapas: i) a consulta ampla que possibilitou o levantamento de linhas prioritárias de pesquisa, a partir da composição e do processo de seleção de pesquisadores(as) de diferentes áreas de conhecimento, gestores(as) e profissionais de saúde com experiência direta e conhecimento na gestão e assistência durante e após a pandemia, gestores(as) de ciência e tecnologia que lançaram editais sobre a covid-19 e usuários(as) do SUS; e ii) a definição de consenso da priorização pelo método Delphi com um painel de especialistas em covid-19.
A definição de prioridades de pesquisa sobre covid-19 e pós-covid-19, sem restrição prévia de tipo de investigação, facilita o financiamento de diversas abordagens. Isso garante que políticas e programas sejam baseados em evidências, preenchendo lacunas de conhecimento, prevenindo crises futuras e promovendo pesquisas multidisciplinares e complementares (5,37).
Os resultados são importantes para países como o Brasil, que têm recursos limitados para pesquisa, sendo essencial alocar esses recursos de forma eficiente. A priorização de pesquisas durante a pandemia foi adotada por diversos países, como Irã e nações da Ásia e América Latina, alinhando as prioridades às necessidades locais (5,38-39).
A produção científica eficaz em epidemias pode ser alcançada com estruturas de pesquisa multidisciplinares, regulação, financiamento, parcerias e confiança sustentáveis, mantidas nos períodos entre epidemias (10). Ressalta-se que esta não é uma agenda acabada e nem deve ser, pois precisa de esforços contínuos e atualização permanente de acordo com o contexto sanitário e epidemiológico da covid-19 e as consequências pós-covid.
O financiamento de pesquisas alinhadas à priorização é estratégia eficiente para fortalecer a ciência e tecnologia, além de ajudar na formulação de políticas públicas, especialmente para populações vulneráveis, que são as mais afetadas em emergências.
-
Gestora de pareceristas
Izabela Fulone (https://orcid.org/0000-0002-3211-6951)
-
Pareceristas
Joao Carlos Alchieri (https://orcid.org/0000-0002-4150-8519), Antonio Junior (https://orcid.org/0000-0003-1751-5206)
-
Disponibilidade de dados
O banco de dados e os códigos de análise utilizados na pesquisa estão disponíveis em: https://docs.google.com/spreadsheets/d/1C2hU3oqWFJe8VSiLpdhVfpVT82yhlQrQ/edit?gid=1623398596#gid=1623398596
-
Uso de inteligência artificial generativa
Não empregada.
-
Financiamento
Este artigo é derivado de estudo que recebeu financiamento da Fundação de Apoio à pesquisa do Distrito Federal (Processo 00193-00001781/2022-17). A autora NSA recebeu da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Brasil – Código de Financiamento 001.
Referências bibliográficas
- 1 Zhu N, Zhang D, Wang W, Li X, Yang B, Song J, et al. A novel Coronavirus from patients with pneumonia in China, 2019. N Engl J Med. 2020;382(8):727-33.
-
2 Word Health Organization. WHO COVID-19 Dashboard. Number of COVID-19 cases reported to WHO [Internet]. Genebra: WHO; 2024 [cited 2024 May 21]. Available from: https://covid19.who.int/
» https://covid19.who.int/ - 3 Lima NT, Gadelha CG. The COVID-19 Pandemic: global asymmetries and challenges for the future of health. China CDC Wkly. 2021;3(7):140-1.
- 4 Lima NT, Sá DM, Casazza IF, Brito CAG. As ciências na formação do Brasil entre 1822 e 2022: história e reflexões sobre o futuro. Estud. av. 2022;36(105):211-33.
- 5 Azim T, Bhushan A, Vilas VJR, Srivastava R, Wijesinghe PR, Ofrin R, et al. Public health research priorities for WHO on COVID-19 in the South-East Asia Region: results of a prioritization survey. Health Res Policy Syst. 2022;20(1):96.
-
6 Coronavirus Brasil [Internet]. Painel Coronavírus. [cited 2023 May 21]. Available from: https://covid.saude.gov.br/
» https://covid.saude.gov.br/ - 7 Lana RM, Coelho FC, Gomes MFC, Cruz OG, Bastos LS, Villela DAM, et al. The novel coronavirus (SARS-CoV-2) emergency and the role of timely and effective national health surveillance. Cad Saúde Pública. 2020;36(3):e00019620.
- 8 Caetano R, Silva AB, Guedes ACCM, Paiva CCN, Ribeiro GR, Santos DL, et al. Desafios e oportunidades para telessaúde em tempos da pandemia pela COVID-19: uma reflexão sobre os espaços e iniciativas no contexto brasileiro. Cad. Saúde Pública. 2020;36(5):e00088920.
-
9 Associação Brasileira de Saúde Coletiva. Dossiê Abrasco: pandemia de covid-19 [Internet]. Rio de Janeiro: Abrasco; 2022 [cited 2023 May 2]. Available from: https://abrasco.org.br/download/dossie-abrasco-pandemia-de-covid-19/
» https://abrasco.org.br/download/dossie-abrasco-pandemia-de-covid-19/ - 10 Norton A, Sigfrid L, Aderoba A, Nasir N, Bannister PG, Collinson S, et al. Preparing for a pandemic: highlighting themes for research funding and practice–perspectives from the Global Research Collaboration for Infectious Disease Preparedness (GloPID-R). BMC Med. 2020;18(1):273.
- 11 Polašek O, Wazny K, Adeloye D, Song P, Chan KY, Bojude DA, et al. Research priorities to reduce the impact of COVID-19 in low- and middle-income countries. J Glob Health. 2022;12:09003.
- 12 Etti M, Alger J, Salas SP, Sanggers R, Ramdin T, Endler M, et al. Global research priorities for COVID-19 in maternal, reproductive and child health: Results of an international survey. PLoS One. 2021;16(9):e0257516.
- 13 Mehta K, Zodpey S, Banerjee P, Pocius SL, Dhaliwal BK, DeLuca A, et al. Shifting research priorities in maternal and child health in the COVID-19 pandemic era in India: A renewed focus on systems strengthening. PLoS One. 2021;16(8):e0256099.
- 14 Smits P, Champagne F. Governance of health research funding institutions: an integrated conceptual framework and actionable functions of governance. Health Res Policy Syst. 2020;18(1):22.
- 15 Orlandin EAS, Moscovici L, Franzon ACA, Passos ADC, Fabbro AL, Vieira EM, et al. Uma agenda de pesquisa para a Atenção Primária à Saúde no estado de São Paulo, Brasil: o estudo ELECT. Interface. 2017;21(61):349-61.
- 16 Terry RF, Charles E, Purdy B, Sanford A. An analysis of research priority-setting at the World Health Organization – how mapping to a standard template allows for comparison between research prioritysetting approaches. Health Res Policy Syst. 2018;16(1):116.
- 17 World Health Organization. A coordinated Global Research Roadmap: 2019 novel coronavirus [Internet]. R&DBlueprint; 2020 [cited 2023 May 2]. 68 p. Available from: https://www.who.int/publications/m/item/a-coordinated-global-research-roadmap
- 18 Ventura DFL, Ribeiro H, Giulio GM, Jaime PC, Nunes J, Bógus CM, et al. Challenges of the COVID-19 pandemic: for a Brazilian research agenda in global health and sustainability. Cad Saude Publica. 2020;36(4):e00040620.
- 19 Alves NS. A construção da agenda de prioridades de pesquisa em covid-19 no Brasil [dissertation on the Internet] Brasília: Universidade de Brasília; 2023.
-
20 COVID-END [Internet] COVID-19 Evidence Network to support Decision-making. Hamilton; 2021 [cited 2023 May 2]. Available from: https://www.mcmasterforum.org/networks/covid-end
» https://www.mcmasterforum.org/networks/covid-end - 21 Werneck GL. A pandemia de COVID-19: desafios na avaliação do impacto de problemas complexos e multidimensionais na saúde de populações. Cad Saude Publica. 2022;38(4):e00045322.
- 22 Rangel ML, Lamego G, Paim M, Brotas A, Lopes A. SUS na mídia em contexto de pandemia. Saúde Debate. 2022;46(134):599-612.
- 23 Piola SF, Vianna SM, Vivas-Consuelo D. Delphi Study: social actors and trends in the Brazilian health care system. Cad. Saúde Pública. 2002;18(Suppl):181-90.
- 24 Silva MT, Silva EN, Barreto JOM. Rapid Response in health technology assessment: a Delphi study for a Brazilian guideline. BMC Med Res Methodol. 2018;18(1):51.
- 25 Keeney S, Hasson F, McKenna HA. The Delphi Technique in Nursing and Health Research. 1. ed. Wiley-Blackwell; 2011. 208 p.
- 26 Faulkner-Gurstein R, Wyatt D, Cowan H, Hare N, Harris C, Wolfe C. The organization and impacts of clinical research delivery workforce redeployment during the COVID19 pandemic: a qualitative case study of one researchintensive acute hospital trust. Health Res Policy Syst. 2022;20(1):68.
- 27 Bartholo TL, Koslinski MC, Tymms P, Castro DL. Learning loss and learning inequality during the Covid-19 pandemic. Ensaio: aval. pol. públ. educ. 2023;31(119):1-24.
- 28 Mattei L, Heinen VL. Impactos da crise da Covid-19 no mercado de trabalho brasileiro. J Polit Econ. 2020;40(4):647-68.
-
29 Brasil. Ministério da Saúde. Manual para avaliação e manejo de condições pós-covid na Atenção Primária à Saúde [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2022 [cited 2023 May 2]. Available from: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_avalia%C3%A7%C3%A3o_manejo_condi%C3%A7%C3%B5es_covid.pdf
» https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_avalia%C3%A7%C3%A3o_manejo_condi%C3%A7%C3%B5es_covid.pdf - 30 Muraro AP, Rocha R, Boing AC, Oliveira LR, Melanda FN, Andrade AC. Óbitos por condições de saúde posteriores à COVID-19 no Brasil. Cien Saude Colet. 2023;28(2):331-6.
-
31 Rede de Pesquisa Solidária. Covid-19: Políticas Públicas e as Respostas da Sociedade – informação de qualidade para aperfeiçoar as políticas públicas e salvar vidas. USP; 2022 [cited 2023 May 23]. (Boletim, n. 43). 20 p. Available from: https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2022/10/BoletimPPS_43_24Out2022.pdf
» https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2022/10/BoletimPPS_43_24Out2022.pdf - 32 Holmes EA, O’Connor RC, Perry VH, Tracey I, Wessely S, Arseneault L, et al. Multidisciplinary research priorities for the COVID-19 pandemic: a call for action for mental health Science. Lancet Psychiatry. 2020;7(6):547-560.
- 33 Al-Quteimat OM, Amer AM. The impact of the COVID-19 pandemic on cancer patients. Am J Clin Oncol. 2020;43(6):452-5.
- 34 Garcia-Prats AJ, Salazar-Austin N, Conway JH, Radtke K, LaCourse SM, Maleche-Obimbo E, et al. Coronavirus Disease 2019 (COVID-19) Pharmacologic Treatments for Children: research priorities and approach to pediatric studies. Clin Infect Dis. 2021;72(6):1067-73.
- 35 Tezer H, Demirdağ TB. Novel coronavirus disease (COVID-19) in children. Turk J Med Sci. 2020;50(Suppl 1):592-603.
- 36 Deslandes SF, Coutinho T. O uso intensivo da internet por crianças e adolescentes no contexto da Covid-19 e os riscos para violências autoinflingidas. Cien Saude Colet. 2020;25(Suppl 1):2479-86.
- 37 Yazdizadeh B, Majdzadeh R, Ahmadi A, Mesgarpour B. Health research system resilience: lesson learned from the COVID-19 crisis. Health Res Policy Sys. 2020;18(136):1-7.
- 38 Yazdizadeh B, Ehsani-Chimeh E, Zendehdel K, Mobinizadeh M, Mesgarpour B, Fakoorfard Z. Knowledge gaps and national research priorities for COVID-19 in Iran. Health Res Policy Syst. 2022;20(1):25.
- 39 Vélez CM, Aguilera B, Kapiriri L, Essue BM, Nouvet E, Sandman L, et al. An analysis of how health systems integrated priority-setting in the pandemic planning in a sample of Latin America and the Caribbean countries. Health Res Policy Syst. 2022;20(1):84.
-
40 Agenda de prioridades de pesquisa covid-19_banco de dados [Internet] Google Drive. [cited 2025 Jan 14]. Available from: https://docs.google.com/spreadsheets/d/1C2hU3oqWFJe8VSiLpdhVfpVT82yhlQrQ/edit?gid=1623398596#gid=1623398596
» https://docs.google.com/spreadsheets/d/1C2hU3oqWFJe8VSiLpdhVfpVT82yhlQrQ/edit?gid=1623398596#gid=1623398596
Editado por
-
Editor chefe
Jorge Otávio Maia Barreto (https://orcid.org/0000-0002-7648-0472)
-
Editor científico
Wildo Navegantes de Araújo (https://orcid.org/0000-0002-6856-4094)
-
Editor associado
Marilia Mastrocolla de Almeida Cardoso (https://orcid.org/0000-0002-6231-5425)
O banco de dados e os códigos de análise utilizados na pesquisa estão disponíveis em: https://docs.google.com/spreadsheets/d/1C2hU3oqWFJe8VSiLpdhVfpVT82yhlQrQ/edit?gid=1623398596#gid=1623398596
