Objetivos Caracterizar as notificações de violência interpessoal e sua tendência temporal e analisar o impacto da pandemia de covid-19 nas notificações por esse agravo em Minas Gerais, de 2014 a 2022.
Métodos Estudo de série temporal, que utilizou dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação. Analisaram-se notificações de violência interpessoal em Minas Gerais, 2014-2022, por meio de frequência absoluta e relativa, média e desvio-padrão e incidência de violência, por sexo e ciclo de vida. Utilizou-se o modelo de regressão linear generalizada de Prais-Winsten para estimar o impacto da covid-19 nas notificações, com significância de 5%.
Resultados Foram registradas 268.377 notificações de violência no período. Os subgrupos predominantes foram mulheres (70,7%) e pessoas pardas (45,5%). Violência física foi a mais notificada (55,5% em mulheres, 67,6% em homens). Destacaram-se violência sexual em crianças (37,8% em meninas, 19,6% em meninos) e negligência/abandono entre pessoas idosas (13,9% em mulheres, 12,0% em homens). A pandemia impactou a incidência de violência em todos os subgrupos, mesmo naqueles com tendência de crescimento no período pré-pandêmico. Durante o período pandêmico, as incidências se mantiveram aquém dos níveis anteriores, representadas pelo coeficiente de β2 negativos e estatisticamente significativos.
Conclusão Mulheres e pessoas pardas foram as mais atingidas pela violência interpessoal em Minas Gerais. As tendências temporais de notificação da violência foram impactadas no período pandêmico em relação ao pré-pandêmico nos ciclos de vida estudados. Demonstrou-se a importância de estratégias de manutenção da vigilância de agravos em tempos de crise sanitária.
Palavras-chave
Violência; Ciclo de Vida; COVID-19; Sistema de Informação de Agravo de Notificação; Pandemias
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