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DELTA: Documentação de Estudos em Lingüística Teórica e Aplicada

Print version ISSN 0102-4450

DELTA vol.15 special issue São Paulo  1999

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-44501999000300007 

O Desenvolvimento da Lingüística Textual no Brasil

(The Development of Text Linguistics in Brazil)

 

Ingedore G. Villaça KOCH
(Universidade de Campinas)

 

 

ABSTRACT: The scope of this paper is to present a critical review of what has been done in the field of Textlinguistics, mainly in Brazil, in the second half of the century and to point out some of the perspectives for new developments in this area.

KEY WORDS: Text Linguistics; Developments; Restrospective; Research in the Field; Main Research Groups.

PALAVRAS-CHAVE: Lingüística Textual; Desenvolvimentos; Retrospectiva; Pesquisa na Área; Principais Grupos de Pesquisa.

 

 

0. Introdução

É no final da década de 70 que começam a surgir, no Brasil, os primeiros trabalhos dedicados ao estudo lingüístico do texto. Pode-se dizer que, para tal fato, contribuiu, de forma bastante significativa, a tradução de duas obras: Semiótica Narrativa e Textual (Chabrol et al., 1977) e Lingüística e Teoria do Texto (Schmidt, 1978), bem como a publicação, em Portugal, do livro Pragmática Lingüística e o Ensino do Português (Fonseca & Fonseca, 1977), no qual se defendia a aplicação dos princípios da Pragmática Lingüística ao ensino de língua materna e, em decorrência, a necessidade de um enfoque textual, como já era comum em outros países da Europa.

Paralelamente, desenvolviam-se, na UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas, São Paulo, Brasil), os primeiros importantes estudos sobre o discurso e sobre Semântica Argumentativa, muitos deles publicados sob a forma de livros (Osakabe, 1979; Vogt, 1977) ou de artigos em revistas especializadas. Cumpre destacar também, nesse momento, os trabalhos de Pontes sobre as estruturas de tópico no português brasileiro, posteriormente coletadas nas obras Sujeito: da Sintaxe ao Discurso (São Paulo, Ed. Ática, 1986) e O Tópico no Português do Brasil (Campinas, Ed. Pontes, 1987).

Somente na década de 80, contudo, começam a multiplicar-se os estudos em Lingüística Textual. Após a publicação, na Revista Letras de Hoje, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, de um artigo pioneiro de Ignácio Antônio Neis (Por uma Gramática Textual, 1981), inspirado em textos de autores franceses, vêm à luz os dois primeiros livros na área, em 1983: Lingüística Textual: Introdução (Fávero & Koch) e Lingüística de Texto: O Que é e Como se Faz (Marcuschi). Muitas revistas passam a trazer artigos desenvolvidos sob essa perspectiva, surgindo mesmo números integralmente dedicados aos estudos textuais (cf., por exemplo, Letras de Hoje 18 (2), Cadernos PUC 22: Lingüística Textual/ Texto e Leitura). Em anais de congressos e seminários começam a proliferar trabalhos desenvolvidos nesse domínio.

Em várias universidades brasileiras vão-se formando núcleos de pesquisa sobre texto. A pesquisa na área frutifica em cursos de extensão, aperfeiçoamento e especialização, ministrados em diversos pontos do país, bem como em dissertações de mestrado e teses de doutorado, cujos autores, subseqüentemente, vão implantando esse tipo de enfoque em suas instituições de origem.

 

1. Principais perspectivas teóricas

As pesquisas sobre texto realizadas no Brasil inspiram-se fortemente em estudos realizados na Alemanha (Weinrich, Dressler, Beaugrande & Dressler, Gülich & Kotschi, Heinemann & Viehweger, Motsch & Pasch, entre outros); na Holanda (Van Dijk); na França (Charolles, Combettes, Adam, Vigner, Coste, Moirand etc.), na Inglaterra (particularmente por Halliday & Halliday & Hasan) e nos EUA, tanto por lingüistas (Chafe, Givón, Prince, Thompson, Webber, Brown & Yule), como por psicólogos e pesquisadores em Inteligência Artificial (Clark & Clark, Minsky, Johnson-Laird, Sanford & Garrod, Rumelhart, Schank & Abelson, Marslen-Wilson e outros), além, é claro, daqueles realizados no interior do funcionalismo praguense (Daneš, Firbas, etc.); e, na década de 90, pesquisas sobre anáfora e referência que se vêm efetivando na França, no bojo do projeto L'Anaphore et son traitement, financiado pelo Programa Cognisciences, Pir- Cnrs (Charolles, Kleiber, Mondada, Dubois) e por Apothéloz, Reichler-Béguelin Berrendonner, entre vários outros), na Suíça (Fribourg, Neuchâtel).

1.1. Primeiro momento

Na primeira metade da década de oitenta, publicaram-se em nosso país obras introdutórias, que visavam não só a apresentar ao leitor brasileiro esse ramo da ciência lingüística, seus objetivos, pressupostos e categorias de análise, como traçar um panorama geral do que se vinha fazendo nesse domínio em outros países (Lingüística de Texto: O Que é e Como se Faz, de Luiz Antônio Marcuschi e Lingüística Textual: Introdução, de Ingedore G. Villaça Koch & Leonor L. Fávero, ambos publicados em 1983, além do artigo de Neis, acima mencionado). Em 1984, por ocasião da reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizou-se, pela primeira vez, uma mesa-redonda sobre lingüística do texto, com o tema "Coerência e Coesão na Teoria do Texto", da qual fizeram parte Marcuschi, Neis e Koch. Desde então, em todos os congressos e reuniões científicas, a lingüística textual passou a ter o seu lugar.

Os aspectos mais enfatizados nessa época, como também na segunda metade da década de 80, foram: os critérios ou padrões de textualidade propostos por Beaugrande & Dressler (1981), especialmente a coesão textual, esta enfocada em geral sob a perspectiva de Halliday & Hasan (1976), mas inspirando-se, também, nos estudos da escola funcionalista de Praga (particularmente, Daneš) quanto às questões de progressão temática; a coerência textual; a intertextualidade; a tipologia de textos; a produção/compreensão/ sumarização de textos; os mecanismos de conexão (conectores semânticos e pragmático/discursivos); outros processos lingüísticos vistos sob a ótica textual (topicalização, referenciação, nominalização, tempos verbais; emprego do artigo, etc.).

Em 1985, publica-se Coesão e Coerência em Narrativas Escolares Escritas (Lúcia M. K. Bastos, Campinas: Editora da Unicamp). É também a partir de então que revistas especializadas e anais de congressos passam a trazer artigos e comunicações sobre os vários critérios ou fatores de textualidade, com destaque para a coesão, a coerência, a intertextualidade, a informatividade, a situacionalidade, a argumentatividade, bem como sobre o emprego dos tempos verbais e as tipologias textuais.

Como foi dito acima, grande parte dos trabalhos dessa primeira fase fundamentou-se em Halliday & Hasan (1976), no tocante à coesão e em Beaugrande & Dressler (1981), no que se refere aos fatores de textualidade. Contudo, os pesquisadores brasileiros não somente passam a proceder a uma revisão crítica de tais critérios, acrescentando vários outros, como também, principalmente, postulam que se deixe de considerar a coerência apenas como um fator, entre os demais, para entendê-la como um macro-fator da textualidade, resultante da atuação conjunta de todos os demais fatores e, portanto, decisiva para a caracterização da textualidade (cf. Marcuschi, 1983; Koch, 1984, 1985, 1986, 1987, 1988; Koch & Fávero, 1985; Fávero, 1985).

A pesquisa sobre o emprego textual dos tempos verbais fundamentou-se, basicamente, na teoria de Harald Weinrich (1964, 1968, 1971). Todos os estudos que se fizeram e (fazem) sobre o tema tomam sua obra como pressuposto principal, embora, evidentemente, se lhe façam alguns questionamentos de ordem geral e se apontem inadequações da teoria quando aplicada ao português (cf., por exemplo, Koch, 1982, 1984, 1992).

Quanto aos tipos de texto, a influência mais forte foi a de Van Dijk. Seu conceito de superestrutura, aplicado à descrição de diversos tipos de textos, teve grande aceitação no Brasil, tendo inspirado trabalhos bastante instigantes. O mesmo ocorreu com o conceito de macroestrutura e a descrição das estratégias de sumarização, que foram aplicadas não só em uma série de trabalhos sobre compreensão e produção de textos e sobre a produção de resumos, publicados em livros e revistas especializadas, como também em diversas teses e dissertações orientadas pelos pesquisadores que atuam na área da Lingüística Textual.

1.2. Segundo momento

Em 1989, vêm à luz as obras A Coesão Textual (Koch, São Paulo: Ed. Contexto) e Texto e Coerência (Koch & Travaglia, São Paulo, Ed. Cortez), seguidas, em 1990, de A Coerência Textual (Koch & Travaglia, São Paulo: Ed. Contexto), que iniciam uma segunda fase dos estudos textuais em nosso país.

Koch (1989), seguindo um percurso que se havia iniciado já em 1986, com o artigo Principais mecanismos de coesão textual em português, afastando-se em parte de Halliday e abeberando-se em trabalhos de autores alemães como Meyer-Hermann (1976) e Kallmeyer(1974), entre outros, passa a classificar os mecanismos de coesão fundamentalmente com base em sua função textual. Distingue, assim, dois grandes grupos de recursos coesivos: os que são responsáveis pela remissão a outros elementos textuais ou inferíveis (coesão remissiva ou referencial) e os que se destinam a tornar possível a progressão textual, garantindo a continuidade de sentidos (coesão seqüencial). Em Koch & Travaglia (1989, 1990), procede-se à conceituação da coerência como um princípio de interpretabilidade do texto, na esteira de Charolles (1987), a partir de três pressupostos básicos: 1. a coerência não constitui mera qualidade ou propriedade do texto em si; 2. em decorrência de 1, ela não se confunde com a coesão, a qual não é condição nem necessária nem suficiente da coerência; 3. a coerência resulta da atuação conjunta de uma complexa rede de fatores, de ordem lingüística, cognitiva, sociocultural, interacional etc. Outras obras vêm defender, também, posições semelhantes, como é o caso de Fávero (1991) e de Costa Val (1991).

Também os estudos de E. Gülich, vários deles em co-autoria com T. Kotschi (cf. Gülich & Kotschi, 1987), influenciaram de forma importante algumas das pesquisas desse período, particularmente aquelas que dizem respeito à formulação textual (veja-se, entre outros, Barros, 1990; Hilgert, 1993).

1.3. Momento atual

Já nos primeiros anos da década de 90 delineava-se uma forte inclinação para a adoção de uma perspectiva sócio-interacional no tratamento da linguagem (Geraldi, 1991; Koch, 1992) e, em decorrência, para o estudo dos processos e estratégias sócio-cognitivos envolvidos no processamento textual (quer em termos de compreensão, quer em termos de produção), especialmente por parte de pesquisadores como Marcuschi e Koch. O primeiro, já na segunda metade da década anterior, havia desenvolvido um projeto sobre a produção de inferências, financiado pelo CNPq, cujos resultados foram parcialmente divulgados através de artigos (cf. Marcuschi, 1984, 1994). A segunda, em sua pesquisa intitulada A construção da coerência em textos escritos e orais, também financiada pelo CNPq, investigou também essa questão, que discutiu no artigo A produção de inferências e sua contribuição na construção do sentido (D.E.L.T.A. 9, n.o Especial, 1993) .

Tal forma de abordagem dos fenômenos textuais levou a um diálogo crescente com outras Ciências Humanas, como a Psicologia Cognitiva, a Inteligência Artificial, a Neuropsicologia, a Antropologia, a Sociologia Interacional e as Ciências Cognitivas de modo geral.

Os principais objetos de pesquisa, dentro do enfoque mencionado, têm sido a estrutura e o funcionamento da memória, bem como as formas de representação dos conhecimentos, seu acessamento, utilização, recuperação e atualização, por ocasião do processamento de textos; as principais estratégias de ordem sócio-cognitiva, interacional e textual postas em ação durante o processo de produção/ intelecção; e, ainda, as estratégias de `balanceamento' do implícito/explícito.

Os pesquisadores que estão engajados no estudo dessas questões (Marcuschi, 1994, 1995, 1997); Koch, 1996 a, b, 1997 a, b) tomam como fontes obras de autores como Schwarz (1992), Rickheit & Strohner (1985), Heinemann & Viehweger (1991), Van Dijk (1989,1994), Vignaux (1991), além de vários outros citados no item 2.

Outra tendência é a que, com base em obras como as de Adam (1990, 1992), bem como naquelas que se dedicam ao estudo dos gêneros textuais, retomam a questão da tipologia textual, a qual, por algum tempo, pareceu relegada a segundo plano. Podem destacar-se aqui as pesquisas de Marcuschi sobre tipologia do texto.

Nesta segunda metade da década de 90, vem voltando à tona com particular ênfase, em decorrência das pesquisas mencionadas no item 2, caput, a questão da referenciação, isto é, das diversas formas de remissão textual e, em particular, dos vários tipos de recursos anafóricos e de seu processamento sócio-cognitivo (Marcuschi, 1994, 1997; Koch, 1996, 1997).

Entre os principais pesquisadores na área da Lingüística Textual, nesse período, além dos acima mencionados, merecem destaque: Luiz Carlos Travaglia, da Universidade Federal de Uberlândia; Clélia Cândida Spinardi Jubran e Mercedes Sanfelice Risso, da Universidade Estadual Paulista (UNESP), campus de Assis; Maria do Rosário Gregolin, da UNESP - campus de Araraquara; Elisa Guimarães e Maria Lúcia Cunha Victório Andrade, da Universidade de São Paulo; Maria Piedade Moreira de Sá, Dóris Carneiro da Cunha, Judith Hoffnagel, da Universidade Federal de Pernambuco; Maria Irandé Antunes, da Universidade Federal de Alagoas; José Gaston Hilgert, da Universidade de Passo Fundo (RS); Sueli Cristina Marquesi, João Hilton Sayeg de Siqueira, Regina Célia Pagliuchi da Silveira, da Universidade Católica de São Paulo; José Luiz Meurer e seu grupo, da Universidade Federal de Santa Catarina; Maria Aparecida Lino Pauliukonis, Helênio Fonseca de Oliveira, Leonor Werneck dos Santos e equipe, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Todos esses pesquisadores têm não só publicado trabalhos na área, como orientado teses e dissertações nesse domínio.

De outra parte, alguns estudiosos vêm aplicando conceitos básicos da Lingüística Textual à alfabetização, à aquisição da escrita e ao ensino de língua, materna ou estrangeira, de modo geral. Entre eles, podem-se mencionar; Massini-Cagliari (1997); Koch (1993, 1994); Milanez (1993); Marcuschi (1993, 1997).

1.4 Estudo do texto falado

Outra vertente das pesquisas textuais extremamente importante no Brasil é a que se vem dedicando ao estudo de textos falados. Tais estudos vêm-se realizando, de forma particular, no interior de três grandes projetos: NURC, Censo/Peul e PGPF.

O Projeto de Estudo da Norma Lingüística Urbana Culta (NURC), visando a pesquisar a norma objetiva do português culto falado no Brasil, coletou, no início da década de 70, materiais de três diferentes tipos: elocuções formais (EF), entrevistas (DID) e diálogos entre dois informantes (D2), em cinco capitais brasileiras (São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Recife e Porto Alegre). Os informantes, divididos em três faixas etárias (25 a 35 anos; 36 a 55 anos; 56 anos ou mais), deveriam ter formação universitária completa, ter nascido na cidade em estudo e nela ter vivido, pelo menos, três quartas partes de suas vidas e ser filhos de falantes nativos de português.

Nas décadas de 80 e 90, esse material passou a ser objeto de estudos textuais pelo grupo do NURC-Recife, coordenado por Maria Piedade Moreira de Sá e, em especial, pelo grupo do NURC/SP - Núcleo USP, coordenado por Dino Preti. Deste último fazem parte, entre outros, Hudinilson Urbano, Paulo Gallembeck, Diana Luz Pessoa de Barros, Zilda Maria Zapparoli Melo, Luiz Antônio da Silva, Margaret de Miranda Rosa e Leonor Lopes Fávero, de cujos trabalhos alguns encontram-se reunidos em Preti & Urbano (1990), Preti (1993) e Preti (1997).

O Projeto Censo da Variação Lingüística do Estado do Rio de Janeiro, que se desenvolveu também na década de 80 e vem tendo continuidade no Programa de Estudos sobre o Uso da Língua (PEUL - UFRJ/CNPq), caracteriza-se por uma abordagem sociolingüística, que busca uma interface com o discurso. Reúne pesquisadores como Maria Luíza Braga, Anthony Julius Naro, Cláudia Nívea Roncarati, Alzira Tavares de Macedo, Maria Marta Pereira Scherre, Maria Cecília Mollica, Neliza Omena, Helena Gryner, Maria da Conceição Paiva, Maria Eugênia Lamoglia Duarte, Vera Lúcia Paredes P. da Silva, cabendo lembrar, ainda, Giselle Machline de Oliveira e Silva (já falecida), que coordenou o Projeto durante algum tempo e foi uma de suas maiores incentivadoras.

Por fim, o Projeto Gramática do Português Falado (PGPF), idealizado e coordenado por Ataliba Teixeira de Castilho, teve início em 1988, com o objetivo de produzir coletivamente uma gramática de referência do português culto falado no Brasil, com base nos dados do Projeto NURC, acima descrito. Cerca de 35 pesquisadores, vinculados a diferentes universidades de todo o país, reagruparam-se, para uma melhor eficácia na condução dos trabalhos, em três projetos temáticos: (i) o de Classes Lexicais e Gramaticais, coordenado por Maria Helena de Moura Neves, que inclui o GT de Morfologia (posteriormente subdividido em Morfologia Derivacional, coordenado por Margarida Basílio, e Morfologia Flexional, coordenado por Ângela Rodrigues) e o de Sintaxe das Classes Gramaticais, sob a coordenação de Rodolfo Ilari; (ii) o de Relações Gramaticais, coordenado inicialmente por Fernando Tarallo, também falecido, e, desde então, por Mary A . Kato, que engloba também o GT de Fonologia e Fonética, sob a coordenação de Maria Bernadete Abaurre; (iii) o de Organização Textual-Interativa, coordenado por Ingedore G. Villaça Koch. Já se encontram publicados seis volumes intitulados Gramática do Português Falado, que reúnem trabalhos produzidos, em grupos ou individualmente, pelos pesquisadores de cada equipe.

Dentre os vários grupos acima mencionados, é no interior do Projeto Temático `Organização Textual-Interativa no Português Falado no Brasil' que se têm desenvolvido, dentro da abordagem textual-interativa que o fundamenta e, em decorrência, com a mobilização de conceitos da Lingüística Textual, da Análise da Conversação e da Pragmática Lingüística, as principais pesquisas sobre a natureza do texto falado, sua organização tópica, as estratégias de construção (inserção, parafraseamento, repetição, interrupção, segmentação, correção), os marcadores discursivos e/ou articuladores textuais, as formas de marcação de relevo, etc. Além dos textos incluídos nas coletâneas acima citadas, os membros da equipe (Koch, Risso, Jubran, Marcuschi, Fávero, Urbano, Hilgert, Travaglia, Oliveira e Silva , Souza e Silva, Andrade, Aquino, Crescitelli), bem como outros pesquisadores que neles se inspiraram, têm produzido grande número de trabalhos individuais, publicados em revistas especializadas e/ou apresentados em congressos, nacionais e internacionais.

 

2. Conclusão

Verifica-se que não só a Lingüística Textual, como também estudos sobre o texto realizados à luz de outras perspectivas teóricas, encontraram terreno fértil no Brasil, onde germinaram generosamente e continuam a produzir frutos em abundância.

Ano por ano, novos contingentes vêm engrossando as fileiras desse `exército' que, reduzido a princípio a alguns poucos voluntários, hoje pode-se dizer que `se apoderou' de praticamente todas as regiões do país, visto que, em grande parte das universidades brasileiras, existem hoje docentes que se dedicam à pesquisa e ao ensino desse ramo da Ciência Lingüística.

Desta forma, tanto as pesquisas sobre textos escritos, como as que se ocupam da construção e elaboração de textos falados vêm ocupando lugar de destaque entre os estudiosos das universidades do país, quer federais, quer estaduais ou particulares e vêm dando origem a um acervo bibliográfico respeitável, tanto em termos quantitativos, como qualitativos.

O quadro continua a se mostrar grandemente promissor, já que muitos dos jovens pesquisadores ligados aos nossos cursos de pós-graduação têm escolhido esta área como campo de atuação, o que certamente garante a continuidade dos estudos nesse domínio.

 

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